segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Das coisas simples


Diz-se que as estações do ano não começam no calendário. E é verdade. 
Já a natureza se antecipou a essa agenda e mostra-nos que o Outono está aí. 
Com as árvores que se despem e nos montam um tapete bronzeado para passarmos. Glamorosos. 

Começamos estes dias com um misto de emoções entre o "Ai que o Verão já acabou" e o "Já está a chegar o Outuno. E os fins de tarde à lareira. 
E o cheiro das castanhas na mesa".

Já apetece um casaquinho. Uma manga comprida. Um sapato mais fechado. 
E um abracinho ainda mais apertado.

Bom dia. Boa semana.

sábado, 12 de setembro de 2015

Da angústia pelos que partem


 
Ou do misto de emoções que é assistirmos à partida de alguém que nos é próximo. Diz-nos uma vozinha no fundo do nosso coração Vai, vai à descoberta, à tua sorte e aventura. Vai enquanto és jovem e tens tempo de recuperar se correr mal. E também do fundo do coração outra voz que diz Não vás. Fica cá. Sabes que aqui estaremos para o que acontecer. E à distância? Como fazemos se precisares de nós? Aqui já sabes com o que contas... E, depois, numa fracção de segundo atrevemo-nos a pensar Quem me dera ter coragem para ir...
 
E assim nos sentimos, até ver o que vai acontecendo.
 
Partiu com 20 anos. Na semana passada. Com o sonho de ser feliz e encontrar um projecto profissional de acordo com a sua formação. Partiu com um plano, com uma perspectiva. Partiu angustiada e feliz. Partiu de coração partido e de coração cheio de sonhos. Partiu, com a certeza do amor que a sustenta por cá. E com a certeza do amor que a puxou para lá. Partiu... a minha menina. A minha menina mulher. A minha afilhada.
 
Partiu com pouco. Com o que uma viagem permite levar. Pois sabe que irá reaprender a viver. Quase do zero. O mais importante passou a supérfluo. E tenho a certeza que se pudesse, teria levado uma mala só de desejos que lhe entregámos, de conselhos que lhe demos, de emoções que lhe passámos. Uma mala cheia de amor para ir consumindo assim, aos bocadinhos. De forma controlada, para durar até à próxima vinda a Portugal. À sua terra. À sua mãe.
 
Como cresceu esta menina que vi nascer. Como de descontraída e distraída, passou a ter um foco tão bem definido. Como foi capaz de desafiar o destino e dar-se ao trabalho de não ficar acomodada nas mordomias que uma família garante a qualquer filho. Como me deixa orgulhosa pela força que demonstra ter. Garantindo a quem queira ver o bom trabalho que fez sua mãe.
 
Passei a ter uma menina mulher emigrante. Mais um motivo para esperar pelo mês de Agosto. O mês em que todos regressam a casa.
 
Para ti minha querida, um até já cheio de amor. E com a certeza de que irás crescer ainda mais. Tanto, mas tanto, que a tua vida só poderá correr bem.
 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Da falsidade


Ainda consigo ficar surpreendida com as peles de cordeiro que alguns lobos vestem. Por mais que me desiluda, por mais que esta vida nos ensine que nada é o que parece, tenho sempre esperança que esses ensinamentos sirvam a todos. E que o saber de experiência feito, dos tombos, das alegrias, dos esforços, das derrotas, das conquistas, sirva a todos, não só a mim, para que as posturas se vão limando. Tornando as arestas menos perceptíveis aos olhos.

Ainda consigo ficar surpreendida. 
Mas passa-me depressa. Sobretudo quando esses actos, de falsidade, continuam a florescer, assim de mansinho, vindos sempre das mesmas pessoas.

Postais de férias #2


Costa Azul.
Praia da Galé.

Um paraíso perdido que nos permite estar na praia em sossego em pleno mês de Agosto.
Um paraíso acessível após 140 degraus escarpados.
Um paraíso que nos permite um banho de mar. Daqueles com ondas enormes que nos empurram para a berma. Mas que não nos assustam.
Um paraíso daqueles que nos brinda com cardumes de peixes e 
barbatanas de golfinhos ao longe. Os do Sado.

Um postal de férias da minha amiga Z.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Postais de férias #1


Entre as 1001 fotografias que eles nos pedem para lhes tirarmos, 
de vez em quando lá sai uma totalmente inesperada, gira e fora do baralho, 
que nos dá vontade de imprimir e emoldurar para todo o sempre.

Aconteceu-nos com esta.

