segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Uma nova tradição

Apercebi-me ontem.
Nos últimos anos temos cumprido um ritual que, oficialmente, declarámos ser uma nova tradição ao brindarmos com uma ginginha na Praça do Comércio. Falo do encontro natalício com os nossos amigos que acontece sempre no Domingo antes do Natal e inclui um passeio pela baixa, uma ginja, visitas às vendas que estão a decorrer, jantar e serão de conversas e gargalhadas. Temos cumprido este ritual anual e só ontem é que se tornou oficial.
 
Ao grupo ainda se juntaram a minha irmã e o meu sobrinho. Assistimos ao espectáculo multimédia intitulado "O fabuloso desejo de Natal", que este ano é muito mais realista, visitámos as vendas que estão na praça, só produtos portugueses, e ainda nos rimos com as quedas aparatosas dos aventureiros da pista de gelo. Os miúdos escreveram mensagens de Natal e colaram-nas no stand dos desejos e o frio gelado e cortante desapareceu por instantes.
 
As ruas engalanadas de Lisboa estavam à pinha. Cheias de vida. Como eu gosto. Cheirava a castanhas assadas e a alegria. Temos sorte. Muita sorte! Por podermos ususfruir destes pequenos prazeres num país que, apesar de estar em "estado de sítio", não está em guerra. Temos sorte por termos amigos há anos e anos com quem gostamos de estar e com quem a cada ano dizemos em coro Já passou mais um ano... Temos sorte por termos saúde, por os nossos filhos terem saúde, por termos família, por 2014 ter sido uma ano tranquilo.
 
Temos sorte. Tanta sorte que até oficializamos tradições. Daquelas que um dia, quando os nossos filhos forem adultos, só continuarão se eles lhes derem continuidade. Esperemos que sim. Será sinal de que lhes construímos boas memórias.
 
 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Pequeno-almoço

Começo a acusar um cansaço próprio do final de ano que se aproxima. Levantar-me começa a ser um suplício. Sentar-me no sofá, ao final do dia, é sinónimo de desmaiar (não adormecer, desmaiar!). Não posso parar, pois corro o risco do meu corpo desligar o botão do on para o off. Sinto que a cada dia que passa em direcção às férias que não programei custa cada vez mais. Ver as crianças levantarem-se cedo, mesmo sem aulas, por causa das obrigações dos pais, também é muito penoso. E tento encontrar algo que me motive e me demova dos lençóis quentinhos. Imagino que ao levantar-me terei uma lareira no quarto a crepitar, como se durante a noite alguém a alimentasse. Imagino uma casa de banho enorme, quentinha, também com uma chama forte e convidativa. As toalhas de banho com cheiro a magnolia e a banheira cheia de espuma à minha espera. Imagino um pequeno-almoço daqueles que ninguém faz (pelo menos todos os dias) e sorrio de tanta perfeição (imaginada). Depois... depois olho para o relógio e a coisa começa a correr mal. Levanto-me a correr. Com sorte já pensei no que vou vestir na noite anterior. Acordo os miúdos e digo que já é tarde. Viro-me para o meu marido e pergunto-lhe se não viu as horas. Despacho-me. A correr. Entro na cozinha e nada. O pequeno-almoço não está lá. Como qualquer coisa à pressa e saio de casa ainda mais depressa. E na estrada, depois da distribuição habitual, começo a sentir o quente do ar condicionado do carro e ouço os disparates que se dizem na rádio. Daqueles que nos põem a rir logo de manhã. E à frente dos olhos passam-me imagens destas. Na esperança de, um dia, deixar de imaginá-las para passar a vivê-las.
 
Bom dia. Com alegria.
 
 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Vou ter férias?!?

Não estava programado. Talvez destinado.
Não tinha pensado no assunto, nem um bocadinho. Não estava, mesmo, nada à espera de ter férias. E eis senão quando me apercebo que ainda me restavam dois dias por gozar que, juntamente com os feriados e as tolerâncias, irão dar-me uns diazinhos de descanso. E como foi inesperado... tem mais sabor assim.
 
Rapidamente fiz contas de cabeça. Os miúdos não têm aulas... o marido ainda tem uns dias... vamos lá ver o que é que isto dá... e toca a programar coisas giras para fazer. (coisa que já fiz e irei partilhando por aqui convosco)
 
Para começar? Talvez por aqui? Quem alinha? :)

Grão a grão...

... enche a árvore de Natal o papo. Que é como quem diz: lá vai tendo uns presentes para oferecer. Assim, a conta gotas. Não faz parte da minha maneira de ser. Por norma, por esta altura, já tenho tudo resolvido. Já sei o que vou dar a quem, já não há mais nada para comprar. Mas este ano a coisa está assim... ao relantim...
 
Não consegui planear nada. Nem listas fiz! Eu que sou a mulher das listas. Tenho na cabeça o que é preciso (valha-me, por enquanto, a minha cabeça) e à medida que vou aqui ou ali vou comprando o que me lembro e sei que faz falta.
 
Não me caracteriza. Esta forma de estar. Nunca mais acaba algo que, na verdade, ainda nem começou. Como se o Natal acendesse em mim um rastilho que nunca, mas nunca mais encontra o fim do pavio. E isso, dá-me cabo da paciência...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Directamente do Entrocamento

Podia ser um fenómeno, o meu livro. Mas não é! É apenas o resultado daquilo que sou enquanto pessoa. De alguém que escreve o que sente e que sente o que escreve. E do Entroncamento, da terra dos fenómenos, chegou-me esta mensagem:
 
Boa tarde D. Cláudia. Muitos parabéns pela história que escreveu. Já a li aos meus filhos, mas primeiro tive de lê-la várias vezes para mim. Achei muito bem o que escreveu na primeira página, pois os adultos devem saber o que estão a comprar e não devem deixar-se enganar pela capa. Ah! A capa também está muito bonita e toda a restante ilustração. Muitos parabéns e continue.
 
A São Santos (foi assim que assinou), foi uma querida com esta mensagem. E eu concordo com ela: a ilustração está um espanto! Graças à Rita Correia.
 
Obrigado São. Um beijinho no coração.