quinta-feira, 10 de julho de 2014

Pérola de fim de dia

Passei por ele na sala.

- Mãe, onde vais?
- Passar a sopa.
- A ferro?

Pois...

Lugares onde fomos felizes - Praia da marinha

Fica na Caramujeira, no concelho de Lagoa e é considerada, pelo Guia Michelin, uma das 100 praias mais belas do mundo e, ainda, uma das 10 mais belas da Europa. E eu confirmo!
 
Ainda não tinha pisado esta areia. Houve um ano em que apanhámos mau tempo no Algarve e andámos a visitar praias. Esta só conseguimos espreitá-la. Mas não vimos nada. Para isso tinhamos de descer escadas e descer e descer e descer... E a chover... Não dava muita vontade... Mas registámos. E voltámos!
 
Sabia que tem um itinerário marinho deslumbrante que a limpidez das águas permite vislumbrar. Por isso tentámos fazer snorkeling. Tentámos, bem dito. Mas a temperatura da água, a mim, não me permitiu ir mais longe. Quanto mais me afastava da costa, pior! Gelei, completamente! Depois de mais de meia hora para conseguir entrar! E desisti. Não conseguia controlar a respiração.
 
No entanto a praia é belissíma, sem dúvida!
 
No dia em que lá estivemos ainda choveu de manhã. Mas o tempo abriu e valeu a pena termos resistido às partidas do São Pedro. A envolvente é paradisíaca. Daí tantas marcas a procurarem para anúncios publicitários. E as escadas, apesar de serem imensas, descem-se e sobem-se bem. Muito arranjadas e muito espaçadas.
 
Ainda assistimos a uma sessão fotográfica de uns noivos. Ela com um vestido de princesa. E as fotos devem ter ficado espectaculares!
 
A praia é vigiada e tem um café e esplanada muito aprazíveis. Também há estacionamento, mas em Agosto penso que será pequeno. O areal não é muito extenso, mas quem quiser aventurar-se pode passar por baixo das rochas e descobrir uma outra praia, mais pequena e mais isolada. Ou passam por dentro de água ou passam com a barriga na areia. :)
 
Também aqui fomos visitados por imensos barcos em circuito turístico com a diferença de que alguns deixavam que os passageiros dessem um mergulho. E um, em particular, fez as delícias do meu filho (o da foto). Olha mãe! Um barco de piratas!
 
 
 
 





 



 
São maravilhosas as imagens, não são? Convidativas. A natureza em estado puro, sem dúvida. Reparem nas diferentes tonalidades da água. Por causa do fundo. Se passarem por estas bandas não deixem de visitar. É mesmo um luxo ao alcance de todos. :)

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Locais onde fomos felizes - Praia do Carvalho

Estivemos fora uma semana. Para descansar. Para celebrar. A vida.
Fomos para o Algarve. Mas não para o "nosso" Algarve. Desta vez virámos à direita quando acabou a auto-estrada e fomos parar ao Alvor. Uma novidade para nós.
 
Nestas coisas da Geografia costumo confiar no meu marido e, francamente, não me preocupo com nada. Mas, desta vez, fiz questão de olhar para o mapa e tentar perceber onde estava... mais concretamente. E feliz fiquei quando percebi que estava perto de algumas das prais mais bonitas e paradisíacas do nosso país e que já tinha tido oportunidade de visitar. Em tempos idos. Pois este, não é o "nosso" Algarve.
 
E porque gosto de partilhar o que me faz feliz e os sítios onde fui feliz, trago-vos algumas imagens da Praia do Carvalho. Um verdadeiro tesouro da natureza. Um verdadeiro desafio à nossa natureza. Uma pequeno paraíso na terra. Fica na freguesia da Praia do Carvoeiro, no concelho de Lagoa. E forma uma baía rodeada por uma formação geológica tão interessante que para lhe pormos os pés em cima precisamos de atravessar um pequeno corredor ou como o meu filho lhe chamou "uma gruta". É esta a única passagem.
 
Ficámos na praia do Carvalho até o sol de pôr. Como em tempo idos, quando não tínhamos filhos. E é destes momentos que mais gosto no Algarve. Os fins de dia nas praias quentes. O abraço que o sol nos dá antes de se deitar. Um abraço quente que envolve os nossos corpos desnudos e abertos a recebê-lo. Que ilumina o nosso sorriso e acentua a felicidade estampada no nosso rosto. E os olhos. Os nossos olhos ganham uma luz tenacidade com a alegria. E vivemos em família momentos únicos. Irrepetíveis. Que um dia irão acabar. Quando eles crescerem e não quiserem ir connosco.
 
Vivo estes momentos a pensar nisso. E, assim, tenho a certeza que aproveito esta espécie de sunset familiar da melhor maneira.
 
Quem diz que há uma praia linda lá em baixo?
Cá de cima não se consegue ver nada!
 
A família em repouso.
Sim, temos de descer mais de 100 degraus. E subi-los, na volta... Mas, garanto-vos, vale a pena o esforço.
 
 
É este o tal corredor esculpido nas rochas. É por aqui que entramos e saímos.
Os degraus são irregulares e, em algumas partes, muito íngremes. Com crianças dá muito mais trabalho.
 
A porta do Alibábá. É assim que penso nesta entrada.

As águas são frias, mas de uma riqueza extraordinária.
Vale a pena levar óculos e mergulhar para ver o que escondem.

