quarta-feira, 30 de abril de 2014

E vocês?

Se há coisa de que gosto e aprecio bastante é de um bom sofá. Como já vos tinha contado aqui, o meu é daqueles que está sempre a rir-se para mim. Não me deixa macerada. Não me empurra para a cama. Não me causa dores no pescoço. E com o cansaço que tenho nem me posso sentar nele por 10 minutos que seja. Pois aí, meus amigos... Aí é a desgraça total. Sento-me... e já não me levanto... Por isso, é a última coisa que faço quando chego a casa. A última coisa antes de ir dormir. Deitar-me no meu sofá.

Ora nós não nos deitamos em qualquer sofá, certo? Não chegamos a casa de alguém e pimba! Direitinhos ao sofá, pois não? Não! Mas certamente já vos aconteceu estarem sentados no sofá de alguém e sentirem alguma dificuldade em levantarem-se, certo? Pelo conforto, pelo ambiente, pelo cansaço. Por inúmeras razões. Quanto a mim, a relação que estabelecemos com as pessoas, amigos e familiares, ditam a forma como utilizamos os seus sofás. Passo a explicar.

Se estamos em casa de alguém que mal conhecemos, sentamo-nos na pontinha do sofá. De costas direitas. Braços nas pernas. E pouco mais.
Se estamos em casa de alguém que já conhecemos bem, aí já nos encostamos. Se houver almofadas ainda as ajeitamos nas costas. Cruzamos as pernas. Espojamo-nos com algum pudor.
Se estamos em casa de alguém com quem já partilhamos alguma intimidade, aíííí... aí a coisa muda de figura... Podemos, inclusivamente, tirar os sapatos e pôr as pernas para cima. Encostamo-nos. Recostamo-nos. Encaixamo-nos. E, se precisarmos, pedimos uma mantinha. Sem pudor. À vontade. Em casos mais agudos de descontação, ainda passamos pelas brasas. :)

Por isso relaciono o nível de amizade, descontração e confiança com o nível de utilização do sofá em casa das outras pessoas. Mas há casos excepcionais. Há mesmo! Como o que me aconteceu na 6.ª feira. Na Ericeira. Numa casa onde estive pela segunda vez. Com uma família cuja intimidade está num nível muito tenro de desenvolvimento.

Não passei pelas brasas no sofá. Não tirei os sapatos. Não pus as pernas para cima. Mas enconstei-me. E recostei-me. E sentei-me no chão. E encaixei-me nos cantinhos mais confortáveis. E não me levantava. Não me ía embora. A conversa fluía. O ambiente convidava. Saudável. Salutar. E sem ser preciso dizer nada fomos ficando. Construído uma relação. De amizade, claro está. Mas também com o sofá.

Se querem perceber como as pessoas se sentem em vossas casas, reparem na forma como usam o vosso sofá. Aí irão perceber:
- o nível de intimidade
- o nível de constrangimento
- se conseguem que as pessoas se sintam à vontade convosco
- o ambiente em vossa casa

E à dona do sofá da Ericeira só posso dizer uma coisa. Obrigado. :)

terça-feira, 29 de abril de 2014

A mãe da semana #3

Olá de novo! Com A mãe da semana.
 
Esta semana sinto-me particularmente emocionada com a história que vos trago. Antes de mais devo dizer-vos que não falei com esta mãe. Não lhe ouvi a voz. Não lhe vi os olhos. Não lhe senti o toque. Mas o texto que me enviou, as fotografias que partilhou e o entusiasmo em cada caratere que imprimi e li e reli, contagiou-me. E emocionou-me. Demonstrou uma grande força. De vontade. De vida. E de viver.
 
Demonstrou ter um coração do tamanho do mundo. Um sorriso do tamanho do mundo. Um colo onde cabe sempre mais um. Amor a transbordar. Demonstrou que, em cada desafio, encontra sempre uma oportunidade. E a sua história... a sua história merece este palco. E outros mais.
 
Chama-se Sofia. Tem 36 anos e é mãe de 3 crianças. Vive na Lourinhã, junto ao mar. E ser mãe a tempo inteiro era algo que desejava há muito, muito tempo. Mas as exigências da nossa sociedade não lhe permitiram realizar esse sonho logo que nasceu o primeiro filho. Também não foi possível quando nasceu o segundo. Apenas ao terceiro. E não por opção. Por obrigação. Porque este país não dá para mais.
 
