Mostrar mensagens com a etiqueta Conversas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Conversas. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Coisas boas

Ele: Posso dormir na tua cama?
Eu: Não.
Ele: Então posso ir contigo para a tua cama?
Eu: Não. Depois adormeces e a mãe não pode contigo ao colo.
Ele: Não podes?
Eu: Não.
Ele: Já estás velhinha?
Eu: Já.
Ele: Não estás nada! Estás é fraquinha. (a rir-se)
Eu: Achas mesmo?!? (fiz um ar muito indignado)
Ele: Então se ainda estás forte... posso ir para a tua cama...

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Ai que o miúdo está a assustar-me!!

Quando está na hora de dormir, sobretudo a sesta, dá-lhe sempre para grande reflexões. Mesmo a ver se queima tempo e se eu acabo por ceder dizendo-lhe Levanta-te. No sábado estivemos sozinhos a tarde toda e ao tentar que adormecesse, começa ele:

- Ó mãe, uma pergunta. Finito é porque tem fim?
- Sim, é.
- Infinito, não tem fim!
- Exacto.
- Então... o espaço é infinito?
- Está certo!
- Não tem fim. Mas também não tem princípio, pois não mãe?
- Certíssimo.
- Os números também são infinitos... (a pensar em voz alta)
- Pois, tens razão.
- Então mãe... mas os números começam no zero!!

Bom. Aqui foi mais complicado. Explicar-lhe que existem números negativos... achei que não iria perceber. Ou eu não saberia como explicar. Então decidi aplicar a velha técnica do... Se não dormires logo não vamos ao parque!!

E a coisa ficou por ali.
Agora pergunto: é de esperar este tipo de raciocínios aos 5 anos de idade?
Ups.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Tem sido uma semana produtiva...

Face à riqueza temática para produção de conteúdos jocosos que a nossa comunicação social on-line nos tem oferecido. Por um lado, o tatuado do Quaresma com a Oprah da Malveira da Serra a tapar-lhe os caracóis. Por outro os activistas que surgiram em defesa... dos caracóis e, ainda, a saída do JJ para o Sporting.
Fico mesmo impressionada com a capacidade de escrita do público português. E mais! Com a disponibilidade para lerem todas as notícias que impliquem polémicas e decoro. E porque é que fico impressionada? Porque chego à conclusão que as pessoas têm muito tempo livre para escreverem e lerem sobre assuntos que não contribuem, EM NADA, para o bem da nação. Que na hora de realmente darem atenção e lerem e escreverem e movimentarem-se em prol do bem colectivo, olha tudo para o lado.

Quem ganha com isto? Todos a quem interessa que a opinião pública vire a cara para o lado face a problemas de peso. Até calha bem... Estamos a chegar ao Verão, a malta quer é bejecas, caracóis e sunsets, no fim do mês o subsídio de férias, para a semana até há um feriado e começam os santos populares. 

É um arraial, a nossa sociedade. Do mais popular que há. É para falar mal? Booora!! É para conjecturar? Booora!! É para a festa? Booora!! É para falar de coisas sérias? Eh pá... não contem comigo que tenho muito que fazer...

Desta forma alimentam-se verdadeiras indústrias. A revista da Oprah malveirense teve toda a publicidade e destaque que queria ter. Partilhas e mais partilhas, com direito a um gozo total da parte dos intervenientes. A Cristina ainda acende mais o rastilho ao dizer Imaginem o que está dentro da revista e o Quaresma idem, idem aspas, aspas ao lançar o repto de premiar a melhor montagem. Conclusão: somos muito criativos, para o que queremos....

O movimento activista em defesa dos caracóis também obteve todo o protagonismo deste mundo, além de ter despertado a criatividade, mais uma vez, dos portugueses. Eles é vê-los a fazerem montagens de imagens com tudo e mais alguma coisa. Gozarem com os vegetarianos e ofenderem tudo e todos, assim tipo arrastão. Gosto mesmo de ver este empenho do pessoal...

