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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Postais de férias #9


Parque das Nações.

Quem é que não tem uma foto igual a esta?
Só quem nunca foi lá.

Aqui, no dia em que revisitámos o Pavilhão do Conhecimento.
Porque eles crescem. E esquecem-se.
E à medida que crescem ganham novos entendimentos sobre as coisas.

Foi giro vê-lo tão interessado em tudo. A querer perceber o que estava a ver.
Foi tão giro ver que ela não herdou as minhas vertigens. 
E fez o percurso na bicicleta suspensa. Como se não fosse nada de especial.

O registo de mais um dia em família.
Para mais tarde recordar.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Postais de férias #8


Cabanas de Tavira.
 
Um postal de verão tirado às 7.30 da manhã.
Na melhor hora do dia para se dar um mergulho sem ter de tirar medidas.
Na melhor hora do dia para, ao mergulhar, pôr as ideias em ordem.
Porque estar de férias também é isso.
Arrumar as ideias. Fazer balanços.
Projectar. Acreditar que o ano seguinte será melhor.
Nem que esse pensamento dure os segundos que duram um mergulho.
Onde ninguém nos ouve. Ninguém nos vê.
Onde recarrego baterias para os longos dias de Verão.
Em família. 

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

E a história repete-se...

Andamos, de novo, numa roda viva.
Os miúdos ainda não estão em "modo" escola. Custa-lhes imenso levantar cedo. Eles que andam sempre com o cantar do galo, não estão a conseguir entrar no ritmo.

Depois é o vai levar um, vai buscar o outro. Ainda é preciso ir comprar material que os professores vão dando aos bocadinhos, à medida das apresentações. Não há sapatilhas pretas para os dois. Estão esgotadas! A natação sofreu um revés com o novo horário dela e andamos em negociações para alterar tudo. O que não está fácil!

O karaté, a catequese, a dança e a ginástica. Está tudo aí à porta.
Acho que os pais deviam receber tempo. Em troca deste investimento. Um banco de tempo que só poderia ser utilizado em prol de um descanso individual. Um recarregar de baterias a cada semana. Mas não. Os pais não têm direito a isso. Antes têm direito a serem pais 24h/dia. Todos os dias das suas vidas.

Não me queixo. Apenas constato. A história repete-se. 
A cada início de ano lectivo lá estamos todos a tentar acertar agulhas. Um dia vou eu aqui. Outro dia vai o pai ali. Depois as festas de aniversário (para as quais existem regras lá em casa). Os trabalhos de casa já começaram (ontem foi sobre os frutos do Outono) e os manuais escolares só chegaram ontem (sobre isto também irei escrever).

A história repete-se.
A cada ano. Tudo à última da hora. As reuniões, as turmas, os horários escolares que depois mexem com tudo o resto. Alguma ansiedade por causa dos novos professores e da nova educadora. Alguma expectativa.

A ver vamos. A ver vamos...

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Postais de férias #6



Praia do Barril.
 
Aquela do comboio. 
Aquela com umas esplanadas tão aprazíveis quanto os fins de dia na areia quente.
Aquela praia onde voltamos sempre. Todos os anos. Todos juntos.
Aquela praia que me viu grávida de uma linda menina.
Aquela praia que, agora, recebe de braços abertos essa pequena grande mulher.

A da foto.
Assim, de propósito.
Porque ela pediu.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Postais de férias #5


Praia Verde.

Uma das que mais gosto.
Aqui, o resultado do trabalho de um equipa imparável. A minha equipa.
Nós, feitos miúdos, de pás e ancinhos. Areia em todos os orifícios do nosso corpo.
Dentro e fora dos fatos de banho. Joelhos arranhados na areia.
Areia debaixo das unhas e na cabeça.

Eles, quais croquetes.
Felizes pelos pais que voltaram à infância.
Por eles. Com eles.

Uma fotografia que reflecte as memórias que construímos e que, um dia, recordaremos.
Saudosamente...

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Postais de férias #3


Manta Rota. Verão de 2015.
Uma foto que nos transmite a serenidade que desejamos viver nas férias que passamos muito tempo a planear.
Uma foto rara. Com esta vista limpa de areal e de um pôr do sol lindo, 
numa das praias mais concorridas do país.

Basta dizer que não foi tirada em Agosto.

