terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Observações... dela...

Isto de passar muitas horas por dia acompanhada da minha filha, faz com que grande parte das minha tarefas diárias contem não só com a sua presença, mas com insistentes porquês e dúvidas e considerações e observações dela. Às vezes pertinentes. Outras vezes, tontas. Outras, com piada. E, também, completamente típicas de pré-adolescentes com risinhos e verdadeiros sinais do armário que está prestes a fechar-se.
 
Estávamos na Natura e ela:
 
- Gostas deste?
- Nem por isso...
- E deste?
- Gosto, mas não é isso que a mãe quer...
- E isto? (a apontar para um micado ambientador)
- Pois... isso não dá para vestir...
 
Riiiuuu-se... riiuuuu-se....
 
- Ó mãe! Vamos embora!!
- Espera. Ainda não vi o que queria.
- Mas mãe! Esta loja é para mulheres, como é que eu hei-de dizer... assim com um espírito mais livre... (e riiuuu-se... riiuuu-se...)
 
Olhei para ela, meia atordoada, meia espantada, meia sem saber o que dizer. E fiquei a pensar nisso. Seja o que for para ela um "espírito livre" e apesar dos seus risinhos por tudo e por nada, acho que conseguiu definir o objectivo desta marca.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Então e o livro, amora?

Deve ser a pergunta que mais me fazem desde o dia 05 de Outubro. Toda a gente quer saber como é que está a correr, se as pessoas gostam, se o livro está a vender. Toda a gente quer sempre mais um, para oferecer a este ou aquele amigo ou familiar que está mesmo a precisar de ler qualquer coisa assim. E fico sempre orgulhosa de mim quando oiço coisas destas.
 
Está a correr bem, é o que posso dizer-vos. O livro foi lançado há dois meses e já tenho poucos. Mesmo poucos. Tenho andado por aí. Vou a escolas, bibliotecas, associações culturais. Pedem-me o livro pelo blog ou pela página do face dos Contos com amoras. Recebo telefonemas dos amigos dos meus amigos que também querem comprar. E sem fazer um grande esforço tenho o stock quase no fim.
 
Nunca pensei que iria ser assim. Estou mesmo muito feliz.
 
Obrigado a todos. 

Fomos ao circo

Por norma vamos todos os anos desde que temos filhos. Este ano fomos ao Chen que está na Feira Popular. Mas foi desolador. O ambiente envolvente mete dó. Não consigo que os meus filhos construam memórias na Feira. Daquelas que eu construí e das quais me lembro muitas vezes. Das gargalhadas que dei nos carrosséis, dos gritos de medo na casa do terror, das maçãs caramelizadas e da montanha-russa. Onde ía com vontade e vinha a jurar que jamais voltaria. Eles jamais irão compreender isto.
 
Depois, o espetáculo de circo... Não sei se é de mim. Se é por não ser já criança. Quando dava muito mais valor a estas coisas. O circo Chen foi sempre uma referência no nosso imaginário circense. Mas não gostei. Do que vi, não gostei. Não consigo destacar nenhum número. Uma pobreza muito grande. Não houve, sequer, malabaristas, trapezistas ou magia. Não houve palhaços à séria, daqueles que nos levam às lágrimas, nem o senhor da mota que fazia acrobacias de morte. A Vitória Chen trouxe os seus tigres amestrados da Sibéria e o apresentador passou o número todo a ressalvar o carinho, o respeito, o amor que ela tem pelos bichos...
 
De repente apareceu um monstro no meio do público. Todo iluminado e a rugir e na arena lutou com um carro que, afinal, era um transformer. Não percebi. E os meus filhos também não. A tão anunciada senhora dos laser's foi um grande golpe para os pais gastarem 5€ numa espada de luz cuja duração não foi para além do final do espectáculo. Um grande flop. O número e as espadas. Graças a Deus consegui escapar-me a esse investimento.
 
Este foi o primeiro ano em que o meu filho, de facto, percebeu o Circo. E foi o primeiro ano em que percebi que ele tem medo dos palhaços. Bom, daqueles também eu tive, que foram pavorosos! Mas assim, no geral, ele não gosta deles. Só há distância. Tipo... na televisão...
 
