terça-feira, 1 de abril de 2014

A melhor mentira de sempre

Dia 01 de Abril é daqueles dias que me deixam sempre meio desconfortável. Isto porquê? Porque gosto de alinhar na brincadeira e quando penso que está a aproximar-se esforço-me por elaborar uma boa mentira e depois nunca consigo! :) Depois, caio nas mentiras dos outros!
 
À excepção do ano de 2011. Nunca mais me vou esquecer. :)
 
Tinha sido mãe há um ano. Do meu segundo filho. Um traquina que não me deixava dormir. Um bebé chorão. Cheio de cólicas. Que tinha começado a andar há pouco tempo e que não me deixava ter nada no mesmo sítio. Incluindo a televisão da sala. Um bebé de quem todos fugiam (no bom sentido). Um bebé que era exactamente o oposto da irmã. Ela, uma seara alentejana. Ele, um furacão katrina.
 
Ora bem! Dia 01 de Abril de 2011. Logo de manhã pego no telefone para dar os parabéns à minha sogra (que faz anos hoje) e ela:
- Então está tudo bem?
- Nem por isso... (eu, com uma voz sumida)
- Então o que foi?
- Esta manhã fiz o teste e descobri que estou grávida!! (a fazer um esforço enorme para não me rir)
- O quê? Como é que fizeste isso? Então e isto? Então e aquilo? Teremos de ficar com ele!! Não podes pagar mais escolas!! E blá, blá, blá...
 
E a coisa ficou por ali.
Depois peguei no telefone e liguei ao meu pai. E ele, depois de um longo silêncio:
- Bom... parabéns... isso é uma coisa boa... (e mais não disse)
 
Liguei à minha prima.
- O quê?!? Como é que é possível? Logo vou a tua casa!!
 
E calei-me Não disse a verdade durante todo o dia. Diverti-me a sério. Só eu e o meu marido é que sabíamos. E ele ajudou-me na brincadeira. Ao fim do dia, como era o aniversário da minha sogra, passei lá em casa. E ao revelar a brincadeira:
- Olha que eu até me senti mal! Não me faças isso outra vez!!
 
Liguei ao meu pai:
- Bom, eu dei-te os parabéns... mas fiquei a pensar no assunto o dia todo...
 
À noite, bateram-e à porta. Era a minha prima. Veio da margem sul para me consolar. E depois de saber a verdade prometeu que iria pagá-las. E paguei! Com outra brincadeira!
 
E juro! Isto não é mentira!! Consegui deixar todos preocupados. Mas não foi por mal. :)
 

segunda-feira, 31 de março de 2014

Agradecer, não custa nada :)

Quem anda neste mundo virtual a escrever sobre o que sente, pensa, vê, vive, gosta, imagina, sabe bem do que falo quando me refiro à importância de um comentário, um gosto, uma partilha das nossas palavras. É essa a compensação. Sabermos que somos seguidos por quem gosta de ler. Por quem gosta do que escrevemos. Da partilha dos nossos sentimentos. Dos nossos estados de alma. Fotografias. Acontecimentos.
 
Por isso mesmo hoje quero agradecer. A todos os que me seguem. A todas as mães que vão participar na rubrica A mãe da semana. A todas as que estão à espera para ler esta rubrica, quem sabe, para ganharem coragem para se inscreverem.
 
A todos os meus amigos que nem sempre escrevem aqui o que pensam. Mas mandam-me mensagens para o telemóvel. Aos conhecidos. Aos colegas de trabalho. Aos familiares.
 
E, em especial, hoje em especial, a outros bloggers que fizeram dos seus cantinhos de escrita hospedaria do meu blog.
 