A última? Benfica-Sporting. A transferência do treinador, atenção. Não é uma coisa qualquer. Que isto de um treinador que é, apenas, um profissional, valha ele o que valer, no exercício das suas funções a mudar de empregador... ui!! nem sei como é que ainda não foi decretado um dia de luto nacional. Lembram-se do Figo ter mudado de um clube espanhol para outro clube espanhol rival do primeiro? Até ameaças de morte recebeu. Mas em Portugal todos acharam muito bem. Então e quando um médico XPTO muda de uma clínica para outra clínica concorrente ou um programador do Facebook muda para a Google? Traição, claro, traição! Ah, espera... não é a mesma coisa... futebol é futebol... o resto é outra coisa qualquer...

Gosto de ver a malta a investir tanto tempo nestes assuntos tão estruturantes da nação. Só espero que o mesmo aconteça em momentos, de facto, importantes. Que saiam à rua nos dias de eleições para votarem, que cantem o hino no dia 10 de Junho, já que o aprenderam por causa do futebol, que façam das tripas coração para que a opinião de cada um tenha peso no destino do nosso país, no destino das gerações vindouras.

Sabem ler e escrever. São criativos e conhecem todos os meios de comunicação e redes sociais. Até sabem línguas e todos têm uma veia de comediante. Portanto, o CV tem todos os requisitos para serem chamados a ocupar o cargo para o qual contribuem todos os dias: o de decisor! Pois os maiores accionistas do Estado... somos todos nós...

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Argumentos de peso

Numa destas noites, logo a seguir ao jantar, entrou ela pela sala:

- Mãe posso vir para aqui um bocadinho?

Olhei-a de lado...

- É que ainda faltam 120horas e sete mil e duzentos segundos para o teste. Já comecei a estudar ontem e daqui a 20 minutos tenho de ir para a cama.

Não consegui contra-argumentar...

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Quem é que sabe o que é "embla"? Hein?

Não resisto a contar-vos isto. Cada vez que me lembro dá-me para rir.
 
No dia em que fui para as urgências do HSFX, assim que cheguei vi uma família INTEIRA de ciganos na sala de espera. Até aqui, nada de especial. Estamos habituados ao cenário. Mas quando estive eu, na sala de espera, à espera de ser chamada novamente, fiquei sentada mesmo ao pé dessa família. Percebi que era uma senhora a utente que estava doente.
 
Entra um jovem casal, cigano, e diz o rapaz (por favor tentem ler com sotaque cigano):
 
- Ê já sabia que era do estomague. Cada vez que vens p'róspital é o mêmo. Tás aqui há quantas horas, hein?
- Desde as quatro!
- Atão e nã fezeste come já te disse? Quando vens aqui entras a dezer que tens embla!!
 
Risada geral. Entre os ciganos.
 
- Dezes que tens embla e que é muito pegajoso. Vais veri se nã se vai tudo embôra! Gritas EMBLA, EMBLA!! E és logo atendida!
 
E eu contorcida com dores ainda me ri. E os ciganos (perdi-lhes a conta), continuaram divertidos.
 
Agora, quem quer tentar a sorte? Embla!! O rapaz estava a falar de quê? :)

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O reverso da medalha

Lembram-se deste post que ficcionei depois de uma conversa que tive com uma amiga minha? Pois, nem de propósito! Passados cerca de 10 anos sem ver outra minha amiga, encontrei-a num aniversário de uma amiga em comum. E, como era de esperar, conversámos bastante sobre estes últimos dez anos. Por onde andámos. O que fizemos. O que fazemos.
 
Estávamos muito entusiasmadas. Fiquei fascinada com o seu percurso. Com o doutoramento que fez. Com os projectos em que está envolvida. Fiquei a ouvi-la e a pensar, ao mesmo tempo, em como seguimos caminhos tão diferentes. Passa a vida entre dois países, pois o namorado trabalha fora de Portugal. Viaja imenso, porque estar em outro qualquer país da Europa torna tudo muito mais fácil. E vive cá, agora, por causa de um projecto para o qual foi convidada.
 
