terça-feira, 30 de setembro de 2014

Casas onde seria feliz #4

Quando estou assoberbada sinto vontade de mergulhar. Como se renascesse a cada emergir de um mergulho profundo. Como se limpasse se impurezas que causam atrito neste percurso. E as deixasse no fundo do mar. Para serem levadas pela corrente. E ter uma casa assim, à beira da água, seria o refúgio perfeito para isso. Um cantinho onde voltar a qualquer momento. Para esse renascer.
Talvez um dia.
 

 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Francisco Moita Flores, o culpado

O nome que está no título dispensa apresentações. Todos o conhecemos. Mesmo os que não lhe reconhecem todas as facetas, identificam-no. Ora como "o PJ", ora como "o da televisão", ora como "aquele que escreve" ou, ainda, "não é aquele que esteve em Santarém?".
 
Eu tive a sorte de conhecê-lo, pessoalmente, no ano de 2009. Por motivos profissionais. Ainda como presidente da Câmara Municipal de Santarém. Mas na qualidade de escritor. Recebi-o na biblioteca onde trabalhava e se já o admirava até à data, naquele dia fiquei estarrecida com a sua humanidade, com a sua experiência de vida, com o seu tom de voz doce e afável, com a forma como me cumprimentou, com a sua disciplina. Tinha vindo directamente de Santarém de um acto oficial. E à hora combinada lá estava ele. Na biblioteca.
 
O Alentejo liga-nos. Conhece a minha terra. E eu conheço a dele. Conhece os falares e costumes daquelas gentes. Tal e qual como eu. E faz-lhe falta o calor dos campos secos e amarelados de uma tarde de Verão para recarregar energias. Tal e qual como a mim.
 
Quem escreve, como o Dr. Francisco Moita Flores, sente. E quem sente, vive. E quem vive, tem muito para contar. Pedi-lhe que falasse aos nossos leitores sobre o que a escrita era para si: uma paixão ou uma missão. E ganhámos tanto com as suas partilhas. Fiquei arrepiada quando relatou alguns episódios da sua vida. Quando relatou o processo de trasladação do cemitério da Aldeia da Luz do ponto de vista das famílias que reviveram os dias da perda dos seus entes queridos. Um exemplo entre dezenas ou talvez centenas. Um exemplo de como lidar com a morte é lidar com emoções. E deixou-me de lágrima no canto do olho quando nos disse:
- Eu que julgava saber tudo sobre a morte descobri qua não sabia nada no dia em que a minha mãe morreu.
 
Às vezes esquecemo-nos do lado de lá das figuras públicas. Esquecemo-nos que essas figuras, as públicas, têm o seu lado privado que deve ser respeitado tal e qual como todas as outras figuras, que não são públicas. E, no geral, as pessoas tendem a exigir mais. Mais explicações. Mais exposição. E menos. Menos respeito.
 
Escrevi o meu livro no ano de 2010. Este que vou lançar. E quando o terminei pensei no Dr. Francisco Moita Flores para dizer-me o que achava daquele conjunto de caracteres. E liguei-lhe. E ele atendeu-me. E conversámos como dois compadres. E ele pediu-me que lho enviasse por e-mail.
 
Três dias. Bastaram três dias para a resposta que guardo religiosamente. Com as mais doces palavras de alguém que percebe MESMO do assunto. E a promessa de estar presente no dia do lançamento. De apresenta-lo. De assina-lo. E a frase que de vez em quando me assalta Disponha de mim. Como se ainda não acreditasse no que está a acontecer. Como que a questionar-me Como é possível uma figura como é o Dr. Francisco Moita Flores dizer-me uma coisa destas?
 
Sem dúvida nenhuma que é o culpado desta minha aventura. Porque com as suas palavras legitimou o meu trabalho. Porque me deu força para não deixar de acreditar na minha escrita. Porque de vez em quando falamos e a sua imensa disponibilidade faz-me sentir especial.
 
Será o Dr. Francisco Moita Flores a apresentar o meu livro no próximo dia 05 de Outubro. Porque as promessas são para serem cumpridas. E no meio de um agenda repleta de compromissos estará comigo. Ao meu lado. A cumprir a sua palavra.

domingo, 28 de setembro de 2014

As mães não gostam de ouvir sentenças

Diz a sabedoria popular que há assuntos que não devem ser discutidos a bem de uma relação salutar entre as pessoas, nomeadamente futebol, política e gostos pessoais. Mas eu acrescento outro tema de discussão difícil: maternidade!!
 
A maternidade é dos assuntos mais controversos, sobretudo, entre quem tem filhos. Todas as mães do mundo têm a fórmula perfeita, infalível, imbatível para qualquer questão relacionada com filhos. Todas as mães sabem tudo. Sobre doenças, alimentação, brinquedos, segurança, dentição, andar, gatinhar, birras, dormir, sítios espectaculares para festas de anos, parques infantis, colégios, onde comprar o quê, para que serve o quê e mais não sei o quê.
 
É legítimo. Claro que é legítimo. Cada mãe dá o melhor de si. Sabe o que é melhor para os seus filhos. Fala por experiência própria. Segue a sua intuição. Escolhe o melhor pediatra. E tem os filhos mais bonitos e inteligentes do mundo.
 
As mães, como eu, são assim.
 
Mas as mães, como eu, pecam por uma ponta de fundamentalismo. Por vezes esquecem-se que a mais simples dúvida, que nem sequer constitui uma dúvida em si para ela, pode ser uma grande dilema para outras mães. Esquecem-se que as crianças não são todas iguais. Não têm as mesmas necessidades. Que não há fórmulas. Esquecem-se que também as famílias são diferentes. Os hábitos. A cultura familiar. Os valores. Esquecem-se que quando lhes pedem opinião deve haver espaço para falar e para ouvir. E não devem sentir-se as últimas coca-colas do deserto porque alguém lhes pede ajuda. Esquecem-se, sobretudo, que também nunca gostaram que lhes dissessem como fazer. O que fazer. Onde fazer. Quando fazer. Que não se importaram de ouvir e do que ouviram retirar o que lhes fazia sentido.
 