Jamais conseguiria programar a silhueta deles, assim, com esta luz de fundo. 
Muito menos o sol a espreitar debaixo do braço dela e o take na hora certa, no momento certo do pulo que deu, conferindo movimento à foto, sobretudo pela posição da trança que  me deixou fazer-lhe, muito contrariada.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

A Europa parece uma puta (ou aquilo que eu acho sobre esta invasão)

Abre as pernas a qualquer um.
Sabe que se desgraça com a vida que está a escolher levar e, ainda assim, mente aos seus filhos com todos os dentes que tem na boca.
Veste-se com as melhores roupas que tem e ensaia o melhor discurso de todos, tentando convencer-se enquanto diz em alta voz que não há outro caminho.
Engana a sua família, ludibriando-a com maços de notas coloridas.
Diz-lhes que a tolerância lhes fica bem.
Tal como as putas, que toleram tudo a troco de dinheiro.

A Europa parece uma puta de luxo.
Anda de braço dado com os energúmenos dos fanáticos religiosos, oferecendo-lhe a sua cama de lençóis de cetim e perfume afrodisíaco.
Tira da boca dos filhos para alimentar os que lhe cospem no prato. E que lhe pedem que abra a perna.
Uma e outra e outra e outra vez.
Até se fartarem.
E rebentarem-lhe com os miolos.

A Europa parece uma puta reles.
Cuja única coisa que lhe resta, a dignidade, a pouco e pouco vai deixando que chafurde na lama. Que leva porrada na tromba e a seguir vai para o quarto vestir a melhor lingerie que tem. Que não se importa de vir a dormir num quarto bafiento, enquanto os que a visitam se apoderam dela e lhe destroem tudo o que tem.

A Europa parece uma puta.
Na pior acepção da palavra. De um extremo ao outro. Da maior das misérias a que pode chegar a humanidade. Que prostitui os seus filhos. Envenenando tudo o que a rodeia. Porque sabe, sabe e nega-o para si mesma, que ser puta é a sua maior desgraça. Mas é o caminho mais fácil de levar.

Outra pérola...

Nas férias de Verão estivemos na Isla Cristina, em Espanha.

A determinada altura o pai diz:
- É verdade! Aqui é mais uma hora. São um quarto para as dez. (da noite)

O mais pequeno responde:
- Vá mana, dorme! Já está na hora!

Fui ver "A Ovelha Choné" - Em homenagem a mim

Peguei nos miúdos e fui ver "A ovelha Choné". Sim, porque "Choné" é o temo indicado para aquilo que estou a sentir que estou a ficar, depois de três meses sem escola!!!
 
Uma pessoa tenta. Teeeennta... pega neles... faz programas giros... na 6.ª feira fomos ao Pavilhão do Conhecimento no Parque das Nações... esforçamo-nos para que os últimos dias de férias se passem bem, de forma gira e vai daí o que é que acontece?? Hã? O que é que acontece???
 
Pois bem, eu já não gosto muito de cinema, como já vos tinha dito. Muito menos aprecio ir ao cinema ver desenhos animados. Mas pronto!! Por eles... lá fui... Entro no centro comercial e de imediato começa a aventura. O senhor meu filho decide usar o tapete rolante que vai no sentido contrário. Lindo!! Eu de vestido comprido preocupada para que o mesmo não ficasse preso em lado nenhum e o puto ainda desafia a malta a voltar para trás! Claro que para ele aquilo foi o máximo. E eu parecia uma barata tonta, quase a salta o corrimão para o outro lado. Foi assim um momento lindo. Para mais tarde não recordar.
Quando, finalmente, saiu do tapete disse com ar vitorioso:
- Viste do que eu sou capaz? (com um sorriso de herói)
 
Depois ainda tentei, toda querida, fazer uma surpresa. Até chegarmos aos cinemas não sabiam ao que íamos. Mas assim que viram os cinemas puseram-se a cacarejar:
 
- Vamos, mãe! Vamos ao cinema! Podemos ir? Vá lá, vá lá, vá lá, vá lá, vá lá... (assim mesmo, repetidamente e com o tom de voz a subir. Ah, e a dobrar!)
 
A seguir, o êxtase!! A mãe passou a ser a maior. Tantos pulos, meu Deus!! Tanta excitação!! Parecia a primeira vez!
 
Quando estou a comprar os bilhetes, percebo que o filme está na pior sala de todas. A mais pequena. Aquela que em qualquer fila estamos de cabeça no ar a pender para trás. Aquela onde se ouve tudo. Aquela que nos garante uma sinfonia extraordinária com os mais extraordinários tocadores de quê? De quê, digam lá? De comedores de pipocas!! Aquilo é uma arte. O morder, o mastigar! O encher a boca. Sim, não comem uma de cada vez!! O ranger da pipoca a esmigalhar-se debaixo dos nossos pés!! Uau!! Tudo o máximo!!
 
