quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O melhor do meu dia

Este é o selo que encontram do lado direito do blog. Se clicarem, vão ter à página de uma blogger, a Catarina Beato, autora do Dias de uma princesa que também já encontram em livro.

Este é um selo criado pela Catarina, jornalista, mãe solteira de dois rapazes, criativa e persistente, que um belo dia teve a ideia de criá-lo em função dos dias difíceis que vive (e que todos temos).

"O melhor do meu dia" é sugerido, por mim, como um exercício diário.

Consiste em, todos os dias, na hora de dormir, (podemos até já estar na cama) pararmos para pensarmos no ponto alto do nosso dia. Pode ser qualquer coisa. Não há receitas para isso! 
Ninguém nos poderá dizer o que é para nós um momento significativo. E mais, não se acanhem de dizê-lo em voz alta, mesmo que para o outro isso possa significar uma tristeza de vida se ficarmos contentes com o cão ou o gato a receberem-nos quando chegamos a casa. Ei! Esqueçam isso!

Só cada um de nós sabe o que nos vai na alma!!

Mesmo nos dias menos bons devemos fazer um esforço para pensarmos em algo que tenha corrido bem. Tudo o que nos faz bem, pode traduzir-se em qualquer, mas mesmo qualquer coisa.

Ontem tentei fazer este exercício e, devo dizer-vos, que um dos pontos altos do meu dia foi ter percebido que este blog, sim!, este blog que estão a ler, é seguido nos Estados Unidos. Aliás, é o segundo país de onde tenho mais visualizações e seguidores. Como? Não sei (nem interessa nada. Para já...). Mas foi um momento alto que fez com que a última coisa que fiz antes de dormir foi... sorrir...

Corremos o risco, é claro, de termos dias absolutamente espectaculares em que, dificilmente, conseguiremos eleger um único momento. Aí, tanto melhor! Passaremos o dia a sorrir. Mas gostei imenso da ideia e, sobretudo, gostei de pensar na possibilidade de transformá-la num exercício diário com a família!


"O melhor do meu dia" pode até ser o pior no dia de alguém, mas isso... não interessa para nada! (e se assim for garanto-vos: vão adormecer de sorriso rasgado. Vá, digam lá que não é assim?)

Obrigado Catarina, por esta ideia! 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Mamã dá licença?

Se há coisa espectacular que me deixa nas nuvens e com o ego do tamanho do mundo, é quando me dizem que os meus filhos são bem educados! (atenção, não confundir traquinice com má educação!)
É claro que respondo sempre: "Obrigado, mas é algo que dá muito trabalho e tal...!" (do género, vê lá se aprendes alguma coisa que isto das crianças serem bem educadas é tarefa dos pais).

Fico mesmo, MESMO, feliz da vida! Uma espécie de recompensa depois de executar correctamente o número para o qual me habilitei! O de mãe!

Quem tem filhos e ouve coisas destas, sabe bem a que me refiro! Mas ele há coisas que ainda me deixam meio atordoada, assim meia dormente, sem saber muito bem o que pensar...

Já não é a primeira vez que me dizem que é antiquado os meus filhos pedirem licença para saírem da mesa quando acabam de comer. Será mesmo? Não penso assim. Penso que é uma forma disciplinada de sair da mesa quando acabam uma refeição, sem se porem a correr feitos malucos em direcção às brincadeiras que deixaram a meio, largando os talheres de qualquer maneira, ainda a mastigar, com a boca suja e sem respeito por quem está, também, à mesa. Para mim tem várias vantagens: 

- não saem da mesa a meio da refeição
- esperam um pelo outro (só têm licença quando os dois acabam de comer)
- ganham disciplina (o que não lhes fica nada mal)

Antiquado? (Às vezes apetece-me corrigir: "Desculpa, mas não querias dizer adequado?") 
Parece-me, isso sim, que hoje em dia ter maneiras é que é qualquer coisa estranha, trabalhosa, diferenciadora... Dá trabalho? Ok, também quando estou com eles não devo estar a fazer mais nada. Por isso, invisto! É estranho? Ok, também eu! Cada família com as suas manias. Diferenciador? Ok, desde que seja pela positiva. (e eu acho que é!)

Agora, não acho muita piada. Eu também não comento quando vejo crianças que não pedem licença para sair da mesa. Não comento quando atiram comer para o chão. Não comento. Ponto final. (à frente dos pais, não comento mesmo!) E tento fazer um esforço para perceber porque motivo é que isso acontece!