As mães não gostam de ouvir sentenças. Mas gostam de ditar sentenças. Tal e qual como as avós que, um dia, foram apenas mães. Fazendo o papel que tanto recriminam. Fazendo lembrar o velho ditado "faz o que eu digo, não faças o que eu faço".
 
As mães, esses seres perfeitos com tantos defeitos, têm apenas uma certeza: a de quererem que os seus filhos sejam criados da melhor maneira. Ou será que aquilo que realmente querem é competir para o prémio de melhor mãe?
 
Sobre política, religião e gostos pessoais não se discute. E sobre maternidade também não.
 

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

"Piiiii" de palavrão

Tenho uma colega de trabalho que é um prato. Não há melhor para a brincadeira. Mas também não há melhor para mandar vir. Trabalhou durante 10 anos no Porto, no mundo do espectáculo. Cenografia, produção e tudo o que é bastidores. Trata muitos dos nossos artistas por tu. Conhece-lhes os gostos, os defeitos, os preciosismos. E fala desse tempo com saudade. Mas além dessa experiência de vida de uma década, os melhores anos da sua vida (segundo a mesma), além dos imensos contactos que fez, da excelente carteira de profissionais que tem e dos amigos que lá deixou, esta minha colega trouxe consigo duas coisas: o sotaque, ainda que leve, e os palavrões. Ai os palavrões que me deixam doida! Mesmo!!
 
Vou tentar reproduzir uma simples conversa. Ela chega sempre depois de mim. E dá-me assim o bom dia:
 
- Ó Claudinha c#$%, bom dia!! F***-se! Estás boa, pita?
- Olá, bom dia!
- Então, ca#$$$###! O que é que tens, fo#$$-##?!?
- Nada. Estou aqui a fazer uma coisa.
E se não paro para olhar para ela:
- Estás e*conada?
- Não estou nada. Estou concentrada!
- Olha o c***r****... Conta lá minha. Estás armada em filha da p***??
E só fica descansada quando lhe dou dois dedos de conversa.
 
Depois tem expressões que já conheço de cor. 
Imaginem uma situação em que alguém entra no gabinete sem se fazer anunciar. Atira logo:
 
- Isto é uma alegria na casa das p***s! Entra-se à c*****, com o c* enfiado nas pernas, armados ao pingarelho!!
 
Outra muito frequente é se alguém não pode ajudá-la imediatamente a fazer alguma coisa:
 
- F***-se! Ca****! Com quem casei eu minha filha!!
 
Ou se alguém volta atrás relativamente a qualquer assunto:
 
- C*$*#** deste gajo que tem o cag*r torto! F****-**!!
 
 É a toda a hora! A cada frase. A cada conversa. A cada discussão de qualquer assunto. A cada coisa que a irrita. Desculpa-se sempre com o seu feitio e com o ambiente em que viveu. Desculpa-se sempre com a paixão pelo trabalho. Desculpa-se. Mas nem quando se desculpa consegue conter-se:

- Eh pá, ó minha! Desculpa lá, c*****! Já sabes que eu sou uma boca de b*****!!

(e a dificuldade que eu tive em escrever isto? é que se pusesse "piiii" em cada palavrão, não teria a mesma graça) :)
 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Voltar aos bancos da escola

É sempre bom. Poder matar saudades dos tempos de escola. Dos tempos de estudante. Mas, confesso, um bocadinho assustador. Quando se tem duas crianças em casa a solicitar a nossa atenção 24 horas por dia.
 
Candidatei-me a um curso sem grande esperança de ser admitida, confesso. Um curso importante em termos profissionais que poderá ser determinante no futuro para dar um novo passo. Subir um novo degrau. E quando quase já nem me lembrava disso recebo o e-mail da admissão e da data de recepção aos alunos.
 
Foi ontem. Senti-me como no banco da escola. O nervoso miudinho, que é como quem diz, No que é que me fui meter... não passou após os esclarecimentos solicitados. O conteúdo programático aponta para legislação, legislação e legislação. E as folhas brancas olharam para mim como que a chamarem-me para começar logo a escrever, tirar apontamentos, marcar datas, registar bibliografia.
 
Não estava, MESMO, nada à espera. Talvez por estar centrada no lançamento do livro e nos compromissos que já assumi. Seja como for, também não sou pessoa de meter-me nas coisas sem ponderar todas as hipóteses.
 
Por isso, cá estou eu. Pronta para aprender. E, lá em casa, o regresso às aulas fez-se a três. Os miúdos e eu. Alguém terá de fazer o jantar... Quem será? :)

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Post para quem tem blogs

Quando escrevo não costumo pensar muito nas coisas. Preciso, apenas, de senti-las. Pois não aplico técnicas de escrita ou modelos de popularidade virtual para atingir algum objectivo. Se não sentir, não escrevo. Tão simples quanto isso. E é este o pensamento que me acompanha quando paro para pensar neste cantinho a que venho diariamente.
Depois, as dúvidas. E a quem é que interessa aquilo que eu sinto? E quem é que disse que eu consigo, através da minha escrita, transmitir aquilo que sinto? Qual será o perfil das pessoas que estão do outro lado? O que leva  a ter dias de 2000 leituras e outros de 250? Será que devo continuar? Será que estou no caminho certo para atingir o meu fim? E que fim é esse? Blá, blá, blá...
Vou passando por este e por aquele blog. Não estou "agarrada" a nenhum. Mas aqueles com que me identifico fazem com que, de vez em quando, volte lá. Também ando além-fronteiras. Gosto, MUITO, da aposta que os blogs estrangeiros de qualidade fazem na fotografia. Por cá, temos poucos mesmo bons nessa área. E vou deambulando por um e por outro inspirando-me a cada nova descoberta.
Inevitavelmente paro para pensar nas principais diferenças entre o meu e os que gosto e são bons lá fora.  E cá dentro, claro! E, inevitavelmente, acho sempre que são muito parecidos. À excepção da questão da fotografia e do layout (onde irei investir em breve). Mas o conteúdo não varia muito. O estilo e a forma são a assinatura pessoal de cada um. Os temas? Como disse, mais ou menos os mesmos.