Este balcão é uma espécie de bar. Lembra-me a cidade de Bedrock. E eu sinto-me a Wilma.

Reparem na falésia. Tem esculpidos degraus.
Atinge uma altura de 6 metros e os mais aventureiros mergulham lá de cima.
Ir para esta praia tem vantagens e desvantagens, claro. Poucas pessoas. Logo, lugar para estacionar! Tranquilidade e espaço para pôr as toalhas e as crianças darem asas à imaginação sob a nossa supervisão. Como é delimitada pela falésia em forma de meia lua, não há perigo de ninguém se perder. Somos visitados, constantemente, por barcos que fazem o circuito das grutas. E por outros, maiores, que só costumamos vê-los aqui. E o senhor da bolinha vem de manhã e à tarde.
 
Desvantagens. Não tem vigilância nem posto de primeiros socorros. Não tem nenhum bar, nem nenhuma casa de banho. Rezo sempre para que não surjam cocós de urgência ou alforrecas que ataquem a minha menina, como aconteceu na Praia Verde, há dois anos, e onde foi prontamente assistida. E, depois, claro que é a brincar o que vou dizer, mas não é a brincar que penso nisso: se algum dia cair uma pedra que nos tape a passagem, lá teremos de esperar que nos venham buscar de barco... Ah, a rede de telemóvel também é fraquinha, fraquinha. Mas está melhor! Há uns anos atrás não se conseguia falar com ninguém.
 
Confesso que falar desta praia, assim, no blog, é um grande passo para mim. Durante muito tempo não falei dela a ninguém. Queria preservá-la o mais possível. Guardá-la o mais possível só para nós que a conhecemos desde o tempo em que éramos só dois. Mas isso não faz sentido. Se a conheço é porque a minha querida amiga Carla, de Santarém, me falou dela. E os amigos são assim. Gostam de partilhar o que os fazem felizes!
 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

É isto...

Se, durante a semana que vem, passarem por aqui e estranharem a minha ausência, lembrem-se:
 
- É isto! (o que ela está a fazer) :) :)
 

Violência doméstica

Até me arrepio quando é este o tema de conversa. Fico louca, irada, fora de mim. À medida que o assunto avança o meu estado de nervos aumenta. Pura e simplesmente porque não consigo aceitar o modo como muita gente me quer fazer ver as coisas: faz parte da nossa cultura. O quê?!? Faz parte da nossa cultura?!? Agredir física e psicológicamente alguém?!?
 
Na maiora dos casos, os maridos contra as mulheres. Na maioria dos casos, as mulheres caladas para protegerem os maridos. Na maioria dos casos, crianças que se calam, por causa das mães.
 
Para mim a violência é, antes de mais, uma fraqueza. Perante a adversidade.
Uma fraqueza, perante a incapacidade de resolver problemas. Perante uma grande frustração interior. Uma fraqueza. Característica de gente mal resolvida. Uma forma de agir em defesa por uma incapacidade maior em enfrentar os problemas de cabeça erguida. Uma incapacidade traduzida em força. Mas não poder. Traduzida em marcas territoriais. Como os animais.
 
E as vítimas, as que se calam, acreditam. Em silêncio. Que tudo há-de melhorar. Que foi só desta vez. Que o/a parceiro/a não estava em si. Que não volta a repetir-se. Que não vale a pena contar a ninguém. Porque foi a última vez.
 
E a vergonha. E o medo.
E a vergonha... e o medo...
 
E os filhos. E os pais. E os amigos. E os vizinhos. E os colegas de trabalho.
 
E as mentiras. E os subterfúgios para disfarçar as marcas. Indeléveis. No coração. E tudo o mais que falha. A falta de confiança. De amor-próprio. De vontade. De força de viver. E o isolamento. Do resto. Porque acreditam, as vítimas, que conseguirão mudar o parceiro. Se calhar... fazendo tudo para agradar...
 
E, depois, os que fecham os olhos. Os que se apercebem que alguma coisa não está bem. Que suspeitam. Que não se querem meter. Porque entre marido e mulher... Porque não sabem o quão grave é viver assim. Definha a mente. A alma. De quem sente. Porque não querem ter trabalho. Porque... não pode ser! Um casal tão porreiro... Porque ninguém acredita que criou um progenitor assim. Porque muitos se esqueceram que casa de pais, escola de filhos. E do mau, não se deve falar.
 
Basta uma mão. Para que alguém se agarre a ela. Basta um coração aberto. Sem julgamentos. Para que alguém acredite que é possível sair dessa situação. Para que não se sintam sozinhas, as vítimas. Para que uma âncora ganhe forma na vida de alguém.
 
Todos os anos os números de mortes fruto de violência doméstica são assustadores. E é esse um dos desfechos destas vivências. O outro é a saída pelo próprio pé. O que pode durar uma vida inteira. Em casos relatados, a vítima espera que a morte ceife a vida do parceiro. Pois é assim que tem de ser. Mas não é só uma vida ceifada. São duas...
 
E uma vida ceifada pelas agressões muito dificilmente terá retorno. Recomeçar confiando, amando, vivendo... é muito. Para quem se esuqeceu do que isso é. Para quem deu tudo o que tinha em troca de nada. Para quem sai de uma relação onde perdeu todo o investimento que fez. E os que estão de fora não compreendem. Sobretudo porque não dão a devida dimensão à palavra "vítima".
 
A violência doméstica é um crime público.
APAV - 707 20 00 77