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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Cuidado com as promessas que fazem às crianças

Este post deve-se a alguém que fez uma promessa ao meu filho. Não é que não saiba que vai cumprir o prometido, nada disso! Mas serviu-me de inspiração para os adultos mais incautos ou inexperientes que, muitas vezes, em desespero de causa, fazem promessas às crianças. Ou para calá-las ou para que lhes desamparem a loja ou, também, apenas porque gostam delas.

No entanto, fazer uma promessa a uma criança é pior que prometer a uma mulher uma viagem de sonho. Acreditem! É mesmo! Por muito persistentes que as mulheres consigam ser, sempre têm o discernimento de perceber que nem todas as promessas são para cumprir. Agora uma criança... ui!! Não entende! Não entende mesmo!

Esta cena passou-se no fim de semana e ontem já estava ele em pulgas a querer ligar para saber da disponibilidade do "prometedor" para cumprir a sua palavra.

Os olhos dele brilhavam ao telefone.

Sério que vais comprar?
Assim a minha mãe já não compra!
E quando é que vens cá?

E depois ao deitar:
Mãe, achas que podemos fazer o Natal no sábado que vem?

As artimanhas que eles arranjam para falar no assunto são completamente inesperadas. Dão a volta à coisa com uma pinta!!! Por isso, quem nunca fez uma promessa a uma criança e for corajoso o suficiente para fazê-la, prepare-se para cumpri-la o mais depressa possível ou arrisca-se a chegar a um ponto de sufoco com o cerco que elas próprias, quais seres indefesos, conseguem montar.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Alguém tem?



Precisamos desesperadamente de uma grua. Todas as manhãs é um 31 para tirar o mais pequeno da cama. Nem com promessas de um dia cheio de coisas que ele gosta de fazer ou do melhor pequeno almoço de todos. Tento eu, tenta a mana e tenta o pai. Em vão.

Se tivéssemos uma grua, automatizada, programá-la-ia para a determinada hora iniciar a sua função de tirar da cama aquela coisa mais fofa (quando está a dormir) que pesa horrores quando não colabora.

Alguém tem uma ? Ou sabe onde posso adquirir?

Bom dia.

domingo, 24 de maio de 2015

A culpa é do acordo...

Estava eu doida, mas doida, por repetir mais de vinte vezes a mesma frase para eles. E o que que é que eles fizeram? Nada!! Nada!! Levantei-me, passei-me, pu-los a marchar e ficaram de castigo.
 
Depois, com o meu marido:
- Eles não percebem!! Eles não percebem!! Tu não vês? Uma pessoa diz para a direita e eles vão para a esquerda! Uma pessoa diz para a esquerda e eles vão para a direita!! É de loucos!!
 
Senhor meu marido, com uma grande calma, responde-me:
- Mas eu já sei porque é que eles não nos percebem. É que nós falamos no português antigo e eles só compreendem se falarmos com o novo acordo ortográfico...
 
Really?!? Se eu estava possessa imaginam como é que fiquei...

quinta-feira, 26 de março de 2015

Reunião + orador = Bafo de bode

Lembram-se deste nome de um personagem de uma telenovela brasileira? Era miúda quando isso passou na RTP1, claro! Que naquele tempo só tínhamos dois canais. E então Senhor Bafo de Bode ficou para sempre na minha memória e na dos meus colegas do 7.º/8.º ano (não me lembro bem), a propósito de um professor de francês que tivemos.
 
E porquê Bafo de Bode? Além da espactacular capacidade dos brasileiros darem nomes divertidos aos seus personagens novelísticos, ainda têm a capacidade desses mesmos nomes traduzirem e carcaterizarem cada uma delas. Neste caso, tratava-se de um mendigo constantemente bêbado. Que ninguém aturava. Sobretudo porque tudo o que dizia era muito assertivo. Um homem que vivia na rua e que tudo observava sempre com a frase certa sobre cada habitante da vila. Mesmo que fosse uma frase incómoda...
 
