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sexta-feira, 27 de junho de 2014

É isto...

Se, durante a semana que vem, passarem por aqui e estranharem a minha ausência, lembrem-se:
 
- É isto! (o que ela está a fazer) :) :)
 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Já nasceu!

Lembram-se de ter-vos falado aqui sobre o bebé que aí vinha? Pois bem. Já nasceu! E faz hoje uma semana de vida. Assustou-nos, o magano. Assustou-nos durante o tempo de gestação. A minha prima esteve internada durante um mês. Primeiro, com contacções. Depois, tudo e mais alguma coisa. E eu, que julgava saber tudo sobre este assunto, descobri que não sabia nada...
 
Nunca estive internada nas minhas gravidezes. Nunca passei pelo que ela passou. Já tinha ouvido aqui e ali. Mas nada parecido com o que aprendi agora.
 
Injecções para maturação dos pulmões? Pois, nunca tinha ouvido falar. Uma espécie de preparação do bebé, caso nascesse antes do tempo. Líquido amniótico a mais? Líquido amniótico a menos? Análises a vírus estranhos cujo nome assustam qualquer um. E ela que, ainda por cima, deitada que estava, apenas com autorização para mexer os olhinhos, ainda perdeu 5 kg de peso.
 
Fui visitá-la ao hospital. E numa dessas visitas armei-me de máquina fotográfica, maquilhagem, camisa de seda rosa bebé, fitas de cetim de várias cores e óleo para o cabelo. E não lhe disse nada. Surpreendendo-a numa sessão fotográfica de pré-mamã. Ali, na cama do hospital. E ela adorou. E eu também.
 
Já nasceu!
Nasceu no dia 16. Quando menos esperávamos. Não dava sinais disso. Julgámos que, depois de tanta injecção para travar o parto, agora seria altura de esperar pelos últimos dias. Mas ele é que decidiu. O rapaz. Que até ao fim não tinha nome. Que, até ao fim, deixou bem claro que era ele a comandar as tropas. Quando haveria de chegar a este admirável mundo novo! E que os sustos que pregou à mãe, ao pai, às irmãs e a todos os que o aguardavam, são apenas meros flashes daquilo que reservou para todos. É rabino! Muito rabino!
 
3.200 kg de gente. 47 cm de comprimento. Louro. Nem se lhe vêem as sobrancelhas. Abre os olhos de quando em vez. Grandes. Perfeitinho. Limpinho. Mamão! E de nome David Alexandre.
 
Peguei-lhe ao colo como se pegasse num bebé pela primeira vez. Encostei-o no meu peito para que me conheça o cheiro. E a voz. E o toque. E, sem querer, dei por mim a pensar em como já me tinha esquecido daquela sensação. A de ter um recém-nascido em cima de nós. É incrível como essas memórias se escondem nos recantos da nossa história de vida. É incrível como ao acompanharmos diariamento os nossos filhos vamos vivendo cada nova fase como a mais supreendente até ao momento. É incrível como o nosso instinto de mãe está sempre lá.
 
Estou tão feliz! Há muito tempo que não tínhamos um bebé na família. Há 4 anos. A idade do meu filho. Fui a última a contribuir para a taxa de natalidade. A última da nossa família, claro! E agora, a renovação da esperança. A renovação da vida. O reacender de sentimentos adormecidos. O alicerçar de sentimentos com que vivemos diariamente e dos quais nem sempre nos lembramos. Ou valorizamos. Isto porque a mãe é minha prima. Mas se fossemos irmãs, talvez não nos dessemos tão bem. Não há dia que não falemos uma com a outra. Sou madrinha de uma das suas filhas. E ela é madrinha de um dos meus filhos. E na passada segunda-feira, dia 16, dei por mim a dizer a alguém:
- Acabei de ser tia!
 
Não! Não fui tia. Mas é assim que me sinto. E tu, meu querido David, se um dia leres este texto saberás que foste e és desejado por todos nós. Se um dia leres este texto, perceberás porque te enchemos de beijos como se nos alimentássemos de ti. No fundo, é isso. Alimentamo-nos de ti e de todas as crianças que nos rodeiam. Vocês são o nosso motor. A nossa fonte de vida.
 
 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

A mãe da semana #9

É actriz, a mãe desta semana. E o seu rosto não engana. Expressivo. De traços fortes. Marcados. E sorriso doce. Chama-se Erica Amaro, tem 33 anos de idade, é de Carcavelos e tem um filho. Um menino. Um tesouro na vida de qualquer mulher. E ser mãe a tempo inteiro acabou por ser uma opção.
 
Estava a trabalhar numa companhia de teatro quando  pensou em engravidar. Mas as tournées que levam de terra em terra o que de melhor fazem os nossos actores, têm um lado muito exigente de que poucas pessoas têm noção. Ser actor ou actriz em Portugal, é trabalhar para garantir que o material é transportado. Não basta estudar as falas. Interpretar. É preciso ser um pouco mais, como... carregador. E, grávida, a Erica não podia fazê-lo. E, por isso, deixou a companhia para ser mãe. E, depois, não voltou. Pois o seu lugar foi ocupado por outra pessoa.
 
Era preciso procurar alternativas, por isso ofereceu serviços de babysitting. E correu tão bem que ainda hoje o faz. Por isso criou uma página no facebook. Espreitem aqui! Trabalha, sobretudo, às sextas, sábados e domingos, além de dar aulas de Teatro Musical na Casa do Artista. E, em Setembro, irá começar a dar aulas de ballet. Espreitem aqui! Mas estas são actividades que não lhe ocupam o horário de expediente. Esse passa-o com o filho. E se tivesse, agora, oportunidade de ter um emprego a tempo inteiro, iria recusá-lo. Até aos três anos de idade o seu tempo será para o menino.
 
Os dias são passados em família. Em passeios pela praia (quando possível) e adaptados às rotinas do bebé. E a Erica tem a sorte de poder contar com o apoio do marido que também tem disponibilidade durante o dia.
 
É uma pessoa poupada e gosta de aproveitar tudo o que ainda pode ter uso. A roupa, os sapatos e os brinquedos do menino foram herdados do seu afilhado que tem mais um ano de idade. Gastos, só mesmo com o carrinho. Por motivos de segurança. A mobília do quarto do bebé foi oferecida pelos avós e padrinhos e nesta linha a Erica procura frequentar parques com entrada gratuita e participar em actividades de entrada livre.
 
