segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Postais de férias #7

 
Cascata "Véu da noiva"
Vista panorâmica a oeste da ilha
 
São Roque
São Miguel. Açores.
 
As memórias registadas de uma viagem de última hora.
Uma viagem que não foi planeada. (As melhores são assim...)
Uma viagem surpresa que deixou na minha querida leitora a vontade de regressar.
Mesmo tendo de enfrentar o seu medo ENORME de andar de avião.
Um paraíso na terra. Um cantinho do nosso Portugal.
 
Obrigado Maria José. Pela partilha.

A teoria da montra

(É minha, esta teoria. Sem me aperceber desenvolvi-a à medida que a vida foi decorrendo.)

Ouvimos muitas vezes dizer "segue o que te diz o coração", mas nem sempre conseguimos fazê-lo. Pois, na maioria das vezes, não conseguimos o silêncio necessário para fazermos esse exercício.

Resolvi "materializar" este conselho naquilo que designo por "Teoria da montra". Paaso a explicar. Sabem quando olhamos para uma montra e vemos dois manequins, cada um com uma camisola diferente? Pois bem, de imediato os nossos olhos batem numa das camisolas. Assim, de chapa! É a camisola perfeita! Mas acontece que não estamos sozinhos. A pessoa que está connosco comenta qualquer coisa como: Mas olha que a outra camisola também é muito gira... De facto, é... concluímos. A pessoa que está connosco tem razão. E decidimos entrar na loja para ver melhor.

O que é que muitas vezes acontece? Acontece que depois de vermos as duas camisolas nas mãos, de as compararmos e termos ouvido alguém dizer que a camisola do lado direito é bem gira e que nos fica muito bem, acabamos por trazê-la. Mas as pensar naquela que vimos inicialmente. A do lado esquerdo...

A vida continua... Mas não por muito tempo, pois não sossegaremos até voltarmos à loja. Quase certas de que a camisola do lado esquerdo já não está lá. Certas de que deveríamos ter comprado, logo à primeira, aquela em que bateram os nossos olhos.

Isto é ouvir o nosso coração. É optar por aquilo que sentimos que, por norma, é o melhor para nós. Isto é o que devemos fazer quando temos dúvidas sobre a tomada de qualquer decisão. Sob pena de virmos a arrependermo-nos. 

Lembrem-se da "Teoria da montra". Sigam o vosso coração. Ao pesarem os prós e os contras de uma decisão, nunca coloquem de parte aquilo que o coração vos diz. Sem saberem, isto já não é novidade para vós. Certamente já passaram por uma situação destas, como a da montra. Por isso, experimentem. Eu já o fiz. E desde o momento que comecei a pôr isto em prática, garanto-vos, as coisas têm corrido melhor.

domingo, 27 de setembro de 2015

Afinal, o que é ser-se sensato?

A pergunta aplica-se, também, a outras áreas. O que é ser-se bonito, o que é ser-se interessante, inspirador, e tudo o mais que leva a discussões sem fim.
 
Ser-se sensato. Poderei eu ser sensata aos olhos de alguém que tem um padrão de vida completamente diferente do meu? Poderá uma pessoa completamente a leste daquilo que eu penso, das minhas referências sociais, educacionais e culturais, dar-se ao luxo de me considerar ou não sensata? Poderei eu julgar alguém sobre a sua sensatez quando essa pessoa não viveu comigo, não partilhou o mesmo percurso que eu, não me diz nada do ponto de vista interpessoal?
 
Somos muito rápidos a fazer julgamentos. Somos os senhores da palavra e da razão. Argumentamos ao ponto de fazer chorar as pedras da calçada. E, assim, dando força à nossa voz, levamos connosco quem não se dá ao trabalho de pensar sobre as coisas.
 
Será a sensatez algo que pode ser definida sem termos tudo isto em conta?
Será a sensatez uma conta de equação fácil? Ou é certo que dela nada se pode dizer até que a coisa não se dê connosco?

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

40 e 15

Hoje é dia de festa entre o meu grupo de amigos.
Uma grande amiga, cuja gargalhada contagia quem passa, comemora 40 e 15 anos.
(Faz toda a diferença dizer a idade assim!)
E eu sinto-me feliz por ela.
 
Escrevo aqui nos blog para dizer-vos que adorava chegar à mesma idade assim, com aquele ar fresco. De quem acabou de se levantar. Com aquela garra de quem vive sobre o verbo "ir", que tristezas não pagam dívidas. Com um coração enorme. Mesmo depois de tantas desilusões que teve na vida, continua a acreditar que há pessoas boas. Que merecem a sua ajuda. O aconchego da sua mão. E do seu regaço.
 
