domingo, 31 de maio de 2015

15 anos depois...

É incrível como o tempo passa... Apercebi-me hoje que fiz a bênção das fitas há 15 anos atrás. Que aqueles anos dolorosos de estudo, esforço e dedicação ao conhecimento que pareciam não andar, já lá vão... Assim... Há 15 anos... E 15 anos depois faço as contas a mais dois cursos superiores.

Hoje relembrei esse dia feliz. Ao presenciar a bênção da minha querida prima. Só tenho pena de não ter sido como há 15 anos atrás. Com a presença daqueles que já partiram.
O resto... merda para o resto... que o que importa é o que vai dentro de cada um.

Para ti querida prima, F-R-A, F-R-E, F-R-I, F-R-O, F-R-U!!!!

Para ti não vai nada, nada, nada? TUDO!!!

E salta Mónica e salta Mónica! Olé, olé!
E salta Mónica e salta Mónica! Olé, olé!








sexta-feira, 29 de maio de 2015

Duarte e Isabel (blognovela)

A surpresa de ter sido mandada para dentro da piscina levou a que a Isabel ficasse, de facto, mais calma. Nem ela algum dia tinha previsto acabar assim e muito menos resultado de uma acção do manso namorado que controlava com um estalar de dedos.
 
Enquanto a via recuperar, o Duarte olhou em volta, agarrou uma toalha largada numa cadeira e pôs-se de cóqueras à beira da piscina à espera dela e para ajudá-la. Ainda sorriu, discretamente, pela atitude que teve, por ter tido um papel preponderante para que a discussão acabasse e por ver a Isabel numa situação de vulnerabilidade total.
 
Esticou-lhe a mão.
- Vá, agarra aí que eu ajudo-te...
- Achas bem o que me fizeste?
- Vá Isabel. Agarra aí.
 
E a Isabel agarrou-se à mão dele. Subiu e sentou-se na borda com os pés dentro de água. Estava fula. E quando ele lhe pôs a toalha pelas costas...
- Não quero isso!
- É melhor... olha que arrefeces... estás toda vestida...
- Pois estou! TODA VESTIDA!
- Wow... Não vais começar, pois não?
 
Pôs as pernas para cima. Levantou-se. E frente a frente com o Duarte alçou da mão e deu-lhe um estalo.
 
- ISABEL!! Tu passaste-te ou quê?
- Sim, passei-me! Passei-me quando me envolvi contigo! Foi um erro!
- Desculpa?!? Um erro?
- SIM!! UM ERRO! Mas desde quando é que tu me tratas assim? Em vez de me ajudares atiras-me para dentro de água? A estúpida da tua mulherzinha publica aquele texto e tu ainda a defendes?
- Eu não defendi ninguém, está bem? Eu apenas quis que te controlasses. Não achas que já bastava teres todas as atenções sobre ti, depois da notícia que saiu? Fazeres um escândalo daqueles, assim, à frente de todos, Isabel? Tu estava a gritar feita louca!
- E então decidiste espetar comigo dentro de água!!
- Olha, sim. Foi isso! Nem tens noção da tua figura. Foi o que me ocorreu...
- FOI O QUE TE OCORREU?!? E A OUTRA? Saiu daqui a rir, não achas? Só espero é que não se tenha lembrado de tirar fotografias...
- Tinha piada... - Pensou em voz alta.
- O QUÊ? TINHA PIADA?
- Não grites! Pára com isso!
- NÂO GRITES?!? Tu realmente... tão meiguinho, tão dependentezinho, tão fofinho... e agora olha... é o que se vê...
- Desculpa lá! Mas é essa a tua opinião sobre mim? Que sou dependente? De ti?
- Não de mim! De alguém! Precisas de ter sempre alguém contigo, Duarte! Não tomas decisões sozinho, precisas de quem te oriente. És um sentimentalista de primeira. Estás comigo cheio de remorsos por causa dela e agora que a viste ficaste assim...
 
O Duarte não estava a gostar da conversa.
 
- Vá Isabel! Deita cá para fora! Pelos vistos tinhas aí muita coisa para me dizer!
- Queres ver que quando viste a Madalena ficaste indiferente... eu bem vi como a levaste ao colo para o quarto, na noite em que ela caiu. Eu bem vi como olhaste para ela. E isso magoou-me, sabes?
- E porquê?
- Porquê?!? Porquê o quê?
- Porque é que te magoou a maneira como eu olhei para a Madalena naquela noite? Porque gostas de mim ou porque te sentiste desprezada? Porque sentiste que podias perder-me? Porque ficaste com ciúmes de eu ainda ter sentimentos por ela? Ou será que me sentiste a escapar-te? A escorrer por entre os dedos?
- Mas o que é que estás para aí a dizer?
- Responde, Isabel! Responde!! Tu pensas que eu não sinto as coisas? Tu nunca, mas nunca disseste que me amavas! Nunca! E depois do que eu vi até agora desde que cá estamos, fiquei tão, mas tão desiludido... Deste-me a conhecer uma mulher que eu não conhecia...
- E?
- E?!? E não gostei! E começo a pensar que a notícia que saiu na revista tem algum fundo de verdade! Que se foi a Madalena a publicá-la ela viu em 2 segundos aquilo que eu demorei um ano a ver!
- Mas estás a falar de quê?
- Disto! Espera que eu leio para te relembrares. - E pegou no telemóvel - A mesma fonte informou-nos que o último capricho da menina Galvão foi o de cobiçar um homem casado a troco do interesse financeiro que o mesmo lhe proporciona para os seus negócios... É disto que eu estou a falar! Diz lá... foi isto que viste em mim, não foi?
 
A Isabel começou a sentir o cerco a apertar. Mas a raiva apoderou-se dela de novo. E a verdade também.
 
- FOI! FOI ISSO QUE VI EM TI! Dinheiro! O dinheiro que precisava para investir nos vinhos. TU foste o veículo perfeito para o empréstimo a juros mínimos. TU foste a melhor forma de negociar, de alcançar os meus objectivos. É VERDADE, DUARTE! Foi por isso que eu me meti contigo. Porque precisava de dinheiro e tu, tapadinho de todo, facilitaste-me a vida! Pronto, é isto!
 
