sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O dia em que disse o primeiro "Sim"

Faz hoje 19 anos que disse o primeiro sim. Bom, na verdade já tinha dito que sim quando aceitei sair com ele, mas o oficial foi no dia 31 de Outubro de 1995, quando começámos a namorar. Quando ele me pediu em namoro. Não que eu não soubesse o que ele queria. É claro que sabia! Mas o pedido tinha de ser feito e depois de várias semanas a penar, lá lhe disse sim. Pois mulher que é mulher, sabe bem como fazer as coisas, certo? ;)
 
Penou! Não me largou! E eu andava divertida com a situação. Mas também tinha vontade de namorá-lo. Deu-me o primeiro beijo em Belém. Num banco de jardim. O mesmo que ainda lá está. O mesmo onde de quando em vez voltamos. E recordamos esse dia.
 
Leio e oiço muitas vezes dizer que já não há histórias de amor. Desculpem-me contradizer quem acredita nisso. Pois eu conheço umas quantas. A primeira de que me lembro é a dos meus avós. A segunda é a da minha tia Vicência e do meu tio Jorge. And so on. A última de que me lembro? A da minha prima Sandra. ;) (Sandra, esta é para ti. Porque eu acredito na tua/vossa história de amor) E acredito na minha.
 
Como bem sabem, a vida a dois não é um mar de rosas. Aliás, por vezes, até encontrar o equilíbrio, o que pode levar aaaaanoos, encontram-se muitos espinhos no caminho. Costumo dizer, até, que a coisa mais difícil da vida é viver com outro ser humano. Seja um marido, uma amiga, um irmão ou irmã, com quem for. Partilhar o nosso espaço com alguém é algo muito, muito difícil. Obriga a muitas concessões. A muita tolerância. A muita compreensão. E acredito que a resistência a todas as contradições desgasta muito as relações e as pessoas. Daí as zangas, o cansaço, a necessidade de ter espaço.
 
Não é fácil. Não é nada fácil. Mas há momentos na vida em que é preciso pesar o que é que pesa mais. Se o que nos liga é mais forte ou mais fraco que aquilo que nos separa. E medir o amor que temos por outra pessoa, em determinados momentos das nossas vidas, pode não ser tarefa fácil.

Gosto de contar histórias. Gosto de recontar histórias. E irei contar sempre novos pontos de vista dos mesmos acontecimentos, aqueles que me marcaram, ano após ano. Pois a cada ano há mais aprendizagens para partilhar.

Casámos no ano 2000. E agora, em 2014, comemoramos o início desta história a quatro. A quatro estilos. A quatro personalidades. E, em alguns casos, a quatro vozes, que eles já têm coisas para contar. :) E opinar.

Disse-lhe sim. Se voltaria a dizê-lo? Sim, voltaria. Mas desta vez teria de levar-me a Paris ou a Veneza. Que uma pessoa com o tempo torna-se mais exigente. :)

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Nos meus filhos bato eu

Ouvi esta expressão há uns anos quando ainda não tinha filhos. Confesso que, na altura, não percebi bem o que queria dizer, sobretudo no contexto em que a ouvi. Tinha sido o meu director a dizê-lo ao relatar uma situação complicada com alguns dos colaboradores que geria. O que ele queria dizer agora compreendo perfeitamente. Mas na altura fiquei a pensar nisso.

Lembro-me desta expressão muitas vezes. E, hoje, ao folhear o Correio da Manhã foi o que me ocorreu ao ver as fotografias do José Carlos Pereira, o actor também conhecido por Zeca. Todos sabemos que o mesmo tem problemas com o alcóol. Ele nunca o escondeu e, aliás, entrou esta semana numa clínica de reabilitação. Outra vez. O seu grande problema é ser uma figura pública, pois nem a sua dependência pode tratá-la em paz. Quantos milhares de pessoas não estão na mesma situação? E quantas pessoas lembrar-se-ão que este mesmo José Carlos Pereira além de actor é estudante de medicina?

Bem sei que este é um assunto que convida à discussão. Pois sobre a conduta dos outros todos temos sempre muito que dizer. Que poderão pensar que ele se pôs a jeito. Que se não quer ser falado, por coisas más, deve ter cuidado com o que faz. E rébéubéu pardais ao ninho. Mas a forma despudorada como a sua vida privada foi exposta deixou-me um bocado desconfortável.

Por um lado, os jovens que estavam com ele. Não terão paizinhos que os ensinem a comportarem-se? Não terão paizinhos que os tenham castigado pelo que fizeram? Ou terão sido esses paizinhos a ver nisto uma oportunidade de negócio? Por outro, os próprios pais do Zeca. Como é que acham que se sentem uns pais com um filho com problemas destes? Não será isso suficientemente penoso? Seria mesmo necessário vir um jornal diário escarafunchar numa ferida destas? Da forma como o fez?

O enfant terrible ou a imagem de enfant terrible que o José Carlos nos passa, neste país, leva a que todos se sintam no direito de opinar. Mas e o lado privado da vida pública? E o lado bom das coisas más? Não se aplica aqui?

Nos meus filhos bato eu, deve ser isso que os pais dele pensam. Pois ponham-se no lugar de quem vive com o Zeca, de quem é familiar do Zeca, amigo e colega. Gostariam de ver uma pessoa que vos é querida, com um grave problema de dependência, mas com todo o potencial para vir a ser uma pessoa de sucesso, esfrangalhada pela opinião pública desta maneira?

O que vai no convento só sabe quem está lá dentro... e não há família nenhuma que não tenha histórias para contar, apenas e só, dentro de quatro paredes...

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O Ricardo Araújo Pereira? Em carne e osso?

A nossa box morreu. Apareceu-nos no écran um X vermelho e o número 1 por baixo, a cinzento. Não tínhamos percebido a gravidade da situação até ligarmos para a operadora. A coisa deu-se de manhã e só à noite, no regresso a casa, percebemos que o óbito iria ser declarado. Pelo funcionário do call center.
 
Dentro de uma hora estará aí um técnico para substituir a box, ficou assim combinado e nós prosseguimos as nossas vidas. Banhos, jantar e o costume destes fins de dias, até que tocou o telefone. Dentro de 10 minutos estariam em nossa casa.
 
Vá! Toca a arrumar os brinquedos para os senhores conseguirem passar, ditei ao mais novo que constrói exércitos com todos os bonecos que tem e deixa-os em exposição a maior parte da semana no tapete da sala.
 
Ele: Já estão a chegar mãe?
Eu: Já!
Ele: Vêm os três?
Eu: Os três?!? Quem?!?
Ele: Os três da MEO. Aqueles que aparecem na televisão.
 
Pois, deu para rir. Imaginar que o Ricardo Araújo Pereira viria a nossa casa trocar a box. Lá lhe dissemos que não. Mas ele só se convenceu quando viu o técnico entrar.

Vem aí uma data importante

Na próxima sexta-feira comemoraremos, lá em casa, a data que ditou o início de tudo. Tudo o que somos enquanto família. Eu, o meu marido e os meus filhos. Coincide com o Halloween, mas não tem nada a ver com isso. Talvez tenha sido enfeitiçada, conforme digo muitas vezes ao meu marido, mas na verdade não me posso queixar desse feitiço. Deu frutos. E não foram maçãs vermelhas.
 
