segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Isto não é um adeus. É um... até um dia destes...

Porque não podemos dizer "desta água não beberei".
Porque andava a pensar no assunto e sentia-e dividida entre o "continuo a escrever" e o "não continuo a escrever".
Porque nem sempre tenho a certeza do que faço por aqui.
Porque às vezes estou cheia de genica e outras nem por isso.
Porque tenho andado mais na página do FB.
Porque me faltava vir cá fechar a loja.

Obrigado aos que me acompanharam.

Beijinho nos vossos corações.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A padaria da minha vizinha

Quem segue o Contos com amoras no facebook, sabe que tenho uma vizinha muito empreendedora que, sozinha, decidiu abrir um negócio, contrariando a corrente negativa do mercado. Abriu uma padaria e a sua simpatia e, também, a nossa relação de boa vizinhança, resultou em algo que não tem preço. A minha vizinha, todos os dias, mas todos os dias mesmos, traz-me pão. Bate-me à porta, depois do dia cansativo que teve, e ainda me estende as mãos com um saco de pão e um sorriso. Atenção que não falo de encomendas, não! Ela oferece-me pão. E digo-vos: é mesmo pão a sério!! Não é daquele que no dia a seguir parece plástico. É pão que se mantém fofinho durante uns dias. É pão com cheiro. É pão com sabor.

Eu já adivinhava que o espaço da padaria só poderia ser assim uma coisa gira. E ontem decidi confirmar. Além de giro é muito, mas muito acolhedor. Convida à troca de dois dedos de conversa e, ainda por cima, podemos tomar lá um café acompanhado de qualquer coisa boa que a minha vizinha vende. O difícil é escolher. Eu cá comi um pãozinho de queijo e os miúdos foram para o pão com chouriço.

Atentem.














Além desta variedade, ela ainda elege todas as semanas um pão de um país diferente e faz disso a sua bandeira. Depois ainda há pão sem glúten, pão quente a determinadas horas do dia, pão alentejano (que é difícil de encontrar daquele mesmo bom), pão com sementes (todas e mais algumas), pão com azeitonas, pão com passas, pão com ervas, pão do caco, bolachas caseiras e uma doçura imensa no atendimento.

Spica - pão do mundo, é um convite a conhecer receitas nacionais e internacionais, várias qualidades, formatos e aromas de pão que se come pelo mundo fora, pode ler-se na página do facebook. Passem por lá e façam gosto. É sempre uma alegria para quem trabalha com alma. :)

Ah, é verdade! Para quem me perguntava ontem no face, fica em Paço de Arcos. Na Rua Costa Pinto. Mesmo ao pé do mercado e a caminho dos antigos cacetes. Passem por lá. Digam que vão daqui. E depois contem-me como foi. Garanto-vos que vão gostar e vão ficar fãs. :)

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Fui apoiar os heróis



No sábado lancei o desafio lá em casa:
- Quem quer ir comigo amanhã ver a maratona?
E logo ela disse que queria. E logo ele disse que não queria.
E assim foi. Domingo de manhã levantámo-nos cedo (todos, aliás), mas nós duas tomámos o pequeno-almoço e pusémo-nos ao caminho. Primeira paragem: Santo Amaro de Oeiras, completamente recuperada da tempestade do dia anterior. Quando chegámos já tinham passado os primeiros atletas, mas ainda estava tudo no principio. Devo dizer-vos que foi emocionante. As pessoas pediam-nos apoio. Que os aplaudíssemos e puxássemos por eles. Esticavam o braço para baterem nas nossas mãos. Uma espécie de "dá cá cinco" que lhes dava força. E sorriam. Piscavam-nos o olho. E agradeciam-nos. Via-se mesmo que era importante terem o apoio de quem estava a assistir. Pessoas completamente estranhas, mas solidárias. E nós duas fizemos esse papel. Encontrámos a Sónia, do Cocó na fralda, que ia acompanhada de seu marido e que ao reconhecer-me ainda me mandou um grito, pois eu estava à espera de vê-la, mas na hora H se não fosse ela a gritar tinha-me passado. Também vimos a Ana, a Pipoca mais doce, acompanhada do seu Arrumadinho  e de uma equipa de reportagem na NiT. Por nós ainda passou um colega meu do trabalho que gritou o meu nome e mais duas ou três caras conhecidas. De resto, muitos, mas muitos estrangeiros. Franceses, ingleses, italianos e, pasmem-se, gregos. Muitos gregos. Com direito a claques, bandeiras e cânticos de apoio.

Pegámos no carro e fomos até Belém. De novo o entusiasmo dos que assistiam a puxar pelos que corriam. E as pernas já davam sinal de cansaço. Muitos abrandaram o ritmo e perderam-se dos grupos em que corriam inicialmente. Muitos continuavam a pedir-nos apoio e nós demos. 

Foi emocionante. Gostei imenso. Fez-me lembrar da São Silvestre em que participei e em que também muitos estranhos puxaram por mim. E de como isso foi importante.

Deu-me vontade de fazer a maratona para o ano que vem. Não consegui assumir isso como um compromisso, porque correr 42 km... não são 420 metros... Mas penso que a corrida do Tejo poderá ser um desafio a pôr na agenda... vamos ver.

Não deixem de participar. A correr ou a assistir. Vale mesmo a pena.

Adoro... adoro... (ironia, meus queridos... ironia)

Chegar ao trabalho e encontrar um colega, o do costume, a meio de um telefonema que se demonstrou muito divertido. Receber um piscar de olho em jeito de cumprimento e depois de terminado o telefonema dizer:

- Bom dia! Tudo bem? 
- Nem por isso. (fiquei preocupada)
- Então o que se passou? Algum stresse no fim-de-semana?
- Não... é que ainda hoje é 2.ª feira e eu já estou cansado... (com uma voz a arrastar-se, completamente contrária à voz efusiva do telefonema)

E é isto. Quando vos digo que não é o trabalho que me satura, é por causa disto. E não só! Mas muito por causa desta postura do O mundo gira à minha volta e eu sou um desgraçado(a) e tudo conspira contra mim e eu mereço muito mais e eu e eu e eu...