Baixou a cabeça, o Duarte. Como é que não tinha percebido aquilo mais cedo. Como é que se tinha deixado enrolar daquela maneira. Teve vontade de apertar-lhe o pescoço. Teve vontade de pontapeá-la para dentro da piscina. Teve asno por ela. Teve nojo. E encarando-a disse-lhe:
 
- Vais-te embora daqui agora. Tens meia hora para fazer a mala. Põe-te a andar. Nunca mais falas comigo. Se me vires na rua muda de passeio. Fica longe de mim, da Madalena e da Matilde. E desejo que o teu negócio vá à falência. Aliás, no que depender de mim, irá. Acredita!
- Ó meu menino... mas quem é que tu pensas que és para me ameaçares desta maneira?Tu, um bebé grande que ainda anda de fraldas. Que precisa de uma mãezinha para tudo. A ameaçar-me?!? Tens noção do que estás a fazer? Tens noção daquilo que eu sou capaz?
 
- Estou cheio de medo... Tens meia hora... - E virou-lhe as costas.
 
A Isabel ficou ainda ficou mais raivosa e furibunda. Subiu ao quarto para ir buscar as suas coisas. Mas não se foi embora...
 

(Leia aqui todos os capítulos)


terça-feira, 26 de maio de 2015

O primeiro escândalo (blognovela)

Já no ginásio, e enquanto estava na passadeira, a Isabel recebeu um sms de uma amiga que dizia o seguinte:

Abre o link e lê. Não vais gostar... bjos

Abrandou o ritmo e premiu em cima do link. Ao ler o conteúdo começou a ficar verde, azul, doida de raiva. Não podia acreditar numa coisa daquelas. Só podia ser obra da Madalena! Pensou ela. E de imediato saltou da passadeira para ir ao seu encontro.

Não precisou de andar muito. Pois também a Madalena tinha planeado ir para o ginásio e acabara de chegar.

- PODES EXPLICAR-ME ISTO?!? - Gritou a Isabel na sua direcção enquanto lhe apontava o telemóvel para a cara.
- Ei! Estás a gritar para quê? Eu não sou surda!
- NÃO ÉS SURDA? 
- Não! Não sou surda. E agora tira-me o telemóvel da cara e sai-me da frente que eu não tenho nada para falar contigo!
- DESCULPA! Não tens nada para falar comigo? Então queres dizer que não tens nada a ver com ISTO, queres ver? - E apontou para o écran.

Uma autêntica peixeirada, era o que se estava a passar ali. Todos os clientes do hotel que estavam no ginásio ouviam os gritos e uma funcionária tentou intervir pedindo que ambas saíssem senão teria de chamar a segurança.

Saíram.

- Olha Isabel, eu só saí por respeito às outras pessoas. Agora vê lá se te acalmas que eu quero ir à minha vida.
- ISSO É QUE ERA BOM!! Ires à tua vida? Mas tu pensas que eu sou o quê? E tu pensas que és alguma sumidade? És uma cobarde! UMA COBARDE! Como não conseguiste o Duarte de volta resolveste atacar-me desta maneira!
- Não sei do que é que estás a falar...

Os gritos continuavam e como a entrada do ginásio era perto da piscina o Duarte não deixou de ouvi-los e reconhecer as vozes. Levantou-se e foi à procura da Isabel quando deu por ela em cima da Madalena aos berros e injúrias.

- O que é que se passa aqui? Que gritaria é esta Isabel?
- Foi a tua mulherzinha! Olha, olha bem para aqui! LÊ!

O Duarte pegou no telemóvel e viu que estava aberta uma notícia online de uma revista considerada cor de rosa sobre a Isabel que dizia o seguinte:

Isabel Galvão, de menina rica a destruidora de lares
A dona do império de vinhos Sobreiro & Galvão, cujo título conquistou com a morte trágica dos pais num acidente de viação, é também conhecida por ser muito mimada e habituada a ter tudo o que quer. Quem a conhece atura-lhe os caprichos apenas pelo poder que tem, mas fonte segura disse esta manhã à nossa revista que ninguém gosta dela, sobretudo pela falta de escrúpulos com que lida com os negócios, 
visando, apenas, alcançar o lucro sem olhar a meios.
A mesma fonte informou-nos que o último capricho da menina Galvão foi o de cobiçar um homem casado a troco do interesse financeiro que o mesmo lhe proporciona para os seus negócios destruindo, assim, uma família e o casamento de um jovem casal.
É-lhe apontada, também, a falta de conhecimentos sobre enologia e que o sucesso da marca construída e deixada pelos pais não tardará muitos anos a desmoronar-se.

- Já leste?!? Diz-me lá: quem é que pode ter escrito uma coisa dessas?
- Mas a Madalena não trabalha nesta revista, Isabel!
- TU, TU... És mesmo um ingénuo... não vês que a revista é do mesmo grupo?!? SERÁ QUE NÃO VÊS, DUARTE?
- Bom... com licença que eu tenho mais que fazer... - Disse a Madalena virando costas. Nisto uma mão forte agarrou-lhe um braço travando-lhe a marcha:
- ONDE É QUE TU PENSAS QUE VAIS?
- Larga-me... - Respondeu baixinho sem olhar, sequer, para a Isabel.
- Não te largo. Tu tens de pagá-las! - Sussurrou a outra.

E com muita calma e de voz baixa a Madalena levantou os olhos e encarou-a dizendo-lhe:
- Não Isabel... Tu é que vais pagá-las... e tããão caro...

Perante aquela cena o Duarte agarrou a Isabel e arrastou-a para fora dali.
- Vamos embora. Tens que te acalmar! Vamos daqui!
- LOUCA, TU ÉS UMA LOUCA! FRUSTRADA! PENSAS QUE VAIS CONSEGUIR ALGUMA COISA COM ISTO?!? ESTÁS MUITO ENGANADA! EU VOU DAR CABO DA TUA VIDA, MADALENA! JURO-TE!! CABO DA TUA VIDA!!

O Duarte viu-se aflito para conseguir acalmá-la e tirá-la daquele cenário. Pediu à Madalena que seguisse caminho e disse-lhe que depois falaria com ela. Continuou num grande esforço para que a Isabel se calasse com a gritaria, mas em vão. Até que lhe ocorreu uma medida simples e eficaz. Atirou-a para dentro da piscina.