Eh pá! Os meus filhos não são perfeitos (graças a Deus!), mas calma lá!!! Educação e respeitinho é muito bonito e eu gosto! Acho, até, que deviam dar alvíssaras a quem tiver!

Mas também há cenas engraçadas da parte deles. A mais velha quando dá conta de qualquer coisa que sabe que irá, à partida, deixar-me irada, diz ao mais novo:

- Não sabes a mãe que temos? (pareço um bicho do mato)

E depois vou a ver e pronto, nada de especial. Ele só enfiou um rolo de papel higiénico na sanita! (brincadeira)

É mais ou menos assim. Ela peca no exagero. Ele peca na falta. (mas ambos pedem licença para sair da mesa)

Mas numa coisa são iguais (o que me faz pensar que estou constantemente a brincar ao "Mamã dá licença?"): pedem autorização para tudo! Mas tudo!! (bom... tudo não... não pedem licença para fazerem disparates...)

- Mãe, posso ir à casa de banho!
- Mãe, posso ir beber água?
- Mãe, posso comer uma banana?
- Mãe, posso ir brincar?
- Mãe, posso..........??

É demais! 

Levei algum tempo a perceber o porquê disto? Cheguei mesmo a pensar que era muito exigente, ao ponto dos meninos não terem à vontade para satisfazerem as suas necessidade mais básicas! Até que... percebi... (ufa)

Eles estão habituados a pedirem autorização para tudo nas escolas. Ai deles que saiam das salas para qualquer coisa sem pedir autorização. Construí esta teoria! (e já constatei com as mães dos colegas deles)
Mas, confesso, andei preocupada com isto!

Agora encaro como um jogo.
- Mamã dá licença? Quantos passos?
- Três à tesoura em direcção à mãe com beijinhos a abraços.
- Ó mããããeee!!!!

Fim de emissão

Tenho andado com um problema (mais ou menos grave) e não encontro solução nenhuma. Não sei se acontece o mesmo convosco, mas começo a ficar realmente preocupada. E, pior, a culpa desse meu problema é o sofá lá de casa!!!
Passo a explicar:
Entendo que o meu dia-a-dia está dividido em quatro turnos. Quem me conhece sabe que digo isto há muito tempo. O primeiro turno começa pelas 7h30 e consiste no despertar, preparar pequenos-almoços, tratar das crianças (e de mim!), deixar tudo mais ou menos no sítio e fazer a distribuição pelas escolas.
Quando dou por mim a estacionar o carro perto do meu local de trabalho, é porque estou a começar o 2º turno. Esse prolonga-se até à hora de sair (incluo aqui o trabalho e a hora de almoço com os colegas). Pelas 17h30 começa a recolha das crianças (ou isso ou a mais velha fica na rua, à porta da escola, porque este país não é para velhos, nem para novos).
Começo aqui o 3º turno. Este prolonga-se até à hora das crianças irem para a cama. Abarca todas as rotinas, desde actividades extra-curriculares, ginasticar, apoio nos trabalhos de casa, banhos, jantares, preparação do dia seguinte, histórias e brincadeiras, até que começa a contagem decrescente:
- Faltam 10 minutos! (esta foi uma estratégia que encontrei para o pessoal protestar menos na hora de lavar os dentes)
O 4º turno tem início depois de encerrados os trabalhos (os domésticos!). Inclui conversa ao serão (com o marido), conversa ao telemóvel, conversa na net, pesquisas, leituras, escritas, por vezes uma ou outra visita de amigos (sim, mesmo durante a semana. Aquela casa às vezes parece um carrossel. Sai um, entra outro! mas eu ADORO!!), ver uma série (acompanho pouca coisa) e, voilá, o turno mais descansado acaba num instantinho. A seguir, cama!!
Ora bem, isso era antigamente! A seguir, cama?? Não! Não tenho conseguido ir para a cama. Tenho feito uma coisa que me deixa louca! Encosto-me no sofá... (começo por pensar que é só por um bocadinho)... depois vou buscar uma mantinha... (penso que é só por um bocadinho)... depois começo a piscar os olhos (penso que é só mais um bocadinho)... depois fecho os olhos sem dar por isso (e aí já não penso nada) e, pronto! Acabou-se!! Ele são 4, 5 da manhã quando vou para a cama? Mas isto cabe na cabeça de alguém?? Ou seja, arranjei um turno extra antes de ir para a cama! (o problema é que sabe bem...)
Tenho andado a pensar no assunto e todos os dias digo que vou para a cama na fase do piscar de olhos, mas não vou. Vou é ficando, ficando, fica..., fic..., f....
A culpa disto acontecer (além do sofá ser excelente e de não ficar com dores no corpo, senão não repetia a brincadeira) é da televisão que funciona durante 24 horas por dia (à excepção da TCM e de alguns canais de animação infantil).
Ora bem, quem dorme no sofá sabe que, durante o sono no sofá lá vamos abrindo um olhito e outro e a televisão está SEMPRE a dar qualquer coisa. No meu subconsciente se a televisão ainda está a transmitir é porque ainda são horas de estar a vê-la. Sim, por que eu sou do tempo em que a transmissão acabava e aí, sim, estava na hora de ir para a cama.
Lembram-se disto?

