sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Dicas com amoras #5/52

O Dicas regressa depois de uma semana de ausência. Uma semana muito dura, em que estive tão doente que nem conseguia escrever. E, depois, para ajudar à festa, fiz um "detox" involuntário com detergente. Ah pois é! Fiquei intoxicada de tal maneira que, se antes só conseguia mexer os olhos por estar doente, com a intoxicação nem os olhos conseguia mexer. Foi, simplesmente, horrível!
 
Mas já estou de volta. E o Dicas. E as amoras.
E vocês, como estão?
Deixo pouca coisa para este fim de semana. Mas coisa da boa! :)
 
Ora bem! Na Biblioteca Municipal Palácio das Galveias terá lugar a actividade intitulada "Silêncio... que se vai brincar ao fado!". Trata-se de uma pequena viagem pelo mundo do fado adaptada às crianças e ao imaginário infantil, pela voz de 3 fadistas. Vai se rno sábado, às 11.00. Para informações e inscrições é este o número 93 250 06 85. E mais! É gratuito!
 
Em Sintra, na Quinta da Regaleira, podemos assistir à peça "Ulisses", pela Musgo - Associação Cultural. É uma peça de teatro sobre a viagem de Ulisses ao reencontro da família. Será que vai conseguir? Podem escolher ir no sábado às 16.00 ou no domingo às 11.00. O custo do bilhete é de 7€.
 
E que tal frequentar um workshop sobre gravidez, amamentação, preparação para o parto e tantos outros temas. O Clube Mamãs, Papás & Bebés, estará no Centro Comercial Alegro, em Alfragide, às 10.30, no Piso 0. A frequência é gratuita, mas para mais informações deixo aqui o contacto telefónico:21 712 54 03.
 
A peça de teatro "Gisberta" está em cena no Rivoli Teatro. No sábado será às 21.30 e o bilhete custa 12€. Trata-se de  uma história dura, baseada em factos verídicos sobre o brutal assassinato de um adolescente por colegas, na cidade do Porto. Mais informação aqui.
 
E quem quer aderir à moda e fazer uma aula de Zumba?
Uma aula de zumba é uma animação que merece ser experimentada, mesmo que os vossos gostos musicais não passem pelo samba, salsa, merengue ou até mambo. O que interessa é mexer o corpo de forma divertida. Esta aula terá lugar no sábado, no Arte Move Academia de Artes em Cascais e é gratuita, por isso, não deixem de aproveitar!
 
Por hoje, é tudo!
Façam o que fizerem, façam o que vos faz feliz!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Ambrósio, apetecia-me algo!

(Um post para rir!)
 
O Bieber, o Justin! O miúdo a quem não adivinho grande futuro... Parece que de tão rico que é nunca está contente com a pobreza dos seus actos. Por isso mesmo decidiu dar nas vistas, mais uma vez, pelos piores motivos.
 
Não, desta vez não foi preso.
E não, não foi apanhado com droga! (pelo menos não li nada sobre isso)
Então o que foi?
 
Ora bem. Ía o belo rapazola com um grupo de amigos oportunistas numa luxuosa limousine quando, assim a modos que aborrecido, depois de ter discutido com um deles, decidiu animar a coisa.Como? Agredindo o motorista! Batendo-lhe na cabeça. Mas isto é o que dizem, atenção! Que eu cá não sou de intrigas!
 
Agora lá foi apresentar-se à esquadra e tal, e tem de ir a tribunal em Março. Ou seja, a Oeste, nada de novo! Mas ó Bieberzinho, eu até te percebo! Então não é de dar em louco? Claro que é! Aposto que disseste:
- Ambrósio, apetecia-me algo!
E o Ambrósio, distraído que ía com a preocupação de conseguir levar-te (e aos teus amigos) ao destino com a limousione inteirinha (coisas de gente pobre!), disse-te que não tinha nada para ti!
 
Não é de ficar louco?!? É! Claro que é!!
Só quem não sabe como é bom um Ferrero Rocher é que não percebe o teu acto. Até eu! Se me apetecesse um Ferrero e nada?!? Ui, começaria a ressacar! E pumba! Daria com a moca no Ambrósio!! Assim, tipo diva esfomeada! :)

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O "Schumacher" é o meu pai

Aconteceu com um dos mais famosos pilotos de Formula1. Poderia ter acontecido com outra pessoa qualquer que não teria o mesmo impacto. Mas teve o impacto que teve por causa dele. Do Schumacher.
 
Ainda me lembro do acidente que vitimou o Ayrton Senna como se fosse ontem. Lembro-me daquele 1.º de Maio de 1994 como se fosse ontem. E, apesar de ser uma miúda na altura, tocou-me imenso aquele desparecimento. A brutalidade do acidente.
 