(Leia aqui todos os capítulos)

Tiras-me uma fotografia?


E o resultado foi este.
Bom dia. :)



segunda-feira, 25 de maio de 2015

À beira da piscina (blognovela)

O Duarte estava tão distraído com a leitura que não deu pela Matilde chegar.
- Posso?
- Como? Ah, Matilde! Desculpa... não te vi...
- Posso sentar-me aqui ao pé de ti?
- Claro! - E levantou-se para puxar uma cadeira. - Já estiveste com a Madalena? - Perguntou.
- Já.
- E como é que ela está? Melhor?
- Sim... dói-lhe a cabeça, mas nada de mais... O pior é o resto...
Silêncio.
- Como é que isto aconteceu? - Disparou a Matilde.
- Nem sei bem... quando dei por mim estava envolvido com a Isabel... aconteceu tudo muito depressa e a Madalena... sabes como é... nunca está presente...
- E achas que foi melhor assim? Envolveres-te com uma mulher e saíres de casa? Ainda por cima não foi com uma mulher qualquer!! Não!! Tinha de ser com uma amiga minha!!
- Amiga tua? Achas mesmo que a Isabel é tua amiga?
- E tu? Achas mesmo que a Isabel está apaixonada por ti?
O Duarte olhou-a de lado.
- Pensas que eu não sei o que vale a Isabel? Sei muito bem. De certeza que ela teve qualquer interesse em ti para te ter piscado olho. E tu foste logo! Com o rabinho a dar a dar!
- Menos, Matilde. Muito menos.
- Muito menos?!? Isso digo-te eu!! Achavas que isto não se vinha a saber? Tu sabes o que a Madalena sofreu e ainda está a sofrer com esta cena toda? Chorou baba e ranho durante duas semanas, ouviste?? Nem sequer foi trabalhar! Não saía de casa! Culpou-se, porque sabia bem que sempre pôs o trabalho à frente de tudo. Mas tu sabias como eram as coisas ainda antes de casar com ela, certo?
- SABIA, MADALENA! SABIA! Mas acreditei que seria diferente depois de casarmos. Acreditei que ela passasse a dar prioridade à nossa relação. Ao nosso casamento! Não penses que eu não a amo! Eu amo-a, Matilde! Continuo a admirá-la como sempre admirei! Continuo a ter orgulho no seu trabalho, na sua obstinação pela perfeição. Mas descobri-me, percebes? Descobri que não conseguia viver assim. Sem ela... A porta estava aberta... foi a Isabel que entrou como podia ter sido outra qualquer...
- Outra qualquer?!?
- Não me julgues... Não julgues ninguém, Matilde. Não sabes como são as coisas. Pensas que sabes. Mas não sabes nada.
Silêncio.
- Ela disse-me que te pediu para voltares para casa...
- Sim, pediu.
- Então se a amas... porque é que não voltaste?
- Queres mesmo saber? Acho que a atenção da Isabel estava a fazer-me bem. E eu sabia que a Madalena, se eu voltasse, não teria tempo para mim.
- Estava a fazer-te bem? Então? Já não está?
- Está... sim, claro... sei lá...
- Sabes lá? Arruma lá essa cabeça! O que é que se passa?
- Ontem não gostei nada de ver a Madalena naquele estado. Não gostei nada de ver como a Isabel reagiu convosco. Não me senti nada bem com esta situação.
- E?
- E? E o quê?
- E o que é que estás a pensar fazer em relação a isso? Vais continuar assim... dividido entre o "ai, esta faz-me tão bem ao ego, mas é da outra que eu gosto"?
- Tu és tramada...
- Não Duarte! Eu sou aquela pessoa que está a tentar que vejas as coisas. Que está a tentar ajudar-te a arrumar essa cabeça, esse coração. O que é que vale mais no meio disto tudo? É isto? Fins-de-semana fora, jantares românticos e viagens ou é saberes que apesar de tudo terás sempre, mas sempre alguém com quem contar? Sabes que à primeira a Isabel põe-se a andar! Ou melhor, põe-te a andar!!
O Duarte sentia-se um alvo. Com tanta pergunta e tantas certezas. Sentia-se, também, dividido. Não conseguia pesar o que era, de facto, mais importante para si. Ao rever a Madalena estremeceu por todo o lado. Mas à distância não queria a vida que tinha com ela. Queria mais. Mais calor, mais amor. Mais Madalena.

- Liga-lhe...
- Hã?
- Liga-lhe, Duarte. Ela merece, ao menos, que dês a cara! Nunca o fizeste! Deixa-a fazer todas as perguntas, deixa-a dizer-te tudo o que sente. E tu faz o mesmo. Não falar é o pior que podes fazer. Já viste como ela se rebaixou? Pediu-te para voltares!!
- Achas mesmo que isso vai resolver alguma coisa?
- Acho! Francamente, acho! Ou tens mesmo a certeza de que queres o divórcio?

O Duarte não respondeu. E de tão embrenhados que estavam na conversa não se aperceberam de que a Isabel estava a chegar:

- Olha, olha! A Matildezinha! Então o que é que estás aqui a fazer?
- Bom Duarte, depois falamos. - A Matilde ignorou-a.
- Ei! Mas o que é isto? Fiz-te uma pergunta e tu viras-me as costas?
- A ti não tenho mais nada a dizer. Aliás, tu foste bem clara na última conversa que tivemos. Por isso Isabel, esquece que eu existo!
- Esquecer que tu existes? Depois do que me disseste? Depois de me teres chamado cabra? Impossível!
- Tu não vales mesmo nada... Acho que o melhor para todos é vocês fazerem as malas e porem-se a andar daqui.
- Ahahahahahah!! Eu? Pôr-me a andar daqui? Agora que o circo começou? Nem pensar!
- Meninas, vamos lá a parar! - Tentou intervir Duarte.
- Até logo. - Disse a Matilde e foi-se embora.