A nossa mãe, não fosse ela actriz, gosta de ler. Lê sobre bebés (para se aperfeiçoar como babysitter) e autores clássicos. Jane Austen ou Eça de Queiróz fazem parte da sua biblioteca, entre outros grandes nomes da literatura nacional e internacional. Também gosta de escrever. Mas sente-se cansada. Gosta de cinema, mas não gasta dinheiro nisso. Prefere ficar em casa. E quanto a hobbies pessoais, sobretudo, está disponível para o menino.
 
Pedi-lhe que completasse a frase:
Ser MATI é...
Ao que me respondeu:
... dar prioridade aos filhos, estar disponível 24h por dia, ser cozinheira, enfermeira, educadora, animadora, amiga... é o trabalho mais difícil e mais compensador que alguma vez terei.
 
Como eu a compreendo Erica!
Obrigado pela sua partilha. Obrigado por abrir um pouco o livro da sua história de vida. Desejo-lhe que o mesmo se torne um best-seller. E a Erica, como personagem principal, uma actriz de sucesso.

Top e saia da Vertbaudet



Vestido da Zara

Figurino da peça Off with their heads (feito de raiz)
 
As fotos foram disponibilizadas pela Erica.
 
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terça-feira, 3 de junho de 2014

A mãe da semana #8

Tem sotaque brasileiro, a reportagem desta semana. Mas a protagonista trocou o Brasil por Portugal. E, apesar de ter voltado à sua terra natal por amor, regressou. E vingou.
Fabiana Lima, uma linda e jovem mãe de 38 anos de idade, mãe de Noah com 16 meses e com dupla nacionalidade, que reparte a sua história de vida pelos dois lados do oceano Atlântico, é a mãe desta semana. Uma mulher que viveu cerca de 20 anos em Portugal, mas que por amor decidiu tentar a sua sorte no Brasil. Em São Paulo. E de lá trouxe o melhor da vida: um filho que, como podem ver nas fotografias, é um amor.
2014 ditou o seu regresso. Sem marido. Com um herdeiro, um tesouro e muita garra de vencer. Onde tinha sido feliz. Mas tem família em Portugal. Conta, sobretudo, com a ajuda da irmã mais nova. Porém, estar num país que não é o seu, não é fácil... Para ninguém. Quando partiu, partiu sozinha. E quando voltou, trouxe consigo um filho. Era preciso readaptar-se. E a Fabiana, por causa disso, optou por inscrever o Noah numa creche. Depois de considerar, por um lado, a grande vontade de estar com ele a todas as horas do dia, por outro, e por estar tão só, a necessidade de criar laços e relações com outras crianças. E considerou que esta era uma boa opção. O que, passados alguns meses, confirmou-se ser a melhor.

A gestão orçamental que a Fabiana faz vai desde a poupança na água do banho aos produtos de higiéne utilizados. Acredita que tomar banho juntos rentabiliza a água, o tempo e, ainda por cima, é divertido. Só usa marcas brancas no que toca a fraldas e toalhitas por confiar que se não fossem produtos de qualidade não poderiam ser vendidos. Há pouco tempo começou a usar maquilhagem e a suas marcas de eleição são a MAC e a Kiko. E não abdica dos cuidados diários do rosto que faz com os produtos Caudalie.

Gere a sua agenda com o filho através da oferta divulgada pela página da Pumpkin, onde encontra inúmeras actividades dirigidas às crianças e sem custos. Também costuma fazer aulas experimentais em diferentes áreas como as que fez recentemente. Uma aula de música e outra Play&Learn (que trabalha a psicomotrocidade), através da Gymboree. Adoraram! Os dois. E em breve o Noah irá frequentá-las.

A Fabiana adora ler. Neste momento tem em mãos A maternidade e o encontro com a própria sombra, de Laura Gutman e em fila de espera o Bésame mucho, de Carlos Gonzáles. Vai pouco ao cinema, mas fez questão de ver o filme Noé, pois foi esse personagem bíblico que a inspirou para dar o nome ao filho. Também costuma passear pelo paredão onde faz uma paragem obrigatória na areia para brincar com o Noah.

Criou um negócio online. Resultante da necessidade de encontrar roupa, calçado e acessórios diferentes para si e para o menino. Espreitem a Fababy Shop e surpreendam-se! E se quiserem supreender alguém com uma serenata, não deixe de consultar a Serenarte. Um serviço criado pela nossa mãe.

Como é assessora de imprensa e produtora de TV, sempre que pode dá uma perninha nesta área. Como será de 06 a 08 de Junho no Ink Vibrations que terá lugar no MEO Arena. Uma iniciativa programada, também, a pensar nas crianças. É moderadora de dois grupos no facebook. O For Mom's sem frescura e o For Mom's tugas & zucas.

Pedi-lhe que completasse a frase:
Ser Mati é...
Ao que me respondeu:
... escolher, exclusivamente, como projecto de vida a maternidade na sua plenitude.

Não lhe ouvi a voz. Mas imagino-a, só pelo texto que me enviou e entusiasmo na resposta aos e-mail's. O sorriso, que está nas fotos, transmite-me energia positiva e garra e vontade de vencer. Acredito que tenha momentos mais tensos. A monoparentalidade é uma missão muito grande. E muito pesada. Mas também acredito que conseguirá atingir o seu objectivo. E que, um dia, o Noah terá muito orgulho na sua mãe.

Muito obrigado Fabiana. Muito boa sorte! :)










Crédito das fotos | Ponto de luz
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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Mercado da Ribeira

Fomos visitá-lo na sexta-feira.
E... bem... o que dizer... acho que não é para mim. Enquanto for novidade, não é para mim...
Primeiro impacto: parecia que estava num aeroporto em estado de sítio. Tudo a comer no chão, malas e casacos espalhados. Sem conseguirmos passar.
Segundo impacto: gente e gente e gente. Para comer. Filas para todas as tasquinhas. Filas para nos sentarmos. Daí a malta estar toda no chão.
Ora eu que não tenho paciência para esperar, eu que dou uma volta maior para fugir ao trânsito, que sou a primeira a chegar ao supermercado para evitar carrinhos e carrinhos e filas para pagar. Eu que mudo de restaurante se estiver muita gente.... aquilo não é para mim.
 
Mas vínhamos da feira do livro de Lisboa. E a miúda estava a adorar o passeio. E tinha fome. E escolhemos o quiosque que tinha menos fila. Sim, quiosque. Não há restaurantes. Há quiosques com uma esplanada partilhada. E depois... depois foi uma hora às voltas à procura de lugar. Nós e a Sôdôna Teresa Guilherme. Que também estava a desesperar. E, desesperadas, dissemos ao meu marido, que ainda estava na fila para pedir o jantar, que íamos comer no chão... Não havia outro remédio.
 
