terça-feira, 14 de abril de 2015

Baptizar ou não baptizar?

Este é um assunto sensível. Daqueles que não devem ser discutidos, pois depende das convicções de cada um. Todos têm uma opinião sobre o mesmo. Em função da sua própria experiência, claro. Mas ninguém consegue ficar indiferente ao assunto.

Foi no fim de semana, à volta da mesa, que mais uma vez este assunto veio à baila. Um dos nossos amigos, que vai baptizar a filha este Verão, disse que por ele não a baptizava e que estava, apenas, a ceder à vontade da sua mulher. Ora bem, acendeu-se o rastilho!!

Discutiu-se (no bom sentido) sobre religião e sobre padres. Sobre quem realmente praticava a sua fé, sobre o que é ter fé e de que forma cada um manifesta a sua. E discutiu-se, também, sobre se o baptismo deve ser uma escolha da criança. Alguns afirmaram mesmo que sim! Deve ser a criança a escolher! Outros defenderam que não.

Eu? Eu baptizei os meus filhos. Também sou baptizada, tal como o meu marido. E essa questão nunca foi uma questão na nossa família. Mas penso da seguinte forma:

Se ser baptizado deve ficar ao critério das crianças, para quando crescer, porque motivo não deixam os pais que outros assuntos fiquem, também, ao critério das crianças? Quais? O clube de futebol. A escola que frequentam. A tendência política. E por aí fora.

Porque vestem as crianças, por vezes ainda bebés, dos pés à cabeça com uniformes futebolísticos que custam os olhos da cara? Então isso não é incutir-lhes desde cedo um gosto e um caminho que eles poderiam vir a escolher mais tarde? E quando em campanhas políticas se vêem crianças de bandeiras nas mãos ou em manifestações a gritarem frases que não percebem, só porque vêem os pais fazer o mesmo?

Fazemos a escolha da escola que frequentam. Da roupa que vestem. E, em alguns casos, dos amigos que têm. Escolhemos tudo. Fazemos todas as escolhas por eles, convictos que de estamos a fazer o melhor por eles, certo? Então porque é que quando os pais não se entendem sobre este assunto resolvem adoptar uma medida que considero ser um modismo para resolver aquilo que eles próprios não conseguem ou não querem resolver? Porquê? Porque estão divorciados e usam essa decisão como braço de ferro. Porque isso daria muito trabalho. Ora agora, juntar as famílias...

Porque não são casados e, já agora, vamos continuar na mesma linha e um dia a criança logo vê o que quer fazer. Mas que o faça por si. Ou porque pura e simplesmente não há dinheiro para festas. Mas meus amigos, o baptismo é um sacramento. Não é um Carnaval! Ou então, porque dá trabalho. Dá uma trabalheira tratar de papéis e escolher padrinhos. Ah, esta é outra! Os padrinhos. Quantos casais não se entendem sobre isso? A tua irmã é uma tonta, não a quero como madrinha ou o teu irmão é um desvairado ou jamais eu aceitarei os que tu queres, etc, etc. 

Como resolver? Simples, varrer para debaixo do tapete! A criança, quando for adulta, que resolva! E que não dê muito trabalho, de preferência, que a malta não gosta de se cansar.

Acho que há uma mistura de coisas quanto a este assunto. No nosso tempo de crianças, no tempo em que não havia dinheiro para nada (sim, que agora há dinheiro para tudo), os nossos pais e os nossos avós baptizaram os seus filhos. Poucos são os casos em que isso não aconteceu. E sem festas! Sem grandes festas! Porque o baptismo não é isso. É uma festa, sim, mas religiosa. O primeiro sacramento da fé. 

Ora se ouvimos TANTAS vezes, mas TANTAS vezes as pessoas dizerem eu tenho a minha fé, não preciso de ir à igreja, então porque não entendem este primeiro sacramento como uma iniciação a esse caminho de fé? Seja ele qual for. Um caminho de fé. Porque ter fé não é ir à igreja. Ter fé não é seguir aquilo que diz o padre A ou B. Ter fé não é seguir uma cartilha. 

Todos temos fé em nós próprios, para começar, certo? Fé nos nossos actos, nas nossas escolhas, nos nossos caminhos. E se temos fé em nós, nas pessoas que estão connosco e nos nossos filhos, SOBRETUDO temos fé nos nossos filhos, porque motivo não iniciá-los nesse caminho quando fazemos TODAS as outras escolhas por eles também com fé? 

Só uma opinião. Pois há assuntos que não se discutem. :)

7 comentários:

  1. É isso mesmo! Os pais têm a obrigação de indicar o caminho a seguir. O melhor caminho. Este texto está muito bom e muito claro. Bem haja.

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    1. Seja qual for o caminho que os pais indicam, tenho a certeza que o fazem com fé. Com fé seja naquilo que for. Mas com fé.
      Beijinho.

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  2. Nao gosto de bola e nem acredito em deus. Nao posso batizar tendo esta permissa. De resto nao acho que comparar batizar com escolher roupa ou escola seja o mais acertado

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    1. Cat, obrigado pelo seu comentário.
      Não falei em nenhum Deus, mas sim em fé. A fé pode ser tudo o que cada um tem em si. Não necessariamente acreditar em Deus. E quanto às escolhas são os pais que as fazem. Em todos os sentidos, certo?
      Obrigado e beijinho.

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  3. Respostas
    1. Obrigado Bernardo. É um privilégio saber que leste e gostaste do meu texto.
      Beijinho.

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  4. Ainda não sou mãe, mas sei que os pais fazem, mesmo sem querer escolhas que afetam os filhos e isso começa logo desde que eles são criados, ao longo da gravidez, primeiros dias, meses, anos dos pequenitos, porque os pais servem para isso: educar e proteger.
    Em relação ao batismo, os meus fizeram exatamente aquilo que eu acho ser o melhor procedimento: fui batizada com 6 anos, no mesmo dia que a minha irmã de 8, na altura. Lembro-me bem do dia e também de lembro de escolher os meus padrinhos dentro das sugestões que me foram apresentadas. Podia ainda não perceber muito da vida ou de fé, mas sei que não fiz nada contrariada.

    Gostei de ler. E prometo ficar por aqui, por hoje ;)

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