quinta-feira, 13 de março de 2014

Dona de casa desesperada!

Quem é que, de vez em quando, não se sente uma dona de casa desesperada? Quem é que não sente uma mistura de sentimentos nestes dias de sol que nos convidam a passear, andar na praia, beber um copo numa esplanada e ter tanto para fazer em casa, coisas que devem ser feitas, idealmente, nestes dias de bom tempo?
 
É a loucura!
Sinto-me a sufocar. Por um lado, ao fim do dia de trabalho, ainda é cedo e tal, vou para casa abrir as janelas, arejar as colchas e os tapetes, estender uma roupa. Por outro, mas ainda está tanto sol, faço uma coisa simples para o jantar, vou buscar os putos, vamos dar uma volta gastar e recarrregar energias. E como quem não quer a coisa... surge um sentimento de culpa que se apodera de mim, assim de mansinho...
 
Não tenho paranóias com a casa, nem com a arrumação, nem com a perfeição. Mas depois de tanta chuva e da chuva anunciada, fico a pensar que agora é para aproveitar. Mas passa-me depressa! Saio de casa com os miúdos que o resto fica para depois.
 
Era tão bom ter uma varinha de condão... e sentir-me uma verdadeira princesa...
                                                         
                                                   "Ballerina Toes, Black & White- Little Girl in a Tutu" by sunrisern | RedBubble
 
(um desabafo de uma dona de casa/mãe desesperada)

quarta-feira, 12 de março de 2014

Lembras-te, filho?

Do dia em que nasceste? Do pai estar ao pé de nós na sala de partos? Da aflição em que nos deixaste, porque não choravas? Porque mal respiravas? Porque tiveste de ser assistido? Porque não te senti assim que saíste de dentro de mim?
 
Lembras-te de como nos rimos quando, finalmente, deste um ai? Do momento em que te deitaram no meu colo? De teres começado um choro intenso a anunciar o furacão que és? De te porem um gorro azul que nos fez lembrar um rapper conhecido?
 
Lembras-te de sairmos da sala de partos e de teres a família à tua espera? Os avós e a tia Rita? Mais tarde, os tios Filipe e Joana que, naquele dia, ficaram a tomar conta da mana? Da tua irmã entrar no quarto, tão feliz que estava, e perguntar: onde está o mano? De estares ao colo dela? E daquele sorriso que se apoderou das suas feições e lhe deu um brilho como nunca tínhamos visto?
 
Lembras-te do urso que o pai te comprou? Com uma núvem no colo? Como que a dizer: deixaste-me nas nuvens? Das visitas que tiveste? Da tia Vicência? Que esteve connosco pela penúltima vez, naquele dia, antes de partir?
 
Lembras-te do pai ter passado a tua primeira noite connosco no hospital? De ter passado a noite a dar-te festinhas e a sorrir como se tivesse acabado de descobrir um admirável mundo novo? E de mim? Lembras-te de mim? Do estado em que fiquei para te trazer ao mundo? Em êxtase!
 
Lembras-te da médica que me ajudou dizer: tem aqui um belo rapaz? E da enfermeira a admirar-te. Ela, que estava grávida?
 
Nao te lembras de nada, meu amor.
Mas um dia, se eu não estiver cá para te contar, podes sempre consultar este cantinho virtual. Aqui fica registado para a posteridade. Porque não sabemos o dia de amanhã. Porque apenas sei que fazes anos hoje. E nós também. Porque apenas sei que contigo nasceram uma irmã, um pai e uma mãe. Nasceram avós, tios e um primo. Nasceu o filho de uns amigos. O filho da vizinha. Um novo número de Bilhete de Identidade, de Segurança Social, de Contribuinte.
 
Nasceu mais um menino no nosso país. Neste país que não é para velhos. Neste país onde os teus pais também foram crianças. E foram felizes. E, contigo, continuam.

terça-feira, 11 de março de 2014

Lego: a cereja no topo do bolo!

Na semana passada a minha amiga Z. e a sua cunhada T. andaram entusiasmadas e atarefadas com a festa do baby A., filho da minha amiga. Um segundo aniversário com inspiração nos intemporais legos, não fosse agora o filme também uma excelente fonte de inspiração.
 
Lá em casa fomos todos ao aniversário do baby A. e, apesar de durante a semana ter acompanhado o trabalho todo e de ter visto, inclusivamente, alguns ensaios do layout final, devo dizer-vos que foi surpreendente ver tudo pronto.
 