Bom dia.
Que a semana seja um desafio e não uma tormenta.
Tudo depende da força de vontade de cada um.
Beijinho no coração.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Coisas boas

Ele: Posso dormir na tua cama?
Eu: Não.
Ele: Então posso ir contigo para a tua cama?
Eu: Não. Depois adormeces e a mãe não pode contigo ao colo.
Ele: Não podes?
Eu: Não.
Ele: Já estás velhinha?
Eu: Já.
Ele: Não estás nada! Estás é fraquinha. (a rir-se)
Eu: Achas mesmo?!? (fiz um ar muito indignado)
Ele: Então se ainda estás forte... posso ir para a tua cama...

Aluna mal comportada

Foi o papel que eu e mais uns quantos pais desempenhámos ontem na reunião surpresa que combinámos com os professores na escola da mais velha. Surpresa para os alunos, claro está! Que não souberam de nada até à hora da dita reunião.

Trata-se de uma turma com muito bom aproveitamento, mas com um problema de comportamento muito grande. Têm uma energia imensa e os intervalos parece que não são suficientes para canalizarem tudo isso para o espaço. Não! Entram nas aulas aos pinotes, conversam sobre tudo, querem saber tudo, todos ao mesmo tempo e de tão interessados que são, atropelam-se uns aos outros, e aos professores, também, na procura de uma resposta na hora. Que isso de esperar é coisa que não aguentam.

Decidimos, os pais, em conjunto com a directora de turma, assumir o papel deles. Convidámo-los a lerem um texto. Eram 8 os alunos a ler em voz alta e nós, combinadíssimos que estávamos, interrompemos, fizemos perguntas repetidas, conversámos uns com os outros, levantámo-nos e o diabo a sete. 

Ficaram calados. Petrificados. Não conseguiam ler. Pediram-nos para que nos calássemos. E depressa perceberam o objectivo da coisa. De seguida fizemos o contrário. Um silêncio sepulcral na sala, enquanto cada um leu a sua parte do texto. E até os que lêem mais baixo nós conseguimos ouvir. 

Eles não são tontos, claro que não. Por isso perceberam bem a mensagem. Os pais falaram. A professora também, e eu conclui, em nome de todos, que estamos em sintonia com os professores. Que o problema é colectivo, que todos os alunos são responsáveis por si mesmos, que a aplicar uma pena será aplicada a todos e que terão de saber respeitar os professores, o trabalho de grupo e os colegas. 

De regresso a casa dizia-me a minha filha quais os professores de que gostam mais. Conclusão: gostam mais daqueles professores com pulso de ferro que conseguem pô-los em silêncio e a trabalhar durante as aulas. Também concluí que o delegado e sub-delegado de turma eleito por eles, são as melhores alunas. Tanto em aproveitamento como em comportamento. E perguntei-lhe, então, porque motivo continuavam a criar problemas se até se revêem em quem mais trabalha.

Resposta:

- Nós somos alunos responsáveis. Votamos em consciência.

E mais não digo. Agora espero o resultado deste esforço que fizemos.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

De esquerda e de louco todos temos um pouco

Tenho andado aqui caladinha a assistir ao forrobodó que tem sido as negociações da coligação PàF vs PS vs BE vs PCP vs todo um circo que se tem montado. Há muito tempo que a escrita, sobretudo neste mundo virtual, não tinha um motor tão grande para a sua produção. Mas é bom de ver! É bom de ver que, afinal, todo o mundo tem uma opinião, lê, escreve e sabe do que fala. É bom de ver...

Agora, aquilo que interessa...
Acho que posso dizer o que vou dizer a seguir: de esquerda e de louco todos temos um pouco! 

Ora bem! Cresci no seio de uma família alentejana cujas orientações políticas foram sempre, e está bom de ver, à esquerda. Pelos meus 6 anos de idade fui viver para a margem Sul, mais propriamente para a agora cidade de Amora. Perto de nós vivia a minha tia Maria José, acérrima militante do Partido Comunista Português e com quem tive os primeiros contactos com aquilo a que se chama de máquina partidária. Participei em reuniões (muitas vezes sem perceber nada, claro), ouvi muita coisa sobre estratégia política, pintei muitos cartazes para as manifestações do 1.º de Maio e do 25 de Abril e fui voluntária "à força" na festa do Avante.

Nestas idades, entre os 6 e os 10 anos, não temos bem uma opinião política. Ouvimos o que nos dizem os adultos e achamos que essas são verdades absolutas. Com 10 anos vim para a margem Norte e à parte o 1.º de Maio, o 25 de Abril e a festa do Avante, a minha actividade cessou, e muito, no que respeita a reuniões, cartazes e manifestações.

Cresci. Claro, que cresci! Acho até que por uns anos me esqueci dessa coisa da política. A preocupação eram os estudos, os amigos, as brincadeiras, as férias de Verão e a minha escrita. Pelos meus 16/17 anos voltei a interessar-me pelo assunto. Gostava de ver os telejornais, achava que o Mário Soares era uma grande referência, gostava muito do Manuel Monteiro e quando o Cunhal aparecia, fazia-se silêncio lá em casa.

Comecei, então, a questionar-me. Ouvia um, ouvia outro... Gostava de coisas que uns e outros diziam... não entendia porque motivo deveria tomar uma posição à esquerda ou à direita. Um dia pedi que me explicassem que linha demarcava essa diferença. Resposta: A esquerda defende, SEMPRE, os direitos dos trabalhadores!! E sei que foi o meu tio Jorge que me disse isso. 

Mas... não chegava... Essa resposta levantou-me outras perguntas: Então mas não é esse o dever dos partidos políticos? Defender os trabalhadores? Então quem está nos partidos políticos também não é trabalhador? Que sentido faz ser-se trabalhador e não defender quem trabalha?

Andei ali uns tempos sem contrariar ninguém. Não anuía e não contrariava. Muito menos contra-argumentava. Tentava perceber. Respeitava.

