quarta-feira, 20 de maio de 2015

Quem quer ir a Cascais?

Desde o lançamento do Onde está a avó? tenho andado em "digressão" por escolas e espaços culturais. Este sábado, dia 23 de Maio, estarei na Biblioteca Infantil e Juvenil de Cascais, no Parque Marechal Carmona para um abraço e dois dedos de conversa.

Fico à vossa espera! ;)


O vestido e a gala

Foi na passada segunda-feira, no Casino do Estoril, que teve lugar a Gala de Solidariedade 2015 da Fundação "O Século". Tive o privilégio de assistir ao vivo à disponibilidade de quem pode generosamente ajudar quem mais precisa. Outro privilégio foi assistir a uma actuação do jovem e promissor bailarino Samba Injai. Sem dúvida um momento belíssimo e único. Depois, para finalizar, Fernando Pereira com o seu espectáculo "Lord of the voices".

Na foto aqui estou eu com o Senhor Presidente da Fundação, o Dr. Emanuel Martins, a sua esposa e o meu marido.
Foi uma noite de magia.

Tinha-vos falado sobre a minha pesquisa à volta de vestidos de cerimónia em busca de inspiração. Andava inclinada para os pretos e foi precisamente por um vestido preto que me fiquei. Decote em V drapeado, com um cinto com um apontamento dourado e a cair a direito até aos pés. As sandálias é que deram graça ao outfit pelas cores e pelo salto fino, elegante. Os brincos, num verde água oscilante, a combinar com a clutch e as sandálias. Para quem perguntou são da Bijou Brigitte. O vestido de uma loja que se chama Vitamine e que fica no Fórum Sintra. A clutch é da Primark (não consegui nenhuma imagem) e as sandálias são da Zara.

Ficou bem. Não tenho fotos mais pormenorizadas, mas uma coisa é certa: o menos é mais. E não é preciso muito para brilhar! ;)

terça-feira, 19 de maio de 2015

Matilde (blognovela)

Sem estar à espera de uma cena destas na sua vida, Matilde não teve qualquer dúvida em tomar partido pela amiga Madalena. O sofrimento em que a mesma ficou quando o Duarte a abandonou, vê-la a culpar-se desse abandono e, depois, descobrir que, afinal, a culpada era uma amiga sua, deixou-a de rastos.
 
Chegou à conclusão de que, afinal, não conhecia a Isabel. Não assim, sem humanidade nenhuma. Admitia que uma pessoa pode apaixonar-se por outra sem querer, mesmo consciente do compromisso do outro, mas a forma como ela encarou a situação à beira da piscina e na conversa ao pequeno-almoço não lhe deixou dúvidas sobre o seu carácter.
 
Tinham-se conhecido há uns anos atrás por motivos profissionais. Pouco antes do trágico acidente que vitimou os pais da Isabel. Na altura a família Galvão tinha adquirido uma quinta no Algarve que precisava de ser remodelada. E por intermédio de uma empresa para quem trabalhava foi a arquitecta paisagista escolhida para dar vida a todo o espaço exterior.
 
Tinha uma forma muito particular de abordagem, procurando sempre o equilíbrio entre o comportamento da natureza e a acção humana. Criava na paisagem aquilo que os seus clientes lhe pediam, tornando o espaço uma mais valia em qualquer situação. No caso da quinta dos Galvão procurou a melhor forma de considerar e desenvolver os seus valores culturais e os seus recursos biofísicos, o que lhes permitiu, ao mesmo tempo, potenciá-la do ponto de vista económico, técnico e biológico. Tendo contribuindo, assim, para mais um negócio a acrescentar ao património da família.
 
Foi por causa deste projecto que nasceu a sua amizade com a Isabel. Considerava-a uma menina mimada, fruto de ser filha única e futura dona de um império. Considerava-a, até, um pouco fútil, mas desculpava-a por perceber que tinha tido a vida facilitada, porque não tinha precisado, como ela, de trabalhar para pagar os estudos ou de poupar todos os trocos para comprar "aqueles" sapatos da moda.
 
Na altura a Isabel entusiasmou-se de tal maneira com o projecto que acompanhou o mais que pôde a Matilde nas idas ao Algarve. Queria ver a obra a ganhar forma, queria perceber como é que tudo aquilo se fazia e, claro, queria dar a sua opinião. Dali a uma amizade foi um passo. Mesmo porque não gostar da Matilde era uma coisa muito difícil.
 
Dócil. De olhos negros, grandes e olhar profundo, que combinavam com um tom de pele bronzeado. Sempre bronzeado. Mesmo próprio de quem trabalhava na rua. E vê-la trabalhar com a delicadeza com que o fazia gerava uma empatia imediata com qualquer pessoa. Falava pouco, apenas quando necessário, especialmente em ambiente profissionais e o que dizia caía que nem uma moeda que dá prémio numa slot machine. Por isso era respeitada na sua profissão e o seu bom senso fazia dela amiga e confidente de muitos dos seus amigos.
 
Agora, chocada com a situação, Matilde não parecia a mesma. Não hesitou em chamar cabra à Isabel, porque disse o que sentia. O que sentiu desde o primeiro momento na  noite anterior na piscina. E perder os negócios que tinha com ela não era uma preocupação. O que a preocupava era a maldade revelada pela amiga mimada, solteira, rica, poderosa e vingativa. O que a preocupava era saber que tinha deixado a Isabel a ferver com aquele insulto e com o que poderia fazer à Madalena por causa disso. Também a preocupava saber que com o Duarte aquilo não iria chegar a bom porto e assim tinha-se arruinado um casamento.
 