Como sabem tenho aulas à sexta-feira e ao sábado e, sorte das sortes, que não estava previsto em plano, este sábado não há. Não se trata bem de uma folga, mas eu e os meus colegas andamos num lufa lufa durante a semana para podermos gozar o sábado. Caiu que nem ginjas.
 
Vamos passear. Ai vamos! Os quatro. Que o tempo é curto para estas coisas e construir memórias a quatro sabe muito bem. Prometo que, depois, conto tudo. Por enquanto ainda estamos nos preparativos. Que isto de comemorar 19 anos de namoro não pode ser assim, uma coisa qualquer... :) Eles não sabem, os mais pequenos, o que andamos a congeminar. Mas temos a certeza que vão adorar!! :)

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Dia Mundial da Terceira Idade

Assinalou-se hoje. E, inevitavelmente, recordei momentos de alegria com os meus avós. A minha grande referência desta coisa que é a "terceira idade". E, ao recorda-los, pareceu-me sentir o cheiro da casa onde viveram. Da casa onde também vivi. Da casa onde os Natais eram ansiados desde o dia 26 de Dezembro. Onde ouvíamos música num gira-discos velho e ultrapassado. Com vinis do Alentejo e outra música popular portuguesa.
 
Lembrei-me da gordura que o meu avô punha nas mãos para amacia-las e de vê-lo na cozinha a fazer isso, pela manhã, de camisola branca de alsas. Na casa dos meus avós havia um pátio interior onde o meu avô montava a bacia na estrutura de ferro, ostentada com um pequeno espelho, para fazer a barba e aparar o bigode. Nunca vi o meu avô sem bigode. A acompanhá-lo, o rádio onde ouvia as notícias da manhã. E à medida que a coisa que ouvia não lhe agradava ía dizendo entre dentes Tché o mããee!! Que só ele sabia o que queria dizer.
 
Lembrei-me da minha avó. Da minha querida avó. Que reclamava se tinha a casa cheia. Que reclamava se ninguém a ia visitar. Numa noite de Verão em que fiquei lá com a minha irmã e as minhas primas enquanto os nossos pais foram ao cinema, montámos um circo desgraçado. A cena foi gira. Acabou com molduras no chão, partidas, resultados de terem servido de amortecedores a almofadas que voaram e fizeram a nossa alegria. A minha avó ficou irada. E, nós, de castigo.
 
Lembrei-me da caixa de bolachas que ela guardava não sei onde. Acho que nunca soube onde é que ela guardava a caixa. Era daquelas caixas metálicas, redondas, aproveitada para que as bolachas Maria que comprava esperassem alguma neta que viesse para comê-las.
 
Na casa da minha avó havia sempre açúcar amarelo. Queijo e pão alentejano. E, na mesa do hall, que ficava debaixo de um espelho, uma lata de laca. Que ela usava todos os dias a cada saída de casa. O cabelo da minha avó era todo branco. Não, prateado. Bom, era entre uma coisa e outra e estava sempre a reluzir. Era vaidosa a minha avó. A senhora da algibeira quente que tomava conta do dinheiro e fazia a gestão da casa. A mulher que vestia calças. Que decidia o que fazer, quando e onde. A mulher que adorava viver. Passear. Divertir-se. Tanto quanto trabalhar. E trabalhou muito, a minha avó.
 
Adorava laranjas. Todos os dias comia laranjas. Tinha diabetes, mas sempre que podia comia uma bola de Berlim com creme e bebia um Sumol de laranja. Às vezes, às escondidas. Depois queixava-se dizendo Estou com ânsias que é como quem diz "agoniada". E todos nos ríamos. E todos nos preocupávamos com a sua doença. Mas ela queria, apenas e só, ser feliz com os pequenos prazeres da vida.
 
Foi a minha avó que me ensinou a nadar. Também foi com ela que aprendi a coser. E foi dela que herdei a vaidade e a força. Bem como alguns dizeres do Alentejo.
 
Já não tenho avós. Para mim, há uma vida que partiram. Pois a saudade dos seus abraços, das suas mãos enrugadas e dos seus toques deixam-me de coração apertado. Tantas vezes.
 
Já não tenho avós. Apenas as suas memórias. De duas das pessoas mais importantes da minha vida que viveram a "terceira idade" até que os seus corações aguentaram. E eu, enquanto o meu aguentar, recordar-me-ei deles. Com amor e saudade.

Directamente da Amadora

A Ana Pinheiro andou a namorar o "Onde está a avó?". Falámos por e-mail, eu enviei-lhe o livro e depois de recebê-lo ainda demorou uns dias até pegar-lhe e lê-lo. Ontem, finalmente, disse-me tudo. E, sem saber, partilhou uma dica muito interessante sobre este difícil assunto. Pedi-lhe que me deixasse partilhar convosco. E ela deixou. :)
 
Olá Claúdia.
 
ADOREIIIII!! Os meus parabéns. E, sim os pais deverão lê-lo primeiro e mais tarde, a leitura para os filhos. A explicação, o porquê de algo "complicado" de explicar aos nossos meninos. E, já agora, num à parte, foi assim que expliquei aos meus filhos (ela com 7 anos e ele com 11 anos) o falecimento do avô, um desenrolar muito idêntico ao do seu livro. Só que foi o avô (o meu pai), o companheiro das brincadeiras ainda hoje recordadas pelos netos com muito amor e saudade. Escolhemos a estrelinha mais brilhante do céu .... é o avô. Ainda, hoje dizemos "Ali está a estrelinha do avô!". No entanto, muito antes, quando ainda, ninguém imaginava uma situação como o falecimento brusco do meu pai, eu falei aos meus filhos da morte. Plantamos um feijão, tratamos do feijoeiro (que até deu feijões) e um dia o feijoeiro secou/morreu e aí consegui que eles entendessem duma forma simples o que é a morte dum ser.
 
Sempre falei e expliquei os porquês da vida aos meus filhos (de acordo com a sua idade), pois assim quando algo acontece, por muito duro que seja, por muita dor que cause tudo é mais "suave".
 
Enfim, experiências de vida.
Os meus PARABENS .......... continue.
 
Obrigado Ana. E parabéns a si pela solução que encontrou.
Obrigado do fundo do coração. :)

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O que eles têm que é só nosso

Somos seres estranhos. É das conclusões mais comuns a que chegamos. E eu penso nisso muitas vezes. Em como somos tão diferentes e tão parecidos ao mesmo tempo. Depois, há aqueles que vêm como nós. Os pequenos. Os nossos herdeiros. Que nos fazem pensar que, afinal, é tudo tão simples...
 
Não consigo comer nem beber nada muito quente. Peço o café numa chávena fria e ponho gelo na sopa. Mas o banho, esse tem de ser a ferver. Quanto mais quente melhor. O leite tem de ser frio, mas a água e tudo o resto tem de ser natural. À excepção do chá, onde junto sempre água fria. Se as bebidas estiverem geladas gelam-me a garganta. Não consigo saboreá-las. Gosto de doces e de salgados. Mas não consigo comer mel nem nada com sabor a mel e não suporto presunto. Morangos, sem açúcar. E nada com sabor a morango. Estranho?
 
O meu marido é ao contrário. Gosta do leite quente ou ao natural. O banho? Quase frio. As bebidas, geladas. O chá, a ferver. Com sabor a morango, marcha tudo. Mel e presunto? Sim, se faz favor.
 