É claro que estou a falar de blogs com que me identifico. Que falam do dia a dia. Do quotidiano. Do que vai dentro de nós. Daí identificar-me com eles. Porque também sou uma pessoa que vive o seu dia a dia. Que tem coisas dentro de si. Que tem uma família. Um emprego. Família e amigos. Colegas de trabalho. Vizinhos. Conhecidos. Projectos. Logo, não me faltam temas.

Mas... e o objectivo final deste Contos com amoras?

Há umas semanas fui entrevistada para um jornal a propósito do livro que vou lançar. A jornalista perguntou-me: A que se deve a popularidade do teu blog? e eu pensei What?!?
- Popularidade? - perguntei.
- Sim, o teu blog é conhecido. Eu vou lá todos os dias. Escreves muito bem.
- Pois, mas não o considero popular. Não o criei nem o alimento em função das estatísticas. Se fosse esse o meu objectivo estaria nesse caminho e em quase um ano de blog o patamar da sua "popularidade" seria outro. Conheço a fórmula do sucesso que tantos ambicionam. Mas, por agora, o meu blog é um pouco de mim que gosto de partilhar.
- E qual é o teu objectivo?

Sem saber, a jornalista tocou naquele ponto. Aquele que, de vez em quando, assalta-me o descanso sobre isto. Sobretudo naqueles dias em que as leituras são mínimas. Parece uma contradição, mas não é. Apenas questiono o porquê das variações, por vezes, tão bruscas. E respondi-lhe:

- Criar memória. Deixar o registo de uma memória futura. Pois é por isso que os bons blogs se distinguem dos maus blogs. Apenas os bons, os coerentes, fiéis e transparentes, conseguirão sobreviver. Porque apenas e só assim conseguirão gerar memória.

A jornalista não fez ideia de que com aquela pergunta obrigou-me a tornar explícito este sentimento tácito sobre o que me conduz até aqui. E, assim, arrumei esse assunto. O meu objectivo. O porquê dos Contos com amoras. Com uma certeza. Que é um blog cheio de mim. Dos vários "eus". Como aqueles que por aqui passam.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Conto com amor(as)

 

Digam o que disserem das pessoas, da maldade, da inveja, do egocentrismo, da hipocrisia, do cinismo e tudo mais de mau que se lembrarem, eu acredito sempre no mesmo princípio. O princípio de que tudo vale a pena. Desarmar alguém sisudo com um sorriso. Desarmar a má educação com uma frase simpática. Desarmar a falta de humildade com exemplos de conquista, honestidade e honradez. Desarmar e dar o exemplo de que vale muito mais a pena viver a vida de forma descontraída, encarando tudo o que nos acontece de forma positiva, aceitando e sorrindo, do que lutar contra moinhos de vento que padecem de forças paranormais que nós, simples seres humanos, não temos.
Boa noite a todos. Com amor(as).

Não gosto de sair ao Domingo

Nunca gostei de ter dias marcados para nada. Como se fosse obrigada a fazer qualquer coisa sem vontade. Fazia a minha vida do dia a dia, fora as obrigações de estudar e trabalhar, ao sabor do meu querer e que prazer isso era!! Quando já adulta, claro.

Nunca gostei de ter de comer a horas certas. Porque deveria eu de comer a determinada hora se não tinha fome? Porque deveria eu de levantar-me a determinada hora se não tinha uma obrigação? Porque deveria eu de deitar-me a determinada hora se não tinha sono? Porque deveria eu ter de acompanhar os meus pais nos passeios de Domingo à tarde se não tinha vontade?

Quando estamos em casa dos pais, é assim, andamos ao sabor da sua vontade. Às vezes, contrariados. Com aquela rotina. Das horas marcadas. Dos sítios onde íamos. Do almoço de Domingo. Dos serões com os amigos deles. Dos passeios e fins-de-semana com os amigos deles e respectivos filhos.
 
Nunca gostei, apesar de ser muito organizada e metódica.
 
Mas a coisa vira quando temos filhos. Os dias e as horas passam a ser registados como algo fundamental. É preciso organizar tudo em função do relógio. A hora a que comem, a hora a que dormem, a hora a que tomam banho, a hora a que entram na escola, a hora a que saem da escola, a hora em que brincam, a hora da natação, etc., etc, etc.
 
Esta "prisão" de ter dia e hora marcados para o que quer que seja, tem coisas boas e coisas más. Permite-nos criar uma rotina na vida deles que lhes dá segurança. Mas também tem o dom de amarrar-nos a uma agenda que nos conduz a fazer coisas sem vontade ou a ter vontade de fazer coisas que não podemos fazer naquela hora. Por qualquer coisa em função deles.
 
No entanto, há um dia da semana que consegui reservar como o dia da mãe lá em casa. E esse dia é o Domingo. O dia em que se faz apenas e só o que a mãe quer. Porque não gosto de sair de casa ao Domingo. Não gosto de encarar o trânsito dos domingueiros nem de ir a sítios cheios de pais e filhos e avós e tios. Não gosto da ideia de vestir o melhor fato para o desfile familiar. Nem de almoços marcados ou festas de aniversário.
 
Gosto de ter o Domingo para nós. Para a família. Ao sabor do que nos aprouver. Sem hora para acordar ou para comer. Sem hora para dormir ou para brincar. Sem obrigações. Gosto de ter tempo. E o Domingo é um excelente dia para isso.
 
Gosto da minha lareira a funcionar e do quentinho que o nosso ninho ganha. Gosto dos dias de verão de janelas abertas com um entra e sai das varandas e um esparramar de corpos no relvado do prédio. De jogos debaixo das árvores e da aprendizagem deles de volta das bicicletas.
 
E não trocaria esse dia da semana por nada deste mundo. Porque passar tempo com a família é um bem muito precioso. E se acrescentarmos a esse tempo "qualidade" tenho a certeza que os nossos filhos serão muito, mas muito mais felizes.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Estrangeirismos infantis

Estão a ver o refrão da música da Miley Cyrus, o Wrecking Ball?
Vou tentar reproduzir como ele, o mais novo, a canta:

- Amarácueeeeenquebóóóóóóóóllllll

E são dias inteiros a ouvir isto. (e desafinado à brava)

Casas onde seria feliz #3

Seria feliz, sempre, ao pé do mar.
Juntar a minha casa a esta vista espectacular é um sonho que, um dia, irei realizar.
(não dizem que se pensarmos nas coisas com muita força elas acontecem?)
 




