sábado, 30 de novembro de 2013

O melhor do meu dia?


Sentir, de manhãzinha, umas mãos pequeninas, uns pezinhos pequeninos, uma cabecinha cabeluda, um bracinho a esgueirar-se sobre o meu pescoço... abrir um olho e vê-lo a sorrir para mim. Enfiado na minha cama, sem pedir autorização. 

Em resposta disse:
-Estou aqui!

Em resposta, pensei:
- Fica para sempre...

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

É à escolha do freguês! (29 de Novembro a 01 de Dezembro)

E aí está, num piscar de olhos, o último mês do ano!
Sweet December, mês de tantas coisas a acontecerem ao mesmo tempo.
Mês de férias escolares (e não só), mês do Natal, claro está!, mês de vendas, mês de compras, mês de decoração, mês de festas, mês de balanços, mês do que vocês quiserem.
 
É o último mês do ano! E, como todos os anos, por esta altura do ano, suspiramos com frequência:
- Já passou mais um ano...
 
Novembro, despede-se no Sábado.
Dezembro, chega no Domingo.
E hoje, agora, neste momento, chegam as minhas dicas de coisas giras para fazer no fim de semana!
 
Há festa no palácio começou ontem e termina amanhã. Tem lugar no Palácio Foz, em Lisboa. Trata-se da 4ª edição de uma venda solidária organizada por um grupo de amigos denominado RSA - Responsabilidade Social entre Amigos e acontece com o intuito, como os próprios dizem, de contribuir para "melhorar o mundo". Espreitem o link. Vão ficar surpreendidos com esta receita mágica de dinamização, vontade e querer!
 
E, claro, não podia deixar de assinalar a abertura da Feira Popular. Toda a informação aqui, mas adianto já que estará a funcionar até dia 26 de Janeiro. Ainda há tempo! Mas este fim de semana tem uma particularidade... amanhã, sábado, todos os equipamentos (cerca de 20) de diversão terão o custo único de 1€. É de aproveitar! Organizem-se: de segunda a sexta, das 15.00 à meia noite. Aos fins de semana, abre às 13.00 e vai, sem parar, até ao bater das 12 badaladas! (cuidado com os vossos sapatinhos, se chover, com as vossas galochinhas)
 
Também já se sabe que Lisboa vai transformar-se numa Aldeia Natal. Bom, parte de Lisboa, vá! Ali para os lados do Parque Eduardo VII.
Este é o site e lá encontrarão todas as informações necessárias. Nestas coisas, como noutras, gosto de chegar cedo, ao abrir dos portões. Não gosto de perder tempo, nem de pedir licença para me mexer, nem de estar em filas, nem de correr o risco de perder os putos de vista... Nananananinanão! Deitar cedo e cedo erguer.... já dizia a minha avó!
Espreitem, deliciem-se, façam contas à vida, agendem e divirtam-se!
 
Para hoje à noite ainda mais uma sugestão (mas desta feita sem miúdos, que também é preciso). No Olga Cadaval, em Sintra, vão actuar estes jeitosos. Não fosse o Rui e eu nem tinha ligado muito ao assunto, mas gosto dele e gosto destas iniciativas que os músicos de vez em quando têm. Juntam-se dois ou três aqui, dois ou três ali e fazem das suas, à sua maneira! Gosto mesmo!
Hoje, não poderei ir, mas por bons motivos! Vou estar aqui (isto é arriscado) num aniversário. Se passarem por lá gritem: Ó Eeeelsaaaaaaa!!
E eu irei ter convosco! :)
 
Já sabem, façam o que quiserem, o que vos der na real gana, mas não deixem passar estes dias em branco. Façam do fim de semana, o melhor da vossa semana!

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Código morse

Quem tem filhos pequenos, como eu, corre o sério risco de, de repente, dar-se conta de que os miúdos crescem... pois, não é assim tão básico... aos nossos olhos eles serão sempre os nossos bebés, inocentes até ao tutano.
 
Mas, meus queridos, se ainda não aconteceu convosco o que passo a partilhar, preparem-se!
Vai acontecer!
 
Ora bem, então não é que uma pessoa já não pode falar em código à frente deles (neste caso, dela)?? Imaginem aquele tipo de conversa que não queremos que eles percebam. Mesmo que não seja nada de especial. Falar de alguém ou de alguma coisa que aconteceu. Ou, até, de algo que lhes comprámos, mas que a excitação da partilha com o outro não nos deixa esperar para estarmos sozinhos.
 
Lá em casa acontece muitas vezes à hora de jantar. Apesar de eu e o meu marido falarmos muitas vezes ao telefone durante o dia, à noite há sempre coisas para dizer. Foi o caso de ontem!!
 
O mais pequeno anda com a mesma conversa há uns dias. Diz que, quando for grande, quer ser bombeiro. Disse-me também, durante o banho, que queria ser bombeiro para apagar o fogo e  para ter uma namorada bombeira.
 
Ao jantar reproduzi a conversa ao pai. E o pai começou com brincadeiras de mangueiras na mão, de bombeiras de ateiam o fogo dos bombeiros, de bombeiros que ficam em chama com as bombeiras. O que nos surpreendeu foi o que ela disse:
 
- Mãe... (a medo), sabes que eu percebi o que o pai disse...
- (Oi!!?!) Estás a falar de quê?
- Do pai dizer que as bombeiras incendeiam os bombeiros... (a medo, a custo, engasgada)
- Então e o que é que percebeste?
- Percebi que as bombeiras fazem com que os bombeiros fiquem apaixonados por elas... (toma, incha!!)
 
Pois, a coisa está neste pé!
 
Em tempos idos cheguei a dizer algumas palavras em inglês no meio de conversas em que não podíamos dizer tudo. Depois, a miúda começou a perceber inglês.
Passámos às metáforas e ela, esperta como sua mãe, cheira-me que já andava a perceber algumas coisas antes de ter decidido revelar-se.
 