A surpresa. Um parto prematuro. Um bebé especial. Uma experiência completamente nova. Diferente. Uma nova aprendizagem diária. Uma curva e uma contra curva inesperadas. Uma grande capacidade de responder às adversidades. E, assim, esta mãe começou uma nova fase na sua vida... Inesperada.
 
Levantá-los, dar-lhes o pequeno-almoço, vesti-los, prepará-los para o dia a dia e levá-los à escola (aos mais velhos), é o que caracteriza as suas manhãs. Depois, a rotina das terapias com o mais novo. O almoço e o descanso. E está passado meio dia. Uma passagem pelo computador, algumas tarefas diárias e chega a hora de ir buscar os que de manhã ficaram na escola. Seguem-se os lanches, os trabalhos de casa, as actividades que a Sofia preparou, os banhos, o jantar e o descanso dos guerreiros. Mas isto em dias bons. Porque noutros, em que o internamento do mais novo decide testar a resistência desta família, mais uma vez, as rotinas sofrem algumas alterações. Nas palavras de Sofia: fazemos os ajustes necessários.
 
A gestão doméstica alicerça-se na poupança. Faz menus semanais e tenta aproveitar as promoções. Consulta folhetos online e compra, apenas, o que é necessário. Não acumula nada. Utiliza sempre o que tem em casa, equilibrando a oferta de mercado com as necessidades que verifica. Faz fins de semana fora só em época baixa. E aqui sim: procura tudo o que é promoção.
 
Gosta de cozinhar. Decorar bolos. Ler. Passear na praia. Costurar. E são as suas mãos de fada que lhe permitem mimar a família com presentes feitos por si. Num mealheiro, juntou moedas de 2€ e, atenta às promoções, aproveitou para comprar a sua primeira máquina de costura.

O sucesso do seu trabalho é tanto que amigos e familiares incentivaram-na a criar uma página no facebook para dar a conhecer as suas criações. E, assim, nasceu a ArcoIrisDaSofia, uma página que foi mais além do previsto. Atualmente, constitui-se como meio de apoio às custas de saúde associadas ao seu filho especial. O mais novo. O que nasceu prematuramente. E o encorajamento de quem por lá passa, acaba por ser uma força motriz para Sofia. Um ponto de encontro com clientes e amigos. Um escape aos internamentos. Às notícias menos simpáticas. Aos exames complicados. Aos dias menos bons.

Nem sempre esta mãe consegue dar resposta aos pedidos. Mas muitos dos seus amigos artesãos doam trabalhos para leiloar e, assim, ajudar na angariação de fundos para ajudar nas despesas.

Passem por lá! :)

A Sofia tem um sorriso lindo. Aberto. De mãe. De mãe feliz. Tem uma família que se apoia mutuamente. Que vêm na mãe uma fonte inesgotável de optimismo. E isso, é contagiante. Mesmo!

Sofia, muito obrigado por partilhar connosco a sua história!
Comoveu-me. Sensibilizou-me profundamente. Desejo-lhe toda a força do mundo. Toda a felicidade que merece. Que os seus filhos continuem a crescer com esse suporte. Com esse alicerce que é a mãe que têm. Que os passeios à beira mar se prolonguem para todo o sempre. Que a sua máquina de costura continue a trabalhar, só pelo prazer que lhe dá. Que as suas leituras lhe permitam viajar e viajar sem parar. E que, um dia, eu a conheça pessoalmente. Gostaria muito!
 






 

 Créditos das fotos | Foram enviadas pela mãe

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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Matis Festival #2

O Matis Festival - Your Market Show, a nova sensação dos mercados de marcas portuguesas criadas a partir de casa e que tem como principal objectivo proporcionar um encontro, fora da tela, entre as mães a tempo inteiro, está a organizar-se e as inscrições para participar já terminaram.
 
São inúmeras as presenças confirmadas. Desde decoração, roupa, brinquedos, fotografia e cozinha, são várias as áreas em destaque. E, hoje, damos lugar à cozinha.
 
No dia Mundial da Criança poderão contar com a presença d'O melhor bolo de chocolate do mundo, da Brigadoce, da More than cookies, do Ás de copos e da N'Cakes.
 
Quem não conhece, ainda, esta maravilha gastronómica? Garanto-vos que é do melhor!!
 
O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo - Portugal
 
Mais do que bolinhos? Então é preciso espreitar para ver o que há por aqui... :)
 
More Than Cookies

E que tal espreitarem esta delícia de página?
 
N' Cakes
 
Bom, sobre as Brigadoce já posso falar! Já provei! E digo-vos: é de chorar por mais!!!
 
BrigaDoce.portugal
 
Para servir sumos naturais e de qualidade só mesmo um Ás!
 