No caso do meu professor de francês apenas se aplicava a parte do bafo. De vinho. Era certo e sabido que nas aulas que tivessem lugar depois de almoço seriamos brindados por um odor vinícola ingerido por um professor frustado que pregava por uma língua morta que ninguém queria/quer aprender.

A somar ao bafo, o bigode. Farfalhudo. Enorme. Que lhe tapava a boca. Que servia de rede às migalhas de pão e outras que não conseguia identificar.

Não me lembro do nome do meu professor. Lembro-me, apenas e só, do bafo. E num destes dias, numa reunião, as memórias que tinha tão guardadas desses tempos de pura parvoíce, que nos caracterizam quando andamos no 7.º ou 8.º ano, vieram ao de cima. Porque um dos senhores presentes na reunião, que ainda por cima foi à noite, cheirava a Bafo de bode!!!

Cheirava a professor de francês. Taaal-eee-quaaal!!

Tive alguma dificuldade em concentrar-me. Em ouvir com atenção o que o senhor me dizia, sobretudo porque estava mesmo ao meu lado. E fazia questão de se virar para mim a falar. Tive dificuldade em afastar dos pensamentos os meus colegas que deram o nome ao professor de francês. As brincadeiras nas salas de aula. As tropelias.

Tive dificuldade. E quase que perguntei ao tal senhor da reunião se tinha visto a telenovela do Bafo de Bode. Mas contive-me. Portei-me bem. E serviu para isto. Para lembrar-me de um professor de francês que nunca mais vi na vida. E que ficou na minha memória pelos piores motivos. :)

sábado, 21 de março de 2015

E quando eles perguntam...

... Onde é que vamos agora?
 
Depois de andarmos um dia inteiro de um lado para o outro.
Depois de saírem da escola e saberem que vamos para casa.
Depois da natação, de serem quase 8 da noite e de no dia seguinte terem aulas.
Depois de uma festa de anos.
Depois de estarem em casa de alguém.
Depois da praia.
Depois do campo.
 
Depois de qualquer coisa.
Querem tudo. Sempre. A toda a hora.
Querem sempre ir a mais qualquer lado.
 
E nós de rastos. E eles que nunca se cansam.
(Mas pronto... Eu também era assim...)

quinta-feira, 12 de março de 2015

5 anos de ti

 
Aqui estamos nós. Num daqueles momentos em que me pediste que te tirasse uma fotografia com o meu telemóvel. Mas desta vez troquei-te as voltas. E puxei-te para mim. Para que tirasses uma fotografia comigo. Não pudeste deixar de fazer traquinices. Tu. Tal como tu e só tu és. Tal como tu e só tu sabes fazer.
 
Passaste um ano INTEIRO a falar deste dia. Desde a festa de anos do ano passado. Passaste um ano a desejar fazer anos de novo. E eu a desejar que o tempo parasse. Não sabes como ele foge. E como com ele... foges-me tu. Não sabes o que é isso. Apenas que terás um bolo, velas para soprar, família e amigos, presentes e festa. Porque é isso e só isso que importa. Quando se tem 5 anos.
 
Chegou o dia. É hoje o dia. Das lembranças do teu nascimento. Das lembranças da descoberta do estado de esperanças. Da mana pequenina, com a tua idade. Do pai com um nervoso miudinho. De mim. Que só me ria. Chegou o dia. Do teu aniversário.
 
Desconfio que dormiste com um olho aberto e outro fechado. Com uma perna já fora da cama para que não perdesses tempo a levantar-te e, também, para que fosses o primeiro. Desconfio que andaste nervoso nestes últimos dias por causa disso. A contar as noites que faltavam dormir para o dia de hoje. Desconfio que, por isso, ganhaste consciência do tempo. E desconfio, também, que estás a crescer de mansinho. Sem me dizeres nada.
 
Já não tenho bebés. Daqueles pequeninos cujos pés mordiscamos sem parar. Daqueles enrugados que sossegam no meu regaço e com a minha voz. Daqueles bebés que precisam de mim para tudo. Já não os tenho.
 
