quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sweet dreams (are made of this)

Sempre gostei desta expressão: sweet dreams.
Não só pelo significado da mesma mas, sobretudo, pela musicalidade. E depois, claro, vem-me sempre à cabeça a canção dos Eurythmics. Não que seja alguma coisa extraordinária, mas a sua mensagem é forte e, no fundo, no fundo, tendo em conta que é de 1982, já pode ser considerada um clássico.
 
Mas eu sou assim. Há palavras de que gosto e outras de que não gosto. Não me baseio nos seus significados, mas na sua força, delicadeza e sonoridade.
 
Neste caso, a tradução literal não se encaixa muito bem na nossa cultura: sonhos doces... huummm, gosto mais de sweet dreams...
 
E esses são aqueles que nos fazem bem. Sonhar com o que nos deixa feliz, com projectos, com memórias, com situações inusitadas, com nuvens de algodão doce, com banhos de cascata, com brincadeiras em família ou, muito simplesmente, com robôs! Sim, com robôs!
 
Numa noite destas fartei-me de rir com o meu filho. A dormir, ria-se, gargalhava. Mas à séria! Gargalhava e falava. Fui até ao quarto a medo. Pensei, até, que estava na brincadeira com a irmã. Mas não! Estava a dormir e depois percebi. Dizia:
- Pareces um robô!
 
Sim eu sei! Àquela hora da noite nós fazemos as coisa de tal maneira que, provavelmente, parecemos um robô. Mas não. Não era para mim. Também não percebi para quem era. Era para alguém que parecia um robô. E isso, deu-lhe para rir... a dormir... :)
 
Já me aconteceu. É verdade. Já acordei a rir, já acordei a chorar, já acordei assustada, sobressaltada. Mas ouvi-los, aos meus doces filhos, a rir enquanto dormem, é um aconchego tal para o meu coração que até eu durmo mais descansada, mais feliz, mais doce.
 
Sweet dreams are made of this. Who am i to disagree?

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O melhor do meu dia


Ter esculpido, no verdadeiro sentido da palavra, um sorriso na cara de uma colega que estava verdadeiramente triste.

Há momentos assim... que nos devolvem a certeza de que temos algo de positivo para dar. Sem pensar, sequer, numa contrapartida desse gesto. Há momentos mágicos, como o que vivi hoje, que nos devolvem a esperança num futuro melhor. Não só para nós, mas para os que nos rodeiam.

Os problemas turvam-nos a alma, turvam-nos o pensamento. Os problemas vivem nas esquinas, à espera de esbarrarem contra nós. Os problemas... não é só a minha colega que os tem. Eu também. Vocês também. Mas hoje os meus ficaram minimizados.

Deu-me trabalho esculpir aquele sorriso. Mas ela, a minha colega, tenho a certeza que, por breves momentos, conseguiu relativizar o que a ensombrava e ensombra nestes dias que correm. Nestes dias soalheiros e frios. Dias de contrastes, como os seus sentimentos. Dias de espera, pela chuva própria da época. Mas a espera... neste caso, não é boa amiga.

Minha querida, que te sintas melhor esta noite.
Que te lembres da nossa conversa.
Que, amanhã, sorrias por ti.

E ir de pijama para o trabalho?

Lá foi o meu pequeno a preceito. Mais, levou robe e tudo. Parecia um boneco de neve, como ele próprio disse.
 
Não sabem do que falo? Falo de uma iniciativa de solidariedade que conta com o envolvimento da comunidade escolar, pais, educadores e auxiliares de educação e que, só no dia de hoje, contabilizou mais de 1000 mil crianças (até aos 6 anos de idade) vestidas de pijama nas escolas e que irão passar o seu dia assim, decorrendo as suas rotinas.
 
Espreitem o site e espantem-se com os números. Só no ano de 2012 cerca de 8557 crianças viviam separadas dos seus pais. Destas, 95% viviam em instituições e 5%  com famílias de acolhimento. O lema desta iniciativa é "Uma criança tem direito a crescer numa família". Também prevê angariar fundos, mas como eles próprios dizem esta é uma "novela" cuja história está aqui.
 
O que me espanta são os números portugueses em comparação com outros países da Europa. Sabiam que em Espanha 32% das crianças separadas dos pais vivem com famílias de acolhimento? Em França o número sobe para 62%? E em Inglaterra sobe ainda mais para 75%?
 
Em Portugal existe o projecto "Família Amiga" a que algumas instituições já aderiram e que visa proporcionar esse acolhimento. Atenção, não estamos a falar de adopção. Ando a pensar nisto...
 
