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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Fui ignorada logo pela manhã

Bom dia a toda a gente! Eu sou o despertador!

É assim que ele nos acorda. Ao fim de semana. E durante a semana, que é quando dá jeito que a meia-leca se levante sem grandes trabalhos, é que lhe dá para virar para um lado, virar para o outro e nada de levantar-se. Às vezes só mesmo com uma grua.

Esta manhã, como sempre, antes de sair fui dar-lhe um beijinho. Mas esta manhã abriu os olhos para mim. Começou a sorrir. Com ar de malandro. Como quem dia És tu... Que bom... Não disse nada. Que isto entre mãe e filho não são precisas palavras para comunicar. Em determinados momentos. E antes da adolescência, está bom de ver. Mas decidi dizer-lhe:

- Hoje sou eu o teu despertador. Toca a levantar.

Virou-se. Não sem antes retribuir o beijinho. Sorriu. E virou-se para o outro lado. E com a maior lata deste mundo ainda me disse:

- Tapa-me aí as costas. :)

É tão bom ser criança.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Sozinha

Duas amigas à conversa sobre a vida. Começa uma delas:
 
- Sabes o que eu queria mesmo? Mesmo, mesmo? Do fundo do meu coração?
- Não... conta...
- Esquece...
- Não... conta-me. Estás com as lágrimas nos olhos...?
(silêncio)
- Queria ser eu, só eu. Sozinha. Deixar tudo e ir embora. A minha vida, o que realmente me importa, cabe numa mochila.
- Mas... tu tens família... tens um filho...
- Por isso é que tenho as lágrimas nos olhos...
 
(a outra emocionou-se)
 
- Minha querida, há momentos nas nossas vidas em que tudo parece não valer nada. Em que nos apetece mandar tudo às urtigas e começar uma vida nova noutro lugar. Há momentos em que tudo nos corre mal e não vemos sentido em nada. Tenta perceber o que está, de facto, a correr mal.
- Não estás a perceber!!
- Mas tu tens tanta coisa boa na tua vida. Já viste o que construíste? Já viste que montaste a tua empresa e que és dona de ti própria?
- Não estás a perceber!!
- Não?!?
- Não. Eu não sou dona de mim própria. Dono de mim é o banco. São as finanças. O meu senhorio. Dono de mim são os estereótipos desta sociedade onde vivemos. Em que desde pequenos somos educados para casar, trabalhar, ter filhos e outras merdas que me sufocam. Dono de mim é o tempo. Que não pára. Que não me deixa fazer o que me apetece. Quando me apetece. À hora que me apetece. Dono de mim é a dependência dos outros que precisam de uma imagem para me aceitarem nessa carneirada que são as pessoas que me rodeiam. E que te rodeiam!! Não suporto mais isto. Tudo o que tenho está dentro de mim. E chega-me. Não preciso de dinheiro. Nem de mais nada. Apenas o que tenho e o que sou. Para partir. Percebes agora??
 
(a amiga não tugiu nem mugiu. identificou-se com muita coisa)
 
- E o teu filho...?
- Estou apenas à espera que ele cresça...
 
Não aconteceu esta conversa. Ficcionei-a. Porque senti isto tudo depois de uma conversa que tive com alguém que adoro. Porque senti que essa pessoa está saturada e não sabe por onde começar a fiar a lã. Porque é um retrato de muitos de nós. Porque nem todos fomos feitos para viver com alguém.
 
Quem me conhece sabe que digo desde sempre (no que toca a relações interpessoais):
 
A coisa mais difícil do mundo, é partilhar o nosso espaço com alguém.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Ao pai lá de casa

Porque é ele que joga à bola com os miúdos.
Porque é ele que na praia rebola na areia e constrói castelos.
Porque é ele que os leva a andar de bicicleta.
Porque é ele que consegue pegar nos dois ao colo ao mesmo tempo.
Porque é ele que vai ao parque.
Porque é ele que empurra os baloiços
Porque é ele que detesta que lhe mexam no cabelo, à excepção dos filhos.
Porque é ele que ralha e logo a seguir já passou.
Porque é ele que se senta no chão a construir legos.
Porque é ele que fica duas horas enfiado numa sala de cinema a ver desenhos animados.
 
Porque... tantos porques...
 
Porque é ele.
O Pai deles.

10 coisas que o meu pai me ensinou

Serve para isto, o Dia do Pai. Para pararmos e pensarmos no papel que os nossos pais tiveram nas nossas vidas. E, por isso, hoje não se fala noutra coisa. A não ser nos Pais.
Esta manhã vinha a conduzir e a ouvir a RFM. Penso que foi a Mariana Alvim que falou sobre uma das coisas que aprendeu com o Pai dela. E comecei de imediato a listar algumas das coisas que aprendi com o meu. Algumas, apenas, algumas... :)
 
1. Aprendi a ter respeito por mim própria
2. Aprendi a respeitar os outros
3. Aprendi a dar valor à família
4. Aprendi a dar valor aos estudos
5. Aprendi a mexer em dinheiro
6. Aprendi a lavar carros
7. Aprendi que cada coisa tem o seu valor e que para conquistar o que quero tenho que trabalhar por isso
8. Aprendi a conduzir (ups, isto não se pode dizer)
9. Aprendi a trocar um pneu
10. Aprendi a ouvir o motor de um carro e a perceber o que está a sentir (o carro, claro!)
11. Aprendi a ver um mapa das estradas
12. Aprendi anedotas (tantas, tantas)
13. Aprendi a pintar paredes e a fazer cimento (e a rebocar paredes)
14. Aprendi a dar abraços
15. Aprendi a impor-me
16. Aprendi que um Pai também pode ser Mãe
17. Aprendi a dizer, "bom dia", "boa tarde", "boa noite", "com licença", "desculpe" e "obrigado"
18. Aprendi a dar o meu lugar aos mais velhos
19. Aprendi que antes de correr é preciso aprender a andar
20. Aprendi que o mundo não é nosso. Que não conseguimos mudar nada sozinhos
 
E enquanto pisquei os olhos escrevi não 10, mas 20 coisas que aprendi com ele. Com o meu Pai. Com o primeiro homem da minha vida. E que estará comigo PARA SEMPRE.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Gostas mais de mim ou da mana?