- O que é que ela te queria?
- Nada.
- Nada o quê? Mas pensas que eu não conheço a Matilde? Sempre armada em boa samaritana? Até adivinho: veio falar mal de mim e defender a amiguinha!
- Isabel! Tem paciência, Isabel! Não somos miúdos de 15 anos.
- Ai eu não sou, de certezinha absoluta! Agora tu... às vezes parece que ainda andas de fraldas...
- Desculpa?!?
- Sim, Duarte! Às vezes sinto-me a tua mãezinha. Olha, eu vou mas é para o ginásio antes que a conversa azede.
- Vai, vai. Vai e pensa bem no que acabaste de dizer!
- Estou cheia de medo... ui... - E virou costas a rir-se. Feita cabra.



(Leia aqui todos os capítulos)

5 anos depois...

Ainda continua a parecer mentira.
Ainda penso em pegar no telemóvel para lhe ligar.
Ainda tenho o seu número de telemóvel.
Ainda ouço a sua gargalhada contagiante no meu ouvido.
Ainda sinto a sua presença nos lugares onde fomos felizes.
Ainda comemoro o dia do seu aniversário.
Ainda sinto aqueles braços onde todos cabiam.
Ainda sinto o cheiro do seu regaço.
Ainda sinto o sabor dos seus cozinhados.
Ainda a ouço cantar as modas alentejanas que sabia de cor.
Ainda tenho vontade de ir a sua casa, ao seu encontro.
 
Ainda não acredito.
 
5 anos depois da partida da minha querida tia, ainda não consigo acreditar que as pessoas boas partem assim. Tão cedo. A sua missão ainda estava a meio. E a ausência tem-se transformado em saudade. Numa sôfrega saudade que me rasga por dentro. Que me embarga a voz. Que me embacia a vista. Quando menos espero. E, sobretudo, nos momentos mais felizes da minha vida. Aqueles em que eu queria que ela estivesse presente. Aqueles pequenos grandes momentos que a moviam, que a faziam acreditar na vida, que nunca a demoviam por qualquer outra obrigação.
 
A saudade.
Essa é demais.
E não passa. O tempo não é nosso amigo.
É apenas um ingrato de um parceiro que, por vezes, faz parecer tão longe e, outras vezes, faz parecer que foi ontem que partiu.
 
Saudades tia. Muitas saudades.

domingo, 24 de maio de 2015

A culpa é do acordo...

Estava eu doida, mas doida, por repetir mais de vinte vezes a mesma frase para eles. E o que que é que eles fizeram? Nada!! Nada!! Levantei-me, passei-me, pu-los a marchar e ficaram de castigo.
 
Depois, com o meu marido:
- Eles não percebem!! Eles não percebem!! Tu não vês? Uma pessoa diz para a direita e eles vão para a esquerda! Uma pessoa diz para a esquerda e eles vão para a direita!! É de loucos!!
 
Senhor meu marido, com uma grande calma, responde-me:
- Mas eu já sei porque é que eles não nos percebem. É que nós falamos no português antigo e eles só compreendem se falarmos com o novo acordo ortográfico...
 
Really?!? Se eu estava possessa imaginam como é que fiquei...

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Duarte (blognovela)

O desertor.  Podíamos dar-lhe este cognome. Ou o filho da mãe. Ou o traidor. Ou o futuro ex-marido da Madalena. Ou, pura e simplesmente, o homem. Entre três mulheres.
 
Conhecera a Madalena no funeral de um amigo comum. A sua figura vistosa prendeu-lhe logo a atenção e essa prisão também ela a sentiu, quando os seus olhos bateram nos dele. Pela primeira vez. E nesse dia, sem o saberem, apaixonaram-se.
 
Tinha casado por amor. Sabia perfeitamente que a vida da Madalena era pública, agitada, preenchida. Sabia, desde o dia em que a conheceu, que era obstinada. Fosse pelo que fosse, a Madalena era obstinada. Os objectivos a que se propunha era para serem cumpridos, ultrapassados, se possível, na perfeição e só por isso é que tinha alcançado o sucesso profissional que lhe dava notoriedade. E só por isso, por essa força maior que lhe reconheceu, soube logo que era com ela que queria casar. Bastou-lhe sentir a força da Madalena para que um frio na barriga o consumisse. E até que ela o aceitou, não descansou.


Sabia de antemão que casar com uma figura pública era viver na sombra. Não gostava de acompanhá-la em eventos públicos. Os flashes não o atraiam. Preferia gozar do sucesso da mulher de forma privada. Em casa. Quando lia o que ela escrevia. Quando a encontrava, inesperadamente, numa revista qualquer. Não lhe fazia confusão o sucesso da mulher. Apreciava-o e falava com orgulho. E vaidade. E sabia que era a ele que ela regressava. Todos os dias. E depois... como qualquer pessoa apaixonada... achou que com ele seria diferente. Que, depois do casamento, a Madalena iria estar mais tempo disponível. Presente. Com ele. Para ele.

Duarte era alto, moreno e de olhos verdes. Um homem muito bonito. Charmoso. Bem falante. Gerente de um banco e um autodidata em informática. Era fácil gostar dele e pretendentes não lhe faltavam. No banco era frequente sentir um certo assédio da parte das colegas e algumas clientes. Fazia-lhe bem ao ego. Gostava disso. Mas nunca lhe tinha passado pela cabeça trair a Madalena. Mesmo nos momentos em que se sentia sozinho. Aí dedicava-se aos computadores e não raras foram as vezes que ao chegar a casa ela o encontrou adormecido perante os ditos.

Mesmo na lua de mel, perante tanta exposição de um momento tão privado, fez por perceber que quem acompanhava a vida da sua recém-esposa queria saber de todos os pormenores. Fez por entender tantas publicações nas redes sociais. Tantas fotografias dela mesma. Fez por perceber.

Com o tempo a passar, começou a sentir-se sozinho. Muitas vezes. Demasiadas. Os amigos, casados, pouca disponibilidade tinham. Os computadores, por mais que gostasse deles, não conversavam. No frigorífico encontrava sempre e apenas uma refeição. Não havia barulho em casa. Não sentia vida em casa. E o silêncio começou a incomodá-lo.

Até que chegou o dia da famosa festa de aniversário da Matilde. E no dia seguinte uma mensagem da Isabel no Messenger. A gabá-lo. A convidá-lo para um café. A seduzi-lo.