Penso que continuaremos a ter necessidade de falar sem dizer tudo (eu e o meu marido).
Das duas uma:
- ou falamos apenas quando estivermos sozinhos
- ou arranjamos um novo código
 
Talvez funcione melhor a segunda...
Acho que vamos aprender código morse.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

É Natal, já sei!

De vez em quando, entre colegas de trabalho, lá vem a conversa sobre o Natal. E porque ainda não fizeram a árvore, e porque já fizeram a árvore, e porque ainda não começaram a comprar presentes, e porque já compraram os presentes todos, e porque este ano é em casa deles, e porque este ano não é em casa deles, e porque é Natal todos os anos! É à conclusão que eu chego! 
 
E porquê? Porquê tanta conversa sobre um assunto que, na maioria dos casos (do que me apercebo de ano para ano), esta época é ela, também, muito propensa a chatices, desavenças, interrogações, sacrifícios, gastos desnecessários, correrias em manada (pelos centros comerciais), beca beca, beca beca? Um desgaste emocional, físico e financeiro enorme em função do Natal, uma noite e um dia. Em função de um conceito completamente distorcido no que toca ao consumismo que lhe está associado.
 
Será mesmo isto o mais importante? Quando vejo pais, avós e tios a espetarem com catálogos de brinquedos à frente dos filhos, sobrinhos e netos para que os mesmos façam as suas escolhas, as crianças começam, desde cedo, a perceber tudo ao contrário. Para elas o Natal  nasce torto e só tardiamente é que poderá endireitar-se.
 
Primeiro, enganamo-los. Mostramos-lhes que esta é uma época de abundância. Materializada no senhor que a Coca-Cola imortalizou e que passou, também, a omnipresente:
- Olha que o Pai Natal está a ver a tua birra!!
 
Depois, passado uns anos a viver nesta ilusão, começam as desconfianças.
"Ora bem, afinal... o Pai Natal se calhar não existe... mas eu cá não digo nada a ninguém até ter a certeza...". Mais tarde, incertezas à parte, os anos de ouro (entre a adolescência e a idade adulta). Já se sabe que o barrigudo não existe, mas que até dá jeito em algumas situações, e a isso junta-se a chica espertice de esfolarem os pais, os tios e os avós até que os bolsos fiquem cheios de ar.
 
Quando chega a altura de dividir o mal pelas aldeias... Bom, aí... ou se tem a sorte dos pais do casal serem os melhores amigos do mundo, que partilharam as suas infâncias, as suas descobertas, segredos e, agora os filhos (coisa de que não tenho conhecimento), ou então meus amigos, começam as chatices.
 
E agora é por causa disto! E agora é por causa daquilo! E na vossa família é tudo louco! E na minha família faz-se de outra maneira! E eu não estou para aturar o teu tio com a mania que é o xpto do futebol! E eu não estou para aturar a tua prima que se julga a última coca-cola do deserto! E rebeubeu pardais ao ninho!
 
O que é que acontece, o quê? Várias coisas possíveis:
- ou vai cada um para seu lado (o que se vê cada vez mais)
- ou vão os dois para o mesmo lado, mas um vai de trombas (o que se percebe a léguas)
- ou fazem um esforço daqueles e, no fim, até gostaram (o que é raro)
- ou adoece um deles (muito suspeito)
- ou abdicam do Natal ano sim, ano não (muito comum)
- ou... o que vocês quiserem ou já aconteceu convosco (surpreendam-me)

Quando há crianças pelos meio, há um esforço maior para que corra tudo... melhor... mas ainda assim... quando chega a noite de Natal já está tudo farto de tanta chatice, agitação e coisas de última hora que caracterizam o Natal de cada família. Já só faltam duas horas para a coisa se dar...

E, afinal, qual a verdadeira mensagem do Natal?
Só nos apercebemos da sua importância quando nos deparamos com cenários destes. A determinada altura das nossas vidas começamos a pensar nas pessoas que estão em casa, sozinhas. Nos doentes, enfermos, hospitalizados, e nas respectivas famílias. Nas crianças institucionalizadas, nas crianças doentes, nas crianças abandonadas. Pensamos nas famílias que têm entes reclusos, entes que já partiram. Nessa altura das nossas vidas, em que também nós já temos algumas experiências deveras marcantes, começamos um novo processo interior, o de desvalorizar o consumo, o de valorizar as relações.

Porque, no fundo, no fundo, enquanto nos aborrecermos e nos queixarmos das chatices que esta época nos trás, é sinal de que alguma coisa boa também tem. É sinal de que temos com quem nos reunirmos, é sinal de que temos saúde para aguentar, de que não temos ninguém no hospital e de que os nossos entes queridos que nos deixaram antecipadamente serão lembrados a várias vozes.

É sinal de que é Natal e na tal casa de sempre... vai haver gente... nem que seja uma vez por ano...

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Xiiiuuuu!!

Numa casa onde vivem quatro pessoas, sendo que dessas quatro duas são crianças e dessas duas uma ainda muito pequenina (mas que vale por duas ou três no que respeita a traquinices), ninguém se espanta por eu, a mãe, o general daquela tropa toda, gostar (e precisar) de silêncio. Ninguém se admira, os de fora, mas os de casa... oh meu Deus, mas porque é que lhes custa tanto perceber que eu prezo, e muito, o silêncio!!!
 
Há momentos que são fulcrais para mim! De manhã! De manhã é que é! Acordar enquanto a casa ainda dorme. Ouvir as várias respirações. Espreitar os quartos e ver, por uma nesga de luz, que está tudo bem. Andar descalça para não acordar ninguém (e porque gosto). Abrir os estores devagar, por onde passo. Fechar as portas e certificar-me de que ainda podem dormir mais um tempinho.
 
Aquele silêncio da manhã é de ouro para mim.
 
Tratar de mim. Em silêncio.
Tratar dos pequenos almoços. Em silêncio.
Tomar o meu café. Em silêncio.
Verificar lanches, casacos e pensar se na noite anterior deixei já a roupa deles para vestirem. Em silêncio.
 