Tenho-te bebé e à mana, no meu coração. Desconfio que será assim para sempre. Mas a cada dia somado às nossas vidas, é menos um dia da vossa vida na minha. Dependente da minha. E isso assusta-me. Porque anda ontem estava eu assim. Com 5 anos. Com os teus avós. E hoje passo dias sem vê-los.
 
Pari-te numa 6ª feira. Às 18h14 minutos. Há cinco anos atrás. E parece que foi ontem.

terça-feira, 10 de março de 2015

E quando eles perguntam...

... O que é o jantar?

Fico louca!! Mas é que sinto uns calooores!! Detesto esta intromissão na minha cozinha. Na minha decisão. Na minha solitária, diária e árdua tarefa que depois é desdenhada por quem não faz a mínima ideia do que custa ter de pensar em jantares, no que é que um gosta e o outro desgosta, se dá para o almoço do dia seguinte, se temos em casa tudo o que precisamos e se engorda!! Fico possessa quando fazem uma cara feia depois de me apanharem distraída e espreitarem o que está nos tachos. Louca!!
 
Aprendi com a minha avó a responder:
- Garofos! O jantar são garofos!!
 
E hoje já nem me ligam quando ouvem isto.
 
Um destes dias o pai entrou em casa e ela:
- Pai, o que são gafonhos? (nem conseguiu fixar)
- O quê?!?
- Gafonhos!! A mãe diz que o jantar são gafonhos!!
- Então, são restos de ontem!
- Nãããoo!! Isso é redom!
- Então não sei!!
 
E eu deixei-os sem resposta.
 
A minha avó também devia detestar esta pergunta. Dava-me sempre a mesma resposta. E num belo dia em que tentei armar-me em esperta decidi esperar para ver o que era o jantar e fixar que "garofos" era o que estava no prato.
 
Vieram ervilhas com ovos escalfados e durante muito tempo acreditei que isso é que eram os famosos "garofos". Termo que nunca ouvi a mais ninguém.
 
Decidi pesquisar sobre o assunto e perceber se existe a palavra. E não é que existe mesmo?!? Garofos é "comida imaginária". Imaginem. Acho que a minha avó respondia sem saber o que é que estava a dizer. Ou talvez não. Que os mais antigos acertavam em muita coisa.
 
Quando me perguntam o que é o jantar, fico louca!! Mas lembro-me sempre da minha avó. E espero um dia vir a responder o mesmo aos meus netos. Mas mais tolerante às invasões à minha cozinha. Que as avós são as pessoas mais tolerantes do mundo! E as mais sábias, também! ;)

segunda-feira, 9 de março de 2015

Um ano depois

Falei-vos aqui da dupla maravilha que são a minha amiga Zélia e a sua cunhada Telma no que toca a organizar festas de aniversário. Este ano, e um ano depois do tema Lego, repetiram o brilharete. Thomas e os seus amigos deram o mote para uma viagem que começou com um convite inspirado num bilhete de comboio e com paragem em todas as estações e apeadeiros.
 
Os detalhes, claro, fizeram a diferença. E a boa disposição de todos os convivas, a decoração do spot e a graça do aniversariante, fieram o resto.
 
Obrigado pelo convite.
Para o ano há mais!
 
A começar pela colorida baixela já dá para ver como estava tudo lindo!

  
Pormenores da decoração nas paredes 

Para este efeito basta imprimir as imagens e colar nuns palitos!

Vista "de cima"! :)

As flores do IKEA deram um ar primaveril à mesa!

Reparem que a parede de fundo é um espelho. Aumentou o espaço e fez um efeito muito giro com tanta cor!

Aqui outro pormenor: os troncos a fazerem altura!

Se virem com atenção o bolo é, apenas e só, um manto de pasta de açúcar verde. A decoração foi toda feita por elas.
E sem gastar rios de dinheiro! ;)

Os balões dos Santos Populares ficam sempre bem!