O meu pai foi piloto de autocross. Foi, aliás, campeão nacional da modalidade. Percorri o país de lés-a-lés com ele. E com a família. E com o gato e periquito. A minha irmã, ainda bebé, também ía connosco. Nada era suficientemente forte para nos separar. Era uma excitação. Vê-lo correr. Ultrapassar. Ser ultrapassado. Fazer a curva. Chegar à reta da meta. Chegar ao pódio. Erguer a taça.
 
Foram anos de entusiasmo partilhado por todos. Foram anos de dedicação. Anos de paixão. Horas de trabalho. Ora põe, ora tira motor. Ora pinta o chassi de vermelho. Ora experimenta uns amortecedores novos. Afina travões. Acelera aí para ouvir o motor. E as luvas. E o capacete. E o fato. E os óculos. E a fita amovível que limpa a lama das lentes. E a baquet ergonómicamente pensada. E a fibra. E o óleo. E o atrelado. E as licenças. Os exames médicos. As inscrições. A papelada em dia. A gasolina. O spray. O atrelado. Onde dormir. Onde comer.
 
E o protótipo monotubular. Os carros que as mãos do meu pai moldavam. A forma, a graça, a ergonomia. Eram dele. Horas e dias e semanas e meses e anos de trabalho por uma paixão. Horas e dias e semanas e anos de ausência das nossas vidas. Como qualquer apaixonado. E a alegria no seu rosto. A cada pequena conquista.
 
Tira aí uma fotografia. Conseguiste filmar aquela curva. Olha agora, olha agora. Num tempo em que o digital não convivia connosco.
 
E o reconhecimento? E os louros? E uma notícia no jornal? E uma notícia no telejornal? E patrocínios? E... obrigado? E a doença maldita que talhou a foice o percurso deste herói? E quem é que ficou a saber disso?
 
O acidente do Ayrton Senna (a que assisti em directo na televisão) arrepiou-me até ao tutano. Já tinha visto o meu pai virar o carro ao contrário em plena prova. Já o tinha visto envolvido em acidentes. Um dia até o seu carro se incendiou.
 
O acidente do Schumacher... comum como outro qualquer. Mas é o Schumacher a vítima. Super-hiper-mega fantástico por conduzir um carro. E, por isso, o mediatismo. Mas quantos Schumacher's não conhecemos nós nesta vida. Quantos heróis não conhecemos nós nesta vida?
 
Apresento-vos o meu Schmacher que conduzia um carro de corridas. Mas que também os construía. Apresento-vos uma das suas obras. E, hoje, com as suas mãos, continua a moldar.
 
Para os netos.
 
 
 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A voz do Rui Pedro, o menino de Lousada

Diz-se que quando perdemos alguém, a primeira coisa que se dilui na nossa memória é a voz da pessoa que partiu. Quanto à minha experiência, é verdade. Lembro-me do rosto, dos maneirismos, de episódios das nossas vidas em comum, mas a voz... essa não me lembro...

Lembro-me do toque, dos abraços, da presença. Lembro-me do rosto. Alegre. Triste. De cada traço, cada expressão. Não preciso de fechar os olhos para me lembrar. Bailam na minha cabeça essas memórias. Convivemos diariamente.

Quando alguém parte, sabemos como era essa pessoa quando partiu. Sabemos que não volta. Sabemos que viverá para sempre dentro de nós. Com a esperança de um dia irmos ao seu encontro. Sabe-se lá onde. Mas essa ideia alivia-nos a ausência.

Sabemos o que se passou. E a angústia cede, dá lugar à saudade. A seu tempo. E não é cada vez mais fácil. É cada vez mais difícil... suportar essa ausência...

Mas saber o que se passou é pôr um ponto final. É o fechar de um livro. É saber que o narrador acabou ali a sua história. E, perpetuá-la, irá depender do legado que deixou. É um alívio. Saber o que se passou...

Faz hoje 27 anos que nasceu o Rui Pedro. O menino de Lousada que despareceu há 16 anos. Tinha 11 anos, o Rui Pedro. Quando desapareceu. 11 anos... Era uma criança. Não consigo imaginar o que terá sido para ele, desaparecer. Não consigo imaginar o que terá sido para os seus pais o seu desaparecimento. Só consigo contrapor à experiência do desaparecimento de alguém, que morreu. De quem sabemos o que se passou.

A voz do Rui Pedro. Será que, 16 anos depois, os seus pais ainda se lembram dela? Da voz do seu menino de 11 anos? Lembrar-se-ão, de certeza, do seu rosto. Da sua comida preferida. Das suas brincadeiras. De que tipo de aluno era na escola. Dos amigos de quem falava a toda a hora. Da t-shirt que não dispensava. Dos seus hábitos na hora de dormir. De como gostava da água do banho. 

Lembrar-se-ão, de certeza, dos seus olhos gigantes de menino ávido de viver. Do maneirismo do seu cabelo. Das mãos. Tenho a certeza que se lembram das suas mãos. E das festas que ele lhes fazia com elas. Das frases que dizia sem pensar. Fruto do seu puro amor para com os seus pais. Da respiração a dormir. Dos seus sonhos. Dos seus pesadelos.

