quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O melhor do meu dia (de ontem)


Eu: Gostaste da escola nova?
Ele: Adorei, mamã!

(e o meu coração descontraiu)

Peço desculpa!

Irritam-me algumas coisas. Poucas, mas as que me irritam, cansam-me.
Não gosto de estar cansada. Por isso, quando as coisas que me irritam podem deixar de fazê-lo se eu conseguir dar-lhes a volta, então é assim que procedo. Dou-lhes a volta.
 
Uma maneira de dar a volta ao que me irrita é reconhecer que a coisa pode irritar-me por minha causa. Porque, afinal, estava errada. Porque, afinal, o que me irrita é estar errada. Por isso, peço desculpa pelo que me tem irritado de há uns anos a esta parte. Peço desculpa a todos os que incomodei e que, com os seus comentários, atitudes ou linguagem corporal, me deram a entender que era eu que estava errada.
 
Peço desculpa porquê?
Por ensinar aos meus filhos que devem pedir licença para sair da mesa. Seja em casa, num restaurante ou em casa de alguém. Por não permitir que andem aos pinotes quando estamos a comer. Por não aceitar que se levantem quando querem. Seja onde for. Peço desculpa a quem incomodei com esta atitude antiquada.
 
Por exigir que os meus filhos não se deitem sem dar um beijo de boa noite aos pais e, também, às visitas que os pais têm em casa ou se dormirem em casa de alguém.
 
Por não deixar de querer um beijo, igualmente, de bom dia. E que cumprimentem todas as pessoas, mesmo que as vejam todos os dias.
 
Por obrigar a que peçam perdão por arrotarem à frente de alguém. E que não me ria perante essa situação. E que, ainda por cima, fale com eles sobre a forma de evitar que isso aconteça na presença de outras pessoas. Peço desculpa pela minha falta de humor.
 
Por ficar irada se derem um pum no meio da sala, à frente seja de quem for e contrariar a gargalhada geral. Por ensiná-los a retirarem-se quando têm essa necessidade. Por ensiná-los a não se rirem quando alguém faz isso. Tenho um olfacto e uma audição apuradas que, em conjunto, me tiram do sério nestas situações.
 
Peço desculpa por pedir aos meus filhos que se levantem para dar o lugar a alguém. E que não me compadeça com o coitadinho/a que ouço logo de seguida. Mas eu sou assim. Má.
 
Peço desculpa por os meus filhos faltarem a imensas festas de aniversário. Por não achar o máximo passar o fim de semana a fazer de motorista em função das suas agendas sociais. Por obrigá-los a escolher um entre dois ou mais convites. Em virtude de passarem algum tempo com os pais. Mas eu sou assim. Uma egoísta.
 
Peço desculpa por levantá-los a horas decentes ao sábado para irem comigo ao mercado. Por querer que aprendam o nome das coisas. Por parar na banca da peixeira e verem aquele horror de peixes mortos. Por parar na florista, onde converso sobre arranjos e lhes peço ajuda a escolher flores.
 
Por não admitir birras sem fundamento nenhum e ao primeiro abrir de olhos eles ficarem em sentido. Mas eu sou assim. Uma tirana.
 
Por querer que lavem os dentes logo a seguir à refeição, não permitindo que vão a correr brincar ou ver televisão. Por mais tempo que haja, se as coisas não são feitas na hora, passam. Uma e outra vez. Mas isso sou eu. Cheia de regras.
 
Por irritar as educadoras, os avós, os tios e os amigos ao não querer que os alimentem de bolachas, chocolates, pastilhas, gomas, whatever. Que percebam que o amor que sentem por eles não deve ser proporcional à quantidade de excessos alimentares que insistem em cometer. Pois onde é que já se viu isso? Em lado nenhum. Eu é que sou assim. Esquisita.
 
Por querer que andem sempre com as cadeiras auto e os cintos bem postos. Sim, há quem não o faça. E eu sei que irrito quem não o faz.
 
