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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro

O título relembra-me uma frase que ouvi, vezes sem conta, enquanto crescia. E nesse processo de crescimento, em que o nosso entendimento do mundo é tão limitado e em que acreditamos em tudo o que nos dizem, pensei muitas vezes desta forma. Não saberia se iria ser mãe. Plantar uma árvore, como? Nem sequer tenho jardim! E escrever um livro? Só pessoas muito, mas muito inteligentes é que escrevem livros.
 
Mas eu que fui sempre uma menina curiosa e com o defeito danado de questionar as coisas até que as mesmas fizessem sentido na minha cabeça, perguntava-me, em surdina, Então e depois? Quem conseguir fazer estas três coisas... depois já pode morrer? E quem não conseguir fazê-las? Não fez nada de jeito na sua vida? E quem só fizer uma ou duas? Bom, nesse caso... pelo menos tentou. Será?
 
Coisas que nos passam pela cabeça na idade dos porquês. Na idade em que tudo quer uma resposta. Em que encontramos respostas mirabolantes para as questões que nos inquietam o espírito. Pois foi, exactamente, nessa idade que plantei a minha primeira árvore. Que sorri, por dentro, ao pensar Se morrer agora já plantei uma árvore. Que comecei a deixar marcas no meu percurso.
 
É claro que hoje oiço e penso esta frase da sabedoria popular de forma completamente diferente. Plantar uma árvore, contribuir para uma longa vida da Humanidade. Ter um filho, a maior dádiva de todas, a maior forma de partilha, a maior perpetuação, a maior descoberta. Escrever um livro, deixar um legado, uma memória futura da nossa passagem por cá.
 
E é nessa fase que estou. Escrever um livro, já o escrevi há algum tempo. Mais que um, até! Mas só se efectiva essa realidade quando ganha cor e forma. Quando se torna palpável. E é isso que estou a fazer. A tornar palpável um testemunho leal do meu ser. Da minha forma de viver. Do que quero que os meus filhos guardem de mim.
 
Não entendo que, depois, já possa morrer. Ou que a minha missão de vida termina aqui. Entendo, isso sim, que mais difícil que estas três coisas será evitar que a minha árvore seja derrubada. Fazer com que os meus filhos se tornem bons cidadãos. Esperar que o meu livro seja lido.
 
Não é aqui o fim da linha. É, apenas, um impulso no caminho.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

:)


Que me preenche. Que faço com muito prazer. Que me liberta. Que me realiza.
Que vai ganhar forma de livro. Que partilharei com todos os que gostam de me ler.

Querem saber o que ando a fazer?

Falei-vos aqui da importância de acreditarmos em nós. De não nos habituarmos ao que não nos faz feliz. De não nos deixarmos levar pela célebre frase de Carlos Drummond de Andrade "A vida cansa" e, por estarmos cansados, desistirmos. Pois só nos cansamos do que não nos deixa viver a vida  com prazer. E estar cansado não é um prazer.

Falei-vos, em vários momentos, que estou em contagem decrescente para um projecto pessoal em que tenho trabalhado nos últimos meses. Porque estava cansada de esperar. Porque a partir de determinado momento esse, o projecto, queria saltar da gaveta e ganhar vida. Só por isso. Só por mim.

Não há nada na vida que me preencha mais do que ver o meu entusiamo por qualquer coisa plasmado na cara dos que me rodeiam. Dos meus amigos e familiares. Dos que me acompanham nas minhas aventuras. Não há nada que mais me deixe feliz, que ver os meus filhos vibrarem com o que eu faço. Com os meus textos. Com um bolo cozinhado por mim. Com uma surpresa ao final do dia. Porque eu sou assim. Alimento-me dos outros. Do bem estar dos outros.

E, por isso, revelo o que aí vem. Um livro. É isso! Um livro.

Vou publicar um livro infantil intitulado "Onde está a avó?". Um livro a pensar num dos temas mais dolorosos para quem tem filhos. Explicar o desaparecimento de alguém a uma criança. Quando, no fundo, é simples entender que a morte faz parte da vida. Por mais que uma pessoa não queria aceitar.

Vou realizar um projecto que me preenche. Que é, sem dúvida, dar forma ao que mais prazer me dá. Dar corpo. E vida. À alma que há em mim. Com cabeça, tronco e membros. Algo palpável. Com o meu nome. Um legado que deixarei aos meus filhos. Para poderem responder aos meus netos quando, um dia, perguntarem Onde está a avó?, o seguinte Ela deixou-vos uma carta escrita a dizer-vos onde está.
 
E, com isto, até me arrepio.

domingo, 31 de agosto de 2014

Não se habitue ao que não o faz feliz...

Tenho deixado algumas dicas (muito vagas) sobre um novo projecto pessoal. Que este recomeço, marcado pelo início do mês de Setembro, trará novidades. Que estou com um nervoso miudinho dentro de mim.
 
É verdade! São boas, as novidades. Aquecem-me o coração.
 
Até ao dia D, faltam 35 dias. Começo hoje a contagem decrescente. Será um dia para mais tarde recordar. Será no dia 05 de Outubro. E será, sobretudo, a afirmação absoluta de que vale a pena sonhar.
 
Fernando Pessoa deixou escrito "Não se habitue ao que não o faz  feliz". Ele que se aborrecia de si próprio e dos outros de si que viviam consigo. Ele, esse homem, poeta maior, que tanta visão tinha sobre a vida.
 
Quem não se questionou já sobre a rotina das suas vidas? Quem não quer dar o grito do Ipiranga e dizer ao mundo que não está bem assim. Que lhe falta ainda entender o porquê de cá andar. Neste mundo que tem tanto de bom como de cruel. E, por vezes, por mais que procuremos e soframos com a busca de uma luz ao fundo do túnel que nos ilumine o caminho, esse caminho em que acreditamos, piamente, ser radioso e estar reservado para nós, não encontramos a resposta. Quando ela, afinal, pode ser tão simples.
 
Deixamo-nos toldar pela preocupação do que nos corre mal. Pela preocupação do que poderá vir a correr mal. Pela angústia de um emprego que não nos preenche. De um resultado menos bom e inesperado. Pela doença de alguém. Pelo desamor que nos habita.
 
Deixamo-nos vencer pelo cansaço. Porque viver cansa. E desistimos de contrariar Fernando Pessoa. Habituando-nos ao que não nos deixa felizes...
 
Faltam 35 dias para o culminar de um projecto pessoal que me tem dado tanto trabalho como prazer. Que me tem chegado às entranhas como o melhor dos elixires. Da criatividade. Da realização pessoal. E, sobre ele, começo hoje a falar, em contagem decrescente. Certa de que poderá ser uma inspiração para por quem aqui passar. Habituado ao que não o faz feliz. Porque se cansou. E deixou de acreditar.
 
Não descobri nenhuma fórmula mágica. Apenas acreditei em mim. E contei com o inesgotável apoio da minha família. Esse núcleo que me sustém e que se Fernando Pessoa fosse vivo iria gostar de conhecer. E poderia escrever qualquer coisa como: Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. No dia 05 de Outubro. Às 17h00