Mas sem eu esperar, diz-me a minha amiga que está farta de estar assim. Sozinha. Que esta liberdade que é o vai e vem de viagens e encontros e descobertas e culturas diferentes, não lhe chega. Que lhe falta ter uma família. Que quer um casamento. Que quer aquilo que eu tenho.
 
Queres o quê? Perguntei-lhe. Quero ter filhos e sossegar aqui, no meu país. Quero ter festas de aniversário e não estar dividida entre a minha família e o meu namorado. Nunca sei como vai ser o meu Natal ou as minhas férias. Fico anos sem ver os meus amigos e lá, quando estou com ele, sinto falta de todos os que me fazem falta. Para me sentir feliz.
 
Falei-lhe do meu blog e do texto "Sozinha". Que não podia ser mais contraditório ao que tinha ouvido dias antes. Sugeri-lhe que o lesse. Que para aquela pessoa que quer partir pelo mundo fora ela era uma pessoa cheia de sorte. Pela sua liberdade. Pela sua relativa liberdade, é certo. Mas sem as mesmas obrigações.
 
Hoje ligou-me. Disse-me que leu o texto. E disse-me para dizer à outra minha amiga, a que quer estar sozinha, que sem amigos, sem família, sem filhos, sem alguém que amamos, nada de vale viajar pelo mundo fora. Porque o melhor dessa viagem, é o regresso a casa.
 
Fica o recado. E a prova de como todos vivemos insatisfeitos.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Baptizar ou não baptizar?

Este é um assunto sensível. Daqueles que não devem ser discutidos, pois depende das convicções de cada um. Todos têm uma opinião sobre o mesmo. Em função da sua própria experiência, claro. Mas ninguém consegue ficar indiferente ao assunto.

Foi no fim de semana, à volta da mesa, que mais uma vez este assunto veio à baila. Um dos nossos amigos, que vai baptizar a filha este Verão, disse que por ele não a baptizava e que estava, apenas, a ceder à vontade da sua mulher. Ora bem, acendeu-se o rastilho!!

Discutiu-se (no bom sentido) sobre religião e sobre padres. Sobre quem realmente praticava a sua fé, sobre o que é ter fé e de que forma cada um manifesta a sua. E discutiu-se, também, sobre se o baptismo deve ser uma escolha da criança. Alguns afirmaram mesmo que sim! Deve ser a criança a escolher! Outros defenderam que não.

Eu? Eu baptizei os meus filhos. Também sou baptizada, tal como o meu marido. E essa questão nunca foi uma questão na nossa família. Mas penso da seguinte forma:

Se ser baptizado deve ficar ao critério das crianças, para quando crescer, porque motivo não deixam os pais que outros assuntos fiquem, também, ao critério das crianças? Quais? O clube de futebol. A escola que frequentam. A tendência política. E por aí fora.

Porque vestem as crianças, por vezes ainda bebés, dos pés à cabeça com uniformes futebolísticos que custam os olhos da cara? Então isso não é incutir-lhes desde cedo um gosto e um caminho que eles poderiam vir a escolher mais tarde? E quando em campanhas políticas se vêem crianças de bandeiras nas mãos ou em manifestações a gritarem frases que não percebem, só porque vêem os pais fazer o mesmo?

Fazemos a escolha da escola que frequentam. Da roupa que vestem. E, em alguns casos, dos amigos que têm. Escolhemos tudo. Fazemos todas as escolhas por eles, convictos que de estamos a fazer o melhor por eles, certo? Então porque é que quando os pais não se entendem sobre este assunto resolvem adoptar uma medida que considero ser um modismo para resolver aquilo que eles próprios não conseguem ou não querem resolver? Porquê? Porque estão divorciados e usam essa decisão como braço de ferro. Porque isso daria muito trabalho. Ora agora, juntar as famílias...

