quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Directamento de Ferreira do Alentejo

A Maria Amélia comprou o "Onde está a avó?" e no dia em que o recebeu mandou-me esta mensagem:
 
Gosto muito de a ler. Já acompanhava o seu blog e sempre que fala do Alentejo fico muito feliz. Quando vi que ia lançar um livro fiquei com muita vontade de ir a Lisboa, mas não pude. Tive de ficar com a minha mãe... Já estava à espera de gostar da história e hoje confirmei isso mesmo. Também já o mostrei à minha mãe e vou levá-lo para a minha escola para mostrar às minhas colegas. Muitos parabéns. A história é linda e muito verdadeira.
 
Imagino a Maria Amélia a escrever isto com sotaque alentejano. E foi assim que ecoou o e-mail na minha cabeça. É por estas coisas que eu ainda ando por aqui. Pois são estas coisas que me aquecem o coração.
 
Obrigado Maria Amélia. Muito obrigado.

As crianças não são adultos

Por isso não devemos ter algumas conversas à frente delas. Não entendem o que dizemos e, ao  esforçarem-se para isso, pode dar-se o caso de "crescerem" antes do tempo. Utilizando uma linguagem que desconhecem e da qual se apoderam como grandes entendedores.
 
As crianças não são adultos.
Por isso a eles o que lhes é devido na sua conta, peso e medida. Os ambientes que vivemos, os ambientes de adultos, nem sempre são os adequados para eles. Não podemos querer que nos acompanehm para todo o lado. Temos de fazer cedências. E, por vezes, dizer não. Aos outros adultos.
 
As crianças não são adultos.
Por isso não devem ver tudo o que dá na televisão. Começando pelos telejornais que lhes oferecem de bandeja temas intrigantes e de faca e alguidar. Que lhes alimentam medos e incertezas. E que os convidam a fazer filmes nas suas cabeças.
 
As crianças não são adultos.
Por isso devem vestir-se como tal. Sendo crianças, enquanto podem, até na roupa. Sem pressa de crescer. Por isso devem calçar-se como tal. E deixar as roupas e acessórios de adultos para quando lá chegarem.
 
As crianças não são adultos.
Por isso não podem fazer o que lhes dá na real gana. Não podem virar costas, nem sair porta fora. Devem pedir licença, pedir desculpa e dar um beijo ao levantar e outro ao deitar. Devem respeitar os pais e não sentirem que podem desafiá-los.
 
As crianças não são adultos.
Por isso devem ter horas para comer, para brincar, para trabalhar, para descansar. Devem comer à mesa, acompanhadas da família. E devem comer sopa todos os dias.
 
As crianças não são adultos.
Por isso, devemos falar-lhes como tal. Com paciência, para que nos entendam. Com paciência, para que nos consigamos fazer entender. Com espaço para a aprendizagem. Dentro dos seus mundos. Aqueles que conhecem.
 
As crianças não são adultos.
Por isso, não devemos arrastá-los connosco nos nossos hábitos. Eles aprendem com os exemplos. E nós devemos ser os primeiros a dar o exemplo.
 
As crianças não são adultos.
Serão, isso sim, os adultos de amanhã. São as sementes daquilo que plantarmos. Os herdeiros do mundo que deixarmos. Os alvos do nosso amor, desamor, impaciência, displicência. São aquilo que quisermos. Mas o que quisermos deverá ser sempre o melhor do mundo. Tal como elas são para nós. O melhor do mundo.

 

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Passatempo

A Cláudia Pedro do Ser mais, desafiou-me a ser sua parceira num passatempo com o meu livro. Vejam aqui como podem participar. E boa sorte! :)
 
 

Hoje és, de novo, bebé

Pouco depois de começarmos a namorar decidiste fazer anos. 24. E todos os anos pergunto-te se ainda te lembras qual foi o presente que te ofereci. E todos os anos respondes Uma carteira. Não foi fácil. Conhecia-te há pouco tempo e logo que começamos a namorar fizeste anos. Uma espécie de teste à minha capacidade de observação.
 
Como tinha um horário de trabalho que me ocupava os dias até às 11 da noite, pedi à nossa amiga Elvira que me fizesse o favor de te comprar uma carteira. A única coisa de que me dei conta que estavas a precisar. A tua já mal fechava e uma carteira de homem é sempre um bom presente.
 
Hoje fazes anos. Outra vez... 43. E hoje são os teus filhos os principais promotores dessa coisa que é oferecer presentes em dia de aniversário. Um mês antes do dia começam a falar disso. E o que é que vamos dar ao pai? Não que esqueças, mãe! Falta pouco tempo. E eu não me esqueço. Nunca me esqueci.
 
Gostas de fazer anos. Gostas de ter a família à tua volta, de acender a lareira e ter um bolo com o teu nome. Gostas que o telefone toque vezes sem conta durante o dia. Que os amigos se lembrem de ti e de ser surpreendido. Gostas de pegar nos miúdos ao colo para apagarem as velas contigo e de abrir presentes como uma criança na noite de Natal. Gostas que te prepare um bolo. Eu. Na nossa cozinha. E gostas de terminar a noite agarrado a mim e adormecer a sorrir.
 
E eu, que gosto de brincar contigo, todos os anos faço questão de lembrar-te sobre os teus cabelos brancos. De dizer que estás a caminho dos 50, enquanto eu ainda estou nos 30. De provocar-te sorrisos incomodativos sobre esta realidade que é a vida. Um fósforo que arde num abrir e fechar de olhos. Mas tu sabes que sou eu o motor deste dia que gostas de celebrar. E que assim será. Enquanto Deus quiser.
 
Parabéns! Tem um dia feliz.
A pensar na noite que está para vir. A que programámos. Em família.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Já me tinham dito...

... mas eu não queria acreditar...
Não me lembro de ter passado por esta fase quando era miúda. Mas as pessoas que conheço com filhos mais velhos que os meus, já me tinham alertado. É, no mínimo, incompreensível. E, pelos vistos, já chegou cá a casa...
 
É um 31 para ela tomar banho! Não quer! É sempre um desatino. Se já sabe que vou mandá-la para a banheira, porque é que não vai logo? Evitando que me aborreça com ela e antecipando essa hora fatídica em que mede forças comigo e acaba por perder. Além de que ainda não percebeu que as coisas que nos chateiam devem ser feitas em primeiro lugar para, depois, gozarmos o prato descansados da vida.
 
Hoje deixei-a andar para ver até onde ia. E, ela, nada!! Para a frente e para trás, jantar quase na mesa e... nada...
Eu: Não estás a pensar tomar banho?
Ele: Hã?!? Tomei ontem e vou tomar amanhã...
Eu: E?
Ela: Hoje não preciso...
Eu: Ok. Então hoje não jantas!
Ela: O quê? Porquê?
Eu: Porque jantaste ontem e vais jantar amanhã.
Ela: Não é a mesma coisa!!!
Eu: Para mim é. Todos para a mesa!! - Chamei. - Menos tu! - Disse-lhe.
 
Estava na cozinha a ouvi o esquentador. Era ela. A tomar banho e, em menos de nada, estava à mesa connosco.  Sim, que banho ela não quer, mas sair da banheira também é uma tarefa árdua...
 
Mais uma vez perdeu a batalha.
Até quando esta fase?