Depois, os miúdos. Que misturam isto tudo. Ela é como eu no que toca ao leite. Ele, é igual ao pai. Mas quanto ao banho, não gostam da água a ferver. A sopa, quase fria. Aí ganha a mãe. Mas perde no que diz respeito aos morangos. Também gostam de mel. E o presunto para ele também marcha. Têm sempre calor, tal como eu. E no Inverno também alinham nas meias e nos robes. Aí o pai fica sozinho.
 
Somo seres estranhos que nos contradizemos a nós próprios. Depois os filhos, esses pequenos grandes seres que nos preenchem a alma, vêm assim, misturados, e a cada gesto deles o reconhecimento de um bocadinho de cada um de nós.

24 horas + 1

Bem sei que a mudança da hora teve lugar ontem. Mas como ontem foi Domingo e não tínhamos horas marcadas para nada, levou-se o dia mais ou menos bem. Hoje de manhã, na alvorada, é que a coisa teve efeito. O melhor de todos? Levantei-me à mesma hora, mas já era de dia: :)
 
Confesso que isto não me agrada nada. Se o Sr. Benjamin Franklin fosse vivo era capaz de escrever-lhe uma carta a dizer-lhe que teve uma péssima ideia. Pois anoitecer às 18h00, numa primeira fase, e depois às 16h30, em dias de chuva, é coisa para deixar qualquer um deprimido...
 
Mas já cá estamos. E tem piada esta coisa do tempo. A forma como o encaramos. Quando eramos miúdos uma hora durava uma eternidade. Depois, quando crescemos, uma hora é, por vezes, tudo o que precisamos. Quantas vezes dizemos Precisava de uma horinha só para mim... Até o discurso mudou: a hora passou a horinha. :) Lembram-se quando não tínhamos uma hora de aulas porque algum professor faltava? Aquilo é que era! Nunca ficávamos parados. Tínhamos sempre o que fazer. E o tempo rendia, rendia. Havia sempre conversa e brincadeiras para pôr em dia. Havia sempre maneira daquela hora transformar-se no melhor do nosso dia.
 
Não me importava nada que os dias fossem assim, com 24 horas + 1. Se tivesse poder para isso decidiria que essa hora seria, obrigatóriamente, em benefício próprio. Cada um faria com ela o que quisesse. Mas em benefício próprio. É egoísta? Não me importo. Precisamos de gostar de nós. Precisamos de tempo para nós. Para podermos dar tempo aos outros.

Há dias assim

Os Domingos nem sempre são como gostaria. No descanso do meu lar a fazer o que bem me aprouver. O de ontem então... Foi sempre a abrir! Isto de sermos as donas e senhoras de tudo o que nos rodeia dá trabalho. E depois é isto, Domingos a trabalhar. A tentar pôr tudo em ordem para a semana que vai começar. Fazer compras de mercearia. Daquelas à séria. Almoçar à pressa num sítio qualquer, pois havia muito para fazer. Arrumar as compras, pôr alguma roupa a lavar, que isto a malta gosta de andar limpinha. Ver o que ela tinha para estudar para os testes desta semana e pegar na descrição de um projecto que estou a fazer. Ainda consegui fazer um bolo o que pela cara de felicidade deles foi o melhor que lhes aconteceu.
 
Mas, ao fim do dia, dei por mim toda curvada, com uma crise de rins que nem de deixava ver bem. Dei por mim com o meu marido a chamar-me para que não passasse a noite no sofá. Dei por mim às 5 da manhã a olhar para o relógio que isto da mudança da hora ainda não "baixou" em mim. Dei por mim já em grande nesta segunda-feira. Que a semana já começou. E vai passar a correr!
 
Dei por mim, aqui, a desejar-vos uma boa segunda feira. Uma boa semana. Dei por mim a pensar Então mas quando é que chega o fim de semana?

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O monstro voltou a atacar!!

Estou que não posso! Lembram-se de ter-vos falado do monstro que é a minha filha? Pois, o monstro voltou a atacar... e, desta vez, não satisfeita com bons resultados, ainda fez o brilharete de ter sido a melhor da turma. É que nem a mudança para uma nova escola, um novo ciclo, um novo sistema de ensino, o facto de ter "n" professores, novos amigos, de estar no jornal da escola e no desporto escolar, abalaram a rapariga!! Então não é que recebeu hoje o primeiro teste que fez, o de matemática, e teve 96%? Então não é que foi a melhor da turma? Então não é que a nossa menina é o elo mais forte?
 
Pelo menos cá de casa, que testes destes, a matemática, nunca foi coisa que eu ou o pai tivéssemos visto! Aliás, de tão lindinho que está o teste, limpinho, com uma carrada de "certos" enormes e perfeitos, até estou a pensar emoldurá-lo! Ahahahahah! Juro que nunca tinha visto um teste de matemática assim!!! :) :)
 
E ela, a malandra, quando me viu no portão da escola bem tentou disfarçar. Mas não conseguiu... vi logo na cara dela que a coisa era boa!! Estamos mesmo MUITO felizes. Todos cá em casa fizemos uma festa. E ela, a minha princesa, é o nosso orgulho...
 
(Tenho cá para mim que um dia vou pagar por isto! Tenho mesmo! Mas enquanto o pau vai e vem aliviam as costas!!)

É uma animação pegada

Alguns de vocês que seguem o Contos com amoras no facebook, sabem que costumo reproduzir as coisas giras que eles vão dizendo diariamente. Às vezes não consigo acompanhar o ritmo e escrever tudo em tempo útil. Outras vezes escrevo num papel ou tento não esquecer-me para registar. A minha memória já não é o que era.
 
Ontem virou-se ela:
- Ó mãe, tu gostavas de ser assim... muito... famosa! Aparecer na televisão muitas vezes??
Eu: Ó filha! A fama sai muito cara...
Ela: O quê? Temos de pagar?
 
Outra:
Ele: Mãe, amanhã quando eu acordar podes pôr a tocar o "Bailando"?
Eu: Então porquê?
Ela: Porque a Isabel (a educadora) disse que devemos acordar bem dispostos!
Eu: Então, mas para isso não precisas de ouvir essa música...
Ele: Preciso sim, mãe! Tu quando ouves isso danças sempre com o pai e ficam bem dispostos!!
 
Tenho dias que são estes momentos o melhor do meu dia. Sem dúvida nenhuma. E este registo que aqui faço e partilho convosco, acaba por ser uma forma de perpetuar estas memórias.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Reforços que valem ouro

Lembram-se deste post? Juro que não foi nenhum esquema para que alguém viesse cá a casa, voluntariamente, passar a ferro ou aspirar. Mas a verdade é que hoje tivemos reforços. Reforços que valeram ouro. Só o facto dos tios F. e J. terem levado o mais novo à natação aliviou, e muito, a agenda cá de casa. Consegui pôr algumas coisas em ordem e consegui acompanhar a mais velha no estudo para o teste que vai ter.
 
Ele adorou! Logo de manhã lembrou-me disso (não fosse eu esquecer-me...) e chegou a casa com aquele brilho no olhar. Os tios foram uns super-tios. E, sem esperarmos, jantámos todos juntos. Num ambiente muito descontraído. Como aqueles encontros que não estão previstos e que caem que nem mel na sopa.
 
