terça-feira, 14 de abril de 2015

Presa ao livro

É assim que me sinto quando estou a adorar um livro e não consigo largá-lo sem ler só mais uma página, só mais outra e outra e outra... até que caio para o lado. A dormir. Sinto-me presa neste sentido. E lá em casa acontece o mesmo com todos. A mais velha adora ler. Desde sempre. Mas também não é a maluquinha dos livros. É uma leitora por fases...

Lembro-me da fase do Geronimo Stilton, da fase das Gémeas do Colégio de Santa Clara, Uma aventura e, mais recentemente, O diário de um banana. Mas, confesso, este banana já me cansa. Conhece-os de cor e salteado e está sempre à espera que saia mais um exemplar.

Há umas semanas perdi-me na secção juvenil da Fnac à descoberta de uma colecção qualquer que não fosse da moda. Algo que a fizesse pensar e reflectir e ter prazer nessa leitura. Tropecei em várias e fiquei-me por uma que eu, francamente, numa apreciei... Sherlock Holmes. Uma espécie de CSI do final do século XIX. Uma pérola que Sir Arthur Conan Doyle nos deixou. 

Para crianças? Pensei. Bom, pode ser que ela goste. Sabemos que nesta literatura há um ponte de interrogação constante. Que quando estamos prestes a desvendar algo, o autor brinda-nos com outra questão. E que, no fim, está tudo interligado. Tudo se conjuga como num puzzle.

Comprei. E ela leu. Adorou! Já comprei outro! E estou prestes a comprar o terceiro. :) Pois a miúda está presa ao livro. É claro que, paralelamente, tem sempre o Banana na cabeça. Sempre à coca para ver quando sai outro número. Mas fiquei contente com esta escolha e, ao mesmo tempo, descoberta. Um clássico da literatura britânica adaptada a esta faixa etária cuja publicação em português data de 2013.

Fica a dica. 


Baptizar ou não baptizar?

Este é um assunto sensível. Daqueles que não devem ser discutidos, pois depende das convicções de cada um. Todos têm uma opinião sobre o mesmo. Em função da sua própria experiência, claro. Mas ninguém consegue ficar indiferente ao assunto.

Foi no fim de semana, à volta da mesa, que mais uma vez este assunto veio à baila. Um dos nossos amigos, que vai baptizar a filha este Verão, disse que por ele não a baptizava e que estava, apenas, a ceder à vontade da sua mulher. Ora bem, acendeu-se o rastilho!!

Discutiu-se (no bom sentido) sobre religião e sobre padres. Sobre quem realmente praticava a sua fé, sobre o que é ter fé e de que forma cada um manifesta a sua. E discutiu-se, também, sobre se o baptismo deve ser uma escolha da criança. Alguns afirmaram mesmo que sim! Deve ser a criança a escolher! Outros defenderam que não.

Eu? Eu baptizei os meus filhos. Também sou baptizada, tal como o meu marido. E essa questão nunca foi uma questão na nossa família. Mas penso da seguinte forma:

Se ser baptizado deve ficar ao critério das crianças, para quando crescer, porque motivo não deixam os pais que outros assuntos fiquem, também, ao critério das crianças? Quais? O clube de futebol. A escola que frequentam. A tendência política. E por aí fora.

Porque vestem as crianças, por vezes ainda bebés, dos pés à cabeça com uniformes futebolísticos que custam os olhos da cara? Então isso não é incutir-lhes desde cedo um gosto e um caminho que eles poderiam vir a escolher mais tarde? E quando em campanhas políticas se vêem crianças de bandeiras nas mãos ou em manifestações a gritarem frases que não percebem, só porque vêem os pais fazer o mesmo?

Fazemos a escolha da escola que frequentam. Da roupa que vestem. E, em alguns casos, dos amigos que têm. Escolhemos tudo. Fazemos todas as escolhas por eles, convictos que de estamos a fazer o melhor por eles, certo? Então porque é que quando os pais não se entendem sobre este assunto resolvem adoptar uma medida que considero ser um modismo para resolver aquilo que eles próprios não conseguem ou não querem resolver? Porquê? Porque estão divorciados e usam essa decisão como braço de ferro. Porque isso daria muito trabalho. Ora agora, juntar as famílias...

Porque não são casados e, já agora, vamos continuar na mesma linha e um dia a criança logo vê o que quer fazer. Mas que o faça por si. Ou porque pura e simplesmente não há dinheiro para festas. Mas meus amigos, o baptismo é um sacramento. Não é um Carnaval! Ou então, porque dá trabalho. Dá uma trabalheira tratar de papéis e escolher padrinhos. Ah, esta é outra! Os padrinhos. Quantos casais não se entendem sobre isso? A tua irmã é uma tonta, não a quero como madrinha ou o teu irmão é um desvairado ou jamais eu aceitarei os que tu queres, etc, etc. 