E eis senão quando sinto nas costas uma mão a tocar-me e uma voz a dizer:
- Venha sentar-se ali. Eu, a minha mulher e a minha filha vamos sair.
 
O simpático casal topou-nos e deu-nos o lugar. A única cadeira que repartiam pelos três. Mas soube muito bem. Não estar no chão. E a nossa filha sentou-se à mesa. Obrigado ao simpático casal. E, graças a Deus, o vento estava de feição. Ao lado da nossa cadeira um grupo de amigas a jantar. E uma das que já tinha comido, cedeu-nos a sua cadeira. Obrigado a estas queridas.
 
Mais tarde o meu marido juntou-se a nós. Duas cadeiras para três. Menos mal. Mas tão depressa não nos apanham lá.
 
Tudo muito giro, muito arranjadinho, muito acondicionadinho. Mas eu alimentava a esperança de ver a parte do mercado própriamente dita.  Por enquanto é só um negócio de marcas. Pensei, mesmo, que iria ser bom para os vendedores da feira. A minha ideia de renovação destes espaços, passa por manter a tradição. A tradição de ir à praça, ao mercado e encontrar produtos frescos. Não passa, só, pela reabilitação do espaço transformando-o noutra coisa qualquer. Não sei... como funciona de dia... à hora em que eles lá estão... os vendedores...
 
Procurei uma imagem com pouca gente para terem uma ideia do espaço
 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Às vezes vejo-me grega!

De todas as valências atribuídas a uma mãe, cozinheira, médica, psicóloga, educadora, cabeleireira, etc., há uma que é muitas vezes esquecida: a de tradutora. Uma mãe é uma tradutora. De um dialecto não registado e que só ela compreende. De um dialecto muito próprio de cada um dos seus filhos quando começam a dar os primeiros passos na comunicação com os seus pares. É verdade que há palavras que são comuns entre as crianças, como (mãe) ou ába (água), mas há outras que ninguém, mas ninguém compreende. A não ser as mães.
 
Os meus filhos já estão crescidos... ou melhor, ela já fala correctamente. Ele, com quatro anos, é muito despachado na fala, mas por vezes ainda me surpreende. Como ontem.
 
Estive na escola dele e encontrei a professora de inglês. Falámos um pouco sobre o seu desenvolvimento, comportamento e outras coisas triviais. No carro perguntei-lhe:
- Então como é que se chama a tua professora de inglês?
- Aimisenanda!
- O quê?!?
- Aimisenanda!
- Não percebi...
- AIMESANANDA! - gritou.
 
Bom, a coisa não estava fácil. Por breves segundos pensei no assunto e... fez-se luz! Voltei ao ataque:
- Então quando a professora entra na sala o que é que ela vos diz?
- Hi, class!
- E o que é que vocês respondem?
- Aimisenanda! (Tradução: Hi, miss Nanda!)
 
Está bem que neste caso estamos a falar de uma criança de 4 anos a tentar falar inglês, mas a capacidade de compreensão dos adultos e de explicação dela é a mesma...
 
Um destes dias de manhã ao entrarmos no estacionamento da escola viu um amigo que estava com os pais já fora do carro. E se não fosse esse o seu melhor amigo acredito que a excitação não tivesse sido tão grande. Assim que o viu começou:
- Estona aqui, mãe! Estona aqui! (Tradução: estaciona aqui!)
 
Isto faz-me lembrar outra gira que acontecia até há bem pouco tempo. À saída de casa dizia-lhe:
- Vai chamar o elevador!
E ele punha-se à porta do mesmo a olhar para cima e a gritar:
- Badôôôi! Badôôôi!
O que fazia acordar os vizinhos do prédio da frente!
 
Se começo a pensar no assunto não saio daqui... Um dia destes ainda escrevo um glossário.

E com os vossos filhos? Como é? :)

terça-feira, 27 de maio de 2014

A mãe da semana #7

Fez no Domingo 4 anos que partiu. A mãe desta semana. Uma mãe a tempo inteiro que foi mãe de todos à sua volta. Das filhas. Dos irmãos. Das cunhadas. Das sobrinhas. A sua experiência de vida, a forma como encarou todas as suas experiências de vida, fizeram desta uma mulher de armas. Com a frase certa para todas as ocasiões. Com um sorriso nos lábios. Reconfortante.

 
Conheci-lhe a voz. O cheiro. O toque. A gargalhada forte. A boa disposição. A mão de cozinheira. O amor em cada gesto seu. As ideias. O sentido de família. Conheci-lhe as feições fortes. O sotaque alentejano. As tradições da sua terra. As curiosidades. As pessoas que conhecia. Conheci-lhe as preocupações. As tormentas. Os receios. E a paixão. Pela vida. Contagiante.

 
A mãe desta semana era minha tia. Lembram-se de ter-vos falado da mãe que não tive? Aqui. Pois essa falta foi colmatada pelas várias mulheres da minha vida. A minha avó. As minhas tias. As minhas primas. A minha irmã. A minha madrinha. Mas o lugar desta minha tia, da minha tia Vicência Mariana, era único. Único. Tal como ainda é.
Com ela aprendi uma linguagem própria de costureiras. Conheci os tecidos, as linhas, as agulhas, os nomes técnicos do seu trabalho. Vi os seus trabalhos. Da mais simples toalha ao mais elaborado vestido de noiva. Trabalhou em casa. Criou as filhas em casa. Apoiou o marido em casa. Numa casa pequena, mas para ela suficientemente grande. Cabia sempre mais um. À mesa, acrescentava sempre mais um prato. E laranjas. E romãs. E um queijinho do Alentejo. E um pão alentejano. E uns bolos de gila. Ou uns oitos para molhar no café.

Repartia o que tinha. Pois queria a casa cheia. Era assim que se sentia bem. Era assim que alimentava a alma. E era assim que gostavam de estar. Os que viviam à sua volta.

 
Partiu cedo demais. Das nossas vidas. Da sua vida. E com ela partiram tantas coisas... Uma gargalhada que, por vezes, ainda ecoa na minha cabeça. Um abraço apertado, forte, reconfortante. Nuns braços onde cabia sempre mais um. Uma voz ao telefone, sempre disponível. Uma confidente. Uma conselheira. Um porto de abrigo.

 
Partiu, além de uma mãe, uma filha, uma esposa, uma tia, uma irmã, uma cunhada, uma avó, uma amiga, uma vizinha, uma conhecida. Uma mulher com a 4.ª classe, mas imbatível na sua capacidade de acompanhar os tempos. Que voltou a estudar. Quando já era avó. Aprendeu informática. Andava por este mundo virtual. Ganhou a paixão pela leitura. E pedia-me livros para ler. Não lhe incomodavam as modernices das novas gerações. Respeitava toda a gente. Percebia que era assim. Que a vida era assim. Não conseguiu tirar a carta de condução. Faltou-lhe tempo.

