Bom dia. :)
terça-feira, 26 de maio de 2015
segunda-feira, 25 de maio de 2015
À beira da piscina (blognovela)
O Duarte estava tão distraído com a leitura que não deu pela Matilde chegar.
- Posso?
- Como? Ah, Matilde! Desculpa... não te vi...
- Posso sentar-me aqui ao pé de ti?
- Claro! - E levantou-se para puxar uma cadeira. - Já estiveste com a Madalena? - Perguntou.
- Já.
- E como é que ela está? Melhor?
- Sim... dói-lhe a cabeça, mas nada de mais... O pior é o resto...
Silêncio.
- Como é que isto aconteceu? - Disparou a Matilde.
- Nem sei bem... quando dei por mim estava envolvido com a Isabel... aconteceu tudo muito depressa e a Madalena... sabes como é... nunca está presente...
- E achas que foi melhor assim? Envolveres-te com uma mulher e saíres de casa? Ainda por cima não foi com uma mulher qualquer!! Não!! Tinha de ser com uma amiga minha!!
- Amiga tua? Achas mesmo que a Isabel é tua amiga?
- E tu? Achas mesmo que a Isabel está apaixonada por ti?
O Duarte olhou-a de lado.
- Pensas que eu não sei o que vale a Isabel? Sei muito bem. De certeza que ela teve qualquer interesse em ti para te ter piscado olho. E tu foste logo! Com o rabinho a dar a dar!
- Menos, Matilde. Muito menos.
- Muito menos?!? Isso digo-te eu!! Achavas que isto não se vinha a saber? Tu sabes o que a Madalena sofreu e ainda está a sofrer com esta cena toda? Chorou baba e ranho durante duas semanas, ouviste?? Nem sequer foi trabalhar! Não saía de casa! Culpou-se, porque sabia bem que sempre pôs o trabalho à frente de tudo. Mas tu sabias como eram as coisas ainda antes de casar com ela, certo?
- SABIA, MADALENA! SABIA! Mas acreditei que seria diferente depois de casarmos. Acreditei que ela passasse a dar prioridade à nossa relação. Ao nosso casamento! Não penses que eu não a amo! Eu amo-a, Matilde! Continuo a admirá-la como sempre admirei! Continuo a ter orgulho no seu trabalho, na sua obstinação pela perfeição. Mas descobri-me, percebes? Descobri que não conseguia viver assim. Sem ela... A porta estava aberta... foi a Isabel que entrou como podia ter sido outra qualquer...
- Outra qualquer?!?
- Não me julgues... Não julgues ninguém, Matilde. Não sabes como são as coisas. Pensas que sabes. Mas não sabes nada.
Silêncio.
- Ela disse-me que te pediu para voltares para casa...
- Sim, pediu.
- Então se a amas... porque é que não voltaste?
- Queres mesmo saber? Acho que a atenção da Isabel estava a fazer-me bem. E eu sabia que a Madalena, se eu voltasse, não teria tempo para mim.
- Estava a fazer-te bem? Então? Já não está?
- Está... sim, claro... sei lá...
- Sabes lá? Arruma lá essa cabeça! O que é que se passa?
- Ontem não gostei nada de ver a Madalena naquele estado. Não gostei nada de ver como a Isabel reagiu convosco. Não me senti nada bem com esta situação.
- E?
- E? E o quê?
- E o que é que estás a pensar fazer em relação a isso? Vais continuar assim... dividido entre o "ai, esta faz-me tão bem ao ego, mas é da outra que eu gosto"?
- Tu és tramada...
- Não Duarte! Eu sou aquela pessoa que está a tentar que vejas as coisas. Que está a tentar ajudar-te a arrumar essa cabeça, esse coração. O que é que vale mais no meio disto tudo? É isto? Fins-de-semana fora, jantares românticos e viagens ou é saberes que apesar de tudo terás sempre, mas sempre alguém com quem contar? Sabes que à primeira a Isabel põe-se a andar! Ou melhor, põe-te a andar!!