Com dezoito anos conheci aquele que é agora o meu marido. Homem de direita. Posição muito vincada e prestes a tornar-se presidente de uma "associação" juvenil partidária. Vivi, então, o outro lado do espelho. E rapidamente conclui que era tudo igual. O planeamento, a estratégia, a procura pela expressão, a influência, os jogos, a podridão da política. Rapidamente percebi que votar em pessoas que me inspirassem seria sempre o melhor caminho.

Mas uma coisa manteve-se: o meu carinho pelo partido "que me viu nascer". A minha tia continuou o seu percurso no PCP e eu fui sempre acompanhando os desenvolvimentos. O meu avô em dia de votar até punha um cravo ao peito. Os meus outros tios também levavam a sério esse direito e cumpriam-no sem reservas. Nunca se deu o caso de não votarem. Nunca! Esse direito tinha custado muito a conquistar. E a toda santa eleição eu gosto de ver como está a coisa para aquele lado em termos de resultados. E imaginar como seria conversar com o meu avô sobre isso.

Acho que a maioria das pessoas passaram pela esquerda, sobretudo na adolescência, e até compreenderem (mais ou menos) esta coisa das sociedades democráticas. E quem passou a ver com os seus próprios olhos o lugar onde se sente melhor (tal como aconteceu comigo), percebe que na esquerda há coisas que não se compadecem com essa máxima de que o meu tio me falou A esquerda defende SEMPRE os trabalhadores. Pois pensemos, apenas, e no caso do PCP, quando alguém não concorda com alguém, é convidado a sair. Logo, o "trabalhador" só é defendido se concordar com o "patrão". (em termos gerais e grosseiros, claro)

Não generalizo, atenção! Porque de facto, se ouvirmos com atenção o Jerónimo de Sousa a falar, numa frase deverá dizer 10 vezes a "palavra" trabalhador. Mas trabalhadora sou eu! E nem sempre aquilo que oiço se encaixa como gostaria... É preciso ver de forma mais abrangente. O sistema. A economia. Os verdadeiros motores disto: a banca. E, ainda, a Europa... e fico-me por aqui. 

Por algum motivo o PCP, mesmo com a sua já histórica coligação, não passa daqueles valores. Mantém o seu eleitorado. É constante. Tão constante que até os seus líderes parece que lá ficam até morrerem. Ou caírem da cadeira... (eheheh) Mas nestas últimas eleições gostei de ver o Jerónimo! Achei-lhe piada! Sobretudo quando um jornalista lhe perguntou, a propósito de uma das 13 578 sondagens que se fizeram, o que é que ele tinha a dizer sobre a "perda" de votos para o BE. Ao que ele respondeu Para o BE?!? Não! Os votos que eu perco é para a coligação PàF. Muito bom!

Se por um lado acho que ao PCP lhes falta um pouco dessa abrangência, caracterizando-se por ser um partido inflexível, sempre no mesmo caminho, por outro fiquei muito espantada e aborrecida com a tomada de posição agora relativamente ao PS e ao BE. Não estava à espera, juro que não estava! É preciso reconhecer-lhes a constância. Que acabou por cair por terra, dando razão às vozes que dizem São todos farinha do mesmo saco!!!

E é nisto que estamos! Num regabofe! Quando o PCP desdiz o que disse, está tudo dito. Lá está! Neste caso temos aqui alguém com tudo de esquerda e com tudo de louco. Quando o BE acredita mesmo que poderá formar governo, ui, então estes têm TUDO de loucos. E o PS que de esquerda tem pouco...

O PS... só me ocorre citar o Costa e, com o meu lado de louco, dizer-lhe aquilo que adivinho. Ele brincou e disse que a direita ganhou por "poucochinho". Eu cá acho que ele ainda vai perder "tudinho" (eheheheh, que isto hoje está a ferver).

Mas voltando ao título do post, acho que é isso mesmo. Vou falando aqui e ali, vou ouvindo e medindo o pulsar das opiniões dos cidadãos. E fico desolada por ver como de política, ou de como se faz política, poucas pessoas percebem, construindo opiniões que mais não são o resultado daquilo que alguns opinion makers, estrategicamente colocados no seio da comunicação social conseguem construir e moldar. Mas tem sido interessante registar que com estas eleições se têm verificado algumas mudanças no discurso das pessoas. Antes de mais, a consciência de que há uma dívida para pagar! Temos mesmo de pagá-la, é o que dizem. Por outro, a esperança de verem os seus ordenados repostos, o IVA da restauração mais baixo e o poder de compra a aumentar, ou seja, o melhor de dois mundos.

Eu? Claro que queria isto tudo. Mas sei que não posso viajar pelo mundo mundo, quando pedi dinheiro ao banco para pagar a minha casa. Tenho um pouco de esquerda e um pouco de louca. Mas de louca, nem tanto. Que a mim custa-me. E muito!!

Vou continuar atenta. Vou mesmo, porque isto é como um bichinho que me desassossega. Mas cansa-me este desfile de vaidades. Este joguinho de poderes e, pior, estarmos nas mãos destes jogadores. Deste loucos e de esquerda. Destes loucos e de direita. Destes loucos que se misturam e confundem e não querem ter nada a ver uns com os outros.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Libelinha


Era assim conhecida a minha querida tia. Aliás, é assim que nos referimos a ela. Por causa do meu tio, seu marido, que carinhosamente a tratava desta forma. Se estivesse entre nós, hoje faria anos. Haveria bolo de aniversário. Moveríamos mundos e fundos para nos juntarmos a ela. Nas nossas agendas tudo seria adiado ou cancelado. Mas não nos passava pela cabeça faltar ao seu encontro.

Depois da sua partida fizemos um esforço para continuarmos a estar juntas neste dia. As primas. Sobretudo as primas. Muitas vezes ao fim do dia. Sem grandes combinações. Muitas vezes após um breve telefonema. Quando já nada fazia prever esse encontro. E conseguimos, de todas essas vezes, celebrar termos tido a minha querida tia nas nossas vidas.