Uma foto da minha querida leitora Conceição.

sábado, 12 de setembro de 2015

Da angústia pelos que partem


 
Ou do misto de emoções que é assistirmos à partida de alguém que nos é próximo. Diz-nos uma vozinha no fundo do nosso coração Vai, vai à descoberta, à tua sorte e aventura. Vai enquanto és jovem e tens tempo de recuperar se correr mal. E também do fundo do coração outra voz que diz Não vás. Fica cá. Sabes que aqui estaremos para o que acontecer. E à distância? Como fazemos se precisares de nós? Aqui já sabes com o que contas... E, depois, numa fracção de segundo atrevemo-nos a pensar Quem me dera ter coragem para ir...
 
E assim nos sentimos, até ver o que vai acontecendo.
 
Partiu com 20 anos. Na semana passada. Com o sonho de ser feliz e encontrar um projecto profissional de acordo com a sua formação. Partiu com um plano, com uma perspectiva. Partiu angustiada e feliz. Partiu de coração partido e de coração cheio de sonhos. Partiu, com a certeza do amor que a sustenta por cá. E com a certeza do amor que a puxou para lá. Partiu... a minha menina. A minha menina mulher. A minha afilhada.
 
Partiu com pouco. Com o que uma viagem permite levar. Pois sabe que irá reaprender a viver. Quase do zero. O mais importante passou a supérfluo. E tenho a certeza que se pudesse, teria levado uma mala só de desejos que lhe entregámos, de conselhos que lhe demos, de emoções que lhe passámos. Uma mala cheia de amor para ir consumindo assim, aos bocadinhos. De forma controlada, para durar até à próxima vinda a Portugal. À sua terra. À sua mãe.
 
Como cresceu esta menina que vi nascer. Como de descontraída e distraída, passou a ter um foco tão bem definido. Como foi capaz de desafiar o destino e dar-se ao trabalho de não ficar acomodada nas mordomias que uma família garante a qualquer filho. Como me deixa orgulhosa pela força que demonstra ter. Garantindo a quem queira ver o bom trabalho que fez sua mãe.
 
Passei a ter uma menina mulher emigrante. Mais um motivo para esperar pelo mês de Agosto. O mês em que todos regressam a casa.
 
Para ti minha querida, um até já cheio de amor. E com a certeza de que irás crescer ainda mais. Tanto, mas tanto, que a tua vida só poderá correr bem.
 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Postais de férias #2


Costa Azul.
Praia da Galé.

Um paraíso perdido que nos permite estar na praia em sossego em pleno mês de Agosto.
Um paraíso acessível após 140 degraus escarpados.
Um paraíso que nos permite um banho de mar. Daqueles com ondas enormes que nos empurram para a berma. Mas que não nos assustam.
Um paraíso daqueles que nos brinda com cardumes de peixes e 
barbatanas de golfinhos ao longe. Os do Sado.

Um postal de férias da minha amiga Z.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Postais de férias #1


Entre as 1001 fotografias que eles nos pedem para lhes tirarmos, 
de vez em quando lá sai uma totalmente inesperada, gira e fora do baralho, 
que nos dá vontade de imprimir e emoldurar para todo o sempre.

Aconteceu-nos com esta.

Jamais conseguiria programar a silhueta deles, assim, com esta luz de fundo. 
Muito menos o sol a espreitar debaixo do braço dela e o take na hora certa, no momento certo do pulo que deu, conferindo movimento à foto, sobretudo pela posição da trança que  me deixou fazer-lhe, muito contrariada.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Outra pérola...

Nas férias de Verão estivemos na Isla Cristina, em Espanha.

A determinada altura o pai diz:
- É verdade! Aqui é mais uma hora. São um quarto para as dez. (da noite)

O mais pequeno responde:
- Vá mana, dorme! Já está na hora!

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Eu+tu+ele+ela = Nós

No dia das famílias, a nossa equação.
O resultado? Uma família como outra qualquer! :)
 
Com dias melhores, dias piores. Dias de alegria, dias de tristeza. Dias em que nos lembramos da sorte que temos, dias em que não valorizamos essa mesma sorte.
 
Mas TODOS os dias... vividos com amor... (e alguma loucura à mistura)
 



 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

"Obrigádia"

Não. Não me enganei a escrever o título deste post. Mas das nossas miniférias em Madrid, com passagem por Ávila e Toledo, em que TODOS tentámos falar espanhol (ou portunhol), o benjamim saía-se sempre com um:
 
- Obrigádia! - para responder a quem se metia com ele.
 