O tio ainda foi trabalhar. A tia estava de rastos. E eu agradeço-lhes TANTO esta folga. TANTO que sempre que eles quiserem podem repetir! :) (brincadeirinha)
 
Só ela é que ficou um bocadinho triste. Não foi à natação. Ainda por cima no dia em que foram os tios. Mas ficou a promessa de, no futuro, ir com eles. Sem a mãe! Tal como sublinhou. E a certeza de que o dever foi cumprido.
 
Foi um final de dia muito bom!

Homens!!

Pedi ao meu marido para pôr a capa do nosso edredon. Ao fim de trinta segundos já ele transpiraaaava, transpiraaaava... A cena foi parecida com esta!! :)
 
Vejam até ao fim que vale a pena.
 
 

Bom dia!

Este tempo que nos faz lembrar o Verão que não tivemos, dá-me vontade de tomar pequenos-almoços prolongados. Daqueles em que na mesa não falta nada. Em que as cores convidam a ficar horas à mesa. Sem horas para nada. Mas as obrigações do dia a dia não deixam que estes pequenos prazeres aconteçam sem hora marcada. Terei de esperar por um dia de folga. Só não sei se o tempo, este tempo tão agradável, esperará por mim.
 
 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Dos pesadelos

Lembro-me de ter tido um pesadelo numa noite de febre alta, em que padecia de sarampo, em casa da minha avó. Durante uns anos adornava uma parede da sala um tapete em que a figura central era um tigre. No meu pesadelo o tigre saltou do tapete e atacou-me. Acordei a chorar. Com a minha avó sentada ao meu lado. E eu, de pijama vermelho, lençóis vermelhos, manta de pelo vermelho, a que usávamos na Noite de Natal quando alguém se disfarçava do velhinho das barbas, e de pano vermelho por cima do candeeiro da mesa de cabeceira, agarrei-me a ela. Com toda a força. Até que voltei ao descanso. No seu regaço.
 
Na noite passada acordei com ele a chorar. Uma primeira ameaça que me despertou os sentidos. Depois, um choro pegado que me fez dar um pulo às escuras pelo quarto. Naqueles breves segundos ocorreu-me tudo. Tinha caído da cama, tinha batido com a cabeça, tinha tido um pesadelo. E na beira do colchão, sentei-me. E ele aninhou-se em mim.
 
Até que o batimento cardíaco do petiz voltasse ao normal, deixei-me ficar deitada a seu lado. E o resto da noite foi de vigília. Tal o aperto no peito pelo grito não contido numa noite que se queria calma. É um sufoco. Ouvi-los chorar assim durante o sono. Não há palavras com nexo. Nem explicações que nos acalmem. Apenas a incerteza sobre o que ele viu. Sentiu. Temeu. E uma impotência enorme por não conseguir adivinhar essas noites de tormenta e roubá-las para a minha cama. Para que se manifestem em mim os seus fantasmas.
 

Os dias valem um fósforo

Os fins de semana são curtos. Toda a vida foram, é certo, mas agora ainda mais. Por um lado, o sábado todo ocupado com aulas, por outro o acompanhamento necessário à preparação de testes de avaliação e trabalhos de pesquisa que ela já começou a fazer. Num ápice, chegamos a Domingo à noite. É obra!
 
Tenho a sensação que trabalho de Segunda a Domingo. Todo o santo dia tenho alguma coisa em casa para fazer e, vai-se a ver, nunca nada está feito. Se pego na roupa para passar, parece que não faço outra coisa. Nunca vejo o fundo ao tacho!! Se aspiro o chão, parece que o cotão nasce, cresce, como se tivesse sido adubado. Se pego na casa de banho, começo logo a dar em doida com a quantidade de cabelos que surgem de todos os cantos, a toda a hora do dia, todos os dias da semana, tal e qual como ervas daninhas. Mudar lençóis, às vezes, faço-o antes de me deitar. Ir às compras? Bem, falta sempre qualquer coisa e eu não tenho paciência nenhuma para supermercados. Neste Domingo ainda se deu o caso de estar engripada e de na noite passada o termómetro ter subido aos 37.6º. O meu. Parece que levei uma tareia.
 
Depois, trabalho, claro está! Tento não levar nada para casa. Mas a cabeça anda comigo... os miúdos têm trabalhos para fazer, natação e catequese. Além disso, não vão para as escolas nem para casa sozinhos. À Sexta e ao Sábado, aulas todo o dia. Ao Domingo, o dia passa num fósforo.
 
Ando sempre a mil. Tal como o meu marido. De tão depressa que passam os dias, parece que já passaram seis meses desde o regresso das férias. Mas não. Passou um mês e meio. Apenas... :( Quando olho para o calendário na tentativa de programar uma saída de 2/3 dias, acabo sempre por chegar à conclusão que não dá. Pelo menos tão depressa não dá. É que até Fevereiro estou "presa" às obrigações. Por isso, se passar menos vezes por aqui, perdoem-me.
 
O meu primo Tó ligou-me no sábado ao final do dia e começou por dizer:
- Então? Já acabaste as aulas? Já trataste da casa? Já vendeste livros? Já despachaste os miúdos? Já fizeste o jantar? Já estás parada?
 
Começou assim, de tão bem que me conhece.
E só depois é que me disse o que queria.
 
Daqui resulta que todos os mínimos momentos de sossego valem ouro. Consegui jantar com o meu marido no sábado. Numa aprazível esplanada e acompanhados de sangria de espumante com frutos vermelhos. Ontem conseguimos, os quatro, ir ao lançamento da Agenda 2015 da Fundação "O Século" e tomar um café com um grupo de amigos. Nós ainda não tínhamos almoçado, os adultos. Mas de tão cansada que estava nem me apetecia ler a ementa. Pedi que alguém a lesse por mim. :)
 
Por isso, a cada minuto livre elevo o seu valor ao triplo. Pois é como se estivesse submersa no oceano e viesse raramente ao de cima respirar. Só espero recuperar rapidamente desta tosse cavernosa, dos tremores e arrepios e do nariz entupido. É a única coisa que me deita mais abaixo. E, depois, tenho alguns convites para apresentar o livro. E isso, sim, é o meu grande projecto do momento. Na verdade, não sei viver de outra forma a não ser rodeada de coisas para fazer e das pessoas de quem gosto. Tenho a casa no limite daquilo que é considerado um ambiente saudável, mas tudo se resolve. Com tranquilidade, tudo se resolve.

domingo, 19 de outubro de 2014

Directamente de Portimão

A D. Fernanda Patacho já recebeu o "Onde está a avó?" e eu fiquei a saber que se trata de uma professora primária reformada que me enviou um e-mail amoroso. Não a conheço pessoalmente, mas parece-me que lhe adivinho o tom de voz. Hoje mandou-me outro e-mail. A dizer-me que já tinha lido o livro...
 
Cláudia, a menina tem um dom e não sabe... Um dom que poucas pessoas têm. Não falo da sua escrita ou da ideia que teve em escrever este livro, mas no dom de dar um explicação simples às coisas complicadas. Muitos parabéns por ter conseguido escrever um livro para todas as idades, Adorei!
 
Eu é que adorei saber o que sentiu.
Obrigado D. Fernanda.
 

