terça-feira, 4 de novembro de 2014

Complexo de Édipo. Ao rubro.

Quem o diz é a psicanálise, ou melhor, quem o disse foi Freud. Que as crianças desenvolvem sentimentos de atracção pelos progenitores. Os meninos pelas mães e as meninas, claro está, pelos pais. Mas eu tive uma filha, em primeiro lugar. E senti na pele essa coisa que se chama Complexo de Édipo no sentido inverso. A determinada altura, pelos 4-5 anos, deixei de existir para ela. O pai era o seu mundo. O seu amor. E a mãe, a sua rival. Senti, MESMO, na pele. Esse desprezo. Esse desamor. Senti-me uma empata.
 
Em surdina dizia ao meu marido que a única compensação que eu tinha era saber que um dia ela iria voltar para mim. Mas ele ria-se. E sentia-se INCHAAAADO!! Divertido com a situação. E não percebeu como aquilo me magoava. À séria.
 
Agora já começo a tê-la mais. A senti-la mais. Já me pede abraços e dá-me beijinhos. O que eu digo é importante para ela. E demonstra isso mesmo que eu estava à espera. Não sei o que me está reservado quando chegar à idade da adolescência, mas agora está bom assim.
 
Agora ele.
Só me vê a mim. Ui, que a minha mãezinha é linda. A minha mamã é a melhor do mundo. E toma lá um beijinho na mão. E vai dali vira-se para me beijar onde calha. Como só me chega ao rabo, às vezes é mesmo aí que me beija. E aperta-me. Quando me chega a outra parte do corpo, aí vai alho. És tão querida...A seguir ao banho é a loucura. Quero limpá-lo e vesti-lo, por isso, ponho-o em cima da cama. Fica à minha altura. E a paixão vem ao de cima. Mamãzinha... Mas o rapaz não se coíbe de demonstrar os seus sentimentos. Ele é na rua, é no carro, é a caminho da escola, é no supermercado. Não vão acreditar, mas estou a escrever aqui e ele veio dar-me um beijinho na mão. :)
 
Diz que quando crescer quer casar comigo. E é aqui que a porca torce  rabo. Pois eu sei que não irá casar comigo. Irá casar com outra pessoa qualquer. E eu não sei o que irá calhar-nos na rifa. Mas sei que deixarei de ser o seu amor, conforme me vê hoje. E terei muitas saudades destes momentos. 
 
Agora é o pai o lesado. Está ao colo dele e diz Eu adoro-te, mamã. Como quem diz, não fiques triste que eu estou aqui, mas de olho em ti. O pai percebe esta coisa inexplicável. Que apenas sentimos. E tenta convencer-se dizendo Eu sei que um dia ele virá para mim! :)

A minha casa

Gosto de viver a minha casa. O meu espaço. Prezo muito os pequenos toques e retoques que dou ao nosso espaço para que nos sintamos confortáveis. E orgulhosos. Mas não entendo a minha casa como um museu. Não percebo a ideia tão generalizada de fazer visitas guiadas às casas de cada um. Exibindo espaços privados como os quartos onde nos recolhemos na maior intimidade possível. Não entendo, só isso. Não critico. Por isso não estranhe quem for a minha casa e não tiver direito a uma visita guiada, bilingue, com datação de mobílias e afins ou degustação de vinhos quando chegamos à zona da garrafeira.
 
E o que eu adoro receber pessoas em casa. Gosto mesmo! Do ambiente que se proporciona em serões agradáveis com familiares e amigos. Das memórias conjuntas que criamos e recordamos das experiências que tivemos. Dos petiscos e das bebidas que gosto de experimentar. E, sobretudo, das recepções inesperadas. São as que correm melhor.
 
Quem conhece a minha casa sabe que é assim que vivemos. Com o prazer de ter um espaço que é só nosso e onde somos aquilo que realmente somos. Sem pudores. Quem conhece a minha casa, sabe que há riscos no chão de madeira envernizada, na mesa de carvalho e até no écrãn da televisão. Sabe, também, que tenho papel de parede a soltar-se numa ponta e que a casa de banho precisa de uma grande remodelação. Quem conhece a minha casa, sabe que a lareira está sempre marcada pela dança de fogo que nos aquece e que a varanda é uma extensão natural da nossa sala. Que a porta da rua tem as marcas das chaves de casa e a cozinha está constantemente desarrumada. E quem sobe um andar para uma conversa no escritório perde-se nos livros que lá temos. E dá pontapés em montes de dossiers e caixas de arrumação. É assim o nosso escritório. Um arquivo das nossas vidas. Com a antiga aparelhagem preta que se exibia em tempos idos dentro de um móvel com uma porta de vidro e onde as crianças não tinham permissão para mexer. Mas esse, o móvel, já não existe.
 