Não resistiu muito tempo. A porta estava aberta. E a Isabel entrou.


(Leia aqui todos os capítulos)

7 km de pensamentos

Ontem arranquei ao final da tarde para mais uma caminhada. Sozinha. Como gosto de fazer. Andei a um ritmo tal que nem me apercebi disso. Só no fim quando olhei para o relógio e vi que tinha feito 7 km em 50 minutos é que me dei conta. Um novo record pessoal. Pareceu-me que tinha estado ausente durante aqueles 50 minutos. Que não me lembrava do caminho que tinha percorrido. Como que o tempo tivesse parado e nada tivesse acontecido.Como é que não me tinha apercebido? 

Só ao volante, no regresso a casa e aos poucos, é que comecei a dar-me conta do tempo. A dar-me conta dos meus pensamentos. Dos meus 7 km de pensamentos. Tinha caminhado com a Matilde, a Madalena, a Isabel, o Duarte, o resort de Tróia e todo o enredo que estou a criar. Tinha estruturado cenas entre os personagens e em cada pessoa com quem me cruzei tinha procurado uma característica que pudesse aproveitar. (Por falar nisso, devia ser proibido andar na rua sem camisola ou em biquíni. Que a vista às vezes até fica magoada com o que se vê...) 

Apreciei a paisagem. Enquadrei-me no cenário. E o barulho que estava na minha cabeça acabou numa remodelação da estrutura inicial da blognovela. Agora compreendo porque motivo as séries e as telenovelas mudam o rumo em função das audiências. Há palavras chave para o sucesso: sexo, sangue, traição, vingança. E quanto mais as pessoas se identificarem com o que estão a ver, melhor. 

Nos meus 7 km de pensamentos ainda estruturei o que ia fazer no final do dia e a agenda de hoje. E depois entendi porque passou tão rápido. As minhas pernas estavam ao ritmo do que se passava na minha cabeça. E eu que gosto tanto de silêncio, não consegui tê-lo. Além de tudo o que vai aqui dentro, agora ainda cá vivem mais estas 4 pessoas. Que conversam comigo. A toda a hora. :)

Boa tarde. Não deixem de sonhar.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

No quarto (blognovela)

Assim que entrou no quarto da amiga, a Matilde topou o portátil aberto, ligado e em cima da cama.
 
- Então, já ao computador tão cedo?
- Sim.
- Não me digas que estás a trabalhar?!?
- O que é que queres? Essa coisa a que chamam trabalho está entranhada em mim. - Respondeu piscando o olho à amiga.
 
Sentaram-se em cima da cama, mas a Madalena agarrou-se ao teclado.
 
- Quer dizer que já te sentes melhor...
- Dói-me um bocado a cabeça... mas isto já passa... - E mudando de assunto. - Olha, espreita aqui o que estou a fazer. A princesa Letizia apareceu em público com um casaco de uma estilista nossa.
- Ai foi? De quem?
- Lua Mendes.
- O quê?!? Quem é essa?
- É uma miúda muito gira que tem dado alguns passos na moda. Já andava de olho nela desde a penúltima edição do Moda Lisboa. Eu sabia que ela ia ter sucesso. Et voilá!
- Tristeza... é preciso uma espanhola vestir um casaco de uma portuguesa para se ser reconhecido...
- Ah pois é, bebé! O mundo da moda é assim mesmo! E, às vezes, é só uma questão de sorte!
- E o que é que estás a fazer?
- A rever o artigo que vamos publicar na nossa edição on-line. Não pode sair de qualquer maneira.
- Realmente... não percebo mesmo nada de moda e de como é que isso funciona... Estás aí toda entusiasmada por causa de um casaco...
- Não! Desculpa minha cara amiga! Um casaco português! Desenhado por uma portuguesa e fabricado em Portugal!!
 
Silêncio.
 
- Já estás melhor? Mesmo?
- Mesmo... - Respondeu sem vontade.
- Não parece.
- O que é que queres, Matilde?
- Para já gostava que olhasses para mim. Só consigo perceber como estás se te vir bem os olhos e tu bem sabes disso. Por isso é que não os tiras do écran!!
 
Num gesto repentino a Madalena fechou o portátil, colocou-o de lado, cruzou as pernas e virou-se de frente para a amiga a abrir ambos os olhos com as duas mãos:
- Pronto! Já me vês assim?
- Parva! És mesmo parva! - E desataram a rir.
- Estou preocupada contigo...
- Não fiques. Decidi que o Duarte já passou à história. Olha, só espero é que se tenha ido embora com a outra fulana que é para continuar a desfrutar do nosso fim-de-semana.
- Huuummm.... não me convences... o Duarte passou à história? Está bem... e olha, eles ainda estão cá.
 
A Madalena baixou a cabeça.
 
- Queria pedir-te desculpa.
- Tu?!? Porquê?
- Porque afinal de contas ela é minha amiga e foi em minha casa que se conheceram.
- Explica lá isso melhor. Em tua casa? E eu estava lá?
- Chegaste mais tarde. Foi no meu aniversário no ano passado, lembras-te? Estávamos à tua espera para cantarmos os parabéns...
- Xiiii... a sério?!? Não me lembro nada da fulana. Mas se ela é tua amiga como é que eu não a conheço?
- Sabes aquela que eu te falei dos vinhos Galvão a quem eu projectei o espaço exterior de uma quinta no Algarve?
- Aquela a que lhe morreram os pais?
- Sim, essa!
- Mas essa gaja é uma ricalhaça. O que é que ela viu no Duarte?
- Oh... sei lá...
- Também não me interessa! Agora não há volta a dar. E tu não tens de pedir desculpas por nada, ok? Aliás, eu é que tenho de te agradecer que eu cá só me lembro de ter desmaiado e depois de acordar aqui. Como é que conseguiste trazer-me para cima?
- Foi o Duarte.
 
Os olhos da Madalena arregalaram-se. E brilharam.
 
- O Duarte?!? Como? Ao colo?
- Sim...
- E tu deixaste que ele entrasse aqui no meu quarto?
- Madalena! Querias o quê? Que ele te deixasse à porta?
- Mas quem é que me despiu e vestiu-me o pijama?
- Foi o Duarte.
- O QUÊ???
- Ei, calma! Estou a brincar. Fui eu! Tonta... mas bem que gostavas que tivesse sido ele... - Disse baixinho.
 
