quarta-feira, 20 de maio de 2015

O vestido e a gala

Foi na passada segunda-feira, no Casino do Estoril, que teve lugar a Gala de Solidariedade 2015 da Fundação "O Século". Tive o privilégio de assistir ao vivo à disponibilidade de quem pode generosamente ajudar quem mais precisa. Outro privilégio foi assistir a uma actuação do jovem e promissor bailarino Samba Injai. Sem dúvida um momento belíssimo e único. Depois, para finalizar, Fernando Pereira com o seu espectáculo "Lord of the voices".

Na foto aqui estou eu com o Senhor Presidente da Fundação, o Dr. Emanuel Martins, a sua esposa e o meu marido.
Foi uma noite de magia.

Tinha-vos falado sobre a minha pesquisa à volta de vestidos de cerimónia em busca de inspiração. Andava inclinada para os pretos e foi precisamente por um vestido preto que me fiquei. Decote em V drapeado, com um cinto com um apontamento dourado e a cair a direito até aos pés. As sandálias é que deram graça ao outfit pelas cores e pelo salto fino, elegante. Os brincos, num verde água oscilante, a combinar com a clutch e as sandálias. Para quem perguntou são da Bijou Brigitte. O vestido de uma loja que se chama Vitamine e que fica no Fórum Sintra. A clutch é da Primark (não consegui nenhuma imagem) e as sandálias são da Zara.

Ficou bem. Não tenho fotos mais pormenorizadas, mas uma coisa é certa: o menos é mais. E não é preciso muito para brilhar! ;)

terça-feira, 19 de maio de 2015

Matilde (blognovela)

Sem estar à espera de uma cena destas na sua vida, Matilde não teve qualquer dúvida em tomar partido pela amiga Madalena. O sofrimento em que a mesma ficou quando o Duarte a abandonou, vê-la a culpar-se desse abandono e, depois, descobrir que, afinal, a culpada era uma amiga sua, deixou-a de rastos.
 
Chegou à conclusão de que, afinal, não conhecia a Isabel. Não assim, sem humanidade nenhuma. Admitia que uma pessoa pode apaixonar-se por outra sem querer, mesmo consciente do compromisso do outro, mas a forma como ela encarou a situação à beira da piscina e na conversa ao pequeno-almoço não lhe deixou dúvidas sobre o seu carácter.
 
Tinham-se conhecido há uns anos atrás por motivos profissionais. Pouco antes do trágico acidente que vitimou os pais da Isabel. Na altura a família Galvão tinha adquirido uma quinta no Algarve que precisava de ser remodelada. E por intermédio de uma empresa para quem trabalhava foi a arquitecta paisagista escolhida para dar vida a todo o espaço exterior.
 
Tinha uma forma muito particular de abordagem, procurando sempre o equilíbrio entre o comportamento da natureza e a acção humana. Criava na paisagem aquilo que os seus clientes lhe pediam, tornando o espaço uma mais valia em qualquer situação. No caso da quinta dos Galvão procurou a melhor forma de considerar e desenvolver os seus valores culturais e os seus recursos biofísicos, o que lhes permitiu, ao mesmo tempo, potenciá-la do ponto de vista económico, técnico e biológico. Tendo contribuindo, assim, para mais um negócio a acrescentar ao património da família.
 
Foi por causa deste projecto que nasceu a sua amizade com a Isabel. Considerava-a uma menina mimada, fruto de ser filha única e futura dona de um império. Considerava-a, até, um pouco fútil, mas desculpava-a por perceber que tinha tido a vida facilitada, porque não tinha precisado, como ela, de trabalhar para pagar os estudos ou de poupar todos os trocos para comprar "aqueles" sapatos da moda.
 
Na altura a Isabel entusiasmou-se de tal maneira com o projecto que acompanhou o mais que pôde a Matilde nas idas ao Algarve. Queria ver a obra a ganhar forma, queria perceber como é que tudo aquilo se fazia e, claro, queria dar a sua opinião. Dali a uma amizade foi um passo. Mesmo porque não gostar da Matilde era uma coisa muito difícil.
 
Dócil. De olhos negros, grandes e olhar profundo, que combinavam com um tom de pele bronzeado. Sempre bronzeado. Mesmo próprio de quem trabalhava na rua. E vê-la trabalhar com a delicadeza com que o fazia gerava uma empatia imediata com qualquer pessoa. Falava pouco, apenas quando necessário, especialmente em ambiente profissionais e o que dizia caía que nem uma moeda que dá prémio numa slot machine. Por isso era respeitada na sua profissão e o seu bom senso fazia dela amiga e confidente de muitos dos seus amigos.
 
Agora, chocada com a situação, Matilde não parecia a mesma. Não hesitou em chamar cabra à Isabel, porque disse o que sentia. O que sentiu desde o primeiro momento na  noite anterior na piscina. E perder os negócios que tinha com ela não era uma preocupação. O que a preocupava era a maldade revelada pela amiga mimada, solteira, rica, poderosa e vingativa. O que a preocupava era saber que tinha deixado a Isabel a ferver com aquele insulto e com o que poderia fazer à Madalena por causa disso. Também a preocupava saber que com o Duarte aquilo não iria chegar a bom porto e assim tinha-se arruinado um casamento.
 