Estava tão alegre e feliz com o que me esperava que não consegui resistir e comprei pipocas aos miúdos. E logo um balde médio. Cheio! A transbordar! De pipocas salgadas! Assim a puxar à bebida, que é como convém.
 
Lá nos instalámos! Ali mesmo, na terceira fila a contar da frente para trás. Os miúdos corriam, os pais falavam ao telemóvel e eu tentava que o meu mais novo se sentasse sossegado. O filme lá começou, tal como a acção nas cadeiras. Tungas!! Toma lá que é para aprenderes!! O balde de pipocas todo, mas TODO entornado a meus pés!! Tinha sido o mestre do meu filho, claro! Devo ter ficado verde. De emoção...
 
Sabem que mais? O escurinho do cinema não dá jeito nenhum para limpar aquela nojice toda. Agarrei num sapato e varri assim, tipo pá, o monte das pipocas para um lado! Não via nada. Fiz tudo às apalpadelas. Até que senti uma coisa pesada a escorregar-me do colo abaixo cujo barulho denunciou ter aterrado por baixo da cadeira da frente (relembro que fica um degrau abaixo) onde estava um miúdo que passou o tempo todo a tirar macacos do nariz!!
 
Bonito! Nem sabia bem o que tinha caído. Tive que tirar o rabinho da cadeira, dobrar-me o mais possível, aliás, pus-me de joelhos, e apalpar o chão à procura... à procura... Nada! Não encontrava nada! Solução: ligar a lanterna do telemóvel! Et voilá! A chave do carro! Espectacular!
 
Quando, finalmente, tenho a coisa controlada, volto a sentar-me e com que é que eu me deparo? Com o meu filho a chorar. Todo enrolado, em posição fetal, e a chorar. Não achei que fosse motivo para tanto. Afinal, tinha ficado sem pipocas, mas vá lá... menos!
 
Pois... percebi depois que chorava porque a ovelha Choné estava triste por não saber do dono ou qualquer coisa do género, sei lá, nem vi bem o filme...
 
Comoveu-me, o meu menino.
 
É preciso azar! Não gostar especialmente de ir ao cinema, muito menos desta natureza, acontecer tudo aquilo, mais o barulho de fundo, mais o espectador da última fila que em vez de pipocas estava a comer tacos e a cada dentada toda eu me arrepiava, mais o fim das férias que os deixa num estado misto de "não posso viver sem ti e já não te posso ver à frente"... a sério... há momentos em que me sinto choné! Mesmo choné! Fora do baralho! Sem paciência para estes programas... Sem paciência para manadas...
 
Quanto ao filme... é obra! Manter os miúdos mais ou menos atentos durante 85 minutos  sem uma única fala. É obra! Mas não acrescenta nada ao que se vê nos episódios do Canal Panda. Ou será noutro canal qualquer...?
 
Ficou a promessa de voltar em Dezembro quando estrear "O principezinho". Mas só porque é este filme. De resto... vou fazer por dividir as idas ao cinema entre o pai, tios e avós. Sim, tios e avós! Vocês leram bem! :)

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Equilíbrios complicados

Tantas vezes ouvimos os outros queixarem-se da vida como se fossem os únicos a viver uma vida. Queixam-se e tomam a liberdade de aconselhar-nos pela sua vasta experiência. Pelas suas decisões, pelos resultados das mesmas. Pelas escolhas que fizeram, pelo resultado das mesmas. Pelo caminho que decidiram tomar, pelo resultado do mesmo.
 
Tantas vezes ouvimos e ouvimos e ouvimos e esquecemos e esquecemos e esquecemos na hora aquilo que nos disseram. Porque da nossa vida sabemos nós! Estaremos a ser prepotentes, incautos ou extremamente zelosos?

Dizem-nos coisas como:
se eu soubesse... teria dado prioridade a outras coisas...
trabalhei uma vida inteira e não dei a devida prioridade às coisas mais importantes...
tanto que me dediquei aos meus filhos e agora eles não me ligam nenhuma...
And so on...

Como é que se faz, por exemplo, este equilíbrio? Entre o deve e o haver de uma carreira profissional e da atenção que se deve dar às coisas realmente importantes? Aquelas essenciais, invisíveis aos olhos... (como nos ensinou uma extraordinária personagem da literatura). Como não dar 100% numa carreira profissional, no auge do seu desenvolvimento, no auge das nossas capacidades, mesmo que completamente conscientes dos efeitos colaterais disso, se a sociedade em que vivemos nos exige tanto, num tão curto espaço de tempo? Quando nos diz que a partir dos 35 anos já estamos velhos para iniciar uma carreira? Quando nos diz que 85% do sucesso é a imagem? Quando nos coloca à margem dos outros porque somos pais?