 
 
 

Uma questão de fé

A minha filha frequenta a catequese e já fez a primeira comunhão. Todas as noites reza. O anjinho da guarda, o Pai Nossa ou a Avé Maria. E o outro, o mais novo, faz o mesmo. Ou tenta, vá! :) O problema é quando se põe armado em chico esperto e começa a "atropelá-la" enquanto ela reza.
 
Ontem a parvoíce era demasi. Ela ralhava e ele ria-se. Até que eu tive de intervir.
 
- Pára quieto. Não atrapalhes a mana. Primeiro reza ela. Tu ouves para aprender. E depois rezas tu!
- Está bem, mãe...
 
E ela lá rezou. E ele lá se calou. E ela benzeu-se e deitou-se. E, depois, começou ele:
- Agora sou eu, mãe?
- Siiim...
Juntou as mãos, fehou os olhos e disse:
- Querido Pai Natal. Eu quero que tu me tragas um Gormitti azul, um boneco tal, tal, tal (isto sou eu a acrescentar, pois não percebi) e para a minha mãe uma máquina fotográfica nova que a dela estragou-se. Pai, Filho, Santo, Espírito!
 
E é isto.
Uma questão de fé. :)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Sobre a escolha que fiz

Como prometido, aqui está o post sobre a ilustradora que escolhi para o meu livro. Conheci-a, por motivos profissionais, há uns 5 ou 6 anos atrás e de imediato senti uma empatia enorme por ela (e acho que ela por mim também). Já conhecia o seu trabalho. O seu traço. A sua assinatura. E é indiscutível a qualidade do mesmo. E é tão bom ligar uma cara às ilustrações que nos fazem sonhar.
 
Rita Correia rima com talento. Dedicação. Profissionalismo. Humildade. Rima com todas as qualidades que um bom profissional deve ter. E, mais do que isso, rima com Humanidade. É de uma humanidade imensa. Dá tudo o que tem. Deu-me tudo o que tinha. Porque acreditou em mim. No meu projecto. Na minha escrita. Na minha história. Porque também ela editou dois livros de sua autoria. Também ela sentiu na pele a necessidade de partir pedra para se ser reconhecido.
 
Foi a minha orientadora neste processo. Agora isto, a seguir aquilo. E eu não vacilei. Foi a minha psicóloga nos momentos de maior nervosismo. A minha enfermeira parteira, que me deu a mão e me pôs toalhas molhadas na testa quando tive contracções. Não houve nada que eu lhe tivesse perguntado a que não me tivesse respondido. E sem me fazer esperar.
 
ADOREI! Trabalhar com ela. A Rita entende a nossa mensagem e consegue que a sua ilustração apenas valorize o que escrevemos. Falámos muito. Muito. Por e-mail, por telefone. Horas de conversação. Horas de trabalho. E por mais que eu tente, tenho a sensação de que nunca conseguirei ressarci-la.
 
Não deixem de passar na sua página no FB Rita Correia Ilustradora. E surpreendam-se com o seu trabalho. E deixem-se brindar com as pequenas ilustrações que a Rita vai fazendo e que acompanham a nossa actualidade. De forma muito assertiva.
 
Obrigado Rita. Do fundo do meu coração.
 
Deixo-vos, apenas, meia dúzia dos livros que têm a sua assinatura.
 
Edição de autor
 
 
Edição de autor
 




 
E há tantos outros por descobrir. :) E eu sou uma sortuda, pois o meu livro conta com a sua assinatura! :)
 

Ainda sobre a Nônô. A menina côderosa

Estive a ver um vídeo que a mãe da Nônô, a mãe Vanessa, fez a propósito da Associação que criou. Vi-o mais de uma vez. Apreciei-o. Ouvi a sua mensagem. A sua voz. E a sua expressão. Também estive a ver um conjunto de vídeos que a mãe publicou. Sobre a menina. Sobre diferentes fases da menina. Da evolução da doença. A dar conta de como se sentia. De como tinha passado o seu dia. Dos meninos que conheceu no IPO. E, imperturbável, o seu sorriso. Sempre.
 
O título do livro "Aceita e sorri", que foi publicado quando foi diagnosticada a doença é, também, o lema dos pais da Nônô. Que aceitaram o que lhes estava reservado. Que a sua menina tinha uma missão. Sem a contestarem. Aceitando-a. E sorrindo. O que é admirável.
 
Quando somos pais temos em nós tudo aquilo que não cabe em lado algum. Que não é palpável, mas imensurável. Que não tem fim. Não tem ponta por onde se lhe pegue. Porque é imenso. Ao ponto de darmos a nossa vida por alguém. E, obviamente, questionamos o porquê de ser o nosso filho o escolhido, numa situação idêntica. Ao contrário desta linda família.
 
Penso que o maior problema da Humanidade é exactamente este. O não saber aceitar e, consequentemente, não sorrir. O viver num estado de insatisfação constante. O viver num estado constante de querer. Mais e mais e mais e mais. Chegando a um ponto de frustração que pode, inclusivamente, levar a profundas depressões.

Quando estou em dias menos bons, tento pensar nisto. Em aceitar e sorrir. O que me está destinado. Para que consiga viver comigo mesma. Com o que sou. Com o que tenho. E não padecer por aquilo que queria. Que julgo ser merecedora. Que julgo ser pouco para mim.
 
Quando estou em dias menos bons, tento visualizar a foto da Nônô com os seus pais a segurar num cartaz que diz "De que tamanho são os seus problemas?". E tento minimizar o que me entristece. Porque não há nada pior que a consciência de ter os dias contados. Os pais da Nônô foram absolutamente in-crí-veis!! Nunca baixaram os braços. Tentaram retirar desta experiência o melhor possível. Prepararam-se para o pior. Registaram os momentos da filha. E partilharam. E aceitaram. E sorriram.
 
Seremos nós capazes de fazer o mesmo?
 