Casas onde seria feliz #5

Quando, há uns anos atrás, eu e o meu marido pensámos em investir numa casa de madeira, era mais ou menos isto que idealizávamos. E, de vez em quando, gosto de recordar esses projectos que fizemos. Aprendemos imenso sobre tipos de madeiras. As mais adequadas ao nosso clima. Sobre os custos. Como se fazem esses projectos. Sobre a manutenção de uma casa destas. Sobre os riscos e os benefícios.
 
Não estamos arrependidos sobre a opção final, mas de vez em quando lembramo-nos desse tempo em que nos apeteceu ser um pouco nórdicos. E sorrimos.
 




 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Respostas parvas

Se há coisa que me irrita é ir comer a algum lado e à pergunta:
- A sopa é de quê?
Responderem-me:
- De legumes!!!
 
Desculpem lá!! Mas se não for de legumes a sopa será de quê?!?! E não me venham com conversas de que pode ser canja. Pois se for canja está escrito em qualquer lado "CANJA" ou "HOJE TEMOS CANJA", mesmo porque não há sopa. De legumes.
 
Custa assim tanto, a quem está a servir à mesa, informar-se sobre de que é a sopa? Qual o legume "dominante" ou "diferenciador"?
 
Um destes dias à hora do almoço a minha amiga Z., no local onde habitualmente tomamos café, perguntou ao empregado de mesa:
- A sopa é de quê?
Ao que EU respondi:
- De legumes (com ar irónico)...
- Exactamente! - Rematou o rapaz.
 
Como já o conhecemos disse-lhe:
- Então e a sopa é de quê?
- De legumes! (como se eu não tivesse percebido)
- Mas de que legumes?
- Da horta... (disse a medo)
- Então olhe, deixe-me que lhe diga. A sopa é SEMPRE de legumes. Sendo que a base da mesma pouco varia. O senhor faria um brilharete se todas as manhã perguntasse na cozinha de que é a sopa.
- Só um bocadinho. - E virou-me as costas.
 
A minha amiga ria-se. Mas concordava comigo. E dizia-me:
- Só tu!!
 
Lá veio ele, todo contente, de sorriso rasgado:
- A sopa é de nabiça com feijão! - Orgulhoso da sua conquista.
- Feijão quê? - Perguntei.
Oi! Feijão quê? Acho que o rapaz não tinha pensado nisso. E a minha amiga:
- Sim... feijão encarnado, branco...
E ele, como uma criança a quem tinham tirado um chupa. Juro que me pareceu ver-lhe os cantos da boca a estremecer:
- Não sei...
- Traga lá uma sopa, se faz favor. - Rematou a minha amiga.
E assim ficámos.
 
Quando a sopa veio, nada de feijão. Só nabiça e massa e depois deste episódio não voltámos lá. Mas juro-vos que quando voltarmos faço questão de simular que vou almoçar só para perguntar de que é a sopa.
 
O mal não é do empregado de mesa. O mal é de todos os empregados de mesa que respondem com desconhecimento total daquilo que é ementa.
 
A sopa é de legumes?!? Ó senhores!!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Cansa-me a beleza!

- Estou?
- Olá mãe!
- Então? Está tudo bem?
- Sim, mãe. Acabei agora uma aula e vou para a outra.
- Ok.
- Adeus!
- Adeus!!
 
Passado uma hora:
- Estou?
- Olá mãe!
- Então? Está tudo bem?
- Sim, mãe. Acabei agora uma aula e vou para a outra.
- Ok.
- Adeus!
- Adeus!!
 
Passado outra hora:
- Estou?
- Olá mãe!
- Então? Está tudo bem?
- Sim, mãe. Acabei agora uma aula e vou para a outra.
- Ok.
- Adeus!
- Adeus!!
 
E é isto todo o santo dia... E é isto desde que tem telemóvel. E é isto de meia em meia hora quando está fora. E em casa, o telemóvel passou a ser o seu tablet. Ouve música, vê filmes, lê o que gosta. E eu ainda não estou habituada a este intruso. A este mal necessário.

A educação é cara? Experimentem a ignorância.

Ainda não me tinha pronunciado sobre o estado de sítio em que se encontra o início deste ano lectivo. Apenas e só porque tenho o hábito de ser muito prudente ao comentar coisas sobre as quais não sei grande coisa. O que é o caso.
 
O que é que eu sei?
Sei que há concursos para colocação de professores. Sei que os professores devem apresentar as suas candidaturas segundo determinados critérios. Sei que há uma espécie de "hierarquia" na colocação dos mesmos que assenta na antiguidade, formação, créditos... Sei que os professores têm um determinado período de tempo para aceitarem a colocação que lhes foi atribuída. Sei que há uma bolsa de contratação. Sei que há casos de processos desaparecidos. E pouco mais. (perdoem-me os professores se estou a dizer alguma coisa mal e, por favor, esclareçam-me)
 
Como cidadã tenho cuidado para não emprenhar pelo ouvido. Não me deixo levar pela desinformação que a comunicação social pratica. Não me deixo levar pelos dramas de colocações a 400km de casa. Não me deixo enganar pelas péssimas condições de trabalho apregoadas aos sete ventos. E não! Os meus filhos não estudam no privado!
 
Tal como aconteceu comigo frequentam o ensino oficial. Pois eu não acredito num ensino diferenciado quando os professores saíram praticamente das mesmas escolas. Não acredito que um mau professor, sem perfil, sem vocação, consiga vir a ser um bom professor se leccionar numa escola privada. Também não acredito nas notas espectaculares que essa via de ensino apresenta. Pois quando uma empresa pode escolher o seu cliente o padrão que se cria vicia os resultados.
 
Acredito, isso sim, que a profissão de professor é muito mal tratada em Portugal. Que esses profissionais da instrução académica (pois a educação deve vir de casa) estão feridos de morte com a forma como, consecutivamente, são tratados. Ou melhor, destratados. Como o desrespeito pela figura do professor ganhou lugar à figura de referência do nosso desenvolvimento enquanto cidadãos. Como a falta de educação de uma geração veio a reflectir-se de forma tão negativa.
 
As aulas já começaram há cerca de um mês. A minha filha já começou a fazer os primeiros testes de avaliação, mas ainda lhe falta um professor. O de Educação Musical. E como mãe que sou, e apenas nesse papel, custa-me a compreender isto quando tenho uma grande amiga, professora de Educação Musical, desempregada. Sem colocação. Ah! E com muitos anos de carreira!
 
Oiço coisas sobre este assunto que me ferem os ouvidos. Oiço muitos treinadores de bancada, mestres na arte da elaboração de fórmulas mágicas e doutorados em resolver os problemas da nação à mesa de uma esplanada. E isso incomoda-me. Porque temos de saber do que falamos, de preferência, com conhecimento de causa. Como mãe, vejo o cenário que descrevi acima, mas como cidadã tenho a obrigação de tentar perceber como funciona o sistema. E colaborar para o seu funcionamento. Tenho de praticar o direito à democracia. Tenho de votar. E não posso reclamar quando fui a primeira a contribuir para a situação, através da abstenção.
 
Como cidadã tenho de perceber que sou eu a maior accionista do Estado. A maior interessada na sua boa gestão. A pessoa que deve pedir respostas, mas apenas e só com a consciência de ter feito alguma coisa por ele. Tenho de, antes de mais, perceber o seu valor. Não posso passar a vida a reclamar o tudo, já e agora, porque vivo insatisfeita. Não posso fazer-me valer dos meus direitos quando também tenho deveres.
 