Era assim, mais ou menos a partir da meia-noite. A mira técnica da RTP a preto e branco.
(lá em casa ainda tivemos televisão a preto e branco por alguns aninhos. A determinada altura comprou-se um filtro/protecção que se colocava à frente da televisão para "dar cor"...)


Antes de aparecer a mira técnica, a imagem ficava escura e dizia: "Fim de emissão"!


Na década de 80 começaram as transmissões a cores com maior regularidade.
Mas a emissão terminava pela meia-noite. Sempre com um simpático "Boa-noite!" da locutora e a mira técnica, agora a cores, acompanhada de música clássica.

Eu lembro-me disto! E, se, na altura era uma chatice aparecer a mira (significava que não havia mais nada para fazer...) agora chego à conclusão que me dava jeito ter qualquer coisa que anunciasse o fim da transmissão! À medida que ía abrindo um olhito e outro lá havia de calhar ver que:

1º estava na hora de ir para a cama
2º estava na hora de TODOS irem para a cama
3º evitava um turno extra
4º poupava o sofá
5º poupava na electricidade
6º não interrompia o sono
7º evitava a chatice de estar a chamar o meu marido e ele "estou a ver se dá alguma coisa noutro canal.."

Evitava muita coisa!

Afinal, a culpa do meu problema, que se tem vindo a transformar num turno extra, é da falta do "Fim de emissão".
Acho que vou escrever para o provedor do telespectador a propor isto!!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Este país não é para velhos!

Escrevi aqui sobre este livro. Já passaram uns anos. Na altura muitas pessoas nem sabiam que era o título de um livro (da autoria de Cormac McCarthy), mas antes de um filme. O mesmo tinha sido adaptado pela indústria cinematográfica e tinha conquistado o óscar de melhor filme (2008). Isso... toda a gente sabia...

Mas a força do seu título faz com que dificilmente nos esqueçamos do mesmo, sendo comum ouvi-lo aquando de alguma injustiça.

Nos dias que correm cada vez mais repito-o em silêncio, como se de um eco se tratasse. Vivemos num país assim, que não é para velhos. Mas, para mim, se isto já por si é assustador, fico ainda mais assustada quando me apercebo que a definição de "velho" sofre alterações de dia para dia.

No dicionário encontramos a seguinte: qualidade do que existe há muito tempo ou tem mais idade. Mas, esperem lá, o que existe há muito tempo, não é o que tem mais valor? O que tem mais idade, não é mais conhecedor? E em que idade é que começamos a "ter mais idade"? Estou a ficar baralhada...

Estou na casa dos 30 (a caminhar para os 40...). Penso que ainda sou jovem. Mas quando faço uma breve pesquisa online pelo mercado de trabalho (escasso) sinto-me uma v-e-l-h-a!! Idade máxima para concorrer: 30 anos! Requisito: experiência na área! ("muita", acrescentam no contacto posterior). Isto é indecente!

É indecente viver num país assim! Somos jovens (ou não, depende do ponto de vista) e caminhamos... para velhos, claro está! E os que hoje são velhos, claro está, já foram jovens! Trabalharam uma vida inteira a pensar na sua velhice. A pensar numa forma de viver sem sofrer, de transmitir ensinamentos aos mais novos, de não serem um fardo para ninguém. Resultado? São velhos e ponto final. Não valem nada!

Vivemos num país, assim. Em que, ser velho, é sinónimo de esquecimento. Em que ter experiência de vida, é perigoso! Em que a vontade de viver cedo começa a desvanecer!

Não serão estes os velhos que sustentaram o nosso Estado durante anos a fio? Não serão estes os velhos que ajudam os novos a sobreviver? Não serão estes os velhos que, sem querer, são fundamentais para esta geração permanecer?

