segunda-feira, 18 de maio de 2015

Vestidos de gala

Vou a uma gala de solidariedade. No convite não vinha referência ao dress code, mas a palavra "gala" diz tudo, certo? E, ainda por cima, no Casino do Estoril. Nos últimos dias tenho andado à procura de inspiração. Partilho aqui coisas giras que encontrei.




Gosto particularmente dos pretos. Não me comprometo e ainda escondo algumas curvas que não se querem à vista de todos. :)

Depois partilho a minha escolha.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Na manhã seguinte (blognovela)

Isabel acordou com o Bruno Mars quando o telemóvel começou a tocar The lazy song. Era a amiga que tinha em comum com a Madalena. A Matilde.
- Estou...
- Isabel? Bom dia!
- O que é que queres? Já viste bem as horas?
- Quero que te encontres comigo para falarmos.
- O quê?!? Agora?!?
- Sim, agora!
- Desce. Falamos ao pequeno-almoço.
- Olha lá, eu não tenho a culpa desta cena toda. E muito menos explicações para te dar!!
- Tens 10 minutos. - E desligou o telefone.

Meia hora depois lá apareceu a Isabel.

- Tu és mesmo indecente... já viste há quanto tempo estou à tua espera?
- E ter vindo ter contigo foi uma sorte! Eu vim de fim de semana com o meu namorado, não contigo! Acordas-me com as galinhas e ainda reclamas?? Vê lá se tens calma senão dou já meia volta!
- Senta-te e não sejas mal educada. Achas que não tens nada para me dizer?
- Acho que não!
- Achas? Então é-te indiferente o facto de andares metida com um homem casado com uma amiga minha, é isso?
- Ó pá! A tua amiga que tivesse tomado conta dele!
- Desculpa?
- Sim, é isso mesmo! Sabes o farrapo que me chegou às mãos? Até te digo mais, agora é que a coisa melhorou, mas se soubesse o que sei hoje não me tinha metido com ele!
- Ah, então admites que FOSTE TU que te meteste com ele?!??
- Sim, fui.

Matilde respirou fundo.

- Quando é que isto começou?
- Bom... eu tirei-lhe a pinta em tua casa...
- Na MINHA CASA?
- Sim, na tua casa. E pára de gritar!! Estás histérica, Matilde?
- Histérica estás tu!! Na minha casa? Explica lá isso melhor!
- No teu aniversário. Lembras-te que a tua amiguinha nunca mais chegava? Que estavas empatada por ela para cantarmos os parabéns? Que a senhora estava muito ocupada numa vernissage qualquer?
- Mas isso... já foi quase há um ano...
- É... p'raí...
- E depois?
- Depois meti-me com ele no facebook. Mas valha-me a Santa que o homem estava a precisar era de uma mãezinha...

Silêncio.

- Como é que tiveste coragem, Isabel? Tu sabias que a Madalena era minha amiga...
- E então? Qual é o teu problema? A Madalena é uma egoísta, será que não vês isso?
- Olha quem fala!! Julgas que não te conheço? O Duarte, como qualquer outro homem nas tuas mãos, será um brinquedo até te fartares dele. E depois? Hã? E depois? Vais devolvê-lo?
- Sabes que há sempre um período de carência... - Disse no gozo.
- És mesmo parva!
- Parva? Ai eu é que sou parva? Parvas são vocês que acreditam no amor e uma cabana. Nos casamentos para a vida. Blá, blá, blá...
- E qual é o mal disso? Com tanto homem no mundo e tinhas mesmo de escolher um homem casado, hein?
- Sabes que eu não viro costas a um desafio... - Continuou no gozo.
- Olha, só me apetece chamar-te nomes.
- Chama! Chama o que tu quiseres. Mas antes pensa bem no peso que isso pode ter nos nossos negócios. Sim, que arquitectas paisagistas há muitas...
- Mas tu estás a ameaçar-me? Estás a misturar assuntos!
- Não estou nada! Eu nem sou disso. Não viste como consegui distinguir bem o Duarte de ti e da tua amiguinha.
- Cabra!
- Cabra? - Repetiu a rir-se. - Cabra é pouco. Se soubesses do que eu sou capaz... - Levantou-se e virou costas. Mas de repente voltou para trás e ao ouvido da Matilde ainda disse:
- Estás lixada comigo!

Irritada. Desiludida. Fula da vida. Capaz de estrangulá-la. Foi assim que a Matilde ficou.

Eu+tu+ele+ela = Nós

No dia das famílias, a nossa equação.
O resultado? Uma família como outra qualquer! :)
 
Com dias melhores, dias piores. Dias de alegria, dias de tristeza. Dias em que nos lembramos da sorte que temos, dias em que não valorizamos essa mesma sorte.
 
Mas TODOS os dias... vividos com amor... (e alguma loucura à mistura)
 



 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Acabou tudo a chorar...

Na escola da minha filha as mães foram convidadas a partilhar histórias sobre esta coisa da maternidade. E eu que adivinhava lamechices, daquelas em que nós as mães não temos vergonha de embarcar, não estava muito para aí virada.

Andei uns dias a pensar sobre o assunto. As histórias que conhecia não me inspiravam e estava à espera que acontecesse, exactamente, aquilo que aconteceu: ouvir mais do mesmo. O que não tem mal nenhum, atenção! O tema era igual para todos, por isso variar era difícil. 

