quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Ainda não vos contei...

Falei-vos aqui e aqui das saudades que tinha de ter um bebé na família. Da coragem da minha prima em ter o terceiro (com diferença de 19 anos do primeiro). Das peripécias que lhe aconteceram durante a gravidez. Das adivinhas que fui fazendo sobre o feitio do rapaz.

Futurologia! Já ouviram falar? :)

Pois, parece que não me enganei. O rapaz é mesmo nervoso. Está sempre a bater castanholas com as mãos e a chutar a bola com os pés. Dança o fandango e canta modas alentejanas. Perto de fazer os três meses de idade, impõem-se como gente grande. E a minha prima, a delirar.

Mas é tão bom ter um bebé para mimar. Senti-lo no nosso colo. Vê-lo a crescer. Desde a primeira hora, quando soube da gravidez, que o sinto um bocadinho meu. Eu e a minha prima somos muito, mas muito amigas. Companheiras, conselheiras e confidentes uma da outra. Ela é madrinha do meu filho mais novo e eu sou madrinha da sua filha mais velha. Um novo elemento na família é sempre uma extensão de nós. De todos nós, pais e mães que somos. De todos os que amam.
 
A minha prima escolheu-me para madrinha da sua primeira filha há 19 anos atrás. E, 19 anos depois, escolheu-me e ao meu marido, para padrinhos do seu filho. Esperou que fizesse dois meses, estávamos todos juntos de férias, quando me deu uma fralda e um pacote de toalhitas Trocas a fralda ao menino?
 
Troco, claro que sim. Muitas vezes quando estou com ele. Mas a fralda trazia uma mensagem Já que me trocas a fralda quando eu preciso, importas-te de continuar a fazê-lo como minha madrinha?
 
Ficámos muito lisonjeados! E felizes! :) O meu marido é um estreante. Eu sou repetente. E na mesma casa. De 3 filhos sou madrinha de 2. E a filha do meio ainda me disse Porque é que a minha mãe não te escolheu para minha madrinha? ao que respondi Não te importes com isso. Se quiseres podes tratar-me por madrinha e para mim serás minha afilhada. E ela sorriu.
 
A minha prima e o seu marido, surpreenderam-nos. Responsabilizaram-nos pela vida do mais novo membro da família. E que responsabilidade. Sabe tão bem! Espero, apenas, estar à altura da mesma.

Onde está a avó? - O título do meu livro

Um conto escrito com cabeça, tronco, membros e coração. E com a certeza de que será muito útil aos pais que se vêm confrontados com o luto dos seus filhos.
 
Um conto escrito para a infância. De alguém que pergunta pela avó que partiu. Cuja resposta está presente.
 
No fim.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Conversas de pé de orelha #1

Fui interpelada à porta de casa.
- Vizinha, desculpe!
Oi! É comigo! (pensei)
- Sim, boa tarde! Como está?
- Disseram-me que a vizinha vai lançar um livro...
- E quem é que lhe disse?
- Pois... sabe... disseram-me que viram no facebook... (hesitou muuuuito)
- Olhe vizinha, sabe como é: se está no facebook é porque é verdade! (respondi divertida)
- Às vezes! Por isso é que estou a perguntar-lhe.
- Pois, é verdade!
- A sério?!? (ui o espanto, meu Deus!) Então boa sorte! Que isto hoje em dia ninguém compra livros.
Tau!
Mas eu não me fiquei.
- Compram, sim! As pessoa inteligentes! (e com esta segui caminho)
 
(só para acrescentar que esta é uma daquelas vizinhas de quem não sei o nome, que foge das pessoas e um bom dia ou boa tarde só ouve quem tem ouvido tísico. Mas, pelos vistos, é curiosa. E não sabe que a curiosidade matou o gato!)

Ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro

O título relembra-me uma frase que ouvi, vezes sem conta, enquanto crescia. E nesse processo de crescimento, em que o nosso entendimento do mundo é tão limitado e em que acreditamos em tudo o que nos dizem, pensei muitas vezes desta forma. Não saberia se iria ser mãe. Plantar uma árvore, como? Nem sequer tenho jardim! E escrever um livro? Só pessoas muito, mas muito inteligentes é que escrevem livros.
 