Porque não são casados e, já agora, vamos continuar na mesma linha e um dia a criança logo vê o que quer fazer. Mas que o faça por si. Ou porque pura e simplesmente não há dinheiro para festas. Mas meus amigos, o baptismo é um sacramento. Não é um Carnaval! Ou então, porque dá trabalho. Dá uma trabalheira tratar de papéis e escolher padrinhos. Ah, esta é outra! Os padrinhos. Quantos casais não se entendem sobre isso? A tua irmã é uma tonta, não a quero como madrinha ou o teu irmão é um desvairado ou jamais eu aceitarei os que tu queres, etc, etc. 

Como resolver? Simples, varrer para debaixo do tapete! A criança, quando for adulta, que resolva! E que não dê muito trabalho, de preferência, que a malta não gosta de se cansar.

Acho que há uma mistura de coisas quanto a este assunto. No nosso tempo de crianças, no tempo em que não havia dinheiro para nada (sim, que agora há dinheiro para tudo), os nossos pais e os nossos avós baptizaram os seus filhos. Poucos são os casos em que isso não aconteceu. E sem festas! Sem grandes festas! Porque o baptismo não é isso. É uma festa, sim, mas religiosa. O primeiro sacramento da fé. 

Ora se ouvimos TANTAS vezes, mas TANTAS vezes as pessoas dizerem eu tenho a minha fé, não preciso de ir à igreja, então porque não entendem este primeiro sacramento como uma iniciação a esse caminho de fé? Seja ele qual for. Um caminho de fé. Porque ter fé não é ir à igreja. Ter fé não é seguir aquilo que diz o padre A ou B. Ter fé não é seguir uma cartilha. 

Todos temos fé em nós próprios, para começar, certo? Fé nos nossos actos, nas nossas escolhas, nos nossos caminhos. E se temos fé em nós, nas pessoas que estão connosco e nos nossos filhos, SOBRETUDO temos fé nos nossos filhos, porque motivo não iniciá-los nesse caminho quando fazemos TODAS as outras escolhas por eles também com fé? 

Só uma opinião. Pois há assuntos que não se discutem. :)

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Sozinha

Duas amigas à conversa sobre a vida. Começa uma delas:
 
- Sabes o que eu queria mesmo? Mesmo, mesmo? Do fundo do meu coração?
- Não... conta...
- Esquece...
- Não... conta-me. Estás com as lágrimas nos olhos...?
(silêncio)
- Queria ser eu, só eu. Sozinha. Deixar tudo e ir embora. A minha vida, o que realmente me importa, cabe numa mochila.
- Mas... tu tens família... tens um filho...
- Por isso é que tenho as lágrimas nos olhos...
 
(a outra emocionou-se)
 
- Minha querida, há momentos nas nossas vidas em que tudo parece não valer nada. Em que nos apetece mandar tudo às urtigas e começar uma vida nova noutro lugar. Há momentos em que tudo nos corre mal e não vemos sentido em nada. Tenta perceber o que está, de facto, a correr mal.
- Não estás a perceber!!
- Mas tu tens tanta coisa boa na tua vida. Já viste o que construíste? Já viste que montaste a tua empresa e que és dona de ti própria?
- Não estás a perceber!!
- Não?!?
- Não. Eu não sou dona de mim própria. Dono de mim é o banco. São as finanças. O meu senhorio. Dono de mim são os estereótipos desta sociedade onde vivemos. Em que desde pequenos somos educados para casar, trabalhar, ter filhos e outras merdas que me sufocam. Dono de mim é o tempo. Que não pára. Que não me deixa fazer o que me apetece. Quando me apetece. À hora que me apetece. Dono de mim é a dependência dos outros que precisam de uma imagem para me aceitarem nessa carneirada que são as pessoas que me rodeiam. E que te rodeiam!! Não suporto mais isto. Tudo o que tenho está dentro de mim. E chega-me. Não preciso de dinheiro. Nem de mais nada. Apenas o que tenho e o que sou. Para partir. Percebes agora??
 