Não ligo a televisão.
Não ligo o rádio. (costume da casa da minha avó)
Não ligo nenhum computador. (costume de casa de alguns amigos)
Quanto muito, vejo se tenho algum e-mail. No telemóvel. Mas em silêncio.
 
E só quando estão cumpridos este rituais é que chega a hora de acordar o resto da casa.
Aí, pronta e disponível para eles.
 
Mas se tenho o azar de me cruzar com o meu marido na casa de banho.... Bom!! Começo a ficar com uns calores!! E ele, que sabe disso, vai para a cozinha. E liga a televisão. E não baixa o som. E fala como se fossem 10 da manhã. E vêm os miúdos despertos como galinhas. E começa a palhaçada! E eu fujo. Vou beber o meu café para a varanda!! (ou para o sotão)
 
Não percebem! Nem com as minhas dicas! Que vou por trás e baixo o som da televisão. Que chego, mesmo, a desligá-la. Que, se toca um telemóvel, fico loooouuuca! Possuída. Capaz de proferir impropérios. E se, para ajudar à festa, os miúdos não se despacharem..... bem, está tudo perdido! Viro uma fera! Daquelas capazes de dar um berro para a freguesia inteira ouvir.
 
Respeitem o meu silêncio... Vá lá.... É nele que me encontro. É nele que me preparo para o dia que começa. É nele que reponho energias e, através das irradiações do meu eu, o equilíbrio de que preciso.
 
É nele que encontro, muitas vezes, respostas para problemas, interrogações. É nele que, também, encontro inspiração. É nele que organizo a minha agenda, que planeio, que faço alguma gestão das coisas. É ele o meu aliado.
 
Respeitem o meu silêncio como eu respeito o vosso barulho. As correrias pela casa. As cidades do ouro em alto e bom som (programa do pai com os dois). As brincadeiras que dão lugar a gritos e gritinhos. As birras. Os pinos e as espargatas. O piano e o tambor e o djambé e a queda das torres de legos. As coreografias improvisadas. (e as estudadas) E mais não sei o quê...
 
Respeitem o meu silêncio. É bom para todos. Porque se não tiver os meus momentos de silêncio a coisa pode correr mal (não é uma ameaça, é a realidade).
 
É um pedido que vos faço: respeitem o meu silêncio. A mãe precisa dele.
(e a mulher também...)
 

De vento em popa!

É assim que vai este blog!
Sem dar por isso já passou das 3000 visualizações.

Continua com um público fiel nos Estados Unidos e a crescer!!
Semanalmente começa a aproximar-se, e muito, das visualizações em Portugal. (ainda estou para perceber...)
 
De vento em popa, por mares nunca dantes navegados!!
Qual Vasco da Gama a desbravar novos mundo! :)

Deixo-vos o mapa da última semana.
 
 

Obrigado por continuarem desse lado.
Mesmo.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

É à escolha do freguês! (23 e 24 de Novembro)

Parece que a chuva está de regresso... e os chapéus de chuva... e o frio... e os cachecóis.... e as mantas.... e as collants... e as perneiras... e os blusões... e a confusão de coisas que é preciso carregar quando temos crianças.
 
Em dias de chuva, torna-se tudo mais complicado...
 
Mas não impossível! Uma logística mais trabalhosa, mas tudo se resolve. Tudo se transporta. E, com a ajuda de todos, torna-se mais fácil. Por isso, vamos a eles!!
 
Ora então e o que é que eu sugiro... deixa cá ver... Ah, já sei!
 
Estará em exibição até dia 05 de Janeiro e, o melhor, o ponto alto da mesma, é a interacção prevista entre os animais e o público. Ora atentem lá.
De Quarta-feira a Domingo está aberta das 10.00 até às 20.00 e as interacções estão marcadas para as 14.30 e para as 17.30. Ao fim-de-semana também há interacção às 12.00.
 
Não percam a oportunidade. Os miúdos vão adorar!
Até aos 12 anos de idade pagam 7 €. A partir daqui o bilhete custa 9€.
Também há bilhetes familiares. Espreitem no link que vos deixei.

 
E há quanto tempo é que não vão ao teatro?
No Villaret está a peça "Branca de Neve e os sete anões". Trata-se de teatro de improviso, a pensar nas crianças. Já tinham pensado nisso? Até 22 de Dezembro, ao Sábado e ao Domingo às 11.00 e até aos 3 anos os miúdos não pagam. A partir daqui preparem 8€ por pessoa.
 
Almada Negreiros dizia que "o teatro é o palco de todas as artes". E eu concordo.

 
 
E uma dica mais doce, que tal?
Doce = a chocolate, certo? Então ficam a saber (se é que já não sabiam) que no Torreão Nascente do Terreiro do Paço terá lugar, entre as 11.00 e as 21.00, o "Lisboa Tasting, Chocolate & Doces".
 
Até aos 10 anos ninguém paga. Depois desta meta, paga-se 3.50€
Vão poder provar um bocadinho de tudo...


É à vossa escolha. Uma destas dicas ou outra que vocês já sabiam.
Ou então, não façam nada!
Façam o que vos der na real gana!
Façam do vosso fim-de-semana o melhor da vossa semana!
Depois, contem-me tudo, tudo! Porque eu, no Domingo, vou ter um dia especial. E fica a promessa que depois conto como foi... e o que foi...

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O melhor do meu dia


O melhor do meu dia?
Estávamos à porta da escola, a entrar para o carro, quando tocou o telemóvel.
Vi quem era, entrámos e atendi em alta voz.
- Então, tudo bem? Onde andam?
- À porta da escola. Já fui ao pão, já fiz isto, já fiz aquilo, já tenho os dois comigo, ainda não parei! - respondi.
E lá detrás, um grito daqueles, cheio de conteúdo, que nos iluminou a alma...
- "Xó fatas" tu, papá!

Há momentos danados para o sentimento.
Este foi, sem dúvida, um desses momentos. Maior, ainda, por ter sido proporcionado pelo mais pequeno, ao dizer-nos que só estaria tudo pronto quando o pai chegasse a casa.
E chegou. Uma hora e meia depois. E foi recebido como se não o vissem há muito tempo.