Os cones das pipocas foram um sucesso.
 Agora é aproveitar as dicas. Sobretudo se os vossos filhos gostam do Thomas! ;)

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Flash's

De vez em quando tenho flash's de situações que vivi. Nos últimos dias tem sido sobre o homem aranha. Esse ser da ficção e criatividade literária que tem dominado, ultimamente, o discurso do mais novo.
 
Vem-me à cabeça com frequência o momento da noite de Natal em que ele abriu o presente do homem-aranha em cima de uma mota. A alegria foi tão grande que, meio tímido, meio envergonhado, meio sem jeito, tapou os olhos e disse:
 
- Obrigado mãe... acho que vou chorar...
 
Ficou tão emocionado. E eu também. Pela genuidade.
 
Pequenos nadas. Grandes alegrias.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Vou ter férias?!?

Não estava programado. Talvez destinado.
Não tinha pensado no assunto, nem um bocadinho. Não estava, mesmo, nada à espera de ter férias. E eis senão quando me apercebo que ainda me restavam dois dias por gozar que, juntamente com os feriados e as tolerâncias, irão dar-me uns diazinhos de descanso. E como foi inesperado... tem mais sabor assim.
 
Rapidamente fiz contas de cabeça. Os miúdos não têm aulas... o marido ainda tem uns dias... vamos lá ver o que é que isto dá... e toca a programar coisas giras para fazer. (coisa que já fiz e irei partilhando por aqui convosco)
 
Para começar? Talvez por aqui? Quem alinha? :)

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Observações... dela...

Isto de passar muitas horas por dia acompanhada da minha filha, faz com que grande parte das minha tarefas diárias contem não só com a sua presença, mas com insistentes porquês e dúvidas e considerações e observações dela. Às vezes pertinentes. Outras vezes, tontas. Outras, com piada. E, também, completamente típicas de pré-adolescentes com risinhos e verdadeiros sinais do armário que está prestes a fechar-se.
 
Estávamos na Natura e ela:
 
- Gostas deste?
- Nem por isso...
- E deste?
- Gosto, mas não é isso que a mãe quer...
- E isto? (a apontar para um micado ambientador)
- Pois... isso não dá para vestir...
 
Riiiuuu-se... riiuuuu-se....
 
- Ó mãe! Vamos embora!!
- Espera. Ainda não vi o que queria.
- Mas mãe! Esta loja é para mulheres, como é que eu hei-de dizer... assim com um espírito mais livre... (e riiuuu-se... riiuuu-se...)
 
Olhei para ela, meia atordoada, meia espantada, meia sem saber o que dizer. E fiquei a pensar nisso. Seja o que for para ela um "espírito livre" e apesar dos seus risinhos por tudo e por nada, acho que conseguiu definir o objectivo desta marca.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Disparates. Dela...

A chegar a casa.
Eu: Estou cheia de azia...
Ela: Vai fazer cocó!
 
Eu percebo-a. Pois com a sua idade não distinguia esses palavrões que os adultos diziam. Azia, agoniado, enfastiado, enfartado. Sabia lá o que era isso. Mas nunca disse a ninguém para ir fazer cocó. :)

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O meu filho e o Pai Natal

Conversávamos sobre o Natal e ele dizia-me:
 
- Tu podes dar-me isto, a avó aquilo, a tia o outro...
- Eu? Mas não sou eu que te dou presentes. É o Pai Natal!
- Ai não, não, mãe! O Pai Natal não existe!!
Ups...
- Não existe? - perguntei-lhe.
- Não! Nós não sabemos nada do Pai Natal. Ele só existe na nossa cabeça.
- Mas quem é que te disse isso?!?
- Ninguém! Saiu do meu cérebro!
 