Como encontrar um equilíbrio entre um desempenho profissional de sucesso e não me refiro a sermos bons profissionais, mas sim a desafiarmo-nos todos os dias rumo à subida de todos os degraus com que nos deparamos e, ao mesmo tempo, estarmos presentes perante as tais prioridades, perante o essencial que é invisível aos olhos?

Conscientes! Sobretudo conscientes disto, das ausências em momentos importantes, do chegar tarde, do penalizarmos os que nos rodeiam com a nossa ausência, como poderemos encontrar este equilíbrio?

E quem é pai e mãe? Será que se deve substituir a si mesmo para poder garantir as necessidades básicas das crianças, enquanto acompanha mais este e aquele projecto que está a desenvolver? E o essencial? Aquele... invisível os olhos... como é que lhe respondemos? Se não estamos presentes?

Poderá haver lugar a um tempo para a parentalidade, enquanto eles são pequenos, e um tempo para a carreira profissional, quando eles estão mais crescidos? E o tempo que passou? De que nos serve relativamente à competição a que estamos sujeitos?

Tantos "ses", tantos "comos", tantos "porquês". Tantas incertezas que nos acompanham nestes cenários que nos conduzem a duvidarmos de nós próprios. Das nossas escolhas. Daquilo que sabemos ou pensamos ser importante. Daquilo que pensámos ser o melhor para todos. E depois? Depois... depois ouvimos os outros nos seus conselhos mascarados de desabafos, assim como quem não quer a coisa. E ficamos divididos.

Num destes dias um amigo nosso com mais idade que nós, pai de quatro filhos cujo mais novo tem 16 anos, dizia-nos que nunca esteve presente numa reunião de pais. Que faltou a muitos momentos importantes da vida dos filhos em função da sua carreira. Custa-nos ouvir isto, mas sabemos que é um bom pai. Sabemos que o fez para poder dar aos filhos uma vida boa. Que trabalhou imenso, em várias áreas. Que se dedicou à sua carreira profissional e que fez história. Aliás, faz parte da história do nosso país! É reconhecido publicamente. E em privado também. Mas lamentava-se assim. Desta forma. Como que reduzido a nada...

Como saber o que fazer? Como encontrar um equilíbrio? 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

A Oeste nada de novo

Dois meses volvidos desde o último post neste blog, cá estou eu. Não tenho desculpas para dar nem para pedir. Escrever aqui, neste quase diário, é um exercício que pratico há 2 anos sem qualquer ditadura. Escrevo, como sempre disse, porque gosto. Porque quero. Quando tenho vontade. E, sobretudo, escrevo o que sinto e sinto o que escrevo.
 
Olho para o tempo que passou sem pôr aqui qualquer caractere e, restrospectivamente, faço um balanço muito simples. A vida continua a ser como dantes. Tal como ela é.
 
Fiz anos. Fui madrinha de baptismo. Fiz remodelações na minha casa. Viajei. Continuei a trabalhar dedicadamente e apostada em atingir os objectivos a que me propus antes dos prazos estipulados (e consegui!). Os meus queridos filhos terminaram mais um ano escolar com sucesso. O meu marido e grande companheiro de uma vida atingiu mais um objectivo da sua vida (e que bem que está a correr). Estive com amigos. Estive com a família. Mais bebés a nascer. Mais bebés concebidos. Mais pequenas grandes coisas que me deixam felizes. Tantos, mas tantos "melhores do meu dia" que me têm ajudado a adormecer.

No entanto, também tive más notícias. Mais dois casos de cancro muito próximos de nós. E a partida antecipada, no sábado, de uma amiga do tempo de escola. Uma profunda tristeza.

Pura e simplesmente não me apeteceu escrever. Nem os pedidos insistentes de quem por aqui passa, sobretudo de leitoras mais assíduas, me motivaram a pegar no blog.

Precisava de parar. Parei.

A blognovela terminou num ponto chave a sua primeira temporada.

Escrevi mais dois livros infantis.

E agora? O que será deste cantinho? Será que vai continuar?

Tal como diz o título: A Oeste nada de novo.

 

terça-feira, 16 de junho de 2015

Adoro

A criatividade.
O engenho.
A paciência.
(Já tentei fazer o mesmo. Vejam aqui.)