Voltemos aos pijamas!
 
A verdade é que lá por casa o mais pequeno esperou por este dia como se fosse o dia do seu aniversário. Uma excitação daquelas. E ela, que já não tem idade para estas coisas, partilhou do mesmo entusiasmo. Nem o teste de matemática marcado para hoje fez com que se esquecesse.
 
Mas no fundo, no fundo, mesmo no fundo, quem eu vi com um brilhozinho diferente nos olhos foram os adultos da escola. Ah pois é! Todos, mas todos de pijama! E mais, além do pijama vi quem tivesse levado robe e pantufas! Tudo a preceito. Desconfio que hoje a hora da sesta vai ser mais generalizada... Todos os adultos vão querer adormecer as crianças... :)
 
Já pensaram como seria bom ir para o trabalho de pijama?
O conforto de estar à vontade, sem camisas desfraldadas, calças apertadas, vestidos a subirem, saias a atrapalharem um cruzar de pernas, lenços a condizer, gravatas desconfortáveis, ora aperta ora desaperta blazers, etc., etc.?
 
Já pensaram como em casa, de pijama, fazemos as coisas com mais gosto? Logo, também no trabalho, de pijama, cheira-me que a coisa haveria de correr melhor...
 
Mas atenção, nada de regar essa imaginação com imagens de pijamas provocantes. Assim, ninguém trabalharia...
 


Estou a falar de pijamas quentinhos, de acordo com o tempo, confortáveis, práticos e que não deixam, ao mesmo tempo, que fiquemos com um messy look. Tipo isto. Cool, não?


 
 
A escola dos vossos filhos ainda não aderiu? É muito fácil, não tem custos, a inscrição faz-se através do site e depois é só esperar pelo dia 20 de Novembro de cada ano.
 
Uma iniciativa com uma grande mensagem que envolve, sobretudo, as famílias. Lá em casa todos sabem porque existe, o que pretende, como participar, o que é preciso. E, quem não saiu para a rua de pijama, levou consigo uma invejazinha... :)
 
Chegámos ao estacionamento e era ver os vizinhos da frente com os gémeos de pijama, o casal de irmãos que também moram em frente igualmente e, no fim da rua, ainda vimos um menino que, além do pijama, do robe e das pantufas ainda levava os seus peluches.
 
Hoje o dia é assim, solidário.

 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Falta-lhes tudo! Tudo!

A propósito da reportagem que ontem deu na televisão sobre a ama que agredia as crianças (aquela brutamontes que aparece numa varanda a bater como se não houvesse amanhã num ser com um terço do seu tamanho - graças a Deus vai ser acusada) tive uma conversa com a minha cunhada que me deixou chocada! Mas chocada mesmo a sério! De boca aberta! Incrédula, sem palavras e sem compreender uma série de coisas!
 
Comecei eu por dizer que li um artigo (não me lembro onde) sobre as agressões físicas que os pais infligem nos seus filhos. Não que já por si esta situação não fosse gravíssima, mas mais grave ainda é que esse artigo dizia que cada vez mais essas agressões são mais refinadas... Ou seja, os pais têm vindo a aprimorar as suas técnicas de agressão de modo a não deixarem rasto. Acreditam nisto??
 
Como é que um pai ou uma mãe pode perder tempo da sua vida a pensar numa forma de agredir os seus filhos de modo a que não fiquem marcas? COMO?? Como é que um pai ou uma mãe podem ser coniventes ou cúmplices nestas agressões???
 
A minha cunhada é enfermeira pediátrica. Já se está mesmo a ver que lhe passam pelas mãos situações que não me passam a mim pela cabeça. E, comentando eu sobre o que tinha lido, perguntei-lhe se ela achava que há mais casos de agressão física aos filhos.
 
Na sua opinião, não! O que há é mais informação disponível sobre como detectar e denunciar estes casos, logo um maior conhecimento e um maior número de denúncias. Quer por parte das escolas, colégios, amigos da família, vizinhos e outras mais testemunhas que durante anos e anos não abriam a boca. 
 
Mas sim, ela confirmou que lhe aparecem crianças no hospital com lesões internas graves, fruto de maus tratos. Sem marcas. Com lesões que, à partida, não levam a crer que tenham sido infligidas por alguém. Mas que foram. E pelos pais. E alguns relatos que me fez... deixaram-me estarrecida...
 