E eu que instruí a mais velha para não falar sobre isso e deixá-lo acreditar.
E depois ele dá-me a mais simples das explicações.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Outra pérola do mais novo

Recebi um recado da escola dele sobre os cuidados necessários para evitar e eliminar piolhos. Senhor meu filho, sempre muito atento a todos os assuntos, vira-se para mim:
 
- O meu amigo X tem piolhos, mãe!
- Como é que tu sabes?
- Porque ele coçou a cabeça!
- Mas isso não quer dizer que tenha piolhos!
- Ai tem sim, mãe! Eu vi-os a subirem pelos ténis dele!!
 
E pronto. É isto!
Senhor meu filho tem sempre uma explicação para tudo! :)

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

As crianças não são adultos

Por isso não devemos ter algumas conversas à frente delas. Não entendem o que dizemos e, ao  esforçarem-se para isso, pode dar-se o caso de "crescerem" antes do tempo. Utilizando uma linguagem que desconhecem e da qual se apoderam como grandes entendedores.
 
As crianças não são adultos.
Por isso a eles o que lhes é devido na sua conta, peso e medida. Os ambientes que vivemos, os ambientes de adultos, nem sempre são os adequados para eles. Não podemos querer que nos acompanehm para todo o lado. Temos de fazer cedências. E, por vezes, dizer não. Aos outros adultos.
 
As crianças não são adultos.
Por isso não devem ver tudo o que dá na televisão. Começando pelos telejornais que lhes oferecem de bandeja temas intrigantes e de faca e alguidar. Que lhes alimentam medos e incertezas. E que os convidam a fazer filmes nas suas cabeças.
 
As crianças não são adultos.
Por isso devem vestir-se como tal. Sendo crianças, enquanto podem, até na roupa. Sem pressa de crescer. Por isso devem calçar-se como tal. E deixar as roupas e acessórios de adultos para quando lá chegarem.
 
As crianças não são adultos.
Por isso não podem fazer o que lhes dá na real gana. Não podem virar costas, nem sair porta fora. Devem pedir licença, pedir desculpa e dar um beijo ao levantar e outro ao deitar. Devem respeitar os pais e não sentirem que podem desafiá-los.
 
As crianças não são adultos.
Por isso devem ter horas para comer, para brincar, para trabalhar, para descansar. Devem comer à mesa, acompanhadas da família. E devem comer sopa todos os dias.
 
As crianças não são adultos.
Por isso, devemos falar-lhes como tal. Com paciência, para que nos entendam. Com paciência, para que nos consigamos fazer entender. Com espaço para a aprendizagem. Dentro dos seus mundos. Aqueles que conhecem.
 
As crianças não são adultos.
Por isso, não devemos arrastá-los connosco nos nossos hábitos. Eles aprendem com os exemplos. E nós devemos ser os primeiros a dar o exemplo.
 
As crianças não são adultos.
Serão, isso sim, os adultos de amanhã. São as sementes daquilo que plantarmos. Os herdeiros do mundo que deixarmos. Os alvos do nosso amor, desamor, impaciência, displicência. São aquilo que quisermos. Mas o que quisermos deverá ser sempre o melhor do mundo. Tal como elas são para nós. O melhor do mundo.

 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Já me tinham dito...

... mas eu não queria acreditar...
Não me lembro de ter passado por esta fase quando era miúda. Mas as pessoas que conheço com filhos mais velhos que os meus, já me tinham alertado. É, no mínimo, incompreensível. E, pelos vistos, já chegou cá a casa...
 
É um 31 para ela tomar banho! Não quer! É sempre um desatino. Se já sabe que vou mandá-la para a banheira, porque é que não vai logo? Evitando que me aborreça com ela e antecipando essa hora fatídica em que mede forças comigo e acaba por perder. Além de que ainda não percebeu que as coisas que nos chateiam devem ser feitas em primeiro lugar para, depois, gozarmos o prato descansados da vida.
 