Insistiu ele em perguntar-me. E eu sorri. De mim para mim. A rever-me nesse dilema. Sobre se seria eu a mais amada... É próprio. É próprio da idade. E perceber isso é meio caminho andado para a resposta.
 
Não me senti entre a espada e a parede. Não desviei o assunto. Não respondi que gosto dos dois. Porque isso não lhe chega. Isso não chega às crianças. Elas querem sentir-se especiais. Querem uma resposta preto no branco. E cabe aos adultos dar uma resposta que os satisfaça. À medida deles.
 
Respondi-lhe:
- Gosto da mana desde o dia em que ela nasceu. E gosto de ti desde o dia em que tu nasceste.
 
E ele pergunta-me:
- Gostas mais da mana?!?
- Não! Gosto da mana há mais tempo.
 
E isso bastou-lhe.
 
Ele não entende que o amor de mãe é infinito. Não entende que a existência de irmãos não leva a que nós, os pais, dividamos o que sentimos. Apenas que multipliquemos. Ele não entende esta coisa que nos preenche e invade e satisfaz e que nunca acaba e nunca para de crescer.
 
Gosto dele. Gosto da irmã dele.
Gosto das piadas que diz do alto da sua tenra idade. Como gosto da reacção dela às piadas dos adultos. Sinal que já entende. Gosto da insistente lamechice com que ele me aborda. Quando acorda, quando é para dormir, quando vou buscá-lo à escola, quando o tiro da banheira, quando quer convencer-me. E gosto da dissimulada distância que ela tenta manter. À porta da escola. Ao pé dos amigos. Quando tento agarrá-la. E da forma como tudo se desfaz quando de mansinho se deita ao pé de mim e dá-me um abraço vindo do nada.
 
Gosto dele. Gosto da irmã dele.
Gosto de ser mãe deles. Gosto do cheiro e do toque. Gosto de vê-los dormir. De vê-los crescer. Gosto de tudo, até das falhas. Das pequenas conquistas. Da tentativa e do erro. Da forma como se defendem. Da forma como se afirmam. Gosto de tê-los. Gosto, simplesmente. 
 
Não há respostas certas. A que eu dei, serviu-lhe. E até disso eu gostei.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A minha pequena artista e jornalista

Com o final do primeiro período começam a chegar a casa os resultados de três meses de trabalho. Já temos uma ideia das notas finais, é claro, mas o resto em que ela andou envolvida só agora se vê. E falo de quê? Falo da dança e do jornal da escola.
 
Passou estes meses a ensaiar, a treinar, a acertar passos. Dançou, ouviu música e ganhou ritmo e algum swag. Está muito, mas muito melhor do que quando começou. Cheia de vontade, mas muito perra. Está mais descontraída, mais solta e até o inglês fanhoso ganhou alguma forma de tanto ouvir música cujas letras têm a pronúncia de terras de Sua Majestade. Já faz uma coreografia inteira sozinha e tem espetáculo marcado. :)
 
Também nos últimos três meses deu o nome à redacção do jornal da escola. E agora, finalmente, o mesmo chegou a nossa casa. E lá estão, na ficha técnica, os seus dados. Logo na primeira linha. Além do trabalho que teve na edição, composição, montagem e outros quinhentos, também escreveu dois textos. Um de sua autoria. Outro em co-autoria. Um orgulho para nós.
 
Não podíamos estar mais felizes. É uma menina completa. As notas que esperamos são as melhores. Continua a ser um monstro da matemática. Na natação continua a progredir. A catequese é sagrada para ela. Reza todas as noites. E tem muita fé.
 
Canta (mal), dança, escreve, lê. Conta piadas, ri-se das outras piadas. É a minha companhia diária, a minha parceira, a minha amiga. É a pré-adolescente que começa a dar sinais de tontice pura, daquela sem qualquer explicação. De risinhos e gritos desproporcionais à nossa capacidade de encaixe e às situações em que ocorrem. Mas é tão doce... tão doce... melhor que algodão doce... melhor que o maior dos sonhos cor-de-rosa... melhor do que algum dia desejei ou sonhei merecer ter...

É a nossa pequena grande mulher.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

As crianças não são adultos

Por isso não devemos ter algumas conversas à frente delas. Não entendem o que dizemos e, ao  esforçarem-se para isso, pode dar-se o caso de "crescerem" antes do tempo. Utilizando uma linguagem que desconhecem e da qual se apoderam como grandes entendedores.
 
As crianças não são adultos.
Por isso a eles o que lhes é devido na sua conta, peso e medida. Os ambientes que vivemos, os ambientes de adultos, nem sempre são os adequados para eles. Não podemos querer que nos acompanehm para todo o lado. Temos de fazer cedências. E, por vezes, dizer não. Aos outros adultos.
 