 
A minha tia. A minha tia partiu muito cedo. Ainda tínhamos muitos momentos para viver. Muitos aniversários para celebrar. Muitos encontros. Muitos passeios na praia. Muitas férias no Alentejo. Muitos serões de cantorias alentejanas. Muitos abraços. Muitas gargalhadas.

 
Partiu há 4 anos. Tantos quantos tem o meu filho. Que visitou no dia a seguir ao seu nascimento. Que pegou ao colo um mês antes de partir. Que não conheceu como ela queria.

 
Em casa a sua presença é constante. No princípio não conseguia falar dela. Embargava-se a voz. Embaciavam-se os olhos. A minha filha chorava. Com o tempo, comecei a referenciá-la sempre que algo me fazia lembrá-la. E nas nossas conversas habituámo-nos a celebrar as memórias que guardamos. Homenageando-a desta forma. E porque quero que a minha filha nunca se esqueça do que ainda se lembra.

 
Quando a minha tia partiu, o meu pai, seu irmão, escreveu qualquer coisa como:
Agora percebo porque as pessoas mais velhas não sorriem tanto. Não têm tanta vontade de viver. Nem disposição. Porque já perderam pessoas muitos importantes nas suas vidas que com elas levaram essa boa disposição, essa vontade. Um bocadinho de nós. Tu, ao partires, levaste o melhor de mim.

 
Pela primeira vez senti uma forte manifestação emocional do meu pai. Esse muro que tudo aguenta. Que não chora. Que não se emociona. Imperturbável. E fiquei com medo de não mais o ver sorrir.

 
É o fado a melodia que mais me faz lembrar a minha tia. Além das modas alentejanas, é claro. Mas é o fado. Na voz da Marisa o Chuva arrepia-me. Arrepia-nos. Era um fado de que ela gostava. E é um fado que caracteriza bem a sua importância nas nossas vidas. Ouçam-no nesta homenagem que a sua filha lhe fez no dia da mãe de 2012. A minha prima Sandra. Pois, as coisas vulgares que há na vida, não deixam saudade.



Obrigado às minhas primas por me terem permitido esta partilha.

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terça-feira, 20 de maio de 2014

A mãe da semana #6

Vale de Milhaços. É de lá que vem a história que partilho esta semana. A história de uma MATI que assim o decidiu ser. Que teve o privilégio de poder escolher. Que sabia que assim teria de ser. Pois para ela... estava escrito...
 
Ana Silvestre. Um nome que, para mim, conjuga a maior das simplicidades, assente no Ana, com a maior das bravuras, assente no Silvestre. Como as amoras deste blog. Que crescem e vingam em condições atmosféricas adversas. Que resistem ao calor e convidam por quem elas passa a esticar a mão. Como que a dizer: entrem. Temos a porta aberta! Como a Ana. Que adora abrir a porta de sua casa para receber os amigos. Aliás, é assim que passa os fins-de-semana. De porta aberta. Com a casa cheia.
 
Não tive o privilégio de conhecê-la pessoalmente. Mas a sua escrita diz-me muito. Diz-me que se trata de uma mulher bem resolvida. Que ao fim de muitos anos de dedicação ao emprego, decidiu dedicar tempo à família. Uma mulher, mãe de três filhos, que planeou a sua vida. O casamento. A maternidade.
 
Uma mulher de 46 anos que nos diz: sim é possível ser MATI. O dinheiro não é tudo! Trabalhar para pagar escolas e empregada não a preenchia. Faltava-lhe qualquer coisa. Tempo. E esse, não tem preço! Faltava-lhe ar para respirar. Ver os filhos crescer. Acompanhá-los nos estudos, nas brincadeiras, no desenvolvimento pessoal. O beijo de boas  noites a que se resumia o melhor do seu dia ao fim de um dia de trabalho, não chegava. E tudo o que precisava para tomar essa decisão, teve. O marido! O maior companheiro neste volte-face. O maior cúmplice.
 
E é MATI há 9 anos. E será MATI para sempre. Porque ser mãe... é para a vida...
 
Não ter uma actividade laboral não significa estar em casa sem fazer nada. Isso, quem é mãe, sabe. Mas é pouco compreendido por quem não é. E, para essas pessoas, fica aqui o exemplo da Ana que, todos os dias úteis, está em pé às 7h15 da manhã. Mais cedo que muitas pessoas que vão trabalhar. Acorda os filhos, prepara pequenos-almoços, lancheiras, casacos e o mais que for preciso e sai de casa para levá-los à escola. Por norma, vai a pé. Apenas se chover é que pega no carro. No regresso já vem a organizar-se mentalmente. E quando entra em casa ataca as tarefas domésticas. A pensar no que vai fazer para o almoço. A pensar no que fará da parte da tarde. A antever que, se o dia está bonito, ainda poderá dar um passeio em família quando o pai chega do trabalho. E, por isso, organizando-se assim, tem o jantar pronto cedo para que, antes de irem para a mesa, possam encontrar-se no parque que há perto de casa. Esta é uma hora de descontracção e partilha familiar que lhe sabe muito bem.
 
Os serões, por norma, são passados em casa. A conversar, a fazer zapping, a ler ou a ver os passos de dança de salão que um dos filhos aprende às terças e às quintas. Uma diversão e um orgulho para todos.
 
A mãe desta semana deixa-nos algumas dicas de poupança:
- compra, apenas, produtos de marca branca. Outros, só em promoção ou alguma coisa muito específica;
- aproveita muitas promoções de produtos não perecíveis;
- cozinha sempre a mais e congela. Poupa tempo e energia;
- a cebola que sobra, pica-a e... congelador! Para utilizar mais tarde;
- recebe muito em casa. E todos contribuem com comida;
- faz férias em casa de família.
 
É uma pessoa simples. Usa rimel, blush e baton. Calça ténis, botas e sandálias práticas. Usa calças de ganga e dá preferência à roupa confortável. Mas um bom perfume... um bom perfume é um luxo que não dipensa!
 
Como poderão ver pelas fotos que partilhou connosco, é autora de um livro. Eu sabia, estava escrito. Publicou-o no ano passado, em Outubro. Trata-se de um romance optimista, dedicado a todos os que acreditam em finais felizes e almas gémeas. Podem saber mais aqui. E que giras que estão as fotos, não acham?
 
