segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Revista Pais&Filhos

Só para dizer, a quem não segue os Contos no facebook (que esses já estão informados), que este mês a revista Pais&Filhos superou-se! :)

E porquê? Perguntam vocês?
Porque publicou um texto meu. Deste blog que vocês lêem religiosamente. Que alegra as vossas vidas e sem o qual já não conseguem viver. Deste blog maravilhoso que tanto prazer me dá escrever. E sabem que mais? Foram vocês os primeiros a ler o texto publicado na revista. Ah pois é! Que os meus leitores eu trato com muito amor!!

Publiquei-o aqui no início de Dezembro. E agora anda por aí, fora desta esfera virtual, impresso numa folha de papel, a dormir em cima de mesas de cabeceira, dentro de malas e pastas. Em cima de mesas de consultórios, em estantes de bibliotecas públicas. Também pelo chão de algumas casas e em sítios que não me ocorrem agora.

Se não tiverem a revista, mas se a apanharem por aí, espreitem! É na página 6.

Como se não bastasse, por coincidência foi publicada uma foto do meu filho na página 52. A propósito de um casting que fez para a capa da revista. Não foi seleccionado. Mas vem em destaque (ou então são os meus olhos que só o vêem a ele). Com isto consegui uma coisa que já tinha dado como perdida. Contactei a revista a agradecer a publicação do texto e a falar da coincidência. Então não é que vão enviar-me as fotos todas do casting do miúdo mais giro do mundo? (do meu mundo, claro!)

Agora cá está a revista. Em nossa casa. Mas guardadinha para a posteridade! :)

Um pai diferente

Este vídeo é arrepiante...
Conta-nos a história de um pai diferente.
Vejam. Não irá ocupar muito do vosso tempo...
 
 
Nem todos os pais que falam, dizem o que precisamos ouvir.
Nem todos os pais que ouvem, ouvem aquilo que dizemos.
Nem todos os pais bonitos e charmosos, são bonitos por dentro.
 
Nem sempre os pais estão presentes.
Nem sempre os pais dão presentes.
 
E nós? Seremos os filhos com que eles sonharam?

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Dicas com amoras #1

Começamos Janeiro com o tempo próprio para a época. Os dias andam com uma lárgima no canto do olho e uma manta pelas pernas. Mas é fim de semana. E a motivação de fazer destes dias os melhores da primeira semana do ano, supera qualquer mau-humor climatérico.
 
Este ano recém-nascido é um desafio à nossa capacidade de desafiar o que de sombrio se adivinha. A crise! Essa, que continua a fazer parte dos nossos discursos diários. Das nossas agendas. Das nossas acções.
 
Mas o Dicas com amoras foi hoje baptizado com o objectivo de dar-vos pistas sobre o que anda a acontecer por aí. Para que a cultura não morra no nosso país.
 
Para famílias
A livraria Cabeçudos no Lumiar, começa o ano com um programa de contos a cada fim de semana. Espreitem aqui o que estes especialistas têm para oferecer, de acordo com a faixa etária dos vossos filhos. Por exemplo, no sábado, para crianças entre o 1º e o 3º ano de vida Quiquiriqui, uma história que conheço muito bem.
Rica no seu conteúdo. Rica na sua imagem. Bilhete familiar: 10€. Granto-vos que valerá a pena!

 
No Museu do Oriente podem assistir e participar em Nas asas de mil tsurus entre 05 e 19 de Janeiro, a partir das 11.00. Esta actividade baseada na arte do origami é um desafio à imaginação das crianças e à expressão plástica. Uma dica para as famílias cuja informação complementar está aqui.
 




Ir ao mercado é sempre um bom programa. Então se for um mercado revitalizado, com uma nova vida, cheio de novidades, mas com a mesma alma que o caracterizava, ainda melhor. É o que se passa com o Mercado da Vila de Cascais. Passem por lá! Desde chocolaterias, a lojas de produtos tradicionais há, agora, de tudo um pouco.
Tudo a cheirar a novo. Em cada montra, um convite ao pecado! ;)

A dois ou com amigos (ou com filhos mais velhos)
Está de regresso, o Cirque du Soleil. Começa a ser hábito a cada início de ano. E que belo hábito, o nosso país receber esta troupe de artistas fantásticos, extraordinários, sem igual. É um espectáculo que deixa água na boca. Para crianças muito pequenas, é um pouco exigente. O tempo do espectáculo e até o nível de concentração necessário. Mas para os mais velhinhos já vale a pena. Também é um bom programa romântico ou para fazer com amigos. Apressem-se! Há poucos bilhetes e eles só estarão por cá até dia 12 de Janeiro.
Tudo o que precisam saber aqui.

