segunda-feira, 24 de março de 2014

Sobre rodas

Andamos numa nova demanda.
 
A diferença de idades entre as crianças lá de casa faz com que andemos a repetir algumas coisas que fazem parte desta tarefa de sermos pais. Pois bem, desta vez o que é? Bicicleta!!
 
O mais pequeno já deixou o triciclo e agora anda de bicicleta. É vê-lo a acelerar e a aventurar-se. Agora sem mãos! Nãããõ!! Que ainda partes os dentes!! E estes são os diálogos possíveis perante tanta bravura. Ainda anda com as duas rodinhas de apoio, mas para ele esta conquista foi qualquer coisa de espectacular!
 
A irmã já teve direito a uma nova bicicleta. Adpatada ao seu tamanho. E, verdade seja dita, se hoje anda lindamente, sem rodas, deve-se à sua insistência. Queria porque queria largar as rodinhas. E até consegui-lo, não descansou! O mesmo se passou com a espargata. Andou, andou e desandou em treinos diários lá em casa. E, no dia em que conseguiu, foi uma festa!
 
Mas cada vez mais me convenço que as diferenças de comportamento entre rapazes e raparigas é algo... genético... A genica dele comparada com a inércia dela... ui, ui!! Consegue pôr toda a gente em sentido. E cheira-me que, se ela insistiu em aprender a equilibrar-se e chegou a esse nível aos 6 anos de idade, com ele será diferente... a ver vamos. Depois conto!
 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Faroeste: inspiração para festa de aniversário

Depois da azáfama da minha amiga Z., de que vos falei aqui, na preparação da festa de aniversário do seu filho, foi a minha vez. Nada muito elaborado, mas tudo feito com muito amor e alguns pózinhos de perlimpimpim. E o tema da festa, qual foi? Faroeste!!

Não bastava ter um cowboy lá em casa, que às vezes se transforma num autêntico índio, ainda tive a "coragem" de convidar mais pequenos cowboys para uma tarde de brincadeira. Sim, porque o convite implicava trazer um acessório alusivo ao tema.

E porque correu bem, porque foi uma alegria ver o meu filho com os seus amigos a correrem, a interpretarem os seus papéis de bons e de vilões, porque vi nas suas caras que é possível cultivar a felicidade e a amizade com tão pouco, apenas com boa vontade, partilho convosco algumas fotografias para que possam inspirar-se.

O convite. Deixo-vos o modelo. Na parte branca escrevi o texto a meu bel prazer. :)



A mesa.
 
Reparem nas bandeirinhas que deram um toque especial à decoração.
À vista, os folhados de salsicha, o paté de atum, o queijo com doce de frutos silvestres,
o prato de queijos, chouriço e azeitonas e os sumos naturais.

Aqui, a minha especialidade! Cupcakes!
O amarelo é apenas corante alimentar. A cobertura é buttercream. Como é que se faz?
1 embalagem de manteiga sem sal à temperatura ambiente e açúcar em pó.
Bater com a batedeira. Ponho o açúcar e vou provando até estar no ponto! :)
 
Repararam nos cactos? Pormenor alusivo ao faroeste!
As amoras, claro, tinham de estar na mesa.
Para quem já me perguntou: iogurte natural (açucarado ou não), doce de framboesas e mirtillos
(uso o do IKEA que é di-vi-nal), morangos, amoras e groselhas por cima. Um must da cozinha!
 
O pormenor dos guardanapos.
Atrás, o prato das sandes e, ao fundo, quiche de frango.
 
Aspecto geral da mesa.
Na parede as bandeiras com o nome.
  
Aqui, doce de natas com bolacha maria e cobertura de cacau em pó e mousse de chocolate.

As flutes para o brinde, com groselhas.
E, ao lado, os copos e os guardanapos de reserva.

Uma prisão, claro!
E um cartaz que dava uma recompensa a quem encontrasse aquele cowboy.
O que uma caixa de cartão pode fazer pelas crianças... é demais!
Foi, sem dúvida, uma das atracções da festa!

O meu marido. O cowboy mor! :)
Com estas 5 canas, construímos uma tenda de índio.
Outra atracção da festa!
  
A minha querida e linda cowgirl a pôr o pano da tenda de índio!
 