Hoje deixei-a andar para ver até onde ia. E, ela, nada!! Para a frente e para trás, jantar quase na mesa e... nada...
Eu: Não estás a pensar tomar banho?
Ele: Hã?!? Tomei ontem e vou tomar amanhã...
Eu: E?
Ela: Hoje não preciso...
Eu: Ok. Então hoje não jantas!
Ela: O quê? Porquê?
Eu: Porque jantaste ontem e vais jantar amanhã.
Ela: Não é a mesma coisa!!!
Eu: Para mim é. Todos para a mesa!! - Chamei. - Menos tu! - Disse-lhe.
 
Estava na cozinha a ouvi o esquentador. Era ela. A tomar banho e, em menos de nada, estava à mesa connosco.  Sim, que banho ela não quer, mas sair da banheira também é uma tarefa árdua...
 
Mais uma vez perdeu a batalha.
Até quando esta fase?

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O que ele anda a pedir


Uma casa na árvore.
Volta e meia lá me fala da casa. Como se pudesse ir ao IKEA comprar uma e montar numa árvore qualquer. Sim, porque para ter uma destas casas convém ter uma árvore. E nós não temos. Está a escapar-lhe essa parte.
 
- Para que queres uma casa na árvore?
- Para construir um forte!!
- Um forte?
- Sim! Para mim e para os meus amigos!!
- Ai é?!? Então e eu não posso ir lá?
- Podes... levar o lanche...
 
Tem a esperança de receber uma pelo Natal. E eu já lhe expliquei que o Pai Natal não pode com a casa às costas. Põe no trenó! diz-me ele. Descomplicando.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O meu filho diz que vou morrer

Ontem cheguei a casa e enfiei-me na banheira. Já passava das 20.00 e, além de estar gelada, tínhamos estado a comer castanhas, pelo que ninguém quis jantar. Mas o João Pestana andava a ameaçar desde as 6 da tarde e foi exactamente durante a hora do MEU banho que ele atacou em força.
 
À porta da casa de banho o mais pequeno começou num berreiro daqueles. E porque também queria tomar banho. E porque eu fui sozinha para a banheira. E porque não o levei. E porque não interessava nada ele já ter tomado banho. E rebebéu pardais ao ninho. Prometi-lhe que quando saísse deixava-o deitar-se comigo, na minha cama, às escondidas do pai e da mana. Só para que se sentisse especialmente mimado.
 
Assim foi. Deitámo-nos. Não me deixou apagar a luz da mesa de cabeceira. Abraçou-me, pôs uma perna por cima de mim e deu-me beijinhos prolongados. O corpo a reclamar e a celebrar a minha presença.
 
- Mãe, eu vou querer viver para sempre contigo
- Está bem amor. Podes ficar cá para sempre.
- Mas depois, quando eu crescer, tu vais morrer.
Ups! Não estava à espera...
- Vou?!?
- Vais mãe. E eu vou ter saudades tuas.
E, nisto, abraça-me ainda com mais força e começa a chorar. Desalmadamente.
- Filho, calma! A mãe não vai morrer!
- Vais sim, mãe! Há muitos cemitérios vazios.
A conclusão a que chegou. A explicação que me deu. A verdade absoluta sobre a morte.
 
Consegui acalmá-lo. Consegui que percebesse que isso da mãe morrer é qualquer coisa que ainda está muito longe de acontecer. Consegui que me lesse o pensamento quando lhe perguntei onde é que eu viverei para sempre. Respondeu-me no meu coração. Mas a conversa terminou com a sua última palavra. Eu sei que tu vais morrer.
 
Sei que por estes dias ainda poderá voltar ao assunto, mas também sei que se irá esquecer. Sei que esta é uma fase própria da idade, a curiosidade sobre a morte, mas também percebi que ele já tem respostas. Certezas absolutas. E poucas dúvidas. Tem a certeza de que eu vou morrer. Sei que não vai ler este blog tão depressa, mas se eu não morrer antes farei questão de mostra-lhe o que me disse um dia. Sobre a minha morte. Sobre os cemitérios vazios.
 