Bebeu um café duplo. No ouvido tinha-lhe ficado a frase da Isabel Estás lixada comigo. Olhou para o relógio, 9h30. Pegou no telemóvel e ligou à Madalena.
- Sim? Bom dia?
- Bom dia...
- Já estás acordada? Como é que te sentes?
- Dói-me um bocado a cabeça... de resto estou bem.
- Então desce. Vem tomar o pequeno-almoço.
- Não... sobe tu. Vem ter comigo ao quarto. Não me apetece comer nada.
- Ok. Até já.
 
E subiu. A pensar na cabra da Isabel.
 
 
(Leia aqui todos os capítulos)

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Vestidos de gala

Vou a uma gala de solidariedade. No convite não vinha referência ao dress code, mas a palavra "gala" diz tudo, certo? E, ainda por cima, no Casino do Estoril. Nos últimos dias tenho andado à procura de inspiração. Partilho aqui coisas giras que encontrei.




Gosto particularmente dos pretos. Não me comprometo e ainda escondo algumas curvas que não se querem à vista de todos. :)

Depois partilho a minha escolha.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Na manhã seguinte (blognovela)

Isabel acordou com o Bruno Mars quando o telemóvel começou a tocar The lazy song. Era a amiga que tinha em comum com a Madalena. A Matilde.
- Estou...
- Isabel? Bom dia!
- O que é que queres? Já viste bem as horas?
- Quero que te encontres comigo para falarmos.
- O quê?!? Agora?!?
- Sim, agora!
- Desce. Falamos ao pequeno-almoço.
- Olha lá, eu não tenho a culpa desta cena toda. E muito menos explicações para te dar!!
- Tens 10 minutos. - E desligou o telefone.

Meia hora depois lá apareceu a Isabel.

- Tu és mesmo indecente... já viste há quanto tempo estou à tua espera?
- E ter vindo ter contigo foi uma sorte! Eu vim de fim de semana com o meu namorado, não contigo! Acordas-me com as galinhas e ainda reclamas?? Vê lá se tens calma senão dou já meia volta!
- Senta-te e não sejas mal educada. Achas que não tens nada para me dizer?
- Acho que não!
- Achas? Então é-te indiferente o facto de andares metida com um homem casado com uma amiga minha, é isso?
- Ó pá! A tua amiga que tivesse tomado conta dele!
- Desculpa?
- Sim, é isso mesmo! Sabes o farrapo que me chegou às mãos? Até te digo mais, agora é que a coisa melhorou, mas se soubesse o que sei hoje não me tinha metido com ele!
- Ah, então admites que FOSTE TU que te meteste com ele?!??
- Sim, fui.

Matilde respirou fundo.

- Quando é que isto começou?
- Bom... eu tirei-lhe a pinta em tua casa...
- Na MINHA CASA?
- Sim, na tua casa. E pára de gritar!! Estás histérica, Matilde?
- Histérica estás tu!! Na minha casa? Explica lá isso melhor!
- No teu aniversário. Lembras-te que a tua amiguinha nunca mais chegava? Que estavas empatada por ela para cantarmos os parabéns? Que a senhora estava muito ocupada numa vernissage qualquer?
- Mas isso... já foi quase há um ano...
- É... p'raí...
- E depois?
- Depois meti-me com ele no facebook. Mas valha-me a Santa que o homem estava a precisar era de uma mãezinha...

Silêncio.

- Como é que tiveste coragem, Isabel? Tu sabias que a Madalena era minha amiga...
- E então? Qual é o teu problema? A Madalena é uma egoísta, será que não vês isso?
- Olha quem fala!! Julgas que não te conheço? O Duarte, como qualquer outro homem nas tuas mãos, será um brinquedo até te fartares dele. E depois? Hã? E depois? Vais devolvê-lo?
- Sabes que há sempre um período de carência... - Disse no gozo.
- És mesmo parva!
- Parva? Ai eu é que sou parva? Parvas são vocês que acreditam no amor e uma cabana. Nos casamentos para a vida. Blá, blá, blá...
- E qual é o mal disso? Com tanto homem no mundo e tinhas mesmo de escolher um homem casado, hein?
- Sabes que eu não viro costas a um desafio... - Continuou no gozo.
- Olha, só me apetece chamar-te nomes.
- Chama! Chama o que tu quiseres. Mas antes pensa bem no peso que isso pode ter nos nossos negócios. Sim, que arquitectas paisagistas há muitas...
- Mas tu estás a ameaçar-me? Estás a misturar assuntos!
- Não estou nada! Eu nem sou disso. Não viste como consegui distinguir bem o Duarte de ti e da tua amiguinha.
- Cabra!
- Cabra? - Repetiu a rir-se. - Cabra é pouco. Se soubesses do que eu sou capaz... - Levantou-se e virou costas. Mas de repente voltou para trás e ao ouvido da Matilde ainda disse:
- Estás lixada comigo!

Irritada. Desiludida. Fula da vida. Capaz de estrangulá-la. Foi assim que a Matilde ficou.