quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Dúvidas... dela...

Ela: Mãe, o que é imaterial?
Eu: O que é o amor?
Ela: O amor... é algo que se sente... cá dentro...
Eu: Consegues tocar-lhe?
Ela: Não... Consigo senti-lo...
Eu: É isso que este "imaterial" quer dizer. Não conseguimos tocar, apalpar o cante alentejano, mas conseguimos senti-lo.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Em Paris... fui feliz...

Falar de Paris por estes dias pode parecer pernicioso, mas não é. Não é, porque não tem nada a ver com o que se passa em Portugal. Falar de Paris por estes dias, é sinal que guardo com carinho essa viagem que fiz com o meu marido. Essa viagem de 11 dias em que palmilhámos uma das cidades mais bonitas da Europa. Uma das cidades mais românticas que conheço.
 
Tenho saudades de Paris. Do tempo que demos ao tempo enquanto lá estivemos. Tenho saudades de viajar com ele, a sós, sem pressas nem correrias. Tenho saudades de andar na rua de mão dada sem disparar a correr porque uma das crianças nos fugiu. Tenho saudades de andar na rua sem gritar Venham para aqui.
 
Em Paris... fui feliz... Fomos felizes. Fizemos o cruzeiro do Sena, visitámos o Louvre e Notre-Dame e subimos à Torre Eiffel. Comemos baguetes francesas (a desejar comer das portuguesas), falámos francês, mas não tocámos piano. Fomos ao Moulin Rouge, a Montmartre e à Île Saint-Louis. Passeámos nos Champs Elysees e tirámos uma foto no Arc du Triomphe. Lembro-me do Museu d'Orsay, da lindíssima ponte Alexandre III, da Basílica de Sacre-Coeur e do Jardim das Tuileries, contíguo ao Louvre. Fizemos quase tudo o que havia para fazer. E guardo tudo isto como se tivesse vivido tudo isto... ontem...
 
Por esta altura do ano tenho sempre vontade de viajar. E recordo, sem querer, as viagens que já fizemos. A desejar a próxima.

Directamente de Olhos d'Água

D. Cláudia, muitos parabéns. Adorei o seu livro e a maneira como fala de um assunto sério de forma tão simples e leve. Continue a escrever que eu irei continuar a ler. Parabéns mais uma vez!
 
Não sei se a Olinda Frazão tem sotaque algarvio, mas esta mensagem chegou-me com sabor a água e sal. A água e sal do Algarve.
 
Obrigado. Um beijinho no coração.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

É triste... este país...

Num destes dias, ainda antes do mediático caso Sócrates, tentei fazer um exercício que, diga-se, tive alguma dificuldade em concluir. Pensei para comigo Ora bem, Citius, a colocação de professores, vistos gold, caso BES, submarinos (esta aparece-me sempre)... vamos lá parar para pensar no que é que aconteceu de bom nos últimos tempos por terras lusas... Conclusão: Sara Moreira. A atleta portuguesa que ficou em 3.º lugar na maratona de Nova Iorque e que, ainda com este feito, não se livrou do tiro ao alvo que os tugas mesquinhos lhe fizeram. E a maior das conclusões: É triste... É muito triste...
 
É triste vivermos num país assim. Um país cuja mancha da corrupção parece uma poça de sangue que se espalha por onde pode marcando o seu caminho. Indelevelmente. É triste vivermos num país que nos habituou a uma justiça lenta, a um descrédito no nosso Estado, à desconfiança nas pessoas que elegemos (votando ou não), à inceretza sobre o nosso futuro. É triste ter na voz o fado e os descobrimentos e depois voltar costas ao que é a nossa identidade. Quase como que envergonhados por sermos portugueses.
 
É triste ter uma comunicação social que vive da desinformação. Que vive do espectáculo, da chacina e do sensacionalismo. É triste verificar que se assim é, então a realidade é só uma: é isso que o povo quer. É isso que alimenta a fome e a sede da desgraça alheia. O voyeurismo. O querer pôr a descoberto os podres, a falta de pudor, cultura e inteligência. Como se de seres superiores estivessemos a falar. É triste. Muito triste.
 
Hoje estou mesmo triste. O caso Sócrates entristece-me. Não me alegra a ideia de ver preso um ex-primeiro ministro, como se isso fosse a prova de que a justiça portuguesa funciona. Não acredito que é agora que irá ganhar a nossa confiança. Não acredito que sejam só as acusações de que é alvo que estão por detrás da sua prisão. Não acredito nos homens que o prenderam. Nem nos que o defendem.
 
Entristece-me esta podridão. Seja ele o Sócrates ou outro qualquer. Tudo cheira mal. Basta levantar um bocadinho do véu deste ou daquele que é um fedor que não se pode. E isso deixa-me profundamente triste. Não acredito em cores partidárias para separar o trigo do joio. Também não acredito que todos os políticos sejam corruptos ou outra coisa qualquer. Acredito que é como em tudo na vida. Que há pessoas sérias também. Mas entristece-me esta nossa cultura de espezinhar na praça pública toda e qualquer situação que dê azo a espectáculos baratos. As pessoas não medem o que dizem. Não medem o que fazem. Não medem os limites. E, depois, espalham-se. Isso deixa-me triste.
 
O nosso país está a arder. Há frentes indomáveis que ameaçam queimar tudo em volta. Há focos que reacendem a cada instante. E não há bombeiros que cheguem ou que consigam fazer frente a esta ameaça. A esta forte ameaça. Não há homens que consigam evitar danos colaterais.
 
Parece-me que os tribunais seriam poucos e as prisões também. Se em Portugal se julgassem todos aqueles que desde o 25 de Abril de 1974 levaram um povo, o nosso povo, a pedir para comer.

O meu filho e o Pai Natal

Conversávamos sobre o Natal e ele dizia-me:
 
- Tu podes dar-me isto, a avó aquilo, a tia o outro...
- Eu? Mas não sou eu que te dou presentes. É o Pai Natal!
- Ai não, não, mãe! O Pai Natal não existe!!
Ups...
- Não existe? - perguntei-lhe.
- Não! Nós não sabemos nada do Pai Natal. Ele só existe na nossa cabeça.
- Mas quem é que te disse isso?!?
- Ninguém! Saiu do meu cérebro!
 
E eu que instruí a mais velha para não falar sobre isso e deixá-lo acreditar.
E depois ele dá-me a mais simples das explicações.