Os pormenores fazem tooooda a diferença e o facto de se fazer tudo com muuuuito amor, é a cereja em cima do bolo. Neste caso uma mãe a uma tia cheias de pinta. Cheias de ideias. Cheias de amor para dar. E o resultado final foi este:
 

Aqui uma visão geral da mesa



Reparem no pormenor do bolo. Os legos foram montados pelas cunhadas
 
 
 
 



  
Estava giro, certo? E, além disso, tudo saboroso. Garanto-vos!
A minha contribuição foram os cupackes. What else? :)
 
Confesso-vos, (e à minha amiga) que tive dúvidas quanto ao tema. Mas depois do empenho e da criatividade da tia T. ficou provado, pelo menos para mim, que nada é impossível desde que se faça com amor.
 
Parabéns às duas. Ah, e as fotografias foram tiradas pela tia T. ;)
 

segunda-feira, 10 de março de 2014

Variante de amor

Com origem no latim, a palavra amizade é definida como uma variante do amor. Mesmo sem pesquisar adivinhava esta definição. Pois é isso mesmo que sinto. A amizade que tenho por algumas pessoas é, para mim, uma relação amorosa, uma variante de uma relação amorosa. Que, como em todas as relações amorosas, precisa de ser alimentada. Precisa de ser cuidada. Precisa de duas pessoas, no mínimo. De confiança. De segurança.
 
As primeiras relações amorosas que estabelecemos nas nossas vidas são estas variantes de amor. Começamos bem cedo. Se tivermos primos, é por aí a nossa primeira experiência. Se não, será pela creche. E, por vezes, estas relações duram toda uma vida.
 
E é por isso tão importante que os nossos filhos tenham amigos. E saibam que ser amigo é ter amor por alguém. Uma variante... É importante deixá-los experimentar a ilusão e a desilusão. Deixá-los construir as suas referências no campo da amizade, através de todas as descobertas que essa construção lhes permite. Que construam memórias para a vida. As boas. E as más. E que, no fim, saibam com toda a certeza afirmar que amizades são as suas. Quem são os verdadeiros protagonistas das suas vidas nesta variante do amor.
 
E é tão bom quando nos surpreendem com as suas interpretações.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Fui ameaçada!

Depois do post sobre a partilha dos trabalhos domésticos lá em casa e das coisas que me irritam profundamente quando é o homem que toma as rédeas da coisa, fui ameaçada! É verdade. O homem ameaçou nunca mais pegar em nada. Deixar de participar nas tarefas domésticas. Disse que ía fazer greve! GREVE!?! Pensei: tenho que me redimir! E, por isso, agora o post que faz justiça ao senhor meu marido.
 
Se há pessoa que faz bem uma cama, é ele. Puxa os lençóis até saltar uma moeda. Levanta o colchão só com um dedo. Um dedo! E a cama fica um brinquinho.
 
Também é excelente a arrumar a loiça na máquina. Consegue rentabilizar o espaço de uma maneira que leva a uma poupança tremenda. E não faz disparates como pôr tachos e panelas ou caixas de plástico que ocupam imenso espaço. Aqui, nota 20!
 
Com a arrumação das compras temos um misto... Por um lado, arruma e arruma e arruma tudo na dispensa. Por outro, depois não encontro nada. Mas pronto! Tira os pacotes de leite das paletes plásticas, arruma os enlatados com os enlatados e os detergentes com os detergentes. (Não posso reclamar de tudo...)
 
Temos lareira. E eu não toco nela! :)
É ele que vai à lenha. É ele que faz o lume. É ele que a limpa.
Nota 21! (Que esta é uma tarefa que me chateia deveras!)
 
Quanto à garagem. Pois, se há coisa que eu faço é pedir-lhe que leve e leve e leve coisas para arrumar que já não quero em casa. E ele leva e leva e leva e, de vez em quando, dá-lhe a trevadinha e põe tudo em ordem. (arre que o homem ainda faz umas coisas!)
 
O escritório também fica por conta dele. Também é ele que acumula lá a papelada. Mas não me chateio muito. Para as horas que lá passa é justo que o arrume. :)
 
Agora me lembro que também faz uma outra coisa boa. Tenho máquina de secar. Mas está no sotão. E de vez em quando lá calha: levas o alguidar de roupa para cima que eu estou cheia de dores nos braços? (quem me conhece sabe que é verdade - as dores nos braços) E ele lá vai. Que aquilo pesa! E trás a roupa de volta. O que implica voltar a subir e descer escadas.
 
Tenho a certeza que me faltam aqui mais coisas, mas tenho que guardar alguns trunfos na manga. ;)
 
Bom, amor, espero que o teu período de greve termine. E não te esqueças que se pus o toque do "Popeye" no meu telemóvel quando me ligas, é porque não consigo viver sem os teus músculos (ainda bem que não fumas cachimbo e não és marinheiro, porque eu não ía conseguir viver com um homem com um amor em cada porto). Isso não faz de mim a "Olívia Palito", mas faz de ti o meu herói.