Ás de Copos
 
 
Não se equeçam de marcar na vossa agenda!
Eu vou! E vocês?

terça-feira, 22 de abril de 2014

A mãe da semana #2

Depois do sucesso que foi a estreia desta rúbrica, A mãe da semana, quero começar por agradecer, mais uma vez, a todos os que estão aí desse lado, a acompanhar os Contos com amoras, a comentarem, a sugerirem, a partilharem as vossas histórias e a fazerem deste cantinho virtual um aconchego diário ao meu coração. Garanto-vos, saber que estão aí... é algo que não tem preço! :)
 
E a mãe desta semana, quem é?
É a Íris Sousa e Silva. Uma jovem mãe de 31 anos de idade, com dois filhos, rapazes, que vive em Cascais. Uma mãe com quem gostei muito de conversar. Cujos olhos, escuros, expressivos, profundos, nos envolvem sobremaneira. Com um sorriso lindo de morrer, mas tímido ao mesmo tempo. Uma mãe que me inspirou. Com quem encontrei pontos em comum e, por isso, a nossa conversa fluiu. E as fotografias ficaram espectaculares!
 
A sua história de MATI começou no ano de 2011, desde a altura em que a Íris e o marido equacionaram, seriamente, a ideia de sairem do país em busca de novas oportunidades. Sem medos, sem pressas, apenas com algumas certezas. As de que, por cá, não conseguiriam atingir os seus objectivos pessoais. E, aliada a esta vontade, surgiu o dia em que o chefe da Íris lhe perguntou se queria continuar na empresa onde trabalhava (estava na altura de renovar o contrato de trabalho) ao que a mesma responde que não. Não queria renovar. Ía embora. E, se renovasse, ficaria com a sensação de estar a ocupar o lugar de outra pessoa.
 
Mas esta humanidade, esta sensibilidade da Íris deve-se, sobretudo, à anterior experiência profissional que teve e que a marcou profundamente (pela negativa) quando se viu persona non grata num emprego em que esteve, em virtude de ter sido mãe, em 2008, e de ter regressado aos estudos. Ser mãe e enriquecer os seus conhecimentos levaram a um processo judicial. Mas a Íris ganhou-o.
 
E os seus filhos também. E a sua família. E os seus amigos. Ganharam uma nova mãe. Uma nova mulher. Uma nova amiga. Liberta. Disponível. Leve. Bem disposta.
 
Falou com o marido e juntos decidiram que a partir do final daquele contrato de 2011 a Íris ficaria em casa. E ela deitou mãos à obra. Tentou organizar-se o melhor possível. Diáriamente rege-se com listas, calendários e horários. Levanta-se pelas 6.30 da manhã, trata dos pequenos-almoços, descarrega máquinas, veste, despe, lava dentes, passeia o cão e leva o mais velho à escola.
 
Quando regressa despacha as tarefas domésticas por concluir, dedica tempo ao filho mais pequeno (que fica consigo todo o dia), dá o almoço, cumpre com a sesta e, sem dar por ela, está na hora de ir buscar o mais velho à escola e de levá-lo às actividades extra-curriculares.
 
A tarefa das refeições partilha-a com o marido, desde que o mesmo se encontre em Portugal. Mas gosta de cozinhar para dois ou três dias e poupar tempo com isso. Às 19.00, volta a passear o cão.
 
O descanso dos guerreiros dá-se pelas 21.00 e, até lá, há tempo para brincar em família. Ver alguma televisão. Contar histórias. Rir em conjunto. E quando, finalmente, está a casa em sossego, inicia um novo turno.
 
Alimentar e passear o cão. Alimentar a tartaruga. Rever agendas para o dia seguinte. Organizar quem faz o quê. Dar lugar às queixas dos músculos e fingir que presta atenção à televisão. E, na hora de dormir, o mesmo lamento de sempre: Devíamos ir para a cama mais cedo...
 
A semana é puxada, mas passa com vista ao fim-de-semana sem tarefas domésticas. Sem horários. Com esplanada. Com parque infantil. Com jogos. Com "algum" computador. O facto de fazer listas diárias ajuda-a a organizar-se e a não sair da "linha", assumindo as tarefas e o cumprimento da sua agenda como algo inadiável. Ajudando-a a aproveitar cada minuto da melhor forma.
 
Decoração é a sua área de eleição. E, por isso, gosta de, de vez em quando, renovar. Mas não compra novo! Reutiliza. Dá novas funções ao que já não usa. Vende o que já não usa. Procura soluções para o que tem acumulado.
 