Peço desculpa, também, aos meus filhos por ser tão chata. Por não permitir que metam um pé na varanda ou o nariz na janela. Por não permitir que joguem no tablet ou vejam desenhos animados depois do jantar. Por querer que leiam livros e me acompanhem em algumas tarefas. Por dobrarem as meias e as cuecas. Por arrumarem os talheres lavados. Por porem na máquina a loiça que sujam. Por porem na máquina a roupa que sujam. Por terem de arrumar o que desarrumam. Por terem de fazer as suas camas. Por terem de pôr a mesa. Por terem de levantar a mesa.
 
Mas não peço desculpa pelo amor que lhes tenho. Porque amar, também é saber dizer não. E, sobretudo, ter consciência que esse amor incondicional que lhes temos não nos pode cegar. Os homens e as mulheres que serão amanhã devem ter a sua formação agora. E nós, e eu, não viveremos para sempre...

Não peço desculpa aos meus filhos pela esquisitisse de que me acusam. Não me julgo melhor mãe. Nem melhor pessoa. Apenas me dou ao trabalho para pôr em prática aquilo em que acredito.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Casas onde seria feliz #1

Adoro decoração. Adoro sonhar com casas onde seria, certamente, muito feliz. E as de campo estão no meu top de preferências. Partilho convosco o que, de vez em quando, pesquiso, encontro e perco algumas horas. Como se estivesse a ter sonhos com algodão doce.
 
 













Juro que não o agredi!

Foi hoje o dia da absoluta estreia do meu filho na nova escola. E se receios haviam sobre a mudança, o mesmo apressou-se a dissipá-los. Grande sorriso, bem disposto, como se já conhecesse a escola há anos e anos. Ainda olhou para mim com aqueles olhos tens-a-certeza-que-é-isto-que-queres-para-mim ou também do género leva-me-contigo, mas eu a adivinhar esta suave chantagem despedi-me rapidamente e não lhe dei tempo para pensar.
Não sou, propriamente, estreante nestas andanças. Mas o início de cada ano deixa-me, sempre, com um certo nervoso miudinho. Sobretudo, como já referi várias vezes, este ano em que se dão grandes mudanças na vida dos dois.
Fiz questão que ele participasse em todo o processo. Foi comigo tratar da candidatura, da matrícula e foi ver a escola nova. Também andámos às comprar de supermercado com direito a um espaço no carrinho para o leite que fará parte dos seus lanches diários. E a nova lancheira já estava pronta para sair há uns dias.
Tudo o que comprámos, ténis, sweat-shirt's, etc., na boca dele comprou-se para levar para a escola nova. E eu deixei que esse discurso o dominasse. Como que a convecer-me, eu própria, da mudança.
Mas este início dá-se depois das férias grandes. De onde o meu filho trouxe muitas recordações. Joelhos esfolados. Pernas arranhadas. Pés com pequenos cortes e alguns arranhões. Nódoas negras. Cotovelos cheios de mazelas. Além de parecer que está encardido nestas zonas críticas.
Chamamos-lhe Tom Sawyer. É vê-lo a correr por todo o lado com um chapéu de abas e cordão comprido. Facilmente o imaginamos a perseguir o barco no rio Mississipi. :) Só falta, mesmo, andar descalço. Não anda, mas também não quer ténis ou sandálias. Chinelos! É essa a palavra de ordem.
À nova educadora eu gostaria de dizer: juro que não o agredi! Que é um rapaz bem disposto, sempre na rua e que nem chora quando cai. As nódas negras, pode perguntar-lhe onde as fez que ele terá todo o prazer em responder. Os arranhões têm grande animação na sua génese e os pés mal tratados são a sua felicidade.
Quem o vir pode ter dúvidas desta natureza, tal o estado crítico em que se encontra. Mas eu não me importo com isso. Pois sei que é o resultado de um Verão e de uma infância felizes. :)

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Mais uma pérola. Desta vez... dela!

Partiu-se o estendal. Daqueles de chão que abre duas abas. Uma para cada lado. Pus, como habitualmente, uma das abas com roupa para fora da varanda. E ela não suportou o peso. Partiu-se. E foi tudo parar ao rés-do-chão.
 
Estávamos em casa quando isto aconteceu. O meu marido apressou-se a tratar do assunto e eu disse-lhe com ar meio consternado:
 
- Já viste? Está tudo a pedir a reforma...
 
E ela, do nada, vira-se:
 
- Quem, pai? Os ministros?
 
Foi de rir e chorar por mais.