Foram dias muito, muito bons. Umas férias em família com espaço para tudo. Museus, castelos, conventos, parques, compras, brincadeira e muitas descobertas. Era vê-los com os olhos a brilhar a cada virar de esquina. Porque Madrid é assim: a cada virar de esquina há uma surpresa. E na Páscoa, Espanha vale mesmo a pena.
 
Houve espaço para rir. Para conversas mais "sérias" sobre o que estávamos a ver. Para descansar e perdermo-nos num mundo de odores e sotaques e estilos e maneirismos de todo o mundo. Porque Madrid é assim. Um centro de vários mundos.
 
Adorámos!!
 
Plaza grande, Ávila
 
Gran Vía, Madrid

El Escorial


Toledo

sábado, 21 de março de 2015

E quando eles perguntam...

... Onde é que vamos agora?
 
Depois de andarmos um dia inteiro de um lado para o outro.
Depois de saírem da escola e saberem que vamos para casa.
Depois da natação, de serem quase 8 da noite e de no dia seguinte terem aulas.
Depois de uma festa de anos.
Depois de estarem em casa de alguém.
Depois da praia.
Depois do campo.
 
Depois de qualquer coisa.
Querem tudo. Sempre. A toda a hora.
Querem sempre ir a mais qualquer lado.
 
E nós de rastos. E eles que nunca se cansam.
(Mas pronto... Eu também era assim...)

quinta-feira, 19 de março de 2015

Ao pai lá de casa

Porque é ele que joga à bola com os miúdos.
Porque é ele que na praia rebola na areia e constrói castelos.
Porque é ele que os leva a andar de bicicleta.
Porque é ele que consegue pegar nos dois ao colo ao mesmo tempo.
Porque é ele que vai ao parque.
Porque é ele que empurra os baloiços
Porque é ele que detesta que lhe mexam no cabelo, à excepção dos filhos.
Porque é ele que ralha e logo a seguir já passou.
Porque é ele que se senta no chão a construir legos.
Porque é ele que fica duas horas enfiado numa sala de cinema a ver desenhos animados.
 
Porque... tantos porques...
 
Porque é ele.
O Pai deles.

10 coisas que o meu pai me ensinou

Serve para isto, o Dia do Pai. Para pararmos e pensarmos no papel que os nossos pais tiveram nas nossas vidas. E, por isso, hoje não se fala noutra coisa. A não ser nos Pais.
Esta manhã vinha a conduzir e a ouvir a RFM. Penso que foi a Mariana Alvim que falou sobre uma das coisas que aprendeu com o Pai dela. E comecei de imediato a listar algumas das coisas que aprendi com o meu. Algumas, apenas, algumas... :)
 
1. Aprendi a ter respeito por mim própria
2. Aprendi a respeitar os outros
3. Aprendi a dar valor à família
4. Aprendi a dar valor aos estudos
5. Aprendi a mexer em dinheiro
6. Aprendi a lavar carros
7. Aprendi que cada coisa tem o seu valor e que para conquistar o que quero tenho que trabalhar por isso
8. Aprendi a conduzir (ups, isto não se pode dizer)
9. Aprendi a trocar um pneu
10. Aprendi a ouvir o motor de um carro e a perceber o que está a sentir (o carro, claro!)
11. Aprendi a ver um mapa das estradas
12. Aprendi anedotas (tantas, tantas)
13. Aprendi a pintar paredes e a fazer cimento (e a rebocar paredes)
14. Aprendi a dar abraços
15. Aprendi a impor-me
16. Aprendi que um Pai também pode ser Mãe
17. Aprendi a dizer, "bom dia", "boa tarde", "boa noite", "com licença", "desculpe" e "obrigado"
18. Aprendi a dar o meu lugar aos mais velhos
19. Aprendi que antes de correr é preciso aprender a andar
20. Aprendi que o mundo não é nosso. Que não conseguimos mudar nada sozinhos
 
E enquanto pisquei os olhos escrevi não 10, mas 20 coisas que aprendi com ele. Com o meu Pai. Com o primeiro homem da minha vida. E que estará comigo PARA SEMPRE.

quinta-feira, 12 de março de 2015

5 anos de ti

 
Aqui estamos nós. Num daqueles momentos em que me pediste que te tirasse uma fotografia com o meu telemóvel. Mas desta vez troquei-te as voltas. E puxei-te para mim. Para que tirasses uma fotografia comigo. Não pudeste deixar de fazer traquinices. Tu. Tal como tu e só tu és. Tal como tu e só tu sabes fazer.
 