Como resolver? Simples, varrer para debaixo do tapete! A criança, quando for adulta, que resolva! E que não dê muito trabalho, de preferência, que a malta não gosta de se cansar.

Acho que há uma mistura de coisas quanto a este assunto. No nosso tempo de crianças, no tempo em que não havia dinheiro para nada (sim, que agora há dinheiro para tudo), os nossos pais e os nossos avós baptizaram os seus filhos. Poucos são os casos em que isso não aconteceu. E sem festas! Sem grandes festas! Porque o baptismo não é isso. É uma festa, sim, mas religiosa. O primeiro sacramento da fé. 

Ora se ouvimos TANTAS vezes, mas TANTAS vezes as pessoas dizerem eu tenho a minha fé, não preciso de ir à igreja, então porque não entendem este primeiro sacramento como uma iniciação a esse caminho de fé? Seja ele qual for. Um caminho de fé. Porque ter fé não é ir à igreja. Ter fé não é seguir aquilo que diz o padre A ou B. Ter fé não é seguir uma cartilha. 

Todos temos fé em nós próprios, para começar, certo? Fé nos nossos actos, nas nossas escolhas, nos nossos caminhos. E se temos fé em nós, nas pessoas que estão connosco e nos nossos filhos, SOBRETUDO temos fé nos nossos filhos, porque motivo não iniciá-los nesse caminho quando fazemos TODAS as outras escolhas por eles também com fé? 

Só uma opinião. Pois há assuntos que não se discutem. :)

sábado, 11 de abril de 2015

No meio da rua

A minha amiga Z. é assim uma espécie de... huummm... fashion victim! Bom, talvez não tanto... Mas sabe sempre o que está na moda, quais as tendências das estações, o que combina bem com o quê, quais os sapatos mais adequados para cada ocasião, a mala mais fashion das colecções, os acessórios (é louca por pulseiras) e tudo o resto sobre moda. Além das suas unhas de gelinho sempre impecáveis e das pestanonas que decidiu começar a usar há pouco tempo. Estas de que vos falei aqui!
 
Aliás, se um dia ficar desempregada ou quiser mudar de profissão, poderá sempre enveredar por fashion advisor. Tem futuro! :) Mas o que quero contar-vos é o que aconteceu num destes dias em que andávamos na rua e ao passarmos à porta de uma Parfois ela disse-me assim:
 
- Espera aí! Entra aqui comigo que eu quero comprar uma coisa para experimentar.
 
Acompanhei-a. E perdi-me a ver os brincos (que é essa a minha paixão). Só quando chegámos à caixa é que eu vi. Tinha comprado uma daquelas bandoletes fininhas castanhas que têm um elástico da parte de baixo. Vi logo qual era a experiência que queria fazer. Disse-lhe:
 
- Ah, já sei o que queres fazer?
- Sabes?!?
- Sei! Mas olha que sozinha, com o teu cabelão, vai ser difícil.
- Então fazes-me tu?
- Sim... anda cá...
 
No meio da rua pousámos as malas no chão. E em 5 minutos fizemos a experiência. Correu bem, muito bem. Conforme podem comprovar nas fotos.  É claro que nos faltavam uns ganchos para a coisa ficar mais bonita. Mas deixo-vos, também, um vídeo com o passo a passo deste bonito penteado. Elegante e que serve para várias ocasiões.
 
Verdade seja dita que sempre tive algum jeito com cabelos. Aliás, sou eu que corto o cabelo do meu marido, dos meus filhos e, muitas vezes, o meu. Por isso, fiz bem a coisa.
 
Que tal? Tenho jeito, certo?
Quem sabe, um dia, eu e a minha amiga largamos tudo e fazemos um dupla nesta área da moda. :)
 
A parte gira, como estávamos em Cascais, foram os estrangeiros/turistas que passavam por nós e ficavam a olhar. Devem ter pensado que queríamos uma moeda ou que podiam fazer fila para os penteados. Assim como com os tererés. Mas não. Nada de moedas. Eram apenas duas tugas a fazer figuras. :)
 



sexta-feira, 10 de abril de 2015

Fotografias à antiga

Sem dúvida que as novas tecnologias revolucionaram a nossa forma de estar no mundo. Vivemos sempre com pressa, porque é com pressa que tudo acontece. O tempo passou a valer muito  pouco. Temos tudo à mão. A qualquer hora. A informação, a internet, os contactos, as redes sociais, as aplicações que nos facilitam a vida (outras que só complicam), as distrações, os cartazes culturais e, mais que tudo isso, o voyeurismo sobre as pessoas com quem nos relacionamos que está já estudado e provado  ser um gerador de ansiedade. Aliás, há uns tempos falei-vos aqui desse síndrome, o FOMO.
 