Quem conhece a minha casa e a frequenta com alguma regularidade, já não estranha as mudanças que faço constantemente. A cada visita um novo sítio para as mobílias, uma nova disposição. Como num museu interactivo. :) Quem conhece a minha casa, sabe que a vivemos. Que a sentimos. E sente-se bem lá. Connosco.
 
A minha casa. Adoro a minha casa. A cada risco no chão uma história para contar. Lembro-me de cada momento em que cada um aconteceu. Se foram os miúdos que os fizeram, sei de cor a idade que tinham e o que faziam naquele preciso momento. Se fui eu, também sei. Por norma, consequência das minhas aventuras de decoração. Na mesa pequena tenho a marca da base de um copo. Data ainda da outra casa que tivemos. De uma noite de confraternização com amigos. As paredes não estão muito marcadas, mas as poucas pinturas rupestres que têm, também sei quando aconteceram. A cada marca, um episódio das nossas vidas. Da nossa história. Porque nós somos história.
 
É tão bom viajar como voltar a casa. É lá que me refugio. Que consigo, realmente, descansar. Conheço-a de cor. Deambulo às escuras sem bater em nada. Conheço-lhe os barulhos e nada me dá mais segurança. O cheiro que tem é o nosso cheiro. Inigualável. E, se pudesse, levava-a comigo para todo o lado. Pois, para mim, é o melhor sítio do mundo.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

UAU! Dois meses depois...

Finalmente, habemus papa!!
 
Quase dois meses volvidos desde o início das aulas e de ter terminado a primeira ronda de avaliações, chegou a tão aguardada professora de Educação Musical!! Wow! É a loucura!! A loucura de todos os inícios de anos lectivos, com a diferença de que neste a coisa estava quase a chegar ao Natal... Enfim...
 
Eu: Então e que tal a professora de música?
Ela: Gosto dela. Tem voz para mandar calar!
 
Valha-nos isso. Depois desta espera, a senhora tem voz para mandar calar. Só é pena que não possa mandar calar quem deveria MESMO calar-se. E de vez! É pena...
 
Bem-vinda senhora professora. Desejo-lhe um início/resto de ano lectivo feliz!

Sobre a viagem ao Porto - Parte I

Tinha este assunto para resolver: conhecer a cidade do Porto! Já lá tinha estado há uns anos atrás. Mas tinha chegado de noite com quarto reservado na Pousada da Juventude e às 6 da manhã fui para o aeroporto apanhar o avião para Barcelona. A cidade em si não conhecia. E martirizava-me por isso. O meu marido estava como eu. De tantas viagens que fizemos dentro e fora de Portugal não tínhamos assinalado a cidade do Porto no mapa. Apenas o desejo de perceber essa coisa da alma da cidade que quem a conhece diz que ela tem.

Fomos os quatro. Uma estreia em família. E quem me conhece sabe que gosto imenso de mercados e que são poucos os que não conheço. Adoro as cores, os cheiros e as gentes. Acredito que se trata do barómetro daquilo que é a alma de uma cidade, vila ou aldeia. Que nos proporcionam tudo o que há de melhor com um verdadeiro sentido de alma. Um bocadinho da alma de cada um em cada coisa que têm para vender. Por isso, começámos pelo mercado do Bolhão.

Uma agradável surpresa. Para já, a localização. Mesmo no meio da cidade. Perto da afamada Rua de Santa Catarina. No centro da movida portuense. Por fora, um edifício bonito, mas de tão enquadrado na arquitectura da cidade não chama muito a atenção. Por dentro, um mundo. Uma cidade dentro da cidade. Uma descoberta a cada "esquina", a cada banca. Estava longe de casa, por isso ter comprado pouca coisa. Mas juro que fiquei com vontade de lá voltar todos os sábados de manhã para abastecer a cozinha de coisas boas e frescas. E as cores do mercado? Extraordinário. As especiarias em saquinhos. As flores. A cidade do Porto tem muitas floristas. Os cheiros. Os talhos e as peixarias.