A mim, resta-me agradecer Ana. Pela sua história. Por dar-nos o exemplo de uma história com final feliz. Ao ter escolhido ser MATI. Pela disponibilidade na resposta aos e-mail's. Pela simpatia das suas palavras. Por ter escrito um livro para nós. Por falar-nos de si e da sua família. E dos seus gostos e hábitos. E, sobretudo, por ter aderido a este meu desafio!
 
Se calhar... estava escrito... e a Ana sabia-o...
 
Um beijinho. Obrigado.

 








 
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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Conversas de mãe e filha

Já vos contei sobre o lanche semanal que faço com a minha filha. As duas, uma vez por semana, numa esplanada. Se o tempo assim o permitir. Pomos a conversa em dia. Sem o pai e sem o mano. Ela abre-se. Sente-me ali, só para ela. E fala de coisas que, no dia-a-dia, escapam entre as obrigações dos trabalhos de casa, da roupa da ginástica, dos trabalhos da catequese, dos banhos, jantares e outras 1001 coisas que nos consomem as horas.
 
E foi num destes encontros que surgiu um exercício giro. Em jeito de conclusão sobre qualquer coisa que eu disse, francamente já não me lembro o quê, sai-lhe um:
- Ó mãe... Eu já te conheço... (a rir-se)
- Conheces? Conheces mesmo?
- Sim, mãe. Desde que nasci! - muito segura de si.
- Então fecha lá os olhos!
- O quê?!? - perguntou espantada.
- Fecha os olhos.
 
E ela fechou.
- E agora?
- Agora diz-me como são os meus olhos.
- Ó mãe....
- Ó mãe, nada! Diz-me como são os meus olhos.
 
Uma pausa. E a sua descrição:
- Então... têm pestanas.
- Os teus também têm. - respondi-lhe.
- Então... são dois... (a começar a disparatar)
- Disseste que me conhecias bem, não foi? Então diz-me lá como são os meus olhos.
- São parecidos aos do mano.
- E mais?
- Posso falar do teu nariz... (desafiou-me) Ou do teu cabelo...
Acedi.
- O teu nariz é grande. E o teu cabelo também.
Abriu os olhos:
- Agora és tu, mãe! - e desistiu.
 
E eu fechei.
- Diz-me como são os meus olhos! - disse entusiasmada.
- São doces. Amendoados. Dóceis. Expressivos. Tens uns olhos que dizem muito de ti. Se estás triste, se estás feliz. Se me queres pedir alguma coisa. Se fizeste algum disparate. Se estás com sono, se estás cansada. Se tens energia para um dia de brincadeira. Se estás a esconder um segredo. Os teus olhos são a tua alma.
- Ó mãe... como é que tu vês isso tudo nos meus olhos? (com uma voz de interessada, preocupada e espantada)
- Vejo isso e muito mais!
- E como é o meu nariz? - perguntou.
- O teu nariz é pequeno. Muito perfeitinho. Parece uma avelã. Mesmo no meio da tua cara!
- E a minha boca?
- A tua boca parece um leque!
- Um leque, mãe?!?
- Sim. Quando está fechado é delicado. Quando se abre é como tu. Quando sorris.
 
Continuámos por algum tempo nesta brincadeira. Falámos das mãos, dos pés e das partes do corpo de que ela se lembrou. E, durante a minha descrição, ela espantou-se. Encantou-se. Disse-lhe, como a música, que sei de cor... cada traço... do teu rosto. De olhos fechados. De olhos abertos. Em qualquer situação. Disse-lhe que há coisas nela que só eu é que vejo. E que há outras que toda a gente vê.
 
E ela quis saber.
 
E eu disse-lhe. Que lhe reconheço traços de uma personalidade extremamente sensível. De uma menina-mulher que me encanta a cada nova descoberta minha sobre o seu crescimento. Sobre as suas opiniões sobre os assuntos mais diversos. Sobre as suas atitudes com as amigas. Sobre a forma educada como fala com os mais velhos. Sobre a forma inteligente como se defende dos mais novos.
 
Disse-lhe que tinha tudo para vencer. Que é o meu orgulho. Que acredito nela. E que não preciso de vê-la para me lembrar de si.
 
E ela, na sua inocência, rematou:
-Eu adoro-te mãe!
(eu também, meu amor...)
 
 
 

terça-feira, 13 de maio de 2014

A mãe da semana #5

Catarina Silva Pereira rima com boa disposição. Garanto-vos! Pois tive o privilégio de conhecer, pessoalmente, a mãe desta semana. E foi esta a grande impressão com que fiquei. De sorriso aberto. Contagiante. De olhos escuros. Vibrantes. Voz forte. Traços do rosto bem marcados. Uma pose natural. Que se confundiu com o cenário envolvente. E um abraço forte. E preciso. E determinado.
 
Tivemos um encontro descontraído. Já nos conhecíamos um bocadinho. Pelos e-mail's que trocámos. E no entusiasmo da sua escrita adivinhava o que encontrei. Uma jovem mãe a tempo inteiro. Bem disposta. Que vive em Bicesse, mas que nasceu em Lisboa. Como ela sublinhou. :) Duas filhas. Uma de cinco e outra de quase dois (que tive o privilégio de conhecer). E uma empreendedora.
 
A sua condição de MATI herdou-a pela conjuntura do país. Primeiro, optando por ficar em casa até a mais velha ter 1 ano. Depois, por não ter emprego. Transformando-se os iniciais 12 meses em quase 6 anos. Não que lamente. Mas questiona-se. Há dias e dias. E nos mais difíceis, o ponto de interrogação aparece a bold.
 
Ser Mãe a Tempo Inteiro, para a Catarina, deve-se ao facto de ver a sua agenda diária organizada em função das suas filhas. A mais velha frequenta o jardim de infância, por isso levanta-se às 8h00, depois de já ter dado leite à mais pequena, pelas 5h30 da manhã. Para facilitar a rotina, pega na bebé, ainda de pijama, veste-lhe o casaco, calça-lhe as pantufas e lá vão elas levar a mana. Apenas se tiverem planos é que já saem de casa prontinhas.
 
De regresso a casa, um reforço de leite e uma sesta retemperadora. A mãe, dedica-se aos email's e às novidades que correm no mundo virtual antes de cumprir a sua agenda. Sim, porque a Catarina criou uma agenda semanal. Para se organizar. Para não perder o fio à meada. Para não deixar para amanhã, o que pode fazer hoje.
 
Sopa. Faz à 2.ª feira e à 5.ª
Aspirar. À 2.ª feira, à 4.ª e no dia da limpeza geral que é à 6.ª
Roupa. À 3.ª e à 4.ª
Passar a ferro. À 5.ª feira.
Actividades extra das meninas. À 4.ª feira e ao sábado de manhã.
Ao fim de semana. Tolerância zero. Não há limpezas. Há brincadeiras. Passeios. Bolos cozinhados com amor. Tempo. Há tempo.
 
