terça-feira, 15 de abril de 2014

A mãe da semana #1

A estreia desta rubrica só podia acontecer da melhor maneira. E com quem? Com uma das mães mais empreendedoras que conheço em promover o estatuto de Mãe a Tempo Inteiro (MATI), que se lançou neste mundo virtual através da criação de um grupo com o mesmo nome no facebook e que conta já com cerca de 3000 membros.

Uma jovem mãe (linda de morrer) de uma doce menina que, ao nascer, trouxe consigo um admirável mundo novo a um jovem casal que se estreava assim na maternidade/paternidade.
 
Falo-vos da Raquel Pina, de 28 anos, que vive em Cascais. Uma designer cheia de estilo, que utiliza a imagem como meio de comunicação privilegiado. Uma mãe que imprime mil e um cuidados em tudo o que faz. Bom gosto. Dedicação. E simpatia. Abriu a porta de sua casa ao Contos com amoras, a esta rúbrica, e a mim. E, por isso, o meu primeiro agradecimento.

A Raquel é MATI primeiro, por obrigação. Segundo, por opção. E eu passo a explicar. :) Trabalhava numa empresa como designer quando engravidou. Até aqui tudo bem. Gozou a sua licença de maternidade até aos 3 meses sem qualquer incidente. Mas a 1 mês de regressar à empresa recebeu a notícia que a mesma ía fechar.
 
De imediato percebeu que iria ser MATI, mas também não demorou muito a optar por sê-lo. Tantas eram as descobertas diárias nesta sua nova condição. Poderíamos dizer, neste caso, há males que vêm por bem.
 
Por enquanto, só tem uma filha e o tempo de que dispõe é-lhe dedicado na totalidade. As manhãs são passadas em casa, ao ritmo da menina. Depois do almoço, a tradicional sesta, o tradicional passeio e as tradicionais actividades de pintura e leitura. À noite, o merecido descanso.
 
Para Raquel as dúvidas que surgem têm apenas uma resposta: seguir o instinto de mãe. E é esse o principal conselho que partilha com outras mães e futuras mães. Não segue receitas. Acredita que a relação de mãe e filha deve balizar-se pelo respeito mútuo. Que a criança é um futuro adulto e que é de pequenino que se aprendem as regras fundamentais para o resto da vida.
 
É apologista da experimentação. A sua filha tem a oportunidade de explorar os cantos à casa, sob a sua supervisão, mesmo que isso implique alguns riscos. Mas tudo controlado, obviamente! Desde que explicados às crianças, na sua linguagem, as mesmas compreendem o que podem ou não fazer. É esta a sua visão das coisas que, pelo seu testemunho, resulta! Mesmo que isso contrarie opiniões mais maduras (nomeadamente a dos avós).
 
Ouvir Jack Johnson e AYO é algo que lhe dá prazer. Isso e ler blogs, revistas e livros de arte. Investe os seus tempos livres em trabalhos manuais. Mas o melhor de tudo é estar em família.
 
Pedi-lhe que completasse uma frase:
Ser Mãe a tempo inteiro é...
 Ao que respondeu:
... sentir os filhos de perto, ter pouco tempo para si mesma, mas ser-se muito feliz!
 
Em casa esta mãe criou uma empresa, a Pêra Doce. Uma marca a que se dedica sem pressas, sobretudo porque o bichinho do design não a deixa. Cria logotipos, convites para eventos, layouts de ementas, catálogos, cartazes e tudo o que implicar imagem. E, acrescento eu: bom gosto!
 
Fora de casa, lançou um desafio às mães a tempo inteiro. Este! Provando, assim, que a maternidade pode ser uma oportunidade!
 
A Raquel é muito bem disposta. Muito calma. Muito cheia de pinta. Bem como a sua filha. Estar com ela foi um prazer! E eu não tenho palavras para agradecer-lhe!
 
