quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Não é o trabalho que me satura

Se é que me faço entender...

Há dias em que não dá mais.
E aí saio porta fora, vou à rua, dou um berro e volto a subir as escadas.
Como nova.

Postais de férias #6



Praia do Barril.
 
Aquela do comboio. 
Aquela com umas esplanadas tão aprazíveis quanto os fins de dia na areia quente.
Aquela praia onde voltamos sempre. Todos os anos. Todos juntos.
Aquela praia que me viu grávida de uma linda menina.
Aquela praia que, agora, recebe de braços abertos essa pequena grande mulher.

A da foto.
Assim, de propósito.
Porque ela pediu.

Ó Antunes!!!

Ó Amorim!!! Ó Fernandes!!! Ó Gonçalves!!!

É um ver se te avias quando ele encontra um amiguinho na rua!!
A uns, segue-se um aperto de mão com muitas coreografias que só eles decoram.
A outros, um abraço.
A outros, ainda, pega-lhes ao colo.

Parece que andaram todos juntos à tropa!!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Postais de férias #5


Praia Verde.

Uma das que mais gosto.
Aqui, o resultado do trabalho de um equipa imparável. A minha equipa.
Nós, feitos miúdos, de pás e ancinhos. Areia em todos os orifícios do nosso corpo.
Dentro e fora dos fatos de banho. Joelhos arranhados na areia.
Areia debaixo das unhas e na cabeça.

Eles, quais croquetes.
Felizes pelos pais que voltaram à infância.
Por eles. Com eles.

Uma fotografia que reflecte as memórias que construímos e que, um dia, recordaremos.
Saudosamente...

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A morte faz parte da vida

A morte figura na história da Ti' Miséria como uma personagem a quem um dia lhe passaram uma rasteira. Ficou presa no cimo de uma árvore e, por isso, não conseguia cumprir o seu destino. Nem o dos outros. Ninguém morria. Nem os soldados enfermos em guerra, nem os animais para pôr no prato. Nem os legumes permitiam-se ser arrancados da terra. A terra que nos alimenta. A terra que nos consome.

Por esta história, pela rasteira que fez a Ti' Miséria, repito vezes sem conta que a morte faz parte da vida. Não que seja uma forma de me conformar com o desaparecimento de quem me é querido. Um escudo. Ou um subterfúgio. Não! É exactamente isso que penso, sinto e tento transmitir a quem não consegue encará-la.

Pois a morte, restitui o equilíbrio do universo. 
É uma passagem para quem parte. Um reset para quem fica. Para quem consegue fazê-lo.
É um momento de dor. Pura e simplesmente de dor. Um assunto tabu. Difícil de explicar. Difícil de abordar. Porque somos humanos. Porque sentimos não a morte, mas a ausência de alguém. Porque fomos ensinados assim. Porque ninguém se atreve a falar do assunto.

E a morte vai vivendo por aí. Por vezes anuncia-se. Por vezes surpreende-nos. Outras ainda, parece que brinca connosco. E os vivos, que não a temem, mas não a querem, pensam nela. Vivem a morte dos outros. E cruzes credo, vamos mudar de assunto. Evitando inquietá-la.

Foi no sábado que morreu um amigo.
Com 29 anos. Vítima de doença prolongada. 

Foi no sábado que nos juntámos para a despedida. Os que o amavam. Os que o respeitavam. Os que lhe reconheciam mérito. Os que tinham por ele consideração. Os que com ele viveram. Os que por ele davam a vida.

Foi no sábado. 
Depois de uma luta desgastante, foi no sábado que ele descansou. 
Perante o anúncio que ela nos fez. 

Perante a morte, somos tão pequeninos.
Encolhemos. Perdemos a voz. Turvam-se-nos os olhos.
Quedam-se-nos os passos.

Perante a morte, enterramos o que nos consumiu em vida. Revemos prioridades. Relativizamos o que nos desgasta. Relembramos as coisas boas dos que partem. Os momentos bons que partilhámos.

Perante a morte, damos mais valor à vida. E às pessoas. E aos momentos. 
E aos pequenos privilégios com que somos brindado todos os dias. 

Perante a morte, choramos. 
E celebramos. Mesmo sem pensarmos ou darmos voz a esse sentimento. 

Perante a morte, também me zango. 
E depois... depois tento compreender o que nos quis dizer. 

Até sempre Ricardo Júlio. Descansa em paz. 
Descansa certo de que o teu percurso entre nós não deixa mágoas.

(O Pedro perguntou por ti. Como sempre. E eu disse-lhe que foste para ao pé de Jesus. 
Ele compreendeu.)