Sweet dreams (are made of this)

Sempre gostei desta expressão: sweet dreams.
Não só pelo significado da mesma mas, sobretudo, pela musicalidade. E depois, claro, vem-me sempre à cabeça a canção dos Eurythmics. Não que seja alguma coisa extraordinária, mas a sua mensagem é forte e, no fundo, no fundo, tendo em conta que é de 1982, já pode ser considerada um clássico.
 
Mas eu sou assim. Há palavras de que gosto e outras de que não gosto. Não me baseio nos seus significados, mas na sua força, delicadeza e sonoridade.
 
Neste caso, a tradução literal não se encaixa muito bem na nossa cultura: sonhos doces... huummm, gosto mais de sweet dreams...
 
E esses são aqueles que nos fazem bem. Sonhar com o que nos deixa feliz, com projectos, com memórias, com situações inusitadas, com nuvens de algodão doce, com banhos de cascata, com brincadeiras em família ou, muito simplesmente, com robôs! Sim, com robôs!
 
Numa noite destas fartei-me de rir com o meu filho. A dormir, ria-se, gargalhava. Mas à séria! Gargalhava e falava. Fui até ao quarto a medo. Pensei, até, que estava na brincadeira com a irmã. Mas não! Estava a dormir e depois percebi. Dizia:
- Pareces um robô!
 
Sim eu sei! Àquela hora da noite nós fazemos as coisa de tal maneira que, provavelmente, parecemos um robô. Mas não. Não era para mim. Também não percebi para quem era. Era para alguém que parecia um robô. E isso, deu-lhe para rir... a dormir... :)
 
Já me aconteceu. É verdade. Já acordei a rir, já acordei a chorar, já acordei assustada, sobressaltada. Mas ouvi-los, aos meus doces filhos, a rir enquanto dormem, é um aconchego tal para o meu coração que até eu durmo mais descansada, mais feliz, mais doce.
 
Sweet dreams are made of this. Who am i to disagree?

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O melhor do meu dia


Ter esculpido, no verdadeiro sentido da palavra, um sorriso na cara de uma colega que estava verdadeiramente triste.

Há momentos assim... que nos devolvem a certeza de que temos algo de positivo para dar. Sem pensar, sequer, numa contrapartida desse gesto. Há momentos mágicos, como o que vivi hoje, que nos devolvem a esperança num futuro melhor. Não só para nós, mas para os que nos rodeiam.

Os problemas turvam-nos a alma, turvam-nos o pensamento. Os problemas vivem nas esquinas, à espera de esbarrarem contra nós. Os problemas... não é só a minha colega que os tem. Eu também. Vocês também. Mas hoje os meus ficaram minimizados.

Deu-me trabalho esculpir aquele sorriso. Mas ela, a minha colega, tenho a certeza que, por breves momentos, conseguiu relativizar o que a ensombrava e ensombra nestes dias que correm. Nestes dias soalheiros e frios. Dias de contrastes, como os seus sentimentos. Dias de espera, pela chuva própria da época. Mas a espera... neste caso, não é boa amiga.

Minha querida, que te sintas melhor esta noite.
Que te lembres da nossa conversa.
Que, amanhã, sorrias por ti.

E ir de pijama para o trabalho?

Lá foi o meu pequeno a preceito. Mais, levou robe e tudo. Parecia um boneco de neve, como ele próprio disse.
 
Não sabem do que falo? Falo de uma iniciativa de solidariedade que conta com o envolvimento da comunidade escolar, pais, educadores e auxiliares de educação e que, só no dia de hoje, contabilizou mais de 1000 mil crianças (até aos 6 anos de idade) vestidas de pijama nas escolas e que irão passar o seu dia assim, decorrendo as suas rotinas.
 
Espreitem o site e espantem-se com os números. Só no ano de 2012 cerca de 8557 crianças viviam separadas dos seus pais. Destas, 95% viviam em instituições e 5%  com famílias de acolhimento. O lema desta iniciativa é "Uma criança tem direito a crescer numa família". Também prevê angariar fundos, mas como eles próprios dizem esta é uma "novela" cuja história está aqui.
 
O que me espanta são os números portugueses em comparação com outros países da Europa. Sabiam que em Espanha 32% das crianças separadas dos pais vivem com famílias de acolhimento? Em França o número sobe para 62%? E em Inglaterra sobe ainda mais para 75%?
 
Em Portugal existe o projecto "Família Amiga" a que algumas instituições já aderiram e que visa proporcionar esse acolhimento. Atenção, não estamos a falar de adopção. Ando a pensar nisto...
 
Voltemos aos pijamas!
 
A verdade é que lá por casa o mais pequeno esperou por este dia como se fosse o dia do seu aniversário. Uma excitação daquelas. E ela, que já não tem idade para estas coisas, partilhou do mesmo entusiasmo. Nem o teste de matemática marcado para hoje fez com que se esquecesse.
 
Mas no fundo, no fundo, mesmo no fundo, quem eu vi com um brilhozinho diferente nos olhos foram os adultos da escola. Ah pois é! Todos, mas todos de pijama! E mais, além do pijama vi quem tivesse levado robe e pantufas! Tudo a preceito. Desconfio que hoje a hora da sesta vai ser mais generalizada... Todos os adultos vão querer adormecer as crianças... :)
 
Já pensaram como seria bom ir para o trabalho de pijama?
O conforto de estar à vontade, sem camisas desfraldadas, calças apertadas, vestidos a subirem, saias a atrapalharem um cruzar de pernas, lenços a condizer, gravatas desconfortáveis, ora aperta ora desaperta blazers, etc., etc.?
 
Já pensaram como em casa, de pijama, fazemos as coisas com mais gosto? Logo, também no trabalho, de pijama, cheira-me que a coisa haveria de correr melhor...
 
Mas atenção, nada de regar essa imaginação com imagens de pijamas provocantes. Assim, ninguém trabalharia...
 