Créditos | Daniela Sousa Photography



Créditos | Daniela Sousa Photography

Créditos | Daniela Sousa Photography

Créditos | Daniela Sousa Photography

Créditos | selfie

Créditos | foto em família

Créditos | Contos com amoras
 


Créditos | Contos com amoras


Créditos | Contos com amoras
Créditos | Contos com amoras
Grinalda de bandeirinhas de tecido: De trapo em trapo
Grinalda de corações em tecido: De trapo em trapo
 Vestido azul de menina: Laranjinha
 
 
Se quiser participar nesta rúbica, A mãe da semana, envie um e-mail para
O resto, depois falamos!
 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Matis Festival - 1.º Festival a pensar nas mães a tempo inteiro


É esta a imagem de marca do 1.º Matis Festival - Your Market Show, um encontro a pensar nas mães a tempo inteiro, que terá lugar no Dia Mundial da Criança, nos jardins do Palácio Anjos em Algés. Um encontro que se pretende muito animado, a pensar nas crianças e nas mães que lhes dedicam todo o seu tempo. A pensar na promoção dos maravilhosos trabalhos que surgiram das mãos de mães criativas e empreendedoras que viram na sua condição uma oportunidade de dar asas à imaginação.
 
Um encontro que surgiu da necessidade de cruzar saberes de experiência feito  entre as mães que fazem parte do grupo do facebook Mães a tempo inteiro, criado em 2013 pela Raquel Pina, uma mãe que se viu forçada a ser mãe a tempo inteiro, mas que acabou por adorar e optar por sê-lo.
 
Um encontro que terá uma oferta imensa para mães e filhos. Fotografia, animação infantil, teatro, hora do conto, degustação, zumba, etc., etc. e que, claro, faz todo o sentido que aconteça no Dia Mundial da Criança. (já têm aqui programa para esse dia que, ainda por cima, será Domingo!)
 
Design | PêraDoce
 
Como não podia deixar de ser, o Contos com amoras associou-se a esta bela ideia e, a partir de hoje e até dia 01 de Junho, vai dar espaço a todos os que participarem neste evento que se adivinha um grande sucesso. Garanto-vos!
 
Não se esqueçam de visitar a página do evento! Não se esqueçam de fazer "gosto", pois as boas ideias merecem o nosso apoio!
 
Eu vou!
E vocês?

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Mães... vivemos livres numa prisão...

Como eu gostava de poder ter férias.
Como eu gostava de poder descansar quando realmente preciso.
Como eu gostava que os períodos escolares não ditassem a minha vida.
Como eu gostava de não ter que programar os meus tempos de lazer em função do mês de Agosto.
Como eu gostava de não me sentir angustiada sempre que a escola pára.
Como eu gostava de não sentir a ditadura de um regime de pausas forçadas.
Como eu gostava de ser livre.
Como eu gostava de não viver nesta prisão.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Pegar a vida pelos cornos!

Hoje os Contos abriram a porta de casa para receber uma das bloggers de moda mais coerente do panorama nacional. A Paula Lamares do Fashion Heroines. Uma mulher cheia de estilo. Personalidade. Com o dom da palavra. Com quem tenho aprendido imenso sobre moda. Aquela moda que o comum dos mortais vê na televisão e diz: como é que alguém pode gostar disto?!? Com um esgar parecido a quem acabou de comer um limão. No seu blog a Paula Lamares fala do que sabe. Não se faz entendida. E é por isso que tem tanto sucesso. E é por isso que gosto tanto dela.
 
É para mim uma honra ENOOORME tê-la cá em casa. Nesta casa virtual que estabelece pontes sem fronteiras com quem por aqui passa. E não! Este não é um blog de moda! Mas é um blog com as portas abertas a quem quiser partilhar ideias. Ainda por cima o texto que a Paula nos trouxe é, para mim, 100% bem escrito. 100% realista. 100% optimista. 100% Paula Lamares. Leiam, e confirmem o que digo. :)
 
"Pegar a vida pelos cornos
 
Sou Paula Lamares, tenho o blog Fashion Heroines, sou viciada em moda desde os meus 12 anos e há 12 segundos que não bloggo. A minha vida ficou muito facilitada com o surgimento da internet, pelo que deixei de passar fome para comprar revistas de moda estrangeiras. Para além de tentar falar sobre moda, gosto de escrever, aliás, gosto muito de escrever  sobre tudo e mais alguma coisa. Pelo que aceitei o desafio da Cláudia em criar uma espécie de crónica para o Contos com Amoras. Não sei se estou à altura do desafio, mas este é o meu estilo!
 