O Duarte sentia-se um alvo. Com tanta pergunta e tantas certezas. Sentia-se, também, dividido. Não conseguia pesar o que era, de facto, mais importante para si. Ao rever a Madalena estremeceu por todo o lado. Mas à distância não queria a vida que tinha com ela. Queria mais. Mais calor, mais amor. Mais Madalena.
- Liga-lhe...
- Hã?
- Liga-lhe, Duarte. Ela merece, ao menos, que dês a cara! Nunca o fizeste! Deixa-a fazer todas as perguntas, deixa-a dizer-te tudo o que sente. E tu faz o mesmo. Não falar é o pior que podes fazer. Já viste como ela se rebaixou? Pediu-te para voltares!!
- Achas mesmo que isso vai resolver alguma coisa?
- Acho! Francamente, acho! Ou tens mesmo a certeza de que queres o divórcio?
O Duarte não respondeu. E de tão embrenhados que estavam na conversa não se aperceberam de que a Isabel estava a chegar:
- Olha, olha! A Matildezinha! Então o que é que estás aqui a fazer?
- Bom Duarte, depois falamos. - A Matilde ignorou-a.
- Ei! Mas o que é isto? Fiz-te uma pergunta e tu viras-me as costas?
- A ti não tenho mais nada a dizer. Aliás, tu foste bem clara na última conversa que tivemos. Por isso Isabel, esquece que eu existo!
- Esquecer que tu existes? Depois do que me disseste? Depois de me teres chamado cabra? Impossível!
- Tu não vales mesmo nada... Acho que o melhor para todos é vocês fazerem as malas e porem-se a andar daqui.
- Ahahahahahah!! Eu? Pôr-me a andar daqui? Agora que o circo começou? Nem pensar!
- Meninas, vamos lá a parar! - Tentou intervir Duarte.
- Até logo. - Disse a Matilde e foi-se embora.
- O que é que ela te queria?
- Nada.
- Nada o quê? Mas pensas que eu não conheço a Matilde? Sempre armada em boa samaritana? Até adivinho: veio falar mal de mim e defender a amiguinha!
- Isabel! Tem paciência, Isabel! Não somos miúdos de 15 anos.
- Ai eu não sou, de certezinha absoluta! Agora tu... às vezes parece que ainda andas de fraldas...
- Desculpa?!?
- Sim, Duarte! Às vezes sinto-me a tua mãezinha. Olha, eu vou mas é para o ginásio antes que a conversa azede.
- Vai, vai. Vai e pensa bem no que acabaste de dizer!
- Estou cheia de medo... ui... - E virou costas a rir-se. Feita cabra.
- Liga-lhe...
- Hã?
- Liga-lhe, Duarte. Ela merece, ao menos, que dês a cara! Nunca o fizeste! Deixa-a fazer todas as perguntas, deixa-a dizer-te tudo o que sente. E tu faz o mesmo. Não falar é o pior que podes fazer. Já viste como ela se rebaixou? Pediu-te para voltares!!
- Achas mesmo que isso vai resolver alguma coisa?
- Acho! Francamente, acho! Ou tens mesmo a certeza de que queres o divórcio?
O Duarte não respondeu. E de tão embrenhados que estavam na conversa não se aperceberam de que a Isabel estava a chegar:
- Olha, olha! A Matildezinha! Então o que é que estás aqui a fazer?
- Bom Duarte, depois falamos. - A Matilde ignorou-a.
- Ei! Mas o que é isto? Fiz-te uma pergunta e tu viras-me as costas?
- A ti não tenho mais nada a dizer. Aliás, tu foste bem clara na última conversa que tivemos. Por isso Isabel, esquece que eu existo!
- Esquecer que tu existes? Depois do que me disseste? Depois de me teres chamado cabra? Impossível!