As crianças não são adultos.
Por isso não devem ver tudo o que dá na televisão. Começando pelos telejornais que lhes oferecem de bandeja temas intrigantes e de faca e alguidar. Que lhes alimentam medos e incertezas. E que os convidam a fazer filmes nas suas cabeças.
 
As crianças não são adultos.
Por isso devem vestir-se como tal. Sendo crianças, enquanto podem, até na roupa. Sem pressa de crescer. Por isso devem calçar-se como tal. E deixar as roupas e acessórios de adultos para quando lá chegarem.
 
As crianças não são adultos.
Por isso não podem fazer o que lhes dá na real gana. Não podem virar costas, nem sair porta fora. Devem pedir licença, pedir desculpa e dar um beijo ao levantar e outro ao deitar. Devem respeitar os pais e não sentirem que podem desafiá-los.
 
As crianças não são adultos.
Por isso devem ter horas para comer, para brincar, para trabalhar, para descansar. Devem comer à mesa, acompanhadas da família. E devem comer sopa todos os dias.
 
As crianças não são adultos.
Por isso, devemos falar-lhes como tal. Com paciência, para que nos entendam. Com paciência, para que nos consigamos fazer entender. Com espaço para a aprendizagem. Dentro dos seus mundos. Aqueles que conhecem.
 
As crianças não são adultos.
Por isso, não devemos arrastá-los connosco nos nossos hábitos. Eles aprendem com os exemplos. E nós devemos ser os primeiros a dar o exemplo.
 
As crianças não são adultos.
Serão, isso sim, os adultos de amanhã. São as sementes daquilo que plantarmos. Os herdeiros do mundo que deixarmos. Os alvos do nosso amor, desamor, impaciência, displicência. São aquilo que quisermos. Mas o que quisermos deverá ser sempre o melhor do mundo. Tal como elas são para nós. O melhor do mundo.

 

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Complexo de Édipo. Ao rubro.

Quem o diz é a psicanálise, ou melhor, quem o disse foi Freud. Que as crianças desenvolvem sentimentos de atracção pelos progenitores. Os meninos pelas mães e as meninas, claro está, pelos pais. Mas eu tive uma filha, em primeiro lugar. E senti na pele essa coisa que se chama Complexo de Édipo no sentido inverso. A determinada altura, pelos 4-5 anos, deixei de existir para ela. O pai era o seu mundo. O seu amor. E a mãe, a sua rival. Senti, MESMO, na pele. Esse desprezo. Esse desamor. Senti-me uma empata.
 
Em surdina dizia ao meu marido que a única compensação que eu tinha era saber que um dia ela iria voltar para mim. Mas ele ria-se. E sentia-se INCHAAAADO!! Divertido com a situação. E não percebeu como aquilo me magoava. À séria.
 
Agora já começo a tê-la mais. A senti-la mais. Já me pede abraços e dá-me beijinhos. O que eu digo é importante para ela. E demonstra isso mesmo que eu estava à espera. Não sei o que me está reservado quando chegar à idade da adolescência, mas agora está bom assim.
 
Agora ele.
Só me vê a mim. Ui, que a minha mãezinha é linda. A minha mamã é a melhor do mundo. E toma lá um beijinho na mão. E vai dali vira-se para me beijar onde calha. Como só me chega ao rabo, às vezes é mesmo aí que me beija. E aperta-me. Quando me chega a outra parte do corpo, aí vai alho. És tão querida...A seguir ao banho é a loucura. Quero limpá-lo e vesti-lo, por isso, ponho-o em cima da cama. Fica à minha altura. E a paixão vem ao de cima. Mamãzinha... Mas o rapaz não se coíbe de demonstrar os seus sentimentos. Ele é na rua, é no carro, é a caminho da escola, é no supermercado. Não vão acreditar, mas estou a escrever aqui e ele veio dar-me um beijinho na mão. :)
 
Diz que quando crescer quer casar comigo. E é aqui que a porca torce  rabo. Pois eu sei que não irá casar comigo. Irá casar com outra pessoa qualquer. E eu não sei o que irá calhar-nos na rifa. Mas sei que deixarei de ser o seu amor, conforme me vê hoje. E terei muitas saudades destes momentos. 
 
Agora é o pai o lesado. Está ao colo dele e diz Eu adoro-te, mamã. Como quem diz, não fiques triste que eu estou aqui, mas de olho em ti. O pai percebe esta coisa inexplicável. Que apenas sentimos. E tenta convencer-se dizendo Eu sei que um dia ele virá para mim! :)

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Ele beijou-me. E eu arrepiei-me.

Ontem passei à porta do meu primeiro emprego. Apercebendo-me de que não passava lá há muito, mas muito tempo. Está tudo igual. Tudo no mesmo sítio. Apenas as pessoas são outras.
 
Ontem passei à porta do local onde conheci o meu marido. O meu namorado de sempre. E pareceu-me regressar ao tempo que passou. Ao princípio do tempo que já passámos em comum. Pareceu-me regressar ao princípio dos 19 anos que nos unem. E ainda olhei para o sítio onde ele costumava esperar por mim. Na esperança de vê-lo lá. Com os seus all-star, as suas levi's e uma t-shirt branca.
 
Não o vi. Ali. Vi-o em casa. E contei-lhe o episódio. Com um misto de humor. Que miúdos eramos nós! Lembras-te disto? Lembras-te daquilo? Tinhas menos cabelos brancos.
 