Estou a falar de pijamas quentinhos, de acordo com o tempo, confortáveis, práticos e que não deixam, ao mesmo tempo, que fiquemos com um messy look. Tipo isto. Cool, não?


 
 
A escola dos vossos filhos ainda não aderiu? É muito fácil, não tem custos, a inscrição faz-se através do site e depois é só esperar pelo dia 20 de Novembro de cada ano.
 
Uma iniciativa com uma grande mensagem que envolve, sobretudo, as famílias. Lá em casa todos sabem porque existe, o que pretende, como participar, o que é preciso. E, quem não saiu para a rua de pijama, levou consigo uma invejazinha... :)
 
Chegámos ao estacionamento e era ver os vizinhos da frente com os gémeos de pijama, o casal de irmãos que também moram em frente igualmente e, no fim da rua, ainda vimos um menino que, além do pijama, do robe e das pantufas ainda levava os seus peluches.
 
Hoje o dia é assim, solidário.

 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Falta-lhes tudo! Tudo!

A propósito da reportagem que ontem deu na televisão sobre a ama que agredia as crianças (aquela brutamontes que aparece numa varanda a bater como se não houvesse amanhã num ser com um terço do seu tamanho - graças a Deus vai ser acusada) tive uma conversa com a minha cunhada que me deixou chocada! Mas chocada mesmo a sério! De boca aberta! Incrédula, sem palavras e sem compreender uma série de coisas!
 
Comecei eu por dizer que li um artigo (não me lembro onde) sobre as agressões físicas que os pais infligem nos seus filhos. Não que já por si esta situação não fosse gravíssima, mas mais grave ainda é que esse artigo dizia que cada vez mais essas agressões são mais refinadas... Ou seja, os pais têm vindo a aprimorar as suas técnicas de agressão de modo a não deixarem rasto. Acreditam nisto??
 
Como é que um pai ou uma mãe pode perder tempo da sua vida a pensar numa forma de agredir os seus filhos de modo a que não fiquem marcas? COMO?? Como é que um pai ou uma mãe podem ser coniventes ou cúmplices nestas agressões???
 
A minha cunhada é enfermeira pediátrica. Já se está mesmo a ver que lhe passam pelas mãos situações que não me passam a mim pela cabeça. E, comentando eu sobre o que tinha lido, perguntei-lhe se ela achava que há mais casos de agressão física aos filhos.
 
Na sua opinião, não! O que há é mais informação disponível sobre como detectar e denunciar estes casos, logo um maior conhecimento e um maior número de denúncias. Quer por parte das escolas, colégios, amigos da família, vizinhos e outras mais testemunhas que durante anos e anos não abriam a boca. 
 
Mas sim, ela confirmou que lhe aparecem crianças no hospital com lesões internas graves, fruto de maus tratos. Sem marcas. Com lesões que, à partida, não levam a crer que tenham sido infligidas por alguém. Mas que foram. E pelos pais. E alguns relatos que me fez... deixaram-me estarrecida...
 
Tenho algumas ideias sobre isto.
Sobre esta geração de adultos inseguros, revoltados e frustrados que confundem autoridade com autoritarismo, sabedoria da maturidade com verdade absoluta, liberdade de expressão de ideias das crianças com desrespeito pelos mais velhos.

Tenho a ideia de que lhes faltou um catalisador nos seus processos educativos capaz de lhes gerar segurança interna, confiança e respeitabilidade. Um catalisador que mais não é que uma palavra de ordem para gerar respeito mútuo entre pais e filhos. E esse catalisador é o amor. Faltou-lhes amor. Faltou-lhes educação. Faltou-lhes saberem o que é a amizade e que esta e o amor andam de mão dada.
 
Pior, transformaram essa falta de referências, essa inconsistência das suas vidas numa frustração pegada, num gap muito grande entre aquilo que dizem e aquilo que fazem. Pregando o respeito mútuo, mas sem saberem praticá-lo. Exigindo limites, mas sem conhecerem os seus próprios limites. Exigindo resultados, sem demonstrarem e sem conhecerem o seu próprio valor.
 
Faltou-lhes tanta coisa. Falta-lhes tanta coisa. Partem para a ignorância, através de uma combate desigual, injusto, desequilibrado. Partem para a ignorância a partir da ignorância em que se foram construindo as suas vidas. E não sabem lidar com isso. Não sabem lidar com eles próprios. Não conseguem aprender, reter o que de mais valioso cada experiência de vida lhes dá.
 
Não percebem que não são pais nem mães. Que não estão a investir em adultos bem formados, bem preparados, equilibrados. Que neles, nos filhos, têm a oportunidade de provar que são mais que um poço de frustrações, indecisões. Que são eles próprios uma referência para as crianças que vivem, sobrevivem diariamente a estes ensinamentos.
 
Não percebem que crianças criadas assim, estão sozinhas, não têm uma mãe. Apenas um corpo presente. Não têm um pai, apenas alguém que está ali.
 
Não consigo. Não consigo. Mesmo! Não consigo!!
(estou a escrever e sinto-me nervosa, revoltada com isto)
 
Falta-lhes tudo. Até amor próprio. Esse, confundem-no com narcizismo.
Falta-lhes o chão. Falta-lhes coração. Até, quem sabe, uma oração. Procurar encontrar uma fonte de fé, pois não crêem em nada, NADA! Nem num futuro melhor!!
E isso, é zero. É a falta de esperança. É uma criança sem confiança numa vida de bonança.
 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Palavra de mãe!

Foi assim... Apareceu ao pé de mim de rompante como se tivesse começado a III Guerra Mundial...
 
- Mããããe! (a chorar baba e ranho) O "pimo" diz que eu sou feio!
- Não és nada, amor! És lindo! (e desapareceu)
 
30 segundos depois...
 
- Mãããe! O "pimo" ainda disse "óta" vez que eu sou feio!
- És lindo, lindo! Não és nada feio!
 
5 segundo depois...
 
- Vês! A minha mãe disse "pimo"! Eu sou lindo!
- Ai não és não!
- Mas a minha mãe disse!
 