Dias de uma princesa, de Catarina Beato. Um blog sobre uma mãe solteira, jornalista, escritora, que nos descreve com ligeireza e sentimento os seus dias, e que me hospedou por participar na rubrica de sua autoria O melhor do meu dia
 
The Blue Cat Blog, da Anita. Uma veterinária que foi apresentadora do canal Panda. Um blog sobre estilo de vida. Saudável. Com planos de treino para a melhoria da condição física. Com dicas de uma alimentação equilibrada. E com histórias giras sobre o seu dia a dia que contam com um gato azul. O seu.
 
Bolas de sabão, da Sónia. Uma "mulher apaixonada pela vida", segundo as suas próprias palavras, que nos brinda com uma escrita desprendida. Sentida. Humana. Não fosse ela uma adimradora do Princepizinho.
 
Remédios do acaso, do Armando. Um sociólogo apaixonado por música. Músico. Amante da escrita e da leitura. Um blog instrospectivo que nos passa prescrições médicas para males sem remédio.
 
Um agradecimento especial à minha filha. Que de vez em quando lê o blog e diz-me o que pensa. E, muitas vezes, surpreende-se com o que lá encontra sobre ela. Descobrindo na mãe um monstro de orgulho.
 
Agradecer, não custa nada.
Faz-nos bem. :) E a quem agradecemos, também. :)

sexta-feira, 28 de março de 2014

Coisas que não sabem sobre mim #5

Chamo-me Cláudia. Isso vocês já sabiam. E, no tempo em que eu nasci, era tradição dar o nome dos futuros padrinhos/madrinhas às crianças.
 
Graças a Deus que isso não aconteceu comigo! :)
 
Não se sabia, naquele tempo, o que lá vinha com a cegonha. Se era um menino ou uma menina. Nada de grandes planos. Só depois da criança nascer é que se ficava a saber. E eu, Cláudinha linda de seu pai, além de ter nascido mulher (e linda de morrer), reza a história que nasci quando a telenovela Gabriela estava a ser transmitida em Portugal com todo o sucesso que lhe conhecemos. E o que é que isso tem? Tem que o meu paizinho conta-me que nasci quando estava a dar um episódio da telenovela em que nascia também um bebé.
 
Que grande pontaria! :)
 
Mas não. Não fiquei Gabriela. Senão para toda a vida seria a cravo e canela! Mas isso só não aconteceu porque era outra a estrela que brilhava mais aos olhos de meu pai. Ou seja, Claudia Cardinale! Essa grande actriz que começou a vida artística depois de ganhar um concurso de beleza. Uma humanista, feminista, de origem árabe que teve uma carreira assinalável na área do cinema. Deixou uma biografia intitulada Moi Claudia, toi Claudia.
 
Era linda, não era?
 
 
 
Mas Claudia Cardinale, ao contrário do que andou a correr nesta autoestrada virtual, não morreu. Está vivinha da silva. Nunca a conheci pessoalmente. Gostava de dizer-lhe que se me chamo Cláudia é por causa dela. Gostava de dizer-lhe que quis saber sobre si por causa de mim. E da paixão do meu pai. Que na sua juventude era deslumbrante. E que agora, continua a sê-lo. :)
 
 
Cláudia Cardinale, se algum dia passares os olhos por este blog, entra em contacto comigo! Prometo que ponho o teu nome a uma neta minha!! :) :) :)
(desde que venha a ter netas e que os meus filhos/genro/nora concordem com esta ideia)

quinta-feira, 27 de março de 2014

A mãe da semana

Se há tema que, por muito que seja discutido, parece que fica sempre algo por dizer, é o tema "Mães e donas de casa a tempo inteiro". Apercebo-me de um misto de sensações, quer seja pelos comentários aqui ou na página do facebook, quer pelos e-mail's que recebo ou presencialmente, cara a cara. Da injustiça que algumas destas mães sentem na pele. Da necessidade que, na sua maioria, têm de ter um tempo só para elas mesmas. Um reconhecimento pessoal pelas suas opções. Um reconhecimento pelos seus valores. Esforço e dedicação.
 