Sorrimos. Recordámos. E ele beijou-me. E eu arrepiei-me.
 
Já disse aqui várias vezes que o tempo que passa vai para dentro de nós. E nós, estamos cheios de tempo vivido. De histórias para contar. E os beijos... os beijos também amadurecem. E enquanto ficar arrepiada com os que ele me dá, continuaremos a encher-nos de tempo em comum.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Duas mãos cheias de ti

Já te contei tudo sobre como vieste ao mundo. Sobre a dificuldade que tive em engravidar de ti. Sobre o dia em que nasceste. Sobre a descoberta que me trouxeste. Sobre a forma assustadora como estás a crescer. Sobre o que me custa saber e sentir que já não és bebé. Já te disse o quanto te amo. O quanto te quero. O quanto me orgulho de ti. Já te disse tudo isto. E não me canso.
 
Um dia irás perceber estes clichés de mãe. Vais perceber porque te parecem as mães todas iguais. Porque adoram abraçar os filhos, mesmo que estes fiquem envergonhados. Porque insistem nas costas direitas à mesa. No beijo de boa noite. No obrigado, no bom dia e no com licença e desculpe. Por mais que essa insistência vos aborreça.
 
Mas não sei se algum dia conseguirei transmitir-te a verdadeira dimensão daquilo que representas na minha vida.
 
Há, para mim, uma vida antes de ti. E outra, completamente nova e bela, depois de ti. Há histórias para contar que gostas de ouvir. E outras que gostas de registar. E essa tua atenção à nossa história, essa tua atenção ao que somos enquanto família, ao que eu e o pai quisemos construir, faz-nos crer que estamos no bom caminho.
 
Fomos simplesmente abençoados com o teu nascimento. Beijaste-nos o coração no dia em que soubemos que vinhas a caminho. Fizeste-nos tremer de emoção. E de medo. Estaríamos nós à altura de tão grande benção? De tão grande responsabilidade? Mas jamais poderíamos nós adivinhar que contigo viriam tantas outras coisas que nos fazem respirar, diariamente, por ti.
 
Contigo veio uma sensibilidade extrema. Veio um coração de ouro que se emociona quando vê um idoso na rua. Veio uma menina cheia de fé. Que ensinou-me também a ter fé. Veio um monstro da matemática e outro da literatura. Umas mãos de artista que desenham a carvão como nunca vi nesta idade. Veio uma nadadora exímia. Que na primeira aula de natação saltou dois níveis por causa da imensa técnica que tem. Veio um ser humano na sua plenitude com tudo aquilo que desejamos num filho. Uma menina. Uma menina muito bem educada. Respeitadora.
 
Também veio uma irmã mais velha. Às vezes sem paciência para o irmão mais novo. Uma chatinha do pior quando não está satisfeita com alguma coisa. Uma curiosa que pergunta tudo quando estamos a ver o telejornal. Uma bailarina de pé pesado que nos desmancha a casa para construir cenários e palcos e teatros. Uma cantora sem qualquer dom. Uma inventora de palavras em inglês. (Estamos desejosos que acertes com o sotaque. E que deixes de atropelar as letras das músicas que mais gostas.) Uma menina como tantas outras que gosta de ver a Violeta.

Aperta-me o peito pensar que um dia poderás não querer mais os meus abraços. Já que me impedes de dar-te abraços infinitos à porta da escola. Aperta-me o peito pensar que um dia as minhas pernas poderão fraquejar perante a tua necessidade de colo. Aperta-me o peito pensar que um dia a minha cabeça poderá esquecer-se desta vida que me deste. E que venhas a sofrer com isso. E não me digas que connosco será diferente.

És a minha melhor amiga. Mesmo que ainda não dês por isso. És a minha companheira diária. Levantamo-nos e começamos o dia ao mesmo tempo. E tu dás-me sugestões sobre o que tenho em agenda. Pessoal e profissionalmente. E olha que consegues ser muito assertiva.

Se uma mão cheia de coisas boas é algo que todos queremos na nossa vida, imagina como me sinto por hoje completar duas mãos cheias de ti. Do melhor de mim. Há dez anos, o melhor de mim. E desculpa se a mãe se zanga. Desculpa se, por vezes, estou cansada. Desculpa qualquer coisa que ainda não entendes. Mas confia em mim. Tal como faço contigo.

Amo-te.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Conto com amor(as)

 

Digam o que disserem das pessoas, da maldade, da inveja, do egocentrismo, da hipocrisia, do cinismo e tudo mais de mau que se lembrarem, eu acredito sempre no mesmo princípio. O princípio de que tudo vale a pena. Desarmar alguém sisudo com um sorriso. Desarmar a má educação com uma frase simpática. Desarmar a falta de humildade com exemplos de conquista, honestidade e honradez. Desarmar e dar o exemplo de que vale muito mais a pena viver a vida de forma descontraída, encarando tudo o que nos acontece de forma positiva, aceitando e sorrindo, do que lutar contra moinhos de vento que padecem de forças paranormais que nós, simples seres humanos, não temos.
Boa noite a todos. Com amor(as).

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Ainda não vos contei...

Falei-vos aqui e aqui das saudades que tinha de ter um bebé na família. Da coragem da minha prima em ter o terceiro (com diferença de 19 anos do primeiro). Das peripécias que lhe aconteceram durante a gravidez. Das adivinhas que fui fazendo sobre o feitio do rapaz.