Todos quiseram ajudar.
E a tenda ficou assim. 5 canas e um pano! Sucesso garantido! :)
 
Pois... alguém tinha de dar início à festa! :)
O pai também alinhou na brincadeira! :)
O chefe grande barriga! :)
  
O avô (o meu pai), encarnou a personagem! :)
O chefe grande nariz!! :)

  
A fotógrafa de serviço, a minha irmã!
Foi preciso arrancar-lhe a máquina da mão!

O bolo e o fogo de artifício, semelhante ao que sentimos no estômago durante o dia!
Foi uma tarde bem passada!
Tenho a impressão que o rapaz irá lembrar-se deste aniversário durante muitos e bons anos.
 
Aproveito para agradecer aos pais dos seus amiguinhos da escola que lhe proporcionarm uma tarde de brincadeiras fora do ambiente escolar e alinharam no tema. Aos pais do Caco, que estão à espera de mais um menino, aos pais dos dois M's. Agradeço à minha irmã que foi incansável. Tanto no dia anterior, na cozinha, como no próprio dia, na decoração do espaço e nas fotos. À tia Joana, que foi ao IKEA de propósito, comprar cactos e o doce de que vos falei. Ao avô Zé, que andou a apanhar canas para a tenda. A todos os amigos e familiares. Aos meus filhos, que são a minha alegria. E ao meu marido, um companheirão daqueles.
 
E como diria o meu filho (e especialmente para vós que me lêem):
Vai acima, vai abaixo e p'ró estôgamo! :)
 
Tchim-tchim!
 

segunda-feira, 17 de março de 2014

O luto na infância. Quando morre alguém da família

Este é um assunto que me preocupa.
Quando era miúda, não tive de passar por isso. Nem a minha família teve de passar por isso. Explicar a uma criança o que aconteceu a alguém que desaparece. Um avô. Uma avó. Uma mãe. Um pai.
 
Por ora, também não tive de explicar nada aos meus filhos. Mas já assisti a quem tivesse de fazê-lo. E questiono-me sobre se terei capacidade para dar uma explicação plausível. Uma explicação que lhes faça sentido na cabeça. Uma explicação com peso, conta e medida. Sem fantasias. Realista o suficiente para responder às suas dúvidas até ao dia em que começarem a perceber melhor o que é a morte.
 
Gosto de pensar que a morte faz parte da vida. Que é um bom ponto de partida para explicar a quem não domina vocábulos ou saber de experiência feito porque morremos. Gosto de pensar numa antiga história da tradição oral, Ti Miséria, que fala sobre uma senhora que prende a morte no alto de uma árvore e que, por isso, nada morre. Nem os animais, nem os legumes se arrancam da terra, nem os soldados enfermos nos campos de batalha e por aí fora.
 
Penso nesta história, intimamente, quando eu própria penso demasiado no assunto. E na ausência. E na partida. E nas coisas que se vão também com as pessoas. A gargalhada, o toque, o cheiro.
 
Diz-nos a psicanálise que as crianças apenas compreendem o que as rodeia, dentro de um código linguístico e experimental que elas próprias dominem. Nem de longe nem de perto, comparado com os do mundo dos adultos. Por isso, espero lembrar-me disso se um dia vier a precisar. Porque complicar não vale a pena. Ignorar, nem pensar. Esconder a realidade, é um erro tremendo. As crianças fazem parte desta realidade. E precisam de fazer o seu luto.
 
 
 
 

sexta-feira, 14 de março de 2014

Criei um MONSTRO e não sabia! A minha filha!

Tivemos a grande sorte de, até ao dia de hoje, a nossa filha ser uma excelente aluna. Isto é um tiro no escuro. Nunca sabemos muito bem como é que eles vão ser quando chegam à escola. Mas, por enquanto, está a correr bem. (Nem gosto de falar muito nisso, não vá o diabo tecê-las)
 
Desde o 1.º ano (para mim, 1.ª classe), que está no quadro de mérito. Adora a disciplina de Língua Portuguesa. Rapidamente deixou de dar erros. Escreve composições muito bem. Lê bastante. Um gosto natural. Um gosto que apoiamos, lá por casa, e estimulamos. Com o exemplo.
 
