domingo, 10 de agosto de 2014

Um brinde aos amigos

Sabemos que casamentos e baptizados são eventos que nos levam a rever familiares e amigos. E, por vezes, a fazer novos amigos. Regra geral, são dias divertidos. De descontracção. De brincadeiras resultantes de algum álcool à mistura ou de memórias partilhadas de tempos idos. Por vezes, canta-se. Na minha família é certo que se acaba a cantar. Às vezes basta um encontro entre todos. Dança-se. E, assim, construímos mais memórias.
 
Há dois anos, no casamento de um casal amigo, fizemos novos amigos. Divertidos. De sotaque algarvio. Foi a nossa mesa a mais divertida. E se não tínhamos memórias para partilhar, hoje temos. Sem dúvida. No casamento pusemos o noivo a beber de penalti um copo de qualquer coisa sempre que vinha à nossa mesa. Ao ponto do mesmo chegar ao ponto de se  recusar a chegar a nós. :) E acabando nós de nos conhecermos, sem querer, descobrimos uma grande empatia. E repetimos o encontro. No Verão seguinte.
 
Sabem como é, certamente, estar com pessoas de quem gostamos e, depois de muito tempo sem as vermos, retomar a conversa no ponto em que ficou. Foi o que aconteceu hoje. No baptizado em que nos encontrámos. E as conversas continuaram. No ponto em que as deixámos na ilha de Faro. As brincadeiras. As piadas. As histórias de vida e episódios das nossas vidas que gostamos de recordar e partilhar. E a sangria que era tão boa. E o passeio que demos pelo local onde estávamos. E as fotografias que tirámos.
 
A hora da despedida é sempre uma interrogação. Mas hoje não! Ficou a promessa de um reencontro em Outubro. E só os amigos que sentem no coração a emoção da partilha deixam as suas vidas para trás, neste caso no Algarve, para virem a Lisboa participar num evento na vida de alguém que conheceram num casamento.
 
Há coisas que valem mesmo a pena. Brindemos aos amigos! :)

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

63%?!? Não me espanta!

Saíram ontem os resultados dos exames dos professores. Dos tão contestados exames de avaliação. E os resultados foram, simplesmente, desastrosos. Por um lado, eu já os esperava. Por outro, entristece-me ver assim plasmado num gráfico a miséria de ensino a que estiveram sujeitos os professores e a miséria de ensino a que estão sujeitos os nossos filhos.
 
Há uns anos atrás dei aulas na Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras. Dei aulas a alunos licenciados num curso de pós-graduação. Era muito nova e, por isso mesmo, mais nova que todos os meus alunos. Tinha uma turma de 20 alunos em horário pós-laboral. E uma vez tratar-se de uma especialização tinha alguns alunos que já trabalhavam na área em questão, mas que tinham decidido regressar à faculdade para aperfeiçoarem conhecimentos ou, pura e simplesmente, para obterem mais um canudo que lhes permitisse uma progressão profissional. Depois, tinha um grande conjunto de alunos que andavam nisto (isto de estudar, de coleccionar cursos) por falta de emprego. Por falta, também, de objectivos específicos. Por não se identificarem com nada. Tinham mais que uma licenciatura. Mais que uma especialização. E disparavam em todas as direcções para tentarem a sua sorte. Não lhes tirei o mérito, isso não! Mas não também não lhes tirei o chapéu.
 
Na vida é difícil acertarmos à primeira nesta coisa que é virmos a ser futuros cidadãos que trabalham. Pedem-nos com 15 anos de idade que escolhamos uma área de estudo em função do que queremos ser no futuro. Depois, aos 18, a escolha do curso superior que vai garantir-nos o futuro brilhante que os nossos pais sonharam para nós e que está ali, algures no destino, à nossa espera. E quando termina o tão ansiado percurso da licenciatura esperamos que o emprego nos venha buscar à porta da faculdade. É que é mesmo esta a história que nos vendem.
 
Pois, mas essa história já é velha. Já foi chão que deu uvas. Agora não é assim. E há uns anos atrás também já não era assim. Mas uma coisa já era como é hoje: a falta de preparação com que os alunos iam para a faculdade. A falta de estrutura. Os erros ortográficos. A má interpretação. A dificuldade em escrever. A impertinência de quem dourava a pílula do seu currículo académico e, depois, percebia-se num estalar de dedos que era muita parra e pouca uva. A desconfiança por uma professora tão jovem quanto eu era.
 