Hoje é um dia difícil para o meu amigo R. de quem vos falei aqui. É dia de combater a coisa má. Hoje também é um dia difícil para a minha amiga M. Que faz anos. E luta contra essa maldita doença. E, hoje, ao lembrar-me deles, lembro-me também da Nônô. E do exemplo que os seus pais nos deram. Ao aceitarem. E sorrirem.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Vai ser um meet!

É só o que vos digo. Parafraseando uma amiga minha:
Vai ser um meet!
Apontem na vossa agenda.
Faltam 20 dias...

Buáááááááááá

Não estava habituada a isto.
O despertador toca ainda na hora das 6.
Ela já não precisa de mim para se despachar. Vestir, comer, preparar-se para o dia.
O mais novo, não o vejo acordado.
Saio à rua e num percurso de 5 minutos demoro meia hora.
Trânsito! Trânsito! Não! Não!
 
Buáááááááááááááá! Quero a minha bebé de volta!!!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Na gráfica


É impressionante a quantidade de folhas que as máquinas cospem por minuto

Andámos a acertar os pantones. Que é como quem diz: as cores.
 Mais amarelo, mais azul. Maior intensidade no fundo. Mais contraste.
Sinto-me quase doutorada nesta matéria

A foto não faz juz ao brilho da cor. À beleza deste trabalho

Vaidosa! Muito vaidosa.
Pelas escolhas que fiz quanto a este projecto. Por ter testemunhado o nascimento do meu mais recente bebé. Pela escolha da ilustradora (irei falar dela noutro post).
Estava ali o meu menino. E apetecia-me abraçá-lo

A luz não ajudava para ver bem a cor

Por isso levámos o "lençol" para a rua. Para expô-lo à luz natural

Foi gratificante participar neste processo.

A minha teoria sobre as raspadinhas

De vez em quando desafio a minha colega e amiga Z. para, à hora do almoço, tentarmos a nossa sorte na casa de jogo que há perto do nosso local de trabalho. Muito mais descrente do que eu, lá vai ela comigo, arrastada, com a promessa de que se me sair 1 milhão de euros partilharei com ela uma parte.
 
Quando se entusiasma com a ideia lá tira uma moeda da carteira e aposta na raspadela. Mas até hoje, nada! Nem a mim! Nada que se veja. Já me sairam prémios, claro. O maior foi de 20€. Nada mais. Estamos a falar aí de 5% de sorte para 95% de investimento.
 
Saio da casa de jogo sempre a dizer a mesma coisa Nos centros urbanos não saem prémios. Acredita no que eu te digo, Z. Os prémios bons só saem nos meios rurais. Então não vês que numa casa como esta só saíram, até hoje, 250€?!? E blá, blá, blá, pardais ao ninho.
 
Ela ouve-me. E ri-se. Que está a marimbar-se para isso.
 
Aqui há umas semanas atrás ligou-me toda excitada:
- Cláudia, não vais acreditar! A minha amiga S. comprou uma raspadinha de 1€ e saiu-lhe 10 mil €.
- Não me digas?!? A sério? Que bom!!
 
E numa questão de segundos dei-me conta... e investi:
- A tua amiga S. do Alentejo?
- Sim!!
- Pois! Eu não te disse? Os prémios só saem nos meios rurais. Acredita em mim!!
 
E pronto, é isto. Fiquei muito feliz pela amiga da minha amiga Z. Ainda por cima conheço-a e ela merece, MESMO, um empurrão destes. Mas só veio confirmar o que eu achava: que há uma selecção geográfica. Que há uma tentativa de distribuir dinheiro onde há mais falta dele.
 
Na verdade, nas férias, pelos caminhos de Portugal, lembrei-me de jogar e tentar a sorte. Só o fiz em dois locais que nem casas de jogo eram. Mas assim que entrei reparei nos certificados que a Santa Casa atribui a quem já deu prémios e acreditem meus caros, o mínimo que vi foi de 1000€. E eram muitos os certificados. Muitos. Incluindo numa casa de electrodomésticos que faz as vezes dos viciados.
 
Mas parece-me que não estou destinada a isso. E sinto-me triste. Muito triste.
Pois o meu pai só me fez gira... :(

Um frio na barriga

Esta manhã ouvi nas notícias Milhares de crianças regressam às aulas e pensei ter ouvido E os pais estão mais nervosos que elas. Não. Não ouvi nada disso. Mas o frio na barriga era maior para mim do que para ela.
 
Não é o regresso às aulas que me deixa assim. É o recomeço numa escola nova. Num novo ciclo. Uma espécie de repetição do 1.º dia de aulas. O primeiro dia do resto da sua vida académica.
 
Fiquei com um frio na barriga logo que me levantei. Ao vê-la, senhora de si, a tratar de se despachar. Levantou-se primeiro que eu. Despachou-se primeiro que eu. E à porta da escola, de novo, a barriga. Quando ela me diz Não entras comigo?. Certa de que um dia me dirá Não precisas de ir comigo até à porta. Deixa-me aqui (a quase 1 km de distância).
 
Mãe sofre.

domingo, 14 de setembro de 2014

Conversas de pé de orelha #2

Ele: Mãe, sabias que há vampiros na América do Sul?
Eu: Não. Quem é que te disse?
Ele: Foi um amigo lá na escola. Podemos ir lá?
Eu: Mas tu sabes onde é a América do Sul?
Ele: Sei. Vamos à rotunda, viramos à direita, encontramos uma girafa de pedra, fazemos assim e assim (a desenhar uma curva-contra-curva com a mão) e depois chegamos lá.
(só para o caso de alguém querer saber como é que se vai para a América do Sul)

sábado, 13 de setembro de 2014

A vida, tal como ela é

Levantámo-nos a correr. Não que estivéssemos atrasados, mas tínhamos medo de nos atrasarmos. Era um dia importante. Ambos tinham agendadas as recepções aos encarregados de educação nas respectivas escolas. Nada podia falhar.
 
Saímos e chegámos a horas. Uma refeitório imenso cheio de pais. E avós. E tios. A direcção da escola e as educadoras. As auxiliares. O informático. A coordenadora. Só faltou a cozinheira. Visita virtual, visita guiada. Dúvidas. Muitas dúvidas. Uns mais desorientados que outros. Mas  todos com nervoso miudinho. O ambiente era de primeiro dia de aulas. Há 30 anos atrás.
 
