terça-feira, 20 de outubro de 2015

A padaria da minha vizinha

Quem segue o Contos com amoras no facebook, sabe que tenho uma vizinha muito empreendedora que, sozinha, decidiu abrir um negócio, contrariando a corrente negativa do mercado. Abriu uma padaria e a sua simpatia e, também, a nossa relação de boa vizinhança, resultou em algo que não tem preço. A minha vizinha, todos os dias, mas todos os dias mesmos, traz-me pão. Bate-me à porta, depois do dia cansativo que teve, e ainda me estende as mãos com um saco de pão e um sorriso. Atenção que não falo de encomendas, não! Ela oferece-me pão. E digo-vos: é mesmo pão a sério!! Não é daquele que no dia a seguir parece plástico. É pão que se mantém fofinho durante uns dias. É pão com cheiro. É pão com sabor.

Eu já adivinhava que o espaço da padaria só poderia ser assim uma coisa gira. E ontem decidi confirmar. Além de giro é muito, mas muito acolhedor. Convida à troca de dois dedos de conversa e, ainda por cima, podemos tomar lá um café acompanhado de qualquer coisa boa que a minha vizinha vende. O difícil é escolher. Eu cá comi um pãozinho de queijo e os miúdos foram para o pão com chouriço.

Atentem.














Além desta variedade, ela ainda elege todas as semanas um pão de um país diferente e faz disso a sua bandeira. Depois ainda há pão sem glúten, pão quente a determinadas horas do dia, pão alentejano (que é difícil de encontrar daquele mesmo bom), pão com sementes (todas e mais algumas), pão com azeitonas, pão com passas, pão com ervas, pão do caco, bolachas caseiras e uma doçura imensa no atendimento.

Spica - pão do mundo, é um convite a conhecer receitas nacionais e internacionais, várias qualidades, formatos e aromas de pão que se come pelo mundo fora, pode ler-se na página do facebook. Passem por lá e façam gosto. É sempre uma alegria para quem trabalha com alma. :)

Ah, é verdade! Para quem me perguntava ontem no face, fica em Paço de Arcos. Na Rua Costa Pinto. Mesmo ao pé do mercado e a caminho dos antigos cacetes. Passem por lá. Digam que vão daqui. E depois contem-me como foi. Garanto-vos que vão gostar e vão ficar fãs. :)

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Fui apoiar os heróis



No sábado lancei o desafio lá em casa:
- Quem quer ir comigo amanhã ver a maratona?
E logo ela disse que queria. E logo ele disse que não queria.
E assim foi. Domingo de manhã levantámo-nos cedo (todos, aliás), mas nós duas tomámos o pequeno-almoço e pusémo-nos ao caminho. Primeira paragem: Santo Amaro de Oeiras, completamente recuperada da tempestade do dia anterior. Quando chegámos já tinham passado os primeiros atletas, mas ainda estava tudo no principio. Devo dizer-vos que foi emocionante. As pessoas pediam-nos apoio. Que os aplaudíssemos e puxássemos por eles. Esticavam o braço para baterem nas nossas mãos. Uma espécie de "dá cá cinco" que lhes dava força. E sorriam. Piscavam-nos o olho. E agradeciam-nos. Via-se mesmo que era importante terem o apoio de quem estava a assistir. Pessoas completamente estranhas, mas solidárias. E nós duas fizemos esse papel. Encontrámos a Sónia, do Cocó na fralda, que ia acompanhada de seu marido e que ao reconhecer-me ainda me mandou um grito, pois eu estava à espera de vê-la, mas na hora H se não fosse ela a gritar tinha-me passado. Também vimos a Ana, a Pipoca mais doce, acompanhada do seu Arrumadinho  e de uma equipa de reportagem na NiT. Por nós ainda passou um colega meu do trabalho que gritou o meu nome e mais duas ou três caras conhecidas. De resto, muitos, mas muitos estrangeiros. Franceses, ingleses, italianos e, pasmem-se, gregos. Muitos gregos. Com direito a claques, bandeiras e cânticos de apoio.

Pegámos no carro e fomos até Belém. De novo o entusiasmo dos que assistiam a puxar pelos que corriam. E as pernas já davam sinal de cansaço. Muitos abrandaram o ritmo e perderam-se dos grupos em que corriam inicialmente. Muitos continuavam a pedir-nos apoio e nós demos. 