Gosto do seu abraço.
Para mim é importante um abraço. E ela sabe dá-lo. Assim... desprendida... sem maneirismos. Com humildade pelo reconhecimento de cada um. Individualmente.
 
Gosto daquilo que aprendo com ela. E com a família dela.
De vê-la ser mãe. E de ouvi-la dizer que com a minha idade também fazia as mesmas coisas que eu faço com os filhos. Os mesmos princípios. Os mesmos alicerces.
 
Gosto imenso da sua voz rouca. Que nos sossega quando algo nos inquieta. Que vibra a cada conquista dos seus. Que se mantém firme quando o momento é mais sensível.
 
Gosto da maneira como trata os meus filhos.
Gosto da maneira como nos acolhe em sua casa. E da forma como consegue dizer as coisas sem magoar ninguém. (e isto... não é para todos)
 
Tem o coração na boca. E nas mãos, quando magoam os seus.
Tem um grupo de amigos imenso. Daqueles à séria. E tem um marido que a ama. Sem precisar de dizê-lo. Vê-se nos seus olhos quando fala dela.
 
Gosto dela.
Gosto dela e dos nossos amigos em comum.
E gosto de pensar que consigo retirar do seu saber de experiência feito, o melhor para mim. Para chegar aos 40 e 15 assim. Com uma história linda para contar.
 
- parabéns minha querida -

A factura do costume... diminuiu...

Este ano decidi esperar.
Comprar os manuais escolares logo que acaba a escola, de modo a prevenir tudo antes das férias grandes, é um hábito que tenho desde sempre. Penso que o herdei de casa dos meus pais. Já diz o ditado Casa de pais, escola de filhos. Mas este ano foi diferente.

Em Julho tive oportunidade de participar numa acção de recolha de manuais escolares no concelho de Cascais. Já sabia que iria ficar impressionada com os números, mas o resultado superou as minhas expectativas. De mais de 8000 livros recolhidos, apenas cerca de 600 foram reutilizados. Enfim... outros quinhentos...

Apesar de ter ficado tão mal impressionada, ainda assim decidi fazer o que já tinha pensado. Corri os bancos de manuais da minha zona. Bibliotecas públicas, sobretudo, e na primeira volta, 1 manual. Apenas um manual. Antes de irmos de férias, nova volta. Resultado: zero!! Zero manuais que pudessem ser reutilizados lá em casa.

Estive vai não vai para encomendar todos os outros... andei ali a moer. E se depois esgotam ou se não chegam a tempo... Mas contive-me. E quando regressei de férias, mais duas voltas. Resultado: mais dois manuais escolares. Impecáveis. Prontos a serem reutilizados. Reduzindo, bastante, a factura habitual a cada ano lectivo.

Ela ainda torceu o nariz... Apesar de estarem impecáveis por dentro, por fora estavam um bocado moídos. As capas desbotadas pelo mete e tira das mochilas. As lombadas todas moles, a anunciarem descolarem-se, e alguns tinham o nome, a turma e  a escola dos antigos donos.

Peguei em alguns washi tape que tinha em casa, tesoura, fita cola, etiquetas brancas, capas plásticas de protecção e pusemos mãos ao trabalho. Era vê-la feliz com a oportunidade de personalizar os seus livros. Coisa que a nunca tinha feito aos livros novos. Posso fazer o mesmo quando vierem os que compraste?? 

Acabou por ser divertido. Os amigos cobiçam-lhe o trabalho que fez. E ela percebeu as vantagens de ter livros reutilizados. A de ajudar os pais nos custos que têm, a de contribuir para a sustentabilidade ambiental, a de poder personalizá-los e a de fazer "inveja" aos colegas.

Fico feliz, sobretudo, pela mensagem que ela agarrou.

Os professores também foram impecáveis. Sobretudo a de inglês que pegou no manual dela e mostrou à turma a criatividade com que foi recuperado. Ficou toda inchaaaadaaa....

A semana de apresentação também serve para qualquer atraso na entrega dos manuais, caso façamos a encomenda já em Setembro. Foi mais ou menos o que se passou connosco. E, na verdade, acho que vale a pena esgotar todas as possibilidades. Pesquisar bancos, falar com os pais dos colegas, pôr os miúdos, eles mesmos, com essa responsabilidade de falarem com os colegas mais velhos. Uma forma de responsabilização para a sustentabilidade. Integrada.

E ficamos todos a ganhar.

Se a pesquisa não der em nada... paciência. Lá teremos de comprar tudo!!