Hoje... seria dia de festa... Por mais que queira não consigo sentir outra coisa senão um vazio imenso cá dentro. Especialmente hoje. Sempre achei que estes dias não deveriam ser especiais em relação a todos os outros em que sentimos a falta de alguém. Mas este ano isto está estranho. Isto, a que chamamos coração, saudade... nem sei...

O tempo não cura nada. O tempo aumenta a saudade, o vazio, a falta de respostas para a perda prematura que sofremos. Para a partida prematura de uma boa pessoa. O tempo não cura. Apenas aumenta a distância e atenua o hábito de vivermos sem essa presença. Mas em cada canto, na rua, em casa, no trabalho, sempre surge uma libelinha como que a dizer:

Estou por perto.

E nesses momentos consigo esboçar um sorriso. Interiormente.

(A esta hora, ainda é cedo para desmarcar o que tenho na agenda. Mas acrescento que tudo depende de um breve telefonema.)

- saudades, querida tia. saudades... -

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Para ti. Que me acompanhas há 20 anos


Só porque me apeteceu.

Postais de férias #9


Parque das Nações.

Quem é que não tem uma foto igual a esta?
Só quem nunca foi lá.

Aqui, no dia em que revisitámos o Pavilhão do Conhecimento.
Porque eles crescem. E esquecem-se.
E à medida que crescem ganham novos entendimentos sobre as coisas.

Foi giro vê-lo tão interessado em tudo. A querer perceber o que estava a ver.
Foi tão giro ver que ela não herdou as minhas vertigens. 
E fez o percurso na bicicleta suspensa. Como se não fosse nada de especial.

O registo de mais um dia em família.
Para mais tarde recordar.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Não vale a pena contrariar... :(


Não vale a pena manter a roupa de verão no armário, se depois temos de recorrer às gavetas do Outono/Inverno. Não vale a pena manter as sandálias à vista, quando os botins nos piscam o olho. E também não vale a pena manter o mobiliário de Verão na varanda, quando a chuva a deixa com uma imagem tão desoladora.

Já recolhi a mesa de madeira, as cadeiras, os coxins de tecido, os vasos decorativos, as velas e a toalha. Já recolhi a vontade de passar noites de Verão na varanda à conversa com o meu marido. E fico tão triste. Tento resistir ao máximo, na esperança da melhoria do tempo. Até que me canso. E guardo tudo até ao ano seguinte.

Chegou o dia. :(

Socorro!! Sou mãe de uma pré-adolescente!!

Fez anos, a miúda. Mais uma vez, fez anos. Já lhe pedi que parasse, pois o meu coração não aguenta este crescimento feroz. Não aguenta vê-los desaparecerem-me da vista como os eternos bebés que os pais sempre vêem os seus filhos. Não aguenta passar por momentos como aqueles em que ela me interpela com questões que eu não estava preparada para ouvir.

É claro que, para mim, continua a ser a minha menininha. Mas não posso demonstrá-lo. Que ela quer ser tratada como a pré-adolescente que é. Com razão. Todos os adultos passámos pelo mesmo. Com a frustração de sermos tratados como crianças quando já começamos a ter uma opinião.

Já não quis festa de aniversário em casa ou na escola ou num espaço de insufláveis e pinturas faciais. Já não quis bonecos ou princesas no bolo de aniversário e a sua wish list passou pelas modas do momento, livros, perfume e material de desporto. Teve uma festa à sua medida. À noite, num espaço para a sua idade, com supervisão dos pais, claro! Mas com um programa muito cool. Discoteca, passagem de modelos, camarim e karaoke. Uma festa que todos os seus amigos adoraram. E ela também! Um levantar do véu para o que aí vem. A sua adolescência.

Pensei que ia demorar mais tempo, esta coisa de vê-los crescer...
Enganei-me.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Fui "mestre" de cerimónias

Na semana passada falei-vos de algo que andava a preparar. Deixei-vos uma imagem de um biberon, pois tratava-se de um babyshower. Quando a minha amiga me pediu para ser a organizadora-mor, fiquei entusiasmada, claro! Mas isto de organizar coisas e pessoas é sempre complicado... fui com pezinhos de lã...

De imediato comecei a pensar na decoração e uma coisa era certa: nada de motivos com bebés, carrinhos de bebés, fraldas de bebés, alcofas de bebés e tudo o mais que implicasse isso mesmo. Também queria fugir das cores convencionais: azul para menino; rosa para menina. E comecei a pesquisar. 

O tema: passarinhos.
As cores: amarelo a verde água.

A minha amiga deu-me uma lista de contactos e eu marquei uma reunião com todas. Levei logo o padrão escolhido, as ideias assentes num papel, desde os motivos decorativos, à comida e aos presentes (fiz um levantamento das necessidades) e, surpresa, elas adoraram!! (para gáudio próprio)

Contámos com uma fotógrafa e com a boa vontade de todas.
Ora atentem.

Fizemos duas mesas. Esta é a das bebidas
Esta é a do comer
No centro tínhamos uma "espécie" de ninho de pássaros. À direita, conseguem ver um esquilo
Estes eram uns cartões que utilizámos para um jogo

Outra perspectiva da mesa
Os "meus" meninos. Iogurte grego com frutos silvestres

Sim... é sangria e lambrusco... :)

Este estava, simplesmente, maravilhoso
Tal como este... :)
As fotos são meros apontamentos do que fizemos. Não somos peritas no assunto, mas o resultado final foi do agrado de todas. 

Programámos, também, um jogo de perguntas e respostas sobre bebés (que e grávida errou quase todas) e a cada pergunta certa abria um presente. Um outro jogo foi a construção de uma história infantil em conjunto que será a primeira história que a mãe deverá ler ao bebé. Só vos digo que meteu galinhas, porcos e rinocerontes!! E, finalmente, cada uma escreveu num cartão a previsão de data e hora de nascimento, bem como de peso e comprimento do bebé. Quem ganhar terá direito a um jantar!

