quinta-feira, 17 de julho de 2014

Baile de finalistas - as fotos

Conforme estava prometido aqui, finalmente faço o registo do baile de finalistas da minha pequena princesa. É claro que estamos a falar de um baile de finalistas do 1.º ciclo, mas o nosso empenho foi o mesmo de sempre. A 200%! Para que ela se sentisse muito bem. Para que nos sentisse presentes. Para que se lembre, para sempre, do dia em que acabou o primeiro ciclo do seu percurso académico.
 
Já vos tinha falado da coroa de flores que fiz. E, agora, trago-vos o vestido. Que agradecemos publicamente à prima Mónica e à prima S. Foi herdado. E com pequenos pormenores fizemos deste um vestido adequado à ocasião. Isto para dizer que não é preciso grandes investimentos. Um vestido singelo, com uns toques adequados que, neste caso, se traduzem na fita de cetim na cintura e na coroa de flores branca e roxa com a mesma fita de cetim a rematá-la.
 
As flores comprei-as no mercado. Rosas pequenas tingidas. E lemonade (as florinhas brancas). No mercado também comprei, à florista, arame que moldei com a medida da cabeça dela e onde prendi as flores. A fita de cetim comprei numa retrosaria. Depois de lhe medir a cintura, claro.
 
O baile foi antecedido de um jantar. Pais, alunos, professores, funcionários da escola e, quem tinha, irmãos. Todos contribuímos com alguma coisa. Nós levámos uma quiche de legumes que fiz em casa. Morangos já lavados e arranjados e limonada. Feita pela minha irmã na sua fabulosa bimby! :)
 
Depois de comermos, os pais levaram as meninas e as mães levaram os meninos para abrirem o baile com uma valsa. Desse momento não tenho fotos, porque filmei. Mas garanto-vos que o pé de chumbo do meu marido não se saiu nada mal! :) E, depois, os meus preciosismos também ajudaram... Fiz questão de fazer um pequeno arranjo de flores igual à coroa para o pai pôr na lapela do casaco e o mais pequeno no bolso da camisa. Além da cor predominante ser mais ou menos a mesma. Entre o roxo claro e o azul a atirar para o roxo.
 
Ela adorou! E foi muito elogiada pelas amigas e pela professora que, em surdina, me deu os parabéns pela idumentária e pelos pormenores. Também me disse que temos ali uma pequena grande mulher. Que o seu exemplar desempenho ao longo de 4 anos foi excepcional e que gostava que todos os seus alunos fossem assim. (e a baba a cair-me...)
 
E eu... não apareci nas fotografias. Fiz de fotógrafa. Mas este contentamento imenso que sinto por ter cumprido o meu dever, deixá-la feliz, nunca irei perdê-lo. Está pirogravado na minha memória. Cravado no meu coração.


 




 


Passámos a noite a correr atrás dele. Estava feliz! Não pelo baile, é certo, que disso não percebe nada. Mas porque estava na escola dos grandes e pôde correr no pátio que, por norma, lhe é interdito.
A nossa menina dançou e dançou e dançou.
E nós, embevecidos, filmámos e fotografámos. Para mais tarde ela recordar...
 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Uma coisa má!

Era assim que me diziam, os adultos, quando alguém tinha morrido. Com uma coisa má. Não sei se na altura não se sabia com que é que as pessoas morriam ou se a palavra cancro era demasiado pesada para ser pronunciada em voz alta. E eu demorei alguns anos a perceber que tinha sido esse monstro a levar da minha vida algumas das pessoas que me marcaram e que já partiram.
 
Lembro-me de um caso em particular. A minha tia Isabel, do Alentejo, irmã do meu avô. Isto porque era uma das pessoas mais amorosas que conheci. Não me lembro de, algum dia, a ter visto nova. Claro que não. Como não me lembro do meu avô ainda novo. Porque simplesmente não os conheci assim. Mas de todos os mais velhos daquele tempo, a tia Isabel irá, para sempre, permanecer na minha memória com o seu sorriso que se perpetuou pela hora da morte.
 