Futurologia! Já ouviram falar? :)

Pois, parece que não me enganei. O rapaz é mesmo nervoso. Está sempre a bater castanholas com as mãos e a chutar a bola com os pés. Dança o fandango e canta modas alentejanas. Perto de fazer os três meses de idade, impõem-se como gente grande. E a minha prima, a delirar.

Mas é tão bom ter um bebé para mimar. Senti-lo no nosso colo. Vê-lo a crescer. Desde a primeira hora, quando soube da gravidez, que o sinto um bocadinho meu. Eu e a minha prima somos muito, mas muito amigas. Companheiras, conselheiras e confidentes uma da outra. Ela é madrinha do meu filho mais novo e eu sou madrinha da sua filha mais velha. Um novo elemento na família é sempre uma extensão de nós. De todos nós, pais e mães que somos. De todos os que amam.
 
A minha prima escolheu-me para madrinha da sua primeira filha há 19 anos atrás. E, 19 anos depois, escolheu-me e ao meu marido, para padrinhos do seu filho. Esperou que fizesse dois meses, estávamos todos juntos de férias, quando me deu uma fralda e um pacote de toalhitas Trocas a fralda ao menino?
 
Troco, claro que sim. Muitas vezes quando estou com ele. Mas a fralda trazia uma mensagem Já que me trocas a fralda quando eu preciso, importas-te de continuar a fazê-lo como minha madrinha?
 
Ficámos muito lisonjeados! E felizes! :) O meu marido é um estreante. Eu sou repetente. E na mesma casa. De 3 filhos sou madrinha de 2. E a filha do meio ainda me disse Porque é que a minha mãe não te escolheu para minha madrinha? ao que respondi Não te importes com isso. Se quiseres podes tratar-me por madrinha e para mim serás minha afilhada. E ela sorriu.
 
A minha prima e o seu marido, surpreenderam-nos. Responsabilizaram-nos pela vida do mais novo membro da família. E que responsabilidade. Sabe tão bem! Espero, apenas, estar à altura da mesma.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Duas semanas depois

Depois de andarmos pelo Alentejo rumámos, directamente, para o Norte. Cerca de 5 horas de viagem para nos instalarmos numa aldeia perdida na Beira (tal e qual o Tony Carreira). Ainda tenho o sotaque francês impregnado nos ouvidos. E o cheiro a gado. Com que nos cruzávamos diariamente.
 
Esta estadia tão isolada teve coisas boas e, claro, coisas más. Coisas que andavam a par. O sossego. É bom, claro. Mas não estamos habituados a isso. Estranhamos sempre que por lá andamos. E, de vez em quando, precisámos de sair. De ir à cidade. Passeios pelos campos. Sempre a abanar os braços que as moscas neste tempo, também por causa das cabras, das vacas, dos borregos, das ovelhas e dos bodes, fazem questão de serem chatas, chatas, chatas. As pernas arranhadas das ervas. Os ténis cheios de pó e picos nas meias.
 
Também é bom ver o que da terra se tira. Os habitantes locais estão já a preparar o Inverno. Há quem se dedique ao negócio da lenha e, por isso, anda a cortá-la e a prepará-la para os clientes. Há quem se dedique ao negócio da castanha. E há, também, quem se dedique à agricultura de subsistência. Por duas vezes bateram-nos à porta. Era a vizinha com ovos das suas galinhas: São para os meninos!
 
Fruta! Imensa fruta! Amoras, abrunhos, pêras, rainhas Cláudia (tenho um fruto com o meu nome), pêssegos, maçãs. As uvas estão a amadurar para as vindimas que aí vêm. Mas as batatas, os tomates, o feijão verde, as courgetes e tudo mais que se lembrarem desta época é lindo de se ver a sair da terra.
 
Os miúdos adoram. Ele parecia o Tom Sawyer. Só faltava andar descalço pelas ruas. Todo arranhado, sempre com a vela acesa (coisa que eu detesto de ver nos miúdos), unhas pretas, cara esborratada e joelhos escuros. Tão escuros que no banho pareciam sempre iguais.
 
Ela, o de sempre. Calma. Lá brincou com uns miúdos da rua, mas pouco. Andou a ler, de volta do tablet e de conversa em conversa. Sai mesmo à mãezinha dela! :) Fala com a vizinhas. Com os tios mais velhos. Sabe quem é filho de quem e quem é casado com quem. Contou-me histórias. Imensas histórias. E compadeceu-se com cada idoso que viu curvado. E olhem que por ali são muitos! Que a aldeia é pouco jovem.
 
Medraram!
 
Eu quis escrever mais. Juro que quis. Mas a rede é coisa escassa. Falar ao telefone. Ui! Lá descobri um sítio onde conseguia. Mas internet!! Só no adro da igreja. O que me levou a fazer várias tentativas. Mas desisti. De dia, não conseguia ver o ecrã por causa da claridade. De noite, como não há luz no adro, não conseguia ver o teclado. Desisti!
 
Também é bom pesquisar um pouco sobre praias fluviais. Todos os anos há novos espaços recuperados que vale a pena visitar. Fomos à de Valhelhas e à de Vale das Éguas.  Apenas um conselho: se um dia pensarem em lá ir, não o façam no mês de Agosto... a invasão de gente é parecida à de uma dia de praia em Carcavelos.
 
O meu marido reencontrou dois amigos da sua adolescência que são irmãos entre si. Nem de propósito, pois há anos que não se viam e por aqueles dias tinha ele andado a contar-me das suas peripécias. Entre as quais a construção de uma cabana no meio do mato com o crânio de um porco por cima da porta. E, sem esperar, cruzámo-nos com eles. Que partiram há quase 20 anos para França. E que, de vez em quando, voltam a casa.
 