Foi giro. Fizemos tudo com amor. E quando é assim, só pode correr bem. :)

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Uma aula experimental

De Krav Maga (lê-se Magá, apesar de não ter acento. Foi algo que aprendi. Também não sabia). E quem é que foi fazer esta aula experimental? Quem foi, quem foi? Pois claro, o senhor meu filho. Que o karaté não lhe chegava. Tinha pouco contacto físico. Na sua gíria: pouca porrada.
Ora bem, para começar começou por apresentar-se desta forma:
- A porrada é o meu sonho!
Assim, a crescer (por dentro). Estava mesmo à espera de ouvi-lo dizer Sou o máior! Mas vá lá... não se atreveu... Acontece que a aula foi experimental, mas aconteceu aquilo que se esperava. "Porrada!" Que é como quem diz, contacto físico com a explicação de algumas técnicas de defesa.
Senhor meu filho estava a adorar. Até ao momento em que foi derrubado pelos monitores. Assim mesmo! Tungas!! No chão.
Não sabia se havia de rir ou de chorar. E ainda hoje está a pensar no assunto... indeciso entre o karaté e o krav maga.
Se estão como eu estava em relação a esta modalidade, fiquem e saber que se trata de "um sistema de combate corpo a corpo desenvolvido em Israel, que envolve técnicas de luta, torções, defesa contra armas, bastões, facas, agarramentos e golpeamentos".
Não acreditam? Sério!! Vão lá ao Google, vão!
Agora é esperar para ver o que o menino de sua mãe decide fazer (é claro que eu vou conduzir essa decisão, mas pronto!).

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O rescaldo

Do fim de semana. (Pensavam que era das eleições, certo??)
Foi um ar que se lhe deu. Na 6.ª feira à noite, um brinde com amigos no telhado do hotel Éden em Lisboa. Extraordinário! Um novo ângulo da Av.ª da Liberdade, a calçada portuguesa vista de cima, o castelo de São Jorge, toda uma arquitectura emblemática da cidade. Depois, a boa companhia, a boa conversa, a música e a sorte que tivemos com a noite espectacular que estava. Aos mais friorentos, não se apoquentem. Há mantinhas polares para quem quiser. Terminámos a noite no Galeto. Para comer qualquer coisa e porque poucos sítios estão abertos até às 3.00.
No sábado, as compras do costume. O mercado, onde fomos comprar flores, a feira de artesanato de Oeiras e um jeito, sempre necessário, à casa. Depois de almoço rumámos à margem Sul. E de lá só viemos à noitinha. 
Domingo, a chuva. Que chata! Quase que nos tirou a vontade de fazer coisas... mas não podíamos! Há duas semanas que andava a organizar um babyshower para uma amiga (vou fazer um post sobre isso) e ontem foi o dia. Votar e andar para o local combinado onde a decoração, a montagem de tudo e o comer iam dar umas 2h00 de trabalho. Ainda apanhámos um susto valente com a grávida que de manhã  teve de ir ao hospital. Mas regressou. E emocionou-se com o que viu. Quando chegou. :)
À noite, um jantar em casa de uns amigos. Objectivo: acompanhar os resultados eleitorais em conjunto. E em directo! Analisarmos, ouvirmos os discursos, tecermos considerações dignas de comentadores políticos. :) E comermos, brincarmos e partilharmos momentos.
Hoje, 7.00 da manhã! 

What?? Mas ainda agora era 6.ª feira!!!

Xinapáááá!! Já passou um ano??


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Postais de férias #8


Cabanas de Tavira.
 
Um postal de verão tirado às 7.30 da manhã.
Na melhor hora do dia para se dar um mergulho sem ter de tirar medidas.
Na melhor hora do dia para, ao mergulhar, pôr as ideias em ordem.
Porque estar de férias também é isso.
Arrumar as ideias. Fazer balanços.
Projectar. Acreditar que o ano seguinte será melhor.
Nem que esse pensamento dure os segundos que duram um mergulho.
Onde ninguém nos ouve. Ninguém nos vê.
Onde recarrego baterias para os longos dias de Verão.
Em família. 

Eu sei que é este o panorama geral

Mas custa-me imenso acreditar nisto... :(

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Obrigado, Vanessa (ou.. já temos babybel lá em casa)

Tenho uma amiga de sorriso doce e meigo (e gira que se farta) que é nutricionista. E como respeito muito as folgas de cada um e o facto de que falar de trabalho nos momentos de descontracção pode ser muito aborrecido, tento não absorvê-la com o assunto nutrição.

Mas lá em casa temos de ter cuidados redobrados com a alimentação. Os miúdos nasceram assim a atirar para o gordinho (4.500kg) e continuaram nessa linha até começarem a pisar o risco da obesidade infantil. Logo, ter uma amiga nutricionista dá mesmo jeito!!

Mas nunca a chateei com nada. Não quero abusar, de todo, da sua paciência. A pediatra dos miúdos orientou-me bem e eu consegui que a situação deles fosse revertida. No entanto, TODOS OS DIAS há produtos alimentares novos cujas publicidades levam os miúdos a acreditarem que se trata do maior bem do mundo e que nós, os pais, devemos comprar para ter em casa. Chegam a repetir frases publicitárias, acreditam?!? E isso tem acontecido com o babybel.

Ora bem, no fim de semana, e já fora de horas, fui às compras do mês e lá tropecei no famoso queijo. Compras mãe? Podemos levar, mãe? Podemos, podemos?? Decidi entrar em acção e mandei uma mensagem à minha amiga Vanessa, a nutricionista. Querem saber a resposta? Qualquer coisa do género: Nas condições dos teus filhos podes comprar babybel sem ser light. Só podem comer, no máximo, um de manhã e outro à tarde!

Isto não tem valor. É mais ou menos como ter uma consulta por telefone. E, por isso, decidi falar dela aqui no blog. Porque merece. E porque espero, um dia, retribuir com qualquer coisa que ela precise.

Beijinho no <3 Vanessa
Obrigado.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Ai que o miúdo está a assustar-me!!