Um aspecto positivo. Os jovens! Os jovens artistas. Uma nova geração de artistas no circo Chen. Mas uma sugestão também: invistam um pouco mais na criatividade dos números. Que isto a malta não se importa de pagar por coisas boas. E mais! Para o ano façam uma pesquisa sobre músicas de circo, daquelas que não deixam dúvidas. Porque para ouvir a Piradinha ou a Gostosinha não muito obrigado!
 
Tive pena. Vim de lá muito desiludida. Mas pior por os miúdos também não terem ficado muito entusiasmados. Aliás, o mais novo pediu muitas vezes para ir embora. Até que tive mesmo de sair mais cedo com ele.

Fomos ao Circo mais uma vez. De ano para ano tem sido cada vez pior. Fico com pena. Por mim. E, sobretudo, por eles.
 
 
 

A festa de Natal dele

Dezembro rima com calorias, despesas várias, jantares, amigo secreto, roupas estranhas para eles levarem para a escola, peças de teatro, música, férias, família, festas de Natal. E este ano, com a mudança de escola dele, não sabia bem como é que a coisa iria processar-se. Depois de 8 anos na mesma escola, uma IPSS que adorei, e passar para uma escola pública, um jardim de infância público, e tendo já noção de pequenas diferenças entre as duas realidades, não sabia bem como iria ser.
 
Há um mês atrás recebi um e-mail da representante de sala do meu filho a informar os pais sobre o desafio proposto pelas educadores, ou seja, serem as famílias a organizar a festa. Ups!! E agora? Já tinha passado por isso na escola anterior no ano em que estava grávida dele. Fiz uma figura linda, de barrigão, a dançar em cima do palco. Mas este ano, e apesar de não ter o barrigão, sabia que iria ser difícil participar como da outra vez.

Não consegui... Não consegui fazer parte da peça de teatro, nem ir aos ensaios das músicas que os pais deveriam cantar. Baralhei-me com os e-mail's e onde li que o miúdo devia ir de calças de ganga, camisola encarnada, gorro de Pai Natal ou hastes de rena, deveria ter lido que essa era a idumentária reservada aos pais.

Chegou o dia e assim que entro no ginásio está uma mãe ao microfone a chamar pelos pais. E lá fui. Envergonhada por não ter conseguido participar. Então e o gorro? Ou as hastes? What? É ele que as tem! Não, não. É para si! E lá fui eu. Buscar as hastes que comprei no chinês para pôr na minha cabeça.

Os pais foram extraordinários. Tentaram minimizar o meu desconhecimento da letra das músicas que íamos cantar. Fizeram com que me sentisse bem, parte daquele esforço de grupo. Nem todos estavam presentes. E dos que estavam presentes nem todos tinham ido aos ensaios.

Valeu-me o pai professor de música que da parte de baixo do palco ia mimando a coreografia. Valeu-me ter ficado na fila de trás para minimizar os estragos. E valeu-me a cara dele, quando me viu. Ele que não imaginava esta surpresa sentiu-se importante, como se o coro de vozes tivesse sido organizado só para si. Valeu-me a minha filha e o meu marido que, sabendo da minha fragilidade, fizeram uma festa ao ver-me em cima do palco. Apoiaram-me, tiraram fotografias e, imaginem, ainda bateram palmas.

A festa dele foi o máximo. Senti um grande carinho daquela equipa de educadoras e auxiliares. Senti-me em casa. E o meu filho está muito bem integrado e apoiado.

Fui forte, desde o princípio, nesta grande mudança, de modo a preparar-me para algum choque que pudesse ocorrer. Mas no final deste 1.º período não poderia fazer um balanço mais positivo.

Obrigado Isabel.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Disparates. Dela...

A chegar a casa.
Eu: Estou cheia de azia...
Ela: Vai fazer cocó!
 
Eu percebo-a. Pois com a sua idade não distinguia esses palavrões que os adultos diziam. Azia, agoniado, enfastiado, enfartado. Sabia lá o que era isso. Mas nunca disse a ninguém para ir fazer cocó. :)