Decidi intervir...
 
Um pequeno episódio que me recorda aquilo que, em tempos, também eu senti! Cada palavra dita pelo meu pai era a mais pura das verdades. Se ele dizia que era assim era porque era assim. Se ele dizia que não era assim, então não era assim!
 
Certamente que também passaram por isto! E o que é giro é ver como as coisas se repetem. Tudo o que vivemos na nossa infância, as certezas, as incertezas, repetem-se na infância e no desenvolvimento dos nossos filhos. São inúmeras as situações que observo neles e em que me revejo. E esta é, sem dúvida nenhuma, uma das mais marcantes. Daqui a descobrirem que nem sempre o que os pais dizem é uma verdade absoluta, ainda vai algum tempinho... O pior será quando o descobrirem...
 
Aí irá acontecer como me aconteceu...
 
Já não serei mais a rainha dos seus universos, pois irão descobrir que também tenho falhas...
Já não serei mais a heroína que tem uma capa esvoaçante, pois descobrirão que também tenho os meus limites...
Já não serei mais o remédio para todos os males, pois também irão perecebr que nem sempre tenho a cura certa para mim...
 
Aí, a minha palavra será desvalorizada. A minha presença será menosprezada. A minha preocupação será gozada. Mas eu, como mãe, dou-vos a minha palavra: um dia irão regressar a mim, certos de que palavra de mãe vale mais que mil tesouros escondidos no fim do arco-íris...

domingo, 17 de novembro de 2013

Se ao menos no cinema vendessem amoras...

Não sou daquelas pessoas que adoooram ir ao cinema. Não sou mesmo! Aborrecem-me várias coisas.
Primeiro, não me posso esparramar na cadeira. Porque é desconfortável, claro!, mas, sobretudo, porque não estou sozinha. Depois, as cadeiras também não são reclináveis... Para mim ver um filme é algo que está intimamente ligado com um momento de prazer, conforto, sossego. Não consigo nada disso numa sala de cinema...
Segundo, não dá para carregar no stop em caso de emergência.
Terceiro, mal me posso mexer sem tocar na pessoa que partilha comigo o braço da cadeira.
Quarto, não consigo estabelecer uma relação com o filme e o enredo numa sala cheia de pessoas que não conheço de lado nenhum (já explico).
Quinto, acho o preço do bilhete uma exorbitância. Tendo em conta que não vou sozinha, no mínimo, o valor duplica. Se for ver um filme animado com os miúdos, pronto! Lá se vai o orçamento para o fim de semana.
Sexto, estou a pagar por algo que, dali a uns dias, passará gratuitamente na televisão. Aliás, a propósito disto ainda ando cá a remoer uma coisa... Então não é que fui com os miúdos ao cinema ver o filme do Max (o último - não sei se houve algum antes) e, nesse mesmo dia, esse mesmo filme estava a passar no Canal Panda em episódios? Mas isto é legal?? (ando a exorcizar isto)
Sétimo, não posso falar. Não é que seja uma comentadora mor sobre o que estou a ver, mas se quiser dizer alguma coisa, trocar uma impressão, qualquer coisa, não posso sob pena de ser fustigada com o olhar dos meus vizinhos.
Oitavo, o intervalo. Bom, aqui... ui, ui! Se é para haver intervalo então meus amigos, pelo menos 10/12 minutos!! Certamente que quem definiu aqueles 7 minutos não é mulher, logo não sabe o que é ter de ir à casa de banho a correr. Caso contrário, passa o tempo todo na fila e depois? Depois quando regressa já está tudo escuro, já o filme começou e já está tudo a olhar para nós e a pensar: pois claro, tinha que ser... sai da frente, parvalhona!
Nono, agendar uma hora e meia do nosso dia para ver um filme? Ficar parado numa sala durante uma hora e meia? Parar tudo, para às tantas horas estar pronto para ver um filme? Saber a que horas termina? Ter o tempo assim tão programado?
Não! Para mim não dá!
Já sei que estão a pensar no espectáculo que é o sistema de som que permite ouvir tudo, tudo, tudo o que envolve cenas de acção. Que em casa não temos noção dos efeitos especiais, que as salas de cinema criam o ambiente ideal para sentir o filme, beca beca, beca beca. Mas isso não me convence. Mesmo! Não me convence!
Primeiro, um filme é para ser visto no maior dos confortos. De preferência em casa. Se me apetecer, de pijama. Se me apetecer, de fato de banho. Se me apetecer, descalça, de pantufas ou de galochas. Como me apetecer. Como aquele momento ditar o meu conforto.
Segundo, com espaço! Sem ter medo de me mexer e tocar no braço, na perna, no pé do vizinho. Se me apetecer, recostar-me. Se me apetecer, deitar-me. Se me apetecer, sentar-me no chão. Como me apetecer!
Terceiro, não é hábito, mas posso precisar de fazer qualquer coisa e aí meu amigos, aí vale o comando que me permite parar, retroceder, avançar.
Quarto, o meu ambiente de casa é o meu melhor ambiente. Home sweet home, aplica-se mesmo. E só neste ambiente, sem condicionantes externas é que consigo relaxar, concentrar-me e entrar no enredo do filme, na interpretação dos actores, na banda sonora e, até, na qualidade da tradução (mas isso já são preciosismos meus). Só na minha casa é que poderei estar comigo para usufruir do filme.
Quinto, sai mais barato. E não, não costumo comer pipocas no cinema porque, pura e simplesmente, não ligo nenhuma a pipocas. Mas em casa, com os miúdos, até isso sai mais barato.
Sétimo, posso falar!
Oitavo, vejo o filme quando quero, à hora que quero, no dia que quero, com quem quero e conforme a minha disposição. Não me preocupo sobre se ainda estará disponível para ser visionado. Tenho o meu arquivo, tenho as minhas fontes e não corro atrás de nada só porque está em exibição.
Azar se ainda não vi o último filme que estreou. Azar se ainda não vi o que já saiu das salas de cinema. Azarex! Não me sinto infeliz por isso, nem deslocada, nem cinemoexcluída (inventei agora isto). Não sou de modas. Nem de modismos. Nem de maneirismos. Sou de emoções. Adoro aquecer corações. E o meu, aqueço-o assim, ao sabor do seu conforto.
Se ao menos no cinema houvesse amoras para comer, mas não, não há!
Não vou! (ou vou muito raramente)

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O texto que escrevi para a minha irmã (mais nova)

Ontem a minha irmã fez anos.
É mais nova do que eu.
Fiz-lhe uma surpresa.
Não pensou que lhe entrasse pela casa dentro com um grupo de amigos que durante o dia, combinados que estavam, inventaram mil e uma desculpas para poderem fazer parte desta surpresa.
 