Bebeu um café duplo. No ouvido tinha-lhe ficado a frase da Isabel Estás lixada comigo. Olhou para o relógio, 9h30. Pegou no telemóvel e ligou à Madalena.
- Sim? Bom dia?
- Bom dia...
- Já estás acordada? Como é que te sentes?
- Dói-me um bocado a cabeça... de resto estou bem.
- Então desce. Vem tomar o pequeno-almoço.
- Não... sobe tu. Vem ter comigo ao quarto. Não me apetece comer nada.
- Ok. Até já.
 
E subiu. A pensar na cabra da Isabel.
 
 
(Leia aqui todos os capítulos)

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Vestidos de gala

Vou a uma gala de solidariedade. No convite não vinha referência ao dress code, mas a palavra "gala" diz tudo, certo? E, ainda por cima, no Casino do Estoril. Nos últimos dias tenho andado à procura de inspiração. Partilho aqui coisas giras que encontrei.




Gosto particularmente dos pretos. Não me comprometo e ainda escondo algumas curvas que não se querem à vista de todos. :)

Depois partilho a minha escolha.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Na manhã seguinte (blognovela)

Isabel acordou com o Bruno Mars quando o telemóvel começou a tocar The lazy song. Era a amiga que tinha em comum com a Madalena. A Matilde.
- Estou...
- Isabel? Bom dia!
- O que é que queres? Já viste bem as horas?
- Quero que te encontres comigo para falarmos.
- O quê?!? Agora?!?
- Sim, agora!
- Desce. Falamos ao pequeno-almoço.
- Olha lá, eu não tenho a culpa desta cena toda. E muito menos explicações para te dar!!
- Tens 10 minutos. - E desligou o telefone.

Meia hora depois lá apareceu a Isabel.

- Tu és mesmo indecente... já viste há quanto tempo estou à tua espera?
- E ter vindo ter contigo foi uma sorte! Eu vim de fim de semana com o meu namorado, não contigo! Acordas-me com as galinhas e ainda reclamas?? Vê lá se tens calma senão dou já meia volta!
- Senta-te e não sejas mal educada. Achas que não tens nada para me dizer?
- Acho que não!
- Achas? Então é-te indiferente o facto de andares metida com um homem casado com uma amiga minha, é isso?
- Ó pá! A tua amiga que tivesse tomado conta dele!
- Desculpa?
- Sim, é isso mesmo! Sabes o farrapo que me chegou às mãos? Até te digo mais, agora é que a coisa melhorou, mas se soubesse o que sei hoje não me tinha metido com ele!
- Ah, então admites que FOSTE TU que te meteste com ele?!??
- Sim, fui.

Matilde respirou fundo.

- Quando é que isto começou?
- Bom... eu tirei-lhe a pinta em tua casa...
- Na MINHA CASA?
- Sim, na tua casa. E pára de gritar!! Estás histérica, Matilde?
- Histérica estás tu!! Na minha casa? Explica lá isso melhor!
- No teu aniversário. Lembras-te que a tua amiguinha nunca mais chegava? Que estavas empatada por ela para cantarmos os parabéns? Que a senhora estava muito ocupada numa vernissage qualquer?
- Mas isso... já foi quase há um ano...
- É... p'raí...
- E depois?
- Depois meti-me com ele no facebook. Mas valha-me a Santa que o homem estava a precisar era de uma mãezinha...

Silêncio.

- Como é que tiveste coragem, Isabel? Tu sabias que a Madalena era minha amiga...
- E então? Qual é o teu problema? A Madalena é uma egoísta, será que não vês isso?
- Olha quem fala!! Julgas que não te conheço? O Duarte, como qualquer outro homem nas tuas mãos, será um brinquedo até te fartares dele. E depois? Hã? E depois? Vais devolvê-lo?
- Sabes que há sempre um período de carência... - Disse no gozo.
- És mesmo parva!
- Parva? Ai eu é que sou parva? Parvas são vocês que acreditam no amor e uma cabana. Nos casamentos para a vida. Blá, blá, blá...
- E qual é o mal disso? Com tanto homem no mundo e tinhas mesmo de escolher um homem casado, hein?
- Sabes que eu não viro costas a um desafio... - Continuou no gozo.
- Olha, só me apetece chamar-te nomes.
- Chama! Chama o que tu quiseres. Mas antes pensa bem no peso que isso pode ter nos nossos negócios. Sim, que arquitectas paisagistas há muitas...
- Mas tu estás a ameaçar-me? Estás a misturar assuntos!
- Não estou nada! Eu nem sou disso. Não viste como consegui distinguir bem o Duarte de ti e da tua amiguinha.
- Cabra!
- Cabra? - Repetiu a rir-se. - Cabra é pouco. Se soubesses do que eu sou capaz... - Levantou-se e virou costas. Mas de repente voltou para trás e ao ouvido da Matilde ainda disse:
- Estás lixada comigo!

Irritada. Desiludida. Fula da vida. Capaz de estrangulá-la. Foi assim que a Matilde ficou.

Eu+tu+ele+ela = Nós

No dia das famílias, a nossa equação.
O resultado? Uma família como outra qualquer! :)
 
Com dias melhores, dias piores. Dias de alegria, dias de tristeza. Dias em que nos lembramos da sorte que temos, dias em que não valorizamos essa mesma sorte.
 
Mas TODOS os dias... vividos com amor... (e alguma loucura à mistura)