Os erros ortográficos deixavam-me louca. A pontuação. A má interpretação. Não fosse eu uma pessoa de letras. Não tivesse tido eu uma professora primária daquelas que nos marcam para a vida. Tanto pelas reguadas como pelos abraços que me deu. Com uma prótese no braço direito que a impedia de escrever e de bater. Mas o braço esquerdo chegava-lhe para tudo. A minha professora Maria de Jesus. A quem devo as minhas bases. E os erros ortográficos para ela eram, também, algo que a deixava irada.
 
Estes resultados não me espantam. A democratização do acesso ao ensino nas últimas décadas levou a isto mesmo. Entre outras coisas. À descida do nível de exigência. À descida das médias para a entrada na faculdade. Ao aumento das estatísticas apelativas e atractivas que um país da União Europeia que se preze deve apresentar.
 
Não se exige. Facilita-se.
 
Vi os exames que os professores fizeram. Qualquer professor devia fazê-lo com uma perna às costas. Não se esqueçam que também eu dei aulas. E sei a responsabilidade que um professor tem. O peso com que se exerce a profissão de estarmos a formar ou a instruir num determinado sentido que deve ser o mais abrangente e útil e exigente possível para que os resultados atinjam determinada fasquia. É das profissões mais exigentes e das mais nobres também.
 
Quem não tem memórias de um professor? Quem não se lembra da sua professora ou professor da primária? Quem não gostou de andar na escola?
 
Hoje somos adultos. Criamos os nossos filhos com base na aprendizagem adquirida ao longo dos anos. Ao longo do que acumulámos como saber de experiência feito. Já fomos alunos. Alguns de nós professores. Outros, outra coisa qualquer. Com a certeza de que todos somos importantes para a nossa sociedade. Com a certeza de que queremos dar a liberdade necessária aos nossos filhos para escolherem o que quiserem ser. Com uma condição: serem os melhores no que vierem a fazer. E, por isso, todos os exemplos servem. Não podemos ter professores que não sabem até onde estão preparados para darem aulas. Que, muito provavelmente, estão a dar aulas porque não tiveram outra alternativa. Muito provavelmente para alguns deles estes resultados foram uma revelação. Que os levou a uma resolução: eu não sirvo para isto!
 
Ao longo dos últimos anos, em Portugal, um professor passou de uma espécie de autoridade para uma espécie de serviçal. Se a família respeitava a palavra do professor, começou a sobrevaloriza-la. E quis que este passasse a educar os seus filhos. Quis que se responsabilizassem pelos erros dos seus filhos. O estatuto do aluno e outros demais diplomas vieram retirar-lhes autoridade. Importância na sociedade.
 
Os professores passaram a ser avaliados em função dos resultados dos alunos. Qual é o professor que quer dizer ao mundo que os seus alunos, que até ali foram levados ao colo, com ele não têm aproveitamento? E, assim, penalizar-se profissionalmente?
 
A verdade é que a nossa sociedade, a sociedade portuguesa, também não é pródiga em valorização pessoal e profissional. Ser mãe é sinónimo de incapacidades várias. Ser mulher, em alguns casos, também. Mas ser mãe e ser mulher não basta para abdicar de uma carreira em prol da família. As contas ficam por pagar. E a realização pessoal também.
 
Não me espantam estes resultados. Entristecem-me.
E também me entristece saber que há uma séria hipótese dos meus filhos apanharem essa leva de facilitismo. E os verdadeiros resultados estarem camuflados. Em virtude dos resultados que o sistema exige. Preocupa-me pensar no conceito bom professor ou mau professor. Não deveriam haver, apenas, professores? Eu não posso ser uma má profissional, certo? Não será o ensino um assunto demasiado sério para que os seus principais intervenientes se incluam numa escala de zero a dez no que toca à sua eficiência? Não estará este país podre de valores quando a educação deve passar por uma triagem destas? Não deveria essa triagem ser feita dentro de portas? Nas faculdades que os formam?
 
Não me  chocaram os exames. Apenas a necessidade de se fazerem. Como se só agora se começassem a ver os resultados das inúmeras más políticas e reformas e profundas alterações que este ministério sofreu. Ou como se fosse necessário encontrar alguém a quem imputar o ónus dessas decisões danosas.
 