Foi emocionante. Gostei imenso. Fez-me lembrar da São Silvestre em que participei e em que também muitos estranhos puxaram por mim. E de como isso foi importante.

Deu-me vontade de fazer a maratona para o ano que vem. Não consegui assumir isso como um compromisso, porque correr 42 km... não são 420 metros... Mas penso que a corrida do Tejo poderá ser um desafio a pôr na agenda... vamos ver.

Não deixem de participar. A correr ou a assistir. Vale mesmo a pena.

Adoro... adoro... (ironia, meus queridos... ironia)

Chegar ao trabalho e encontrar um colega, o do costume, a meio de um telefonema que se demonstrou muito divertido. Receber um piscar de olho em jeito de cumprimento e depois de terminado o telefonema dizer:

- Bom dia! Tudo bem? 
- Nem por isso. (fiquei preocupada)
- Então o que se passou? Algum stresse no fim-de-semana?
- Não... é que ainda hoje é 2.ª feira e eu já estou cansado... (com uma voz a arrastar-se, completamente contrária à voz efusiva do telefonema)

E é isto. Quando vos digo que não é o trabalho que me satura, é por causa disto. E não só! Mas muito por causa desta postura do O mundo gira à minha volta e eu sou um desgraçado(a) e tudo conspira contra mim e eu mereço muito mais e eu e eu e eu...

Bom dia.
Que a semana seja um desafio e não uma tormenta.
Tudo depende da força de vontade de cada um.
Beijinho no coração.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Coisas boas

Ele: Posso dormir na tua cama?
Eu: Não.
Ele: Então posso ir contigo para a tua cama?
Eu: Não. Depois adormeces e a mãe não pode contigo ao colo.
Ele: Não podes?
Eu: Não.
Ele: Já estás velhinha?
Eu: Já.
Ele: Não estás nada! Estás é fraquinha. (a rir-se)
Eu: Achas mesmo?!? (fiz um ar muito indignado)
Ele: Então se ainda estás forte... posso ir para a tua cama...

Aluna mal comportada

Foi o papel que eu e mais uns quantos pais desempenhámos ontem na reunião surpresa que combinámos com os professores na escola da mais velha. Surpresa para os alunos, claro está! Que não souberam de nada até à hora da dita reunião.

Trata-se de uma turma com muito bom aproveitamento, mas com um problema de comportamento muito grande. Têm uma energia imensa e os intervalos parece que não são suficientes para canalizarem tudo isso para o espaço. Não! Entram nas aulas aos pinotes, conversam sobre tudo, querem saber tudo, todos ao mesmo tempo e de tão interessados que são, atropelam-se uns aos outros, e aos professores, também, na procura de uma resposta na hora. Que isso de esperar é coisa que não aguentam.

Decidimos, os pais, em conjunto com a directora de turma, assumir o papel deles. Convidámo-los a lerem um texto. Eram 8 os alunos a ler em voz alta e nós, combinadíssimos que estávamos, interrompemos, fizemos perguntas repetidas, conversámos uns com os outros, levantámo-nos e o diabo a sete. 

Ficaram calados. Petrificados. Não conseguiam ler. Pediram-nos para que nos calássemos. E depressa perceberam o objectivo da coisa. De seguida fizemos o contrário. Um silêncio sepulcral na sala, enquanto cada um leu a sua parte do texto. E até os que lêem mais baixo nós conseguimos ouvir. 

Eles não são tontos, claro que não. Por isso perceberam bem a mensagem. Os pais falaram. A professora também, e eu conclui, em nome de todos, que estamos em sintonia com os professores. Que o problema é colectivo, que todos os alunos são responsáveis por si mesmos, que a aplicar uma pena será aplicada a todos e que terão de saber respeitar os professores, o trabalho de grupo e os colegas. 

De regresso a casa dizia-me a minha filha quais os professores de que gostam mais. Conclusão: gostam mais daqueles professores com pulso de ferro que conseguem pô-los em silêncio e a trabalhar durante as aulas. Também concluí que o delegado e sub-delegado de turma eleito por eles, são as melhores alunas. Tanto em aproveitamento como em comportamento. E perguntei-lhe, então, porque motivo continuavam a criar problemas se até se revêem em quem mais trabalha.

Resposta:

- Nós somos alunos responsáveis. Votamos em consciência.

E mais não digo. Agora espero o resultado deste esforço que fizemos.