Foi uma diversão. Recordaram os melhores momentos que viveram. Falaram em português e em francês. Trouxeram as mulheres e os filhos. Elas, as francesas, Muriel e Evelyne, umas bem dispostas. Coisa rara naquela "espécie". Não falavam português, mas percebiam imensas coisas. Eu disse-lhes que falava un petit peu de francês. E desenferrujei a língua.
 
Fomos ao baile. Ouvimos os Tokadançar e assistimos a uma briga entre ciganos. Dançámos uma coreografia, pelos vistos universal, que aprendi com elas naquela noite. No entanto, toda a gente estava a dançar aquilo. Fizemos o comboio da praxe e ainda dei um pezinho de dança com o meu marido. Fomos ao baile da paróquia. E os meus dedos fervilhavam de vontade de escrever sobre tudo.
 
Sobre as aldeias perdidas na Beira, há coisas boas e coisas más. Mas as melhores são as que não se encontram em mais lado nenhum. E essas residem num reencontro inesperado. Numa conversa ao serão com os familiares da terra. Nos almoços e jantares em família. Daquela família da Beira que também partiu para França. E que regressa ano após ano. Para alimentar a alma.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Das pequenas coisas

Sei como sou. O que me preocupa. As minhas prioridades.
Sei pelo que luto. O que me emociona. O que me compensa.
Sei para onde quero ir. De onde vim.
E sei, também, que são as pequenas coisas que me preenchem a alma.
Pequenas grandes coisas que me fazem sentir especial. No meu mundo.
 
São os clichés? Talvez. Mas são esses clichés, que só compreendemos quando passamos por eles, que fazem sentido. Quando os vivenciamos. Um abraço no final do dia. Um ramo de flores que os meus filhos roubam no jardim da avó ou que apanham enquanto andam a brincar na rua. Um saco de amoras. Como as de ontem. Que o mais pequeno apanhou. Porque sabe que eu adoro.
 
O despertar deste dia. Em que ele chama a irmã ao quarto para dizer-lhe que a adora. Ao que ela respondeu: Eu também te adoro! O companheirismo do meu marido que me tem acompanhado por inteiro num projecto pessoal que em breve partilharei convosco. Que vibra comigo. Que não me deixa desistir. Que não percebe nada do assunto, mas ouve-me e ouve-me e ouve-me...
 
São as pequenas coisas que me preenchem.
Espontâneas. Naturais. Verdadeiras.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Não imaginas o quanto te amo!

 
 
Começo a ficar desconfiada.
Andas arredia de nós. Nada te satisfaz. Raramente te ris a bom rir.
Tudo o que te sugerimos é uma seca. Andas cansada de estar de férias. À nossa espera.
 
Aborreces-te com a televisão. Com os livros que adoras.
Já brincas pouco com as bonecas. Preferes fazer do teu irmão um boneco.
Pesquisas vídeos de música. Cantas desalmadamente. Mas fechas a porta do teu quarto para te desinibires. E eu respeito-te. Um bocadinho triste. Confesso.
 
Procuro coisas novas para ti. Entusiasmas-te. Mas depois passa.
Tens momentos de pura apatia. E enervas-me. Tenho vontade de te abanar.
Não acabas o que começas. Perdes o interesse. E fazeres o que te peço de uma só vez, é uma sorte! Esqueces-te a meio. E eu volto a pedir-te. E a pedir-te. E tu mastigas.
E eu não gosto.
 
Estou a perder o doce de menina que não me largava as saias. Estou a ganhar uma pequena mulherzinha que em tudo procura um desafio. Que em tudo o que faz, quer dar tudo o que tem. Desde que valha a pena. Para ela.
 
E enervas-me. Nem imaginas como me enervas.
Não sei o que tens. Não te consigo chegar como gostaria.
Começo a ficar desconfiada.
E não estou a gostar nada disto. 
 
Não imaginas o quanto te amo!
Nem queres saber.
Mas um dia, quando voltares para mim, terás aqui um testemunho do que senti.
Quando começaste a crescer.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Lugares onde fomos felizes - Porto Covo

Este registo serve, apenas, para não me esquecer de lá voltar. Parámos para esticar as pernas, no périplo que fizemos do Algarve a Lisboa pela Costa Vicentina. E está lindo, Porto Covo.
 
Já lá tinha estado em miúda. Mas se, desta vez, não deu para muito, ficou a promessa de voltarmos. E mergulharmos. E passearmos. E criarmos memórias de mais um lugar paradisíaco do nosso país.
 
Para companhar as imagens, Rui Veloso, claro está!
 
Acharam piada à porta e quiseram ser fotografados aqui! :)

A minha princesa está uma mulherzinha.

A cada esquina... um carrinho. E ele entra em todos...

 
Roendo uma laranja na falésia
Olhando um mundo azul à minha frente
Ouvindo um rouxinol nas redondezas
No calmo improviso do poente...

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Baile de finalistas - as fotos

Conforme estava prometido aqui, finalmente faço o registo do baile de finalistas da minha pequena princesa. É claro que estamos a falar de um baile de finalistas do 1.º ciclo, mas o nosso empenho foi o mesmo de sempre. A 200%! Para que ela se sentisse muito bem. Para que nos sentisse presentes. Para que se lembre, para sempre, do dia em que acabou o primeiro ciclo do seu percurso académico.
 