(a amiga não tugiu nem mugiu. identificou-se com muita coisa)
 
- E o teu filho...?
- Estou apenas à espera que ele cresça...
 
Não aconteceu esta conversa. Ficcionei-a. Porque senti isto tudo depois de uma conversa que tive com alguém que adoro. Porque senti que essa pessoa está saturada e não sabe por onde começar a fiar a lã. Porque é um retrato de muitos de nós. Porque nem todos fomos feitos para viver com alguém.
 
Quem me conhece sabe que digo desde sempre (no que toca a relações interpessoais):
 
A coisa mais difícil do mundo, é partilhar o nosso espaço com alguém.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Uma agradável surpresa!

Sabem quando somos surpreendidos por alguém sobre quem não uma grande empatia e, de repente, temos uma agradável surpresa? Sobretudo quando apenas conhecemos essa pessoa da televisão. Uma figura pública, portanto.
 
A imagem que nos passam os media destas figuras públicas nem sempre é a melhor. Por vezes, a própria barreira que é o écran entre quem está do lado de lá e quem está do lado de cá, é o suficiente para que a empatia não aconteça. Lembro-me de ter este sentimento com o Professor José Hermano Saraiva. Depois, ao vivo, fiquei rendida aos seus "encantos"!
 
Ontem aconteceu-me o mesmo com Monsenhor Vítor Feytor Pinto. Um comunicador nato. Uma voz quente e envolvente com muitas técnicas para chegar ao público. Muitas cadências de voz, de acordo com o que queria transmitir. E de acordo com o que o público queria ouvir. Mas na mouche. Gostei mesmo muito. Do seu humor. Sobretudo do seu humor. Das histórias que nos contou sobre o Papa Francisco. Dando-lhe uma dimensão humana muito maior do que aquela que já conhecemos. E vi naqueles olhos um livro aberto. De histórias de vida. De um homem. Que sente o que diz. Que diz o que sente. Um homem com uma espiritualidade enorme. Com uma sensibilidade ética que ultrapassa aquilo que um padre, por melhor que seja, consegue transmitir.
 
 

quarta-feira, 4 de março de 2015

Sobre a verdade - à volta da mesa

Num destes dias tive um jantar de amigos. Daqueles em que a conversa nunca mais acaba. Daqueles em que a conversa extravasa a ordem das coisas quando em cima da mesa se põem questões sobre as quais não há respostas certas. Assim foi. Desta vez sobre a verdade. Sobre: o que é a verdade?

Cada um tem a sua resposta. Cada um tem a sua definição. Mas no dicionário consta que é uma "conformidade ou adequação entre o pensamento e a realidade"... Dá que pensar...

Um dos meus amigos falou das verdades construídas. Da sociedade em que vivemos. Da Era da informação em que vivemos, que nos consome com verdades contruídas. Desconstruindo as aprendizagens, os valores, as referências e moldando as dúvidas individuais. Falou da forma disforme como a verdade é apresentada. Falou sobre a verdade. Citou pensadores e fez-se valer desta teoria. Mas, na verdade, não conseguiu defini-la.

O que é, afinal, a verdade? Será algo que pode aplicar-se genericamente a todos os contextos? Será algo que vale por si só, quando assistimos às dissimulações e distorções nos teatros dos tribunais? Será ela uma verdade em si que prevalece em virtude da mentira? Será uma arma para praticar a justiça? Será uma arma?

Quando ouvimos alguém dizer-nos Eu amo-te. Como sabemos que é verdade? Poderá ser essa declaração parte de uma construção de atitudes, um meio para atingir determinado fim. Igualmente quando alguém nos diz Não te amo. Como sabemos nós onde está a verdade disto?

Será verdade que a verdade, por vezes, dói? E dói porquê? Porque se mentiu, primeiro. Porque irá magoar-nos. Porque irá desconstruir a outra verdade que construímos. Ou, pura e simplesmente, porque preferimos viver seguros nas mentiras que nos protegem daquilo que sabemos, mas não queremos admitir.