E agora? Despedem-se os professores? Não se contratam professores que deram erros ortográficos? Não se contratam professores com um aproveitamento na linha de água dos 50%? Mas foi só isso que lhes exigiram! Para entrar na faculdade e para sair da faculdade!! Porque é que agora não servem? Não será este um GRANDE problema de raíz? E outra pergunta: quem é que corrigiu os exames? Foram professores da velha guarda? Os que estão nos quadros há anos e anos e anos sem renovarem e adequarem os seus métodos de ensino? E outra pergunta: porque é que os professores triados foram apenas os contratados? E outra pergunta: porque é que este país não consegue ser JUSTO com ninguém??

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Das pequenas coisas

Sei como sou. O que me preocupa. As minhas prioridades.
Sei pelo que luto. O que me emociona. O que me compensa.
Sei para onde quero ir. De onde vim.
E sei, também, que são as pequenas coisas que me preenchem a alma.
Pequenas grandes coisas que me fazem sentir especial. No meu mundo.
 
São os clichés? Talvez. Mas são esses clichés, que só compreendemos quando passamos por eles, que fazem sentido. Quando os vivenciamos. Um abraço no final do dia. Um ramo de flores que os meus filhos roubam no jardim da avó ou que apanham enquanto andam a brincar na rua. Um saco de amoras. Como as de ontem. Que o mais pequeno apanhou. Porque sabe que eu adoro.
 
O despertar deste dia. Em que ele chama a irmã ao quarto para dizer-lhe que a adora. Ao que ela respondeu: Eu também te adoro! O companheirismo do meu marido que me tem acompanhado por inteiro num projecto pessoal que em breve partilharei convosco. Que vibra comigo. Que não me deixa desistir. Que não percebe nada do assunto, mas ouve-me e ouve-me e ouve-me...
 
São as pequenas coisas que me preenchem.
Espontâneas. Naturais. Verdadeiras.

domingo, 3 de agosto de 2014

A uma semana do descanso

Acabou mais um fim de semana. E bem depressa que passou. Com tanto que resolvi. Coisas pendentes que ficam para depois. E, depois, junta-se tudo e resolve-se de uma vez só. Para começar, estou a escrever-vos de um computador novo. O outro, foi-se. Deu lugar a este. Giro, que só ele! E tem uma coisa que me agrada imenso: não é preto. Nem é cinzento. :)
 
Fomos onde era preciso. Passámos o sábado fora à conta disso. E cansa. Mas cansa mesmo. Chegámos a casa derreados. Os miúdos adormeceram logo. E eu nem lembro de mais nada...
 
No Domingo aproveitei para cortar e pintar o meu cabelo. Sim, sou eu que faço isso a mim própria. E aos restantes membros da família cá de casa também sou eu que corto o cabelo. E não. Não aprendi com ninguém. Tenho um grande poder de observação e jeito de mãos. Um dia arrisquei, correu bem e agora trato de todos. O meu sogro diz que nunca na vida ficarei sem comer. Pois desenrasco-me com qualquer coisa. (era bom, era...)
 
Ainda tivemos tempo para mimos e brincadeiras. Para ir à margem Sul ver o filho da minha prima. O bebé de quem já vos falei imensas vezes. Está liiiinnndo... Olho azul, azul!. E, com ele, matei saudades dos tempos em que os meus filhos eram ainda bebés. Consegui resolver algumas coisas pendentes relativamente a um projecto pessoal de que vos falarei mais à frente. E estar numa esplanada com dois casais amigos e respectiva prole. Mas o vento era tanto que a nossa estadia foi sol de pouca dura.
 
Daqui a umas horas toca a levantar que se faz tarde para a última semana de trabalho antes do merecido descanso. Sim, eu sei que já andámos pelo Algarve, mas não chegou. No ano passado não tivemos férias. E este ano temos muita vontade de desandar daqui. Outra vez. Falta uma semana. Não sem antes irmos a um baptizado, finalizarmos as matrículas nas escolas e nos ATL's, encomendar os livros escolares, uma reunião importantíssima que terei amanhã ao fim do dia e uma remoção da vesícula da minha madrinha (mulher do meu pai). Portanto, uma semana agitada que é o que se quer para que o tempo passe depressa a caminho das férias.
 