Quando está na hora de dormir, sobretudo a sesta, dá-lhe sempre para grande reflexões. Mesmo a ver se queima tempo e se eu acabo por ceder dizendo-lhe Levanta-te. No sábado estivemos sozinhos a tarde toda e ao tentar que adormecesse, começa ele:

- Ó mãe, uma pergunta. Finito é porque tem fim?
- Sim, é.
- Infinito, não tem fim!
- Exacto.
- Então... o espaço é infinito?
- Está certo!
- Não tem fim. Mas também não tem princípio, pois não mãe?
- Certíssimo.
- Os números também são infinitos... (a pensar em voz alta)
- Pois, tens razão.
- Então mãe... mas os números começam no zero!!

Bom. Aqui foi mais complicado. Explicar-lhe que existem números negativos... achei que não iria perceber. Ou eu não saberia como explicar. Então decidi aplicar a velha técnica do... Se não dormires logo não vamos ao parque!!

E a coisa ficou por ali.
Agora pergunto: é de esperar este tipo de raciocínios aos 5 anos de idade?
Ups.

Xiiiuuuuu....

Estou a trabalhar numa coisa TÃÃÃÕOOO gira!!!!
Está a ser um desafio muito engraçado!
Querem saber o que é?

Huuummmm.... ainda não posso dizer. 
Mas prometo que para a semana conto tudo. Tudo mesmo!!

Fica aqui uma pista. Xiiiuuu....



Bom dia. 

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Votar ou não votar? Eis a NÃO questão!

Em casa falamos de política à mesa. Na sala. No escritório. Por onde calha. Falamos de política como falamos das questões quotidianas familiares. Não nos importamos de explicar aos miúdos os assuntos do mundo dos adultos, sem qualquer tabu ou problemas de léxico. Tratamos as coisas pelos nomes e eles no seu limite possível de compreensão, tiram as suas ilacções sobre aquilo que ouvem.

É comum ver a mais velha interessada em ver o telejornal. E o mais novo, por arrasto, também. Fazendo perguntas à mana sobre quem é o bom e quem é o mau. Fazendo letras de músicas com os nomes que ouvem com frequência nos noticiários e, muito provavelmente, em resultado daquilo que nos ouvem conversar. E se, por um lado, acho que é cedo para eles dizerem o que acham que está bem e o que está mal, por outro fico feliz por se esforçarem por compreender o mundo que os rodeia e, assim, construírem as suas aprendizagens. À medida de cada um.

Lá em casa, não forçamos ninguém a nada. Não conduzimos opções, gostos ou opiniões. Um é do Sporting. Outro é do Benfica. Um adora laranjas. O outro detesta-as. E é mais ou menos isto que fazemos. Não se obriga ninguém a comer laranjas se a pessoa não gosta delas. Mas há uma coisa importante que não deixaremos que aconteça. Não deixaremos, jamais, que cresçam sem sentido de cidadania. Sem sentido de pátria, de direitos e de deveres. Jamais deixaremos que não intervenham nos seus futuros com as ferramentas que têm à sua disposição. Jamais deixaremos que deixem de ser cidadãos activos nas suas comunidades, com sentido de responsabilidade pelas suas acções, com sentido de respeito pelos outros e, sobretudo, por eles próprios. Agir, activamente, é mais que um direito. É um dever.

Votar é, sem dúvida, a via mais relevante e com mais efeitos directos sobre o futuro do país em que vivemos. Mas como para isso ainda é muito cedo, tentamos que comecem a trilhar esse caminho de cidadãos activos de outra forma. Ela, já participa em acções de voluntariado. Ele, acompanha no que pode. Sobretudo acompanha o pai que é presidente de um cube desportivo e envolve-se, naturalmente, nos assuntos que vê o pai resolver. Aplicando alguns dos palavrões técnicos de gestão que ouve nas reuniões a que assiste.

Votar ou não votar, não é uma questão para nós. 
Votar é um direito. Pelo qual lutámos, assim versa a história
Não votar, também é eleger. E é, sobretudo, negarmos um direito nosso de termos uma palavra na gestão do Estado. Essa grande entidade da qual somos nós, os cidadãos, os maiores accionistas. Enquanto isto não for entendido, será mais fácil gozar o dia na praia ou entrar em estágio às 9 da manhã por causa do jogo de futebol que irá acontecer à 9 da noite.

Nem queria acreditar...

Quando me cruzei na rua com uma estagiária que orientei aqui há uns anos. Chegou-me "às mãos" tão miudinha... oh meu Deus... E agora reencontrei-a. Grávida!! WTF?!? Mas ainda ontem era uma miúda!!!

Não consegui disfarçar o meu espanto. E, em conversa é que me dei conta. Foi minha estagiária há quase 10 anos! 10 anos??? O tempo não vale mesmo um caroço!! Ou isso... ou estou a ficar velha e não quero ver...

Carpooling, carsharing e carzinho(a)

São muitas as modalidades de partilha de carros que cada vez mais têm ganho espaço nos hábitos dos portugueses, a bem da sustentabilidade ambiental e da carteira de cada um de nós. Depois, ainda há a modalidade paizinho-e-mãezinha-motorista-disponível-para-ir-levar-e-ir-buscar-os-filhinhos-onde-querem-ou-precisam-de-ir. E que não sei bem onde se encaixa.

À medida que eles vão crescendo também as suas agendas começam a crescer. Muitos, muito eventos! Por isso pus um travão à coisa logo ao princípio (para não estranharem mais tarde). No entanto, eles são dois. E sempre que vão a algum lado, lá vou eu. Ou o pai. De chauffeur.

Ora bem, face ao exposto, criei a modalidade "Carzinho(a)" que é como quem diz: partilha do carro do paizinho ou da mãezinha dos amigos. E isto consiste no quê? Se os miúdos vão para a mesma escola, entram e saem à mesma hora, então bora lá ver qual o paizinho ou mãezinha que as leva e qual é que as trás. Se há aniversários de amigos em comum, igualmente. And so on.

Devo dizer que tem sido muito proveitoso. Poupa-nos umas viagens. Permite-nos uma alteração às rotinas, o que também é bom para a malta não se cansar. Evita a repetição desnecessária de percursos longos, como foi o caso do fim de semana passado, em que uma amiguinha que celebrou o seu aniversário perto do aeroporto e, ainda, contribui para a poupança do depósito de combustível.