Outra das áreas em que se fez sentir grandemente esta revolução, foi na fotografia. Passámos da tarefa de organização das fotos impressaa num álbum cuidadosamente protegidas com folhas de papel vegetal, a fotos digitais cuja organização fica sempre para depois, numa qualquer pasta, num qualquer computador. E depois encontrá-las?
 
Em casa dos meus pais há muitos álbuns. Daqueles, à antiga. Daqueles que me dão imenso prazer folhear e a cada virar de página apreciar os comentários de todos "ah, olha o teu cabelo", "olha o pai tão novo", "xiii, esta viagem foi tão gira", "lembras-te da queda que demos aqui", and so on.
 
Na minha casa também acontece o mesmo que em todas as casas dos tempos que vivemos. A máquina digital anda connosco. Dispara, num instante, 1001 fotografias. E, depois, fica sempre para depois...
 
Mas a Fnac tem agora umas novidades bem giras na zona da papelaria. Uma delas é esta. Um álbum que trás tudo o que precisamos para registar uma viagem. Autocolantes giríssimos com frases que encaixam na perfeição. Um bloco de folhas todas diferentes que nos permitem total liberdade para fazer um scrapbook com todas as recordações que abundam nas carteiras, bolsos de casacos e malas de viagem, desde bilhetes de metro, entradas em museus, entre outras mais.
 
Comprei um, para registar estes dias que passámos em Madrid. Os miúdos ficaram entusiasmados com os autocolantes e as inúmeras imagens que podemos utilizar. Agora, vamos preenchê-lo e daqui a uns anos quando o álbum vier parar-nos às mãos depois de abrirmos uma gaveta ou uma caixa esquecida, certamente desfolharemos estas recordações com, no mínimo, um sorriso nos lábios. :)
 
 
 


Custa 19,90€
 

Carta sobre a quem lhe roubaram a maternidade

Se eu conhecesse a mãe a quem o companheiro matou o filho, dir-lhe-ia apenas:
 
"Minha querida,
 
Não consigo sequer imaginar o que está a viver neste momento.
Apenas consigo pensar nos meus filhos e imaginar o que seria perdê-los.
Não consigo sequer imaginar o que seria o pai deles esventrá-los e no que poderia eu fazer-lhe quando o apanhasse. Fosse o que fosse, seria sempre com requintes, muitos requintes de malvadez. Não me ocorre outra forma de fazê-lo pagar pela monstruosidade.
Tenha fé e força e esperança. Procure, para sempre, nos momentos piores, relembrar o momentos melhores. Aqueles em que foi mãe. Na sua plenitude."

E certamente dir-lhe-ia isto enquanto a abraçava...
 
O ventre materno. O ventre materno é tudo aquilo que um homem jamais irá perceber. O que gera, para além da vida. O que representa, para sempre, em nós. O elo que cria e alimenta aquilo a que mais tarde, após o nascimento do bebé, se chama maternidade. JAMAIS um homem poderá perceber o que sentimos quando um bebé cresce dentro de nós. E quando se mexe. E porque é que até quando nos magoa com os pés nas costelas nós sorrimos. JAMAIS um homem poderá perceber a responsabilidade que cresce connosco, quando no nosso ventre se desenvolve um ser humano. Jamais perceberá um parto, a dor, as lágrimas, o despojo na hora de parir. JAMAIS!
 
As mãos. As mãos de uma mãe curam tudo. São a delicadeza que um bebé precisa, por vezes, apenas para adormecer. São o fogo que os aquece, o termómetro quando estão doentes, o termóstato da água do banho. São o calmante das noites agitadas. São o cinto de segurança quando passeiam na rua. São tudo. O toque. O principal meio de comunicação entre mãe e filho.
 
O regaço. Não há regaço igual ao de uma mãe. Onde bate um coração a transbordar. Onde, sem saberem, os filhos ouvem esse coração, esse batimento que lhes dá confiança, amor, segurança. E a nós, às mães, tê-los ali, no nosso regaço, com vontade de abraçá-los com força, muita força, como se pudéssemos voltar a colocá-los dentro de nós. Isso nenhum homem jamais sentirá.
 
Não sei o que é ser pai. Comparando com a experiência da mulher... não entendo como nasce o amor de pai nos homens. Nasce no coração? Mas como? Como um primeiro amor? Ou como um amor que se vai construindo? Não sei o que é ser pai. Mas sei que há pais que também fazem de mães. E isso, é imensurável.

A este "pai" que ceifou a vida de um filho por sacrifício da sua imbecilidade, debilidade, monstruosidade, atrocidade, desiquilíbrio e tudo o mais que um ser humano tem de pior, desejo-lhe apenas uma coisa: o inferno. O maior dos infernos. Que vai para além de viver sem um filho.