Boa noite.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Ao serão com amigos

Gosto de ficar horas à conversa ao serão com amigos. Sobretudo quando o encontro não é programado. Quando surge espontaneamente. Inesperadamente. E, depois, a noite passa a correr. E divertimo-nos a valer.
 
Gosto de contar histórias (mas isso vocês já sabiam). E relembrar episódios que têm sempre piada. Por mais que falemos neles. Tivemos um destes serões inesperados esta semana em casa dos nossos amigos Z. e R. Do nada, já estavamos em casa deles. De amêndoa amarga na mão. Eles. E nós, as mulheres, de Bailey's. Devo dizer que já há uns anos que não bebia este licor. Que as bebidas da moda agora são outras.
 
Começámos na cozinha. Acabámos na varanda. E a conversa não nos largou por um minuto. Rimo-nos imenso. E ainda me vem à cabeça a minha amiga a dançar. A imitar um convidado de um casamento onde estiveram no fim de semana passado. :) :)
 
A conversa é assim. Quando animada, puxa por nós. E puxa. E puxa. E parece que não nos deixa sair de onde estamos. Queria contar um dos episódios mais engarçados que nos aconteceu, a mim e ao meu marido, mas havia sempre outra e outra coisa de que se falava. Conversas cruzadas. Gargalhadas. E não consegui. Mas conto agora. E ficam todos a saber.
 
Este episódio poderia intitular-se mais ou menos assim:
O DIA EM QUE A TAP ATRASOU O VOO POR NOSSA CAUSA :)
 
Passou-se na ilha do Pico. Íamos para a Terceira, mas fizemos escala no Pico. E eu, que nunca tinha lá ido, achei o máximo pararmos lá. Não estava a perceber o porquê da escala. Mas depois percebi...
 
A paragem foi curta. O aeroporto, mínimo, mínimo. A pista de aterragem é assustadora. Meia dúzia de metros de alcatrão a acabar numa ravina. Os aviões para levantarem voo têm de fazer marcha atrás. A aterragem é acompanhada de uma brusca travagem. Estão a ver, certo? E o meu marido teve uma dor de barriga daquelas. Enfiou-se na casa de banho.
 
Passado um bocado ouvimos no altifalante:
- Senhores passageiros, o avião para Lisboa parte dentro de momentos. Façam o favor de embarcar.
 
Oi? Avião para Lisboa? Mas só está um avião na pista e vai para a Terceira?!? Pensei eu e o meu marido que estava na casa de banho. Mas rapidamente esqueci o assunto. Afinal, aquele não era o nosso avião. O nosso não ía para Lisboa.
 
Esbaforido aparce-me um polícia (já não me lembro se GNR ou PSP) gorducho e de bigode:
- O que é que a senhora está aqui a fazer?
- Estou à espera do meu marido?
- Para onde é que vai?
- Para a Terceira.
- E o seu marido onde é que está?
- Na casa de banho?
- O quê? Mas o piloto está à vossa espera!!!
 
E entrou pela casa de banho dos homens:
-Ó senhor! Ó senhor que está na casa de banho! Despache-se que o piloto está à sua espera!!
 
Bom, escusado será dizer que eu ria-me com a cena. O meu marido, na casa de banho, não estava a perceber nada. O polícia, nervoso. O aeroporto, vazio. E um avião à nossa espera.
 
Quando, finalmente, estava tudo a postos para partirmos lá fui eu e o meu marido para o avião. E atravessámos o recinto com todos os olhos cravados em nós. As hospedeiras de terra até fizeram uma espécie de corredor para passarmos. Os outros funcionários do aeroporto. As pessoas que estavam dentro do avião a espreitarem pela janela. E o piloto a espreitar-nos da cabine.
 
Toda a gente sabia que o meu marido estava na casa de banho com uma dor de barriga. Juro que quando entrei no avião pereceu-me ouvir: c*gão... Mas talvez tenha sido impressão minha. Envolvida naquele enredo sem qualquer culpa.
 
O avião, afinal, ía para Lisboa. Vinha de Lisboa. E ía voltar. Parou no Pico para recolher novos passageiros. Parou na Terceira para deixar quem vinha de Lisboa. E ía regressar à capital. Uma espécie de comboio com paragem em todos os apeadeiros.
 
Foi uma cena para mais tarde recordar. Até sempre recordar. Até que a memória nos permita. O dia em que a TAP esperou pelo meu marido que se enfiou na casa de banho com uma dor de barriga. :)