quarta-feira, 11 de junho de 2014

Baile de finalistas

Eu não tive direito. Nem no final do primeiro ciclo nem no final da faculdade. Não se usava no meu tempo de estudante. Já o exame da 4.ª classe foi coisa que não me passou ao lado. E os exames nacionais do 12.º ano também foi coisa que me deu que fazer.
 
Agora há exames a cada final de ciclo. Acho bem, já o tinha dito aqui. A novidade, para mim, é o baile de finalistas do 4.º ano. Ora bem, fomos avisados na semana passada. Lá em casa a nossa filha anda numa roda viva em torno das "fitas" (tiras de papel colorido), da cartola (de cartolina preta) e da pasta (que ainda não vi). Tive direito a preencher uma fita vermelha, que é a cor mais importante de todas. E tive direito, também, a ter de pensar numa indumentária a preceito, no calçado, no jantar que é preciso levar e nos pormenores que farão a diferença neste dia. E mais, tive direito a garantir que o pai saberá dançar a valsa para abrir o baile com a filha (coisa que não fez no nosso casamento e agora dei uma de professora de dança), além de ter de pensar numa indumentária para o mais novo. Sim, porque ela quer o irmão a condizer...
 
Também deixei a bateria da máquina fotográfica a carregar e certifiquei-me de que está tudo pronto antes de sair de casa.
 
Mas estas coisas têm o seu quê de sabedoria para uma mãe. Porquê? Porque, antes de mais, vi logo que isto daria azo a uma tentativa dela de se vestir como uma cinderela. Usar acessórios e maquilhagem da mãe. Coisa que, a medo, lá tentou. Mas sem sucesso. Tivemos uma conversa sobre isso. E disse-lhe que teria um vestido apropriado à sua idade e ao baptizado que teremos em Agosto. Disse-lhe que a sua beleza não precisava de colares de plástico e que os seus brincos de ouro serviam perfeitamente. E prometi-lhe que não iria ficar atrás das suas amigas.
 
Confiou em mim. Longe de imaginar o que estava a preparar-lhe...
 
Durante a semana ainda me foi dando conta das novidades, mesmo como quem diz Estou cheia de inveja...
- Sabes mãe, a M. vai com um vestido sem costas!! E a C. vai com um vestido até aos pés com uns lacinhos...
-Hãhã...
E o assunto morreu ali.
 
Já tinha pensado em fazer uma coisa diferente do habitual e de bom gosto, ao mesmo tempo. Por isso olhei para o vestido que herdou da prima S. Um vestido que era mesmo o que eu queria. E inspirei-me no toque do tecido e no corte. Para fazer uma grinalda de flores. Não lhe disse nada até à última da hora. Ontem. E quando a coisa começou a ganhar forma e ela começou a perceber o que a esperava... senti-me de coração cheio. Os olhos encheram-se de água. Da emoção. Não conseguia parar de rir. As mãos entrelaçavam-se num nervoso miudinho. E julgo que ouvi um sumido És a melhor mãe do mundo...
 
 


Hoje de manhã:
- Não vou dizer nada às minhas amigas. Vai ser uma surpresa para todas. E eu vou ser a mais bonita da festa!!!
 
E eu a mais orgulhosa, meu amor. (Nem que fosses de vestido rosa choque com luzinhas a piscar).

Melhor do que falecer


 
Ontem o nosso Presidente da República desfaleceu. Mas não convenceu, os manifestantes. Habituados que estamos a vê-lo firme e hirto, imperturbável e sem o menor esgar, de repente lembrámo-nos que Aníbal Cavaco Silva é humano. E desfalece.
 
Ontem, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o homem que raramente se engana e nunca tem dúvidas, conseguiu um feito extraordinário. Conseguiu que todos os noticiários nacionais abrissem com a notícia do seu desfalecimento. Conseguiu que os portugueses, por breves momentos, não pensassem no Mundial de Futebol. Conseguiu marcar mais um feriado na vida dos portugueses que, quiseram saber mais, antes de irem para a praia. Conseguiu a atenção que não lhe é dispensada. De forma geral.
 
Melhor do que falecer, é desfalecer. E ver como reage o país. E antever como seria se tivesse falecido.
 
Já que só o futebol consegue que os portugueses andem com banderinhas asteadas nos carros, nas varandas e nas janelas, pelo menos serviu para que o Dia de Portugal ficasse na memória de todos.
 
Infelizmente, é assim mesmo...
 
 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

A mãe da semana #9

É actriz, a mãe desta semana. E o seu rosto não engana. Expressivo. De traços fortes. Marcados. E sorriso doce. Chama-se Erica Amaro, tem 33 anos de idade, é de Carcavelos e tem um filho. Um menino. Um tesouro na vida de qualquer mulher. E ser mãe a tempo inteiro acabou por ser uma opção.
 