Tão bom, mas tão bom que vou voltar. De certeza!

(Tenho pena, muita pena, de ter a máquina fotográfica avaridada e ainda não ter comprado outra. A avaria não tem solução. Por isso, as fotos não têm a qualidade desejada.)
 
Eu e o meu amor.

No primeiro andar do mercado.

Eles aqui estavam indecisos entre as gomas, as azeitonas e as especiarias.

Apanhado! O meu marido estava com vontade de experimentar os aventais. :)

Leiam com atenção. Muito bom!

Reparem em como o mercado é colorido.

Não consigo resistir a estas cores.

Adoro as garrafas em miniatura.

Dá vontade de comprar tudo. Há coias que eu nem sei para que servem. :)

Tenho pena que a fotografia não seja fiel à beleza desta banca. Estava mesmo bonito, o quadro.

Frutos secos. A minha perdição.

Especiarias e mais especiarias. Uma dança de cores que convidava a entrar no baile.

Aqui o meu filho lançou a mão e provou as azeitonas. Que ele adora!

Andaram de volta dos peões e dos brinquedos de madeira.

As experiências dela com o telemóvel.

"Tira-me uma foto!" Acho que foi a frase que mais ouvi.
 

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O dia em que disse o primeiro "Sim"

Faz hoje 19 anos que disse o primeiro sim. Bom, na verdade já tinha dito que sim quando aceitei sair com ele, mas o oficial foi no dia 31 de Outubro de 1995, quando começámos a namorar. Quando ele me pediu em namoro. Não que eu não soubesse o que ele queria. É claro que sabia! Mas o pedido tinha de ser feito e depois de várias semanas a penar, lá lhe disse sim. Pois mulher que é mulher, sabe bem como fazer as coisas, certo? ;)
 
Penou! Não me largou! E eu andava divertida com a situação. Mas também tinha vontade de namorá-lo. Deu-me o primeiro beijo em Belém. Num banco de jardim. O mesmo que ainda lá está. O mesmo onde de quando em vez voltamos. E recordamos esse dia.
 
Leio e oiço muitas vezes dizer que já não há histórias de amor. Desculpem-me contradizer quem acredita nisso. Pois eu conheço umas quantas. A primeira de que me lembro é a dos meus avós. A segunda é a da minha tia Vicência e do meu tio Jorge. And so on. A última de que me lembro? A da minha prima Sandra. ;) (Sandra, esta é para ti. Porque eu acredito na tua/vossa história de amor) E acredito na minha.
 
Como bem sabem, a vida a dois não é um mar de rosas. Aliás, por vezes, até encontrar o equilíbrio, o que pode levar aaaaanoos, encontram-se muitos espinhos no caminho. Costumo dizer, até, que a coisa mais difícil da vida é viver com outro ser humano. Seja um marido, uma amiga, um irmão ou irmã, com quem for. Partilhar o nosso espaço com alguém é algo muito, muito difícil. Obriga a muitas concessões. A muita tolerância. A muita compreensão. E acredito que a resistência a todas as contradições desgasta muito as relações e as pessoas. Daí as zangas, o cansaço, a necessidade de ter espaço.
 
Não é fácil. Não é nada fácil. Mas há momentos na vida em que é preciso pesar o que é que pesa mais. Se o que nos liga é mais forte ou mais fraco que aquilo que nos separa. E medir o amor que temos por outra pessoa, em determinados momentos das nossas vidas, pode não ser tarefa fácil.

Gosto de contar histórias. Gosto de recontar histórias. E irei contar sempre novos pontos de vista dos mesmos acontecimentos, aqueles que me marcaram, ano após ano. Pois a cada ano há mais aprendizagens para partilhar.

Casámos no ano 2000. E agora, em 2014, comemoramos o início desta história a quatro. A quatro estilos. A quatro personalidades. E, em alguns casos, a quatro vozes, que eles já têm coisas para contar. :) E opinar.

Disse-lhe sim. Se voltaria a dizê-lo? Sim, voltaria. Mas desta vez teria de levar-me a Paris ou a Veneza. Que uma pessoa com o tempo torna-se mais exigente. :)