terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Eu tenho o factor X

Garanto-vos que tenho! E não fiz casting nenhum! Não me sujeitei a provas por encomenda. Não precisei de ensaiar. Não fiquei em filas de espera. Nem me preocupei com o que o júri poderia pensar da minha performance.
 
Há coisas que nascem connosco. E o factor X é uma dessas coisas. De vez em quando vejo o programa. Gosto daqueles miúdos, os "Aurora". Gosto do nome. E das vozes. E dos putos. Acho que há espaço para eles no panorâma musical nacional. Desde que não se percam por vias menos lusitanas. E não! Não acho que tenham o factor X.

Oiço, dizia eu, o júri dizer a este a àquele "Tu tens o factor X", "A ti falta-te o faxtor X". Mas, afinal, onde é que está escrito o que é o Factor X? É claro que se compreende o que se pretende, mas o factor X, o verdadeiro factor X, quem o tem?

Faz-me lembrar aquela conversa dos questionários "Diga o nome do seu ídolo e não pode ser ninguém da sua família". Oi?!? Ídolo?!?

Bom! Ídolos, não tenho! Admiro algumas pessoas nas suas áreas de intervenção. Destacaram-se por terem descoberto o seu Factor X. Destacaram-se em determinada área, mas não são ídolos. Dessas pessoas cujo trabalho admiro, também sinto que tenho um pouco. Daí dizer: tenho o factor X!

Para começar:
- sou uma espécie de J. K. Rowling. Invento histórias para os mais novos e escrevo-as;
- também tenho algo de Jamie Oliver. Adoro cozinhar. E experimento. E conheço especiarias que substituem outros condimentos. E não me assusto ao ler as receitas;
- e de Dr. Phil? Ui, ui!! Já pensei em começar a cobrar;
- lembro-me de me sentir uma espécie de Dr. Oz com os doentes lá de casa. E com as mezinhas...;
- também tenho um gene da Catwoman. Subo aos armários, às bancadas da cozinha. Penduro cortinados. Empoleiro-me onde for preciso;
- de Ayrton Sena (Deus o tenha), por vezes, vêm os genes ao de cima. Não me provoquem;
- entretenimento é comigo. Qual Oprah Winfrey!;
- também sou solidária como a Angelina Jolie (e gira);
- e mãe. Como só eu sei ser.

Tenho o factor X. De XPTO. Atiro-me de cabeça aos meus compromissos. Ao que é esperado de mim. E dispenso castings, modelos, ideias formatadas, fórmulas, receitas. Ao viver a minha vida, trilho um caminho. E, esse, só eu o conheço! Só eu poderei resolvê-lo. Com o meu factor X!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A garrafa, pelas mão da Joan of July

Joan of July, um blog inspirador.
A sua autora, a lindíssima Catarina, uma blogger nata que aderiu à Garrafa sem saber ao que vinha. De olhos fechados. Um voto de confiança do tamanho do mundo. 

E um obrigado do tamanho do mundo, Catarina. 

Espreitem o que ela escreveu.

Coisas que não sabem sobre mim #3

Adoro fado.
Não percebia quando ouvia o silêncio dos ouvintes adultos. Não percebia quando imploravam ao meu avô para cantar um fadinho. E ele, jogando com o seu charme, primeiro recusava. Depois, arrancava com o "fado das duas filhas". Era assim que o intitulávamos.
 
Batia palmas. Porque via os adultos. Sentia-me feliz porque adorava ouvir o meu avô cantar. Mas não percebia. Não percebia o fado do fado. A importância que tinha para aquela família alentejana, saudosista. A minha família. Tenho estas memórias do tempo em que fado não me dizia nada. E tenho memórias do tempo em que o fado me diz muito.
 
Penso que a grande mudança aconteceu com a Dulce Pontes, no tempo em que o Festival da Canção ainda era um acontecimento. Foi no ano de 1991. Tinha 13 anos. E aquela "Lusitana Paixão" bateu-me cá dentro. Lusitana e paixão. Duas palavras que, para muitos, foi a afirmação de um orgulho adormecido. Para mim, uma descoberta.
 
Dizia-me o meu pai que aquilo era fado. Ele, um amante de fado. E se ele dizia, então era verdade. Para mim a Dulce trouxe-me um fado diferente daquele que eu conhecia. Não tão dramático. Mas com muito sentimento. Despertei para a alma lusitana. Para uma paixão que me impulsionou a descobrir mais. Mais letras, mais fadistas. E olhei para a Amália. Uma Amália que não me conquistou. Com uma voz toldada pela vida. Mas gostei das letras que cantava. Aprendi tudo o que consegui aprender. Pela mão da Dulce que com o CD "Caminhos" ensinou-me muitos fados cantados pelos maiores. "O infante" de Fernando Pessoa, "Fado português", de José Régio, "Gaivota", de Alexandre O'Neill, "Filho azul", de Ary dos Santos, "A ilha do meu fado", de João Mendonça. Fados com letras lindas, bem escritas. Uma referência para quem quer saber mais.
 
Aprendi as letras. Cantava-as e ficava cheia de mim quando o meu pai ou o meu avô cantavam um fadinho e eu sabia a letra. E sabia quem a tinha escrito.
 
Quis o destino que já em adulta tivesse que organizar uma exposição a propósito do 10º aniversário do falecimento da Amália Rodrigues. Por onde é que vou começar? Pensei. Por visitar a casa dela. E foi o melhor que fiz. Um destes dias escreverei sobre essa experiência. Mas digo-vos, quem não compreende Amália, porque dela tem a mesma memória que eu, dos seus últimos anos de artista, visite a sua casa-museu.
 
Adoro fado.
Aprendi-o. Apreendi-o. E passo-o aos meus filhos. Sem eles saberem.
Um destes dias vou mostrar-lhes este vídeo.