Lembrar-se-ão do que fizeram no 1.º, no 2.º, no 3.º, até ao 9.º aniversário. Das festas da escola. Das máscaras de Carnaval. Das férias que passaram juntos. Dos Natais. Dos disparates próprios que uma criança de 11 anos faz.

A mãe, lembrar-se-à do seu parto. Do grito que deu quando irrompeu para um admirável mundo novo. E, juntamente com o pai, da última palavra que lhe ouviu. Da última respiração que lhe sentiu.

Mas falta aqui um ponto final. Ficaram as reticências de um narrador que tinha todos os ingredientes para escrever uma história fantástica. O livro não se fechou. A angústia aumenta, certamente, a cada dia. Porque o amor continua.

O Rui Pedro nasceu há 27 anos. E, com ele, nasceram uma mãe e um pai. Uma nova família. Novos sonhos. Novos objectivos de vida. E ficou famoso, o Rui Pedro. Pelos piores motivos. Porque deixou a sua história a meio. Porque a sua mãe não baixou os braços. Porque continua a dar a cara. Porque as reticências que a acompanham diariamente dão-lhe força para procurar um the end. Seja ele qual for. Mas a dor, essa, não tem fim. Passou tempo demais.


É este o vídeo que hoje circula nas redes sociais. Mais um apelo à partilha de informação sobre este caso. Mais um alerta. Mais uma vez, a voz embargada da mãe. A voz do Rui Pedro. Uma voz que eu já reconheço.


Ainda sobre o texto ao Dux

Quem leu o texto que publiquei ontem, e pelos comentários, mensagens e chamadas que recebi, não conseguiu separar as águas. Uma coisa é ter uma opinião sobre as praxes, sejam elas aos caloiros ou a "doutores" dentro de uma comissão, outra coisa é o que escrevi ontem.
 
Não ficou claro para ninguém qual é a minha opinião sobre as praxes. Não ficou para quem leu apenas e só o texto. Porque não era isso que pretendia.
 
Houve quem considerasse as minhas palavras rijas e ternurentas ao mesmo tempo. Compreendo. Pois é disso que se trata. Um texto rijo. Cru. Que enumera uma série de factos. Uma série de constatações sobre a memória que o Dux e todos os envolvidos terão para todo o sempre. Uma memória construída, involutariamente, a partir da tragédia de dia 15 de Dezembro. Ternurento? Sim! Também o consideraram um pouco poético. Pois nas entrelinhas das minhas palavras, há um grande sentimento de perda. Perda não só pelas vítimas, mas também pelos que ficaram. E pelo Dux. Que perdeu os seus colegas. Que perdeu anos de vida com isto. Que perdeu mais do que ganhou.
 
Constato que não será fácil viver com a perda de seis pessoas. Com a impotência sentida perante tantas incertezas. Tantas dúvidas. Tantos pontos de interrogação. Constato que o Dux, o jovem João de 23 anos, não ficará indiferente. Que no seu futuro de jovem adulto, no seu futuro de cidadão e de pai, todas as suas decisões, sobretudo as que vier a tomar em relação aos seus filhos, terão em conta, peso e media esta marcante experiência de vida.
 
Falo como cidadã, como ex-aluna universitária que também foi praxada e como mãe. Como mãe que não sabe o que é perder um filho e como mãe que não sabe o que é ter um filho perdido. Como cidadã que não fala de cor. Que tem noção de que "o que vai no convento, só sabe quem está lá dentro". De uma ex-aluna universitária que passou por uma praxe marcada pela positiva.
 
Ser a favor ou contra as praxes é um assunto lateral. Que não interessa nada neste contexto. O que interessa aqui é o que se gera. O que ficou. O que sobreviveu. E o que sobreviveu foi tão pouco e só uma experiência que, por mais tempo que passe na vida dos que ficaram, emergirá de quando em vez como um pesadelo.
 
Nunca pensei que chegasse tão longe, o que escrevi. Nunca pensei sentir na pele a verdadeira dimensão da internet. Nunca pensei que expôr, publicamente, um conjunto de ideias tão simples para mim, sem grande necessidade de explicações, tivesse tanta gente a concordar comigo. A identificar-se comigo. Nunca pensei ir à televisão falar sobre nada. Nunca pensei que este cantinho onde escrevo disparasse em número de visitas só com a palavra "Dux".
 
Fico feliz por perceber que o meu ponto de vista é partilhado. Que poderei defender o que penso sem construções. Com base na verdade. Na minha verdade. Porque defenderei o que sinto. O que sinto do ponto de vista da memória que será gerada por uma experiência marcante. Pois é isso que somos, memória, sentimentos, sentidos. Somos gente. Apenas e só.