Fico muito triste com o estado da educação. Porque valorizo-a. Porque é minha. Porque não consigo compreender como é que uma questão basilar das sociedades é tratada de forma tão despudorada. Porque também estudei. Porque o Estado investiu em mim e está a investir nos meus filhos. Fico triste porque não somos exímios em bons resultados, mas somo exímios em reclamar e exigir. Adoramos dizer que somos bons, mas não queremos ter trabalho. Porque tudo dá muito trabalho. Não temos números espactaculares de aproveitamento escolar, mas temos números espectaculares nas candidaturas a reality show's. Não temos dinheiro para pagar as propinas e os livros escolares são muito caros e o material pedido é exagerado e tudo, tudo, menos os concertos de música, os telemóveis e as roupas de marca, são um exagero de custos.

Quando ouço estas queixas, dá-me vontade de responder com todas as forças. Mas não o faço. Porque o tempo em que acreditava que iria mudar o mundo já lá vai. Deixo apenas um recado:

Acham que a educação é cara? Então experimentem a ignorância.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

1 ano de vida

Se olharem para o lado direito do blog, mais propriamente para o arquivo, dar-se-ão conta de que este ganhou vida em Abril de 2013. No entanto, devido a várias circunstâncias, o mesmo ficou adormecido até dia 14 de Outubro, data em que renasceu e que eu considero a data "oficial" da sua existência. Pois também se deu o caso de começar como "Contos da Cláudia" e, depois, ser rebaptizado. Por isso, os "Contos com Amoras" fazem hoje 1 ano. Celebram hoje o seu primeiro ano de vida. Cheio de vontade de partilhar histórias, tal como a minha querida tia de quem falei aqui e que, se fosse viva, hoje também faria anos.
 
Como alguém disse um dia: Não há coincidências...
 
Foi um ano muito positivo. O ano zero deste mundo virtual. Já conheço os veteranos. Já lhes mostrei que sou uma boa aluna e que irei ter bom aproveitamento. Pois nem eu estou habituada a outra coisa! :) Já dei provas de bom comportamento. Já tenho quem me leia todos os dias e, imagine-se, uma leitora que me persegue. Logo, este blog já é gente!!
 
Quando olho para o que partilhei aqui convosco, dou-me conta de que me acompanharam no último ano da minha vida. Que me viram crescer nesta aventura com os meus caracteres. Que me acompanharam nas minhas tristezas e alegrias. Que celebraram comigo as pequenas conquistas. Que me acompanharam nos pequenos projectos que fiz. E isso é algo que me deixa muito feliz. Porque muitos de vós deram-me um feedback positivo sobre a grande identificação que sentiram com um outro texto. Em alguns casos, com vários. Continuam a queixar-se que comentar dá muito trabalho, que é mais fácil comentarem no facebook ou mandarem-me e-mail's. Há ainda quem prefira dizer-me as coisas a viva voz. Mas tudo bem. Não deixem é de dizer o que aí vai.

Este mês de Outubro é especial para mim. Faz 19 anos que conheci o meu marido. 10 anos que fui mãe pela primeira vez. A minha tia faria anos hoje. O meu blog também nasceu no dia de hoje. E o meu livro também foi lançado neste mês, há uma semana e meia atrás.

Fico feliz por ter conseguido alimentar esta espécie de diário. Por não me ter faltado a inspiração. E por ter conseguido manter cada coisa no seu lugar. Sem filtros. Sem misturas. Sem fórmulas mágicas.

Não haverá bolo. Que esse estava reservado para uma pessoa especial. Mas haverá um jantar de primas-irmãs que cresceram à imagem do que a minha querida tia deixou. À imagem da sua herança fundamental. Assente em pilares basilares como a família, o respeito, a honestidade, a verdade. E será com verdade que logo irei abraçá-las. Pois são elas as minhas primeiras leitoras. Foram elas as minhas primeiras amigas. E sei que serão elas as minhas minhas âncoras quando me falhar a capacidade para aqui vir.

À minha querida tia, hoje, dir-lhe-ia, apenas, OBRIGADO.
A vocês também. Porque são as boas pessoas que me fazem feliz.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Directamente do Porto

Recebi o seu livro hoje e já o li. Fiquei com as lágrimas nos olhos. Tal como diz na contracapa é uma bela e doce obra, de uma sensibilidade extrema. Gostava de conhecê-la, pois deve ser muito boa pessoa. Vou mostrar à minha família e aos meus amigos e quero comprar mais para oferecer no Natal. Não pare de escrever. A Cláudia tem um dom.
 
Um dom? Não diria tanto. Mas este foi o melhor do meu dia. Que me chegou agora do Porto. Pelo teclado da Maria João.
 
Muito obrigado.
Agora fui eu que fiquei de lágrimas nos olhos.

Uma surpresa

Foi do que a família lá de casa fez parte ontem à noite. Andámos durante algum tempo a guardar segredo. E com as alterações de última hora e muito boa vontade, lá conseguimos que o visado não soubesse de nada e fosse, realmente, surpreendido. Eramos cerca de 70 pessoas. Uma sorte termos conseguido fazer deste o maior segredo dos últimos tempos.
 
A nossa amiga, namorada do aniversariante, é que foi a grande culpada deste encontro. Quis surpreender o namorido que faz anos hoje, mas por diversos motivos tinha de ser ontem. Com a promessa de cantarmos os parabéns depois da meia noite. Conseguimos estar todos a horas. E fazer silêncio para que ele não desconfiasse. Também não reconheceu os nossos carros. E estava a milhas de imaginar o que o esperava.
 
Ele chegou vendado. Ela anunciou em alta voz que aquele era o seu presente de aniversário. E quando retirou a venda, acto notoório de alguma ansiedade, gritámos SURPRESA. E julgo ter visto uns olhos marejados. Ao de leve, claro.
 
É bom fazer parte de um grupo de pessoas que partilham várias coisas. A amizade pela pessoa que fazia anos, o intuito de querer fazer parte de uma noite memorável na vida desse amigo em comum, a sensibilidade de definir o que é realmente importante sem pensar na vida de cada um e nas alterações que isso poderia implicar a um Domingo à noite. Sobretudo para quem tem crianças pequenas.
 
Nós preparámo-nos. Deitámos o mais novo à tarde que dormiu cerca de duas horas e meia. Eu também descansei e o pai também. Só ela é que passou a tarde de volta do CD da Violeta que a sua amiga lhe ofereceu. Mas todos de sobreaviso que a noite iria ser longa e se quisessem aguentar a diversão era preciso descansar.
 
A noite foi, de facto, longa para eles. Mas não queriam arredar pé. Dançaram, cantaram, comeram, jogaram, divertiram-se imenso. Tivemos direito a animador com vários adereços para os convivas. Karaoke. Coreografias. Ainda dei um pé de dança com o meu marido. E diverti-me com todos. Tirámos fotografias, rimos e brindámos.
 
O nosso querido R. ficou feliz. E nós estivemos feliz por ele e com ele. Foi o quanto bastou.
 

Querem ganhar um livro?

A Up to Lisbon Kids desafiou-me a lançar um passatempo com o meu livro. Criámos, então, uma parceria com o principal intuito de dar a conhecer o trabalho que ambos desenvolvemos. Se querem habilitar-se a receber um "Onde está a avó?" em casa, sigam as instruções.
 