Já vos tinha falado da coroa de flores que fiz. E, agora, trago-vos o vestido. Que agradecemos publicamente à prima Mónica e à prima S. Foi herdado. E com pequenos pormenores fizemos deste um vestido adequado à ocasião. Isto para dizer que não é preciso grandes investimentos. Um vestido singelo, com uns toques adequados que, neste caso, se traduzem na fita de cetim na cintura e na coroa de flores branca e roxa com a mesma fita de cetim a rematá-la.
 
As flores comprei-as no mercado. Rosas pequenas tingidas. E lemonade (as florinhas brancas). No mercado também comprei, à florista, arame que moldei com a medida da cabeça dela e onde prendi as flores. A fita de cetim comprei numa retrosaria. Depois de lhe medir a cintura, claro.
 
O baile foi antecedido de um jantar. Pais, alunos, professores, funcionários da escola e, quem tinha, irmãos. Todos contribuímos com alguma coisa. Nós levámos uma quiche de legumes que fiz em casa. Morangos já lavados e arranjados e limonada. Feita pela minha irmã na sua fabulosa bimby! :)
 
Depois de comermos, os pais levaram as meninas e as mães levaram os meninos para abrirem o baile com uma valsa. Desse momento não tenho fotos, porque filmei. Mas garanto-vos que o pé de chumbo do meu marido não se saiu nada mal! :) E, depois, os meus preciosismos também ajudaram... Fiz questão de fazer um pequeno arranjo de flores igual à coroa para o pai pôr na lapela do casaco e o mais pequeno no bolso da camisa. Além da cor predominante ser mais ou menos a mesma. Entre o roxo claro e o azul a atirar para o roxo.
 
Ela adorou! E foi muito elogiada pelas amigas e pela professora que, em surdina, me deu os parabéns pela idumentária e pelos pormenores. Também me disse que temos ali uma pequena grande mulher. Que o seu exemplar desempenho ao longo de 4 anos foi excepcional e que gostava que todos os seus alunos fossem assim. (e a baba a cair-me...)
 
E eu... não apareci nas fotografias. Fiz de fotógrafa. Mas este contentamento imenso que sinto por ter cumprido o meu dever, deixá-la feliz, nunca irei perdê-lo. Está pirogravado na minha memória. Cravado no meu coração.


 




 


Passámos a noite a correr atrás dele. Estava feliz! Não pelo baile, é certo, que disso não percebe nada. Mas porque estava na escola dos grandes e pôde correr no pátio que, por norma, lhe é interdito.
A nossa menina dançou e dançou e dançou.
E nós, embevecidos, filmámos e fotografámos. Para mais tarde ela recordar...
 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Lugares onde fomos felizes - Praia dos três irmãos

Fica em Alvor, no lado nascente. É uma praia muito bonita que esconde uma história de encantar. Reza a história que deve o seu nome aos três grandes rochedos que a carcatrizam e que ali se encontram, devido a uma noite de tempestade que vitimou três pescadores. E petrificou-os. Pois os familiares em terra não tinham cumprido as promessas feitas.
 
Mas histórias à parte, crenças e lendas que moldam as mentes, garanto-vos que vale a pena visitar. É uma praia caracterizada pelas belas falésias e pequenas grutas que forma. Em cada canto um bar muito agradável. É vigiada  e há muitos bolinhas!! A água é um pouco fria. Mal de que padeci por estar habituada ao meu outro Algarve. Mas aguenta-se bem.
 
Aqui, voltámos. No primeiro dia visitámos cada cantinho do areal. Descobrimos as tais grutas e pequenos segredos que os rochedos escondem. Vimos caraquejos, como diz o meu filho. Peixes e algas. Muitas algas!
 
Da segunda vez que lá fomos fizemos um sunset familiar. O meu filho fez amizade com um casal do Norte. Sem filhos. Que lhe acharam piada e andaram a jogar à bola com ele. E, no fim, apoderou-se das camas concessionadas.
 
Aquele sol de fim de dia é, de facto, um espanto. Permite-nos usufruir da praia como se ela existisse só para nós. Os miúdos esticam-se pelo areal, sem medos. E nós permitimos-lhes essa liberdade. E só quando o sol se enconde é que recolhemos.
 
Se nunca fizeram isso, experimentem. Peguem na máquina fotográfica e aproveitem aquela luz de final de dia. Ah, é verdade! Neste dia também encontrámos uns noivos e suas damas de honor a tirarem fotos. Parece que este ano, por aquelas bandas, houve muita gente a casar. :)
 

 






 
Mais um lugar onde fomos felizes.
Mais uma partilha com as pessoas de quem eu gosto. :)

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Lugares onde fomos felizes - Praia da marinha

Fica na Caramujeira, no concelho de Lagoa e é considerada, pelo Guia Michelin, uma das 100 praias mais belas do mundo e, ainda, uma das 10 mais belas da Europa. E eu confirmo!
 
Ainda não tinha pisado esta areia. Houve um ano em que apanhámos mau tempo no Algarve e andámos a visitar praias. Esta só conseguimos espreitá-la. Mas não vimos nada. Para isso tinhamos de descer escadas e descer e descer e descer... E a chover... Não dava muita vontade... Mas registámos. E voltámos!
 
Sabia que tem um itinerário marinho deslumbrante que a limpidez das águas permite vislumbrar. Por isso tentámos fazer snorkeling. Tentámos, bem dito. Mas a temperatura da água, a mim, não me permitiu ir mais longe. Quanto mais me afastava da costa, pior! Gelei, completamente! Depois de mais de meia hora para conseguir entrar! E desisti. Não conseguia controlar a respiração.
 