O mood do dia é: Pega a vida pelos cornos! Acordei assim, depois de uma noite mal dormida, da chuva que cai incessante desde o ano passado e de não ter cheta no bolso para adquirir os “Dez básicos essenciais que não podem faltar no closet esta primavera”. Pegar a vida pelos cornos é uma espécie de lema de vida, mais do que uma forma de pensar é um lifestyle. Por exemplo, quem pega na vida como se fosse uma coisa mole e viscosa, tem tendência a ver sempre a garrafa meio vazia e a culpar o governo por todas as desgraças que lhe acontecem. Geralmente, vivem de subsídios ou têm um trabalho insípido que não arriscam a perder a não ser por um subsídio. Mas, quem pega a vida pelos cornos é otimista, não deixa o seu destino por mãos alheias e vai à luta, ignora os telejornais e, consequentemente, as tretas do governo que só servem para amolecer a vontade, preferindo as crónicas nonsense de gente bem-disposta em sites cool.  
Mesmo que a vida seja igualzinha e os problemas que se enfrentam muito semelhantes, ver as coisas de uma diferente perspetiva faz toda a diferença. Para quem pega a vida pelos cornos, Abril é o mês das comemorações: da Liberdade e da concretização das aspirações de um Povo, da contagem decrescente para o Verão, do renascimento da natureza, depois de um longo período de reset, rumo à exuberância de todos os inícios. Para os outros, Abril é simplesmente o mês do IMI.
As pessoas que pegam a vida pelos cornos gostam de si próprias e quando não podem andar seminuas (mesmo que não andem, a atitude é como se andassem), vestem animal prints, leopardos e tigresas (mesmo que não usem, a atitude é como se usassem), sendo que o seu estilo é, depois, copiado por aquelas pessoas que seguem a moda. As outras preferem vestir dos pés à cabeça em tons terra, acham que o preto é muito berrante, pintam as unhas de transparente e adoram a maquilhagem que não se note nada que usam maquilhagem, mas só em dias especiais, como batizados e funerais.
Entre umas e outras há, ainda, as que seguem a moda como se fosse uma religião sem alma e, como todas as beatas, praticam mas não pensam, cheiram ao mesmo e copiam os looks tal qual das montras da Zara e similares. Desta última espécie de gente, confesso, tenho sempre algum receio porque não são carne nem peixe, têm um medo medonho de viver a fundo, de deixarem de respirar na próxima esquina. Passam os dias submersas em mitos urbanos e no ruído de fundo que é a opinião dos outros. Não comem um queque sem contar as calorias, sacrificam-se pela cruz da suposta beleza que idealizam, mas, depois, não são capazes de ter coragem para assumir atitudes, limitam-se a fintar a verdade e acham que assim fazem pegas ao destino.  
 