Um touro dentro de casa

Foi com isto que sonhei. Que estava um touro preto, imponente, dentro de minha casa. Surgiu na sala. Consegui fugir para os quartos. De repente, o touro estava entre mim e os meus filhos. Consegui orientá-los para passarem por baixo das pernas do touro e consegui protegê-los.

Fugimos para o quarto deles. Fechei a porta, mas o touro começou a dar marradas na mesma. Olhei em volta para ver o que podia fazer. Agarrei na secretária dela, levantei-a e coloquei as patas contra a parede. Naquela "caixa" entre a parede e a secretária pus os miúdos. Se o touro entrasse, não conseguiria tocar-lhes.

Continuei a olhar em volta para ver como safar-nos daquela situação. A colcha do miúdo é vermelha. Tirei as janelas de alumínio e pendurei a colcha. Metade para dentro do quarto, metade para fora. A janela dá para uma varadanda. O touro nunca parou de marrar. Já a porta tinha um buraco. Já o touro ficava com os cornos para dentro do quarto.

Peguei nos putos e pus-me a atrás da porta do quarto com eles. Abri a porta e o touro entrou, raivoso. Em direcção à janela. E nós saímos, os três, pela porta. E voltámos a fechá-la.

Não sei o que significa. Mas sei que foi muito real. Também não sei se o touro chegou a saltar a janela caindo esparramado na varanda da vizinha. Talvez porque ao sairmos do quarto o assunto ficou arrumado. Mas acordei orgulhosa por ter encontrado uma solução realista.

Se algum dia tiver um touro dentro de casa, já sei o que fazer.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Noite de santos



Começa hoje, oficialmente, a época dos santos populares.

Gosto muito! Todos os anos vamos à sardinha (que eu detesto, mas que compenso com uns caracóis, chouriço assado ou uma bifana no pão), ao bailarico e à sangria. Todos os anos calcorreamos uma zona de Lisboa numa destas noites de festa. Gostamos da Bica, mas também não nos fazemos de esquisitos. E todos os anos encontramos alguém conhecido. Por norma, alguém que já não víamos há muito tempo.

É isto Lisboa. Um ponto de encontro onde todos gostam de estar. E não há melhor festa que a dos Santos Populares.

Sinto-me uma verdadeira tuga. Talvez por ter nascido, também, em dia de santo... no dia de São Pedro. Mas se por algum motivo não consigo ir... ui! Parece que o resto do ano já não me corre tão bem. :)

Este ano ainda estou para ver como vai ser. Hoje temos Feira Gastronómica em Paço de Arcos, que é um arraso!! Expensive Soul em Oeiras. O meu primo a tocar na Graça... o leque é rico e variado... Quem quer desempatar isto?

Gosto mesmo deste mês de Junho. O ano lectivo a acabar, as férias de Verão quase à porta. Maior descontracção. Menos preocupações e obrigações com eles. Só a de, única e exclusivamente, continuar a fazer com que cresçam felizes. E incluí-los nestes programas.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Um rosto conhecido

Cerca de duas horas depois de ter sido dado o alerta pela funcionária do hotel, os hóspedes continuavam sem arredar pé na esperança de virem a saber o que realmente se tinha passado. A polícia tinha vedado o espaço, não deixava que ninguém passasse para a zona exterior, mas as grandes paredes de vidro que davam para a piscina permitiam que as operações fossem acompanhadas a par e passo.

Do lado de fora pareciam peixes num aquário, à espera de serem alimentados. O que, na verdade, era o que se estava a passar. A fome e sede de informação superaram o cansaço acumulado de um descanso interrompido e de uma madrugada que parecia nunca mais acabar. Mas ali estavam. Resistentes.

Na piscina continuava o corpo envolto de uma mancha escura. De sangue. Cada vez maior. Na piscina, estava uma mulher. Vestida com um roupão, de cabelos soltos e virada para baixo. À espera de ver a sua identidade reconhecida.

- Nunca mais! Nunca mais me apanham cá! - Dizia uma senhora muito aborrecida.
- Isto é inadmissível. Está aqui uma pessoa há horas e não nos dizem nada!!
- Mas o que é que quer saber?
- Quero saber o que é quase passou!!
- Ó meu amigo. O melhor é esperar sentado. Estas coisas demoram muito tempo.
E assim iam as conversas...

Mas um movimento suspeito dos operacionais fazia adivinhar que estava na hora de perceber quem era aquela mulher. O corpo estava a ser retirado da piscina. O médico-legista a postos para avaliá-lo. A polícia judiciária também se encontrava no local. O mistério seria revelado em breve...