A Madalena olhou a amiga de soslaio. E recostou-se nas almofadas. E voltou a pegar no computador. Entretanto bateram à porta.
 
- Não que digas que é ele?
- Vamos descobrir? - Respondeu a Matilde a sorrir. E entretanto só se ouviu:
- Obrigado. Deixe estar que eu levo. Até já. - E depois de fechar a porta a Matilde voltou-se para a amiga:
- Toma lá o pequeno-almoço. Pedi que o viessem trazer ao quarto. Essa dor de cabeça não deve ser só da queda...
- Tu não existes...
- E tu vê lá se comes. Deixa o computador, Madalena!!
- Já vai, já vai... não vês que tenho de publicar isto?
 
Entretanto a Matilde chegou-se à varanda e viu que o Duarte estava a ler, sentado à beira da piscina. Disfarçou.
- Olha lá, não vamos passar os dias aqui enfiadas, certo? Vamos dar uma volta...
- Hã... sim... vamos... mais tarde. Eu ainda queria suar um bocado no ginásio, depois podemos sair e ir até à praia. - Propôs a Madalena.
- Está bem. Pode ser. Então vê lá se comes que eu vou apanhar um bocado de sol. Vou para a piscina. Qualquer coisa apita.
- Ok... - Respondeu de voz arrastada.
 
Depois de ver o Duarte a Matilde queria ir ao seu encontro, sobretudo porque estava sozinho. E depois de se aperceber que a "outra" era a herdeira dos vinhos, também a Madalena queria ficar sozinha. De volta do computador...


(Leia aqui todos os capítulos)

Quem quer ir a Cascais?

Desde o lançamento do Onde está a avó? tenho andado em "digressão" por escolas e espaços culturais. Este sábado, dia 23 de Maio, estarei na Biblioteca Infantil e Juvenil de Cascais, no Parque Marechal Carmona para um abraço e dois dedos de conversa.

Fico à vossa espera! ;)


O vestido e a gala

Foi na passada segunda-feira, no Casino do Estoril, que teve lugar a Gala de Solidariedade 2015 da Fundação "O Século". Tive o privilégio de assistir ao vivo à disponibilidade de quem pode generosamente ajudar quem mais precisa. Outro privilégio foi assistir a uma actuação do jovem e promissor bailarino Samba Injai. Sem dúvida um momento belíssimo e único. Depois, para finalizar, Fernando Pereira com o seu espectáculo "Lord of the voices".

Na foto aqui estou eu com o Senhor Presidente da Fundação, o Dr. Emanuel Martins, a sua esposa e o meu marido.
Foi uma noite de magia.

Tinha-vos falado sobre a minha pesquisa à volta de vestidos de cerimónia em busca de inspiração. Andava inclinada para os pretos e foi precisamente por um vestido preto que me fiquei. Decote em V drapeado, com um cinto com um apontamento dourado e a cair a direito até aos pés. As sandálias é que deram graça ao outfit pelas cores e pelo salto fino, elegante. Os brincos, num verde água oscilante, a combinar com a clutch e as sandálias. Para quem perguntou são da Bijou Brigitte. O vestido de uma loja que se chama Vitamine e que fica no Fórum Sintra. A clutch é da Primark (não consegui nenhuma imagem) e as sandálias são da Zara.

Ficou bem. Não tenho fotos mais pormenorizadas, mas uma coisa é certa: o menos é mais. E não é preciso muito para brilhar! ;)

terça-feira, 19 de maio de 2015

Matilde (blognovela)

Sem estar à espera de uma cena destas na sua vida, Matilde não teve qualquer dúvida em tomar partido pela amiga Madalena. O sofrimento em que a mesma ficou quando o Duarte a abandonou, vê-la a culpar-se desse abandono e, depois, descobrir que, afinal, a culpada era uma amiga sua, deixou-a de rastos.
 
Chegou à conclusão de que, afinal, não conhecia a Isabel. Não assim, sem humanidade nenhuma. Admitia que uma pessoa pode apaixonar-se por outra sem querer, mesmo consciente do compromisso do outro, mas a forma como ela encarou a situação à beira da piscina e na conversa ao pequeno-almoço não lhe deixou dúvidas sobre o seu carácter.
 
Tinham-se conhecido há uns anos atrás por motivos profissionais. Pouco antes do trágico acidente que vitimou os pais da Isabel. Na altura a família Galvão tinha adquirido uma quinta no Algarve que precisava de ser remodelada. E por intermédio de uma empresa para quem trabalhava foi a arquitecta paisagista escolhida para dar vida a todo o espaço exterior.
 
Tinha uma forma muito particular de abordagem, procurando sempre o equilíbrio entre o comportamento da natureza e a acção humana. Criava na paisagem aquilo que os seus clientes lhe pediam, tornando o espaço uma mais valia em qualquer situação. No caso da quinta dos Galvão procurou a melhor forma de considerar e desenvolver os seus valores culturais e os seus recursos biofísicos, o que lhes permitiu, ao mesmo tempo, potenciá-la do ponto de vista económico, técnico e biológico. Tendo contribuindo, assim, para mais um negócio a acrescentar ao património da família.
 
Foi por causa deste projecto que nasceu a sua amizade com a Isabel. Considerava-a uma menina mimada, fruto de ser filha única e futura dona de um império. Considerava-a, até, um pouco fútil, mas desculpava-a por perceber que tinha tido a vida facilitada, porque não tinha precisado, como ela, de trabalhar para pagar os estudos ou de poupar todos os trocos para comprar "aqueles" sapatos da moda.
 
Na altura a Isabel entusiasmou-se de tal maneira com o projecto que acompanhou o mais que pôde a Matilde nas idas ao Algarve. Queria ver a obra a ganhar forma, queria perceber como é que tudo aquilo se fazia e, claro, queria dar a sua opinião. Dali a uma amizade foi um passo. Mesmo porque não gostar da Matilde era uma coisa muito difícil.
 