Estava a trabalhar numa companhia de teatro quando  pensou em engravidar. Mas as tournées que levam de terra em terra o que de melhor fazem os nossos actores, têm um lado muito exigente de que poucas pessoas têm noção. Ser actor ou actriz em Portugal, é trabalhar para garantir que o material é transportado. Não basta estudar as falas. Interpretar. É preciso ser um pouco mais, como... carregador. E, grávida, a Erica não podia fazê-lo. E, por isso, deixou a companhia para ser mãe. E, depois, não voltou. Pois o seu lugar foi ocupado por outra pessoa.
 
Era preciso procurar alternativas, por isso ofereceu serviços de babysitting. E correu tão bem que ainda hoje o faz. Por isso criou uma página no facebook. Espreitem aqui! Trabalha, sobretudo, às sextas, sábados e domingos, além de dar aulas de Teatro Musical na Casa do Artista. E, em Setembro, irá começar a dar aulas de ballet. Espreitem aqui! Mas estas são actividades que não lhe ocupam o horário de expediente. Esse passa-o com o filho. E se tivesse, agora, oportunidade de ter um emprego a tempo inteiro, iria recusá-lo. Até aos três anos de idade o seu tempo será para o menino.
 
Os dias são passados em família. Em passeios pela praia (quando possível) e adaptados às rotinas do bebé. E a Erica tem a sorte de poder contar com o apoio do marido que também tem disponibilidade durante o dia.
 
É uma pessoa poupada e gosta de aproveitar tudo o que ainda pode ter uso. A roupa, os sapatos e os brinquedos do menino foram herdados do seu afilhado que tem mais um ano de idade. Gastos, só mesmo com o carrinho. Por motivos de segurança. A mobília do quarto do bebé foi oferecida pelos avós e padrinhos e nesta linha a Erica procura frequentar parques com entrada gratuita e participar em actividades de entrada livre.
 
A nossa mãe, não fosse ela actriz, gosta de ler. Lê sobre bebés (para se aperfeiçoar como babysitter) e autores clássicos. Jane Austen ou Eça de Queiróz fazem parte da sua biblioteca, entre outros grandes nomes da literatura nacional e internacional. Também gosta de escrever. Mas sente-se cansada. Gosta de cinema, mas não gasta dinheiro nisso. Prefere ficar em casa. E quanto a hobbies pessoais, sobretudo, está disponível para o menino.
 
Pedi-lhe que completasse a frase:
Ser MATI é...
Ao que me respondeu:
... dar prioridade aos filhos, estar disponível 24h por dia, ser cozinheira, enfermeira, educadora, animadora, amiga... é o trabalho mais difícil e mais compensador que alguma vez terei.
 
Como eu a compreendo Erica!
Obrigado pela sua partilha. Obrigado por abrir um pouco o livro da sua história de vida. Desejo-lhe que o mesmo se torne um best-seller. E a Erica, como personagem principal, uma actriz de sucesso.

Top e saia da Vertbaudet



Vestido da Zara

Figurino da peça Off with their heads (feito de raiz)
 
As fotos foram disponibilizadas pela Erica.
 
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O resto... depois falamos! :)

terça-feira, 3 de junho de 2014

A mãe da semana #8

Tem sotaque brasileiro, a reportagem desta semana. Mas a protagonista trocou o Brasil por Portugal. E, apesar de ter voltado à sua terra natal por amor, regressou. E vingou.
Fabiana Lima, uma linda e jovem mãe de 38 anos de idade, mãe de Noah com 16 meses e com dupla nacionalidade, que reparte a sua história de vida pelos dois lados do oceano Atlântico, é a mãe desta semana. Uma mulher que viveu cerca de 20 anos em Portugal, mas que por amor decidiu tentar a sua sorte no Brasil. Em São Paulo. E de lá trouxe o melhor da vida: um filho que, como podem ver nas fotografias, é um amor.
2014 ditou o seu regresso. Sem marido. Com um herdeiro, um tesouro e muita garra de vencer. Onde tinha sido feliz. Mas tem família em Portugal. Conta, sobretudo, com a ajuda da irmã mais nova. Porém, estar num país que não é o seu, não é fácil... Para ninguém. Quando partiu, partiu sozinha. E quando voltou, trouxe consigo um filho. Era preciso readaptar-se. E a Fabiana, por causa disso, optou por inscrever o Noah numa creche. Depois de considerar, por um lado, a grande vontade de estar com ele a todas as horas do dia, por outro, e por estar tão só, a necessidade de criar laços e relações com outras crianças. E considerou que esta era uma boa opção. O que, passados alguns meses, confirmou-se ser a melhor.

A gestão orçamental que a Fabiana faz vai desde a poupança na água do banho aos produtos de higiéne utilizados. Acredita que tomar banho juntos rentabiliza a água, o tempo e, ainda por cima, é divertido. Só usa marcas brancas no que toca a fraldas e toalhitas por confiar que se não fossem produtos de qualidade não poderiam ser vendidos. Há pouco tempo começou a usar maquilhagem e a suas marcas de eleição são a MAC e a Kiko. E não abdica dos cuidados diários do rosto que faz com os produtos Caudalie.

