sábado, 9 de maio de 2015

Então, mas afinal, quem é a Madalena?

É a pergunta que mais me fazem desde que escrevi este, este e este texto. Dá-me gozo, confesso, esta curiosidade. Dá-me gozo saber que a malta que vai passando por aqui volta por causa dela, da Madalena. Porque querem saber o que é que se passa e, sobretudo, se conseguem perceber quem é! (neste caso para os que me conhecem...)
 
Pois muito bem, a Madalena é uma personagem que eu criei para escrever uma espécie de blognovela (quem o baptizou assim foi o Senhor Meu Marido). Uma história, puramente ficcionada, que vou contando em capítulos. Sem dúvida nenhuma baseada na vida real, nas pessoas que conheço, nas histórias das pessoas que me contam na 3.ª pessoa.
 
Todos nós somos isto; história. Todos nós temos uma história dentro de nós e a Madalena é, apenas, a personagem que, aos poucos, vai revelando aquilo de que trata este blog:
 
A vida tal como ela é.
 
Se ficaram curiosos com o que se passou até agora, fiquem por aí. A blognovela vai continuar! ;)

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Um fim de semana imprevisível (blognovela)

Depois do telefonema do seu futuro ex-marido, Madalena ficou tão irritada que decidiu sair de Lisboa por uns dias. Aproximava-se um fim-de-semana longo, fruto de um calendário rico em feriados, por isso não hesitou. Ligou à amiga que queria dar uma voltinha no BM do Jorge, combinaram tudo rapidamente e numa 5.ª feira ao final do dia zarparam em direcção a Tróia.
 
Estava na moda ir para Tróia. Nem longe, nem perto de Lisboa. Todo um conjunto hoteleiro por descobrir com programas de spas's, massagens de última geração e spot's cheios de gente gira. Era o destino ideal. Sobretudo porque ainda era uma novidade para ela. E Senhora Dona Madalena era uma pessoa cool. Sempre actualizada. Sempre em altas.
 
Jantaram um sushi fabuloso, beberam uns gin's da moda e divertiram-se a tirar fotografias à comida, ao espaço, à vista e a elas próprias, está bom de ver. A noite estava quente e a piscina ali ao lado a pedir um banho noturno. Do outro lado da piscina uma casal aninhado numa chaise longue observava as estrelas e até o ser mais céptico à face da terra sobre essa coisa que é o amor, assim, ao longe, por momentos acreditaria que é possível viver desse e por esse sentimento.
 
Madalena descalçou-se, arregaçou o vestido fluido cor de salmão que combinava na perfeição com seu o tom de pele e sentou-se à beira da piscina com os pés dentro de água e um copo de bebida na mão. Parou a observá-los. Parou para pensar que assim, como aquele casal, só tinha estado quando namorava com o seu futuro ex-marido. E não se lembrava daquele carinho que se sentia à distância entre eles, depois do casamento.
 
- Então agora?!? O que é que se passa? Não achas que estás a dar muito nas vistas?
- Hã...?
- Sim, a olhar para as pessoas. Disfarça, se faz favor! O que vale é que eles ainda nem repararam em ti. Se fosse comigo já me tinha levantado para te perguntar se querias alguma coisa.
- Oh! Até parece...
- Até parece o quê? Madalena, pára de olhar!!
 
A amiga, entretanto, já se tinha sentado ao seu lado.
 
- Sabes que ele ligou-me?
- Quem?
- Ora, quem? O defunto!
- Desculpa?!? Estás a referir-te ao teu marido?
- Ao meu futuro ex-marido, se fazes favor. Baptizei-o de defunto. Para mim morreu.
- Ai é? Então isso faz de ti o quê? Uma assassina? Que eu saiba choraste baba e ranho dias a fio culpabilizando-te do abandono. Ou não foi?
 
Madalena olhou para a amiga de lado.
 