A luz era pouca para ver bem, à distância, o que se estava a passar. O corpo já estava à beira da piscina, prestes a ser retirado. O silêncio entre os hóspedes adensava-se na expectativa de verem o rosto da pessoa. Da morta. E quando, finalmente, o corpo foi retirado da água, ouviu-se um oooohhh geral. Pois tinha sido exactamente para a montra de curiosos que o corpo no chão pousava. Com a cara virada para quem quisesse ver.

- Não acredito... - Ouviu-se.
- Oh meu Deus... - Outra reacção.

E um vómito compulsivo deu início no meio daquelas pessoas. Uma mistura de sentimentos perante o cenário. Perante a realidade. Perante aquela cara ensanguentada.

Em auxílio da pessoa que vomitava, houve quem pegasse numa taça com flores secas em cima de uma mesa e arrancasse uma toalha branca com a louça do pequeno-almoço para a manhã seguinte. Fores para o chão, louça pelo ar. A taça para amparar o vómito a toalha para limpar. E os que assistiam, enojados, afastaram-se. Já bastava o que se passava lá fora.

- Toma querida. Apoia-te em mim.
- Tu viste?
- Vi... Vi... Mas agora tens de recuperar. O que é que comeste? Não páras de vomitar!!
- Não consigo... Tu viste?
- Vi Madalena. Eu vi a Isabel.

terça-feira, 9 de junho de 2015

É que não passa!!


Estou há mais de uma semana com um torcicolo. E não tem nada a ver com a senhora do soutien... :) Eu senti o estalo no pescoço quando ainda estava deitada. Depois a pressão que sinto em mim com estes dias de calor não tem ajudado. Pelo menos no meu caso a coisa só piora. Decidi ir procurar alternativas aos comprimidos que já tomei para isto, pois aliviam na hora, mas depois volta tudo ao mesmo..
Encontrei estas dicas. Vou experimentar.
1. Aplicar gelo no local dorido. Repetir de 20 em 20 minutos. Além de reduzir a dor, vai acelerar a cura da inflamação. É anestesiante;
Ou...
2. Aplicar uma compressa quente no pescoço. Estimula a circulação sanguínea e promove uma sensação agradável. Um simples banho quente demorado pode ser a solução. Dirigir o jacto de água quente do chuveiro para a zona inflamada é uma boa ideia. Alguns minutos depois, fazer alongamentos bem leves, levando o queixo em direção ao peito, girar a cabeça em direção aos ombros, de maneira alternada para esquerda e para direita;
Ou...
3. Utilizar um gel à base lobélia ou arnica, fazendo massagens suavemente. Para acelerar o alívio, beba algumas gotas de extrato de pimenta caiena;
Ou...
4. Caso estejamos numa situação restritiva, como no local de trabalho, e não pudermos fazer compressas, por exemplo, uma boa técnica é fazer uma auto massagem nos ombros, agarrando-os com as mãos em concha. Devemos ir apertando até chegar sob as orelhas. Cada movimento deve durar cerca de 10 segundos. Repetir 2 ou 3 vezes;
Ou...
5. Se o problema persistir, o mais seguro é providenciar um Raio – X da coluna cervical, afim de verificar se há algum problema com o alinhamento do pescoço. Se sim, um terapeuta quiroprático também poderá ajudar.
As massagens já as fiz. De nada me vale... Quando estou no banho o jacto do chuveiro é, de facto, muito bom. Mas depois a dor volta... falta-me experimentar o gel, o extracto de pimenta caiena e o gelo.
Não passa a dor. É mesmo restritivo. A conduzir então... Vocês sabem...
(vejam só o estado em que estou para escrever um post sobre isto...)

Olh'ó soutien!!



Este calor tira-nos do sério.
De tal maneira que as pessoas não querem nem saber das figuras que fazem na rua.

Fiquei desconfiada, pelas traseiras, que era um soutien. E, depois, ao ultrapassar a senhora, tive a certeza. Era lingerie. Com direito a renda à volta do peito. E todos os que passavam por ela devem ter ficado com um torcicolo, tal o virar de pescoço quando ela passava.

Estava feliz, a senhora. E os transeuntes também ficavam. Quando a viam passar. :)

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Segunda-feira



Passei só para dizer bom-dia. Que o fim de semana foi um ar que lhe deu. Que esta semana não tem feriados para mim. Que tenho um prazo para cumprir. E que se tivesse umas pernas assim seria mais fácil vestir roupa gira e elegante com este calor infernal que só me desvia o olhar para as havaianas e vestidos de praia.

Tenham uma boa semana. 
(a ver se desvendamos a morte que se deu na blognovela...)

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Tem sido uma semana produtiva...