Esta semana começou com mais um passageiro no meu carro. Eram três. Logo às 7.50 da manhã. Mas compensa. Mesmo! Os pais também aprendem a confiar nos outros pais. Desenvolvem relações interpessoais de ajuda e, em alguns caso, de amizade. Ao mesmo tempo que se vão mentalizando que os miúdos estão a crescer. E que há medida que crescem, começam a bater as asas do ninho. Para mal dos nossos pecados. E também falo por mim, obviamente... (snif...). mas como diria o meu marido: É da vida! É da vida...

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Postais de férias #7

 
Cascata "Véu da noiva"
Vista panorâmica a oeste da ilha
 
São Roque
São Miguel. Açores.
 
As memórias registadas de uma viagem de última hora.
Uma viagem que não foi planeada. (As melhores são assim...)
Uma viagem surpresa que deixou na minha querida leitora a vontade de regressar.
Mesmo tendo de enfrentar o seu medo ENORME de andar de avião.
Um paraíso na terra. Um cantinho do nosso Portugal.
 
Obrigado Maria José. Pela partilha.

A teoria da montra

(É minha, esta teoria. Sem me aperceber desenvolvi-a à medida que a vida foi decorrendo.)

Ouvimos muitas vezes dizer "segue o que te diz o coração", mas nem sempre conseguimos fazê-lo. Pois, na maioria das vezes, não conseguimos o silêncio necessário para fazermos esse exercício.

Resolvi "materializar" este conselho naquilo que designo por "Teoria da montra". Paaso a explicar. Sabem quando olhamos para uma montra e vemos dois manequins, cada um com uma camisola diferente? Pois bem, de imediato os nossos olhos batem numa das camisolas. Assim, de chapa! É a camisola perfeita! Mas acontece que não estamos sozinhos. A pessoa que está connosco comenta qualquer coisa como: Mas olha que a outra camisola também é muito gira... De facto, é... concluímos. A pessoa que está connosco tem razão. E decidimos entrar na loja para ver melhor.

O que é que muitas vezes acontece? Acontece que depois de vermos as duas camisolas nas mãos, de as compararmos e termos ouvido alguém dizer que a camisola do lado direito é bem gira e que nos fica muito bem, acabamos por trazê-la. Mas as pensar naquela que vimos inicialmente. A do lado esquerdo...

A vida continua... Mas não por muito tempo, pois não sossegaremos até voltarmos à loja. Quase certas de que a camisola do lado esquerdo já não está lá. Certas de que deveríamos ter comprado, logo à primeira, aquela em que bateram os nossos olhos.

Isto é ouvir o nosso coração. É optar por aquilo que sentimos que, por norma, é o melhor para nós. Isto é o que devemos fazer quando temos dúvidas sobre a tomada de qualquer decisão. Sob pena de virmos a arrependermo-nos. 

Lembrem-se da "Teoria da montra". Sigam o vosso coração. Ao pesarem os prós e os contras de uma decisão, nunca coloquem de parte aquilo que o coração vos diz. Sem saberem, isto já não é novidade para vós. Certamente já passaram por uma situação destas, como a da montra. Por isso, experimentem. Eu já o fiz. E desde o momento que comecei a pôr isto em prática, garanto-vos, as coisas têm corrido melhor.

domingo, 27 de setembro de 2015

Afinal, o que é ser-se sensato?

A pergunta aplica-se, também, a outras áreas. O que é ser-se bonito, o que é ser-se interessante, inspirador, e tudo o mais que leva a discussões sem fim.
 
Ser-se sensato. Poderei eu ser sensata aos olhos de alguém que tem um padrão de vida completamente diferente do meu? Poderá uma pessoa completamente a leste daquilo que eu penso, das minhas referências sociais, educacionais e culturais, dar-se ao luxo de me considerar ou não sensata? Poderei eu julgar alguém sobre a sua sensatez quando essa pessoa não viveu comigo, não partilhou o mesmo percurso que eu, não me diz nada do ponto de vista interpessoal?
 
Somos muito rápidos a fazer julgamentos. Somos os senhores da palavra e da razão. Argumentamos ao ponto de fazer chorar as pedras da calçada. E, assim, dando força à nossa voz, levamos connosco quem não se dá ao trabalho de pensar sobre as coisas.
 
Será a sensatez algo que pode ser definida sem termos tudo isto em conta?
Será a sensatez uma conta de equação fácil? Ou é certo que dela nada se pode dizer até que a coisa não se dê connosco?

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

40 e 15

Hoje é dia de festa entre o meu grupo de amigos.
Uma grande amiga, cuja gargalhada contagia quem passa, comemora 40 e 15 anos.
(Faz toda a diferença dizer a idade assim!)
E eu sinto-me feliz por ela.
 
Escrevo aqui nos blog para dizer-vos que adorava chegar à mesma idade assim, com aquele ar fresco. De quem acabou de se levantar. Com aquela garra de quem vive sobre o verbo "ir", que tristezas não pagam dívidas. Com um coração enorme. Mesmo depois de tantas desilusões que teve na vida, continua a acreditar que há pessoas boas. Que merecem a sua ajuda. O aconchego da sua mão. E do seu regaço.
 
Gosto do seu abraço.
Para mim é importante um abraço. E ela sabe dá-lo. Assim... desprendida... sem maneirismos. Com humildade pelo reconhecimento de cada um. Individualmente.
 
Gosto daquilo que aprendo com ela. E com a família dela.
De vê-la ser mãe. E de ouvi-la dizer que com a minha idade também fazia as mesmas coisas que eu faço com os filhos. Os mesmos princípios. Os mesmos alicerces.
 
Gosto imenso da sua voz rouca. Que nos sossega quando algo nos inquieta. Que vibra a cada conquista dos seus. Que se mantém firme quando o momento é mais sensível.
 