Saímos a correr. Em direcção à escola da mais velha.
 
Fila na papelaria. Para comprar o equipamento para a actividade física. Fila na caixa dos registos de cartão. Fila para aquisição do cacifo. Fila para entrar na sala. Um forno dentro da sala. As madrinhas à espera dos meninos para conhecerem a escola. Nós a transpirar. A professora a esforçar-se para dar todas as informações no menor tempo possível. E mais perguntas. Muitas mais perguntas. Muitas delas repetidas. Listas e mais listas de material. Os horários (Thank you Lorde!!!).
 
Não conseguimos dar a volta de reconhecimento. 12h10. Fome e ter de ir a correr para o trabalho. Experimentar, de novo, a fila do cartão que pica os almoços. E uma reunião à tarde. E o pai atrapalhado com tanto trabalho que tinha em mãos.
 
Cada um em seu carro. Ela, atrelada a mim. Parámos no caminho para comer qualquer coisa. E ela parecia que tinha sido picada por um bicho. O bicho do riso. Mentalmente tentei organizar-me. Preparar o que faltava para a reunião. Deixá-la na biblioteca. Responder a e-mail's. Ir trocar umas calças de ganga que lhe comprei. Passar no supermercado. Ir buscar o mais novo. O que fazer para o jantar? Não me esquecer de apontar aquele título para um post de que me lembrei no outro dia (qual era, mesmo?).
 
16h30 - Fui contactada pela SIC Mulher. Por causa do meu livro. :)
 
Transe transe transe transe transe transe transe transe transe transe transe transe transe transe transe transe transe transe transe transe transe transe transe transe transe transe.....

E às 21h00 o pai ainda não tinha chegado.
 
A vida, tal como ela é.
(ontem, 6ª feira, foi assim)

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Um cheirinho do que aí vem :)


Entrada proibida a crianças

Há hotéis que fazem isto. Sim, em Portugal também. E até consciencializar-me desta prática, até acreditar que isto é verdade, andei a ler e a pesquisar sobre o assunto.
 
Muito se escreveu. Muito se disse. Falou-se, até, em violação dos Direitos Humanos. Em ilegalidades. Mas, a verdade, é que há hotéis que continuam (em Portugal também, reforço) a proibir a entrada de crianças. Hotéis baby free. É assim que se diz.
 
Uma vez aconteceu uma cena triste com uma pessoa que eu conheço. No dia a seguir a uma festa de aniversário infantil, a dita pessoa escreveu no facebook:
- Raios partam as crianças que pegam vírus às pessoas.
 
Como se as crianças não fossem pessoas. Como se as pessoas fossem imunes aos vírus. Como se as pessoas, os adultos, não tivessem sido já crianças. Essa pessoa não é mãe. E, provavelmente, irá gostar de saber da existência destes hotéis. Pois encaixa com o seu perfil.
 
Apesar disto ser uma realidade (e por ser eu uma pessoa tão visual), só consigo imaginar crianças com trelas ao pescoço e deixadas à porta. Com uma tijela de água e outra de ração. E, com sorte, a receberem uma festa de quem passa na cabeça. Só me vem à cabeça a imagem de um senhor fardado, luvas brancas e chapéu, daqueles que abrem portas e estacionam carros, a mandar as crianças calar e com ar de enjoadaoe incomodado por tê-las ali tão perto. Não vá algum vírus apanhá-lo na curva.
 
Os grupos de idiotas que gerem estes hotéis fazem lembrar o Gru - o mal disposto. Uma personagem com uma pedra no lugar do coração. Imagino-os rodeados de luxos e empregados a tirarem-lhe os caroços das cerejas. Rodeados de Matisses e Rembrandt's. E tão pobres de espírito, coitados.
 
Os clientes... tenho pena deles... Calculo que façam parte desta nova geração de homens e mulheres que padecem do maior dos males: a solidão. O maior dos vazios: a solidão. E é tão triste perceber que chegámos a este estado. Um estado lastimável da Humanidade. De uma geração que vive só. E que vai morrer só.
 
Não se sintam especiais por terem hotéis que fazem a sua gestão a pensar no vosso sossego. Na vossa solidão. Isso é altamente discriminatório. Não só para as crianças, como para vocês. É mais ou menos o mesmo que existirem hotéis só para casados ou só para divorciados ou só para gays ou só para qualquer outra coisa, minoria ou o que queiram chamar-lhe. E não me venham com teorias de que todos têm direito a escolher estar num sítio sem crianças que choram e correm e gritam. Porque, um dia, também vocês foram crianças. A quem lhes faltou alguma coisa, certamente.

Quem tem filhos, também quer sossego. Também passa dias em hotéis sem os seus filhos. E é isto! Deve ser uma opção levá-los ou não. Além de que quem tem filhos, compreende o comportamento dos filhos dos outros. Pelo menos, compreende que se tratam de crianças.

Não sou perfeita. Não fico impávida e serena perante uma criança desregrada. Mas daí a considerar a hipótese de impedir-lhe a entrada onde quer que seja? Meus caros. Menos. Muito menos.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Ainda não vos contei...

Falei-vos aqui e aqui das saudades que tinha de ter um bebé na família. Da coragem da minha prima em ter o terceiro (com diferença de 19 anos do primeiro). Das peripécias que lhe aconteceram durante a gravidez. Das adivinhas que fui fazendo sobre o feitio do rapaz.

Futurologia! Já ouviram falar? :)

Pois, parece que não me enganei. O rapaz é mesmo nervoso. Está sempre a bater castanholas com as mãos e a chutar a bola com os pés. Dança o fandango e canta modas alentejanas. Perto de fazer os três meses de idade, impõem-se como gente grande. E a minha prima, a delirar.

Mas é tão bom ter um bebé para mimar. Senti-lo no nosso colo. Vê-lo a crescer. Desde a primeira hora, quando soube da gravidez, que o sinto um bocadinho meu. Eu e a minha prima somos muito, mas muito amigas. Companheiras, conselheiras e confidentes uma da outra. Ela é madrinha do meu filho mais novo e eu sou madrinha da sua filha mais velha. Um novo elemento na família é sempre uma extensão de nós. De todos nós, pais e mães que somos. De todos os que amam.
 