Face à riqueza temática para produção de conteúdos jocosos que a nossa comunicação social on-line nos tem oferecido. Por um lado, o tatuado do Quaresma com a Oprah da Malveira da Serra a tapar-lhe os caracóis. Por outro os activistas que surgiram em defesa... dos caracóis e, ainda, a saída do JJ para o Sporting.
Fico mesmo impressionada com a capacidade de escrita do público português. E mais! Com a disponibilidade para lerem todas as notícias que impliquem polémicas e decoro. E porque é que fico impressionada? Porque chego à conclusão que as pessoas têm muito tempo livre para escreverem e lerem sobre assuntos que não contribuem, EM NADA, para o bem da nação. Que na hora de realmente darem atenção e lerem e escreverem e movimentarem-se em prol do bem colectivo, olha tudo para o lado.

Quem ganha com isto? Todos a quem interessa que a opinião pública vire a cara para o lado face a problemas de peso. Até calha bem... Estamos a chegar ao Verão, a malta quer é bejecas, caracóis e sunsets, no fim do mês o subsídio de férias, para a semana até há um feriado e começam os santos populares. 

É um arraial, a nossa sociedade. Do mais popular que há. É para falar mal? Booora!! É para conjecturar? Booora!! É para a festa? Booora!! É para falar de coisas sérias? Eh pá... não contem comigo que tenho muito que fazer...

Desta forma alimentam-se verdadeiras indústrias. A revista da Oprah malveirense teve toda a publicidade e destaque que queria ter. Partilhas e mais partilhas, com direito a um gozo total da parte dos intervenientes. A Cristina ainda acende mais o rastilho ao dizer Imaginem o que está dentro da revista e o Quaresma idem, idem aspas, aspas ao lançar o repto de premiar a melhor montagem. Conclusão: somos muito criativos, para o que queremos....

O movimento activista em defesa dos caracóis também obteve todo o protagonismo deste mundo, além de ter despertado a criatividade, mais uma vez, dos portugueses. Eles é vê-los a fazerem montagens de imagens com tudo e mais alguma coisa. Gozarem com os vegetarianos e ofenderem tudo e todos, assim tipo arrastão. Gosto mesmo de ver este empenho do pessoal...

A última? Benfica-Sporting. A transferência do treinador, atenção. Não é uma coisa qualquer. Que isto de um treinador que é, apenas, um profissional, valha ele o que valer, no exercício das suas funções a mudar de empregador... ui!! nem sei como é que ainda não foi decretado um dia de luto nacional. Lembram-se do Figo ter mudado de um clube espanhol para outro clube espanhol rival do primeiro? Até ameaças de morte recebeu. Mas em Portugal todos acharam muito bem. Então e quando um médico XPTO muda de uma clínica para outra clínica concorrente ou um programador do Facebook muda para a Google? Traição, claro, traição! Ah, espera... não é a mesma coisa... futebol é futebol... o resto é outra coisa qualquer...

Gosto de ver a malta a investir tanto tempo nestes assuntos tão estruturantes da nação. Só espero que o mesmo aconteça em momentos, de facto, importantes. Que saiam à rua nos dias de eleições para votarem, que cantem o hino no dia 10 de Junho, já que o aprenderam por causa do futebol, que façam das tripas coração para que a opinião de cada um tenha peso no destino do nosso país, no destino das gerações vindouras.

Sabem ler e escrever. São criativos e conhecem todos os meios de comunicação e redes sociais. Até sabem línguas e todos têm uma veia de comediante. Portanto, o CV tem todos os requisitos para serem chamados a ocupar o cargo para o qual contribuem todos os dias: o de decisor! Pois os maiores accionistas do Estado... somos todos nós...

terça-feira, 2 de junho de 2015

Mas o que é que tu fazes para escrever?

Por norma respondo:
Sento-me ao computador, ligo-o e começo a escrever. (com alguma ironia, é certo)
E depois a conversa desenrola-se em torno da escolha dos temas, da inspiração para a blognovela, da linha que separa a realidade da ficção, das ideias que partilho por aqui e pela página do facebook.

Mas quem tem estas dúvidas, por norma, anda a pensar na possibilidade de criar um blog, de começar a escrever ou de gerir uma página temática. E quer saber como é que eu faço. Como é que eu faço? Para escrever? Bom, isto não obedece a nada em concreto. Não é como emagrecer. Faço assim e assado e fico mais magra. Não é como cozinhar. Seguindo step-by-step uma receita. And so on

Eu não faço nada. Escrevo. Apenas.