Quando lhe pedi algumas dicas para partilhar com outras mães, enumerou as seguintes:
- menus semanais. Ajudam a controlar os gastos de supermercado!
- listar aniversários, épocas especiais, férias, seguros, luxos, etc. Ajudam a controlar os gastos expectáveis e a fazer esquecer as "ilusões de riqueza" do princípio do mês!
- comprar calçado durável. O barato paga-se caro!
- não correr atrás de promoções. O que leva a que se ande de supermercado em supermercado agravando outros custos. Tem apenas um cartão, o do Continente. Compra sempre as mesmas coisas, no mesmo sítio e, promoções, aproveita apenas o que vale a pena e quando vai às compras!
- férias a custos controlados. Em casa de familiares e amigos!
 
Não se lembra da última vez que foi ao cinema, mas sabe quando comprou o cabo HD que liga o PC à televisão. Lê muitos artigos e publicações científicas, mas por obrigação. Às vezes faz umas traduções em casa. E não lhe sobra tempo para grandes leituras de lazer.
 
Pedi-lhe que completasse a fase:
Ser MATi é...
Ao que me respondeu:
... pôr o MacGyver a um canto!
 
Concordo Íris! Sobretudo quando se vê confrontada com como-equilibrar-um-bebé-no-ombro-quando-aplico-eyeliner! (palavras da Íris) :)
 
Em casa abriu um negócio com o marido. Uma empresa que gere comerciais e faz network. Como a própria me disse: Somos mediadores de negócios! Imagine que tem uma empresa pequena, que precisa de exposição e clientes, mas o trabalho de comercial vai sempre ficando para trás porque não tem os contactos iniciais, porque não há dinheiro para uma equipa de comerciais de confiança, porque não há "mãos" para gerir agendas e follow up de clientes. A nossa empresa encarrega-se de gerir a sua equipa de comerciais.  Precisa de flyers, site, logo, toc, advogados... Nós adjudicamos as tarefas de acordo com o orçamento disponível: como tratamos das mesmas coisas para várias pessoas, conseguimos oferecer valores mais baixos ao cliente individual.
 
E mais não digo! (que eu não percebo nada disto)
 
Obrigado Íris. Espero que consigam cumprir os vossos objectivos. Que sejam muito felizes com os vossos filhos. Com o cão e com a tartaruga. Obrigado pela partilha. Pela simpatia. Por ter aberto o livro da sua vida. Por inspirar outras famílias que estão indecisas. Por ter sido tão humana no último emprego que teve. Por ter sorrido para mim. Por ter confiado neste projecto.

Um obrigado do tamanho do mundo.
 
 
 
 
 
 
  Créditos das fotos | Contos com amoras
Fotografias tiradas na Casa Museu Paula Rego

Calças e botas: Massimo Dutti
Camisola. Aca Joe
Casaco: Zara


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segunda-feira, 21 de abril de 2014

Caça ao ovo - Ideia para pais&filhos

Este Domingo de Páscoa terá um gosto especial para mim. Como sabem, os meus filhos estão de férias há uma semana. Mas uma das condições desta viagem era que estivessem cá a tempo de almoçarmos no Domingo. Por isso, já estão mesmo a ver... :)
 
Páscoa = ovos | Filhos = Saudades. Tinha de fazer alguma coisa!
 
Aproveitando o facto do meu prédio ter um jardim privativo, arquitectei uma caça ao ovo. Mas uma caça com base num jogo de correspondência. Ou seja, arranjei um ovo de chocolate para cada um e amêndoas coloridas. Dois sacos, imprimi as imagens abaixo e agora a explicação.
 
Um saco é destinado às imagens que terão de corresponder para encontrarem os ovos. No outro as imagens correspondentes às amêndoas.
 
Escolhi os seguintes símbolos:

 
Imprimi-os três vezes.
Recortei-os em quadrados.
Coloquei um de cada num saco.
Coloquei um de cada num segundo saco.
Colei um símbolo num ovo e outro símbolo nas amêndoas.
 
(Eu tenho três porque à festa vou juntar o meu sobrinho. Devem imprimir de acordo com o número de crianças envolvidas na caça)
 
Vou espalhar os ovos e as amêndoas pelo jardim.
Cada criança irá tirar um símbolo de cada saco.
Imaginem que a um deles sairá do saco dos ovos o coração e no outro sairá o smile. Terá de procurar o ovo com o coração e as amêndoas com o smile.
 
Vamos ver como vai ser.
Depois conto!
 
Uma Santa Páscoa para todos!