Essa conformidade entre o pensamento e a realidade de que fala o dicionário deverá aplicar-se, apenas e só, ao que é factual? Ao que os nossos olhos vêm? À chuva que cai? Ao sol que brilha? À lua que pisámos? Será que a pisámos? Será a verdade, apenas e só, aquilo que acontece diante de nós? Aquilo que testemunhamos? Preto no branco?

Também não consigo defini-la. Consigo, apenas, senti-la. Ao perdoar o colo que me rejeitou, aprendi a viver em verdade. Ao assumir os meus limites, ao dar voz aos meus sentimentos, consigo viver em verdade. E o valor que a verdade ganhou em mim posso descrevê-lo como a conformidade entre aquilo que sinto e aquilo que sou. E o equilíbrio que isso me trás.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Gostas mais de mim ou da mana?

Insistiu ele em perguntar-me. E eu sorri. De mim para mim. A rever-me nesse dilema. Sobre se seria eu a mais amada... É próprio. É próprio da idade. E perceber isso é meio caminho andado para a resposta.
 
Não me senti entre a espada e a parede. Não desviei o assunto. Não respondi que gosto dos dois. Porque isso não lhe chega. Isso não chega às crianças. Elas querem sentir-se especiais. Querem uma resposta preto no branco. E cabe aos adultos dar uma resposta que os satisfaça. À medida deles.
 
Respondi-lhe:
- Gosto da mana desde o dia em que ela nasceu. E gosto de ti desde o dia em que tu nasceste.
 
E ele pergunta-me:
- Gostas mais da mana?!?
- Não! Gosto da mana há mais tempo.
 
E isso bastou-lhe.
 
Ele não entende que o amor de mãe é infinito. Não entende que a existência de irmãos não leva a que nós, os pais, dividamos o que sentimos. Apenas que multipliquemos. Ele não entende esta coisa que nos preenche e invade e satisfaz e que nunca acaba e nunca para de crescer.
 
Gosto dele. Gosto da irmã dele.
Gosto das piadas que diz do alto da sua tenra idade. Como gosto da reacção dela às piadas dos adultos. Sinal que já entende. Gosto da insistente lamechice com que ele me aborda. Quando acorda, quando é para dormir, quando vou buscá-lo à escola, quando o tiro da banheira, quando quer convencer-me. E gosto da dissimulada distância que ela tenta manter. À porta da escola. Ao pé dos amigos. Quando tento agarrá-la. E da forma como tudo se desfaz quando de mansinho se deita ao pé de mim e dá-me um abraço vindo do nada.
 
Gosto dele. Gosto da irmã dele.
Gosto de ser mãe deles. Gosto do cheiro e do toque. Gosto de vê-los dormir. De vê-los crescer. Gosto de tudo, até das falhas. Das pequenas conquistas. Da tentativa e do erro. Da forma como se defendem. Da forma como se afirmam. Gosto de tê-los. Gosto, simplesmente. 
 
Não há respostas certas. A que eu dei, serviu-lhe. E até disso eu gostei.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Observações... dela...

Isto de passar muitas horas por dia acompanhada da minha filha, faz com que grande parte das minha tarefas diárias contem não só com a sua presença, mas com insistentes porquês e dúvidas e considerações e observações dela. Às vezes pertinentes. Outras vezes, tontas. Outras, com piada. E, também, completamente típicas de pré-adolescentes com risinhos e verdadeiros sinais do armário que está prestes a fechar-se.
 
Estávamos na Natura e ela:
 
- Gostas deste?
- Nem por isso...
- E deste?
- Gosto, mas não é isso que a mãe quer...
- E isto? (a apontar para um micado ambientador)
- Pois... isso não dá para vestir...
 
Riiiuuu-se... riiuuuu-se....
 
- Ó mãe! Vamos embora!!
- Espera. Ainda não vi o que queria.
- Mas mãe! Esta loja é para mulheres, como é que eu hei-de dizer... assim com um espírito mais livre... (e riiuuu-se... riiuuu-se...)
 