Não há fórmulas!! É a conclusão que passo sempre. Explico que esta relação que tenho com a escrita não é uma coisa que me deu num belo dia ao acordar. Que sempre escrevi. Desde miúda. Escrevia poemas, textos soltos, dedicatórias e até letras de músicas. Que este não é o meu primeiro blog. Já tive outro que era estritamente profissional. Explico que nem todos os dias me dá para escrever. Não tenho, pura e simplesmente, inspiração. E noutros dias, ainda, tenho tanta vontade de escrever que me sento em frente ao PC sem saber o que é que vai sair dali. E depois até sai um texto giro.

Escrever "facilmente" também exige treino. Quanto mais escrevemos, mais fácil se torna fazê-lo. Como em qualquer outra área. Isso reflecte-se em outras coisas do dia-a-dia. Quando é preciso escrever noutros contextos e sai assim um texto sem pensar muito sobre isso. Apenas e só pela prática. Isso é algo que se sente.

Tudo me serve, a verdade é essa. Tudo me serve de inspiração. Uma conversa, um filme, uma notícia, qualquer coisa que leio, um episódio da vida quotidiana, os meus filhos, os meus amigos, as pessoas com quem me cruzo e tudo o mais. Mas é, sobretudo, sobre o que vivo que gosto de escrever. Escrevo o que sinto e sinto o que escrevo. E parece que só por si isso funciona.

Se funciona para outras pessoas, não sei. Mas deixo as seguintes dicas que considero fundamentais. Cada um deve procurar saber, intuitivamente, se escrever é algo que:

1.º conseguem fazer naturalmente
2.º corresponde às necessidades de escrita que sentem
3.º é, de certeza, uma necessidade que sentem
4.º não querem fazer apenas porque até pode dar algum dinheiro
5.º é giro, só porque sim (e isso não basta)
6.º o distingue de todos os outros que escrevem (e só assim poderão acrescentar algum valor ao seu trabalho)
7.º o fazem com alma
8.º conseguem criar uma personalidade digital
9.º conseguem definir um estilo que seja fácil de identificar
10.º  conseguem alimentar, pois envolve muita dedicação, tempo e algum trabalho

São apenas algumas coisas que considero pontos de partida fundamentais para quem quer aventurar-se nesta matéria. A oferta é muita. Blogs há aos magotes. Mas quantos é que, de facto, têm por detrás um blogger? Ah pois é... não é fácil conquistar esse título, esse lugar. Não é fácil gerar valor se não temos nada a acrescentar ao que já existe e esta é a maior dica de todas. Primeiro pensar muito bem, mas mesmo muito bem sobre o que pode gerar esse valor.

É verdade que também podem seguir alguns modelos de sucesso que recaem, sobretudo, naquilo a que chamo de voyeurismo autorizado. Um retrato absoluto da vossa vida, com direito a fotografias e tudo. Podem optar por criar uma vida familiar idílica, com imagens lindas de morrer, com crianças sempres vestidas a preceito como que a posar para um catálogo de roupa, para que do outro lado o leitor siga uma vida que gostava de ter ou também podem optar por escarrapachar tudo o que fazem, mas mesmo TUDO. E se esse "tudo" incluir discussões, sexo ou intrigas, ui! Acreditem que vão ter muito sucesso.

Acima de tudo é preciso definir o que se quer. Porque se quer escrever para um público. Seja ele qual for o "vosso" público. Aquele que querem atingir. Mas SEMPRE, SEMPRE, escrever com verdade, com autenticidade, com coerência. Assim não se criam gaps nos raciocínios e na imagem que passam aos vossos leitores. E essa deve ser o mais fiel possível aquilo que cada um é. Sem verdade não há uma pessoa com quem nos identifiquemos. Pois um dia, mais cedo ou mais tarde, a "máscara" cai. As mentiras não duram para sempre.

Uma da manhã, ei! (O quê?!?)

Um destes dias estava uma miúda a cantar na televisão este clássico das Doce. Comecei, instantaneamente, a cantar. Sabia a letra toda, claro! E entusiasmei-me. Até que me deparo com a minha filha a olhar para mim com cara de Esta está maluquinha de todo...

- O que é que foi?
- Tu sabes esta música, mãe?
- Sei. Tu não?
- Não! Nunca ouvi!
- NUNCA? Pois, claro que não...
- É de quem?
- Das Doce?
- Quem?
- A primeira girls band portuguesa.
- A primeira quê?
- Esquece. Anda com a mãe até ao youtube.

Mas de nada valeu. Não achou piada a nada.
Das duas uma: ou a malta da minha idade era, de facto, muito pobre em termos de oferta e tudo lhes servia ou a malta da idade dela tem tanta coisa, tanta oferta que nada lhes serve...


Bem-bom | Festival da canção | 1982