terça-feira, 9 de junho de 2015

Olh'ó soutien!!



Este calor tira-nos do sério.
De tal maneira que as pessoas não querem nem saber das figuras que fazem na rua.

Fiquei desconfiada, pelas traseiras, que era um soutien. E, depois, ao ultrapassar a senhora, tive a certeza. Era lingerie. Com direito a renda à volta do peito. E todos os que passavam por ela devem ter ficado com um torcicolo, tal o virar de pescoço quando ela passava.

Estava feliz, a senhora. E os transeuntes também ficavam. Quando a viam passar. :)

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Segunda-feira



Passei só para dizer bom-dia. Que o fim de semana foi um ar que lhe deu. Que esta semana não tem feriados para mim. Que tenho um prazo para cumprir. E que se tivesse umas pernas assim seria mais fácil vestir roupa gira e elegante com este calor infernal que só me desvia o olhar para as havaianas e vestidos de praia.

Tenham uma boa semana. 
(a ver se desvendamos a morte que se deu na blognovela...)

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Tem sido uma semana produtiva...

Face à riqueza temática para produção de conteúdos jocosos que a nossa comunicação social on-line nos tem oferecido. Por um lado, o tatuado do Quaresma com a Oprah da Malveira da Serra a tapar-lhe os caracóis. Por outro os activistas que surgiram em defesa... dos caracóis e, ainda, a saída do JJ para o Sporting.
Fico mesmo impressionada com a capacidade de escrita do público português. E mais! Com a disponibilidade para lerem todas as notícias que impliquem polémicas e decoro. E porque é que fico impressionada? Porque chego à conclusão que as pessoas têm muito tempo livre para escreverem e lerem sobre assuntos que não contribuem, EM NADA, para o bem da nação. Que na hora de realmente darem atenção e lerem e escreverem e movimentarem-se em prol do bem colectivo, olha tudo para o lado.

Quem ganha com isto? Todos a quem interessa que a opinião pública vire a cara para o lado face a problemas de peso. Até calha bem... Estamos a chegar ao Verão, a malta quer é bejecas, caracóis e sunsets, no fim do mês o subsídio de férias, para a semana até há um feriado e começam os santos populares. 

É um arraial, a nossa sociedade. Do mais popular que há. É para falar mal? Booora!! É para conjecturar? Booora!! É para a festa? Booora!! É para falar de coisas sérias? Eh pá... não contem comigo que tenho muito que fazer...

Desta forma alimentam-se verdadeiras indústrias. A revista da Oprah malveirense teve toda a publicidade e destaque que queria ter. Partilhas e mais partilhas, com direito a um gozo total da parte dos intervenientes. A Cristina ainda acende mais o rastilho ao dizer Imaginem o que está dentro da revista e o Quaresma idem, idem aspas, aspas ao lançar o repto de premiar a melhor montagem. Conclusão: somos muito criativos, para o que queremos....

O movimento activista em defesa dos caracóis também obteve todo o protagonismo deste mundo, além de ter despertado a criatividade, mais uma vez, dos portugueses. Eles é vê-los a fazerem montagens de imagens com tudo e mais alguma coisa. Gozarem com os vegetarianos e ofenderem tudo e todos, assim tipo arrastão. Gosto mesmo de ver este empenho do pessoal...

A última? Benfica-Sporting. A transferência do treinador, atenção. Não é uma coisa qualquer. Que isto de um treinador que é, apenas, um profissional, valha ele o que valer, no exercício das suas funções a mudar de empregador... ui!! nem sei como é que ainda não foi decretado um dia de luto nacional. Lembram-se do Figo ter mudado de um clube espanhol para outro clube espanhol rival do primeiro? Até ameaças de morte recebeu. Mas em Portugal todos acharam muito bem. Então e quando um médico XPTO muda de uma clínica para outra clínica concorrente ou um programador do Facebook muda para a Google? Traição, claro, traição! Ah, espera... não é a mesma coisa... futebol é futebol... o resto é outra coisa qualquer...

Gosto de ver a malta a investir tanto tempo nestes assuntos tão estruturantes da nação. Só espero que o mesmo aconteça em momentos, de facto, importantes. Que saiam à rua nos dias de eleições para votarem, que cantem o hino no dia 10 de Junho, já que o aprenderam por causa do futebol, que façam das tripas coração para que a opinião de cada um tenha peso no destino do nosso país, no destino das gerações vindouras.

Sabem ler e escrever. São criativos e conhecem todos os meios de comunicação e redes sociais. Até sabem línguas e todos têm uma veia de comediante. Portanto, o CV tem todos os requisitos para serem chamados a ocupar o cargo para o qual contribuem todos os dias: o de decisor! Pois os maiores accionistas do Estado... somos todos nós...

terça-feira, 2 de junho de 2015

Mas o que é que tu fazes para escrever?

Por norma respondo:
Sento-me ao computador, ligo-o e começo a escrever. (com alguma ironia, é certo)
E depois a conversa desenrola-se em torno da escolha dos temas, da inspiração para a blognovela, da linha que separa a realidade da ficção, das ideias que partilho por aqui e pela página do facebook.