Créditos das imagens: www.manrepeller.com

 
As pessoas que pegam a vida pelos cornos, pelo contrário, são sempre belas, porque irradiam aquela luz fantástica que surge de repente após dias de chuva cerrada. As pessoas que deixam andar, à espera que o tempo resolva, têm o olhar entristecido e a boca sombria de rugas como vírgulas de ambos os lados, ao estilo das velhas carpideiras e estão sempre rodeadas de novíssimos amigos (que os antigos já não as aturam), quase todos do facebook, para onde descarregam posts patéticos, repletos de amargura, queixinhas, invejas e outras dissertações sobre como a vida pode correr tão mal!
As pessoas que pegam a vida pelos cornos têm sex appeal e atraem homens e mulheres como moscas. As outras são as moscas. São uma espécie mais evoluída do Homo Sapiens emocional. Que não sorriem (a não ser que estejam chateadas). Antes soltam contagiantes gargalhadas que chegam a estridentes quando a conversa envolve ex-namoradas do atual. As outras fazem do ciúme um acessório clássico como se fosse uma mala Chanel. Gostam de conjugar o verbo “parvar” e passam os dias a titubear músicas da Adéle com voz de queixume. A minha sorte é que quando eu tinha idade para ser parva e dizer coisas parvas, não havia ainda a possibilidade de registar tudo em vídeos virais através do youtube. Agora as pessoas parvinhas não têm a vida nada facilitada.   
Quando nascemos, a genética e o meio são uma espécie de lotaria. Essa é só uma meia-verdade, o argumento preferido dos que nunca fizeram uma pega de caras. É sempre possível mudar a nossa forma de pensar e, principalmente, de agir. Se olharmos sempre para a ponta dos nossos pés, inevitavelmente, só veremos formigas, mas se olharmos para cima descobrimos pássaros de linda plumagem e homens acima de 1,80m.
Não quer dizer que quem pega a vida pelos cornos não tenha medo. Tem! E muito! Mas a confiança de que é possível superar obstáculos e continuar a correr a maratona dos dias difíceis, é superior a todos os receios. Sobretudo, chegar à meta é muito menos importante que a viagem até lá.
Hoje é um dia excelente para começar a virar do avesso o seu olhar sobre as coisas por mais banais que sejam. Olhe para uma banana como se nunca tivesse visto uma banana e aplique isso a todos os objetos que a rodeiam como se os visse pela primeira vez. Se tiver acima dos 45 anos é possível que julguem que está com início de Alzheimer, mas veja isso como um teste à sua autoestima. Depois de fazer este exercício, faça o mesmo com o caminho que percorre todos os dias a pé. Olhe para tudo como se fosse um viajante (e não um turista que esses perdem tudo enquanto tiram fotos) num país estranho. Depois, passe para as pessoas, família, amigos, colegas de trabalho, faça perguntas como se tivesse 5 anos, envolva-se, preocupe-se, elogie, toque, abrace…
Durante este processo é possível que as pessoas julguem que enlouqueceu de vez… não se preocupe. Explique que está a fazer um detox de vida e a estudar a ciência das pegas de caras. As pessoas vão ficar confusas e curiosas, pelo que pode sempre aconselhá-las a ler este post no maravilhoso blog Contos com Amoras e, se não der resultado, ao menos a Cláudia consegue aumentar as visitas."
Paula, obrigado.

terça-feira, 1 de abril de 2014

A melhor mentira de sempre

Dia 01 de Abril é daqueles dias que me deixam sempre meio desconfortável. Isto porquê? Porque gosto de alinhar na brincadeira e quando penso que está a aproximar-se esforço-me por elaborar uma boa mentira e depois nunca consigo! :) Depois, caio nas mentiras dos outros!
 
À excepção do ano de 2011. Nunca mais me vou esquecer. :)
 
Tinha sido mãe há um ano. Do meu segundo filho. Um traquina que não me deixava dormir. Um bebé chorão. Cheio de cólicas. Que tinha começado a andar há pouco tempo e que não me deixava ter nada no mesmo sítio. Incluindo a televisão da sala. Um bebé de quem todos fugiam (no bom sentido). Um bebé que era exactamente o oposto da irmã. Ela, uma seara alentejana. Ele, um furacão katrina.
 
Ora bem! Dia 01 de Abril de 2011. Logo de manhã pego no telefone para dar os parabéns à minha sogra (que faz anos hoje) e ela:
- Então está tudo bem?
- Nem por isso... (eu, com uma voz sumida)
- Então o que foi?
- Esta manhã fiz o teste e descobri que estou grávida!! (a fazer um esforço enorme para não me rir)
- O quê? Como é que fizeste isso? Então e isto? Então e aquilo? Teremos de ficar com ele!! Não podes pagar mais escolas!! E blá, blá, blá...
 
E a coisa ficou por ali.
Depois peguei no telefone e liguei ao meu pai. E ele, depois de um longo silêncio:
- Bom... parabéns... isso é uma coisa boa... (e mais não disse)
 
Liguei à minha prima.
- O quê?!? Como é que é possível? Logo vou a tua casa!!
 
E calei-me Não disse a verdade durante todo o dia. Diverti-me a sério. Só eu e o meu marido é que sabíamos. E ele ajudou-me na brincadeira. Ao fim do dia, como era o aniversário da minha sogra, passei lá em casa. E ao revelar a brincadeira:
- Olha que eu até me senti mal! Não me faças isso outra vez!!
 
Liguei ao meu pai:
- Bom, eu dei-te os parabéns... mas fiquei a pensar no assunto o dia todo...
 
À noite, bateram-e à porta. Era a minha prima. Veio da margem sul para me consolar. E depois de saber a verdade prometeu que iria pagá-las. E paguei! Com outra brincadeira!
 
E juro! Isto não é mentira!! Consegui deixar todos preocupados. Mas não foi por mal. :)