Tenho algumas ideias sobre isto.
Sobre esta geração de adultos inseguros, revoltados e frustrados que confundem autoridade com autoritarismo, sabedoria da maturidade com verdade absoluta, liberdade de expressão de ideias das crianças com desrespeito pelos mais velhos.

Tenho a ideia de que lhes faltou um catalisador nos seus processos educativos capaz de lhes gerar segurança interna, confiança e respeitabilidade. Um catalisador que mais não é que uma palavra de ordem para gerar respeito mútuo entre pais e filhos. E esse catalisador é o amor. Faltou-lhes amor. Faltou-lhes educação. Faltou-lhes saberem o que é a amizade e que esta e o amor andam de mão dada.
 
Pior, transformaram essa falta de referências, essa inconsistência das suas vidas numa frustração pegada, num gap muito grande entre aquilo que dizem e aquilo que fazem. Pregando o respeito mútuo, mas sem saberem praticá-lo. Exigindo limites, mas sem conhecerem os seus próprios limites. Exigindo resultados, sem demonstrarem e sem conhecerem o seu próprio valor.
 
Faltou-lhes tanta coisa. Falta-lhes tanta coisa. Partem para a ignorância, através de uma combate desigual, injusto, desequilibrado. Partem para a ignorância a partir da ignorância em que se foram construindo as suas vidas. E não sabem lidar com isso. Não sabem lidar com eles próprios. Não conseguem aprender, reter o que de mais valioso cada experiência de vida lhes dá.
 
Não percebem que não são pais nem mães. Que não estão a investir em adultos bem formados, bem preparados, equilibrados. Que neles, nos filhos, têm a oportunidade de provar que são mais que um poço de frustrações, indecisões. Que são eles próprios uma referência para as crianças que vivem, sobrevivem diariamente a estes ensinamentos.
 
Não percebem que crianças criadas assim, estão sozinhas, não têm uma mãe. Apenas um corpo presente. Não têm um pai, apenas alguém que está ali.
 
Não consigo. Não consigo. Mesmo! Não consigo!!
(estou a escrever e sinto-me nervosa, revoltada com isto)
 
Falta-lhes tudo. Até amor próprio. Esse, confundem-no com narcizismo.
Falta-lhes o chão. Falta-lhes coração. Até, quem sabe, uma oração. Procurar encontrar uma fonte de fé, pois não crêem em nada, NADA! Nem num futuro melhor!!
E isso, é zero. É a falta de esperança. É uma criança sem confiança numa vida de bonança.
 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Palavra de mãe!

Foi assim... Apareceu ao pé de mim de rompante como se tivesse começado a III Guerra Mundial...
 
- Mããããe! (a chorar baba e ranho) O "pimo" diz que eu sou feio!
- Não és nada, amor! És lindo! (e desapareceu)
 
30 segundos depois...
 
- Mãããe! O "pimo" ainda disse "óta" vez que eu sou feio!
- És lindo, lindo! Não és nada feio!
 
5 segundo depois...
 
- Vês! A minha mãe disse "pimo"! Eu sou lindo!
- Ai não és não!
- Mas a minha mãe disse!
 
Decidi intervir...
 
Um pequeno episódio que me recorda aquilo que, em tempos, também eu senti! Cada palavra dita pelo meu pai era a mais pura das verdades. Se ele dizia que era assim era porque era assim. Se ele dizia que não era assim, então não era assim!
 
Certamente que também passaram por isto! E o que é giro é ver como as coisas se repetem. Tudo o que vivemos na nossa infância, as certezas, as incertezas, repetem-se na infância e no desenvolvimento dos nossos filhos. São inúmeras as situações que observo neles e em que me revejo. E esta é, sem dúvida nenhuma, uma das mais marcantes. Daqui a descobrirem que nem sempre o que os pais dizem é uma verdade absoluta, ainda vai algum tempinho... O pior será quando o descobrirem...
 
Aí irá acontecer como me aconteceu...
 
Já não serei mais a rainha dos seus universos, pois irão descobrir que também tenho falhas...
Já não serei mais a heroína que tem uma capa esvoaçante, pois descobrirão que também tenho os meus limites...
Já não serei mais o remédio para todos os males, pois também irão perecebr que nem sempre tenho a cura certa para mim...
 
Aí, a minha palavra será desvalorizada. A minha presença será menosprezada. A minha preocupação será gozada. Mas eu, como mãe, dou-vos a minha palavra: um dia irão regressar a mim, certos de que palavra de mãe vale mais que mil tesouros escondidos no fim do arco-íris...