A mãe desta semana foi apanhada na curva. Não tinha planeado engravidar 6 meses depois de casar. Mas aprendeu a lição. E aproveitou-a da melhor maneira. À segunda, um plano. Engravidar de modo a que a bebé nascesse na mesma altura que a mais velha. Se viesse uma menina, tanto melhor. Tudo seria aproveitado. Se viesse um menino, seria bom na mesma. Muita coisa iria ser aproveitada. E assim foi. Uma menina. Mais ou menos na mesma altura. Aliado a isto, procura aproveitar todas as promoções de fraldas e toalhetes. Pasta de dentes, detergentes e champôs. Também aproveita os saldos em livros e brinquedos. Que guarda para utilizar mais tarde. Faz uma gestão doméstica equilibrada. Em função do futuro.
 
Não gasta dinheiro em roupa da moda, só porque está na moda. Compra em função da qualidade e da sua real necessidade. Tem paixão por malas. E aqui sim... Perde a cabeça... Sempre que há saldos oferece-se uma. Daquelas. Enooooormes!! :)
Passa férias no Norte. Em casa de familiares. E, por vezes, consegue aproveitar promoções de fins-de-semana fora.
 
Adora ler e escrever. Gosta de romances históricos e trilogias. Intitula-se uma chorona. Emociona-se com as palavras dos autores. Vai pouco ao cinema e gosta mais de teatro. Ouve Marisa e Diana Krall. Prefere o dia à noite. É viciada em gomas ácidas e adora queijo. Gosta de sushi, chocolate e de sobremesas com claras. Gosta de flores amarelas. E gostava de, um dia, ser tia... :)
 
Pedi-lhe que completasse a frase:
Ser MATI é...
Ao que me respondeu:
... crescer com elas. Ter a possibilidade de ser a primeira a ver, a sentir, a concretizar todas as maravilhosas fases da criança. Acredito que nasci para ser mãe. Não me considero mais ou menos que as outras. Sou simplesmente mãe!
 
Adora cozinhar! E ao cozinhar bolo decorados, por causa das filhas, começou a ter muitas solicitações de familiares e amigos. Os maiores críticos do mundo. Por isso, nasceu a Petite Eventes by Me. Uma pequena grande ideia para a organização de festas de aniversário. Passem pela página e vejam o talento desta mãe. Vale a pena!
 
A mim resta-me agradecer a partilha. A disponibilidade da Catarina que foi ter comigo na minha hora de almoço. Para me contar a sua história. A boa disposição. A flexibilidade. E a selfie que quis tirar comigo. O abraço. E o charme. Prova de que uma mãe a tempo inteiro pode e deve continuar a ser a mulher que sempre foi. Pode e deve continuar a cuidar-se. E para isso não é preciso muito. Espreitem, mais abaixo, o que pode fazer um par de saltos altos.
 
Obrigado Catarina. Muitas felicidades.











 


Créditos das fotos | Contos com amoras
Local: Parque Marechal Carmona
Calças: Zara | Camisola: H&M | Blazer: H&M | Pumps: Zara
Make up (da prórbia): base Kanebo | Corrector de olheiras e batôn Lancôme
Lápis KIKO e Clarins | Blush e rímel KIKO | Sombras Estée Lauder
 

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terça-feira, 6 de maio de 2014

A mãe da semana #4

A mãe da semana regressa com uma história vinda de outro continente, mais propriamente da Oceania. Mas caaalma... que a mãe é portuguesa. E bem portuguesa.

Falo da Tatiana Fernandas, de 29 anos de idade. Uma mãe de 1.ª viagem, professora do 1.º ciclo que se viu obrigada  a sair de Portugal com o marido e a sua menina de 16 meses. Ser mãe a tempo inteiro não foi algo desejado. Não foi uma escolha. Nas palavras da Tatiana a vida encarregou-se disso quando em Agosto de 2013 decidiu ir à procura de uma oportunidade de futuro. Fez as malas com o marido e os três partiram para Melbourne.

Não foram às cegas. Claro que não! O risco foi calculado. O marido já tinha um contrato de trabalho e o objectivo era a Tatiana também arranjar emprego. Informou-se antecipadamente. Projectou. Entusiasmou-se. E partiu.

Partiu com uma ideia. E acabou por acontecer outra coisa completamente diferente... para poder trabalhar era preciso que a menina frequentasse uma escola. Mas as creches são caríssimas. São pagas ao dia. Na ordem dos 100 dólares diários. O Estado não ajuda nestas situações. E, contas feitas, não compensava. Daí a decisão de ficar em casa a tempo inteiro. E, apesar de ter sido inesperado, tem sido fantástico!

A distância de Portugal, dos familiares e amigos é colmatada com esta proximidade diária. Com esta disponibilidade a todas as horas do dia. Com as descobertas a cada segundo que lhe enchem o coração. Com a certeza crescente de que é esta a sua missão. Com o saber aceitar o que a vida lhe reservou. Com a certeza de ter feito a opção certa. Com a certeza de estar presente nas suas primeiras vezes.

O dia-a-dia rege-se pela rotina da menina. As manhãs, por norma, são passadas no jardim, no parque infantil ou na praia, de onde  vivem a cerca de 100 metros. Antes do almoço ainda há tempo para uma sesta retemperadora da bebé e para algumas lides domésticas. De tarde os passeios voltam à carga. Aqui acrescenta-se a biblioteca, a cidade e os pic-nic's, de modo a aproveitar os inúmeros espaços verdes que Melbourne oferece e reencontrar amizades recentes, fruto desta condição própria de emigrante.

Na Austrália esta família não tem carro. Por isso faz as compras on-line, tendo acabado esta opção por ser uma descoberta. O facto de não ir ao supermercado traduz-se em poupança. Compra apenas o essencial. Não se deixa iludir por prateleiras convidativas ao consumo. A isto, ainda aliou a ideia de fazer ementas semanais ou quinzenais restringindo, ao máximo, os gastos. E, garante-nos a Tatiana, resulta! Mesmo!

A mãe desta semana adora ler. Adora passear. Adora ver séries. Diz-se mesmo viciada em séries! E, mais recentemente, descobriu que gosta de cozinhar. Coisa que mal fazia em Portugal... Procura, também, aplicar receitas que permitam a aprticipação da sua filhota, como pão ou bolachas. E a prova do seu entusiasmo é a foto que nos enviou! :)

Pedi-lhe que completasse a frase:
Ser MATI é...
Ao que me respondeu:
... amar e ser amada vinte e quatro horas por dia. É chegar ao final do dia cansada, mas ir para a cama com o coração cheio, a transbordar. E sentir-me feliz...