Há cerca de 2 ou 3 semanas chegou a casa e disse-me:
- Mãe, vou inscrever-me nas olimpíadas de matemática!
Eu: Oi?!? Vais?!?
Ela: Vou!
 
Confesso que, naquela hora, não dei muita importância ao assunto. Ela é boa aluna, sem dúvida, mas não é assim exceleeente a matemática! A ideia que me ficou foi mais ou menos esta: está bem abelha... E o assunto morreu ali.
 
Pois, achava eu...
 
2.ª feira.
- Mãe, estou na final das olimpíadas com mais uns colegas. Só há lugar para dois. Os que passarem vão ao Fundão na 6.ª feira ao campeonado nacional.
- What?!? (pensei) Espera aí? Estás quê?
E ela lá explicou que na 4.ª feira seria o dia D nesta demanda. E o entusiasmo era tanto que achei melhor dar mais atenção ao assunto. Comecei a achar que, se calhar, tinha substimado a minha própria filha...
 
Na 4.ª feira.
Como habitualmente fui buscá-la à escola. E assim que passou o portão pulou, saltou, agarrou-se a mim. Tinha passado. Ela e outro colega da turma. Eram finalistas. Íam ao Fundão representar a escola no campeonato nacional.
Não consigo explicar o orgulho que senti. Apetecia-me carregá-la em ombros. O pai ficou radiante com a sua menina. Contámos à família, como se ela tivesse conquistado o maior dos troféus. O orgulho é imenso. A alegria também. Estamos cheios. Cheios dela. Dou por mim a sorrir sozinha. A pensar neste feito.
 
Hoje.
6.30 da manhã. As duas na casa de banho a trocar olhares cúmplices. Nós depositámos-lhe toda a nossa confiança. Ela depositou em nós a sua. Levei-a ao autocarro da escola sede do agrupamento. E lá estavam os outros colegas finalistas das outras escolas, incluíndo os da escola secundária. E lá foi a nossa menina. Para o Fundão. E nós com a sensação de que ela partiu para muito longe. Mas em representação da sua escola e não em busca de novas oportunidades.
 
De volta a casa disse ao meu marido:
- Qualquer dia lá vai ela para mais olonge. Num erasmus qualquer... Disse-o com uma pontinha de esperança. E de saudosismo.
 
Os filhos não são nossos. Sobre isso escreveu José Saramago.
Os filhos não são perfeitos. Nem os pais. E por ter consciência disso, não estava à espera deste desfecho. Temos em casa uma boa aluna, mas não andamos a competir com ninguém.
 
Esta decisão que ela tomou foi um grande passo na sua auto-confiança e determinação. Que nos deixou admirados. Espantados. Felizes. Orgulhosos.
Criámos um monstro! Um monstro da matemática! E não sabíamos. :)
 

quinta-feira, 13 de março de 2014

Dona de casa desesperada!

Quem é que, de vez em quando, não se sente uma dona de casa desesperada? Quem é que não sente uma mistura de sentimentos nestes dias de sol que nos convidam a passear, andar na praia, beber um copo numa esplanada e ter tanto para fazer em casa, coisas que devem ser feitas, idealmente, nestes dias de bom tempo?
 
É a loucura!
Sinto-me a sufocar. Por um lado, ao fim do dia de trabalho, ainda é cedo e tal, vou para casa abrir as janelas, arejar as colchas e os tapetes, estender uma roupa. Por outro, mas ainda está tanto sol, faço uma coisa simples para o jantar, vou buscar os putos, vamos dar uma volta gastar e recarrregar energias. E como quem não quer a coisa... surge um sentimento de culpa que se apodera de mim, assim de mansinho...
 
Não tenho paranóias com a casa, nem com a arrumação, nem com a perfeição. Mas depois de tanta chuva e da chuva anunciada, fico a pensar que agora é para aproveitar. Mas passa-me depressa! Saio de casa com os miúdos que o resto fica para depois.
 
Era tão bom ter uma varinha de condão... e sentir-me uma verdadeira princesa...
                                                         
                                                   "Ballerina Toes, Black & White- Little Girl in a Tutu" by sunrisern | RedBubble
 
(um desabafo de uma dona de casa/mãe desesperada)