Passaste um ano INTEIRO a falar deste dia. Desde a festa de anos do ano passado. Passaste um ano a desejar fazer anos de novo. E eu a desejar que o tempo parasse. Não sabes como ele foge. E como com ele... foges-me tu. Não sabes o que é isso. Apenas que terás um bolo, velas para soprar, família e amigos, presentes e festa. Porque é isso e só isso que importa. Quando se tem 5 anos.
 
Chegou o dia. É hoje o dia. Das lembranças do teu nascimento. Das lembranças da descoberta do estado de esperanças. Da mana pequenina, com a tua idade. Do pai com um nervoso miudinho. De mim. Que só me ria. Chegou o dia. Do teu aniversário.
 
Desconfio que dormiste com um olho aberto e outro fechado. Com uma perna já fora da cama para que não perdesses tempo a levantar-te e, também, para que fosses o primeiro. Desconfio que andaste nervoso nestes últimos dias por causa disso. A contar as noites que faltavam dormir para o dia de hoje. Desconfio que, por isso, ganhaste consciência do tempo. E desconfio, também, que estás a crescer de mansinho. Sem me dizeres nada.
 
Já não tenho bebés. Daqueles pequeninos cujos pés mordiscamos sem parar. Daqueles enrugados que sossegam no meu regaço e com a minha voz. Daqueles bebés que precisam de mim para tudo. Já não os tenho.
 
Tenho-te bebé e à mana, no meu coração. Desconfio que será assim para sempre. Mas a cada dia somado às nossas vidas, é menos um dia da vossa vida na minha. Dependente da minha. E isso assusta-me. Porque anda ontem estava eu assim. Com 5 anos. Com os teus avós. E hoje passo dias sem vê-los.
 
Pari-te numa 6ª feira. Às 18h14 minutos. Há cinco anos atrás. E parece que foi ontem.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A minha pequena artista e jornalista

Com o final do primeiro período começam a chegar a casa os resultados de três meses de trabalho. Já temos uma ideia das notas finais, é claro, mas o resto em que ela andou envolvida só agora se vê. E falo de quê? Falo da dança e do jornal da escola.
 
Passou estes meses a ensaiar, a treinar, a acertar passos. Dançou, ouviu música e ganhou ritmo e algum swag. Está muito, mas muito melhor do que quando começou. Cheia de vontade, mas muito perra. Está mais descontraída, mais solta e até o inglês fanhoso ganhou alguma forma de tanto ouvir música cujas letras têm a pronúncia de terras de Sua Majestade. Já faz uma coreografia inteira sozinha e tem espetáculo marcado. :)
 
Também nos últimos três meses deu o nome à redacção do jornal da escola. E agora, finalmente, o mesmo chegou a nossa casa. E lá estão, na ficha técnica, os seus dados. Logo na primeira linha. Além do trabalho que teve na edição, composição, montagem e outros quinhentos, também escreveu dois textos. Um de sua autoria. Outro em co-autoria. Um orgulho para nós.
 
Não podíamos estar mais felizes. É uma menina completa. As notas que esperamos são as melhores. Continua a ser um monstro da matemática. Na natação continua a progredir. A catequese é sagrada para ela. Reza todas as noites. E tem muita fé.
 
Canta (mal), dança, escreve, lê. Conta piadas, ri-se das outras piadas. É a minha companhia diária, a minha parceira, a minha amiga. É a pré-adolescente que começa a dar sinais de tontice pura, daquela sem qualquer explicação. De risinhos e gritos desproporcionais à nossa capacidade de encaixe e às situações em que ocorrem. Mas é tão doce... tão doce... melhor que algodão doce... melhor que o maior dos sonhos cor-de-rosa... melhor do que algum dia desejei ou sonhei merecer ter...

É a nossa pequena grande mulher.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Está aberta a época da loucura...

No feriado juntámos amigos em casa. Acendemos a lareira, assámos castanhas, chouriço e farinheira. Abrimos uma garrafa com um licor que ninguém sabe o que era. Apenas que era bom. Não tinha rótulo. Tínhamos bolo de chocolate, bolo de gila e Ferrero Rocher. O vinho, alentejano, também não faltou. Tal como a boa disposição, as gargalhadas, os miúdos a brincarem e a garrearem.
 