A minha prima escolheu-me para madrinha da sua primeira filha há 19 anos atrás. E, 19 anos depois, escolheu-me e ao meu marido, para padrinhos do seu filho. Esperou que fizesse dois meses, estávamos todos juntos de férias, quando me deu uma fralda e um pacote de toalhitas Trocas a fralda ao menino?
 
Troco, claro que sim. Muitas vezes quando estou com ele. Mas a fralda trazia uma mensagem Já que me trocas a fralda quando eu preciso, importas-te de continuar a fazê-lo como minha madrinha?
 
Ficámos muito lisonjeados! E felizes! :) O meu marido é um estreante. Eu sou repetente. E na mesma casa. De 3 filhos sou madrinha de 2. E a filha do meio ainda me disse Porque é que a minha mãe não te escolheu para minha madrinha? ao que respondi Não te importes com isso. Se quiseres podes tratar-me por madrinha e para mim serás minha afilhada. E ela sorriu.
 
A minha prima e o seu marido, surpreenderam-nos. Responsabilizaram-nos pela vida do mais novo membro da família. E que responsabilidade. Sabe tão bem! Espero, apenas, estar à altura da mesma.

Onde está a avó? - O título do meu livro

Um conto escrito com cabeça, tronco, membros e coração. E com a certeza de que será muito útil aos pais que se vêm confrontados com o luto dos seus filhos.
 
Um conto escrito para a infância. De alguém que pergunta pela avó que partiu. Cuja resposta está presente.
 
No fim.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Conversas de pé de orelha #1

Fui interpelada à porta de casa.
- Vizinha, desculpe!
Oi! É comigo! (pensei)
- Sim, boa tarde! Como está?
- Disseram-me que a vizinha vai lançar um livro...
- E quem é que lhe disse?
- Pois... sabe... disseram-me que viram no facebook... (hesitou muuuuito)
- Olhe vizinha, sabe como é: se está no facebook é porque é verdade! (respondi divertida)
- Às vezes! Por isso é que estou a perguntar-lhe.
- Pois, é verdade!
- A sério?!? (ui o espanto, meu Deus!) Então boa sorte! Que isto hoje em dia ninguém compra livros.
Tau!
Mas eu não me fiquei.
- Compram, sim! As pessoa inteligentes! (e com esta segui caminho)
 
(só para acrescentar que esta é uma daquelas vizinhas de quem não sei o nome, que foge das pessoas e um bom dia ou boa tarde só ouve quem tem ouvido tísico. Mas, pelos vistos, é curiosa. E não sabe que a curiosidade matou o gato!)

Ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro

O título relembra-me uma frase que ouvi, vezes sem conta, enquanto crescia. E nesse processo de crescimento, em que o nosso entendimento do mundo é tão limitado e em que acreditamos em tudo o que nos dizem, pensei muitas vezes desta forma. Não saberia se iria ser mãe. Plantar uma árvore, como? Nem sequer tenho jardim! E escrever um livro? Só pessoas muito, mas muito inteligentes é que escrevem livros.
 
Mas eu que fui sempre uma menina curiosa e com o defeito danado de questionar as coisas até que as mesmas fizessem sentido na minha cabeça, perguntava-me, em surdina, Então e depois? Quem conseguir fazer estas três coisas... depois já pode morrer? E quem não conseguir fazê-las? Não fez nada de jeito na sua vida? E quem só fizer uma ou duas? Bom, nesse caso... pelo menos tentou. Será?
 
Coisas que nos passam pela cabeça na idade dos porquês. Na idade em que tudo quer uma resposta. Em que encontramos respostas mirabolantes para as questões que nos inquietam o espírito. Pois foi, exactamente, nessa idade que plantei a minha primeira árvore. Que sorri, por dentro, ao pensar Se morrer agora já plantei uma árvore. Que comecei a deixar marcas no meu percurso.
 
É claro que hoje oiço e penso esta frase da sabedoria popular de forma completamente diferente. Plantar uma árvore, contribuir para uma longa vida da Humanidade. Ter um filho, a maior dádiva de todas, a maior forma de partilha, a maior perpetuação, a maior descoberta. Escrever um livro, deixar um legado, uma memória futura da nossa passagem por cá.
 
E é nessa fase que estou. Escrever um livro, já o escrevi há algum tempo. Mais que um, até! Mas só se efectiva essa realidade quando ganha cor e forma. Quando se torna palpável. E é isso que estou a fazer. A tornar palpável um testemunho leal do meu ser. Da minha forma de viver. Do que quero que os meus filhos guardem de mim.
 
Não entendo que, depois, já possa morrer. Ou que a minha missão de vida termina aqui. Entendo, isso sim, que mais difícil que estas três coisas será evitar que a minha árvore seja derrubada. Fazer com que os meus filhos se tornem bons cidadãos. Esperar que o meu livro seja lido.
 
Não é aqui o fim da linha. É, apenas, um impulso no caminho.

It's raining again!

Só por causa das coisas, tomá lá baldes de chuva mesmo à hora de sair de casa. Com duas crianças a delirarem por andarem de chapéu de chuva, mochilas e casacos (o mais pequeno ainda experimentou as galochas) e eu sem encontrar o meu chapéu (que o meu rico marido encafuou na garagem). Não saí de casa com um da Hello Kitty, mas saí de casa com um de criança.
 
Para ajudar à festa, deixei o telemóvel em casa e ao estacionar o carro não puxei o travão de mão. Foi vê-lo a ganhar asas quando fechei a porta. Parecia que o tinha abastecido com Red Bull. E eu parecia o Michael Knight. Kit, onde vai você? (ler com sotaque brasileiro a cair para o argentino). Lancei-me em voo e puxei o travão com o carro em andamento. Espectáculo!
 
Portanto, um começo de dia em cheio.
 