Para já não está nos planos desta família voltar a Portugal tão cedo. Só de férias! Para matar saudades. Da família. Dos amigos, Da gastronomia. Do tempo. Dos cheiros. Dos anteriores circuitos e rotinas. Mas mais que isso não! Não para já... Mesmo que o coração se sinta muito apertadinho...

Obrigado Tatiana. Obrigado pela partilha. Obrigado pelas fotografias. Obrigado por ter-nos confessado que nem sempre a saída de Portugal é um mar de rosas. Que a vida de emigrante obriga a vários sacrifícios. Que se viu obrigada a abdicar da sua carreira por isso mesmo. Que procurar soluções para um futuro melhor é algo que dá trabalho. Que ser mãe a tempo inteiro nem sempre é uma escolha fácil.

Obrigado pelas fotografias dos bolinhos. Acho que tem muito jeito. Que deve continuar. :)












 Créditos das fotos | foram enviadas pela mãe
A primeira foto foi tirada em Portugal
As outras são "australianas"
 
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terça-feira, 29 de abril de 2014

A mãe da semana #3

Olá de novo! Com A mãe da semana.
 
Esta semana sinto-me particularmente emocionada com a história que vos trago. Antes de mais devo dizer-vos que não falei com esta mãe. Não lhe ouvi a voz. Não lhe vi os olhos. Não lhe senti o toque. Mas o texto que me enviou, as fotografias que partilhou e o entusiasmo em cada caratere que imprimi e li e reli, contagiou-me. E emocionou-me. Demonstrou uma grande força. De vontade. De vida. E de viver.
 
Demonstrou ter um coração do tamanho do mundo. Um sorriso do tamanho do mundo. Um colo onde cabe sempre mais um. Amor a transbordar. Demonstrou que, em cada desafio, encontra sempre uma oportunidade. E a sua história... a sua história merece este palco. E outros mais.
 
Chama-se Sofia. Tem 36 anos e é mãe de 3 crianças. Vive na Lourinhã, junto ao mar. E ser mãe a tempo inteiro era algo que desejava há muito, muito tempo. Mas as exigências da nossa sociedade não lhe permitiram realizar esse sonho logo que nasceu o primeiro filho. Também não foi possível quando nasceu o segundo. Apenas ao terceiro. E não por opção. Por obrigação. Porque este país não dá para mais.
 
A surpresa. Um parto prematuro. Um bebé especial. Uma experiência completamente nova. Diferente. Uma nova aprendizagem diária. Uma curva e uma contra curva inesperadas. Uma grande capacidade de responder às adversidades. E, assim, esta mãe começou uma nova fase na sua vida... Inesperada.
 
Levantá-los, dar-lhes o pequeno-almoço, vesti-los, prepará-los para o dia a dia e levá-los à escola (aos mais velhos), é o que caracteriza as suas manhãs. Depois, a rotina das terapias com o mais novo. O almoço e o descanso. E está passado meio dia. Uma passagem pelo computador, algumas tarefas diárias e chega a hora de ir buscar os que de manhã ficaram na escola. Seguem-se os lanches, os trabalhos de casa, as actividades que a Sofia preparou, os banhos, o jantar e o descanso dos guerreiros. Mas isto em dias bons. Porque noutros, em que o internamento do mais novo decide testar a resistência desta família, mais uma vez, as rotinas sofrem algumas alterações. Nas palavras de Sofia: fazemos os ajustes necessários.
 
A gestão doméstica alicerça-se na poupança. Faz menus semanais e tenta aproveitar as promoções. Consulta folhetos online e compra, apenas, o que é necessário. Não acumula nada. Utiliza sempre o que tem em casa, equilibrando a oferta de mercado com as necessidades que verifica. Faz fins de semana fora só em época baixa. E aqui sim: procura tudo o que é promoção.
 
Gosta de cozinhar. Decorar bolos. Ler. Passear na praia. Costurar. E são as suas mãos de fada que lhe permitem mimar a família com presentes feitos por si. Num mealheiro, juntou moedas de 2€ e, atenta às promoções, aproveitou para comprar a sua primeira máquina de costura.

O sucesso do seu trabalho é tanto que amigos e familiares incentivaram-na a criar uma página no facebook para dar a conhecer as suas criações. E, assim, nasceu a ArcoIrisDaSofia, uma página que foi mais além do previsto. Atualmente, constitui-se como meio de apoio às custas de saúde associadas ao seu filho especial. O mais novo. O que nasceu prematuramente. E o encorajamento de quem por lá passa, acaba por ser uma força motriz para Sofia. Um ponto de encontro com clientes e amigos. Um escape aos internamentos. Às notícias menos simpáticas. Aos exames complicados. Aos dias menos bons.

Nem sempre esta mãe consegue dar resposta aos pedidos. Mas muitos dos seus amigos artesãos doam trabalhos para leiloar e, assim, ajudar na angariação de fundos para ajudar nas despesas.

Passem por lá! :)

A Sofia tem um sorriso lindo. Aberto. De mãe. De mãe feliz. Tem uma família que se apoia mutuamente. Que vêm na mãe uma fonte inesgotável de optimismo. E isso, é contagiante. Mesmo!

Sofia, muito obrigado por partilhar connosco a sua história!
Comoveu-me. Sensibilizou-me profundamente. Desejo-lhe toda a força do mundo. Toda a felicidade que merece. Que os seus filhos continuem a crescer com esse suporte. Com esse alicerce que é a mãe que têm. Que os passeios à beira mar se prolonguem para todo o sempre. Que a sua máquina de costura continue a trabalhar, só pelo prazer que lhe dá. Que as suas leituras lhe permitam viajar e viajar sem parar. E que, um dia, eu a conheça pessoalmente. Gostaria muito!
 






 

 Créditos das fotos | Foram enviadas pela mãe

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terça-feira, 22 de abril de 2014

A mãe da semana #2

Depois do sucesso que foi a estreia desta rúbrica, A mãe da semana, quero começar por agradecer, mais uma vez, a todos os que estão aí desse lado, a acompanhar os Contos com amoras, a comentarem, a sugerirem, a partilharem as vossas histórias e a fazerem deste cantinho virtual um aconchego diário ao meu coração. Garanto-vos, saber que estão aí... é algo que não tem preço! :)
 
E a mãe desta semana, quem é?
É a Íris Sousa e Silva. Uma jovem mãe de 31 anos de idade, com dois filhos, rapazes, que vive em Cascais. Uma mãe com quem gostei muito de conversar. Cujos olhos, escuros, expressivos, profundos, nos envolvem sobremaneira. Com um sorriso lindo de morrer, mas tímido ao mesmo tempo. Uma mãe que me inspirou. Com quem encontrei pontos em comum e, por isso, a nossa conversa fluiu. E as fotografias ficaram espectaculares!
 