Não deve ter sido fácil para ela perceber que ninguém estava disponível para lhe cantar os parabéns. Sobretudo porque a partir de ontem passou a pertencer ao clube dos "intas". Portanto, foi uma aniversário especial, sem dúvida! Mas valeu o sofrimento, tendo em conta a cara de felicidade dela quando nos viu!
Escrevi-lhe um texto com alguma piada que lhe li em voz alta e que partilho aqui convosco.
 
Há coisas na vida que os irmãos mais novos nunca irão perceber. Nunca!
Que os irmãos mais velhos são sempre mais giros.
Que os irmãos mais velhos têm sempre razão.
Que os irmãos mais velhos são sempre mais inteligentes.
Que os irmãos mais velhos têm um grande sentimento de protecção em relação aos mais novos, mesmo sentindo na pele a injustiça dos pais lhes terem facilitado mais a vida. Nós, os mais velhos, abrimos caminho. Vocês, os mais novos, tiraram proveito disso.
Também nunca irão perceber porque vos queremos sempre ao pé de nós. Que gostem do que nós gostamos. Que partilhem coisas connosco. Jamais os mais novos fazem isso, mas nós, os mais velhos, perdoamos-lhes. Pois sabemos que um dia não passarão sem nós!
Os irmãos mais novos são sempre uma espécie de primeira experiência da maternidade ou da paternidade. Tomamos conta deles, ensinamos-lhes o pouco que sabemos e temos a mania que mandamos. E, eles, não percebem que isso é amor!
Porque não percebem que assistimos à sua gestação, ao seu nascimento, ao seu desenvolvimento, na esperança de vê-los terem sucesso, na esperança de vê-los melhor que nós!
És a minha irmã mais nova e hoje fazes 30 anos.
Conheço-te há 30 anos. Vi-te nascer. Visitei-te no hospital, no tempo em que as crianças não podiam entrar nos quartos. Vi-te através de uma janela e lembro-me de ver um monte de cabelo preto. Pensei que eras um tufo de pêlo.
Esperei ansiosa que chegasses a casa. Esperei ansiosa pelo momento de te pegar ao colo. Mil e um cuidados, que podias partir-te em bocados.
Peguei-te na mão quando choraste à espera do leitinho. Peguei-te na mão, que ser tão pequenino. Esperei que começasses a falar, a andar e a correr. Vi-te crescer.
Tinhas caracóis no cabelo. Eras uma bonequinha.
Lembro-me do teu primeiro dia de escola. Senti-me importante.
Mas mal eu sabia que daí a perder-te iria ser um instante!
Já não ía ser só eu a tua amiga!
Já não ía passar todo o tempo do mundo contigo!
Ías começar a ter outros amigos, a gostar de coisas novas.
Lembras-te das noites em que me apanhavas a ler no quarto, a rir com o que lia e depois querias que te contasse as histórias. Não sabias, mas contei-te "O primo Basílio", "Uma família inglesa", "A morgadinha dos Canaviais" e outros que tais. Contei-te histórias sérias a brincar. E tu rias-te! E eu também. Voltavas a ser só minha por uns momentos.
Andámos à pancada e aos beijinhos e, mais tarde, foste tia dos meus filhos.
Esperei contigo nove meses para experimentares a maternidade. E aí, apercebi-me da tua idade. Já não eras assim tão pequenina. Já não eras assim tão peluda. Um bocadinho cabeçuda. Mas já eras mãe como eu.
Hoje, não vives sem mim. E, eu, não vivo sem ti! Como nunca vivi!
E, espero, que para sempre venha a ser assim.
Ficou emocionada. E eu também!


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O Eiras

Morava numa rua cheia de palmeiras, o Eiras.
Facilmente perdia as estribeiras, não tinha maneiras e dizia coisas corriqueiras.
Frequentava feiras, fazia colecção de cadeiras e adorava comer areias.

Em tardes soalheiras, calçava as chuteiras, punha as joelheiras e lá ía pelo caminho cheio de peneiras. Gostava de mostrar-se às bombeiras!

O Eiras vivia em Oeiras.
Tinha tiques de marquês, escondia malvadez.
Uma vez, sem querer saber da sua recente viuvez, decidiu assumir a gravidez daquela que lhe perdoava a embriaguez.

O Eiras era um tonto.
Todos lhe davam um desconto. Ponto a ponto lá ía fazendo contraponto a quem lhe contasse um conto. Mas pronto! Um dia foi a Toronto! E, de lá, só nos contou um confronto que teve com um ecoponto!

O Eiras não queria responsabilidades.
Davam-lhe ansiedades. Lá tinha as suas habilidades para lidar com verdadeiras calamidades. Tinha as suas prioridades. E, apesar das suas ambiguidades, conquistava grandes beldades.

O Eiras era esperto.
Dava conta de tudo por perto. Para ele nada era certo! Mas um desejo incerto fazia com que se sentisse num deserto. Numa conversa com o Felisberto ficou boquiaberto! Tinha descoberto que o Humberto andava encoberto!

O Eiras tinha medo!
Era esse o seu segredo. Do alto de um penedo, levantou um dedo e desenrolou o seu enredo. O Macedo recebeu a notícia como um torpedo! Afinal o rochedo que parecia ser o Eiras não era mais que um sem ledo e azedo.