A Up To Lisbon Kids em parceria com a autora Cláudia Marques, vai oferecer um (1) exemplar do Livro "Onde está a Avó", com Ilustrações de Rita Correia Ilustradora

COMO PARTICIPAR | REGRAS
1. Fazer like na página
Contos com amoras s e na página Up to Lisbon Kids ;
2. Partilhar esta publicação (ao público).
3. Escrever um comentário nesta publicação, que inclua o tag para o nome de 3 amigos.
Agora é só esperar. Já está Habilitado!

● O passatempo é válido de dia 10 Out’14 até dia 19 Out ’14, e o sorteio será realizado através do programa Random.org. ● O vencedor será revelado até dia 24 Out’14 ● Apenas estarão habilitadas ao sorteio páginas pessoais e que cumpram as 3 regras de participação. ● A partilha tem de ser pública para a podermos seguir ● O mesmo utilizador pode concorrer mais que uma vez, desde que em cada participação coloque o nome de três pessoas diferentes das anteriores. Ficará habilitado o nº de vezes que concorrer ● O prémio será enviado por correio após a reclamação do mesmo.●
 
 
Boa sorte!

sábado, 11 de outubro de 2014

Conversas de pé de orelha #4

Durante a semana as horas de almoço são um verdadeiro escape. Encontramos colegas de trabalho que não vemos há muito tempo ou com quem apenas falamos ao telefone ou outros, mais frequentemente, que andam pelos mesmos caminhos que nós. A esplanada é o ponto alto destes encontros. Vem um, senta-se. Vêm mais 2 ou 3, sentam-se. Às vezes a esplanada é só nossa.
 
Num destes dias 3 colegas minhas falavam de empregadas domésticas. De como facilitam a vida. De como confiam nas suas, etc, etc. Até que uma diz:
 
- Opá, eu cá não tenho empregada doméstica. Custa-me pensar ter alguém em casa que vê as minhas coisas. A minhas intimidades. O que tenho nas gavetas. Sei lá! aquilo faz-me confusão.
 
Outra:
- Mas tens de confiar. E a pessoa para limpar e arrumar a casa tem de mexer!
 
Outra ainda:
- Mas qual é o teu stresse?
 
Ela:
- Por exemplo, tenho uma gaveta com lingerie que uso em ocasiões especiais. Já viram o que é saber que alguém andou lá a mexer?
 
Todas. Quase em coro:
- Ai tens?!?
 
Ela:
- Sim, claro! Vocês não têm?
 
Eu:
- Claro que sim! Tenho uma gaveta da lingerie especial. A que não me serve!! (todas concordaram comigo!) :)
 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Ele beijou-me. E eu arrepiei-me.

Ontem passei à porta do meu primeiro emprego. Apercebendo-me de que não passava lá há muito, mas muito tempo. Está tudo igual. Tudo no mesmo sítio. Apenas as pessoas são outras.
 
Ontem passei à porta do local onde conheci o meu marido. O meu namorado de sempre. E pareceu-me regressar ao tempo que passou. Ao princípio do tempo que já passámos em comum. Pareceu-me regressar ao princípio dos 19 anos que nos unem. E ainda olhei para o sítio onde ele costumava esperar por mim. Na esperança de vê-lo lá. Com os seus all-star, as suas levi's e uma t-shirt branca.
 
Não o vi. Ali. Vi-o em casa. E contei-lhe o episódio. Com um misto de humor. Que miúdos eramos nós! Lembras-te disto? Lembras-te daquilo? Tinhas menos cabelos brancos.
 
Sorrimos. Recordámos. E ele beijou-me. E eu arrepiei-me.
 
Já disse aqui várias vezes que o tempo que passa vai para dentro de nós. E nós, estamos cheios de tempo vivido. De histórias para contar. E os beijos... os beijos também amadurecem. E enquanto ficar arrepiada com os que ele me dá, continuaremos a encher-nos de tempo em comum.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Directamente de Braga

A Marta foi a primeira pessoa a comprar-me um livro. Antes do lançamento. Enviou-me uma mensagem pela página dos Contos com amoras no facebook e eu fiquei estarrecida. Não nos conhecemos nem temos ninguém em comum. Diz que soube do livro pelas redes sociais. E esta manhã mandou-me a sua opinião:
 
Li o livro e gostei muito. Tem leveza na escrita e enfrenta um problema difícil de explicar a pequenos e graúdos. A resposta que dá no livro é a mais segura que podemos guardar nos nossos corações.E, claro, obrigado pela simpática dedicatória.
 
A Marta não sabe, mas fez deste momento, às 9 da manhã, o melhor do meu dia!
Obrigado minha querida. Por ter arriscado. Por ter contribuido para este projecto.
Por aquecer-me o coração.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Duas mãos cheias de ti

Já te contei tudo sobre como vieste ao mundo. Sobre a dificuldade que tive em engravidar de ti. Sobre o dia em que nasceste. Sobre a descoberta que me trouxeste. Sobre a forma assustadora como estás a crescer. Sobre o que me custa saber e sentir que já não és bebé. Já te disse o quanto te amo. O quanto te quero. O quanto me orgulho de ti. Já te disse tudo isto. E não me canso.
 
Um dia irás perceber estes clichés de mãe. Vais perceber porque te parecem as mães todas iguais. Porque adoram abraçar os filhos, mesmo que estes fiquem envergonhados. Porque insistem nas costas direitas à mesa. No beijo de boa noite. No obrigado, no bom dia e no com licença e desculpe. Por mais que essa insistência vos aborreça.
 
Mas não sei se algum dia conseguirei transmitir-te a verdadeira dimensão daquilo que representas na minha vida.
 
Há, para mim, uma vida antes de ti. E outra, completamente nova e bela, depois de ti. Há histórias para contar que gostas de ouvir. E outras que gostas de registar. E essa tua atenção à nossa história, essa tua atenção ao que somos enquanto família, ao que eu e o pai quisemos construir, faz-nos crer que estamos no bom caminho.
 
Fomos simplesmente abençoados com o teu nascimento. Beijaste-nos o coração no dia em que soubemos que vinhas a caminho. Fizeste-nos tremer de emoção. E de medo. Estaríamos nós à altura de tão grande benção? De tão grande responsabilidade? Mas jamais poderíamos nós adivinhar que contigo viriam tantas outras coisas que nos fazem respirar, diariamente, por ti.
 
Contigo veio uma sensibilidade extrema. Veio um coração de ouro que se emociona quando vê um idoso na rua. Veio uma menina cheia de fé. Que ensinou-me também a ter fé. Veio um monstro da matemática e outro da literatura. Umas mãos de artista que desenham a carvão como nunca vi nesta idade. Veio uma nadadora exímia. Que na primeira aula de natação saltou dois níveis por causa da imensa técnica que tem. Veio um ser humano na sua plenitude com tudo aquilo que desejamos num filho. Uma menina. Uma menina muito bem educada. Respeitadora.
 
Também veio uma irmã mais velha. Às vezes sem paciência para o irmão mais novo. Uma chatinha do pior quando não está satisfeita com alguma coisa. Uma curiosa que pergunta tudo quando estamos a ver o telejornal. Uma bailarina de pé pesado que nos desmancha a casa para construir cenários e palcos e teatros. Uma cantora sem qualquer dom. Uma inventora de palavras em inglês. (Estamos desejosos que acertes com o sotaque. E que deixes de atropelar as letras das músicas que mais gostas.) Uma menina como tantas outras que gosta de ver a Violeta.