Dócil. De olhos negros, grandes e olhar profundo, que combinavam com um tom de pele bronzeado. Sempre bronzeado. Mesmo próprio de quem trabalhava na rua. E vê-la trabalhar com a delicadeza com que o fazia gerava uma empatia imediata com qualquer pessoa. Falava pouco, apenas quando necessário, especialmente em ambiente profissionais e o que dizia caía que nem uma moeda que dá prémio numa slot machine. Por isso era respeitada na sua profissão e o seu bom senso fazia dela amiga e confidente de muitos dos seus amigos.
 
Agora, chocada com a situação, Matilde não parecia a mesma. Não hesitou em chamar cabra à Isabel, porque disse o que sentia. O que sentiu desde o primeiro momento na  noite anterior na piscina. E perder os negócios que tinha com ela não era uma preocupação. O que a preocupava era a maldade revelada pela amiga mimada, solteira, rica, poderosa e vingativa. O que a preocupava era saber que tinha deixado a Isabel a ferver com aquele insulto e com o que poderia fazer à Madalena por causa disso. Também a preocupava saber que com o Duarte aquilo não iria chegar a bom porto e assim tinha-se arruinado um casamento.
 
Bebeu um café duplo. No ouvido tinha-lhe ficado a frase da Isabel Estás lixada comigo. Olhou para o relógio, 9h30. Pegou no telemóvel e ligou à Madalena.
- Sim? Bom dia?
- Bom dia...
- Já estás acordada? Como é que te sentes?
- Dói-me um bocado a cabeça... de resto estou bem.
- Então desce. Vem tomar o pequeno-almoço.
- Não... sobe tu. Vem ter comigo ao quarto. Não me apetece comer nada.
- Ok. Até já.
 
E subiu. A pensar na cabra da Isabel.
 
 
(Leia aqui todos os capítulos)

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Vestidos de gala

Vou a uma gala de solidariedade. No convite não vinha referência ao dress code, mas a palavra "gala" diz tudo, certo? E, ainda por cima, no Casino do Estoril. Nos últimos dias tenho andado à procura de inspiração. Partilho aqui coisas giras que encontrei.




Gosto particularmente dos pretos. Não me comprometo e ainda escondo algumas curvas que não se querem à vista de todos. :)

Depois partilho a minha escolha.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Na manhã seguinte (blognovela)

Isabel acordou com o Bruno Mars quando o telemóvel começou a tocar The lazy song. Era a amiga que tinha em comum com a Madalena. A Matilde.
- Estou...
- Isabel? Bom dia!
- O que é que queres? Já viste bem as horas?
- Quero que te encontres comigo para falarmos.
- O quê?!? Agora?!?
- Sim, agora!
- Desce. Falamos ao pequeno-almoço.
- Olha lá, eu não tenho a culpa desta cena toda. E muito menos explicações para te dar!!
- Tens 10 minutos. - E desligou o telefone.

Meia hora depois lá apareceu a Isabel.

- Tu és mesmo indecente... já viste há quanto tempo estou à tua espera?
- E ter vindo ter contigo foi uma sorte! Eu vim de fim de semana com o meu namorado, não contigo! Acordas-me com as galinhas e ainda reclamas?? Vê lá se tens calma senão dou já meia volta!
- Senta-te e não sejas mal educada. Achas que não tens nada para me dizer?
- Acho que não!
- Achas? Então é-te indiferente o facto de andares metida com um homem casado com uma amiga minha, é isso?
- Ó pá! A tua amiga que tivesse tomado conta dele!
- Desculpa?
- Sim, é isso mesmo! Sabes o farrapo que me chegou às mãos? Até te digo mais, agora é que a coisa melhorou, mas se soubesse o que sei hoje não me tinha metido com ele!
- Ah, então admites que FOSTE TU que te meteste com ele?!??
- Sim, fui.

Matilde respirou fundo.

- Quando é que isto começou?
- Bom... eu tirei-lhe a pinta em tua casa...
- Na MINHA CASA?
- Sim, na tua casa. E pára de gritar!! Estás histérica, Matilde?
- Histérica estás tu!! Na minha casa? Explica lá isso melhor!
- No teu aniversário. Lembras-te que a tua amiguinha nunca mais chegava? Que estavas empatada por ela para cantarmos os parabéns? Que a senhora estava muito ocupada numa vernissage qualquer?
- Mas isso... já foi quase há um ano...
- É... p'raí...
- E depois?
- Depois meti-me com ele no facebook. Mas valha-me a Santa que o homem estava a precisar era de uma mãezinha...

Silêncio.

- Como é que tiveste coragem, Isabel? Tu sabias que a Madalena era minha amiga...
- E então? Qual é o teu problema? A Madalena é uma egoísta, será que não vês isso?
- Olha quem fala!! Julgas que não te conheço? O Duarte, como qualquer outro homem nas tuas mãos, será um brinquedo até te fartares dele. E depois? Hã? E depois? Vais devolvê-lo?
- Sabes que há sempre um período de carência... - Disse no gozo.
- És mesmo parva!
- Parva? Ai eu é que sou parva? Parvas são vocês que acreditam no amor e uma cabana. Nos casamentos para a vida. Blá, blá, blá...
- E qual é o mal disso? Com tanto homem no mundo e tinhas mesmo de escolher um homem casado, hein?
- Sabes que eu não viro costas a um desafio... - Continuou no gozo.
- Olha, só me apetece chamar-te nomes.
- Chama! Chama o que tu quiseres. Mas antes pensa bem no peso que isso pode ter nos nossos negócios. Sim, que arquitectas paisagistas há muitas...
- Mas tu estás a ameaçar-me? Estás a misturar assuntos!
- Não estou nada! Eu nem sou disso. Não viste como consegui distinguir bem o Duarte de ti e da tua amiguinha.
- Cabra!
- Cabra? - Repetiu a rir-se. - Cabra é pouco. Se soubesses do que eu sou capaz... - Levantou-se e virou costas. Mas de repente voltou para trás e ao ouvido da Matilde ainda disse:
- Estás lixada comigo!

Irritada. Desiludida. Fula da vida. Capaz de estrangulá-la. Foi assim que a Matilde ficou.

Eu+tu+ele+ela = Nós

No dia das famílias, a nossa equação.
O resultado? Uma família como outra qualquer! :)
 
Com dias melhores, dias piores. Dias de alegria, dias de tristeza. Dias em que nos lembramos da sorte que temos, dias em que não valorizamos essa mesma sorte.
 