- Tu não vales mesmo nada... Acho que o melhor para todos é vocês fazerem as malas e porem-se a andar daqui.
- Ahahahahahah!! Eu? Pôr-me a andar daqui? Agora que o circo começou? Nem pensar!
- Meninas, vamos lá a parar! - Tentou intervir Duarte.
- Até logo. - Disse a Matilde e foi-se embora.
- O que é que ela te queria?
- Nada.
- Nada o quê? Mas pensas que eu não conheço a Matilde? Sempre armada em boa samaritana? Até adivinho: veio falar mal de mim e defender a amiguinha!
- Isabel! Tem paciência, Isabel! Não somos miúdos de 15 anos.
- Ai eu não sou, de certezinha absoluta! Agora tu... às vezes parece que ainda andas de fraldas...
- Desculpa?!?
- Sim, Duarte! Às vezes sinto-me a tua mãezinha. Olha, eu vou mas é para o ginásio antes que a conversa azede.
- Vai, vai. Vai e pensa bem no que acabaste de dizer!
- Estou cheia de medo... ui... - E virou costas a rir-se. Feita cabra.
(Leia aqui todos os capítulos)
5 anos depois...
Ainda continua a parecer mentira.
Ainda penso em pegar no telemóvel para lhe ligar.
Ainda tenho o seu número de telemóvel.
Ainda ouço a sua gargalhada contagiante no meu ouvido.
Ainda sinto a sua presença nos lugares onde fomos felizes.
Ainda comemoro o dia do seu aniversário.
Ainda sinto aqueles braços onde todos cabiam.
Ainda sinto o cheiro do seu regaço.
Ainda sinto o sabor dos seus cozinhados.
Ainda a ouço cantar as modas alentejanas que sabia de cor.
Ainda tenho vontade de ir a sua casa, ao seu encontro.
Ainda não acredito.
5 anos depois da partida da minha querida tia, ainda não consigo acreditar que as pessoas boas partem assim. Tão cedo. A sua missão ainda estava a meio. E a ausência tem-se transformado em saudade. Numa sôfrega saudade que me rasga por dentro. Que me embarga a voz. Que me embacia a vista. Quando menos espero. E, sobretudo, nos momentos mais felizes da minha vida. Aqueles em que eu queria que ela estivesse presente. Aqueles pequenos grandes momentos que a moviam, que a faziam acreditar na vida, que nunca a demoviam por qualquer outra obrigação.
A saudade.
Essa é demais.
E não passa. O tempo não é nosso amigo.
É apenas um ingrato de um parceiro que, por vezes, faz parecer tão longe e, outras vezes, faz parecer que foi ontem que partiu.
Saudades tia. Muitas saudades.
domingo, 24 de maio de 2015
A culpa é do acordo...
Estava eu doida, mas doida, por repetir mais de vinte vezes a mesma frase para eles. E o que que é que eles fizeram? Nada!! Nada!! Levantei-me, passei-me, pu-los a marchar e ficaram de castigo.
Depois, com o meu marido:
- Eles não percebem!! Eles não percebem!! Tu não vês? Uma pessoa diz para a direita e eles vão para a esquerda! Uma pessoa diz para a esquerda e eles vão para a direita!! É de loucos!!
Senhor meu marido, com uma grande calma, responde-me:
- Mas eu já sei porque é que eles não nos percebem. É que nós falamos no português antigo e eles só compreendem se falarmos com o novo acordo ortográfico...
Really?!? Se eu estava possessa imaginam como é que fiquei...
quinta-feira, 21 de maio de 2015
Duarte (blognovela)
O desertor. Podíamos dar-lhe este cognome. Ou o filho da mãe. Ou o traidor. Ou o futuro ex-marido da Madalena. Ou, pura e simplesmente, o homem. Entre três mulheres.