Velámos o seu corpo em casa. E quando entrei na sala onde ela estava vi o seu rosto decoberto. Tranquilo. Tão tranquilo, como ela em vida. Pareceu-me vislumbrar um sorriso de serenidade. De quem partiu em paz com os que ficaram. Em paz com o percurso que fez.
 
- Porque é que a tia Isabel morreu?
- Porque teve uma coisa má.
 
Anos mais tarde percebi. A tia Isabel teve um cancro no instestino.
 
As coisas más desta vida podem ganhar imensas formas. Um acidente, a perda de um filho, uma doença rara, um cancro, violência doméstica e tudo o mais que seja mau para nós. Palavras duras também podem ser uma coisa má. Daquelas que ferem as entranhas. Que ecoam na mente das pessoas. Que assaltam a tranquilidade de cada um.
 
E eu, infelizmente, habituei-me a conviver com essa coisa má que se chama cancro. E a perder a fé, a cada caso que, à partida, pelo caminho que os médicos traçam no combate à doença, percebo que não deve ser assim. Para que corra bem.
 
O meu pai teve cancro. O meu marido teve cancro. A minha tia partiu por causa dele. Acompanhei duas colegas no emprego. Uma, reincidente. E mais dois colegas que só acompanhei à distância também já partiram. Nos últimos tempos estive atenta aos casos da Vitória Guerra e  do Diogo Leça. Duas crianças que geraram uma grande onda de solidadriedade. Dois anjos na terra. Agora, dois anjos nas vidas dos seus familiares a amigos. E perdi dois amigos em 2012. Um a seguir ao outro.
 
Na semana de férias que tivemos há 15 dias, mais uma notícia sobre uma coisa má. De um amigo nosso, muito querido. Uma força da natureza. Daquelas pessoas que nos inspiram  e a quem adivinhamos um futuro promissor. 28 anos de vida. E uma coisa má dentro dele.
 
Um dia, após a perda de um ente querido, disseram-me que a melhor maneira de encarar as perdas é aceitá-las. Aceitar que as pessoas têm uma missão na Terra. Uma missão na vida dos outros. E que eu devia fazer o exercício de perceber qual o papel que essas pessoas tiveram na minha vida. O que é que aprendi com elas. Mas eu não entendo isso. Pode ser que um dia consiga. Mas ainda não entendo.
 
Não entendo porque é que as pessoas procuram refugiar a sua dor por trás das coisas más que acontecem. Que é assim que tem de ser. Que só assim é que aprendemos alguma coisa. Que a missão dos outros é sofrer. E deixarem-nos a sofrer. Que o ser humano é tão mau que só com uma coisa má poderá aprender algo de bom.
 
E, assim, cá me vou vacinando contra isso. Escudando-me a cada novo caso que me é próximo. Vou pondo o coração num saco térmico dentro do congelador até  que a coisa má passe. Para que consiga preservá-lo o mais possível. Longe das coisas más que me afectam e cujo destino adivinho. Porque acreditar é importante. Muito importante. Mas não chega...
 

terça-feira, 15 de julho de 2014

O tempo - esse ingrato

Tenho, nos últimos dias, partilhado convosco um bocadinho das nossas férias. Da nossa semana de férias. E, à medida que o faço, apercebo-me de quão frágil é o tempo. O tempo que nos consome. Que nos domina. Que nos abarca.
 
Uma semana pela qual ansiámos. Uma semana que se foi num instante.
 
Para onde vai o tempo que passa?

Ainda ontem era uma miúda que não sabia o que queria ser quando fosse grande. Que procurava respostas às perguntas mais banais. Sobre o que era isso de ser adulto. Sobre o que era isso de crescer. Um miúda desejosa por esse tempo.

Para onde vai o tempo que passa?