Mas quem tem estas dúvidas, por norma, anda a pensar na possibilidade de criar um blog, de começar a escrever ou de gerir uma página temática. E quer saber como é que eu faço. Como é que eu faço? Para escrever? Bom, isto não obedece a nada em concreto. Não é como emagrecer. Faço assim e assado e fico mais magra. Não é como cozinhar. Seguindo step-by-step uma receita. And so on

Eu não faço nada. Escrevo. Apenas.

Não há fórmulas!! É a conclusão que passo sempre. Explico que esta relação que tenho com a escrita não é uma coisa que me deu num belo dia ao acordar. Que sempre escrevi. Desde miúda. Escrevia poemas, textos soltos, dedicatórias e até letras de músicas. Que este não é o meu primeiro blog. Já tive outro que era estritamente profissional. Explico que nem todos os dias me dá para escrever. Não tenho, pura e simplesmente, inspiração. E noutros dias, ainda, tenho tanta vontade de escrever que me sento em frente ao PC sem saber o que é que vai sair dali. E depois até sai um texto giro.

Escrever "facilmente" também exige treino. Quanto mais escrevemos, mais fácil se torna fazê-lo. Como em qualquer outra área. Isso reflecte-se em outras coisas do dia-a-dia. Quando é preciso escrever noutros contextos e sai assim um texto sem pensar muito sobre isso. Apenas e só pela prática. Isso é algo que se sente.

Tudo me serve, a verdade é essa. Tudo me serve de inspiração. Uma conversa, um filme, uma notícia, qualquer coisa que leio, um episódio da vida quotidiana, os meus filhos, os meus amigos, as pessoas com quem me cruzo e tudo o mais. Mas é, sobretudo, sobre o que vivo que gosto de escrever. Escrevo o que sinto e sinto o que escrevo. E parece que só por si isso funciona.

Se funciona para outras pessoas, não sei. Mas deixo as seguintes dicas que considero fundamentais. Cada um deve procurar saber, intuitivamente, se escrever é algo que:

1.º conseguem fazer naturalmente
2.º corresponde às necessidades de escrita que sentem
3.º é, de certeza, uma necessidade que sentem
4.º não querem fazer apenas porque até pode dar algum dinheiro
5.º é giro, só porque sim (e isso não basta)
6.º o distingue de todos os outros que escrevem (e só assim poderão acrescentar algum valor ao seu trabalho)
7.º o fazem com alma
8.º conseguem criar uma personalidade digital
9.º conseguem definir um estilo que seja fácil de identificar
10.º  conseguem alimentar, pois envolve muita dedicação, tempo e algum trabalho

São apenas algumas coisas que considero pontos de partida fundamentais para quem quer aventurar-se nesta matéria. A oferta é muita. Blogs há aos magotes. Mas quantos é que, de facto, têm por detrás um blogger? Ah pois é... não é fácil conquistar esse título, esse lugar. Não é fácil gerar valor se não temos nada a acrescentar ao que já existe e esta é a maior dica de todas. Primeiro pensar muito bem, mas mesmo muito bem sobre o que pode gerar esse valor.

É verdade que também podem seguir alguns modelos de sucesso que recaem, sobretudo, naquilo a que chamo de voyeurismo autorizado. Um retrato absoluto da vossa vida, com direito a fotografias e tudo. Podem optar por criar uma vida familiar idílica, com imagens lindas de morrer, com crianças sempres vestidas a preceito como que a posar para um catálogo de roupa, para que do outro lado o leitor siga uma vida que gostava de ter ou também podem optar por escarrapachar tudo o que fazem, mas mesmo TUDO. E se esse "tudo" incluir discussões, sexo ou intrigas, ui! Acreditem que vão ter muito sucesso.

Acima de tudo é preciso definir o que se quer. Porque se quer escrever para um público. Seja ele qual for o "vosso" público. Aquele que querem atingir. Mas SEMPRE, SEMPRE, escrever com verdade, com autenticidade, com coerência. Assim não se criam gaps nos raciocínios e na imagem que passam aos vossos leitores. E essa deve ser o mais fiel possível aquilo que cada um é. Sem verdade não há uma pessoa com quem nos identifiquemos. Pois um dia, mais cedo ou mais tarde, a "máscara" cai. As mentiras não duram para sempre.

Uma da manhã, ei! (O quê?!?)

Um destes dias estava uma miúda a cantar na televisão este clássico das Doce. Comecei, instantaneamente, a cantar. Sabia a letra toda, claro! E entusiasmei-me. Até que me deparo com a minha filha a olhar para mim com cara de Esta está maluquinha de todo...

- O que é que foi?
- Tu sabes esta música, mãe?
- Sei. Tu não?
- Não! Nunca ouvi!
- NUNCA? Pois, claro que não...
- É de quem?
- Das Doce?
- Quem?
- A primeira girls band portuguesa.
- A primeira quê?
- Esquece. Anda com a mãe até ao youtube.

Mas de nada valeu. Não achou piada a nada.
Das duas uma: ou a malta da minha idade era, de facto, muito pobre em termos de oferta e tudo lhes servia ou a malta da idade dela tem tanta coisa, tanta oferta que nada lhes serve...


Bem-bom | Festival da canção | 1982