Aperta-me o peito pensar que um dia poderás não querer mais os meus abraços. Já que me impedes de dar-te abraços infinitos à porta da escola. Aperta-me o peito pensar que um dia as minhas pernas poderão fraquejar perante a tua necessidade de colo. Aperta-me o peito pensar que um dia a minha cabeça poderá esquecer-se desta vida que me deste. E que venhas a sofrer com isso. E não me digas que connosco será diferente.

És a minha melhor amiga. Mesmo que ainda não dês por isso. És a minha companheira diária. Levantamo-nos e começamos o dia ao mesmo tempo. E tu dás-me sugestões sobre o que tenho em agenda. Pessoal e profissionalmente. E olha que consegues ser muito assertiva.

Se uma mão cheia de coisas boas é algo que todos queremos na nossa vida, imagina como me sinto por hoje completar duas mãos cheias de ti. Do melhor de mim. Há dez anos, o melhor de mim. E desculpa se a mãe se zanga. Desculpa se, por vezes, estou cansada. Desculpa qualquer coisa que ainda não entendes. Mas confia em mim. Tal como faço contigo.

Amo-te.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Um cavalo chamado SIC. Há 22 anos...

Todos os anos acontece-me o mesmo. E este ano não foi excepção. Enquanto que para os meus filhos terem um rol de canais de televisão é algo que sempre existiu, nas suas vidas, para mim não foi bem assim. Sou do tempo da RTP1 e da RTP2. E só. Nada mais. Por isso, 22 anos de vida da SIC é um arrepio que sinto na espinha. Estou mesmo a envelhecer...
 
No dia em que a SIC nasceu ao pé da casa dos meus pais nasceu um cavalo num picadeiro. E, claro, foi baptizado de SIC. Todo o santo ano tenho a memória do cavalo. Fui lá visitá-lo quando nasceu. E hoje lembrei-me dele novamente. Acrescentando a pergunta Será que ainda é vivo? Como não sou perita no assunto andei a pesquisar e conclui que sim. Desde que não tenha tido nenhuma doença ou outro problema qualquer. Descobri que os cavalos vivem, mais ou menos, 30 anos. Por isso, talvez passe por lá um destes dias com os meus filhos. Para contar-lhes esta história.
 
Quanto à SIC. O seu nascimento foi memorável. Sem dúvida que, em Portugal, houve uma vida antes e há outra depois da SIC. Marcou-me o grande modernismo da imagem. Uma grande alteração na forma de comunicar. Uma maior aproximação do público. Uma abordagem completamente inovadora. Longe de toda a imagem engravatada da RTP. Que ainda hoje mantém.
 
Eu que assisti à estreia da Vila Faia, a primeira telenovela portuguesa, à Chuva na Areia, ao Topo Gigio, o momento alto do meu dia, aos Festivais da Canção e ao fecho de emissão, estava a descobrir um admirável mundo novo. Lembro-me do primeiro dia. Em casa, um momento solene. Quase que fui obrigada a vestir a roupa de Domingo. Portugal parou. Para ver a Alberta Marques Fernandes.
 
22 anos depois uma vida para contar. E a SIC, contadora de histórias por excelência, veio para ficar. Só não consigo perdoar-lhe esta contagem do tempo. Era eu uma criança. E a cada ano que pergunto-me Para onde foram tantos anos? Para onde foi o tempo?

Sobre o lançamento do livro

Para já, a foto possível para terem uma noção de como o Auditório Comendador Rui Nabeiro esteve composto. Por estes dias irei colocar mais fotografias. Mas agora, antes de mais, é hora de agradecer a TODOS os presentes. A TODOS os que não puderam estar presentes. A TODOS os meus amigos que vieram de fora. Do Porto, da Guarda, de Santarém e do Alentejo. A TODOS os leitores do meu blog e seguidores da minha página que me surpreenderam e brindaram com a sua presença. A todos os desconhecidos que passaram a fazer parte deste grupo de amigos. À minha Família. Aos meus colegas de trabalho. Ao Dr. Francisco Moita Flores. Ao presidente da Fundação "O Século", Dr. Emanuel Martins, e à sua fantástica equipa. À Rita Correia, a ilustradora e mulher de mão cheia. E à sua família. À minha amiga Zélia.  À minha querida irmã Rita. A fotógrafa de serviço (agora despacha-te lá com as fotos). Ao meu marido. Aos meus filhos.
 
Estou exausta. Mas de coração cheio.
 
OBRIGADO. Mil vezes OBRIGADO.
 
 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

E as aulas começaram

9.30 da manhã e eu já estava a começar o segundo turno do dia sentada numa mesa de escola. (Pelo menos foi assim que me senti) Sim, que o primeiro turno começa às 6.45!
 
Tudo a postos para começar 6 meses de aulas. Tudo a postos, assim pensava eu. Que herdei, não sei de quem, pontualidade britânica. Primeiro que o resto da turma chegasse... Primeiro que o próprio formador despachasse dois e-mail's e fizesse o telefonema urgente que tinha para fazer... e eu já a hiperventilar!!!
 
Não fui feita para isto. Para atrasos. Já falei sobre isso muitas vezes aqui. Não gosto de chegar atrasada a lado nenhum e não gosto de esperar. Não gosto de desperdiçar tempo. Nem gosto de olhar para o tempo que passou e concluir que o desperdicei. A única vez que estive em algum sítio onde a pontualidade era mais que britânica, foi em Berlim. Dez dias num congresso farto. Às 8.00 da manhã estivesse uma pessoa ou estivessem 50 os trabalhos começavam. E a hora determinada para cada orador era cumprida ao milímetro. Caso contrário, ficava sem microfone e sem projector.
 
10.10 o primeiro introito. 10.25 o segundo introito. 11.15 intervalo. E assim passou a primeira parte da manhã.
 
Sou funcionária pública. O curso que comecei hoje é sobre Administração Pública. E se sou uma defensora do Estado, não fundamentalista, mas defensora, e se me debato com quem é um defensor acérrimo da gestão privada e se, desde sempre, defendo que o ideal seria vivermos num sistema com o melhor dos dois mundos, tenho a impressão que agora terei novos argumentos sobre este tema polémico... (muuuuahahahah)
 
Gostei do que ouvi. Da imparcialidade. Da imagética utilizada. Mas bem aplicada. Desmontando o que, por vezes, parece muito complicado aos mais distraídos. E houve uma que me ficou na cabeça:
- Vejam lá que há casos de funcionários públicos que casaram com funcionários do privado e tiveram filhos perfeitamente normais. Adorei!
 
Por isso, dedico este post aos meus amigos que vêem no Estado o culpado da situação que o país atravessa e, consequentemente, nós. Dedico aos meus amigos que ainda não aceitaram a ideia de que a maior dimensão de cidadania que podem assumir é exercer o seu direito de voto. Dedico a quem ainda não percebeu que os maiores accionistas do Estado somos nós e que cabe-nos o grande dever de zelar pelo nosso património.
 
E dedico aos meus colegas que gostariam de estar comigo e não estão.
 
Aguardem as cenas dos próximos episódios!