Sempre que escrevo sobre este assunto aqui no blog as leituras e visualizações ultrapassam, em grande escala, o número diário habitual. Já para não falar das pesquisas livres que são feitas em motores de busca sobre MATI'S, donas de casa, mães, filhos e outros termos equivalentes que vêm cá ter a este cantinho.
 
A minha análise pessoal sobre isto fez-me pensar que o Contos com amoras têm uma missão. Uma missão para com estas mulheres que tanto admiro, respeito e prezo. Por estas mulheres que me lêm e me inspiram nesta coisa que eu adoro fazer que é escrever.
 
Por isso, lanço aqui um desafio. Um desafio saudável. Um desafio que quer dar cara às mães e donas de casa a tempo inteiro. Às donas de casa. Às mães. Às mães e filhos. E em que consiste esse desafio? Criar uma rúbrica: A mãe da semana. Uma reportagem sobre uma mulher que, por qualquer motivo, tem a sua missão de vida assente na sua família. Na educação dos filhos, nos cuidados domésticos. Uma nobre missão nem sempre reconhecida pela sociedade em geral.
 
Uma sessão fotográfica com cada uma destas mulheres que aceitarem este desafio. Com ou sem filhos. Uma reportagem sobre percursos de vida. Sobre o dia a dia. Sobre sentimentos. Sobre opções. Sobre dicas. Sobre sorrisos. Sobre o amor. Sobre mulheres lindas. Sobre mulheres cheias de pinta.
 
Quem aceita o desafio?
Quem quer fazer parte deste projecto?
 
Basta enviar um e-mail: claudiajesusmarques@gmail.com com o vosso nome e a manifestarem a vossa vontade em participar. Eu sou do distrito de Lisboa, mas não se preocupem se estão longe. Hoje em dia tudo não há distância com as novas tecnologias. :)
 
Participem! Dêem voz às mães a tempo inteiro. Pois cada mãe tem um rosto. E este cantinho virtual está à vossa disposição. :)

quarta-feira, 26 de março de 2014

Mães sem ordenado

Foi hoje publicado um estudo realizado no Reino Unido que concluiu que as mães e donas de casa a tempo inteiro trabalham cerca de 88 horas por semana. Basicamente o dobro do número de horas de expediente. O estudo revelou, também, que este trabalho a ser pago deveria corresponder a qualquer coisa como 50 000€ por ano. Qualquer coisa como 4 200€ por mês. Já imaginaram?
 
As mães que trabalham cumprem cerca de 40 horas semanais e outras 56 em trabalho doméstico. O que dá um total de 96 horas. E os seus ordenados são sempre inferiores aos dos seus maridos ou colegas homens.
 
No entanto, gostava muito de saber, em concreto, quem encomenda, quem faz, quem divulga estes estudos e com que objectivo. Para que as mães e donas de casa venham a ser ressarcidas por esse trabalho? E qual foi a base do cálculo que deu origem aos 50 000€? É que, para mim, há coisas que não se conseguem contabilizar.
 
Uma coisa é limpar a casa, cozinhar, passar a ferro, etc., etc. Outra coisa, é o amor com que uma mãe e dona de casa faz isso. A atenção. A dedicação. O investimento. A procura de resultados excelentes. A procura de um ambiente familiar de excelência. Os cuidados especiais na alimentação de acordo com cada membro da família. Os miminhos que se enviam numa lancheira para a escola. Os miminhos para o marido quando chega a casa.
 
E a falta de atenção para com estas mulheres? A falta de miminhos? Aquilo de que abdicaram em prol da família? Quanto custa isso?? O não ter tempo próprio. O não ter dinheiro próprio. O desrespeito pela sua disponibilidade. 24 horas por dia, 7 dias por semana. Quanto custa isso? Quanto? Saberá alguém fazer esse cálculo?
 
Há coisas que não têm preço.
Concordo com um valor mensal para estas mulheres. Concordo com a ajuda do estado nesta matéria. Mas nenhum! Nenhum dinheiro do mundo conseguirá pagar as emoções.