Gere a sua agenda com o filho através da oferta divulgada pela página da Pumpkin, onde encontra inúmeras actividades dirigidas às crianças e sem custos. Também costuma fazer aulas experimentais em diferentes áreas como as que fez recentemente. Uma aula de música e outra Play&Learn (que trabalha a psicomotrocidade), através da Gymboree. Adoraram! Os dois. E em breve o Noah irá frequentá-las.

A Fabiana adora ler. Neste momento tem em mãos A maternidade e o encontro com a própria sombra, de Laura Gutman e em fila de espera o Bésame mucho, de Carlos Gonzáles. Vai pouco ao cinema, mas fez questão de ver o filme Noé, pois foi esse personagem bíblico que a inspirou para dar o nome ao filho. Também costuma passear pelo paredão onde faz uma paragem obrigatória na areia para brincar com o Noah.

Criou um negócio online. Resultante da necessidade de encontrar roupa, calçado e acessórios diferentes para si e para o menino. Espreitem a Fababy Shop e surpreendam-se! E se quiserem supreender alguém com uma serenata, não deixe de consultar a Serenarte. Um serviço criado pela nossa mãe.

Como é assessora de imprensa e produtora de TV, sempre que pode dá uma perninha nesta área. Como será de 06 a 08 de Junho no Ink Vibrations que terá lugar no MEO Arena. Uma iniciativa programada, também, a pensar nas crianças. É moderadora de dois grupos no facebook. O For Mom's sem frescura e o For Mom's tugas & zucas.

Pedi-lhe que completasse a frase:
Ser Mati é...
Ao que me respondeu:
... escolher, exclusivamente, como projecto de vida a maternidade na sua plenitude.

Não lhe ouvi a voz. Mas imagino-a, só pelo texto que me enviou e entusiasmo na resposta aos e-mail's. O sorriso, que está nas fotos, transmite-me energia positiva e garra e vontade de vencer. Acredito que tenha momentos mais tensos. A monoparentalidade é uma missão muito grande. E muito pesada. Mas também acredito que conseguirá atingir o seu objectivo. E que, um dia, o Noah terá muito orgulho na sua mãe.

Muito obrigado Fabiana. Muito boa sorte! :)










Crédito das fotos | Ponto de luz
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O resto... depois falamos! :)

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Mercado da Ribeira

Fomos visitá-lo na sexta-feira.
E... bem... o que dizer... acho que não é para mim. Enquanto for novidade, não é para mim...
Primeiro impacto: parecia que estava num aeroporto em estado de sítio. Tudo a comer no chão, malas e casacos espalhados. Sem conseguirmos passar.
Segundo impacto: gente e gente e gente. Para comer. Filas para todas as tasquinhas. Filas para nos sentarmos. Daí a malta estar toda no chão.
Ora eu que não tenho paciência para esperar, eu que dou uma volta maior para fugir ao trânsito, que sou a primeira a chegar ao supermercado para evitar carrinhos e carrinhos e filas para pagar. Eu que mudo de restaurante se estiver muita gente.... aquilo não é para mim.
 
Mas vínhamos da feira do livro de Lisboa. E a miúda estava a adorar o passeio. E tinha fome. E escolhemos o quiosque que tinha menos fila. Sim, quiosque. Não há restaurantes. Há quiosques com uma esplanada partilhada. E depois... depois foi uma hora às voltas à procura de lugar. Nós e a Sôdôna Teresa Guilherme. Que também estava a desesperar. E, desesperadas, dissemos ao meu marido, que ainda estava na fila para pedir o jantar, que íamos comer no chão... Não havia outro remédio.
 
E eis senão quando sinto nas costas uma mão a tocar-me e uma voz a dizer:
- Venha sentar-se ali. Eu, a minha mulher e a minha filha vamos sair.
 
O simpático casal topou-nos e deu-nos o lugar. A única cadeira que repartiam pelos três. Mas soube muito bem. Não estar no chão. E a nossa filha sentou-se à mesa. Obrigado ao simpático casal. E, graças a Deus, o vento estava de feição. Ao lado da nossa cadeira um grupo de amigas a jantar. E uma das que já tinha comido, cedeu-nos a sua cadeira. Obrigado a estas queridas.
 
Mais tarde o meu marido juntou-se a nós. Duas cadeiras para três. Menos mal. Mas tão depressa não nos apanham lá.
 
Tudo muito giro, muito arranjadinho, muito acondicionadinho. Mas eu alimentava a esperança de ver a parte do mercado própriamente dita.  Por enquanto é só um negócio de marcas. Pensei, mesmo, que iria ser bom para os vendedores da feira. A minha ideia de renovação destes espaços, passa por manter a tradição. A tradição de ir à praça, ao mercado e encontrar produtos frescos. Não passa, só, pela reabilitação do espaço transformando-o noutra coisa qualquer. Não sei... como funciona de dia... à hora em que eles lá estão... os vendedores...
 
Procurei uma imagem com pouca gente para terem uma ideia do espaço