 

domingo, 19 de janeiro de 2014

Gosto mais às escuras!

Quando era miúda, também tive medo do escuro. Ir ao quarto, quando a família estava na sala, era dose. Acendia as luzes todas até lá chegar. Ao mesmo tempo ouvia:
- Apaga as luzes! (imaginem uma voz de mãe a gritar)
Ir à casa de banho era outro drama. E se, por acaso, acordasse de noite e tivesse de me levantar para levantar a luz (não tinha mesa de cabeceira), não o fazia. Chamava alguém.

Dormia no mesmo quarto que a minha irmã. A determinada altura passámos a ter beliches. Ela dormia em cima. Eu dormia em baixo. E numa bela noite a moçoila decidiu cair do primeiro andar. Durante o sono.

Nem me mexi. E ela também não. Continuou a dormir, estatelada no chão. Às escuras. E se não fosse ela que estivesse ali, mas sim um monstro que, em vez de escondido debaixo da cama, estivesse preso ao tecto do quarto há horas só para me assustar?

Mistério desfeito quando os nossos pais entraram no quarto e acenderam a luz. Está-se mesmo a ver. Eles preocupados com a queda e eu cheia de vontade de rir. Não se registou nada de grave. A minha irmã acordou com a luz. E voltou para a cama.

No entanto, apesar do medo do escuro, para mim dormir era com as janelas bem fechadas. As portadas cerradas. Uma nesga de luz que fosse que conseguisse invadir o meu quarto pela manhã, era a morte do artista. A minha, claro! Acordava rabugenta e irritada. E para os que estavam comigo não era fácil. Aturarem-me!

Depois ouvia histórias dos adultos que tinham andado de noite pela casa. Ora para ir à casa de banho, ora para irem comer qualquer coisa. Que confusão que aquilo me fazia. Às escuras? Ir à casa de banho às escuras? Comer às escuras?

Como em tudo na vida, isto é um ciclo. Hoje sou eu a adulta. Sou eu que ando pela casa às escuras. No máximo, para evitar pontapés nos móveis (ando sempre descalça) ou encontrar uma porta fechada, guio-me com a luz do telemóvel. Mas ando às escuras. E os estores também ficam bem fechados. E vejo televisão de luz apagada. E estou no PC sem luz de presença. Gosto! Gosto mesmo!

Agora é a vez dos meus filhos acenderem as luzes até chegarem ao quarto. Ou à casa de banho. Ou à cozinha. E sou eu a ver-me no lugar deles e a pensar que, um dia, aquilo passa-lhes.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Vem aí um bebé!

Fui mãe, pela primeira vez, aos 27 anos.
Pela segunda, aos 32. Não segui a regra dos 3-3-33. Não conhecem? 3 filhos, de 3 em 3 anos até aos 33 anos. Dizem que deve ser assim. Dizem que é esta a fórmula. Mas como nunca fui muito boa aluna a matemática, errei nos cálculos e nos resultados finais.

Não faz mal. Não fui mãe muito cedo, nem muito tarde. Fui no meu tempo certo.

Ter um filho, nos dias que correm, é uma verdadeira aventura. Abono? Só se não tivermos nada para comer. Do primeiro, recebi 11€ por mês até aos 2 anos de idade. Do segundo, zero. Esses 11€ foram fundamentais nas nossas vidas. Dava aí para meia dúzia de fraldas. Por semana. Não dava para leite, consultas médicas, soros, cremes, compressas, pomadas, xaropes, roupa, calçado. Mas qual é a criança que precisa disso? Que disparate, o meu.

Por isso, a minha decisão passou completamente à margem do que este país nos permite. Este país, castrador de sonhos e projectos familiares.

Ter um filho, é uma aventura. Ter dois filhos, é de gente louca. E ter três? Família numerosa, assim são consideradas as famílias com três filhos ou mais. Mas isso é só um rótulo. Vantagens? Mínimas. Na prática, no dia-a-dia, não se reflectem.

Se eu pudesse escolher sem pensar? Sim, teria o terceiro. Mas, talvez, fosse viver para um daqueles municípios que oferecem dinheiro aos casais que decidem ter filhos, de modo a contrariar a baixa taxa de natalidade. 

Na minha família vem aí mais um bebé. O terceiro do núcleo da minha prima. O primeiro, tem 18 anos. O seu segundo, tem 10. O seu terceiro, chega no Verão. Uma alegria. É sempre uma alegria. Uma angústia. Uma incerteza. Sempre. Mas uma vontade imensa de multiplicar esse amor que se sente pelos filhos. 

A minha prima ainda está em boa idade para isso. Começou cedo, é certo, a sua missão. Quanto à fórmula, começou bem. Acertou no primeiro 3. Três filhos. Não vieram de 3 em 3 anos. E ela também já passou os 33 anos. Mas vem em bom tempo. Vem no tempo dele. E admiro a coragem da minha prima e do seu marido. 

A conversa com ela é cautelosa. Os seus receios são maiores. Já passou por isto, é certo. Mas de cada vez, uma nova experiência. A cada filho, um novo primeiro amor. A cada novo ser humano dentro de nós, novas emoções e descobertas.

Invejo-a um bocadinho. Não tenho a sua coragem. Mas sei que vou fazer parte da vida deste novo bebé (que já considero um bocadinho meu). E isso faz-me feliz. Faz-nos felizes. Um bebé, é sempre um sinal de esperança. Nova vida. E este, um dia, quando ler o meu blog, vai perceber porque motivo é que a mãe decidiu tê-lo. Ao ler este post.

Que venhas com saúde, pequeno ser que está a crescer no ventre de sua mãe. Que, com amor, temos a certeza que virás.