Mas eu que fui sempre uma menina curiosa e com o defeito danado de questionar as coisas até que as mesmas fizessem sentido na minha cabeça, perguntava-me, em surdina, Então e depois? Quem conseguir fazer estas três coisas... depois já pode morrer? E quem não conseguir fazê-las? Não fez nada de jeito na sua vida? E quem só fizer uma ou duas? Bom, nesse caso... pelo menos tentou. Será?
 
Coisas que nos passam pela cabeça na idade dos porquês. Na idade em que tudo quer uma resposta. Em que encontramos respostas mirabolantes para as questões que nos inquietam o espírito. Pois foi, exactamente, nessa idade que plantei a minha primeira árvore. Que sorri, por dentro, ao pensar Se morrer agora já plantei uma árvore. Que comecei a deixar marcas no meu percurso.
 
É claro que hoje oiço e penso esta frase da sabedoria popular de forma completamente diferente. Plantar uma árvore, contribuir para uma longa vida da Humanidade. Ter um filho, a maior dádiva de todas, a maior forma de partilha, a maior perpetuação, a maior descoberta. Escrever um livro, deixar um legado, uma memória futura da nossa passagem por cá.
 
E é nessa fase que estou. Escrever um livro, já o escrevi há algum tempo. Mais que um, até! Mas só se efectiva essa realidade quando ganha cor e forma. Quando se torna palpável. E é isso que estou a fazer. A tornar palpável um testemunho leal do meu ser. Da minha forma de viver. Do que quero que os meus filhos guardem de mim.
 
Não entendo que, depois, já possa morrer. Ou que a minha missão de vida termina aqui. Entendo, isso sim, que mais difícil que estas três coisas será evitar que a minha árvore seja derrubada. Fazer com que os meus filhos se tornem bons cidadãos. Esperar que o meu livro seja lido.
 
Não é aqui o fim da linha. É, apenas, um impulso no caminho.

It's raining again!

Só por causa das coisas, tomá lá baldes de chuva mesmo à hora de sair de casa. Com duas crianças a delirarem por andarem de chapéu de chuva, mochilas e casacos (o mais pequeno ainda experimentou as galochas) e eu sem encontrar o meu chapéu (que o meu rico marido encafuou na garagem). Não saí de casa com um da Hello Kitty, mas saí de casa com um de criança.
 
Para ajudar à festa, deixei o telemóvel em casa e ao estacionar o carro não puxei o travão de mão. Foi vê-lo a ganhar asas quando fechei a porta. Parecia que o tinha abastecido com Red Bull. E eu parecia o Michael Knight. Kit, onde vai você? (ler com sotaque brasileiro a cair para o argentino). Lancei-me em voo e puxei o travão com o carro em andamento. Espectáculo!
 
Portanto, um começo de dia em cheio.
 
Na escola dele a auxiliar estava contente: Isto é bom para as castanhas. E eu a pensar: Sim, claro. Só é pena eu não ser uma! E uma professora a ajudar à festa: Ó mãe! Esse chapéu de chuva fica-lhe muito bem!! Sim filha.... Sim filha... (nas escolas somos mãe de toda a gente)
 
Não costumo stressar, mas hoje fui apanhada de surpresa. Agora que já me passou, só me dá vontade de ligar a todas as pessoas que conheço que passam a vida a orientar a sua vida de acordo com as previsões meteorológicas e a quem sai tudo trocado, para me rir a bandeiras despregadas. Então? A chuva e trovoada de domingo chegaram 3 dias atrasadas, hein!?!
 
E tanto que ouvi que o Verão vinha em Setembro. E que o calor vem em Outubro. E que quem tirou férias agora é que vai safar-se. E blá, blá, blá, pardais ao ninho. Tanto ouvi como ignorei. Que de adivinhos e de loucos, todos temos um pouco (alterei o prevérbio a meu bel prazer, é claro).
 
À chuva: bom regresso!! Que ao menos lava-me o carro! :) E rega as castanhas. E lava as estradas. E deixa-me a varanda imunda. Uma verdadeira Supertramp! (gostaram do trocadilho?)

Deixo uma música apropriada para alegrar o dia.
 
 
Supertramp - It's raining again