Era bruxedo!

É à escolha do freguês! (16 e 17 de Novembro)

Já vamos a meio do mês de Novembro!
O frio aperta, a chuva anda envergonhada, mas já me apetece acender a lareira...
 
No entanto, enquanto der para passear sem chapéus de chuva, galochas e blusões impermeáveis, torna-se tudo mais fácil. Por isso, aqui ficam algumas dicas de coisas a fazer este fim de semana (com e sem miúdos).
 
Infelizmente já não tenho os meus avós. Mas, felizmente, tenho bem viva a memória dos momentos que passei com eles. Cada encontro, uma celebração. Como só os avós sabem fazer. Cada encontro, uma excitação. Mesmo depois de adulta, era assim que me sentia.
E vocês? Ainda têm os vossos avós? E há quanto tempo não os visitam?
Aproveitem estes dias e agendem um encontro com eles. Vão ver como irão ficar contentes.
 
E juntar os miúdos à volta da mesa, aproveitar restos de papéis coloridos e construir uma grinalda para enfeitarem os seus quartos? Também podem usar restos de tecido e conjugá-los ao sabor da criatividade deles. Vejam este exemplo.
 
Aqui a grinalda enfeita uma cabeceira, mas pode ser usada no varão dos cortinados,
numa parede ou numa porta.
É à escolha do freguês!
 
Banana frita, quem não gosta? E é fácil de fazer. Derretam um bocadinho de manteiga, cortem as bananas ao meio e aos bocados, juntem acúcar e canela a gosto. Es-pec-ta-cu-lar! Sim, eu sei que é calórico e tal, mas uma vez não são vezes...
 
Deixem a banana amolecer na frigideira e só depois é que devem adicionar o açúcar e a canela.
 
Participar no Startup weekend na Mouraria. Um fim de semana de três dias, com 54 horas seguidas dedicadas ao desenvolvimento de novas ideias na área da inovação, acção e cultura. Mais informações aqui.
 
Na Casa do Alentejo está a decorrer uma exposição de pintura de Lourdes Noronha. Vale a pena passar por lá. (não fosse eu uma alentejana e não puxava aqui a brasa à minha sardinha)
 
Este é o pátio interior da Casa. Vale, MESMO, a pena visitar!
 
Já sabem: façam o que vos der na real gana!
É à escolha do freguês!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

All you need is...

Há amizades que duram uma vida.
Tenho quatro amigos desde o tempo da minha adolescência. E se há coisa que gosto é de reencontrá-los. Impossível estarmos juntos sem nos lembrarmos das coisas giras que passámos.

Só para terem uma ideia: a L. namorava com o V. Namoraram durante muito tempo. Mas aquilo eram mais turras que outra coisa. Não podiam viver um sem o outro. Mas viver um com o outro também veio a tornar-se uma árdua tarefa. Faltava-lhes qualquer coisa. Era a minha teoria.

Por outro lado, assim, sem eu dar por nada, já a E. tinha começado a namorar com o O. Esse é que foi um namoro intermitente. De manhã namorados. À tarde já só eram amigos. À noite já nem se falavam. Passados dois dias voltava tudo ao mesmo. Também neste namoro sempre acreditei que faltava qualquer coisa.

Já estão mesmo a ver que do fabuloso grupo dos cinco de vez em quando lá ficava orfã de amigos. Sim, porque se havia coisa chata na adolescência era ser amiga de casais de namorados. Quando coincidiam os dois casais no namoro, lá ía eu à minha vida. Nunca fui namoradeira. Gostava mesmo era do convívio, das palhaçadas, de andarmos todos juntos.
O nosso grupo era maior, claro, mas nós os cinco éramos um grupo dentro do grupo. Ah, e todos mais velhos do que eu. Não é que eu fosse uma mascote. Nada disso. Mas sempre tive tendência para fazer amigos e relacionar-me com pessoas mais velhas.

Os anos foram passando (ou será que foram só meses? quando somos adolescentes temos outra percepção do tempo...) e as turras entre os meus amigos-às-vezes-namorados continuavam.

Ó paciência! Já não aguentava mais aquilo.
Depois de anos de caras enfadonhas, de birras de adolescentes, de braços cruzados, de costas voltadas e cenas de ciúmes parvas convoquei-os para uma reunião numa esplanada. É claro que a convocatória foi individual, não fosse dar-se o caso de acender um rastilho para mais uma birra.

A primeira a chegar foi a E. Muito agitada. queria saber que assunto tão importante é que eu queria debater com ela. Como não conseguia estar quieta levantou-se e foi ao balcão fazer o seu pedido. Mesmo a tempo! Chegou o O. (aquele com quem ía namorando) que não se apercebeu da sua presença e sentou-se ao pé de mim.

Sol de pouca dura! A E., de volta, disparou irritada:
- Foi para isto que me chamaste aqui? Estavam combinados, vocês?
- Senta-te! Ninguém está combinado. Fui eu que vos chamei para falarmos. Olha, também chamei o V. e a L. (que entretanto chegaram)

Afinal a presença uns dos outros ainda os inquietava. Meu Deus! Vi-me aflita para conseguir falar.

Levantei-me e disse-lhes:
- Vocês estão todos baralhados! Façam o favor de se sentarem como deve ser!

Nem se mexeram. Não perceberam.
Peguei na L. sentei-a ao lado do O. Indiquei os lugares seguintes ao V. e depois à E.
Sem saberem como, encontraram harmonia nas suas vidas. Descobriram que o que sentiram uns pelos durante a adolescência só precisava de ser arrumado para fazer sentido. 

Descobriram que, por vezes, é preciso crescer para perceber as coisas como elas são. E são assim... simples...

Aquilo fez tanto sentido que tive a sensação de estar a participar numa cena de um filme romântico com uma música de fundo: All you need is LOVE!

Ode aos namoros de adolescência que nos ensinam muito. Que nos ensinam, sobretudo, que não sabemos nada sobre essa coisa que é o LOVE!