O tempo que passou entre o dia em que conheci o meu marido e o dia que hoje aqui registo? Entre a ansiedade de celebrar 18 anos de vida e a angústia de me aproximar dos 40 a passos largos. Entre o não ter filhos e o não pensar na vida sem os ter.

Para onde vai o tempo que passa?

Esse tempo que nos atemoriza a cada decisão que tem de ser tomada. Que nos consome quando aguardamos resultados. Que nos desgasta quando é pouco para o tanto que temos para fazer.

Para onde vai o tempo que passa?

Pergunto-me.
Certa da difícil resposta.
Certa da resposta possível.
De que o tempo vai para dentro de nós. Fica dentro de nós. Espuma-se por entre os dedos. Não lhe tocamos. Não o sentimos. Mas vivemos em função dele. Ficamos cheios de tempo, à medida que o tempo passa. E entre o tempo que foi e o tempo que vem vivemos o tempo de quem?
 
Para onde vai o tempo que passa?
Somos tão cheios de nós
Que não nos apercebemos que, um dia,
Quando formos avós,
Teremos em nós, esse tempo
Seremos a sua voz.

E o tempo que passa, volta. Em forma de saudade...

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Outra pérola :)

Estávamos na praia.
Ao pé de nós um casal com uma menina com 1 ano de idade e uma pequena piscina debaixo do chapéu que fazia as delícias de todos.
O meu, de soslaio, a cobiçar a pisicina e a felicidade da bebé.
 
- Mamã, também quero uma piscina...
- Mas tu já és grande. Já não precisas. Já dás mergulhos...
- Mas eu quero!
- Mas quando eras pequeno também tiveste uma.
- Tive?!? Onde está?
- Foi para o lixo.
- Porquê?
- Porque furou-se. Ficou estragada.
- E tu não sabias pôr um carafuso?
 
Pois... mães... que não se lembram de pôr carafusos em piscinas de borracha... :)

Lugares onde fomos felizes - Praia dos três irmãos

Fica em Alvor, no lado nascente. É uma praia muito bonita que esconde uma história de encantar. Reza a história que deve o seu nome aos três grandes rochedos que a carcatrizam e que ali se encontram, devido a uma noite de tempestade que vitimou três pescadores. E petrificou-os. Pois os familiares em terra não tinham cumprido as promessas feitas.
 
Mas histórias à parte, crenças e lendas que moldam as mentes, garanto-vos que vale a pena visitar. É uma praia caracterizada pelas belas falésias e pequenas grutas que forma. Em cada canto um bar muito agradável. É vigiada  e há muitos bolinhas!! A água é um pouco fria. Mal de que padeci por estar habituada ao meu outro Algarve. Mas aguenta-se bem.
 
Aqui, voltámos. No primeiro dia visitámos cada cantinho do areal. Descobrimos as tais grutas e pequenos segredos que os rochedos escondem. Vimos caraquejos, como diz o meu filho. Peixes e algas. Muitas algas!
 
Da segunda vez que lá fomos fizemos um sunset familiar. O meu filho fez amizade com um casal do Norte. Sem filhos. Que lhe acharam piada e andaram a jogar à bola com ele. E, no fim, apoderou-se das camas concessionadas.
 
Aquele sol de fim de dia é, de facto, um espanto. Permite-nos usufruir da praia como se ela existisse só para nós. Os miúdos esticam-se pelo areal, sem medos. E nós permitimos-lhes essa liberdade. E só quando o sol se enconde é que recolhemos.
 
Se nunca fizeram isso, experimentem. Peguem na máquina fotográfica e aproveitem aquela luz de final de dia. Ah, é verdade! Neste dia também encontrámos uns noivos e suas damas de honor a tirarem fotos. Parece que este ano, por aquelas bandas, houve muita gente a casar. :)
 

 






 
Mais um lugar onde fomos felizes.
Mais uma partilha com as pessoas de quem eu gosto. :)