quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Vou ter férias?!?

Não estava programado. Talvez destinado.
Não tinha pensado no assunto, nem um bocadinho. Não estava, mesmo, nada à espera de ter férias. E eis senão quando me apercebo que ainda me restavam dois dias por gozar que, juntamente com os feriados e as tolerâncias, irão dar-me uns diazinhos de descanso. E como foi inesperado... tem mais sabor assim.
 
Rapidamente fiz contas de cabeça. Os miúdos não têm aulas... o marido ainda tem uns dias... vamos lá ver o que é que isto dá... e toca a programar coisas giras para fazer. (coisa que já fiz e irei partilhando por aqui convosco)
 
Para começar? Talvez por aqui? Quem alinha? :)

Grão a grão...

... enche a árvore de Natal o papo. Que é como quem diz: lá vai tendo uns presentes para oferecer. Assim, a conta gotas. Não faz parte da minha maneira de ser. Por norma, por esta altura, já tenho tudo resolvido. Já sei o que vou dar a quem, já não há mais nada para comprar. Mas este ano a coisa está assim... ao relantim...
 
Não consegui planear nada. Nem listas fiz! Eu que sou a mulher das listas. Tenho na cabeça o que é preciso (valha-me, por enquanto, a minha cabeça) e à medida que vou aqui ou ali vou comprando o que me lembro e sei que faz falta.
 
Não me caracteriza. Esta forma de estar. Nunca mais acaba algo que, na verdade, ainda nem começou. Como se o Natal acendesse em mim um rastilho que nunca, mas nunca mais encontra o fim do pavio. E isso, dá-me cabo da paciência...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Directamente do Entrocamento

Podia ser um fenómeno, o meu livro. Mas não é! É apenas o resultado daquilo que sou enquanto pessoa. De alguém que escreve o que sente e que sente o que escreve. E do Entroncamento, da terra dos fenómenos, chegou-me esta mensagem:
 
Boa tarde D. Cláudia. Muitos parabéns pela história que escreveu. Já a li aos meus filhos, mas primeiro tive de lê-la várias vezes para mim. Achei muito bem o que escreveu na primeira página, pois os adultos devem saber o que estão a comprar e não devem deixar-se enganar pela capa. Ah! A capa também está muito bonita e toda a restante ilustração. Muitos parabéns e continue.
 
A São Santos (foi assim que assinou), foi uma querida com esta mensagem. E eu concordo com ela: a ilustração está um espanto! Graças à Rita Correia.
 
Obrigado São. Um beijinho no coração.

A minha pequena artista e jornalista

Com o final do primeiro período começam a chegar a casa os resultados de três meses de trabalho. Já temos uma ideia das notas finais, é claro, mas o resto em que ela andou envolvida só agora se vê. E falo de quê? Falo da dança e do jornal da escola.
 
Passou estes meses a ensaiar, a treinar, a acertar passos. Dançou, ouviu música e ganhou ritmo e algum swag. Está muito, mas muito melhor do que quando começou. Cheia de vontade, mas muito perra. Está mais descontraída, mais solta e até o inglês fanhoso ganhou alguma forma de tanto ouvir música cujas letras têm a pronúncia de terras de Sua Majestade. Já faz uma coreografia inteira sozinha e tem espetáculo marcado. :)
 
Também nos últimos três meses deu o nome à redacção do jornal da escola. E agora, finalmente, o mesmo chegou a nossa casa. E lá estão, na ficha técnica, os seus dados. Logo na primeira linha. Além do trabalho que teve na edição, composição, montagem e outros quinhentos, também escreveu dois textos. Um de sua autoria. Outro em co-autoria. Um orgulho para nós.
 
Não podíamos estar mais felizes. É uma menina completa. As notas que esperamos são as melhores. Continua a ser um monstro da matemática. Na natação continua a progredir. A catequese é sagrada para ela. Reza todas as noites. E tem muita fé.
 
Canta (mal), dança, escreve, lê. Conta piadas, ri-se das outras piadas. É a minha companhia diária, a minha parceira, a minha amiga. É a pré-adolescente que começa a dar sinais de tontice pura, daquela sem qualquer explicação. De risinhos e gritos desproporcionais à nossa capacidade de encaixe e às situações em que ocorrem. Mas é tão doce... tão doce... melhor que algodão doce... melhor que o maior dos sonhos cor-de-rosa... melhor do que algum dia desejei ou sonhei merecer ter...

É a nossa pequena grande mulher.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Carta ao Pai Natal

Querido Pai Natal,

Tenho pena que não existas de verdade. Que não passes de uma brilhante invenção da coca-cola. Que não tenhas poderes mágicos para resolveres a vida daqueles que se portaram bem durante o ano. Que apenas tenhas uma existência profana. Daquelas que levam as pessoas à loucura. A revelarem-se. A revelarem o pior que têm.

Se fosses, de facto, esse ser que alimenta os sonhos das crianças, a quem se pede alguma coisa que, certamente, irá chegar na noite de 24 de Dezembro, pedir-te-ia tanta coisa que não sei se conseguirias dar conta do recado.

Mas façamos de conta... acreditemos em ti...

Não sou muito exigente. Nem te faço pedidos materiais. Deixa lá o Rolex, os perfumes caros ou o Lamborghini para outros. Também não te peço umas férias nas Caraíbas ou um cruzeiro nas Ilhas Gregas, mas fazendo de conta que existes e que tens poderes para resolver a nossa vida, vê lá bem o que consegues fazer.

Quero so-sse-go... consegues dar-me isso? So-sse-go!
A mim e a todos os que nesta época quase que hiperventilam com compras, jantares, encontros com familiares, falta de dinheiro e de saúde. Consegues?

Quero paz de espírito.
Assim... em saquinhos. Para abrir e consumir ao longo do ano. Por isso podes trazer uma quantidade industrial.

Quero que cures o meu amigo Ricardo. E a minha amiga Manuela. Atreves-te?

Quero que os meus filhos tenham saúde e sucesso na vida. Quero que o meu marido fique bom. Para todo o sempre. Para acompanhar os filhos para todo o sempre.

Quero saúde e emprego para os meus pais. Saúde para os meus sogros. Quero que a minha irmã encontre a sua felicidade. Quero que o meu sobrinho cresça sob esse chapéu. Com ela.

Quero ver os meus afilhados tornarem-se boas pessoas.

Quero viver até ser velhinha. Mas com cabeça. E sem depender dos outros.

Quero escrever mais livros e deixar cá essa marca. Para a posteridade.

Lembro-me do ano em que recebi a bicicleta e do outro ano em que recebi o computador. Mas hoje não é isso que me faz feliz.

Hoje quero apenas e só estas coisas que não se compram. As mais difíceis de obter.

Sabes a minha morada e este ano a noite de consoada será em minha casa.
Aparece por lá. Mas não vás pela chaminé que estará a funcionar. Bate à porta.
Senta-te connosco à mesa.

E faz-nos acreditar em ti.