Na escola dele a auxiliar estava contente: Isto é bom para as castanhas. E eu a pensar: Sim, claro. Só é pena eu não ser uma! E uma professora a ajudar à festa: Ó mãe! Esse chapéu de chuva fica-lhe muito bem!! Sim filha.... Sim filha... (nas escolas somos mãe de toda a gente)
 
Não costumo stressar, mas hoje fui apanhada de surpresa. Agora que já me passou, só me dá vontade de ligar a todas as pessoas que conheço que passam a vida a orientar a sua vida de acordo com as previsões meteorológicas e a quem sai tudo trocado, para me rir a bandeiras despregadas. Então? A chuva e trovoada de domingo chegaram 3 dias atrasadas, hein!?!
 
E tanto que ouvi que o Verão vinha em Setembro. E que o calor vem em Outubro. E que quem tirou férias agora é que vai safar-se. E blá, blá, blá, pardais ao ninho. Tanto ouvi como ignorei. Que de adivinhos e de loucos, todos temos um pouco (alterei o prevérbio a meu bel prazer, é claro).
 
À chuva: bom regresso!! Que ao menos lava-me o carro! :) E rega as castanhas. E lava as estradas. E deixa-me a varanda imunda. Uma verdadeira Supertramp! (gostaram do trocadilho?)

Deixo uma música apropriada para alegrar o dia.
 
 
Supertramp - It's raining again

terça-feira, 9 de setembro de 2014

:)


Que me preenche. Que faço com muito prazer. Que me liberta. Que me realiza.
Que vai ganhar forma de livro. Que partilharei com todos os que gostam de me ler.

Querem saber o que ando a fazer?

Falei-vos aqui da importância de acreditarmos em nós. De não nos habituarmos ao que não nos faz feliz. De não nos deixarmos levar pela célebre frase de Carlos Drummond de Andrade "A vida cansa" e, por estarmos cansados, desistirmos. Pois só nos cansamos do que não nos deixa viver a vida  com prazer. E estar cansado não é um prazer.

Falei-vos, em vários momentos, que estou em contagem decrescente para um projecto pessoal em que tenho trabalhado nos últimos meses. Porque estava cansada de esperar. Porque a partir de determinado momento esse, o projecto, queria saltar da gaveta e ganhar vida. Só por isso. Só por mim.

Não há nada na vida que me preencha mais do que ver o meu entusiamo por qualquer coisa plasmado na cara dos que me rodeiam. Dos meus amigos e familiares. Dos que me acompanham nas minhas aventuras. Não há nada que mais me deixe feliz, que ver os meus filhos vibrarem com o que eu faço. Com os meus textos. Com um bolo cozinhado por mim. Com uma surpresa ao final do dia. Porque eu sou assim. Alimento-me dos outros. Do bem estar dos outros.

E, por isso, revelo o que aí vem. Um livro. É isso! Um livro.

Vou publicar um livro infantil intitulado "Onde está a avó?". Um livro a pensar num dos temas mais dolorosos para quem tem filhos. Explicar o desaparecimento de alguém a uma criança. Quando, no fundo, é simples entender que a morte faz parte da vida. Por mais que uma pessoa não queria aceitar.

Vou realizar um projecto que me preenche. Que é, sem dúvida, dar forma ao que mais prazer me dá. Dar corpo. E vida. À alma que há em mim. Com cabeça, tronco e membros. Algo palpável. Com o meu nome. Um legado que deixarei aos meus filhos. Para poderem responder aos meus netos quando, um dia, perguntarem Onde está a avó?, o seguinte Ela deixou-vos uma carta escrita a dizer-vos onde está.
 
E, com isto, até me arrepio.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Outra pérola

No banho pedi-lhe:
- Passa aí o frasco do shampoo.
- Qual? O estamparente?

(desmanchei-me a rir...)

Raul, o taxista simpático

Não sei há quantos anos não andava de táxi. Não me lembro mesmo. É um meio de transporte que utilizo, apenas, em caso do urgência. Foi o que aconteceu no sábado à noite. Depois de ter tidos dois, sim DOIS, furos no carro.
 
Queríamos marcar a rentrée dos serões, jantares e saídas com amigos. Marcámos uma ida para Lisboa com direito a jantar sushi e, depois, beber um copo e o resto logo se via.
 
Começámos bem. Parados na 24 de Julho com dois furos e a chover sem parar. E agarrados aos telemóveis para perceber onde haveria uma oficina aberta. E não havia ninguém na rua. E um taxista parou no sinal vermelho. E eu perguntei-lhe: sabe onde podemos arranjar um furo? Numa oficina. E arrancou! O parvalhão. Com ar de gozo. A confirmar aquilo que se diz...
 
Não costumo andar de táxi, mas lido com os taxistas no trânsito. E oiço inúmeros relatos de quem os utiliza e a quem tudo acontece. Que de simpatia não sabem o significado. Que não respeitam os outros automobilistas. Que não saem do carro para ajudar a carregar malas ou sacos. Que reclamam por tudo e por nada. Que conduzem mal à brava, levando o mais sensível dos passageiros ao gregório.

Lá conseguimos o contacto de uma oficina aberta em Alvalade. E tivemos de chamar um taxi, pois ali nenhum parou. Apesar de estarmos de braços levantados e quase no meio da estrada.

Foi o Main a nossa paragem. Era o único sítio onde podíamos abrigar-nos da chuva e o único ponto de referência, pois na central queriam um número de porta e, no meio da estrada, não há números de porta...

Eis que surge o simpático Sr. Raul. Disponível, bem disposto e com uma conversa decente. Conhecia a oficina perfeitamente. Não andou às voltas e ainda esperou por nós, desligando o contador enquanto o pneu estava a ser arranjado. Riu-se connosco e deu-nos algumas dicas. Contrariando, assim, as más línguas.

Deixo-vos a dica e peço-vos um favor. Se encontrarem o Sr. Raul taxista, digam-lhe que lhe agradecemos profundamente a simpatia. Que isto de andar à chuva, à noite, sem saber onde há uma oficina e pensar que vamos ter de andar de taxi, pode tirar qualquer um do sério. E basta um sorriso de alguém que se cruze connosco para relativizar tudo de mau que acontece.

domingo, 7 de setembro de 2014

Casas onde seria feliz #2

Alpendres + pôr do sol + descanso = Uma equação que me deixa feliz. Como os alpendres que vos trago hoje. Sei que, nestes, passaria muitas horas. A escrever. A viver. A criar memórias.