Em cada canto da casa ouviam-se vozes e sorrisos. Cheirava a Outono, a Natal e a Amizade. Tive a minha casa como gosto. Cheia! E, assim, abrimos esta época que se quer de paz. Confraternização. Encontros à volta da mesa. De construção de memórias que, um dia, nos tornarão saudosistas destes tempos que vivemos hoje. Está aberta a época do ano em que gosto de estar com todos os que me são queridos. E daqui até ao final do ano vai ser a loucura. Mas uma saudável loucura. Daquela loucura que nos faz bem.
 
Já é dia 10, mas bem-vindo Dezembro.
 

Finalmente...

Há 8 dias que não passava por aqui. Há 8 dias prometi que faria a árvore de Natal lá em casa... e nada... Há 8 dias que ando com prazos para cumprir. E ontem, ontem, finalmente, consegui fechar o que tinha em mãos. E fazer a tão desejada árvore. Com eles.
 
O mesmo de todos os anos. O pai vai à garagem. Carrega a caixa da árvore. Carrega a caixa das bolas. Então e as luzes? E aquela caixa o que tem? Falta sempre qualquer coisa. Este ano ficou o presépio encafuado em qualquer canto. Lá terá de voltar o pai.
 
O mesmo todos os anos. Abrimos as caixas fechadas desde Janeiro e como um vinho que precisa de respirar os enfeites ganham vida ao serem destapados. Os miúdos, baralhados, deslumbrados com as cores cintilantes, tiram tudo o que podem para o chão. Ele construiu uma estrada e uma montanha. Ela, desesperava, pois queria as peças que ele tinha.
 
O pai acendeu a lareira. Eu fui tratando do jantar, dos banhos, do dia seguinte. Ia e vinha dando indicações sobre as decorações. Mas deixei-a tomar a rédea da coisa. Ele esteve mais interessado em estudar possíveis construções com bolas, anjos, azevinho, lacinhos e outros bonecos. Mas não atrapalhou. Apenas brincou. (ela é que stressa sem motivo)
 
Pelo meio ainda jantámos. E, finalmente, a árvore ficou pronta. As luzes acesas e a lareira a crepitar. Os pijamas quentinhos, os robes e as pantufas. E no dia seguinte toca a levantar cedo que as férias ainda não chegaram.
 
Só mais um bocadinho!!!
Amanhã... amanhã...
 
Está tudo pronto para receber o menino Jesus. E eu gosto de ficar em casa nestes dias. Mas não posso. Pelo menos para já, não posso. Vou alimentando esse desejo com os serões que fazemos. À espera da noite da consoada. Que será em minha casa.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Hoje és, de novo, bebé

Pouco depois de começarmos a namorar decidiste fazer anos. 24. E todos os anos pergunto-te se ainda te lembras qual foi o presente que te ofereci. E todos os anos respondes Uma carteira. Não foi fácil. Conhecia-te há pouco tempo e logo que começamos a namorar fizeste anos. Uma espécie de teste à minha capacidade de observação.
 
Como tinha um horário de trabalho que me ocupava os dias até às 11 da noite, pedi à nossa amiga Elvira que me fizesse o favor de te comprar uma carteira. A única coisa de que me dei conta que estavas a precisar. A tua já mal fechava e uma carteira de homem é sempre um bom presente.
 
Hoje fazes anos. Outra vez... 43. E hoje são os teus filhos os principais promotores dessa coisa que é oferecer presentes em dia de aniversário. Um mês antes do dia começam a falar disso. E o que é que vamos dar ao pai? Não que esqueças, mãe! Falta pouco tempo. E eu não me esqueço. Nunca me esqueci.
 
Gostas de fazer anos. Gostas de ter a família à tua volta, de acender a lareira e ter um bolo com o teu nome. Gostas que o telefone toque vezes sem conta durante o dia. Que os amigos se lembrem de ti e de ser surpreendido. Gostas de pegar nos miúdos ao colo para apagarem as velas contigo e de abrir presentes como uma criança na noite de Natal. Gostas que te prepare um bolo. Eu. Na nossa cozinha. E gostas de terminar a noite agarrado a mim e adormecer a sorrir.
 
E eu, que gosto de brincar contigo, todos os anos faço questão de lembrar-te sobre os teus cabelos brancos. De dizer que estás a caminho dos 50, enquanto eu ainda estou nos 30. De provocar-te sorrisos incomodativos sobre esta realidade que é a vida. Um fósforo que arde num abrir e fechar de olhos. Mas tu sabes que sou eu o motor deste dia que gostas de celebrar. E que assim será. Enquanto Deus quiser.
 
Parabéns! Tem um dia feliz.
A pensar na noite que está para vir. A que programámos. Em família.