No entanto a praia é belissíma, sem dúvida!
 
No dia em que lá estivemos ainda choveu de manhã. Mas o tempo abriu e valeu a pena termos resistido às partidas do São Pedro. A envolvente é paradisíaca. Daí tantas marcas a procurarem para anúncios publicitários. E as escadas, apesar de serem imensas, descem-se e sobem-se bem. Muito arranjadas e muito espaçadas.
 
Ainda assistimos a uma sessão fotográfica de uns noivos. Ela com um vestido de princesa. E as fotos devem ter ficado espectaculares!
 
A praia é vigiada e tem um café e esplanada muito aprazíveis. Também há estacionamento, mas em Agosto penso que será pequeno. O areal não é muito extenso, mas quem quiser aventurar-se pode passar por baixo das rochas e descobrir uma outra praia, mais pequena e mais isolada. Ou passam por dentro de água ou passam com a barriga na areia. :)
 
Também aqui fomos visitados por imensos barcos em circuito turístico com a diferença de que alguns deixavam que os passageiros dessem um mergulho. E um, em particular, fez as delícias do meu filho (o da foto). Olha mãe! Um barco de piratas!
 
 
 
 





 



 
São maravilhosas as imagens, não são? Convidativas. A natureza em estado puro, sem dúvida. Reparem nas diferentes tonalidades da água. Por causa do fundo. Se passarem por estas bandas não deixem de visitar. É mesmo um luxo ao alcance de todos. :)

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Já nasceu!

Lembram-se de ter-vos falado aqui sobre o bebé que aí vinha? Pois bem. Já nasceu! E faz hoje uma semana de vida. Assustou-nos, o magano. Assustou-nos durante o tempo de gestação. A minha prima esteve internada durante um mês. Primeiro, com contacções. Depois, tudo e mais alguma coisa. E eu, que julgava saber tudo sobre este assunto, descobri que não sabia nada...
 
Nunca estive internada nas minhas gravidezes. Nunca passei pelo que ela passou. Já tinha ouvido aqui e ali. Mas nada parecido com o que aprendi agora.
 
Injecções para maturação dos pulmões? Pois, nunca tinha ouvido falar. Uma espécie de preparação do bebé, caso nascesse antes do tempo. Líquido amniótico a mais? Líquido amniótico a menos? Análises a vírus estranhos cujo nome assustam qualquer um. E ela que, ainda por cima, deitada que estava, apenas com autorização para mexer os olhinhos, ainda perdeu 5 kg de peso.
 
Fui visitá-la ao hospital. E numa dessas visitas armei-me de máquina fotográfica, maquilhagem, camisa de seda rosa bebé, fitas de cetim de várias cores e óleo para o cabelo. E não lhe disse nada. Surpreendendo-a numa sessão fotográfica de pré-mamã. Ali, na cama do hospital. E ela adorou. E eu também.
 
Já nasceu!
Nasceu no dia 16. Quando menos esperávamos. Não dava sinais disso. Julgámos que, depois de tanta injecção para travar o parto, agora seria altura de esperar pelos últimos dias. Mas ele é que decidiu. O rapaz. Que até ao fim não tinha nome. Que, até ao fim, deixou bem claro que era ele a comandar as tropas. Quando haveria de chegar a este admirável mundo novo! E que os sustos que pregou à mãe, ao pai, às irmãs e a todos os que o aguardavam, são apenas meros flashes daquilo que reservou para todos. É rabino! Muito rabino!
 
3.200 kg de gente. 47 cm de comprimento. Louro. Nem se lhe vêem as sobrancelhas. Abre os olhos de quando em vez. Grandes. Perfeitinho. Limpinho. Mamão! E de nome David Alexandre.
 
Peguei-lhe ao colo como se pegasse num bebé pela primeira vez. Encostei-o no meu peito para que me conheça o cheiro. E a voz. E o toque. E, sem querer, dei por mim a pensar em como já me tinha esquecido daquela sensação. A de ter um recém-nascido em cima de nós. É incrível como essas memórias se escondem nos recantos da nossa história de vida. É incrível como ao acompanharmos diariamento os nossos filhos vamos vivendo cada nova fase como a mais supreendente até ao momento. É incrível como o nosso instinto de mãe está sempre lá.
 
Estou tão feliz! Há muito tempo que não tínhamos um bebé na família. Há 4 anos. A idade do meu filho. Fui a última a contribuir para a taxa de natalidade. A última da nossa família, claro! E agora, a renovação da esperança. A renovação da vida. O reacender de sentimentos adormecidos. O alicerçar de sentimentos com que vivemos diariamente e dos quais nem sempre nos lembramos. Ou valorizamos. Isto porque a mãe é minha prima. Mas se fossemos irmãs, talvez não nos dessemos tão bem. Não há dia que não falemos uma com a outra. Sou madrinha de uma das suas filhas. E ela é madrinha de um dos meus filhos. E na passada segunda-feira, dia 16, dei por mim a dizer a alguém:
- Acabei de ser tia!
 
Não! Não fui tia. Mas é assim que me sinto. E tu, meu querido David, se um dia leres este texto saberás que foste e és desejado por todos nós. Se um dia leres este texto, perceberás porque te enchemos de beijos como se nos alimentássemos de ti. No fundo, é isso. Alimentamo-nos de ti e de todas as crianças que nos rodeiam. Vocês são o nosso motor. A nossa fonte de vida.