As crianças surpreendem-nos com as suas respostas. Esta minha criança surpreendeu-me com a sua inocente e tão verdadeira certeza. E conhecimento sobre a vida. Porque um dia morrerei, morreremos todos. Mas Deus me livre e guarde para morrer antes dele. É só isso que me assusta.

domingo, 9 de novembro de 2014

Coisas que encanitam os miúdos...

Ou melhor, a mais velha. Ela que gosta, acompanha e comenta as notícias. Ela que não fica satisfeita com um Porque sim!, mas que procura sempre pelo que lhe faça sentido. Ela que é uma curiosa nata e gosta de ir mais longe sobre as questões que desconhece. Ela que andou preocupada com o Ébola. Ela que agora anda preocupada com a Legionella.
 
Isto de tê-los a fazerem perguntas para as quais nós próprios não temos respostas é deveras complicado. E faz-nos sentir impotentes. E numa situação destas que está a acontecer mesmo aqui ao lado, para quem não tem noção dos limites, das distâncias, da forma como as doenças se disseminam ou, sequer, sobre o que significa foco neste contexto, ouvimos as coisas mais inesperadas...
 
Se calhar é melhor não ir à piscina esta semana.
Tenho sede. Posso beber leite?
Estou a ficar preocupada...
Será melhor pôr uma máscara quando for tomar banho?
 
E andamos nisto.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Complexo de Édipo. Ao rubro.

Quem o diz é a psicanálise, ou melhor, quem o disse foi Freud. Que as crianças desenvolvem sentimentos de atracção pelos progenitores. Os meninos pelas mães e as meninas, claro está, pelos pais. Mas eu tive uma filha, em primeiro lugar. E senti na pele essa coisa que se chama Complexo de Édipo no sentido inverso. A determinada altura, pelos 4-5 anos, deixei de existir para ela. O pai era o seu mundo. O seu amor. E a mãe, a sua rival. Senti, MESMO, na pele. Esse desprezo. Esse desamor. Senti-me uma empata.
 
Em surdina dizia ao meu marido que a única compensação que eu tinha era saber que um dia ela iria voltar para mim. Mas ele ria-se. E sentia-se INCHAAAADO!! Divertido com a situação. E não percebeu como aquilo me magoava. À séria.
 
Agora já começo a tê-la mais. A senti-la mais. Já me pede abraços e dá-me beijinhos. O que eu digo é importante para ela. E demonstra isso mesmo que eu estava à espera. Não sei o que me está reservado quando chegar à idade da adolescência, mas agora está bom assim.
 
Agora ele.
Só me vê a mim. Ui, que a minha mãezinha é linda. A minha mamã é a melhor do mundo. E toma lá um beijinho na mão. E vai dali vira-se para me beijar onde calha. Como só me chega ao rabo, às vezes é mesmo aí que me beija. E aperta-me. Quando me chega a outra parte do corpo, aí vai alho. És tão querida...A seguir ao banho é a loucura. Quero limpá-lo e vesti-lo, por isso, ponho-o em cima da cama. Fica à minha altura. E a paixão vem ao de cima. Mamãzinha... Mas o rapaz não se coíbe de demonstrar os seus sentimentos. Ele é na rua, é no carro, é a caminho da escola, é no supermercado. Não vão acreditar, mas estou a escrever aqui e ele veio dar-me um beijinho na mão. :)
 
Diz que quando crescer quer casar comigo. E é aqui que a porca torce  rabo. Pois eu sei que não irá casar comigo. Irá casar com outra pessoa qualquer. E eu não sei o que irá calhar-nos na rifa. Mas sei que deixarei de ser o seu amor, conforme me vê hoje. E terei muitas saudades destes momentos. 
 
Agora é o pai o lesado. Está ao colo dele e diz Eu adoro-te, mamã. Como quem diz, não fiques triste que eu estou aqui, mas de olho em ti. O pai percebe esta coisa inexplicável. Que apenas sentimos. E tenta convencer-se dizendo Eu sei que um dia ele virá para mim! :)