Gosto da maneira como trata os meus filhos.
Gosto da maneira como nos acolhe em sua casa. E da forma como consegue dizer as coisas sem magoar ninguém. (e isto... não é para todos)
 
Tem o coração na boca. E nas mãos, quando magoam os seus.
Tem um grupo de amigos imenso. Daqueles à séria. E tem um marido que a ama. Sem precisar de dizê-lo. Vê-se nos seus olhos quando fala dela.
 
Gosto dela.
Gosto dela e dos nossos amigos em comum.
E gosto de pensar que consigo retirar do seu saber de experiência feito, o melhor para mim. Para chegar aos 40 e 15 assim. Com uma história linda para contar.
 
- parabéns minha querida -

A factura do costume... diminuiu...

Este ano decidi esperar.
Comprar os manuais escolares logo que acaba a escola, de modo a prevenir tudo antes das férias grandes, é um hábito que tenho desde sempre. Penso que o herdei de casa dos meus pais. Já diz o ditado Casa de pais, escola de filhos. Mas este ano foi diferente.

Em Julho tive oportunidade de participar numa acção de recolha de manuais escolares no concelho de Cascais. Já sabia que iria ficar impressionada com os números, mas o resultado superou as minhas expectativas. De mais de 8000 livros recolhidos, apenas cerca de 600 foram reutilizados. Enfim... outros quinhentos...

Apesar de ter ficado tão mal impressionada, ainda assim decidi fazer o que já tinha pensado. Corri os bancos de manuais da minha zona. Bibliotecas públicas, sobretudo, e na primeira volta, 1 manual. Apenas um manual. Antes de irmos de férias, nova volta. Resultado: zero!! Zero manuais que pudessem ser reutilizados lá em casa.

Estive vai não vai para encomendar todos os outros... andei ali a moer. E se depois esgotam ou se não chegam a tempo... Mas contive-me. E quando regressei de férias, mais duas voltas. Resultado: mais dois manuais escolares. Impecáveis. Prontos a serem reutilizados. Reduzindo, bastante, a factura habitual a cada ano lectivo.

Ela ainda torceu o nariz... Apesar de estarem impecáveis por dentro, por fora estavam um bocado moídos. As capas desbotadas pelo mete e tira das mochilas. As lombadas todas moles, a anunciarem descolarem-se, e alguns tinham o nome, a turma e  a escola dos antigos donos.

Peguei em alguns washi tape que tinha em casa, tesoura, fita cola, etiquetas brancas, capas plásticas de protecção e pusemos mãos ao trabalho. Era vê-la feliz com a oportunidade de personalizar os seus livros. Coisa que a nunca tinha feito aos livros novos. Posso fazer o mesmo quando vierem os que compraste?? 

Acabou por ser divertido. Os amigos cobiçam-lhe o trabalho que fez. E ela percebeu as vantagens de ter livros reutilizados. A de ajudar os pais nos custos que têm, a de contribuir para a sustentabilidade ambiental, a de poder personalizá-los e a de fazer "inveja" aos colegas.

Fico feliz, sobretudo, pela mensagem que ela agarrou.

Os professores também foram impecáveis. Sobretudo a de inglês que pegou no manual dela e mostrou à turma a criatividade com que foi recuperado. Ficou toda inchaaaadaaa....

A semana de apresentação também serve para qualquer atraso na entrega dos manuais, caso façamos a encomenda já em Setembro. Foi mais ou menos o que se passou connosco. E, na verdade, acho que vale a pena esgotar todas as possibilidades. Pesquisar bancos, falar com os pais dos colegas, pôr os miúdos, eles mesmos, com essa responsabilidade de falarem com os colegas mais velhos. Uma forma de responsabilização para a sustentabilidade. Integrada.

E ficamos todos a ganhar.

Se a pesquisa não der em nada... paciência. Lá teremos de comprar tudo!!

E a história repete-se...

Andamos, de novo, numa roda viva.
Os miúdos ainda não estão em "modo" escola. Custa-lhes imenso levantar cedo. Eles que andam sempre com o cantar do galo, não estão a conseguir entrar no ritmo.

Depois é o vai levar um, vai buscar o outro. Ainda é preciso ir comprar material que os professores vão dando aos bocadinhos, à medida das apresentações. Não há sapatilhas pretas para os dois. Estão esgotadas! A natação sofreu um revés com o novo horário dela e andamos em negociações para alterar tudo. O que não está fácil!

O karaté, a catequese, a dança e a ginástica. Está tudo aí à porta.
Acho que os pais deviam receber tempo. Em troca deste investimento. Um banco de tempo que só poderia ser utilizado em prol de um descanso individual. Um recarregar de baterias a cada semana. Mas não. Os pais não têm direito a isso. Antes têm direito a serem pais 24h/dia. Todos os dias das suas vidas.

Não me queixo. Apenas constato. A história repete-se. 
A cada início de ano lectivo lá estamos todos a tentar acertar agulhas. Um dia vou eu aqui. Outro dia vai o pai ali. Depois as festas de aniversário (para as quais existem regras lá em casa). Os trabalhos de casa já começaram (ontem foi sobre os frutos do Outono) e os manuais escolares só chegaram ontem (sobre isto também irei escrever).

A história repete-se.
A cada ano. Tudo à última da hora. As reuniões, as turmas, os horários escolares que depois mexem com tudo o resto. Alguma ansiedade por causa dos novos professores e da nova educadora. Alguma expectativa.

A ver vamos. A ver vamos...

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Não é o trabalho que me satura

Se é que me faço entender...

Há dias em que não dá mais.
E aí saio porta fora, vou à rua, dou um berro e volto a subir as escadas.
Como nova.

Postais de férias #6



Praia do Barril.
 
Aquela do comboio. 
Aquela com umas esplanadas tão aprazíveis quanto os fins de dia na areia quente.
Aquela praia onde voltamos sempre. Todos os anos. Todos juntos.
Aquela praia que me viu grávida de uma linda menina.
Aquela praia que, agora, recebe de braços abertos essa pequena grande mulher.

A da foto.
Assim, de propósito.
Porque ela pediu.