No Lx Factory o Funky Bar terá um final de tarde dedicado a Bollywood. O DJ Yash está responsável por animar as hostes sob o lema Spicy night. E pelas 17.00 haverá uma aula aberta pelo Professor Pedro Nascimento.
Giro, giro! Passem por lá.
 
São estas as primeiras dicas do ano!
Para a semana há mais!
Até lá, façam o que quiserem. O que vos der prazer. O que vos der na real gana.
Mas façam-no para que se sintam felizes.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Uma pergunta fácil de responder

Sobretudo desde que nasceu o mais novo, o que coincidiu com a entrada dela na escola primária, tentei reservar um espaço semanal apenas para nós duas. Sem o irmão. Sem o pai. Nós duas e mais ninguém. Por norma vamos lanchar num sítio giro. Ficamos a conversar durante algum tempo.

Actualizo-me sobre os encontros e desencontros próprios da sua idade. Conta-me coisas que escapam aos relatos diários. Por vezes, tece considerações sobre determinados episódios. Por vezes, surpreende-me. E é tão bom vê-la crescer. Com tempo para ela. Só para ela.

Na última vez que saímos sentou-se connosco à mesa uma daquelas perguntas porque não esperamos.
- Mãe, porque é que decidiste que eu devia nascer?
- Como? (pensei que não tinha ouvido bem)
E ela repetiu com as mesmas vírgulas, os mesmos espaços e a mesma entoação.

Não fiquei atrapalhada. Sem saber o que responder. Fiquei surpreendida com o grau de exigência que a formulação de uma pergunta destas requer. Com a inocência que lhe reconheci. Com o seu ar seguro, de gente grande.

Disse-lhe, apenas, que se soubesse que ao decidir ter um filho seria ela a nascer, teria tomado essa decisão há muito mais tempo. E ela percebeu. Vi nos seus olhos. No leve esgar dos seus lábios. No ajeitar-se na cadeira, endireitando as costas e cruzando a perna. Como gente grande.

Não lhe disse tudo o que vai cá dentro. Era impossível. 
Não lhe disse que decidi ser mãe porque tenho esperança num futuro melhor. Que ao ter decidido dar esse passo, consciencializei-me que um filho não pode ser a tentativa de um pai ou de uma mãe remediar o que não fez e devia ter feito. Não lhe disse que quero educá-la para ser a melhor. Para fazer o que quiser. Mas para ser a melhor no que vier a fazer.

Não lhe disse que espero que venha a ser uma cidadã activa, que faça a diferença. Que tenho a esperança num mundo melhor depositada na sua sensibilidade. Que tenho medo. E que ela faz parte dele. 

Não lhe disse que todos os dias luto por um equilíbrio entre o deve e o haver neste difícil tarefa que é a educação. Omiti-lhe as minhas fraquezas. As minhas inseguranças. A minha dificuldade em engravidar. Também não lhe disse que foi ela o meu primeiro amor. Que se a repreendo, é porque a amo. Que o seu nascimento fez de mim uma pessoa melhor. 

Não lhe disse que nada sabia sobre a maternidade. Que me ensinou mais do que alguma vez possa pensar. Que foi tão importante para mim a dádiva que me foi concedida, que decidi repetir. E, por isso, é que ela tem um irmão.

Nunca irá perceber que é a culpada pelo nascimento do seu irmão. Nunca. E eu não lhe disse isso.

Talvez um dia me diga:
- Mãe, já percebi porque é que decidiste que eu nascesse.

Mas dificilmente esta vida veloz, dura e cruel conceder-me-é o tempo necessário para esperar por isso.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Coisas que não sabem sobre mim #1

Todos os anos na passagem de ano repete-se a mesma história. Eu, com a mania dos contos baseados na vida real, repito-me. Estão a ver aqueles familiares mais velhos que nos contam sempre as mesmas histórias quando estão connosco? É o que me acontece por esta altura do ano.

O meu marido já não me pode ouvir, claro. A minha filha ainda consegue esquecer-se da história de ano para ano. O meu filho ainda não percebe nada do que eu digo. Por isso, por enquanto, ainda vou tendo audiência. :)

E porquê nesta altura do ano? Porque foi mais ou menos há 20 anos atrás, nesta altura do ano, que incitada pela minha família, sobretudo pelo meu pai, participei numa corrida de São Silvestre. É verdade. Tinha uns 15 ou 16 anos. E quando me lembro disso sinto uma mistura de coisas: orgulho, pena, saudade...

