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quinta-feira, 26 de março de 2015

Reunião + orador = Bafo de bode

Lembram-se deste nome de um personagem de uma telenovela brasileira? Era miúda quando isso passou na RTP1, claro! Que naquele tempo só tínhamos dois canais. E então Senhor Bafo de Bode ficou para sempre na minha memória e na dos meus colegas do 7.º/8.º ano (não me lembro bem), a propósito de um professor de francês que tivemos.
 
E porquê Bafo de Bode? Além da espactacular capacidade dos brasileiros darem nomes divertidos aos seus personagens novelísticos, ainda têm a capacidade desses mesmos nomes traduzirem e carcaterizarem cada uma delas. Neste caso, tratava-se de um mendigo constantemente bêbado. Que ninguém aturava. Sobretudo porque tudo o que dizia era muito assertivo. Um homem que vivia na rua e que tudo observava sempre com a frase certa sobre cada habitante da vila. Mesmo que fosse uma frase incómoda...
 
No caso do meu professor de francês apenas se aplicava a parte do bafo. De vinho. Era certo e sabido que nas aulas que tivessem lugar depois de almoço seriamos brindados por um odor vinícola ingerido por um professor frustado que pregava por uma língua morta que ninguém queria/quer aprender.

A somar ao bafo, o bigode. Farfalhudo. Enorme. Que lhe tapava a boca. Que servia de rede às migalhas de pão e outras que não conseguia identificar.

Não me lembro do nome do meu professor. Lembro-me, apenas e só, do bafo. E num destes dias, numa reunião, as memórias que tinha tão guardadas desses tempos de pura parvoíce, que nos caracterizam quando andamos no 7.º ou 8.º ano, vieram ao de cima. Porque um dos senhores presentes na reunião, que ainda por cima foi à noite, cheirava a Bafo de bode!!!

Cheirava a professor de francês. Taaal-eee-quaaal!!

Tive alguma dificuldade em concentrar-me. Em ouvir com atenção o que o senhor me dizia, sobretudo porque estava mesmo ao meu lado. E fazia questão de se virar para mim a falar. Tive dificuldade em afastar dos pensamentos os meus colegas que deram o nome ao professor de francês. As brincadeiras nas salas de aula. As tropelias.

Tive dificuldade. E quase que perguntei ao tal senhor da reunião se tinha visto a telenovela do Bafo de Bode. Mas contive-me. Portei-me bem. E serviu para isto. Para lembrar-me de um professor de francês que nunca mais vi na vida. E que ficou na minha memória pelos piores motivos. :)

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Reunite

No curso que estou a tirar aprendi que existe uma figura de estilo pela qual os portugueses são conhecidos por essa Europa fora, ou seja, portuguese meeting style. E o que é isso mais concretamente? Nada mais, nada menos que a conhecida e famosa "reunite". Um mal de que padecem muitos portugueses. A reunião sobre tudo e sobre nada. E, mais concretamente, as reuniões que se fazem dentro das reuniões.
 
Somos conhecidos por reunir demais e por fazermos pequenas reuniões dentro das reuniões. Falamos sobre tudo. Discutimos tudo. E só depois é que discutimos o que realmente nos levou àquela reunião.
 
É certo e sabido que somos um povo que gosta de conversar. Socializar. Descontrair. Discutir assuntos sérios à mesa. Pelos vistos, os nossos parceiros europeus criticam-nos esses modos, mas a verdade é que gostam de vir a Portugal e serem recebidos "à portuguesa". Gostam de comer e beber e discutir assuntos sérios nos nossos restaurantes. Mas... adiante...
 
Com o objetivo de diminuir o tempo das reuniões e torná-las mais concisas e conclusivas redigiu-se uma carta de intenções sobre o que deve ser uma reunião. Quem a redigiu? Os chineses. Perdão! Os golden chineses. Pois também queriam figurar o seu método de trabalho. (Coisa que ainda não conseguiram) Para eles reunir é:
 
- juntar as pessoas envolvidas no assunto a discutir... EM PÉ!
- marcar uma hora de início atípica e uma hora para acabar. Tipo das 14.12 às 14.27
- distribuir uma ordem de trabalhos concisa
 
Passado o tem previsto é tudo posto a marchar.
 
Hoje tive uma reunião de trabalho no gabinete da boss. Assunto sério e que serviria de preparação para uma próxima reunião com agentes externos. Era preciso afinar agulhas. Por isso pensei que iria ser concisa. Pus-me a observar e, espantem-se, lá vieram as reuniões dentro da reunião e MAIS, depois de tudo acertado lá vieram mais reuniões dentro da reunião.
 
É, de facto, uma perda de tempo. Mas nós somos assim. Encalorados. Gostamos de falar do que nos move, do que nos apaixona e das experiências que tivemos. Gostamos de partilhas emoções e somos, antes de mais, grandes contadores de histórias. Gostamos de confraternizar com os colegas e de ouvir o que têm para contar. Mas também gostamos de trabalhar. Somos inventivos. Criativos. Divertidos. Recebemos bem e não olhamos a quem. Por isso, excelentíssimos senhores que nos criticam, lembrem-se que em Portugal são bem recebidos. E que o calor que levam daqui não tem preço nem encontram em mais lado nenhum.