- Sim, não olhes para mim assim. Ou já te esqueceste? A culpa é minha, não lhe dei atenção, tinha mais que fazer, não conversava com ele, e blá, blá, blá whiskas saquetas... Poupa-me Madalena. Defunto...
 
Silêncio.
 
- E o que é que ele te queria, afinal?
- Falar sobre o IRS.
- Huummmm... e tu?
- Disse-lhe que achava piada ao poder de um papel carimbado. Que queria tentar de novo.
- O quê?!? Rebaixaste-te dessa maneira?!?
- Tu não entendes! Será que não entendes? Eu quando casei não foi a pensar em divorciar-me! E ele... ele é homem... igual aos outros. À primeira que lhe apareceu lá foi que nem um cãozinho a abanar a cauda. Disse-lhe para pensar sobre isso.
- Ah foi...? Nem pareces tu, credo mulher! Nem pareces tu...
- Descobri que o amava. Que o amo. Sabes que isto foi mesmo uma descoberta para mim?
- Estou  a ver que sim...
- Olha, vês aqueles dois? Aquilo é que é a verdadeira definição de "amor e uma cabana". Ali estão, felizes da vida, aninhados, a conversar entre eles, com risinhos e abracinhos e beijinhos, a observar as estrelas.
- Olha, vamos mas é para dentro. Estás aqui estás a chorar outra vez. E com os copos que já bebeste não deve tardar muito.
- Vou ligar-lhe!
- O quê? Para quem?
- Para o defunto. Vou ligar agora.
- Pá, Madalena! E vais dizer-lhe o quê? Olha, estou com os copos e apeteceu-me ligar-te para dizer que foste baptizado de defunto, mas que eu amo-te e amar-te-ei para todo  sempre...
 
Nisto já a Madalena estava de telefone na mão, a fazer a chamada. À espera que ele atendesse.
 
E do outro lado da piscina uma luz, de repente, anunciou a presença de um telemóvel. Estava escuro e a iluminação da piscina não permitia ver grande coisa. Mas a luz de um telemóvel, à noite, do lado oposto de uma piscina de um hotel acender exactamente no momento em que a Madalena fez a chamada revelou o inesperado.
 
Era ele, o defunto, que estava na chaise longue a admirar as estrelas.

Argumentos de peso

Numa destas noites, logo a seguir ao jantar, entrou ela pela sala:

- Mãe posso vir para aqui um bocadinho?

Olhei-a de lado...

- É que ainda faltam 120horas e sete mil e duzentos segundos para o teste. Já comecei a estudar ontem e daqui a 20 minutos tenho de ir para a cama.

Não consegui contra-argumentar...

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Quem é que sabe o que é "embla"? Hein?

Não resisto a contar-vos isto. Cada vez que me lembro dá-me para rir.
 
No dia em que fui para as urgências do HSFX, assim que cheguei vi uma família INTEIRA de ciganos na sala de espera. Até aqui, nada de especial. Estamos habituados ao cenário. Mas quando estive eu, na sala de espera, à espera de ser chamada novamente, fiquei sentada mesmo ao pé dessa família. Percebi que era uma senhora a utente que estava doente.
 
Entra um jovem casal, cigano, e diz o rapaz (por favor tentem ler com sotaque cigano):
 
- Ê já sabia que era do estomague. Cada vez que vens p'róspital é o mêmo. Tás aqui há quantas horas, hein?
- Desde as quatro!
- Atão e nã fezeste come já te disse? Quando vens aqui entras a dezer que tens embla!!
 
Risada geral. Entre os ciganos.
 
- Dezes que tens embla e que é muito pegajoso. Vais veri se nã se vai tudo embôra! Gritas EMBLA, EMBLA!! E és logo atendida!
 
E eu contorcida com dores ainda me ri. E os ciganos (perdi-lhes a conta), continuaram divertidos.
 