A sua história de MATI começou no ano de 2011, desde a altura em que a Íris e o marido equacionaram, seriamente, a ideia de sairem do país em busca de novas oportunidades. Sem medos, sem pressas, apenas com algumas certezas. As de que, por cá, não conseguiriam atingir os seus objectivos pessoais. E, aliada a esta vontade, surgiu o dia em que o chefe da Íris lhe perguntou se queria continuar na empresa onde trabalhava (estava na altura de renovar o contrato de trabalho) ao que a mesma responde que não. Não queria renovar. Ía embora. E, se renovasse, ficaria com a sensação de estar a ocupar o lugar de outra pessoa.
 
Mas esta humanidade, esta sensibilidade da Íris deve-se, sobretudo, à anterior experiência profissional que teve e que a marcou profundamente (pela negativa) quando se viu persona non grata num emprego em que esteve, em virtude de ter sido mãe, em 2008, e de ter regressado aos estudos. Ser mãe e enriquecer os seus conhecimentos levaram a um processo judicial. Mas a Íris ganhou-o.
 
E os seus filhos também. E a sua família. E os seus amigos. Ganharam uma nova mãe. Uma nova mulher. Uma nova amiga. Liberta. Disponível. Leve. Bem disposta.
 
Falou com o marido e juntos decidiram que a partir do final daquele contrato de 2011 a Íris ficaria em casa. E ela deitou mãos à obra. Tentou organizar-se o melhor possível. Diáriamente rege-se com listas, calendários e horários. Levanta-se pelas 6.30 da manhã, trata dos pequenos-almoços, descarrega máquinas, veste, despe, lava dentes, passeia o cão e leva o mais velho à escola.
 
Quando regressa despacha as tarefas domésticas por concluir, dedica tempo ao filho mais pequeno (que fica consigo todo o dia), dá o almoço, cumpre com a sesta e, sem dar por ela, está na hora de ir buscar o mais velho à escola e de levá-lo às actividades extra-curriculares.
 
A tarefa das refeições partilha-a com o marido, desde que o mesmo se encontre em Portugal. Mas gosta de cozinhar para dois ou três dias e poupar tempo com isso. Às 19.00, volta a passear o cão.
 
O descanso dos guerreiros dá-se pelas 21.00 e, até lá, há tempo para brincar em família. Ver alguma televisão. Contar histórias. Rir em conjunto. E quando, finalmente, está a casa em sossego, inicia um novo turno.
 
Alimentar e passear o cão. Alimentar a tartaruga. Rever agendas para o dia seguinte. Organizar quem faz o quê. Dar lugar às queixas dos músculos e fingir que presta atenção à televisão. E, na hora de dormir, o mesmo lamento de sempre: Devíamos ir para a cama mais cedo...
 
A semana é puxada, mas passa com vista ao fim-de-semana sem tarefas domésticas. Sem horários. Com esplanada. Com parque infantil. Com jogos. Com "algum" computador. O facto de fazer listas diárias ajuda-a a organizar-se e a não sair da "linha", assumindo as tarefas e o cumprimento da sua agenda como algo inadiável. Ajudando-a a aproveitar cada minuto da melhor forma.
 
Decoração é a sua área de eleição. E, por isso, gosta de, de vez em quando, renovar. Mas não compra novo! Reutiliza. Dá novas funções ao que já não usa. Vende o que já não usa. Procura soluções para o que tem acumulado.
 
Quando lhe pedi algumas dicas para partilhar com outras mães, enumerou as seguintes:
- menus semanais. Ajudam a controlar os gastos de supermercado!
- listar aniversários, épocas especiais, férias, seguros, luxos, etc. Ajudam a controlar os gastos expectáveis e a fazer esquecer as "ilusões de riqueza" do princípio do mês!
- comprar calçado durável. O barato paga-se caro!
- não correr atrás de promoções. O que leva a que se ande de supermercado em supermercado agravando outros custos. Tem apenas um cartão, o do Continente. Compra sempre as mesmas coisas, no mesmo sítio e, promoções, aproveita apenas o que vale a pena e quando vai às compras!
- férias a custos controlados. Em casa de familiares e amigos!
 
Não se lembra da última vez que foi ao cinema, mas sabe quando comprou o cabo HD que liga o PC à televisão. Lê muitos artigos e publicações científicas, mas por obrigação. Às vezes faz umas traduções em casa. E não lhe sobra tempo para grandes leituras de lazer.
 
Pedi-lhe que completasse a fase:
Ser MATi é...
Ao que me respondeu:
... pôr o MacGyver a um canto!
 
Concordo Íris! Sobretudo quando se vê confrontada com como-equilibrar-um-bebé-no-ombro-quando-aplico-eyeliner! (palavras da Íris) :)
 
Em casa abriu um negócio com o marido. Uma empresa que gere comerciais e faz network. Como a própria me disse: Somos mediadores de negócios! Imagine que tem uma empresa pequena, que precisa de exposição e clientes, mas o trabalho de comercial vai sempre ficando para trás porque não tem os contactos iniciais, porque não há dinheiro para uma equipa de comerciais de confiança, porque não há "mãos" para gerir agendas e follow up de clientes. A nossa empresa encarrega-se de gerir a sua equipa de comerciais.  Precisa de flyers, site, logo, toc, advogados... Nós adjudicamos as tarefas de acordo com o orçamento disponível: como tratamos das mesmas coisas para várias pessoas, conseguimos oferecer valores mais baixos ao cliente individual.
 
E mais não digo! (que eu não percebo nada disto)
 
Obrigado Íris. Espero que consigam cumprir os vossos objectivos. Que sejam muito felizes com os vossos filhos. Com o cão e com a tartaruga. Obrigado pela partilha. Pela simpatia. Por ter aberto o livro da sua vida. Por inspirar outras famílias que estão indecisas. Por ter sido tão humana no último emprego que teve. Por ter sorrido para mim. Por ter confiado neste projecto.

Um obrigado do tamanho do mundo.
 
 
 
 
 
 
  Créditos das fotos | Contos com amoras
Fotografias tiradas na Casa Museu Paula Rego

Calças e botas: Massimo Dutti
Camisola. Aca Joe
Casaco: Zara


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