Conhecera a Madalena no funeral de um amigo comum. A sua figura vistosa prendeu-lhe logo a atenção e essa prisão também ela a sentiu, quando os seus olhos bateram nos dele. Pela primeira vez. E nesse dia, sem o saberem, apaixonaram-se.
Tinha casado por amor. Sabia perfeitamente que a vida da Madalena era pública, agitada, preenchida. Sabia, desde o dia em que a conheceu, que era obstinada. Fosse pelo que fosse, a Madalena era obstinada. Os objectivos a que se propunha era para serem cumpridos, ultrapassados, se possível, na perfeição e só por isso é que tinha alcançado o sucesso profissional que lhe dava notoriedade. E só por isso, por essa força maior que lhe reconheceu, soube logo que era com ela que queria casar. Bastou-lhe sentir a força da Madalena para que um frio na barriga o consumisse. E até que ela o aceitou, não descansou.
Sabia de antemão que casar com uma figura pública era viver na sombra. Não gostava de acompanhá-la em eventos públicos. Os flashes não o atraiam. Preferia gozar do sucesso da mulher de forma privada. Em casa. Quando lia o que ela escrevia. Quando a encontrava, inesperadamente, numa revista qualquer. Não lhe fazia confusão o sucesso da mulher. Apreciava-o e falava com orgulho. E vaidade. E sabia que era a ele que ela regressava. Todos os dias. E depois... como qualquer pessoa apaixonada... achou que com ele seria diferente. Que, depois do casamento, a Madalena iria estar mais tempo disponível. Presente. Com ele. Para ele.
Duarte era alto, moreno e de olhos verdes. Um homem muito bonito. Charmoso. Bem falante. Gerente de um banco e um autodidata em informática. Era fácil gostar dele e pretendentes não lhe faltavam. No banco era frequente sentir um certo assédio da parte das colegas e algumas clientes. Fazia-lhe bem ao ego. Gostava disso. Mas nunca lhe tinha passado pela cabeça trair a Madalena. Mesmo nos momentos em que se sentia sozinho. Aí dedicava-se aos computadores e não raras foram as vezes que ao chegar a casa ela o encontrou adormecido perante os ditos.
Mesmo na lua de mel, perante tanta exposição de um momento tão privado, fez por perceber que quem acompanhava a vida da sua recém-esposa queria saber de todos os pormenores. Fez por entender tantas publicações nas redes sociais. Tantas fotografias dela mesma. Fez por perceber.
Com o tempo a passar, começou a sentir-se sozinho. Muitas vezes. Demasiadas. Os amigos, casados, pouca disponibilidade tinham. Os computadores, por mais que gostasse deles, não conversavam. No frigorífico encontrava sempre e apenas uma refeição. Não havia barulho em casa. Não sentia vida em casa. E o silêncio começou a incomodá-lo.
Até que chegou o dia da famosa festa de aniversário da Matilde. E no dia seguinte uma mensagem da Isabel no Messenger. A gabá-lo. A convidá-lo para um café. A seduzi-lo.
Não resistiu muito tempo. A porta estava aberta. E a Isabel entrou.
Mesmo na lua de mel, perante tanta exposição de um momento tão privado, fez por perceber que quem acompanhava a vida da sua recém-esposa queria saber de todos os pormenores. Fez por entender tantas publicações nas redes sociais. Tantas fotografias dela mesma. Fez por perceber.
Com o tempo a passar, começou a sentir-se sozinho. Muitas vezes. Demasiadas. Os amigos, casados, pouca disponibilidade tinham. Os computadores, por mais que gostasse deles, não conversavam. No frigorífico encontrava sempre e apenas uma refeição. Não havia barulho em casa. Não sentia vida em casa. E o silêncio começou a incomodá-lo.
Até que chegou o dia da famosa festa de aniversário da Matilde. E no dia seguinte uma mensagem da Isabel no Messenger. A gabá-lo. A convidá-lo para um café. A seduzi-lo.
Não resistiu muito tempo. A porta estava aberta. E a Isabel entrou.
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