Olhei para ela, meia atordoada, meia espantada, meia sem saber o que dizer. E fiquei a pensar nisso. Seja o que for para ela um "espírito livre" e apesar dos seus risinhos por tudo e por nada, acho que conseguiu definir o objectivo desta marca.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Disparates. Dela...

A chegar a casa.
Eu: Estou cheia de azia...
Ela: Vai fazer cocó!
 
Eu percebo-a. Pois com a sua idade não distinguia esses palavrões que os adultos diziam. Azia, agoniado, enfastiado, enfartado. Sabia lá o que era isso. Mas nunca disse a ninguém para ir fazer cocó. :)

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Outra pérola do mais novo

Recebi um recado da escola dele sobre os cuidados necessários para evitar e eliminar piolhos. Senhor meu filho, sempre muito atento a todos os assuntos, vira-se para mim:
 
- O meu amigo X tem piolhos, mãe!
- Como é que tu sabes?
- Porque ele coçou a cabeça!
- Mas isso não quer dizer que tenha piolhos!
- Ai tem sim, mãe! Eu vi-os a subirem pelos ténis dele!!
 
E pronto. É isto!
Senhor meu filho tem sempre uma explicação para tudo! :)

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O que ele anda a pedir


Uma casa na árvore.
Volta e meia lá me fala da casa. Como se pudesse ir ao IKEA comprar uma e montar numa árvore qualquer. Sim, porque para ter uma destas casas convém ter uma árvore. E nós não temos. Está a escapar-lhe essa parte.
 
- Para que queres uma casa na árvore?
- Para construir um forte!!
- Um forte?
- Sim! Para mim e para os meus amigos!!
- Ai é?!? Então e eu não posso ir lá?
- Podes... levar o lanche...
 
Tem a esperança de receber uma pelo Natal. E eu já lhe expliquei que o Pai Natal não pode com a casa às costas. Põe no trenó! diz-me ele. Descomplicando.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O meu filho diz que vou morrer

Ontem cheguei a casa e enfiei-me na banheira. Já passava das 20.00 e, além de estar gelada, tínhamos estado a comer castanhas, pelo que ninguém quis jantar. Mas o João Pestana andava a ameaçar desde as 6 da tarde e foi exactamente durante a hora do MEU banho que ele atacou em força.
 
À porta da casa de banho o mais pequeno começou num berreiro daqueles. E porque também queria tomar banho. E porque eu fui sozinha para a banheira. E porque não o levei. E porque não interessava nada ele já ter tomado banho. E rebebéu pardais ao ninho. Prometi-lhe que quando saísse deixava-o deitar-se comigo, na minha cama, às escondidas do pai e da mana. Só para que se sentisse especialmente mimado.
 
Assim foi. Deitámo-nos. Não me deixou apagar a luz da mesa de cabeceira. Abraçou-me, pôs uma perna por cima de mim e deu-me beijinhos prolongados. O corpo a reclamar e a celebrar a minha presença.
 
- Mãe, eu vou querer viver para sempre contigo
- Está bem amor. Podes ficar cá para sempre.
- Mas depois, quando eu crescer, tu vais morrer.
Ups! Não estava à espera...
- Vou?!?
- Vais mãe. E eu vou ter saudades tuas.
E, nisto, abraça-me ainda com mais força e começa a chorar. Desalmadamente.
- Filho, calma! A mãe não vai morrer!
- Vais sim, mãe! Há muitos cemitérios vazios.
A conclusão a que chegou. A explicação que me deu. A verdade absoluta sobre a morte.
 
Consegui acalmá-lo. Consegui que percebesse que isso da mãe morrer é qualquer coisa que ainda está muito longe de acontecer. Consegui que me lesse o pensamento quando lhe perguntei onde é que eu viverei para sempre. Respondeu-me no meu coração. Mas a conversa terminou com a sua última palavra. Eu sei que tu vais morrer.
 