Quantos velhos, com as suas parcas reformas, sustentam filhos e netos que se viram sem pão pelo estado da nação? Quantos velhos contam feijões por se verem sem tostões? Quantos velhos, trapos esfarrapados, sem valor na sociedade, nos ensinam que a juventude não tem idade?
Imagem de Pedro Cruz
Este país não é para velhos! Pois não! Nem para jovens, nem para intermédios... é para homens sérios... que nos desgraçam a vida, o coração, e até a razão! É para homens sérios... sentados em ministérios, verdadeiros mistérios do coração!

As mãos que me sustentam

Quando se fala em embalar (de "embalo" e não de "embalagem"), rapidamente construímos a imagem de uma mãe com o seu bebé ao colo na hora de dormir. E para pessoas mais criativas (ou mais românticas), esta imagem ainda vem acompanhada de uma janela de fundo a completar o cenário da mãe sentada numa cadeira de baloiço.
 
Quando se fala em embalar, associamos a ideia à hora de dormir, a um acto a que se recorre para acalmar um bebé a chorar e, sempre, sempre, de cima para baixo, ou seja, dos pais para os filhos como se os pais não precisassem, também eles, de embalo...
 
E quando o assunto é este, muda a expressão no rosto das pessoas, o tom de voz e, até, a postura com que estão no momento. O embalo é algo que nos leva ao nosso passado, aos tempos de criança (que os de bebé não nos lembramos) e temos saudades disso. Aos que são pais, também a conversa pode levá-los aos momentos de embalo que passam com os seus filhos.
 
E será que deve resumir-se a isso, o embalo? Será que é só isso mesmo? Será que à medida que crescemos já não somos embalados por ninguém? Será que as mãos que nos sustentaram no sono, na birra, na irritação, no crescimento, desapareceram por completo? E será que serve apenas para isso, o embalo?
 
Fomos embalados até chegarmos à idade adulta. Tenho a certeza! Mas também tenho a certeza que somos embalados diariamente, porque o embalo é mais do que o colinho na hora de dormir. O embalo é o abraço na alegria e na tristeza. É a mão que nos ajuda a levantar. É o sorriso que nos conforta. É a mensagem de e-mail que nos desperta. É a chamada telefónica na hora H. É tudo o que nos faz bem! É tudo o que quisermos!
 
É a partilha, a amizade de alguém, as conquistas que nos acalentam (as dos filhos, as dos conjugues, as dos irmãos, as dos pais ou as dos amigos). É o amor que cresce, diariamente, quando estamos apaixonados. É o amor que nos incendeia quando estamos enamorados.
 
O embalo, são as mãos que nos sutentam. E as minhas, mal elas sabem, são estas que ao receber o meu embalo, embalam-me a alma! E, por isso, continuo a crescer... sem aquele colo, é certo, mas com o colinho que dou, com o colinho que sou, com o colinho que se gerou em cada gesto meu.
 
Adoro o colinho dela!
Adoro, mesmo, este colinho!
A idade (dela) já não me perdoa os excessos de colo que quero dar-lhe (ou receber!) e, por isso, tenho que manter a distância... Mas ela não imagina como me carrega ao colo com as suas conquistas, com o seu sorriso, com o seu desenvolvimento, sentido de justiça, sensibilidade, bondade e astúcia. É astuta, uma verdadeira senhorinha!
Uma mão que me sustenta...


Adoro o colinho dele!


E este embalo? Ele não faz ideia, sequer, do que me dá com o seu embalo. Não faz ideia de como me aviva a memória da primeira experiência. (Daquela que já quer pouco embalo...) Não faz ideia de como a sua traquinice veio dar vida às nossas vidas. Não sabe como o seu sorriso nos desarma e nos derrete a alma e nos enche de alegria. Não faz ideia de como me sustenta, diariamente e de como também ele, o petiz, faz a irmã feliz...
Esta, é outra mão que me sustenta...

Pensemos em como temos embalo. Imaginemo-nos ao colo das nossas mães, no lusco-fusco, numa cadeira de baloiço, com uma janela de fundo iluminada pelo luar. Pensemos nisso como uma recordação construída por alguém, mesmo que vivida, será sempre construída (não temos essa memória) e acreditemos que também connosco foi assim. Mas tenhamos consciência de que esse embalo transformou-se, não desapareceu! Transformou-se no modo de dar e receber. Figurativamente ele está presente!

Cabe-nos a nós dar por isso!