Foi na São Silvestre da Amadora. 10 km de corrida. Preparei-me a preceito. Corri que nem uma desalmada. De tal maneira que não fiz o descanso que devia no dia anterior. Claro, só podia acabar mal. Mas já lá vamos!

Tinha a indumentária e o calçado certo. No dia da prova lá fui toda contente levantar o meu número para pregá-lo na camisola. E quem é que estava ali, mesmo ao meu lado? Quem? Quem? A mítica Rosa Mota! Ah pois é! Eu já corri com a Rosa Mota! Pessoa cuja história os meus filhos desconhecem e, talvez, um dia venham a saber dos seus feitos.

Riu-se para mim, a Rosinha. Hoje penso que devia ser um sorriso de escárnio acompanhado de um pensamento do género: miúdas como tu como eu ao pequeno-almoço. Mas naquele momento foi muito importante para mim.

E o meu pai:
- Tens de aquecer! Como é que estão as tuas pernas? Tens sede? Primeiro fazes assim, depois quando chegares não sei onde, fazes assado. (O meu treinador)

Tudo a postos e ao tiro da partida lá arranquei cheia de convicção. E era tanta a convicção que já não sabia bem o que fazer com ela quando comecei a ver toda a gente a correr à minha frente e eu a ficar para trás.

Olha agora... então eu que me preparei tão bem... eu que treinei tanto não consigo apanhar esta gente?

Pensei que a seu tempo lá chegaria a ver-lhes os calcanhares. Haviam de ficar cansados. E fui. Correndo. Olhando para o público que me aplaudia e dizia "força miúda! força". E a minha família onde é que andava? Já corri tanto e ainda não vi ninguém?

Mas o público, senti eu, estava ali por mim!! Pelo menos, não se foram embora antes de eu chegar!!! :)

Ah, olha! Afinal a minha família está ali naquela subida, do lado direito! Podiam ter escolhido um local mais plano, onde eu fizesse uma melhor figura. Agora, uma subida?!?

Doíam-me as pernas.

Força, Cláudia! Vai! Netinha da avó! Corre! Então, filha?!? Dá-lhe!
Só perguntei: O pai? Estou cheia de sede?
Está mais à frente!

Lá fui. Cheia de sede e de dores nas pernas. Mas porque é que o meu pai não estava ali? Mais à frente? Concentrei-me na garrafa de água para continuar com força.
Ganhei coragem e olhei para trás. Afinal, ainda vinham muitos aventureiros atrás de mim. Não era eu o pau de vassoura.

Doíam-me as pernas. E nada do meu pai. Vi uns amigos e perguntei por ele. "Já passou por aqui! Olha que ele leva limão para ti!" Limão? Que raio!

As dores eram demais. Tantas que não aguentei. Fui à exaustão. E caí! E o público ajudou-me. E passado um bocado lá apareceu o meu pai com a água e o limão. Parece que este dá força. Não cheguei a experimentar.

Agarrou em mim e levou-me. Estava terminada ali a minha aventura. Fiz 5 km de corrida. Doíam-me as pernas. Não tinha descansado. Mas é com orgulho que penso nisso. Participei numa corrida emblemática do nosso Portugal. Com a Rosinha. Sinto pena de não ter continuado com esse projecto de vida. Talvez me tenha passado ao lado uma carreira de sucesso. E sinto saudade daquele tempo. O tempo em que era uma miúda levada ao colo pela família toda. O tempo em que a família toda ainda estava cá. Os meus avós, a minha tia Vicência. Os pilares destas vidas que hoje continuam. Mas cada uma para seu lado.

Naquele tempo a corrida de São Silvestre acontecia no dia 31 de Dezembro, perto da meia-noite. Fomos para casa da minha avó. Tomei um banho. Perdi algum tempo com o chuveiro nas pernas, a tentar recuperar para a noitada de passagem de ano. E foi um banho que me soube pela vida.

Tudo à minha espera. Tudo pronto. Tudo dentro dos carros. E acelerámos para a margem Sul onde nos aguardava uma festa de arromba para comemorar a chegada do novo ano.

Valeu a experiência, sem dúvida!
Valeu ter ficado com uma história para contar!
E valeu pela conclusão: a corrida de São Silvestre, não é coisa para meninos! :)