Sei que por estes dias ainda poderá voltar ao assunto, mas também sei que se irá esquecer. Sei que esta é uma fase própria da idade, a curiosidade sobre a morte, mas também percebi que ele já tem respostas. Certezas absolutas. E poucas dúvidas. Tem a certeza de que eu vou morrer. Sei que não vai ler este blog tão depressa, mas se eu não morrer antes farei questão de mostra-lhe o que me disse um dia. Sobre a minha morte. Sobre os cemitérios vazios.
 
As crianças surpreendem-nos com as suas respostas. Esta minha criança surpreendeu-me com a sua inocente e tão verdadeira certeza. E conhecimento sobre a vida. Porque um dia morrerei, morreremos todos. Mas Deus me livre e guarde para morrer antes dele. É só isso que me assusta.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Cansa-me a beleza!

- Estou?
- Olá mãe!
- Então? Está tudo bem?
- Sim, mãe. Acabei agora uma aula e vou para a outra.
- Ok.
- Adeus!
- Adeus!!
 
Passado uma hora:
- Estou?
- Olá mãe!
- Então? Está tudo bem?
- Sim, mãe. Acabei agora uma aula e vou para a outra.
- Ok.
- Adeus!
- Adeus!!
 
Passado outra hora:
- Estou?
- Olá mãe!
- Então? Está tudo bem?
- Sim, mãe. Acabei agora uma aula e vou para a outra.
- Ok.
- Adeus!
- Adeus!!
 
E é isto todo o santo dia... E é isto desde que tem telemóvel. E é isto de meia em meia hora quando está fora. E em casa, o telemóvel passou a ser o seu tablet. Ouve música, vê filmes, lê o que gosta. E eu ainda não estou habituada a este intruso. A este mal necessário.

sábado, 11 de outubro de 2014

Conversas de pé de orelha #4

Durante a semana as horas de almoço são um verdadeiro escape. Encontramos colegas de trabalho que não vemos há muito tempo ou com quem apenas falamos ao telefone ou outros, mais frequentemente, que andam pelos mesmos caminhos que nós. A esplanada é o ponto alto destes encontros. Vem um, senta-se. Vêm mais 2 ou 3, sentam-se. Às vezes a esplanada é só nossa.
 
Num destes dias 3 colegas minhas falavam de empregadas domésticas. De como facilitam a vida. De como confiam nas suas, etc, etc. Até que uma diz:
 
- Opá, eu cá não tenho empregada doméstica. Custa-me pensar ter alguém em casa que vê as minhas coisas. A minhas intimidades. O que tenho nas gavetas. Sei lá! aquilo faz-me confusão.
 
Outra:
- Mas tens de confiar. E a pessoa para limpar e arrumar a casa tem de mexer!
 
Outra ainda:
- Mas qual é o teu stresse?
 
Ela:
- Por exemplo, tenho uma gaveta com lingerie que uso em ocasiões especiais. Já viram o que é saber que alguém andou lá a mexer?
 
Todas. Quase em coro:
- Ai tens?!?
 
Ela:
- Sim, claro! Vocês não têm?
 
Eu:
- Claro que sim! Tenho uma gaveta da lingerie especial. A que não me serve!! (todas concordaram comigo!) :)
 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Conversa de pé de orelha #3

Depois do banho.
 
Ele: Mãe, eu estive dentro da tua barriga?
Eu: Sim, estiveste.
Ele: E como é que eu saí? Vomitaste-me?

domingo, 14 de setembro de 2014

Conversas de pé de orelha #2

Ele: Mãe, sabias que há vampiros na América do Sul?
Eu: Não. Quem é que te disse?
Ele: Foi um amigo lá na escola. Podemos ir lá?
Eu: Mas tu sabes onde é a América do Sul?
Ele: Sei. Vamos à rotunda, viramos à direita, encontramos uma girafa de pedra, fazemos assim e assim (a desenhar uma curva-contra-curva com a mão) e depois chegamos lá.
(só para o caso de alguém querer saber como é que se vai para a América do Sul)