Agora, quem quer tentar a sorte? Embla!! O rapaz estava a falar de quê? :)

Os contos estão mais elegantes

Antes da lombalgia que marcou o meu Dia da Mãe e que me obrigou a repouso absoluto no que toca a esforços, caminhadas, exercício físico ou pegar em pesos, tinha começado, aos poucos, a mudar o meu estilo de vida. No que toca à alimentação. No que toca ao exercício. Sim, que a malta não vai para nova e os 40 não tardam a chegar! 

Sempre ouvi dizer que é aos 40 que a lei da gravidade mais ataca uma mulher. Se é verdade ou não, não sei! O que sei é que o excesso de peso já andava a pesar-me nas costas e nos joelhos. E aborrecia-me solenemente andar a catrapiscar alguns outifts da nova colecção Primavera/Verão e nada do que eu gostava me servia.

Por causa disso, nos últimos tempos perdi 6kg. É verdade! Obrigado, obrigado!! (imaginem-me a agradecer-vos como a nossa saudosa Amália Rodrigues fazia) Como? Seguindo uma dieta alimentar em que posso comer de tudo, moderadamente. A horas certas e, sobretudo, acompanhada de exercício físico.

Não adoptei o modismo dos detox, nem das sementes, nem de tudo aquilo de que todos falam e criticam e desdenham, mas com a idade as nossas prioridades começam a reorganizar-se por si só. E a minha saúde, meus amigos, é muito importante para mim! Tenho dois filhos para criar e já perdi pessoas muito importantes por causa de problemas de saúde. Não que eu com isto vá evitar alguma coisa, mas no que eu puder ter um papel positivo, assim será. 

É fácil falar? Bom, agora é mais fácil falar! Pois já vejo resultados. Mas até ao momento ainda não tinha dito nada. Pois não é fácil começar um regime alimentar quando é exactamente a comida uma das coisas que me dá mais prazer. Não é fácil, sobretudo, se não estivermos mentalizados para isso. É preciso, antes de mais, querer. Depois, concentração. Capacidade de resistência e esperança nos resultados.

Minhas queridas, não vale a pena dizer que "é agora" quando a mente não é isso que sente. Quando não é isso que a mente nos diz que quer. Não vale a pena, também, arranjarem subterfúgios para adiar essa decisão quando, realmente, sentem o peso do excesso de peso no vosso dia a dia. Também não vale a pena criticarem quem faz por isso ou dizerem em voz alta que se sentem bem com o corpo que têm quando, na realidade, sofrem o mesmo que eu quando entram numa loja e nada vos serve ou quando vêm uma amiga vossa que está sempre tão gira e sem grandes investimentos. Apenas e só pela sua figura que tem tudo lhe cai bem. Tudo faz vista.

Dá trabalho? Dáááá!!! Imeeennnso!! Dá muito mais trabalho cozinhar de uma forma saudável. Mas também é muito mais desafiante o nosso papel na cozinha e nas compras e até por aqui, na net, onde encontramos todo um mundo de alternativas que nos permitem ter uma alimentação mais cuidada, sem exageros e sem constrangimentos.

É tudo uma questão de equilíbrio. Se num dia disparato à mesa, no dia seguinte sei que tenho de fazer o exercício com que me comprometi comigo mesma. E assumo isso como um verdadeiro compromisso na minha agenda pessoal. Durante o dia também devemos equilibrar o que comemos e muito mas mesmo muito importante: não fazer disto uma bandeira! Não fazer disto uma preocupação! Pois o fruto proibido é o mais apetecido. Ah! E o meu exercício, também este equilibrado e de acordo com as minhas capacidades, não o faço dentro de quatro paredes.

A verdade verdadinha, são os chineses que a sabem e traduzem no seguinte provérbio:

Coma metade, ande o dobro e ria o triplo.

Uma equação que dá trabalho, mas cujos resultados superam tudo isso. Não espero ser inspiração para ninguém, mas se quiserem acompanhar-me é só mandarem-me um e-mail. Está ali, do lado direito, através do formulário de contacto. E, em conjunto, torna-se tudo muito mais fácil.