Pensei no impacto que poderia ter contar-lhes a minha história. Não a de mãe. Mas a de uma filha sem mãe. Uma mulher que hoje é mãe sem nunca alguém ter ocupado esse lugar na sua vida.

Escolhi meia dúzia de fotos, montei um powerpoint em dois minutos e comecei assim:

Esta sou eu com 8 meses. A idade com que deixei de ter mãe.


O silêncio instalou-se de forma arrebatadora. Numa turma com tantos problemas de comportamento, não pensei que tivesse um efeito tão imediato. Mas os miúdos calaram-se. E eu continuei a explicar-lhes o outro lado. Aquele que eles não conhecem. Aquele lado que eu entendi que poderia servir-lhes para valorizarem as suas mães.

Pedi-lhes que não tivessem vergonha de chegar à escola de mão dada com a mãe ou com o pai e muito menos de darem um beijo ou um abraço. Pedi-lhes que soubessem agradecer todo o esforço que as mães fazem para que eles venham a ser adultos felizes e realizados. Dei-lhes o meu exemplo. Este exemplo de que já vos falei. E ficámos todos emocionados.


Aqui, com 4 anos. Falei-lhes das várias ausências que senti durante a infância.

Disse-lhes tudo o que considerei importante na relação entre mãe e filho. Disse-lhes que era uma sorte terem alguém a ralhar com eles, a chamá-los à atenção sobre os estudos, o quarto arrumado, o casaco quando se sai à rua. Disse-lhes que depois disso tudo há o colinho de mãe e uma coisa infinita que se sobrepõe a todos os limites da paciência, da exaustão e outros que as mães atingem: o amor ilimitado. E isso é inestimável. Ter uma mãe é inestimável.

Choraram. Meninos e meninas. Mães e a directora de turma. Eu contive-me. Pois estas coisas que fazem parte de nós, que são a nossa história, vivem connosco desde sempre. Não passei por uma perda traumatizante. Não me lembro de nada. Tinha 8 meses. Mas hoje, com 37 anos, sinto mais essa ausência do que quando era criança. Aliás, comecei a senti-la na idade adulta. E depois de ser mãe ainda me custa mais compreender a escolha que a minha fez.

Mas isso são outros quinhentos.

As outras mães agradeceram-me. Por ter partilhado com os filhos, através de um exemplo real, a vida tal como ela é.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Isabel Galvão. A outra (blognovela)

Ser "a outra" tem as suas vantagens. Nada de grandes obrigações. Nada de camisas para passar ou meias para dobrar. Nada de ter alguém ali em casa à espera do jantar na mesa ou de grandes explicações sobre onde andou cada um ou com quem se esteve. Apenas os momentos bons. Jantares em restaurantes in. Fins-de-semana em spot's da moda. Noites de diversão com gente gira em sítios giros. Uma ou outra noite um em casa do outro. E pronto! Os almoços e os jantares chatos em família também ficam de parte. Receber, contrariados, pessoas em casa, também. Fazer fretes, nem se fala.
 
Por isso a Isabel gostava de ser "a outra". Estava habituada a uma vida de lorde. Tinha bem consciência do que queria. Tudo menos compromissos que a obrigassem a grandes alterações da sua vida independente. Pois estava "casada" com a sua herança. Preservá-la, era a única coisa que a movia. E mesmo isso não lhe dava grande trabalho. Pois o império que os pais lhe deixaram depois de morrerem num trágico acidente de viação, quase que andava sobre rodas por si só.
 
Isabel Galvão era sócia maioritária numa empresa de  produção e comercialização de vinhos do Alentejo da conhecida herdade, entre os entendidos, Sobreiro & Galvão. Acumulava prémios nacionais e internacionais e fora precisamente o reconhecimento internacional a maior apólice de seguro que os seus pais granjearam.

Não tinha irmãos, não era casada, nem tinha filhos. Viajava em função das feiras de vinhos. Conhecia meio mundo e era respeitada por todos os enólogos. Apesar de também estes saberem que o mérito da marca era dos seus pais. A herdade estava referenciada como a única da Europa que produzia vinho com características únicas. Um vinho doce, encorpado, amadurecido à antiga nas frescas caves da herdade, de castas indígenas que lhe conferia fortes características regionais e graças à introdução de variedades forâneas, última grande aposta dos pais antes de morrerem, o vinho da herdade tinha reforçado a sua liderança vitivinícola.

Tinha, portanto, uma vida confortável.

Mas era uma pessoa fria. Calculista. Aquilo que lhe interessava, apenas e só o que lhe interessava, é que a levavam a fazer alguma coisa. E fisgar o Duarte foi algo que ela quis. Conheceu-o em casa da amiga que tinha em comum com a Madalena e logo ali tirou-lhe as medidas. Se era casado não lhe fazia diferença. Tinha tudo aquilo que ela gostava e isso bastava. Era giro, bem sucedido profissionalmente e, na verdade, ser casado também era algo a que ela achava piada. Pois, assim, o desafio era maior. E desafios destes, em que ela podia provar a si mesma que podia tudo, não era coisa que ignorasse.

Começou a sua investida logo no dia a seguir. Primeiro, através do facebook. Depois, através de telefone. E daí a um encontro pessoal foi um passo. Na esplanada do Adamastor, em Lisboa. E Duarte, que se sentiu especial pela atenção que esta mulher lhe dava, não faltou.

Isabel Galvão. Fixem este nome. Ainda vai dar muito que falar.