Mas TODOS os dias... vividos com amor... (e alguma loucura à mistura)
 



 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Acabou tudo a chorar...

Na escola da minha filha as mães foram convidadas a partilhar histórias sobre esta coisa da maternidade. E eu que adivinhava lamechices, daquelas em que nós as mães não temos vergonha de embarcar, não estava muito para aí virada.

Andei uns dias a pensar sobre o assunto. As histórias que conhecia não me inspiravam e estava à espera que acontecesse, exactamente, aquilo que aconteceu: ouvir mais do mesmo. O que não tem mal nenhum, atenção! O tema era igual para todos, por isso variar era difícil. 

Pensei no impacto que poderia ter contar-lhes a minha história. Não a de mãe. Mas a de uma filha sem mãe. Uma mulher que hoje é mãe sem nunca alguém ter ocupado esse lugar na sua vida.

Escolhi meia dúzia de fotos, montei um powerpoint em dois minutos e comecei assim:

Esta sou eu com 8 meses. A idade com que deixei de ter mãe.


O silêncio instalou-se de forma arrebatadora. Numa turma com tantos problemas de comportamento, não pensei que tivesse um efeito tão imediato. Mas os miúdos calaram-se. E eu continuei a explicar-lhes o outro lado. Aquele que eles não conhecem. Aquele lado que eu entendi que poderia servir-lhes para valorizarem as suas mães.

Pedi-lhes que não tivessem vergonha de chegar à escola de mão dada com a mãe ou com o pai e muito menos de darem um beijo ou um abraço. Pedi-lhes que soubessem agradecer todo o esforço que as mães fazem para que eles venham a ser adultos felizes e realizados. Dei-lhes o meu exemplo. Este exemplo de que já vos falei. E ficámos todos emocionados.


Aqui, com 4 anos. Falei-lhes das várias ausências que senti durante a infância.

Disse-lhes tudo o que considerei importante na relação entre mãe e filho. Disse-lhes que era uma sorte terem alguém a ralhar com eles, a chamá-los à atenção sobre os estudos, o quarto arrumado, o casaco quando se sai à rua. Disse-lhes que depois disso tudo há o colinho de mãe e uma coisa infinita que se sobrepõe a todos os limites da paciência, da exaustão e outros que as mães atingem: o amor ilimitado. E isso é inestimável. Ter uma mãe é inestimável.

Choraram. Meninos e meninas. Mães e a directora de turma. Eu contive-me. Pois estas coisas que fazem parte de nós, que são a nossa história, vivem connosco desde sempre. Não passei por uma perda traumatizante. Não me lembro de nada. Tinha 8 meses. Mas hoje, com 37 anos, sinto mais essa ausência do que quando era criança. Aliás, comecei a senti-la na idade adulta. E depois de ser mãe ainda me custa mais compreender a escolha que a minha fez.

Mas isso são outros quinhentos.

As outras mães agradeceram-me. Por ter partilhado com os filhos, através de um exemplo real, a vida tal como ela é.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Isabel Galvão. A outra (blognovela)

Ser "a outra" tem as suas vantagens. Nada de grandes obrigações. Nada de camisas para passar ou meias para dobrar. Nada de ter alguém ali em casa à espera do jantar na mesa ou de grandes explicações sobre onde andou cada um ou com quem se esteve. Apenas os momentos bons. Jantares em restaurantes in. Fins-de-semana em spot's da moda. Noites de diversão com gente gira em sítios giros. Uma ou outra noite um em casa do outro. E pronto! Os almoços e os jantares chatos em família também ficam de parte. Receber, contrariados, pessoas em casa, também. Fazer fretes, nem se fala.
 
Por isso a Isabel gostava de ser "a outra". Estava habituada a uma vida de lorde. Tinha bem consciência do que queria. Tudo menos compromissos que a obrigassem a grandes alterações da sua vida independente. Pois estava "casada" com a sua herança. Preservá-la, era a única coisa que a movia. E mesmo isso não lhe dava grande trabalho. Pois o império que os pais lhe deixaram depois de morrerem num trágico acidente de viação, quase que andava sobre rodas por si só.
 
Isabel Galvão era sócia maioritária numa empresa de  produção e comercialização de vinhos do Alentejo da conhecida herdade, entre os entendidos, Sobreiro & Galvão. Acumulava prémios nacionais e internacionais e fora precisamente o reconhecimento internacional a maior apólice de seguro que os seus pais granjearam.

Não tinha irmãos, não era casada, nem tinha filhos. Viajava em função das feiras de vinhos. Conhecia meio mundo e era respeitada por todos os enólogos. Apesar de também estes saberem que o mérito da marca era dos seus pais. A herdade estava referenciada como a única da Europa que produzia vinho com características únicas. Um vinho doce, encorpado, amadurecido à antiga nas frescas caves da herdade, de castas indígenas que lhe conferia fortes características regionais e graças à introdução de variedades forâneas, última grande aposta dos pais antes de morrerem, o vinho da herdade tinha reforçado a sua liderança vitivinícola.

Tinha, portanto, uma vida confortável.

Mas era uma pessoa fria. Calculista. Aquilo que lhe interessava, apenas e só o que lhe interessava, é que a levavam a fazer alguma coisa. E fisgar o Duarte foi algo que ela quis. Conheceu-o em casa da amiga que tinha em comum com a Madalena e logo ali tirou-lhe as medidas. Se era casado não lhe fazia diferença. Tinha tudo aquilo que ela gostava e isso bastava. Era giro, bem sucedido profissionalmente e, na verdade, ser casado também era algo a que ela achava piada. Pois, assim, o desafio era maior. E desafios destes, em que ela podia provar a si mesma que podia tudo, não era coisa que ignorasse.

Começou a sua investida logo no dia a seguir. Primeiro, através do facebook. Depois, através de telefone. E daí a um encontro pessoal foi um passo. Na esplanada do Adamastor, em Lisboa. E Duarte, que se sentiu especial pela atenção que esta mulher lhe dava, não faltou.

Isabel Galvão. Fixem este nome. Ainda vai dar muito que falar.